EntreContos

Literatura que desafia.

A Partida (Fernando Cyrino)

Estávamos no parque quando, de repente, você fez cara séria. Encarou-me dizendo que quando fosse partir iria sem alarde, tal nave secreta que decola escondida e, devagar, voa suave rumo ao horizonte. Nessa hora sussurrou-me, sorrindo, o desejo de observar, lá distante, meus olhos criando preguinhas na tentativa de vê-la, pequenina. Pensei que fosse brincadeira, até que provei da sua ausência. Tarde constatei que a solidão, sutilmente, havia tomado conta. Bruto e descuidado que sou, meu amor, deixei que os céus a levassem. As lágrimas, impertinentes, têm feito com que o olhar se torne assim, apertado, tal qual imaginou.

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87 comentários em “A Partida (Fernando Cyrino)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Singelo e comovente. Obrigado por este micro, viu?
    Boa sorte!

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Há algo na sua maneira de descrever que passa bastante sentimentalismo e somado ao tema do conto, isso fica ainda mais forte. Gostei, de verdade. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Que texto bonito, gostei bastante. Parabéns e boa sorte no desafio!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Alguém prepara alguém para a partida, mas infelizmente para essas coisas nunca se está pronto. Boa sorte!

  5. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    Até que gostei do conto. Ele possui uma carga dramática, e o vi meio que como aquelas cartas que escrevemos quando estamos tristes ( tá bom, cartas que eu escrevo). É, eu gostei do texto, mas senti que ficou fechado demais e qe poderia ficar também mais enxuto. Parabéns!

  6. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Quanto sentimentalismo! Gostei do modo poético que retratou a saudade de um ente querido… Esses eram muito próximos, por sinal; seriam eles irmãos?
    Boa sorte!

  7. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    belo conto, comovente, com forte linguagem poética. O tema da saudade é recorrente, todo leitor já sofreu da ausência de alguém q ama e é fácil se identificar com o personagem. Apesar de bem escrito e tocante, não me revelou nada de novo.

  8. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto. Uma história triste. A narrativa poderia ter sido melhor trabalhada, na minha opinião. Boa sorte no desafio..

  9. Tiago Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Saudades… um bom tema para se trabalhar, ainda mais quando existe um sentimento de culpa no meio. Bom texto, delicado, romântico… parabéns.

  10. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Maria,

    Tudo bem?

    Seu conto é lírico, delicado, e fala de um sentimento doído que todos nós temos ou teremos um dia.

    Os olhinhos apertados em busca daquele que já se foi é uma imagem efetiva e muito bem construída.

    Gostei de sua verve e da fluência do estilo que utilizou.

    Um conto maduro e com alicerces sólidos naquilo que o autor que expressar.

    Parabéns por sua narrativa e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  11. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    A metralhadora de vírgulas faz parte de um estilo, e não é o meu favorito. No entanto, aqui ficou bem bonito. A leitura só travou na primeira tentativa e gostei da situação descrita – dos olhos cerrados, tentando ver algo que se vai ou se foi. Bonito conto.

  12. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    É um texto que busca criar uma conexão com o leitor para lograr exito.
    Aqui mesmo com o curtíssimo número de palavras, creio que o autor conseguiu.
    Não há algo de novo, mas o jeito de narrar compensa essa ausência de originalidade. Esse trecho, por exemplo, é singelo, mas muito bonito “Já distante, meus olhos criando preguinhas na tentativa de vê-la, pequenina.”
    Serve inclusive como um ótimo final para uma história maior.
    Parabéns.

  13. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    A temática não é nada original, embora a forma de estruturares o teu texto demonstre muita qualidade na tua escrita. Não sei se introduzisses parágrafos no teu texto, dando outra forma, poderias tornar a leitura mais “fácil”.

  14. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Este conto conseguiu tocar meus sentimentos. Simples e singelo, falando de algo que muitos de nós acaba se identificando. Gostei da analogia com a nave que parte voando baixa e silenciosa para nunca mais voltar. A dor da saudade, que só a conhecemos de verdade após a partida da pessoa amada. Não tenho nenhuma crítica a fazer, está tudo ok. Parabéns e boa sorte.

  15. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Outro conto com alma, e esses são os que mais me agradam. Explico: seu conto tem substância, transmite sensações, cria empatia, nos apresenta um sentimento e nos faz compartilhar dele. A narração é muito bonita, e a forma como conduziu a relação dos dois e logo após o sentimento de perda foi muito bem feito. Não acho que faltaram coisas, está tudo ai. Parabéns!

  16. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um texto bastante confessional e pessoal, admiro a coragem do autor em se expor assim. O resultado, apesar de simpático (no sentido de obter empatia) não gerou mais do que um reconhecimento desse sentimento compartilhado. Acho que algumas coisas na técnica narrativa, como a voz (talvez na terceira pessoa, e mostrando os dois lados da história) pudesse ser um bom exercício. Boa sorte no desafio.

  17. Victória
    24 de janeiro de 2017

    Texto muito bem escrito sobre solidão e despedida, com uma linguagem poética e imagens muito românticas. Parabéns

  18. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá! Maneira muito sensível de narrar a despedida. Do remorso pelo que não foi feito, e nem poderia, aos gestos indignados do que não tem volta. A narrativa em primeira pessoa foi uma boa escolha, ajuda na transposição do leitor como protagonista, pelo breve momento que proporciona.
    Parabéns e boa sorte.

  19. Simoni Dário
    24 de janeiro de 2017

    Bem escrito, mas não me despertou a emoção pretendida. Li duas vezes para tentar captar o impacto e não conectei.
    Bom desafio!

  20. Lohan Lage
    24 de janeiro de 2017

    Bonito. Gostei da imagem que me ocorreu.
    Senti falta de um ”algo mais”… talvez alguma metáfora mais arrebatadora, não sei. Mas em todo caso, é um conto bonito. Parabéns.

  21. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Muito bonito, muito bonito. Belisco-me, enfezado, por ter visto os olhos criando preguinhas como se virando verdadeiros pequenos cus. Caramba, pode ser algo bom, pode ser top 20 por conta dessa minha cabeça de lata de lixo

  22. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Escrita ótima, adorei o uso da nave ali no meio (amo). Um conto que prima pela linguagem, bem construído, ótimas sequências e imagens. Lida com a partida e despedida, traz aquele tom melancólico de finais. Não sou muito fã de textos doces, mas é um ótimo conto!

  23. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO em perdas é sempre doloroso. O conto tem uma imagem bonita, mas não há revelações, IMPACTO ou descobertas dignas de lembrança. Uma passagem rápida e despretensiosa.

  24. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Muito bonito, mas não me toca.
    Não tenho muita paciência pra esse tipo de personagem. Ela avisou que ia, e sem avisar… Então não reclama comigo da partida. Me fala do vazio que ficou, da falta que sente, da dor. Mas não da partida. Penso assim se o sentido do conto for de morte ou de término. A personagem só fala da ausência pra explicar como notou que ela foi realmente embora, como avisou que ia!

    Tirando essa minha relação com a personagem, é extremamente bonito. As construções e metáforas estão muito boas. Disso gostei.

    Parabéns.

    Abraços.

  25. Marco Aurélio Saraiva
    23 de janeiro de 2017

    Putz, que obra excelente! Você captou bem a essência de um micro-conto: falar muito em poucas palavras. Expressar sentimentos mil em 99 palavras.

    Meu coração ficou apertado!

    Imaginei um casal com os dias contados: talvez por uma doença terminal, que leva as pessoas que amamos antes da hora, ou talvez pela idade avançada. E aproveitando um momento raro de felicidade, ela segreda para ele que iria embora em paz, sem alarde. Mas ele só entende a mensagem quando enfim sente na pele a dor da perda.

    Foi um conto de um parágrafo, mas que não precisou de nenhum outro. A forma que você escreve é divina, única e muito romântica, cheia de sentimentos, como se escolhesse cada palavra a dedo.

    Parabéns!

  26. Gustavo Aquino Dos Reis
    23 de janeiro de 2017

    Maria,

    temos aqui uma obra bonita e bem triste. Assim como manda as despedidas (terrenas ou interplanetárias).
    As construções frasais e a escrita estão muito boas. Só achei “tal nave secreta que decola escondida” um pouco forçado. No entanto, para contrabalancear, temos a primorosa “(..) têm feito com que o olhar se torne assim, apertado, tal qual imaginou”.

    Gostei.

    Parabéns.

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Quanta sensibilidade! Lindo, lindo, lindo. E não é triste, apenas saudoso. Está na minha lista. Parabéns e obrigada por esse texto

  28. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Eu fiquei com uma má impressão assim que li “tal nave secreta que decola escondida”. Não que tenha algo errado na frase, mas achei meio forçada essa metáfora e descabida dentro do contexto mais amoroso (pelo menos assim imaginei) que ocorria ali.

    Entendi depois que a pessoa morreu e isso traz lágrimas impertinentes aos olhos do narrador. Mas não conseguiu me despertar muita emoção.

    Abraço!

  29. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Uma despedida anunciada. Nada de novo, um texto correto e bem escrito, mas, sem emoção, apesar de motivada por morte poder vir a exigir de um parceiro lágrimas e uma imensa saudade. Não me cativou. Boa sorte!

  30. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,0): Um texto sutil que trata a morte com delicadeza e beleza na escolha das palavras.

    -Construção(8,0): Gostei da lírica que você trouxe para o conto, deixando-o gostoso e belo de se ler. Emocionante!

    -Apego(8,0): A protagonista se foi quase como uma figura etérea, mitológica, algo que foi valoroso.

    Boa sorte!

  31. Sra Datti
    22 de janeiro de 2017

    Belíssima despedida, com boas metáforas – pude imaginar o personagem sorvendo a ausência de seu amor numa xícara de café… “até que provei da sua ausência.”
    Um alguém vazio de solidão, de olhar apertado. Suave partida aos céus…
    Apreciado!

  32. Evandro Furtado
    22 de janeiro de 2017

    A sensibilidade impressa é sem precedentes. O trato com a linguagem é muito bem realizado concedendo ao conto um caráter poético extraordinário. A trama, em si, é suportada pelo uso das palavras certas e combinações perfeitas entre si.

    Resultado – Good

  33. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Muito bom, esse é um texto bem fechado, em minha opinião sem a necessidade de inferir coisas que nada têm a ver com o que está dito tão claramente. E, mesmo sendo claro, teve espaço de sobra para o poético, palavras bem escolhidas que me causaram emoção. Muito bom!

  34. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Tema não tão inédito, mas original na forma de descrever uma perda. Escrita suave e delicada, imagens interessantes (“olhos apertados”, “criando preguinhas”). Alguns pontos um pouco ambíguos (porque ele, tão amoroso e sentido, haveria de se considerar “bruto e descuidado”?), mas nada que impeça de apreciar a leitura e de compartilhar das emoções que vão sendo reveladas…

  35. Fheluany Nogueira
    20 de janeiro de 2017

    Narrativa lírica, romântica em torno da morte da amada. Parece-me que esta preparou o marido para o seu fim, para a saudade. Não há um conflito, uma mudança temporal como requer a narratividade, apenas o lamento do sobrevivente. Não consegui concluir se a retomada no desfecho trouxe surpresa ou tédio ao texto. De qualquer forma, bem escrito, imagens delicadas, bom trabalho. Abraços.

  36. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    Oi, Maria.

    Olha, parabens pelo texto. É um micro para ler sem pressa (e, apesar de estarmos cercado por micros, certamente temos pressa rs) e admirar o uso de metáforas.

    Vai sair meio embolado, mas o importante no escrever não está apenas no que falamos, mas em como falamos e acho que foi muito feliz neste quesito.

    Entendi como alguém que já sabia do seu destino tentando preparar a amante. Mas dificilmente há preparo para esse tipo de coisa.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .