EntreContos

Detox Literário.

Fome de mãe (Mariana Carolo)

medeia-antunes

A filha quer uma boneca, o menino quer a bicicleta. A mãe não consegue nem bancar a comida. Todos falam, ninguém a ajuda. As crianças têm fome, sede, vontades. No lugar do pão no forno, o desespero fermentando… A vida na miséria a transformou em rainha grega. Último dia útil do mês, pega os seus pelos braços. Linha do trem, destino final. A luz murcha dos faróis é o aviso. Voa, os pequenos estão protegidos pelo seu calor. Não haverá mais barriga roncando. O jornal não se interessa pela história, quer mais linhas para os escândalos da corrupção nacional.

Anúncios

82 comentários em “Fome de mãe (Mariana Carolo)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Forte, bem elaborado, linha a linha.
    Mais uma tragédia na lista de micros, rs.
    Boa sorte!

  2. Roselaine Hahn
    27 de janeiro de 2017

    Pô, mais um conto de morte? O que fazer, o meu tb. é, rsrs.A temática é impactante, parece surreal, situação limite. Não entrarei em divagações a respeito de julgamentos sobre a atitude da personagem e a abordagem panfletária no final, o que mais conta é a forma com que vc. contou a história, e ela foi bem contada. Sugeriria pequenas alterações na pontuação, no início, a meu ver aumentaria mais a carga dramática, que imagino ser o objetivo do texto. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Um texto bem forte, mostrando a realidade de algumas familias. Ficou muito bom. Parabéns e boa sorte.

  4. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Por um lado achei forçado ela tirar a vida dos filhos. Por outro, penso que existe a possibilidade, principalmente se você levar em consideração o estado mental da personagem. Sem esperanças, vendo as crianças passarem fome, fundo do poço, enfim, perfeitamente possível que ela tome essa atitude cruel com a vida dos pequenos. O conto é bacana.

  5. Leo Jardim
    26 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): pelo que entendi, ela se mata junto com os filhos debaixo do trem. É verossímil, já que a fome é capaz disso. Só não gostei muito das crianças quererem brinquedos quando não têm nem comida. Geralmente as necessidades primárias vêm antes das supérfluas.

    📝 Técnica (⭐▫▫): há uma troca do tempo verbal a partir de “pega os seus pelos braços”. Além disso, não gostei da forma como a história foi contada, travada, com frases curtas e confusas.

    💡 Criatividade (⭐▫): um mote comum.

    ✂ Concisão (⭐▫): não acho que as palavras foram bem empregadas, houve muito corte e resumos curtos. Pareceu que tentou colocar muito conteúdo em pouco espaço.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): apesar de triste, a história não me comoveu, talvez pela forma contada ou pela ausência de espaço para desenvolver melhor a dor da personagem.

  6. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Que triste e melancólico. A narrativa é competente e o autor está de parabéns. Ótimo texto.
    Bom desafio.

  7. Victória
    26 de janeiro de 2017

    Texto muito bem escrito, sobre uma cena forte e chocante que, infelizmente, a realidade não dá tanta importância. Ao contrário de alguns colegas, achei a última frase do texto impactante e adequada, mas acho que o que mais resume o conto é a questão do “desespero fermentado”. Parabéns

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Essa frase resume bem o que se passa com a personagem “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando.”
    É tangível a angustia da protagonista nas linhas escritas, mérito do autor. Um conto denuncia com uma pequena carga de crítica, mas sem nunca ser pedante.

    Gostei.
    Parabéns

  9. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Eu não gostei muito do tema, apesar de está bem escrito. Será que muitas mães se matam e matam seus filhos por contam da fome e das dificuldades? Achei meio forçado. Inclusive, se um ato assim ocorresse, a mídia daria muita atenção, ao contrário do que o conto quer dizer. Acho ainda que a grande maioria das mães lutariam sem se entregar para criarem os filhos. Enfim, posso estar enganado, e sendo otimista demais, Boa sorte.

  10. Lídia
    26 de janeiro de 2017

    A forma em que você usou seu taleto para dar voz a essa crítica social é formidável. Muito obrigada pelo texto.
    Uma mãe solteira, provavelmente moradora de São Paulo, sem condições de cuidar dos filhos e de si própria…
    Enquanto a mídia foca em casos de corrupção (e tem que dar visibiidade mesmo, fazer pressão), o prefeito foca em pintar os muros da cidade de cinza…
    Boa sorte!

  11. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Lobo,

    Tudo bem?

    Sua história é forte e, infelizmente, uma dura realidade. A alusão à Medéia é interessante, mas poderia, em um primeiro instante, exigir tal bagagem do leitor, mas isso não acontece. A história passa clara e a mensagem também.

    Vemos aqui um microconto com camadas e isso é muito bom.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  12. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    este texto merece o meu silêncio, tudo o que eu disser tira força às tuas palavras. Situação limite que acontece muito frequentemente e quase só aparece num rodapé do jornal ou da televisão. Muitos parabéns pelo retrato que fazes com tão poucas palavras. Excelente

  13. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    O conto obviamente é uma critica social, muito bem escrito, por sinal. Lembrei do que no Guia dos mochileiros das galáxias é chamado de “campo POP’’, que significa: Problema de Outra Pessoa. Nós às vezes acabamos “escolhendo” não ver certas coisas por não acharmos que seja problema nosso. Enfim, parabéns pelo conto!

  14. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Conto com uma forte crítica social. A questão da mídia e a manipulação da massa, o fato da miséria que é tão real. Mas confesso que além de me doar o coração a atitude dessa mãe, ela me soou abrupta, sei que seria possível e que essa é uma possível representação da realidade. Mas ainda assim, ficou bem pesado. É bem escrito, tem um enredo forte, mas senti que da parte do narrador, faltou imprimir um pouco mais de emoção na personagem e o início, a retratação da miséria poderia ter, mas como o espaço é pequeno, entendo sua escolha. Parabéns pelo trabalho.

  15. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Lobo,

    um bom conto e atroz em seu final.

    A solução final da mãe para com os filhos é de doer.

    Em termos de escrita, não temos nada de arrebatador; Porém. a competência dela nos conduz com firmeza até o derradeiro final.

    Parabéns

  16. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Mensagem extremamente forte no conto. A dificuldade da mãe solteira em manter seus filhos alimentados. Todo mundo gosta de falar e dar opiniões, mas ajudar que é bom, nada. Um fim trágico em que ninguém se importa. Muito bom o conto, parabéns.

  17. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Poucas palavras, mas bem escritas. Para uma mãe em desespero e sozinha, parecia não haver outra saída.

    Este trecho “Voa, os pequenos estão protegidos pelo seu calor. Não haverá mais barriga roncando.” me lembrou aquele conto (muito triste) do Andersen sobre a pequena vendedora de fósforos, que morreu congelada. Chega um momento em que a menina não sente mais frio, pelo contrário, sente-se aquecida pelo abraço da avó que veio buscá-la. Acho que qualquer um que conhece esse conto irá lembrá-lo quando ler esse trecho que você escreveu. A morte como o fim para todo o sofrimento. Infelizmente, muita gente acredita que não há mais nada a se fazer. Nada mata mais as pessoas do que a indiferença das outras.

    Boa sorte.

  18. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    A estética da miséria é recorrente não só nos desafios, mas no geral, em todo o fabulário brasileiro, do cinema ao jornal. Todavia, o autor desse texto conduziu com habilidade a narrativa, ainda que pelo caminho óbvio: a mãe que desiste de viver por não poder dar o que os filhos querem. Por que tirar deles a vida? Fica no ar a pergunta que não interessa aos jornais, mas interessa ao leitor.

  19. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    Que conto forte, um tema bastante triste, que tem muito a ser debatido e cabe muita visibilidade. É incrível como aquele final sobre só se focar na corrupção nacionallainda sim seja difícil de ser afirmado: “só cabe CERTA PARTE da corrupção nacional” seria bastante mais adequado kkkkkkk. Eu gostei muito do seu conto, mas fiquei bastante curioso com “rainha grega”, não entendi o porquê.

  20. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Caro Lobo, seu conto me trouxe à memória uma peça de Chico Buarque (A gota D’água) baseada em Medéia.

    Não tomei por panfletário, talvez a última frase pudesse ser subtraída, para que o foco não se desviasse das vicissitudes da vida, apenas talvez.

    “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…” Uma crescente carga dramática depositada no conflito da persona como provedora. É dolorido o saber que não se trata apenas de fábula.

  21. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    A imagem e o título são ótimos, traz aquela coisa “crua” que costumamos ver em filmes nacionais sobre este tema. Bem escrito, levanta questões sociais e também aproveita pra fazer críticas à mídia e até mesmo a invisibilidade que casos assim geralmente tem. Só o final que acho que perdeu um pouco o impacto do todo.

  22. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Só faltou botar a culpa no PT no fim. (sabe, está em voga) rsrsrs…Bah, nada demais. No Datena tbm aparecem varias dessas pobres almas. Como ganhar com algo assim? Não é um microconto, é um dura constatação. Não gostei.

  23. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Que porrada!
    Forma e conteúdo trabalhando juntos pra criar impacto.
    Nem tenho muito o que dizer, só elogiar!

    O descaso da mídia, e do mundo em consequência, é a parte mais forte pra mim, mesmo todo o conteúdo sendo intenso, foi essa parte que embolou a garganta.

    Parabéns!

    Abraços.

  24. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá. Uma temática forte abordada de forma direta, sem deixar de incutir certa poesia nas descrições. É difícil comentar a perspectiva da mãe, pois não consigo imaginar tal nível de desespero. Da mesma forma, é um soco no estômago quanto aos valores que damos a cada informação (os jornais vendem o que queremos ver, ou somos condicionados a querer ver o que nos vendem?). Achei inteligente a relação entre a linha do trem e as linhas que realmente interessam ao jornal.
    Parabéns e boa sorte.

  25. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO raso numa poça. O drama da miséria deverá sempre ser lembrado por todos, principalmente escritores e formadores de opinião. Mas o tom panfletário não mexeu comigo pela forma direta da construção. O IMPACTO foi prejudicado pelo clichê.

  26. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A narrativa é forte, comovente e real. Tudo é muito direto, talvez por se tratar de um microconto, tornando a estrutura mais impactante, mais crua. O final trágico é um pouco previsível, mas não tirou a beleza da narração e o drama que carrega. Parabéns!

  27. Miquéias Dell'Orti
    22 de janeiro de 2017

    Olá.

    Um texto carregado de tensão e com fortes cenas de uma realidade que alguns não compreendem (ou, talvez, não queiram nem saber).
    O maior trunfo do conto foi a temática trabalhada. Algo forte, bruto com a vida, e que deixa as pessoas com uma ponta de incômodo.
    Parabéns.

  28. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Um texto forte representando uma realidade e mais uma vez, a morte. Com ou sem razão, faço protesto sobre essa identidade mórbida nos micros contos, quase uma histeria coletiva. Boa sorte!

  29. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Quase irretocável! Você é fera, Lobo. Uma narrativa a que não falta nenhum detalhe na composição da cena e no desenvolvimento da história. Já foi pra minha lista!

  30. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    Microconto muito impactante!
    Gostei, pois é bem escrito e forte e tem uma temática bem diferente (desespero).
    Parabéns!

  31. Fabio Baptista
    21 de janeiro de 2017

    Um texto forte e bem construído, que narra, com competência, o desespero de uma mãe sem condições de alimentar os filhos.

    Não pude deixar de pensar nos casos de homens que matam as esposas e filhos e depois se matam, deixando cartas de despedida onde relatam o medo de não conseguir dar uma condição digna aos filhos, de não conseguir emprego, enfim.

    Normalmente esses casos são atribuídos ao “machismo”, ao sentimento de posse do homem, etc. Eu não costumo ver dessa forma… acredito que desespero e sentimento de posse (assim, como a bondade, maldade, canalhice, compaixão, etc. etc. etc.) acometem os seres humanos independente de sexo, cor, religião…

    Bom, foi só uma divagação, desculpe.

    Bom conto!

    Abraço.

  32. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…”

    Gostei da frase.

    Achei o conto bastante competente na construção e, mais importante, na condensação da história. Mas o final, não o suicídio/infanticidio, mas o comentário sobre a matéria de jornal acabou desviando um pouco a carga dramática que estava sobre a família para uma crítica social que quase cai de paraquedas. Quase, porque a crítica já estava no próprio relato em si, mas ficou um pouco escrachada com a última frase que acaba tirando o impacto que poderia ter com o fechamento no parágrafo anterior, nem gera tanta reflexão social por já ser uma crítica “montada”, de forma didática.

    Enfim, um conto muito bom que perdeu um pouco do brilho ao fim, para este leitor.

  33. Bia Machado
    20 de janeiro de 2017

    Não deve ser nada fácil essa situação e nem sei o que faria no lugar dessa mãe. Aliás, sei o que não faria: exatamente isso que a mãe do conto fez. Uma atitude extrema, onde o texto que antecede essa ação dá todas as justificativas. Gostei da narração. A princípio um tanto fria, mas ela ajuda a dar tensão à leitura. Achei que foi um bom trabalho, que faz refletir e emociona, ao imaginarmos o que acontece no conto. Muito bom!

  34. Marco Aurélio Saraiva
    20 de janeiro de 2017

    Forte. Chocante. O desespero narrado é palpável. e a solução encontrada pela personagem nos pega de surpresa. Até o final fiquei pensando “não.. ela não vai se jogar… não com as crianças!”.

    Acredito que muitos estejam vendo o conto como “uma crítica á nossa sociedade atual”, mas acredito que é, na verdade, uma crítica a como os humanos vivem em sociedade de forma atemporal. Sempre houveram famílias assim, vivendo na miséria e no desespero ,e não existe esperança de melhoria quanto a isso. É um problema que está acima de qualquer corrupção, de qualquer quantia exorbitante de dinheiro que possa ser doado. É um problema cultural, mas não geográfico: falo da cultura que está no nosso DNA, e nos é passada de geração para geração.

    De fato, o problema da personagem principal é um problema tão recorrente que não nos chama mais a atenção. Não é ‘único e escandaloso”, como são os problemas da corrupção. E as mídias não querem tratar de problemas corriqueiros.

    Eu sei, eu sei. A que ponto chegamos, vendo miséria e suicídio como algo corriqueiro? Na verdade, já chegamos neste ponto há muito tempo e, como falei antes, não existe esperança para melhorias. Mas é sempre bom ler um texto a respeito, para nos lembrar de que temos este enorme pepino pela frente para resolver.

    Talvez um dia nos vejamos livres dele. Enquanto isso, estará sempre presente nas nossas expressões artísticas, como o seu conto, que foi muito bem escrito.

    Parabéns!

  35. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2017

    O uso de figuras de linguagem é bem utilizado e os personagens bem desenvolvidos. Acho que, para o final me impactar mais, teria de ter sido o contrário. Em um caso desses, os jornais falariam sim de tal aspecto, mas com um sensacionalismo tremendo, provavelmente transformando a figura da mãe em um monstro e tal. Mas isso seria como eu faria, então não vou avaliar o que você não colocou. Questões de trama são subjetivas ao autor, não posso dizer o que ele deve escrever. E se eu acho que na vida real aconteceria isso, a literatura não é, exatamente, sobre a vida real. Então fiquemos com o que temos.

    Resultado – Average

  36. Amanda Gomez
    19 de janeiro de 2017

    Olá, Lobo.

    Uma história demasiadamente pesada, tudo está ao extremo. É complicado falar sobre histórias assim, pois apesar de parecer cenas de um filme de terror, isso é muito real. Muito presente. Impossível não julgar as atitudes dá mãe. Tudo pode estar contra, mas ela não deixa de ser seu próprio carrasco. Não me causou empatia, pelo contrário…Ahhh é contraditório.

    Não gostei da última frase, como se todo o texto fosse construído para chegar a ela. Pois não tem o impacto necessário, não combinou.

    No mais, um bom texto, bem escrito.

    Boa sorte no desafio.

  37. waldo gomes
    19 de janeiro de 2017

    Ótimo conto. Trágico e real. Bem escrito, bem conduzido. Narrativa fluida e tensão crescente com tom poético suave e no ponto.

  38. Fheluany Nogueira
    19 de janeiro de 2017

    Estilo e temática bem conjugados. Linguagem direta e seca para apresentar a miséria causada pela corrupção. A referência à mitologia grega e o jogo com os significados das palavras nas construções frasais enriqueceram a contextualização. A narrativa alcançou impacto e trouxe muitas emoções á tona. Muito bom trabalho. Abraços.

  39. Anderson Henrique
    19 de janeiro de 2017

    A narrativa tá bem escrita e tem um ritmo muito bom. Fui lendo sem entraves, apenas tentando entender o que estava acontecendo. É um conto competente. Acho que o único porém é o tom moralista no fim, que ficou um pouco panfletário. Nada contra a crítica (que é mais que acertada), mas ficou muito na cara.

  40. Iolandinha Pinheiro
    19 de janeiro de 2017

    Lendo o seu conto eu me lembrei de imediato do mito de Medeia, que matou os filhos após ser largada pelo marido Jasão. O motivo, claro, e diferente e bem mais triste. Conto com forte apelo emocional e bem escrito, Gostei da utilização de mitologia grega/peça de Eurípedes. Infelizmente, dada a pequenez do limite para os contos, acabou ficando uma linguagem muito seca, que não combinou com a força dramática do argumento. Parabéns pelas referências. Amo isso. Sorte.

  41. Juliano Gadêlha
    19 de janeiro de 2017

    “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…”

    Um conto bastante forte e seco, cheio de associações de palavras e de construções que me agradam. Acho que o(a) autor(a) soube muito bem mostrar o desfecho da história sem precisar ser taxativo(a). Para mim, o grande mérito aqui é a linguagem utilizada, mais especificamente a escolha de palavras na construção do conto.

    Parabéns!

  42. Vitor De Lerbo
    19 de janeiro de 2017

    Pesado e com uma tensão crescente ao longo das linhas. Realidade e tragédia se encontram em um casamento que há muito tempo extrapola a ficção.
    Boa sorte!

  43. Laís Helena Serra Ramalho
    19 de janeiro de 2017

    Não é exatamente uma história imprevisível, nem original. Mas foi da narrativa que eu menos gostei. Ela conta muito, deixa tudo na cara. Não me envolveu na cena (e talvez, se tivesse me envolvido, talvez nem fosse tão previsível). Me passou a sensação de que fazer a crítica era mais importante que contar a história, e isso é algo que me incomoda. Pode até ser uma questão de gosto, mas prefiro quando as críticas ficam mais subentendidas, bem escondidas nas entrelinhas.

  44. Matheus Pacheco
    19 de janeiro de 2017

    Olha, sei que sempre que a pessoa usa a opinião como um argumento é uma “merda” com o perdão da palavra, mas né, esse tipo de crítica social não é do estilo que me agrada, porque eu acho que essa critica já esta um pouco batida.
    Mas olha eu não desgostei do texto, é que eu sou um chato.
    Abração ao escritor.

  45. Luis Guilherme
    18 de janeiro de 2017

    Caramba, que triste!

    Um desespero a tal ponto que leve uma mãe a esse extremo.
    E a referência à corrupção, lembrando as inúmeras mortes indiretas pelas mãos dos corruptos.

    Gostei da forma como conduziu e contou esse drama.

    Parabéns pelo trabalho.

  46. Andre Luiz
    18 de janeiro de 2017

    A imagem introduziu um conto sombrio, cuja história revelou-se ainda mais trágica.

    -Originalidade(8,0): Você ousou com as palavras, e isto foi muito bem feito. Gostei da forma como você interrompeu o fluxo narrativo para gerar apreensão e separar muito bem os contextos.

    -Construção(7,5): Apesar de ter gostado muito da forma como você escreveu, eu não consegui me conectar diretamente com a família, pois parece que de certa forma o terror das crianças foi abafado. As últimas frases foram muito bem escritas, entretanto.

    -Apego(7,5): Um conto de forte sentimentalismo e que pega o leitor pelo peito.

    Parabéns!

  47. Gustavo Castro Araujo
    18 de janeiro de 2017

    É um bom conto, bem escrito e com forte questionamento social. É, contudo, telegráfico, sendo possível adivinhar-lhe o fim muito antes do arremate. Não concordo, entretanto, com a ideia de que a morte da família seria ignorada pela mídia – mais do que escândalos de corrupção, os jornais adoram um derramamento de sangue, ainda mais quando há crianças famintas envolvidas. É o tipo de situação que dá ibope. Aliás, visto por esse lado, o conto não deixa de provocar, o que é sempre interessante. Bom trabalho.

  48. Thiago de Melo
    18 de janeiro de 2017

    Amigo Lobo,

    Gostei do seu conto. Muito forte e triste. Senti um pouco de dificuldade para captar a mensagem que você estava tentando passar, mas gostei.

    Eu gostei muito dessa frase: ” No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…”

    Mas a frase que se seguiu a ela me deixou completamente perdido: “A vida na miséria a transformou em rainha grega”.

    No geral, achei uma história muito boa e que deixa o leitor pensando sobre tudo o que estamos vivendo no nosso país nos últimos anos.

    Parabéns!

  49. juliana calafange da costa ribeiro
    18 de janeiro de 2017

    Uau! Q conto forte! Muita sensibilidade, texto fluente, vejo todas as cenas ali. Me emocionei. Belo conto, parabéns!

  50. Eduardo Selga
    18 de janeiro de 2017

    Para um enredo dramático, uma narrativa seca, no tempo presente, afinal a miséria não foi, nem era: ela é. A escolha verbal causa a sensação de perenidade, uma dor que não encontra alívio na existência presente. Para que isso ocorra é preciso renunciar à vida, e o que parece crueldade com “os seus” é um ato de amor. Amar na miséria desumanizante pode ser, portanto, um perigo.

    Uma questão me vem: narrar um drama humano desse tipo com uma linguagem mais poetizada, farta em metáforas de largo espectro, diminui o impacto no leitor da amplitude desse drama? Por outras palavras, funciona como um amortecedor, de tal modo que a carpintaria da palavra passa a falar mais alto do que a crueza da miséria, em um texto que se propõe a ser realístico? Ou a metaforização, a linguagem figurada, mostra realidades que a própria realidade desconhece? Considero que as duas situações podem ocorrer, tudo depende da manipulação da palavra, e esse conto daria uma boa discussão a respeito.

    Há um vínculo íntimo entre corrupção e miséria, é fácil perceber isso. É histórico (tempo decorrido). Nesse sentido, é muito curioso perceber que se “o jornal não se interessa pela história”, a palavra “história” aparentemente se refere apenas à narrativa factual dada no conto, mas na verdade o desinteresse é mais amplo: o que a imprensa não quer contar é a história da classe social a que se refere a mãe e seus filhos. Noutras palavras, o jornal não se interessa pela História (com H maiúsculo).

  51. mariasantino1
    17 de janeiro de 2017

    Olha aí, Medeia.

    Off, momento idiota, gosto tanto de bolo que comeria aquele lá mesmo ciente do conteúdo. 😛

    Bem, é uma versão de matricídio terrível de se imaginar. E tem crítica social também, na frase >>> “todos falam, ninguém a ajuda” que faz lembrar “todos são contra o aborto, mas ninguém quer ajudar a criar” (algo assim).
    É bom de se imaginar e conduz bem, até o desfecho, onde há a intromissão do narrador, sem subjetivar a conclusão e sim concluindo mastigado. Algo que faz o texto perder pontos (comigo)

    Boa sorte no desafio.

    • mariasantino1
      17 de janeiro de 2017

      A maioria dos contos eu tenho comentado via celular, peço desculpas pela pontuação, porque antes de ler os dedos já tecla no enviar. 😦

  52. Thata Pereira
    17 de janeiro de 2017

    Belo conto, apesar de triste. Ótima critica a minha profissão. Necessária, diria. E nem importa se iria ou não para o jornal, pois mesmo que fosse, não surtiria o efeito necessário, pois dificilmente um jornalista foca naquilo que precisava ser focado. Na maioria das vezes porque caímos em uma relação política e como criticar a política em um país como o Brasil, onde tudo que existe na mídia é uma briga de Direita X Esquerda.

    Sinto nojo. E me sinto vulnerável quando me deparo com situações como essa, narrada pelo conto. Não as mesmas, mas muito parecidas. Fico possessa. Quem sabe quais seriam os destinos dessas crianças se sobrevivessem. Talvez escapassem de uma vida dedicada ao roubo, tráfico, violência. Mas se não, são realmente elas as culpadas?

    “Mas Thata, nem todo mundo que vive nessas condições vira bandido”. Que bom. Que bom que alguém teve determinadas oportunidades que outros não tiveram.

    Bom, você criticou e eu desabafei. É preciso criticar nosso jornalismo. Parabéns!

    Boa sorte!!

  53. Davenir Viganon
    17 de janeiro de 2017

    Gostei da linguagem crua e direta. Combinou com a estória, pois uma coisa mais poética poderia soar forçado. O conto é uma tragédia, um pesadelo da sobrevivência. Há fome no mundo, mais do que parece, e não precisamos ir longe para encontrar, mas cadê os olhos para vê-la? Gostei bastante do conto.

  54. Priscila Pereira
    17 de janeiro de 2017

    Oi Lobo, mais um texto sobre suicídio… E nesse, uma mãe, pra livrar os filhos da fome, decide matá-los… Muito triste! A escrita não me agradou muito. Boa sorte!!

  55. Rubem Cabral
    17 de janeiro de 2017

    Olá, Lobo.

    Então, apesar do tema pungente, a narração soou um bocado fria e o estilo ficou um tanto telegráfico, não me permitindo um maior envolvimento com o drama.

    A qualidade da revisão foi muito boa, a referência à tragédia grega foi interessante tbm.

    Nota: 7.

  56. Brian Oliveira Lancaster
    17 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Um texto bastante denso com uma crítica embutida. A ambientação é claustrofóbica e creio que isso foi intencional. As emoções estão bem descritas, a flor da pele. – 9,0
    O: Outro cotidiano infeliz, mas com características de crônica e final angustiante. Não é original em sua premissa, mas a forma como foi apresentado faz a diferença. Ao final permanece aquele sabor amargo do esquecimento. – 8,0
    D: Um parágrafo só, mas suficiente. Econômico em palavras, mas transborda sentimentos. – 9,0
    Fator “Oh my”: um texto cinza, bastante triste, melancólico e amargo. Bem construído nesse quesito. O título dá a entender outra coisa e já estava esperando algo mais visceral; ainda bem que foi para o lado mais emotivo.

  57. Victor F. Miranda
    17 de janeiro de 2017

    Boa história, escrita e crítica em um parágrafo. Parabéns.

  58. Tatiane Mara
    16 de janeiro de 2017

    Olá…

    Interessante que ontem, dia 15/01, uma moça se jogou do prédio por não ter recebido seus salários no Rio de Janeiro e as crianças nao tinham leite.

    Muito bem escrito, com toda a dor da personagem.

    Boa sorte.

  59. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    16 de janeiro de 2017

    Muito bem escrito. Bastante triste. Passional. Metafórico e clama por atenção!Boa sorte!

  60. angst447
    16 de janeiro de 2017

    O texto me fez pensar em Medeia, de Eurípides. No caso da tragédia grega, foi movida pela premeditada vingança em relação ao marido infiel. No conto, o sacrifício dos filhos surge como uma tentativa de poupá-los do sofrimento.
    Conto bem construído, triste, denso, sem um final aberto. Não chega a ser original, mas comove.
    Boa sorte!

  61. Sabrina Dalbelo
    16 de janeiro de 2017

    E até na hora da morte, ela pensou em proteger seus filhos.
    Quanta tristeza, quanta dor… que desespero!
    A insanidade toma conta dela. Agora não haverá mais reclamações, nem falta.

    Parabéns, o texto narra muito bem essa catástrofe isolada, com a qual ninguém se importa.

    O texto assume 100% a dor. Bravo!

  62. Ceres Marcon
    15 de janeiro de 2017

    Puta merda! Desculpe a expressão, mas não consigo suportar a morte vista dessa forma. É triste. É deprimente. E isso é um elogio, viu? Você mexeu com as minhas entranhas. O desespero final de não poder dar alimento e vida aos filhos acaba em tragédia.
    Gostei.
    Parabéns!

  63. Glória W. de Oliveira Souza
    15 de janeiro de 2017

    A história tem começo, meio e fim. Há dramaticidade. Final com crítica de cunho sociológico, o que cria, ao meu ver, um desequilíbrio na tessitura dramática. Mas o texto é bem escrito e descrito. A menção ao trem indicia um final esperado, quebrando a expectativa.

  64. Tiago Volpato
    15 de janeiro de 2017

    Texto bastante triste. Bem reflexivo e nada distante da realidade brasileira. Parabéns.

  65. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    15 de janeiro de 2017

    Fome e morte, sempre de mãos dadas, desde tempos imemoriais. Triste e bom, pois nem tudo que nos apetece nos traz alegria.

  66. Vanessa Oliveira
    15 de janeiro de 2017

    Triste…sabe, não entendo o porquê, mas as mães são sempre vistas como as megeras. Cadê o pai nessa situação? Não existe, fugiu, morreu. Enfim, cai tudo nas costas de uma só pessoa. Deve ser desesperador ter uma família para sustentar, ver seus filhos e desejar dar coisas boas a eles, mas sem poder. O fim é trágico, profundo. Gostei bastante. Boa sorte!

  67. José Leonardo
    15 de janeiro de 2017

    Olá, Lobo da Costa Moraes.

    Acredito que o tom frio, quase protocolar das palavras vai ao encontro da sensação que permeia casos análogos: uma tragédia familiar (no ápice da fome) passar despercebida frente a outras coisas urgentes, porém não imediatamente mortais. Se essa era a intenção, deu muito certo.

    A situação desesperadora que a torna numa Medeia de motivos diferentes. Se levado ao pé da letra, o enredo, atualmente, pode até parecer inverossímil, mas não é.

    Boa sorte neste desafio.

  68. Sandra A. Datti
    15 de janeiro de 2017

    Retrato triste, bem comum do cotidiano. Crianças com fome, ao amor de mãe… Gostei da poesia que aflora mudo no meio do texto e o retira de uma narrativa comum. Expressões como “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…”, A luz murcha dos faróis”, .. “Voa, os pequenos estão protegidos pelo seu calor.” – belíssimas imagens, mesmo num cenário tão desesperador… Ao fim, a crítica social o encerra com chave de ouro .
    Apreciado…

  69. Bruna Francielle
    14 de janeiro de 2017

    Bem, deu até a impressão que isso aconteceu de verdade, Rs
    Uma história triste, e muito comum. A cada dia, milhões de pessoas vem ao mundo numa família que não tem nenhuma condição de dar a criança uma vida digna, para mim, essa é a raíz do problema.
    Ficaram bem descritas as cenas, entendíveis e visuais. Uma história forte, sem dúvidas, apesar de soar estranho a critica a noticiário de corrupção. Rs’

  70. Edson Carvalho dos Santos Filho
    14 de janeiro de 2017

    Mais um conto trágico. Não faz o meu tipo, gosto de esperança, de luz no fim do túnel. Ok. Mas também faltou uma fluência maior, o que seria difícil mesmo no formado de microconto.

  71. Anorkinda Neide
    14 de janeiro de 2017

    Eu sei q o limite de palavras dificulta.. mas nao precisava diminuir as frases. Ficou seco, direto, pode ser um estilo, mas não fica legal, a meu ver.
    Justamente a corrupção gera mais e mais pobreza, então as noticias sobre corrupção não saõ superfluas, poderia ter criticado novelas ou noticias de celebridades.
    Enfim, acho que a mae se jogar na frente de um trem com os filhos é um mote por demais apelativo. sorry, não curti. abraço

  72. Fernando Cyrino
    14 de janeiro de 2017

    Uau, com conto incisivo demais, direto como o trem que é incapaz de viajar fora dos seus caminhos de ferro. Um conto na medida certa. UMa narrativa de uma beleza construída pela tristeza – e fome – infinitas. Parabéns, abraços agradecidos pelo belo conto.

  73. andré souto
    14 de janeiro de 2017

    Gostei e muito.O caráter “elíptico” da narrativa,meio que coluna policial.Mostra simultaneamente o lado pessoal e o impessoal de toda tragédia humana.Parabéns.

  74. Olisomar Pires
    14 de janeiro de 2017

    Bem escrito, mas de alguma forma, fraco o texto. Lembrou-me mais uma descrição de eventos que literatura: por causa disso e disso, aconteceu isso e isso.

    Sem apelo, sem empatia, não me contagiou em nada. Lamento.

  75. Guilherme de Oliveira Paes
    14 de janeiro de 2017

    Gostei muito, achei bem completo: a narrativa é clara e flui bem, há intensidade dramática, belo uso de figuras de linguagem que ornamentam o texto sem cair no exagero, propõe reflexão sobre o tema.

  76. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Microconto de primeira! O leitor não é presenteado com o texto linear, tem que raciocinar para entender o texto! Ótima crítica social. Bem escrito e elaborado! A preferência pela inexistência a uma quase alguma coisa de vida.

  77. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Que triste! Que coisa mais desesperadora. Foi dita de uma forma tão dura, tão fria, tão racional. Pareceu matéria da página de classificados. E isso fez toda a diferença. Porque contrabalançou. Foi cruel demais. Boa linguagem. Boa descrição. Boa ação.

  78. Keynes Aynaud
    13 de janeiro de 2017

    É um conto triste, mas simples. Ele me remete e muito ao Holodomor; se foi realmente escrito pensando nesse fato histórico, ficou mais interessante o conto. Bom trabalho. Boa sorte com o desafio.

  79. Virgílio Gabriel
    13 de janeiro de 2017

    Que triste. O que me chocou nem foi a morte, mas o drama de se viver uma vida sem ser visto. Essa família viva, ou morta, não faz diferença para a sociedade. E é extremamente triste viver sem ser notado, sendo só mais um zé ninguém. Esse conto causa sensações, e isso é fundamental. Parabéns.

  80. Luiz Eduardo
    13 de janeiro de 2017

    Gostei bastante. Tem uma aura de tragédia grega, mas também mistura um realismo social. Parabéns, boa sorte!

  81. elicio santos
    13 de janeiro de 2017

    O texto aborda de modo claro as consequências da corrupção e da miséria. Como uma e outra estão intimamente atreladas. A narrativa alcança o efeito desejado ao explorar a dor de uma mãe que não consegue sustentar a prole. Apesar do tema ser batido, a forma como a estória é contada ainda fomenta reflexões. Boa sorte!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .