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Detox Literário.

Super-Homem (Gustavo Araujo)

oculos

“Se você se concentrar com vontade, ele vai se mexer.”

O pai sentou-se no sofá para assistir ao noticiário enquanto o menino se voltava para o bonequinho de plástico, um caubói segurando o chapéu sobre a cabeça.

Abaixando-se, estreitou os olhos e ordenou, num murmúrio insistente: “mexa, mexa…”

Súbito, viu o brinquedo acenar. Chamou o pai imediatamente. Em resposta, um riso gostoso, cúmplice, encheu a sala.

A lembrança atingiu-o como vento fresco. Subiu na ponta dos pés e observou-o, imóvel qual brinquedo. “Mexa, pai”, pediu com toda a força, mas sabia, de algum modo, que tinha perdido seus poderes.

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86 comentários em “Super-Homem (Gustavo Araujo)

  1. Aureo
    30 de janeiro de 2017

    Enternecedor. Estou com o coracao apertado…

  2. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Um dos melhores micros da disputa. Parabéns, Palacios! Comovente. E ainda há a referencia ao Christopher, eterno Super Homem. Yeah!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Ótimo conto. Parabéns e boa sorte!

  4. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Ai, esse olhar infantil que toca e mexe tão sutilmente em nossas emoções, sentimentos…
    Conto gostoso de se ler, com um final impactante – que ainda estou tentando desfolhar. O que teria acontecido ao pai, que o narrador não nos deixa entreolhar. Somente empresta-nos os olhos do guri pequenino, que ainda precisa estender os pés para ver o pai imóvel. Ao final, o dúbio se desdobra: O menino sabia que tinha perdido os super-poderes, por isso o pai, seu super-herói, não se mexia. O menino sabia que o pai tinha perdido os super-poderes, desta forma, não conseguia se mover.
    Paralisado, morto?
    Envolvente narrativa, Palácios!

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Um bom conto, consegui ver a cena no final. Um final triste, mas emociona a inocência do menino. Parabéns.

    Bom desafio.

  6. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    O autor faz uso de subsídios que pouco se vê noutros textos, com oobjetivo de enriquecer a trama e atrair mais o leitor, objtivo que consegue alcançar muito bem. Comove-nos descobrir a condição física do pai do garoto e a o fim que nos arrebata e tira da nossa comodidade. Para refletir. Gostei.

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Palacios.

    Li seu texto no início do desafio, mas deixei para comentar no fim. Na primeira leitura, fui motivado pelos constantes elogios no face. Então acabei lendo o texto com expectativa alta e ele fez jus a ela.

    Extremamente interessante o cuidado com detalhes na narrativa para pontuar o subtexto, o título, a idade da criança identificada na ponta dos pés…

    Admito que de início pensei em morte, mas a referência apontadas pelos colegas ao Reeves me fez mudar de ideia.

    Enfim, um trabalho muito bom. Parabens.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Poxa, narrativa muito tocante! Tem uma atmosfera infantil, bonitinha, que remete à Toy Story, mas no final, é o pai do menino que não se mexe. Uma pena. De todo modo, parabéns pela narrativa!

  9. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Muito bom!

    O autor brinca com o leitor, exigindo atenção o tempo inteiro, para que compreenda o conto em sua plenitude. Para isso, usa várias perceptivas, dentre elas a lembrança. Muito bem estruturado e com um final arrebatador. Certamente estará na minha lista.

    Parabéns!!

    • rsollberg
      26 de janeiro de 2017

      *perspectivas!

  10. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Felizmente temos os comentários abertos! Alguma coisa me travou a leitura e a imagem que tive foi de um curta Pixar (ainda mais com o brinquedo estilo Toy Story). E enxerguei uma história de pai e filho. Não me atentei ao “mexa, pai” ao pai, pensei que os dois estavam a falar com o brinquedo. Que foi um erro. Mas pelos comentários, percebi que eu que não prestei atenção. O pai que não se mexe. Pode ser por simplesmente ignorar o filho ou por ter morrido. Várias interpretações, boa escrita e desenvolvimento. Bom conto!

  11. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Que conto forte! Cheio de emoção. É muito bem escrito, sútil e tem um desfecho sensacional. A cena fica na nossa cabeça e os personagens são tão vivos. Impressionante mesmo como em pouco espaço você consegue expressar tanta vida. Um dos meus favoritos até o momento, parabéns mesmo.

  12. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Só elogios e uma ressalva.

    O fator drama, quase como uma equação pronta, forçou um pouco no intuito de criar aquela empatia pela tragédia.

    No mais, é muito bem escrito.

    Parabéns

  13. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Palácios,

    Para mim, o conto vai além da palavra. A criança que faz de tudo para conseguir a atenção do pai é o segredo de sua história. Qual um boneco, o pai está estático frente à televisão. A realidade fantástica aqui, funciona apenas como pano de fundo. O boneco simboliza a infância, o sonho da criança e seu desejo de compartilhá-lo com o pai.

    A imagem que você utilizou no conto, também foi de muito bom gosto. Os óculos do super-homem, são, também, as lentes de leitura do pai.

    Parabéns por seu trabalho.

    Gostei muito.

    Sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  14. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Ah…
    Vejo poesia em sua prosa… Gostei da forma em que você soube tratar um tema tão triste com a leveza infantil.
    Leitura de fácil entendimento, fluiu de forma tranquila…
    Boa sorte!

  15. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    A analogia entre super-homem, poderes e paraplegia é fenomenal. Confesso que achei um pouco boba e extensa demais essa lembrança do personagem, mas é uma recordação de infância e todos já fomos “bobos” como esse menino.

    A questão é que a impressão que tive é que faltou espaço para desenvolver o final, quando o personagem acorda da lembrança. Ademais, não creio que no final seja um homem adulto, pois o personagem “subiu na ponta dos pés”. Seria um menino tentando enxergar seu pai deitado numa cama (leito de hospital?), ou seja, não sabemos quanto tempo se passou analisando apenas a narrativa, mas imagino que tenha sido alguns dias/semanas/meses ou até mesmo poucos anos, e que a situação do pai o causou grande decepção/tristeza/abatimento e o despertou para a vida, fazendo-o não mais acreditar em poderes. E é exatamente nessa cena que entra o grande trunfo do conto. O homem estava morto, em coma, paraplégico? Não importa. A surpresa (infeliz) está presente, e faz a gente pensar na vida. Certamente um excelente conto.

  16. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    bem interessante este conto por toda a poética que transmite, mas também pela estrutura, simplicidade e inocência e… ficou muito bem, muitos parabéns

  17. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Muito lindo, delicado sem pieguices, de tão bem descritas, a gente até consegue ver as cenas. Interessante como, tendo usado linguagem e modo de falar adultos, a gente consiga perceber a criança falando… Já vai pra lista!

  18. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    Adorei o seu conto! Apesar de ser algo triste, conseguiu tratar isso com a leveza de uma criança mesmo, o que torna ainda mais tocante. Muito bem escrito, parabéns!

  19. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Ótimo. Fácil. Bem posto nas palavras. Tristeza passageira, mas cheia. Gostei.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Prezado Autor (com A maiúsculo, não desprezando os outros, mas por mérito seu): sua história foi magistralmente construída, desde o desejo infantil até a reviravolta, ou “adultescência” do menino ao ver que não tem mais poder sobre a morte do pai. A escolha das palavras e imagens, o ritmo, pontuação, tudo. Um microconto sensacional. Parabéns!

  21. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Outra porrada. Nem chorei, só fiquei tremendo…
    Que beleza! É uma construção muito boa, muito forte, muito real!

    Não tenho muito pra comentar, nada que pudesse adicionar, nada a corrigir! Só elogiar!

    Parabéns!

    Abraços.

  22. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Muito bom conto. Novamente, a vida pregando peças, cheia de ironias. O menino que tinha o “poder” de fazer seus brinquedos ganharem vida, nada pode fazer pelo pai, que nunca mais se mexeu.

    Você usou bem o “mostrar”, deixando claro que ainda se tratava de uma criança quando pai se foi. Muito boa narrativa, parabéns e boa sorte.

  23. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. Na primeira leitura, confesso que não entendi, mas depois vi que todas as pistas estão aí.

    Gostei também da escolha de deixar a morte do pai implícita. Deixou a leitura mais imersiva, pois abriu espaço para explorar os sentimentos do menino. É possível se sentir dentro da história. E tudo isso em apenas 99 palavras.

  24. Pedro Luna
    23 de janeiro de 2017

    Esse “mexa, pai” pode ter vindo de um desejo do retorno a vida, ou do retorno de movimentos corporais. Como ele fica na ponta do pé para ver, isso imediatamente me remeteu a uma criança olhando um caixão.

    Bom, a teoria dos movimentos corporais também é válida, e isso acabou me tocando um pouco, pois tenho uma tia em casa que sofreu AVC e tem limitações. Seria maravilhoso apenas se concentrar e ordenar o movimento de seus membros.

    Enfim, um bom conto. Só lamentei que a estrutura complexa faça com que seja preciso ler o conto algumas vezes para pegar as nuances – pelo menos foi isso que ocorreu comigo. Enfim, textos complexos são assim mesmo, é preciso mais de uma leitura, mas eu acho que o impacto no caso desse aqui seria maior se as coisas fossem um pouco mais simples. É só uma ideia do que poderia ter sido. Mas do jeito que está, se mostra bem bacana.

  25. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Oi,

    Sua narrativa (apesar do tema recorrente, a morte) não perde em qualidade ou impacto. É uma história bonita e tocante. De chorar.

    Reli umas três vezes para ter certeza de não ter perdido nada. Uma imersão profunda sobre o sofrimento infinito da perda.

    Muito triste… e muito bom.

  26. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Que ótimo conto! Trata de um tema pesado com leveza e sem um dramalhão desnecessário. Não pude deixar de pensar no Woody, do Toy Story, com a descrição do boneco.
    Parabéns e boa sorte!

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Nossa, apertou o coração aqui.

  28. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO em piscina de inocência sempre mexe com a emoção das pedras. Até comigo. O IMPACTO foi competente como chute na canela por debaixo da mesa. Ninguém viu, mas doeu.

  29. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Outra morte na parada. Eu vou parar de encrencar com contos assim? Nunca. Enfim, foi bem escrito e definido, entendi perfeitamente, mas, como sempre, tem essa ressalva que considero, particularmente, desagradável. Boa sorte!

  30. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Que aperto na boca do estômago – e o que mais me surpreende: apenas pela sugestão de algo. Vi o menino, driblado pela própria imaginação, por um truque do pai, ou por ambos. Vi o homem, privado da capacidade de crer sem ressalvas, imerso na certeza melancólica que a razão nos traz. Muito bom.
    Parabéns e boa sorte.

  31. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Excelente conto. Nos dá uma porrada no final. Foi muito bem construído e pegou na emoção sem pieguice ou exagero. Boa sorte..

  32. Lee Rodrigues
    23 de janeiro de 2017

    Moço, sábado passado me bati com esse par de lentes e não quis comentar às pressas um conto que foi feito com atenção, com o cuidado de concentrar a grande parte do seu poder encantatório na sugestão, na força engendrada do subtexto.

    Um texto de fruição que não se importa se você vai entender fácil, ele é denso, você tem reler, procurar, é o tipo de escrito que lhe oferece um sentimento de choque, na qual se realiza uma leitura do mundo a nossa volta de outra maneira
    .
    O autor se define por aquilo que ele cala, e você me calou.

    Obrigada!

  33. Tiago Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Olá Palácios. Precisei ler duas vezes para captar todo o significado desse conto. E tenho que dizer, já li quase metade dos contos, e este foi o primeiro que quase me fez chorar. Muito sentimento pra tão pouco espaço. Com certeza estará na minha lista. Se puder e se lembrar, gostaria de saber quem escreveu o texto, porque quero muito ser seu amigo. Sua sensibilidade é grande demais. Parabéns Duplo pra você.

  34. juliana calafange da costa ribeiro
    22 de janeiro de 2017

    quem dera, o Super-Homem viesse nos restituir a glória… belo recorte de uma situação tão corriqueira q a gente nem percebe a magia q tem. Muito bonita a maneira como vc constrói o seu conto, muito bom trabalho, parabéns!

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .