EntreContos

Detox Literário.

Replay (Victor Miranda)

Por que você teve que partir tão cedo?

Hoje faríamos mais um ano juntos, então eu tive outra crise. A bebida me anestesia, mas o nosso vídeo de aniversário, apesar de curto, sempre faz com que eu me sinta um pouco melhor.

Serve para que eu lembre como nós fomos felizes.

Agora está na parte em que você se emociona quando eu te beijo e pego o revólver na mesa. Você ficava tão linda com aquele vestido… Às vezes eu sonho que sou você e que o visto para senti-lo.

Por que você teve que morrer tão rápido?

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103 comentários em “Replay (Victor Miranda)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Me lembrou do conto O vestido de noiva, do Nelson Rodrigues. Bom trabalho, viu? Trama aberta e certeira.

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Até que ficou legal, um psicopata narrando ficou muito legal, gostei bastante do seu texto, faltou um pouquinho de impacto (talvez esse não era o objetivo do texto), mas faltou mesmo um pouquinho pra ir pro top 20! Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Um romance com um psicopata, uma ideia interessante. Nota-se o sentimento do personagem de primeira. Apesar de tudo, ele ainda pensa na esposa. A ideia foi boa e o texto muito bem construído. Adorei a escrita e a forma que foi simples. Parabéns!

  4. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    O texto é bem redondinho. Percebo que o personagem não tem remorso pela perda da esposa, nem pela sua ausência particularmente. Louco, ele deve sentir algum prazer em reprisar as cenas para senti-las, trazer à tona, revisitar sensações, sentimentos que vivera quando do assassinato (concluo-o pela frase final que me soou tão intensa, mas no sentido de prolongamento do prazer do assassino).
    Bom.

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Sem novidades e um pouco confuso a parte do vestido.
    Tentei reler mas desisti.

    Bom desafio.

  6. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Me interessou a a falta de conclusão em que a trama coloca o leitor, indefinindo a causa da morte da mulher. Não dá para saber se ela se suicidou e o revólver caiu sobre a mesa ou se foi assassinada pelo parceiro, que agora lamenta a sua partida. Cada leitor que decida o seu desfecho. Abraço e boa sorte.

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Nicolau.

    De inicio não gostei do texto, pois tinha achado clichê, mas lendo novamente encontrei elementos interessantes, fosse o motivo pelo qual ele reclamava (a morte foi rápida demais). O sonho foi o trecho que achei mais interessante, indicando que uma repressão de cunho sexual seja a causa da loucura.

    Um trabalho bacana.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da referência à Psicose e achei curioso que o protagonista, apesar do replay, não parece se lamentar da morte/ausência da mulher, mas sim, da ~execução~ do assassinato, lamentando que a mulher morreu depressa demais. Sem contar que o vídeo de aniversário, na verdade, mostra o protagonista matando a mulher! Meu entendimento é de que ele se preocupa mais com a morte em sim do que com a consequência ou com a vida da moça – que nem um psicopata. Parabéns!

  9. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Um psicopata arrependido é original. Na verdade, com recaídas e preso ao passado.
    Revivendo a história e demonstrando a loucura.
    Legal, mas não conseguiu me empolgar tanto.
    Acima da média.
    Gostei do trocadilho com o pseudônimo.
    Parabéns e boas sorte.

  10. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Dentro da proposta do título, um conto interessante ao saber que o protagonista fica revirando o vídeo (fisicamente ou mentalmente), mostrando um psicopata. Um ponto legal é ter pego aquele complexo de Norman Bates, ao colocá-lo experimentando a roupa de sua vítima. Um toque muito legal. Mas senti o texto um pouco morno.

  11. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Nicolau,

    A obra poderia ter sido excelente.

    Porém, não sei, faltou mais vida aqui.

    Tudo está bem construído, mas o final ficou aquém de tudo o que conto havia erguido até então.

    O desejo do narrador-personagem em vestir o vestido deveria ter sido mais bem explorado. O texto pedia para isso.

    No computo geral, é um bom conto.

  12. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Nicolau,

    A narrativa na primeira pessoa, através do olhar distorcido de um psicopata é muito interessante. A ideia de ele estar assistindo repetidamente a uma mesma cena, valida sua doença e a perversão a que se entrega.

    O conto é bem construído.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Nicolau Esparques
      25 de janeiro de 2017

      Obrigado, Paula!

  13. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Nicolau Esparques kkkkk adorei! E não é um texto nada típico do Sparks.
    Lembrou-me mais Psicose (o livro); o norman e seus problemas com o alcóol, a frase “às vezes eu sonho que sou você” parece referir quando ele tinha um de seus surtos e se transformava em outra personalidade que julgava ser a mãe… mas isso tudo deve ser viagem minha kkk
    Boa Sorte no concurso!

    • Nicolau Esparques
      25 de janeiro de 2017

      Pode ser psicose sua!

  14. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Esse conto traz um homem doente retratado perfeitamente através da narrativa. Vou dissecar o texto conforme minha visão, tá? “Então eu tive outra crise”, aqui poderia ser uma crise de depressão, só que mais tarde fica claro que tem a ver com o descontrole do homem (raiva, frustração… não sei, é um personagem doente, só consigo definir assim).

    O vídeo o faz se sentir melhor porque está revivendo aquela cena, que na cabeça do personagem foi o ápice de seu delírio. Ficou claro que ele pega o revólver no vídeo que ele revê, mas o estranhamento é na cena em si, ele a beijava enquanto pegava o revólver… onde tava essa mesa? Não consegui enxergar a cena com perfeição, mas creio que ele pegou a pistola na cena do casamento, que NÃO é uma cena do presente (como se ele fosse se matar).

    E o final entrega mais uma face da doença do homem, quando ele questiona por que ela morreu tão rápido. Aqui penso que ele a matou e tudo está ali, documentado em vídeo, e que ele lamenta no presente o fato da mulher ter morrido muito rápido, como se ele quisesse que ela sofresse. E nem falei da parte do vestido. Uma montanha russa de emoções esse homem. Adorei o conto (mais pelas nuances dele do que pela história em si, o psicológico do personagem foi muito bem retratado conforme suas ações seguiam). Parabéns.

    • Nicolau Esparques
      25 de janeiro de 2017

      Adorei a sua dissecação!

  15. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    bem escrito, simples e leitura um pouco complexa pela abertura do desfecho do conto, mas ficou bem, parabéns

  16. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Psicopata (tem) Vitima (tem) Cotidiano (tem) O que mais tem? Tem que ter mais dentro deste recorte, apesar que… É justo, em 99 words é justo

  17. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Psicopatia profunda em poucas linhas. Narrativa em primeira pessoa, bem construída, apesar do ambiente convencional da fossa. Na parte do vestido, ficou confuso –ele o veste em sonho? Quer sentir o tecido dele? No mais, um conto bastante técnico e elaborado.

  18. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Está bem escrito, a leitura flui, sem entraves. O autor parece querer que não seja uma grande surpresa o final, através da fala naturalizada de um assassino que sente falta de sua vítima. Eu só não consigo me importar com um personagem assim, sem nenhuma motivação aparente. Me importo com a vítima, mas ela não é o ponto central do conto, não é o foco do autor.

    Bem escrito, mas não me tocou.

    Boa sorte.

    Abraços.

    • Nicolau Esparques
      25 de janeiro de 2017

      Eu só quero ver o mundo pegar fogo, Tom. Abraços!

  19. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Boa narrativa, bem mostrada, deixando claro o caráter do narrador. Um sujeito bem maluco, matou a mulher e agora se veste como ela. Até me lembrou Psicose.

    Boa sorte.

  20. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. Não achei exatamente surpreendente, mas gostei da forma como a narrativa “normalizou” as ações dos personagens, mostrando que para ele esses comportamentos são perfeitamente aceitáveis. Só gostaria de ter entrado um pouquinho mais na cena: talvez tenha faltado um ou outro detalhe narrativo que tornasse a leitura totalmente imersiva.

  21. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Conto insano! Muito legal como o autor monta a história aos poucos, o vídeo foi uma ótima sacada. Conseguiu contar muito e pouco espaço e eu gosto disso. Não ficam tantas questões no ar, mas a história está ai, redonda. Gostei mesmo. Parabéns!

  22. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    É frio e mórbido. Não há como ficar indiferente… Não gostei, ou seja, acredito que o autor alcançou o que procurava – no caso, despertar sensações…

  23. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá Nicolau,

    Psicopata dos bons esse. Do jeito que manda o gabarito: total ausência de culpa ou gravidade pela sua ação, sofista e com um traço de édipo.

    Me lembrou Norman Bates, do Psicose, que se vestia como a mãe para cortar uns pescoços por aí.

    Começo diabético com final de entortar as tripas. Parabéns.

    P.S.: Nicolau… Nicolau… Cara… eu juro… fiquei com os dedos coçando para fazer um lindo e poético trocadilho com seu nome, mas sou novo por aqui… não conheço ninguém… então… fica só o comentário mesmo. Tchau.

    • Nicolau Esparques
      23 de janeiro de 2017

      Valeu! Hahahaha E se quiser, fica o mesmo trocadilho pro seu tchau!

  24. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    O narrador é um psicopata e as palavras são fieis a esse traço dele. Não é fácil construir algo assim em um texto tão curto, exige habilidade. O clímax ali no meio, quase que perdido, me parece natural para uma personagem que enxerga tudo, inclusive a morte, como algo banal.
    Boa sorte!

  25. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    O MERGULHO foi tão rápido que nem deu tempo para o público perceber. A frieza da execução ficou mais trágica do que a trama. Não há IMPACTO. Parece que o autor fez questão de amortecer qualquer surpresa com o título e a 1ª frase. Bem, cada um com seu cada qual.

    • Nicolau Esparques
      23 de janeiro de 2017

      A frieza da execução foi trágica mesmo.
      Foda.
      Vou tomar um café.

  26. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Percebi a escrita aqui por um viés cinematográfico – influências de “Silêncio dos Inocentes” e “Psicose”. Gosto desses filmes, então não pude deixar de apreciar também o conto. A psicopatia vai se revelando aos poucos, junto com a filmagem e a “confissão solitária” do protagonista. Vejo na gravação um elemento chave: o protagonista não tem como reviver propriamente aquele momento que tanto prazer lhe provocou, portanto usa a filmagem como paliativo – e o replay já não lhe satisfaz.
    Parabéns e boa sorte.

  27. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Mostra bem a cabeça de um psicopata, como ele pensa. Só pensa nele mesmo sem nenhum remorso. Achei a condução bem feita. Boa sorte.

  28. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Li duas vezes e não achei nada, a não ser um desabafo, evidente, mas não muito bem escrito e desenvolvido. Só para ficar claro, cansei de tanta morte, essa, no caso, aparentemente sem sentido ou, pela última frase, representado por um psicopata. Não gostei.

    • Nicolau Esparques
      23 de janeiro de 2017

      Nossa jureg

  29. Amanda Gomez
    23 de janeiro de 2017

    Olá,

    Acho que o conto ficaria melhor se não fosse tão aberto. Crimes passionais não tem muita novidade, aqui vejo uma história que não trás nenhum elemento novo. Homem louco, mulher assassinada, devaneios…. e etc. Se o motivo para tal tivesse aparecido podia ser uma surpresa… mas não teve, e então não sobrou nada. Não dá pra sentir empatia.

    No geral é um bom conto, mas acabou ficamos mais do mesmo.

    Boa sorte no desafio.

  30. Lee Rodrigues
    23 de janeiro de 2017

    Acho que vou dar outra viajada, mas vamos lá.

    No fluxo de pensamento dele, não percebi remorso, ele sente falta de como se sentia, porque em meio às crises, a lembrança dos últimos momentos o acalma, daí a permissão para imaginar que talvez ela gostasse e o infortúnio pode ter sido uma brincadeirinha mais perversa de um casal sádico, ou ela não curtia nada, e quando ele diz que ela se emociona com o beijo, na verdade ela devia ter expressado pavor ao vê-lo com a arma, então o cara não é apenas mais um sádico desmiolado que ultrapassou a barreira com a mulher, ele é um psicopata que não quero ter por vizinho.

    Até tentei aliviar a barra pintando a cena de uma noite mais quente. rs

  31. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Reli muitas vezes, mas fui ficando cada vez mais ambivalente em relação ao comentário que faria…Li também o que vários dos colegas escreveram, e percebi que o conto despertou a mesma ambivalência em muitos deles… Pude, então, pelo menos, concluir que o conto é, no mínimo, intrigante…Bem pensado, bem escrito, bem cuidado; a frase inicial e a final, por exemplo, amarram e reforçam o título que, já sendo atrativo por si só, ainda vai servindo de plataforma para o desenvolvimento da história. O clima é estabelecido e alterado aos poucos por detalhes aparentemente díspares, frases mal terminadas, insinuações sutis, dados aparentemente incoerentes. Aprecio muito construções assim, calculadas e precisas. O resultado obtido a partir de uma trama um tanto previsível valoriza ainda mais o texto que, por outro lado, me parece já suficientemente intrigante e ambíguo para poder dispensar frases confusas e que nada acrescentam ao fio condutor, do tipo: “Às vezes eu sonho… para senti-lo.”
    Acabo me perguntando se não prefiro transitar por leituras menos tortuosas…

  32. Tiago Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Me parece que o assassino está meio que arrependido, e que tem bebido para esquecer o que fez. As lembranças ficam rondando ele e o atormentam. Curti o conto, parabéns!

  33. Anderson Henrique
    22 de janeiro de 2017

    Gostei do psicopata arrependido (não pelo crime, mas pela duração do mesmo). Fiquei querendo outros detalhes (o trecho do vestido é uma bela sacada), mas entendo que não são necessários. Bom conto.

  34. Matheus Pacheco
    22 de janeiro de 2017

    Parece uma carta, escrita só para manter a historia de algum que se culpa de algo que não fez, de um homem que se entregou a bebida por não suportar algo que pensou ter feito.
    ÓTIMO conto e um abraço ao escritor..

  35. Thiago de Melo
    21 de janeiro de 2017

    Amigo autor,

    Troféu psicopata pra você!
    Que que isso, rapaz!? Como que vc faz isso?? Eu estava lá todo meloso é triste pq a mulher tinha morrido e o cara estava na pior há um ano…. De repente, com 3 ou 4 palavras, vc muda tudo: muda quem era o cara falando, muda o contexto todo, muda a relação dos dois. Conseguir enganar o leitor assim não é pra qualquer um. É preciso muita técnica, ainda mais em um MicroConto. Muito bom! Parabéns!

  36. Juliano Gadêlha
    21 de janeiro de 2017

    Bom conto (e bom pseudônimo). Ainda que tenha sido um tema bastante explorado neste desafio, cada texto merece os devidos méritos. Aqui entendo que a história está aberta a diversas interpretações. Para mim, a esposa foi morta pelo marido no dia do casamento, e nunca houve um aniversário das bodas com os dois vivos. Assim, todos os anos, no dia em que se comemoraria tal aniversário, o marido revê o vídeo de casamento, sozinho, em crise. Essa virou sua tradição. Sendo isso ou não, parabéns pelo conto!

  37. Douglas Moreira Costa
    20 de janeiro de 2017

    É um ponto de vista muito interessante, o psicopata que clama seu amor à vitima. O interessante é o plot twist no meio da frase. A aparição do revólver transforma a imagem do personagem de um modo arrebatador, transforma até mesmo o cenário que eu imaginava que ele estivesse durante os devaneios. Foi uma forma muito interessante de contar sobre um psicopata, e aquela frase que uma hora pareceu um eufemismo para a morte da amada e depois, de um salto, se transforma na descrição da cena de sua morte.
    É um ótimo conto, parabéns.

  38. Luiz Eduardo
    20 de janeiro de 2017

    Muito bom, começando pela referência no pseudonimo “Nicolau Esparques”. COnfesso que no inicio eu esperava uma história impiedosamente melosa, mas então veio aquele revolver hehe… Não que goste de histórias trágicas, mas prefiro essas aos dramalhões que existem por aí. Muito bom, parabéns.

  39. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de janeiro de 2017

    quantos assassinos psicopatas temos neste desafio, afinal? Rsrs Acho q vc construiu muito bem a história, usando o vídeo como linha de condução. Linguagem fluida, em primeira pessoa, faz a gente se aproximar mais do personagem. Parabéns!

  40. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    19 de janeiro de 2017

    Sórdido. Ótima descrição dos pensamentos com ritmo e velocidade que disturba o leitor. Boa sorte!

  41. Gustavo Castro Araujo
    19 de janeiro de 2017

    A impressão que tive no início foi que o protagonista teve uma crise em função do aniversário de casamento, ou seja, por recordar a data assistindo um video da cerimônia. Descrevendo o que assiste à esposa que, aparentemente não está presente, diz que pega o revólver após beijá-la. Diz a ela que usa o vestido de noiva de vez em quando, lamentando sua morte rápida. Ao que tudo indica, ele a matou na cerimônia, logo depois do beijo, mas não há certeza quanto a isso. A maneira como o conto foi escrito deixa aberta a possibilidade de que algo diferente tenha ocorrido, ainda que no fim a mulher tenha morrido. São boas entrelinhas, mas no fim todas convergem para a loucura do narrador. Bom trabalho.

  42. waldo gomes
    19 de janeiro de 2017

    Alguém matou, alguém morreu. No resto do conto fiquei perdido.

    A frase “Às vezes eu sonho que sou você e que o visto para senti-lo.” é de uma confusão imensa. Sonha que é a mulher e no sonho veste o vestido para sentir o vestido ? não tem sentido. Talvez seja “senti-la”, nesse caso, para quê usar o vestido se já está sonhando que é a própria mulher ?

    Nem sei mais se alguém morreu mesmo.

  43. Luis Guilherme
    19 de janeiro de 2017

    Bom conto!

    Fiquei um tempão pensando no que seria o x da questão do conto.
    Adorei a conclusão.

    Acho que fico mais inclinado pro psicopata, mesmo. Não queria que a vítima durasse tão pouco.
    Foda!

    Adoro histórias envolvendo psicopatas, e essa, do ponto de vista dele, ficou muito boa.

    Parabéns!

  44. Marco Aurélio Saraiva
    19 de janeiro de 2017

    A visão de um psicopata é sempre interessante para mim, talvez por ele ser algo tão diferente do que nos forçamos para ser todos os dias. Psicopatas como o personagem deste conto não entendem as regras sociais e os sentimentos “humanos”: não entendem o que há de errado em matar a pessoa que ama, e ficam tristes por ela ter morrido apenas “rápido demais”.

    Gostei da visão do assassino, que é escrita muito bem, criando um clima de terror, que entra em cena ainda mais quando leitor vai descobrindo, gradativamente, que o personagem principal é o assassino da própria mulher.

    Parabéns!

  45. Davenir Viganon
    18 de janeiro de 2017

    Eu entendi como um punhado de reflexões de um assassino mórbido enquanto ele olha um vídeo/troféu de uma vítima. Pelo título, intuo que ele vê o vídeo repetidas vezes… tudo em primeira pessoa. O resultado é bom, mas não consegui ver um sentido para além disso.

  46. Pedro Luna
    18 de janeiro de 2017

    Para mim, esse conto tem muitos significados possíveis principalmente por causa desse trecho:

    “Agora está na parte em que você se emociona quando eu te beijo e pego o revólver na mesa.”

    Primeiro pensei que, como o cara estava assistindo a um vídeo, a cena era a mulher se emocionando e ele pegando o revólver. Depois pensei que a cena era somente a mulher se emocionando, e o “pegar o revólver” era off, a realidade, como se ele pegasse o revólver para querer se matar, por exemplo. Depois fiquei pensando no “pq você partiu tão cedo” e pensei: será que ele torturava ela e filmava?

    Enfim, achei bem divertido bolar possibilidades, mas elas continuam apenas possibilidades e isso me frustra um pouco, pois não sei se entendi direito. A história não é clara e por isso não me apeguei a ela. É bacana, mas no fator desafio, onde preciso indicar favoritos, creio que não vá adiante. De qualquer forma, parabéns.

  47. Fheluany Nogueira
    18 de janeiro de 2017

    O texto é uma homenagem a Nicholas Sparks, o romântico da atualidade? Gostei da narrativa apesar de não entender claramente se é um caso de transtorno de personalidade e homossexualismo (o desejo pelo vestido) ou se é apenas um marido saudoso. Também ficou sem dicas esclarecedoras o caso do revólver. O protagonista queria matar-se ou matou a mulher? Estou me deixando influenciar pelos contos de terror…

    De qualquer forma é um bom trabalho, linguagem coesa e sugestiva. Bom recurso a pequena variação entre a primeira frase e a última. Parabéns e abraços.

  48. Thata Pereira
    18 de janeiro de 2017

    Nota 10 para o pseudônimo! rs’

    Quando terminei de ler o conto, até pensei na possibilidade de ser uma relação homossexual, entre duas mulheres. Mas a ideia de um homem querendo colocar o vestido me pegou de uma forma fabulosa.

    Eu lembrei de um livro que li, chamado “Unhas”, não lembro o nome do autor, mas é brasileiro. Unhas era um assassino de paixões proibidas. Ótimo para quem tem estômago para lê-lo. Eu sofri muito.

    Uma sugestão que me passou na cabeça e que talvez não caberia aqui por conta do formato do conto, mas que se você quiser pode ser trabalhada: queria relatos sobre o corpo morto. Principalmente na parte que fala sobre o vestido. Esse fetiche por querer vesti-lo é algo que gostaria que fosse mais explorado.

    Boa sorte!

  49. Glória W. de Oliveira Souza
    18 de janeiro de 2017

    Entendi como episódio de transtorno de identidade aliada a situação de perda. Tipo ‘macho-que-não-aceita-separação’. Senti falta de apresentação, desenvolvimento e conclusão que pudesse demonstrar certa dramaticidade cênica. Seria um auto-assassinato, se é que isso é possível?

  50. Sabrina Dalbelo
    18 de janeiro de 2017

    Olá,
    É um relato solitário de um marido que perdeu sua esposa e que, a cada vez que tem uma recaída, pega a arma porque cogita de suicidar-se. Eu não entendi que ele a tenha matado, ao contrário, pensa em juntar-se a ela no infinito.
    Bem, o tema é forte, mas achei tudo muito simples, muito narrado.
    O espaço-tempo poderia ter sido ampliado e ficado mais chocante, sabe?! Mas essa é minha parca opinião, com todo respeito.
    Boa sorte!

    • Nicolau Esparques
      18 de janeiro de 2017

      Achei sua interpretação interessante!

  51. mariasantino1
    18 de janeiro de 2017

    Nicolau, paz! Please.

    Bem, pra mim o cara matou a esposa, ou companheira, com um tiro e se lamenta porque ela morreu rápido, ou seja, ele queria que ela fosse mais forte para que houvesse mais tentativas de assassinato ou tortura, porém a moça morreu logo. Ok, se não for isso então tá russo! Partes aí trazem dúvidas sobre a minha afirmativa, porque ele diz que está vendo um vídeo onde ele pega o revólver, e isso parece incoerente porque cria provas contra ele (eu ia dizer que é muito mórbido alguém ter vídeo de assassinato em casa, mas cada cabeça uma sentença, né? Tem doido pra tudo. )
    Sobre o lance de vestir o vestido dela e, putz!, na mosca se tem intenção de oferecer a imagem de um louco usando um vestido de mulher cuja morte foi causada por ele mesmo.
    Hum… É isso. O conto propiciou algumas imagens boas (!) mas é bem ambíguo.

    Boa sorte no desafio.

    • mariasantino1
      18 de janeiro de 2017

      Adorei a brincadeira com o autor incutido no seu pseudônimo.

    • Nicolau Esparques
      18 de janeiro de 2017

      Mas eu estou em paz! Hahahaha não briguei com ninguém aqui. Talvez por ser naturalmente um pouco seco e ter ido direto ao ponto alguns tenham achado que eu tava estressado, mas garanto que não. Você pegou exatamente a minha intenção com o conto! Sagaz. E o pseudônimo tinha que ser assim pra uma história dessa hahahaha um abraço.

  52. Tatiane Mara
    17 de janeiro de 2017

    Olá…

    O texto fala de um sujeito meio maluco que matou ou acha que matou alguém.

    Bem escrito, mas confuso. Nâo consegui captar a mensagem.

    Boa sorte.

  53. Iolandinha Pinheiro
    17 de janeiro de 2017

    Um conto interessante. Para mim o rapaz era casado com a mulher, e num determinado aniversário de casamento, ele resolve matá-la. Depois fica assistindo o vídeo repetidas vezes com uma mistura de saudade e satisfação pelo que fez. Em alguns momentos faz isso vestido com a roupa dela. Para representar os dois papéis? Quem saberá? Não é o melhor conto deste desafio, mas mesmo contando uma história com elementos não tão originais, trouxe quadros inustitados. É isso. Sorte no desafio.

  54. Bruna Francielle
    17 de janeiro de 2017

    Bem, não tem nenhum indicativo no conto pra o motivo do crime..
    dá a entender q ele a matou, claro.
    A não ser q ele queria ser ela, e por isso a matou, talvez um transtorno de personalidade.. ou de gênero! Se fosse algo assim, talvez pudesse ser interessante
    mas penso que talvez não..
    talvez seja um fetiche dele usar as roupas da mulher q ele matou!
    Achei razoável

  55. Rubem Cabral
    17 de janeiro de 2017

    Olá, Nicolau.

    Um bom conto. O enredo não é algo muito novo. O marido assassino teria que ter uma filmadora ligada e escondida e teria que presentear a esposa em algum lugar isolado (ou teria que usar uma arma com silencioso). Ele, aparentemente, é um tanto sádico, mas também confuso, o que o torna psicologicamente denso. Usar o vestido da esposa para senti-la ou travestir-se complementa esta confusão.

    A escrita é boa, contudo, sem arroubos metafóricos ou coisa do tipo.

    Nota: 8.0

  56. Leo Jardim
    17 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): interessante a reviravolta, ficou bem construída. Acho que ficaria melhor, porém, se terminasse na revelação. O que veio depois sobrou um pouco.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, não encontrei problemas.

    💡 Criatividade (⭐▫): não é tão criativo.

    ✂ Concisão (⭐⭐): sobrou um pouco de informação, mas não chegou a atrapalhar a concisão.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): uma boa reviravolta é um bom impacto. Como já adiantei, a parte depois do revólver acabou estendeu demais o ponto de virada.

  57. Evandro Furtado
    17 de janeiro de 2017

    Acho que o autor não se apropriou do gênero com estética suficiente para transformá-lo em um bom conto. Temos uma simples confissão, ou relato, com uma trama cliché que, infelizmente não oferece muitas coisas novas.

    Resultado – Average

    • Nicolau Esparques
      17 de janeiro de 2017

      Mas se eu me apropriasse do gênero com estética suficiente, que seria acrescentando mais elementos no começo e no meio, não aconteceria a transformação do conto e dificilmente causaria o impacto que causou aos leitores que gostaram desse efeito.

  58. Tiago Volpato
    17 de janeiro de 2017

    Texto chocante. A gente não espera que seja a história de um monstro. Você conseguiu esconder bem até a revelação. Parabéns.

  59. Vanessa Oliveira
    17 de janeiro de 2017

    Nossa, ele a matou bem no casamento? E ainda reclamou que foi muito rápido? E, pior ainda, sente falta dela? Não dá para entender esse comportamento, o que nos faz pensar em uma pessoa insana. O tema já foi bastante usado, e achei um pouco confuso nas descrições – não entendi se ele pegou o revolver no vídeo ou enquanto estava vendo o vídeo. Mas, fora isso, achei interessante. Boa sorte!

  60. Fabio Baptista
    17 de janeiro de 2017

    Assim como os suicídios, as revelações de assassinato estão bombando no desafio.

    Aqui a barra me pareceu meio forçada. A parte que fala sobre sonhar em usar o vestido deixou a dúvida se era mulher (lésbica) ou um homem com tendências “crossdresser” (espero que esses sejam os termos politicamente corretos). Ou se foi só uma informação aleatória. Qualquer que tenha sido a intenção, o autor poderia ter deixado esse trecho mais claro, ou suprimido, caso não tenha relevância.

    Também me soou inverossímil alguém ter uma fita incriminatória na própria gaveta.

    Abraço!

    • Nicolau Esparques
      17 de janeiro de 2017

      Oi, Fábio. O vídeo foi inspirado em serial killers reais que guardavam fitas de vídeos snuff com suas próprias vítimas. O sonho pode ter sido só as opções que você disse, um sonho ou uma lembrança, mas esse comportamento também existe em pessoas bipolares que desenvolvem as personalidades daqueles que fazem falta em suas vidas.

  61. Antonio Stegues Batista
    16 de janeiro de 2017

    Lembranças de um assassinato? O cara pega o revolver e mata a moça? Se ele foi o autor da morte dela, por que faz aquelas perguntas?Tenho mais umas dezenas de perguntas, mas o importante e avaliar o conto, né? Não achei ruim.

  62. Bianca Machado
    16 de janeiro de 2017

    Um homem não muito equilibrado narrando uma lembrança de uma situação complicada. Engraçado, mas por que não pode ser uma mulher narrando, não é mesmo? Mulheres apaixonadas podem ser psicopatas também, rs. Pensei nisso porque pra mim esse é um tema meio batido e é complicado trazer algo de novo em tão poucas palavras. A propósito, o suspense é mantido em grande parte do conto. E o título combina perfeitamente. Gostei do pseudônimo, haha. Um bom trabalho.

    • Nicolau Esparques
      17 de janeiro de 2017

      Obrigado!

  63. Brian Oliveira Lancaster
    16 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: O conto possui uma precisão matemática curiosa. Poucos devem der notado isso, mas a estética entre início-meio e meio-fim são semelhantes. Creio que isso estava planejado, pois tem uma simetria que agrada os mais metódicos. – 9,0
    O: Quanto ao texto em si, é uma reflexão do protagonista pós-assassinato. A virada começa justamente no meio. Não chegar a surpreender, mas o título sugere que ele já fez isso muitas vezes, dando um ar mais psicótico ao caso, o que torna tudo muito mais mórbido. – 8,0
    D: Linguagem clara e estética planejada. Não há sobras e todo o enredo se expõe facilmente. – 9,0
    Fator “Oh my”: Carlos Sagaz manda um abraço para esse pseudônimo. Curiosidade: o autor é perfeccionista?

    • Nicolau Esparques
      17 de janeiro de 2017

      100% obcecado ou 100% desinteressado hahahaha

  64. elicio santos
    16 de janeiro de 2017

    Microconto claro, mas nada inusitado. Ao começar a ler já sabia mais ou menos o desfecho. A escrita é fluida, mas poderia ter sido melhor construída. Boa sorte!

  65. José Leonardo
    15 de janeiro de 2017

    Olá, Nicolau Esparques.

    Seu conto obteve êxito em demonstrar uma mistura perigosa de sentimentos que culminou naquilo que sabemos. Amor e psicopatia de tal forma entrelaçados que o narrador nem se apercebe do grande mal que cometeu.

    Ainda que ela tenha morrido, o narrador está ligado fortemente à lembrança de maneira intensa e quase tátil.

    Boa sorte neste desafio.

    • Nicolau Esparques
      17 de janeiro de 2017

      Acha que amor pode ser entrelaçado com psicopatia? Eu diria obsessão.

  66. Ceres Marcon
    15 de janeiro de 2017

    Está bem escrito. A linguagem é boa, também, porém não me trouxe surpresa.
    De toda forma, parabéns!

  67. Andre Luiz
    15 de janeiro de 2017

    Eu gostei do conto, principalmente porque não mostra tudo diretamente ao leitor, é necessária certa reflexão para se chegar a um resultado.

    -Originalidade(7,5): Achei um tema comum, porém trazido de forma um pouco diferente. A quebra de expectativa no final agradou.

    -Construção(7,5): O monólogo interior daquela mente perturbada poderia ser melhor explorado, mas eu gostei do jeito que foi escrito.

    -Apego(7,0): O homem é um psicopata, claro, mas fiquei com dó da esposa.

    Boa sorte!

  68. Guilherme de Oliveira Paes
    15 de janeiro de 2017

    Acho que foi um bom começo, eficiente em criar uma atmosfera nostálgica. A conclusão é um tanto lugar-comum, creio que o conto ficaria mais rico com outro desfecho.

  69. Fernando Cyrino
    15 de janeiro de 2017

    Oi Nicolau,. uma boa ideia mas que no meu modo de ver não se concretiza tão bacana quanto foi imaginado. Acho que esses “eu” em sua grande maioria são desnecessários e você os usa demais e de menos também. A última frase é ótima. Abraços de sucesso com o seu conto.

    • Nicolau Esparques
      15 de janeiro de 2017

      Oi, Fernando. Como assim demais e de menos também?

  70. Edson Carvalho dos Santos Filho
    14 de janeiro de 2017

    Surpreendente, só que de uma forma já demasiadamente explorada: Do psicopata, do louco, do ser humano cruel e antisocial. Não me agrada muito esse tipo de conto.

  71. angst447
    14 de janeiro de 2017

    Eu não sei qual a razão, mas na primeira leitura, entendi que o moço matou a mocinha na hora da celebração do casamento. Depois reli e vi que era o aniversário de casamento ou de namoro, sei lá. Triste, sem ser necessariamente chocante.
    As frases correm feito um rio caudaloso e quase nos afogam. Seria melhor organizá-las de uma forma mais concisa. Talvez o discurso seja esse mesmo – imitar a mente confusa do narrador.
    Boa sorte!

  72. Priscila Pereira
    14 de janeiro de 2017

    Oi Nicolau, fiquei pensando… ele sequestrou ela e a torturava por alguns anos, mas aí no auge da insanidade ele a mata, depois se lamenta por não ter se controlado melhor para que a tortura continuasse lentamente… estou certa?? Não gostei de como o texto foi escrito, meio bagunçado, (pode até ser proposital para realçar a loucura do personagem) mas não me agradou. Boa sorte aí!!

  73. andré souto
    14 de janeiro de 2017

    A ideia é muito boa,embora prejudicada pela questão do travessão ou outra forma de expressão de diálogos.Muito visual,o estilo.Boa sorte.

    • Nicolau Esparques
      14 de janeiro de 2017

      É uma narrativa em primeira pessoa, André. Obrigado.

  74. Olisomar Pires
    14 de janeiro de 2017

    Confuso. São lembranças de alguém, obviamente perturbado.

    Entretanto, nada é muito claro, não consigo visualizar uma história, aliás, até consigo, mas é tão sem graça que não lhe dou crédito.

    Não está mal escrito, apenas não diz muita coisa ou diz demais, não sei.

    Parece que também estou em crise, mas sem o revolver e por falar nisso, essa parte do conto é ambígua demais: ele teve a crise há um ano ou está tendo nesse momento em que assiste o vídeo ?

    • Nicolau Esparques
      14 de janeiro de 2017

      É uma pena que não consiga, Olisomar. E que também não saiba. E que esteja em crise. Um abraço.

  75. Eduardo Selga
    14 de janeiro de 2017

    O conto é, presumivelmente, um diálogo entre um homem e uma mulher, casados quando em vida. O problema é que o(a) autor(a) abre mão da marca formal do diálogo (o travessão), de modo que provoca a sensação de que os cinco parágrafos são o discurso meio caótico de um narrador em primeira pessoa, não de personagens. O resultado é uma confusão que, esteticamente, não acrescenta muito.

    O motivo da opção adotada pode estar no fim do penúltimo parágrafo (“às vezes eu sonho que sou você e que o visto para senti-lo”). O fato de um personagem querer sentir o outro na pele, pode ensejar, no plano estético, o travestimento do discurso direto no indireto. Mas o resultado não é positivo.

    • Nicolau Esparques
      14 de janeiro de 2017

      É o que é: uma narrativa em primeira pessoa. Se eu quisesse diálogos, com certeza as aspas ou os travessões estariam aí. E o único motivo pelo qual as palavras estão aí é o intuito de contar uma história, não teve nada a ver com estética ou questões que vão além da cena.

      • Eduardo Selga
        14 de janeiro de 2017

        Calma, Nicolau, por favor. Isso é uma avaliação a partir de determinado ponto de vista, não é um julgamento. Ademais, escrever um conto não é escrever uma estória, apenas. Isso é pretexto. O que interessa é o trabalho artístico (o que não significa bordados excessivos), ou seja, a manipulação da palavra. O resto é estorinha.

    • Nicolau Esparques
      15 de janeiro de 2017

      Eu tô calmo, não leve isso a mal. Só respondi seu comentário explicando os porquês, mas não tive a intenção de cometer uma grosseria. Discordo que um microconto ou qualquer forma de storytelling deva ter formas específicas. Qualquer estorinha é literatura, e quando eu crio uma história, é isso que busco: contar uma história. Tudo bem se você disser que o que interessa a você é a linguagem, mas o que interessa ao autor é escrever o que ele bem entender, e o que interessa a cada leitor varia em diversas proporções. Seja focado na linguagem ou não.

      • Eduardo Selga
        15 de janeiro de 2017

        Que bom.

        Literatura é a associação de conteúdo e forma. As coisas estão umbilicalmente associadas, portanto há sim formas específicas, algumas bem demarcadas, outras nem tanto. O que não quer dizer imutáveis.

        Aqui você encontrará quase todos os tipos de leitores: há os amantes das estorinhas, ou seja, a leitura de uma trama pelo divertimento ou entretenimento que ela possa causar, assim como os que, pretensiosamente ou não, entendem o texto como uma janela a partir da qual é possível enxergar melhor o mundo. Não outro mundo, mas este, real e concreto, construído pela linguagem e pelo discurso.

  76. vivianefranco
    13 de janeiro de 2017

    Gostei muito da forma como foi conduzido o micro. Bem sutil, nos pega de jeito ao final, trazendo um incômodo típico do terror psicológico. Muito bom!

  77. Virgílio Gabriel
    13 de janeiro de 2017

    Acho que é um estilo de conto meio exagerado. Para que faça sentido, temos que destorcer muito as frases. Por exemplo, se ele fosse um louco, e essa festa só ocorreu na cabeça dele, com ela acorrentada, ficaria legal. Mas é complicado depender do leitor para sair do lugar comum. No mais, bem escrito e bom pano de fundo. Boa sorte.

    • Nicolau Esparques
      14 de janeiro de 2017

      Não gosto de subestimar o leitor. Prefiro que ninguém entenda o que eu quis dizer.

  78. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Está bem escrito. O tema é claro. A linguagem é correta. Não me provocou muita reflexão, talvez porque esteja tudo aí, na sequência de escrita. De qualquer maneira, é um bom conto.

  79. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Se tivesse omitido a ultima frase, ficaria um microconto de primeira e seria aberto, os leitores teriam que elucidar o enigma. Mas, ainda assim, trouxe, até o último minuto, o mistério do texto, despejando-o de supetão no peito do leitor. Muito bom.

  80. Anorkinda Neide
    13 de janeiro de 2017

    gente, ele queria torturá-la por bastante tempo? q menina frágil.. oh decepção!
    hehe
    apesar de nao gostar deste tom mimimi, choradeira, o conto fecha, é claro e surpreende ao mesmo tempo que choca. Parabens

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .