EntreContos

Literatura que desafia.

584 Toques Sobre a Vida (Thais Pereira)

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Meu estômago doía e as lágrimas já haviam secado. Talvez, se caíssem, os olhos que me ignoravam sentiram compaixão, invés de repulsa. Uma garotinha me olhava, chupando o dedo e agarrada na perna da mãe.

— Ei, Elias — me chamaram. — Te pago um refrigerante.

— Ebaaa!

Apanhei a lata, um salgado e fui seguido por um cachorro que também aparentava fome.

— SAI! — gritei.

Ao me virar para espantá-lo, percebi que a menina ainda me olhava e pensei o que ela carregaria dali.

— Então vem — eu disse ao cachorro, que saltitante me seguiu, enquanto eu chorava, oferecendo-lhe a metade da minha comida.

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92 comentários em “584 Toques Sobre a Vida (Thais Pereira)

  1. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    O conto deixa algumas coisas um pouco vagas. Alguém chama Elias do nada, a menina carregaria alguma coisa dali. Fiquei imaginando onde eles estariam. Lacunas difíceis de serem preenchidas. Não deixa de ser tocante.
    Bom desafio!

  2. chrisdatti
    27 de janeiro de 2017

    Bonita, mas triste história em primeira pessoa. Recebe algo para lhe estancar a fome. Afasta o animal faminto que se aproxima . Depois, se preocupa com a menininha que o observa: traz o bicho para si e divide com ele o alimento que calará parte de sua fome. Essa reação de Elias foi inusitada e deu um toque de humanidade ao conto.
    Só não entendi o titulo… ;).

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Acabei de ler “A coisa certa a fazer” e achei curioso um conto semelhante estar do lado. Bem, gostei da mensagem de ambos e esse conto é igualmente bom, diria que é mais interessante ainda por, além da questão de compartilhar e ter empatia, o protagonista procura dar um “bom exemplo”. Parabéns!

  4. Rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Não sei ao certo se compreendi esse conto.
    Mas penso que o protagonista, com medo de dar uma mau exemplo, resolveu mudar o comportamento a fim de dar algo para a pequena menina.
    O problema é que o conto apresenta alguma confusão e numa narrativa deste tamanho isso complica as coisas.
    De qualquer modo tem uma ideia interessante e algo de bonito nessa história.
    Parabéns e boa sorte

  5. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    bonita história. A princípio pensei q o narrador era o cachorro, depois me pareceu um menino. Mas depois, quando vc diz “Ao me virar para espantá-lo, percebi que a menina ainda me olhava e pensei o que ela carregaria dali.”, me pareceu uma frase madura demais pra um menino, já tendo noção de q podia interferir no futuro da menina q chupava o dedo. Então imaginei um rapaz já. Logo no começo do texto tem um erro, creio de digitação, “Talvez, se caíssem, os olhos que me ignoravam sentiram compaixão”. Acho q o correto seria “sentiriam compaixão”, não?

  6. Lídia
    26 de janeiro de 2017

    Como o Douglas comentou, o conto parece muito a aplicação prática de uma teoria foucaultiana. O olhos atentos da menina fizeram que ele tomasse uma atitude de compaixão com o cachorro.
    Gostei da leveza da narração, por utilizar uma criança como narrador.
    Boa Sorte!

  7. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Ariel,

    Tudo bem?

    Seu conto fala de um tema muito doído de nossa sociedade, mas de forma delicada.

    Amo cachorros e fiquei feliz em ver que a comida foi dividida com ele. Rsrsrs

    Não entendi bem o título, embora saiba que o texto era, sim, um toque sobre a vida, mas o 584 me deixou no ar. Talvez faça parte de algo maior, uma coletânea de toques sobre a vida, talvez. Me conta.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  8. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    mensagem importante mas o texto não consegue passar impacte na leitura, caso o tenhas conseguido estaríamos perante um dos contos mais interessantes do desafio

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Ariel,

    conto competente. Há alguns deslizes na pontuação no primeiro parágrafo. Porém, a coisa melhora do meio para o final.
    A obra não possui uma grande narrativa e nem construções arrebatadoras.
    Não obstante, ele cumpre seu trabalho.

  10. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Olá Ariel, tudo bem? Existe uma boa ideia por trás do conto, mas creio que você não conseguiu passá-la do modo correto. Boa sorte no desafio.

  11. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2017

    Achei um conto médio. A narrativa poderia ter sido melhor elaborada. Eu acho que tem um erro no início, na palavra “sentiram”, que deveria ser “sentiriam”. Isso deu fez com que eu voltasse algumas vezes na leitura. O tema cotidiano me agrada, são os meus preferidos, mas, esse não me impactou tanto. Boa sorte.

  12. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    A primeira frase quase não faz sentido, uma bagunça, que raiva de vc, pois o resto é muito ótimo. DAMN IT!!!!!!!!!!!!!

  13. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um pedaço do cotidiano, amargo, mas com sabor de infância. Particularmente, como já disse alhures, esses histórias de infância ou com criança acabam me fascinando. No entanto, a narrativa aqui desenvolvida não apresentou a fagulha da originalidade – tinha potencial, mas não se realizou, a meu ver. Sinto muito.

    • Ariel
      25 de janeiro de 2017

      A vida não é original. Somos fagulhas do que observamos e aprendemos, uma miscelânea filtrada pelo conforto. Como narrar a vida de forma original, se somos cópias?

  14. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Achei o título estranho à primeira vista, mas logo entendi. Joguei o texto no Word e contabilizei 587 caracteres (toques). Pelo título, pensei que se tratava de algum evento importante, mas o conto mostrou uma situação bem cotidiana na vida de seu protagonista.

    Gostei desse dilema moral pelo qual passou. A fome pode levar o Homem ao seu estado mais selvagem, mas ele conseguiu manter um pouco do seu senso de solidariedade e humanidade ao olhar para aquele criança que o ajudou. Acredito que o menino também sentiu pena do cão e entendeu que este também sentia tanta fome quanto ele. Mesmo assim, ainda lhe doeu partilhar a pouca comida que tinha. Muitos sentimentos opostos e conflito, além do próprio conflito entre o lado racional e o instintivo.

    Tirando alguns erros gramaticais, é um bom conto. Boa sorte.

  15. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    É uma imagem bonita, bem narrada. Acho que quis passar a ideia que a atitude do menino mudou porque a menina o observava, se fosse um tema um pouco mais obscuro me remeteria a Foucault e o panopticon, sobre as atitudes moldadas pela observância alheia. Mas a ideia do conto acredito que seja mais voltada pra algo mais singelo. É bonito, apesar de um pouco confuso em alguns lugares.

    • Lídia
      26 de janeiro de 2017

      SIM, FOUCAULT! Pensei a mesma coisa!

  16. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Conto com a temática parecida com o anterior. Bem interessante também. Tem força, ainda mais com a ideia do garoto que passa fome preocupado com a imagem que a garota que lhe paga um refrigerante levaria. Se é com a própria imagem, pensando em um lanche futuro, ou com uma questão ética e moral fica a critério de quem lê.

    Tem umas coisas que ficam em aberto, lacunas que atrapalharam um pouco a leitura, como o fato dela saber o nome dele. Mas é um bom conto.

    Boa sorte.

    Abraços.

  17. Lohan Lage
    24 de janeiro de 2017

    Linda mensagem. Gostei da imagem que me ocorreu. Um errinho gramatical aqui e ali, mas no todo, gostei. Parabéns!

  18. Pedro Luna
    24 de janeiro de 2017

    Primeiro eu entendi que ele estava preocupado se a menina poderia carregar algo físico dali, talvez o próprio cachorro. Mas depois percebi que o menino podia estar preocupado com a lição de moral que passaria a ela. Bom, é um dos dois, mas não acho que esse conto precisasse de um duplo sentido assim. Também, por ser um micro conto, não traz a profundidade necessária para eu crer que o menino se importaria assim com uma estranha, e não em sacia o próprio bucho. Não gostei muito.

  19. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Boa noite!

    Uma ideia boa, mas com uma execução um pouco confusa. Não consegui entender o propósito da narrativa. Sentimos um pouco dos sentimentos de Elias no início do conto, aparentemente sem dinheiro, triste e quando a felicidade o atinge, é quando recebe um refrigerante e um salgado, mas depois temos o cachorro, que ele tenta despistar, mas o olhar de outros não permite. O cachorro seria dele¿ Enfim, conto que poderia ser melhor organizado e que sabe, deixar claro pelo menos alguns pontos. O título não adicionou nada na história, até tentei buscar uma relação, mas não consegui.

  20. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá Ariel,

    Bem… seu conto transmite uma linda mensagem, porém, acho que você tropeçou em algumas falhas que atrapalharam a imersão do leitor na história.
    Alguns entraves como “… se caíssem, os olhos que me ignoravam sentiram compaixão…” [o correto, nesse caso, acredito que fosse “sentiriam”] e a exclusão de palavras para adequação ao limite que ficaram bem “na cara” para mim fizeram a narrativa perder um pouco o brilho.
    No mais, a moral da história me agradou bastante.

  21. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO seguro. Arregaçou as calças e ficou só mexendo os dedos dos pés enquanto a maré ia e voltava. Deu seu recado social, a miséria não necessariamente nos torna mesquinhos, o que sempre gosto. Mas o IMPACTO foi só uma ondinha no pé.

  22. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Acho que já disse isso em outro micro que padeceu da mesma questão, mas vale reafirmar: em um espaço tão restrito, qualquer pequena falha parece se agigantar. Foi o que ocorreu aqui, na minha perspectiva. A mensagem por trás desse conto é louvável, com o rapaz contrariando seu estômago apenas para deixar um bom exemplo para a menina que o observava. Porém, as pequenas falhas tornaram a leitura truncada, confusa, infelizmente.
    Parabéns e boa sorte.

  23. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Realmente, a narrativa fico confusa. Cachorros e animais domésticos são um coringa, sempre comovem o leitor. Mas, sim, precisa de mais aqui…

    • Mariana
      23 de janeiro de 2017

      * Ficou, maldito erro de digitação hehe

  24. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Ao invés de “sentiram” o correto seria “sentiriam”? Onde ele pegou o salgado? A menina estava chupando dedo e ele se preocupou com ela em que sentido? Dar uma lição de sobrevivência ou mostrar compaixão? Ao invés de dar respostas fiz as perguntas, porque não consegui esclarecer o conto como um todo. Sorte!

  25. Leo Jardim
    22 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐▫▫): um menino carente resolve dar um bom exemplo para uma menina, mas achei um pouco mal executada. Se ele estivesse com a fome que dizia no início, dificilmente pensaria nisso…

    📝 Técnica (⭐▫▫): acho que a escolha das palavras não foi muito bem feita, as frases ficaram confusas, como em “pensei o que ela carregaria dali” (só entendi o sentido depois de algumas releituras).

    💡 Criatividade (⭐▫): um tema cotidiano.

    ✂ Concisão (⭐▫): como já disse, as palavras não foram muito bem escolhidas, as informações ficaram desconexas.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): pelos motivos já apresentados, infelizmente não gostei muito do texto, que tem uma mensagem que, melhor trabalhada, pode render um bom texto.

    Obs.: Não entendi o número do título.

  26. Thayná Afonso
    22 de janeiro de 2017

    Tem uma mensagem bonita e uma crítica relevante, mas não consegui me sentir muito comovida. Achei alguns pontos meio confusos, o que a menina poderia levar dali? O exemplo que ele teria dado caso tivesse enxotado o cachorro que, assim como ele, sentia fome? Foi o máximo que consegui pensar. E aquele “sentiram” me incomodou um bocado. Bom trabalho!

  27. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Então… Na mesma sequência, lado a lado com a anterior, mais uma historinha bonitinha, edificante, um tanto piegas. Nenhum detalhe instigante, nenhuma surpresa, nenhuma expectativa… O personagem menino parece um pouco artificial, não muito crível, o próprio cachorro não tem nada marcante, o final é previsível, uma revisão mais cuidadosa teria evitado alguns errinhos …

  28. Fil Felix
    22 de janeiro de 2017

    A mensagem por detrás do conto é bem interessante, trazer questões como a fome, miséria, situação de rua e a coisa do “exemplo”. Funciona dentro do limite de palavras, com início, meio e fim. Mas, pra mim, ficou um pouco “moral” demais, há algo ali no começo (sentiram) que deixou a frase estranha. Mas no geral, é um bom conto.

  29. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Acabei de ler o “A coisa certa a se fazer”, do Bast e os dois textos, do Bast e o seu, me pareceram ter o mesmo “mote”, inclusive esse aqui poderia ter o mesmo título do anterior. E, quanto ao título, achei esse meio inconsistente, apesar de filosófico. Tem a ver com a quantidade de caracteres (com espaço?) que foram utilizados, também, mas isso não me empolgou. Bem, sobre o conto, não gostei. Há alguma coisa no estilo de sua narrativa, autor, que a mim não conquistou.

  30. Eduardo Selga
    21 de janeiro de 2017

    A narrativa é um tanto confusa. Em “[…] pensei o que ela carregaria dali” não está claro por qual motivo a menina deveria carregar o que quer que fosse. Também estranho me pareceu o fato de o menino, ao término do conto, chorar enquanto oferecia ao cachorro metade de sua comida. Seria a fome? Mas elas, no início não “já haviam secado”?

  31. Amanda Gomez
    21 de janeiro de 2017

    Olá!

    Bem, a visão dá cena fica melhor se eu imaginar que não não uma criança e sim um homem…Um mendigo já adulto. Talvez ele tenha visto na menina alguém do seu passado, poder ser um filho que ficou para trás.

    Mesmo com fome, ele quis dar um bom exemplo para a criança, na esperança de que possa fazer algum efeito na vida dela

    Posso está equivocada, mas prefiro essa versão. O conto é simples e agradável. Mas não me chamou muita a atenção, não.

    No mais, boa sorte no desafio.

  32. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    Oi, Ariel.

    Tenho dito que o mais interessante para mim em um micro é o subtexto. Aqui não há muita margem para uma história profunda, já que toda a trama é explicada em detalhes, inclusive a motivação de Elias para dividir a comida.

    Como o espaço é curto, é difícil criar empatia (por Elias, pela garota e mesmo pelo cachorro), o que dificulta um pouco a apreciação.

    O encerramento também carece um pouco de impacto, o que não favorece muito a história.

  33. Vitor De Lerbo
    20 de janeiro de 2017

    Muito semelhante a outro conto que acabei de ler, “a coisa certa a se fazer”. Como eu disse lá, gosto de mensagens de esperança, mesmo que, nesse caso, ele só tenha vindo para transmitir uma ideia diferente a um terceiro.
    Boa sorte!

  34. Juliano Gadêlha
    20 de janeiro de 2017

    Há que se ressaltar a coincidência de haver dois contos em sequência tratando sobre a mesma temática. Aqui eu não consegui vislumbrar muito bem qual era o objetivo. A narrativa me parece confusa em alguns momentos. Há também alguns pequenos erros e omissões de palavras que acabam prejudicando. Creio que isso possa ter ocorrido devido ao limite de palavras. Nada que uma boa revisada não resolva.

    Continue com o bom trabalho!

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .