EntreContos

Literatura que desafia.

Cu (Thayná Afonso)

ilustracao

Você foi embora. Agora observo inquieta e nauseada os fantasmas desnudos pelos cômodos da casa. E isso é tudo que restou. Observo inquieta e nauseada porque eu sei, é o que fica quando desconhecemos alguém da noite para o dia. Observo em silêncio, porque eu sei, um homem é só um homem e um tapa-buracos não tem muito mais que fantasmas para deixar. Aos poucos percebo que não existe glória no término e que seu lugar, é só um lugar. E que um cu sempre será um cu e a minha única glória foi ter fodido o seu.

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91 comentários em “Cu (Thayná Afonso)

  1. Gardel Dias Assunção
    6 de fevereiro de 2017

    Legal o texto, mas, vamos ser sincero, não é um super texto né!? Talvez ou com certeza, daqui eu seja o menos pensante (nunca tive coragem de comentar algo daqui, o povo é todo inteligente e eu não). Será todos os comentários forma pelo título ou do final que “fudeu” e ficou diferente?

  2. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    O título me atraiu de cara. E confesso que rolou uma quebra de expectativa assim que comecei a ler seu micro. Uma pegada mais melancólica, e tal… meio morna. O final… não sei se o final compensou todo o resto. Mas em todo caso, valeu pela ousadia!

  3. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    A amargura fala alto no texto! A frase final trouxe um belo impacto para o micro.
    Marcou ainda uma postura firme da personagem que passa a analisar as relações humanas com menos idealismo.
    Boa sorte!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Chocante, se era para impactar, cumpriu o papel direitinho. Boa sorte!

  5. chrisdatti
    27 de janeiro de 2017

    ehe… Ponto pela ousadia. Um mundo desmoronado, a separação, a mágoa, um bocadim de ironia…. Final bem sacado.
    Pronto, um bom conto.
    Apreciado.

  6. Poly
    27 de janeiro de 2017

    Um desabafo, aberto e direto. O texto de forma geral é bom e acredito que o final foi no ponto certo – um choque mesmo.
    Boa sorte no desafio!

  7. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá Tom,

    Tudo bem?

    Você escreveu um conto amargo, assim como são as relações que chegam a seu fim. Seu texto é quase um desabafo, uma carta de amor às avessas.

    A frase final é forte e revela todo a repulsa que o personagem tem por aquela que já se foi.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  8. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Achei um conto médio. Entendi que a mulher tava puta da vida com o cara, que provavelmente a abandonou. O cara gostava de um fio terra (ui) e a mulher vai botar a boca no trombone e falar pra todo mundo que fodeu o cu do cara. Bem vingativa, hein? kkkkkkk Boa sorte.

  9. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Não que eu seja o cara mais puritano do mundo (porque eu não sou), mas esse título não me agradou. Não sei se foi desnecessário, mas é algo que eu provavelmente nunca usaria.

    O conto não é ruim , pelo contrário, você escreve muito bem. Vejo uma mulher bem frustrada com os homens (ou um homem em específico). parece que tomou um pé na bunda e agora chora de amargura, querendo vingança.

    A última frase pode ter um sentido figurado, não? Há certas coisas para um homem que são equivalentes a serem “enrabados”. Pode ser um divórcio onde a mulher leva grande parte de seus bens (conquistados antes mesmo do casamento); perder a promoção na empresa para um empregado puxa saco e menos qualificado; ter o carro roubado (e sem seguro!); ser traído por um amigo e amargar grande prejuízo financeiro.

    Boa sorte.

  10. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    texto com imagens muito fortes e bonitas mas que perde toda a sua força com o final, que parece feito com pressa e sem o cuidado mostrado no resto do texto.

  11. rsollberg
    25 de janeiro de 2017

    Gostei bastante desse conto. Não somente pela ousadia do título, ou do desfecho pouco polido.
    O desabafo da protagonista é palpável, cada palavra bem escolhida.
    Ah, sei lá, um negócio meio Bukowski dirigido por Almodôvar!
    E o mais bacana é que o final admite uma dupla interpretação, literal e figurada.
    Me fez lembrar um pouco do protagonista de “Pulp” do Bukão, que está o tempo inteiro querendo “botar no cu” de uma personagem,
    Belo trabalho, parabéns.

  12. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    É muito bom o texto, mais pelo final que dá brilho o resto do texto. Um desabafo bastante direto, e com muita fúria, um conto que narra o fim de algo e nos faz visualizar tudo que veio antes. O brilho é o final, mas não me pareceu ser o suficiente, não que acho que tenha faltado algo, mas acho que a execução do conto fez ele brilhar menos do que podia.

  13. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    O texto é claramente um desabafo do personagem principal em relação ao seu ficante/ex. Tudo carregado de ódio e um ar melancólico. A escolha das palavras foi boa e curti seu texto de um modo geral. Bem diferente do que li até agora. Parabéns.

  14. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá. Apesar de a temática ser de desabafo, revolta e diminuição daquele que partiu, algo levou a essa reação – e é esse o contexto implícito de um conto tão expositivo. É engraçado como o título nos leva a esperar algo mais escrachado durante a leitura, e essa espera foi sanada bem ao final com a frase de impacto. Infelizmente, o conto se sustenta muito nesse impacto, que pode ser mais influente em uns que em outros.
    Parabéns e boa sorte.

  15. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Quanto ódio nesse coraçãozinho… Mas será mesmo que ele era mesmo só um tapa-buracos? Por que deixaria tantos fantasmas? Na parte técnica, o tom confessional e passional do texto interferiu na escrita, com a reiteração de “observação inquieta e nauseada”. Não foi nem de perto um dos meus textos preferidos, mas admiro a coragem do autor. Boa sorte!

  16. Victória
    24 de janeiro de 2017

    Acho que o texto cumpriu seu objetivo e gostei da pegada melancólica e amarga, mas não curti o conto no geral.

  17. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Acho que depois de ter lido tanta coisa doce, umas marcantes e outras nem tanto, ler uma coisa seca, direta, passional… caiu bem. É bom ler alguém incinerando fantasmas.

    Ela sabe que foi ferida e que feriu também, nada de pintar rompimentos com fofices, fim de relacionamentos são bem bonitos em novelas, mas no real, tem a força de nos levar para o porão dos nossos pensamentos.

    Deveras factual.

  18. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO na privada entupida não pode dar em boa coisa. Gostei do tom do personagem macho alfa magoadinho, ficou punk. Embora o IMPACTO da enrabada final tenha seu mérito, o restante do texto carece de criatividade e evolução.

  19. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Entendi o conto como sendo uma reflexão frustrada de um gay sobre uma “one night stand”. O homem veio, “tapou um buraco”, por assim dizer (há tantas formas de interpretar isso que nem vou me dar ao trabalho de listar aqui, rs), e se foi, deixando “fantasmas desnudos”. O narrador sabe que nunca mais o verá.

    A confissão, meio revoltosa e mesmo melancólica, foi muito bem escrita. Sua técnica é um tanto autoral, única nas palavras usadas de forma corajosa, até mesmo brincalhona. Gostei da leitura.

    Parabéns!

  20. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Oi!

    O narrador tem personalidade, mas esse desabafo, com o excesso de frustrações não me agradou muito. Acho que para o pouco espaço, você poderia ir um pouco mais além do que a divagação. O melhor trecho do texto é a frase final, que acaba compensando um pouco o desenvolvimento do texto, que infelizmente não chama muito atenção.

  21. Simoni Dário
    23 de janeiro de 2017

    Achei triste e com uma carga de raiva muito forte, o que resultou no desabafo com palavrão ao final. É ousado e criativo, mas não sei se gostei. Vou deixar meu reconhecimento pelo talento do autor.
    Bom desafio!

  22. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Gostei, é forte e, ao mesmo tempo, sensível e melancólico. A glória de foder um cu hahahahahah

  23. Fil Felix
    23 de janeiro de 2017

    Há ousadia aqui, de diversas maneiras. O desafio é escrever um conto com apenas 99 palavras e o autor se dá ao luxo de repetir várias delas durante o desenvolvimento. O título é chamativo, o final tem seu choque e a surpresa por se tratar de uma narradora mulher. Se trans ou não, acho que não é o ponto principal (cintaralhos estão aí pra isso). A ousadia ganha pontos, falar tão abertamente sobre término de relacionamento (que realmente são um cu) e associar ao sexo anal (que como diria o Pondé, é o ato mais íntimo que um casal pode ter) tem seus destaques e faz pensar. Mas a construção do conto não me agradou tanto. A repetição e o choque final acabam por parecerem polêmica pela polêmica.

  24. Evandro Furtado
    23 de janeiro de 2017

    Algumas coisas me incomodaram na forma, principalmente as repetições. Há alguns problemas com algumas expressões também que soaram estranhas. Por outro lado, o conteúdo, transgressor do jeito que eu gosto, meio que salvou o conto.

    Resultado – Good

  25. Amanda Gomez
    22 de janeiro de 2017

    Olá,

    Bom, depois de ler o texto algumas vezes eu passei a gostar mais dele, a primeira impressão não foi muito boa. Agora , pude apreciar mais algumas construções bem bacanas.

    O que captei da história e que ela fala de o fim de um relacionamento, a pessoa relembra dos momentos vividos com amargor. Pela frase final me levou a crer que trata-se de um travesti, posso está errada, mas foi o que entendi.

    Talvez o autor preparou todo o texto pra esse frase impactante, que de fato é…mas não sei se o conjunto da obra me agradou tanto assim. É só o término de uma relação, em que as partes passam a se detestar. ( desculpe pelo resumo pobre) mas é basicamente isso.

    No mais,é um bom conto, e ganha alguns pontos pesa ousadia.
    Boa sorte no desafio.

  26. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Um bom texto, uma divagação direta, sem rodeios.

    A frase final é bem interessante, pelo impacto que causa (afinal, os termos chulos acabam destoando do restante), pelo que é falado, obviamente, e, principalmente, porque a voz da primeira pessoa é feminina.

    Gostei!

    Abraço.

  27. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Interessante você ter colocado este plot twist no final, mesclando escárnio com melancolia no seu conto.

    -Construção(7,5): Gostei muito da frase final quebrando o clima do texto todo que foi criado nas linhas anteriores. Todavia, não gostei de algumas repetições ao longo da história(como o “porque eu sei”), e acho que pode ser melhor.

    -Apego(7,0): Senti falta de um intimismo maior no início do conto para aumentar ainda mais o choque ao final do conto.

    Boa sorte!

  28. juliana calafange da costa ribeiro
    22 de janeiro de 2017

    Hahaha! Divertido seu conto. Quer dizer, a gente começa com o nó na garganta, são frases dramáticas (“é o que fica quando desconhecemos alguém da noite para o dia”), de um narrador q sofre e a gente se identifica, pq todo mundo já sofreu perda semelhante. Mas aí vem a frase final de deixa a gente vingado! Parabéns!

  29. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Eu achei um cu esse micro conto.

  30. Fheluany Nogueira
    21 de janeiro de 2017

    A narrativa acompanha o fluxo de pensamentos do protagonista. Ela está revoltado pelo abandono do namorado. O tema da homossexualidade está em alta no Desafio. Linguagem com imagens bonitas e elegantes se contrapõem a trechos secos e chamativos. As repetições, mesmo que estilísticas, não me agradaram. Parabéns pela participação. Abraços.

  31. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Quem narra o conto é uma travesti, uma transsexual? Foi o que presumi, a partir do momento em que o narrador se trata como uma mulher que diz o que diz ao final… Sim, não existe uma só forma de alguém fazer o que está dito no fim do conto, mas foi essa a imagem que me veio ao ler suas palavras. Achei interessante no começo, mas a oração final dá a ideia de que correu um pouquinho ali no final e deu um jeito de justificar a palavra que intitula o texto. Dá o que pensar, mas nesse momento não foi o suficiente pra me conquistar.

  32. Tom Lima
    21 de janeiro de 2017

    Ah, um conto gotosinho, assim como o título. Mas é a escolha desse que me incomodou um pouco. Fiquei esperando por ele, e quando aparece não é tão glorioso quanto foi pra personagem.

    Ficou boa a forma que mostra os sentimentos dela, no fluxo de consciência, e me fez ficar com pena dela. A unica glória foi ter comido um cú? Pena mesmo.

    Essa frase: “é o que fica quando desconhecemos alguém da noite para o dia.” ficou maravilhosa. As repetições tem função e funcionaram.

    A falta de acento não chegou a me incomodar, mas é uma falha.

    Parabéns.

    Abraços.

  33. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Difícil falar de fim de caso sem cair no lugar comum, no sentimentalismo ou na pieguice, coisa que, desde o título, o conto não faz. É seco, factual, o sofrimento e seus subprodutos são expostos sem disfarces ou enfeites, e o final é absolutamente coerente com o desenrolar do processo que a gente vai acompanhando passo a posso. Não senti o palavrão sendo usado gratuitamente, apenas tenho a pretensão de achar que o modo de falar seria mais adequado a um travesti do que a uma mulher, o que não tem a mínima importância, já que o autor deixou isso indefinido. Acho que a pontuação merece uma revisão mais cuidadosa pois, a menos que algum sentido tenha me escapado, certas vírgulas são desnecessárias ou estão mal colocadas.

  34. Givago Domingues Thimoti
    20 de janeiro de 2017

    Conto de fácil compreensão e muito bem escrito. O que mais me chamou a atenção, além do cu, foi o fluxo de pensamento da personagem. É uma forma de contar uma história que, particularmente, gosto muito.
    Continue fazendo historias assim!
    Parabéns!

  35. Anorkinda Neide
    20 de janeiro de 2017

    fantasmas desnudos pelos cômodos da casa./é o que fica quando desconhecemos alguém da noite para o dia.
    gostei muito disso…
    entendo q os fantasmas nada mais sao do que as projeções q fizemos do ser amado, aquela pessoa assim e assim, que criamos com a tinta das ilusões e qd finalmente o desconhecemos, qd vemos q nao era nada daquilo, ainda nos apegamos às ilusões fantasmas, sim, pq ja morreram, mas ainda as vemos e muitas vezes com tanta força e realidade.
    nossa, nao sei se é isso q disseste, mas quero crer que sim.
    Não sei bem o que pensar do conto em si. depois de ler dez vezes comecei a gostar dele, esta reflexao sim, já está ai e ja gostei..mas a estrutura do texto, das frases, o cu gratuito rsrs
    Nao sei o que pensar, acho q ele podia mostrar mais se nao quisesse tanto chocar, mas, no entanto, ele passa o fluxo d e pensamentos de uma pessoa revoltada e isso foi bom.
    bem, eu vou pensar sobre a tua estrelinha 🙂

  36. Sidney Muniz
    20 de janeiro de 2017

    C om cuidado irei tentar dizer o que achei do seu trabalho. De principio a imagem não me agradou, o título é chamativo apenas pela curiosidade de saber o que um autor teria escrito que pudesse se intitular de “cu”. Sinceramente achei uma escrita boa, mas que precisa ser lapidada. Algumas repetições, propositais ou não me desagradaram. Esperava um texto mais aberto e menos enrolado. Para mim até tem muita coisa sobrando aí.

    Use de todas as dicas, me parece que já é um autor ou autora tarimbado que arriscou um pouco mais do que o necessário. Respeito isso, mas espero algo melhor para uma próxima. Desejo sorte a você e é claro que muitos gostarão do teu trabalho.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .