EntreContos

Literatura que desafia.

Lá, ao entardecer… (Thiago de Melo)

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Ela se sentou distante, a antiga cumplicidade dera lugar a um vazio entorpecido.

– Lembro de quando nos conhecemos nesse píer.

– Éramos apenas crianças.

– E nunca houve amor tão puro.

– Ninguém vive só de amor.

– Mas há quem morra…

– Não fale assim. Tenho que ir. A mudança… Meu marido…

– Sim, o Diplomata.

– Adeus.

– Ainda é verdade o que te disse da primeira vez que nos beijamos…

– Preciso ir – partiu sem olhar pra trás, equilibrando o mar inteiro sobre os olhos.

– …para sempre – sussurrou.

“…para sempre” – se lembrou.

O navio zarpou na manhã seguinte, fria,  cinzenta, como o olhar no píer.

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85 comentários em “Lá, ao entardecer… (Thiago de Melo)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Que beleza, hein? Diálogos ágeis, leitura fluida, e um recorte de uma história de amor que não acontece, não dá pé. Lindo! Boa sorte!

  2. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    “partiu sem olhar pra trás, equilibrando o mar inteiro sobre os olhos.” – que belíssima imagem!

    Recorte de uma despedida, muito delicada, permeada de poesia. A forma suave que a escrita promove nos deixa a sensação de leveza e vazio. Todo sofrer é retratado em diálogos curtos, o que nos permite deixar o fluir desse mar nos levar a esses dois polos. Apesar de ser um conto atemporal, a imagem escolhida nos remete ao passado.
    Ótimo texto!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não me agradou muito. Boa sorte no desafio.

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Eu não consegui gostar muito do conto, sinceramente. A ideia é bonita, simples e tocante, mas os diálogos não soam naturais e não consegui sentir a paixão/emoção que eles deveriam ter transmitido. Boa sorte!

  5. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    Acho bacana como o conto é atemporal, pois não sabemos em que época ele se passa. Também não é possível saber o que houve com as crianças apaixonadas e por que se separaram, e é bonito notar como o sentimento ainda está lá mesmo depois de tantos anos. Não sabemos se a mocinha mora no mesmo local que o outro personagem, se estava lá de passagem… é bacana tentar montar esse quebra-cabeça. O final é triste, mas não é impactante. É um belo conto.

  6. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Um conto muito simples, que seria melhor se o diálogo tivesse sido melhor empregado. Bom, a minha opinião é que não ficou. Me lembrou os diálogos de Murakami, robóticos e engessados mesmo com os personagens diante de cenas de extrema emoção. Não gostei. Desculpe.

  7. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Conto de leitura ágil, com os diálogos diretos, mas que peca pela falta de melhor conteúdo, ainda que a evolução das falas deixe a possibilidade de palavras não ditas pelos protagonistas. Este conto é como um pedacinho de um bom romance, um romance que certamente teria outras partes até mais interessantes. Abraço.

  8. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Edmond.
    Vou ser o chato da vez e ir contra a maioria dos comentários rs

    Olha, particularmente não gostei muito dos diálogos, o que é uma pena, pois o texto é construído basicamente em cima deles. Achei um tanto artificieis e, talvez, melodramáticos.

    No que diz respeito a forma, a leitura foi bastante agil, o que não sei se é positivo em um diálogo que deveria prezar por certa tensão. Mas construir um micro de 99 palavras “só” com diálogo é complicadíssimo mesmo.

  9. Victória
    27 de janeiro de 2017

    A cena é romântica, o conto é poético e o autor inova ao apostar em um diálogo – bem escrito, por sinal -, mas a história em si não me causou nenhum impacto ou grandes emoções. Boa sorte

  10. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Não é fácil construir uma narrativa usando basicamente diálogos, mas aqui o autor foi feliz. Não caiu na tentação de explicar tudo nas falas, como usualmente feito nas novelas. AS revelações são apenas sugeridas. Entretanto, a melhor frase está justamente fora do diálogo ” equilibrando o mar inteiro sobre os olhos.. Muito boa!
    Parabéns e boa sorte!

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Sensível e delicado. Cheguei a arrepiar no final… Uma linda, porém triste história de um reencontro de uma paixão de infância. Caminhos distintos foram tomados, mas o sentimento perpetua. Ótimo conto.
    Bom desafio.

  12. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Acho difícil contos só com diálogos, geralmente caem em algo superficial. Aqui tem bastante conteúdo, mas ficou um pouco “bate bola rápido” da Gabi. Muito bem escrito, a parte do mar está muito bonita. Um conto que trabalha com os sentimentos, com a saudade e as despedidas. Acabou me lembrando um outro conto daqui do desafio, dá despedida no trem.

  13. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Edmond,

    embora o conto tenha um toque de sensibilidade invejável, com algumas construções frasais muito boas (“equilibrando o mar inteiro sobre os olhos…”), faltou algo mais aqui. Creio que os diálogos estejam rasos demais, quase que sem vida.

    È uma história boa, mas que poderia ter sido ótima.

  14. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Conto interessante, a relação é apresentada de uma forma interessante, apesar do diálogo não soar tão natural. Senti um clima meio estrangeiro no sentido de ambientação e até mesmo as falas, lembram alguns filmes americanos melosos.

    Acho que em um espaço tão curto, tentar trazer a discussão de um relacionamento com conflitos é complicado. O conto termina, e não dá pra gente sentir a mesma saudade que o narrador. Quem sabe, se você tivesse focado um pouco mais nas sensações de um dos personagens, o efeito teria sido melhor. Ainda assim, a última frase, é uma comparação muito boa.

    Parabéns pelo trabalho.

  15. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Não gostei muito dos diálogos… parecem artificiais demais. Acho que é culpa minha, sou um pouco descrente do amor… Peço-lhe desculpas, por deixar minha visão de mundo interferir na análise do seu texto.
    Em “equilibrando o mar inteiro sobre os olhos” achei interessante a metáfora para olhos marejados.
    Boa sorte!

  16. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Edmond,

    Minhas primeiras impressões, logo ao bater os olhos, foram admirar a beleza da imagem que você escolheu, além de seu pseudônimo, que me levou a buscar o personagem Cyrano dentro de sua bora.

    Sobre o conto em si, a escolha do formato quase dramático é coerente e com diálogos muito belos. Uma história de amor delicada e muito bem desenvolvida.

    Parabéns por sua verve e muito boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    belo conto e muito bem montado, com uma estrutura muito interessante com recurso ao diálogo e possui algumas frases excelentes pela sua carga poética. Muitos parabéns

  18. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Mais do que tudo, fiquei com a sensação de uma cena artificial, ou seja, foi montada para que a história pudesse ocorrer. Afinal de contas, considerando que não parecem ter-se encontrado por acaso, e que os sentimentos que ela exibe não condizem com os dele, o que será que ela terá ido fazer ali? Acho que faltou conflito de verdade a justificar tudo… Sem falar que a fala “- Sim, o Diplomata.” é tão fora do tom e desnecessária que chega a incomodar…

  19. angst447
    25 de janeiro de 2017

    Um conto todo trabalhado em diálogo. Ágil, ritmo agradável pois faz a leitura fluir fácil. Uma despedida emocionante que nos remete às puras histórias de amor adolescente.
    Não encontrei erros, só estranhei o “sobre” na bela construção “equilibrando o mar inteiro sobre os olhos”. Talvez “em seus olhos” passaria a ideia de que a moça segurava um choro intenso.
    Boa sorte!

  20. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Estava já sentindo falta de mais microcontos como este, de puro diálogo, o que estica a forma na limitação das 99 palavras, ao mesmo tempo dinamiza a coisa toda. Só que faltou uma história interessante. Esta foi chata pacas. Uma pena.

  21. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Despedidas sempre dão boas histórias. Mas, no caso em pauta, o diálogo romantizado soa quase artificial – e, infelizmente, é o diálogo que conduz a narrativa aqui. Talvez com menos açúcar e mais amargor a narrativa se tornasse memorável.
    Off topic: escolher como pseudônimo nome de autor famoso, a meu ver, não só engana os mecanismos de busca como contamina a avaliação. Só minha opinião, ok?

  22. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    A forma não me agradou, os diálogos soaram vazios, sem emoção. Por cima disso, parece que um ama e a outra não. Não teve força o suficiente pra fazer com que eu me importasse com o que fica, com a dor dele.

    Boa sorte.

    Abraços.

  23. Eduardo Selga
    24 de janeiro de 2017

    Fiquei me perguntado acerca do significado pretendido com “[…] equilibrando o mar inteiro sobre os olhos”. É metafórico, sem dúvida, dado que não é razoável entendê-la literalmente, com “sobre” significando “acima de” ou “em cima de”.

    O que mais faz sentido, ao menos para mim, é o “sobre” no sentido de “ao encontro de” ou “contra”. Seria, então, “equilibrando o mar inteiro ao encontro dos olhos”. Ou seja, o oceano, por servir de cenário ao diálogo difícil com seu ex-parceiro, e metaforicamente ser o próprio personagem masculino, é uma agressão ou uma inconveniência que a personagem tenta administrar.

    Mas, se essa interpretação estiver certa, é preciso considerar que essa sensação ocorre nela após dar as costas para o personagem masculino e caminhar pelo píer até a terra, portanto já não vê o mar em sua amplitude, apenas lateralmente.

    Sendo assim, o oceano que a personagem equilibra é o personagem masculino com quem acabara de conversar constrangidamente.

    Embora trate do universo afetivo, o conto é seco, não abre espaço ao amor que fica latente em ambos os personagens, do início ao fim -nele, mais explicitamente; nela, metaforicamente-. Contribui para isso a construção do diálogo, no qual ele tenta alguma coisa, mas ela corta, inexoravelmente.

  24. Rubem Cabral
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Edmond.

    O conto é bonito, triste e com certa poesia. Os diálogos estão muito bons também.
    A cena, a despedida, o amor partido, é um tanto recorrente, mas o resultado obtido ficou acima da média.

    Nota: 8.5

  25. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    O conto está bem escrito, mas não me arrebatou. Talvez por não ser meu gênero favorito.

    Mas tem uma história completa, trazendo nas entrelinhas todos os detalhes necessários, e é bem escrito, utilizando-se de algumas construções interessantes (como “equilibrando o mar inteiro sobre os olhos”). Apesar disso, os dois últimos parágrafos me incomodaram um pouco. Por que “se lembrou”? Essa comparação da manhã com o olhar me causou estranheza. O “frio” me passou a impressão de ser um olhar acusador, mas, a julgar pelo diálogo, a outra pessoa só está triste com a partida.

  26. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Muito bom. Diálogo simples, dinâmico, do jeito que tinha de ser. A expressão “(..) equilibrando o mar inteiro sobre os olhos.” realmente deu um toque ao conto, expressando a tristeza que a moça tentava esquecer. Mais uma história de amor que não vingou por motivos de força maior e desconhecido por nós. Esse mistério e o que dá o charme e abre espaço para especulações.

    Boa sorte.

  27. Tiago Menezes
    24 de janeiro de 2017

    Um amor que durou anos, mas parece que ter apenas ele não foi suficiente. O dinheiro, talvez, a tenha feito escolher o diplomata. Gostei da citação do mar nos olhos, foi criativa. Um ótimo conto, parabéns.

  28. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá, Edmond,

    Texto bonito e um drama romântico muito comum, mas que foi descrito com bastante habilidade.

    Você soube dar uma carga de sentimento bem sutil e eu achei que essa forma de narrar deu um tom todo diferente e atraente ao texto.

    Só achei a última frase meio deslocada. Em minha humilde opinião, sem ela o conto ficaria com um final mais envolvente.

  29. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Romântico e melancólico. As palavras não ditas gritam muito mais alto do que o próprio diálogo.
    Boa sorte!

  30. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Digno de um romance russo do século XIX e afirmo como um elogio. Triste, lindo, impactante

  31. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    Eu gostei, pois foi romântico e melancólico no ponto certo. Deu um pouco de pena do casal ao ler esse conto. É poético e dialoga com a imagem. Muito bem escrito!
    Parabéns

  32. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Romântico apesar de triste na separação. Fiquei mais do que feliz nesse conto, onde, fica patenteado que os seres humanos falam e se expressam por essas palavras que podem ser cortantes, edificantes, morais ou, finalizando, amorosas e sentimentais. O diálogo é primordial e um conto assim, todo ele bem estruturado nas frases, faz e irá participar dos vinte. Parabéns! Boa sorte!.

  33. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Gostei muito do tom desse conto (antigo, poético). Os diálogos não demonstram apenas a interação dos protagonistas, também ajudam a construir o ambiente e as personalidades do casal, o que imagino que seja muito difícil de se fazer. Gostei particularmente da primeira frase: “Ela se sentou distante, a antiga cumplicidade dera lugar a um vazio entorpecido.”, em que o vazio físico entre os dois se assemelha ao vazio emocional, um afastamento que se dá em todas as instâncias.
    Parabéns e boa sorte.

  34. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Achei o conto médio. Uma cena de despedida, bem escrita e com diálogos, as, que não me emocionou o suficiente. Boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .