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Literatura que desafia.

Fome de mãe (Mariana Carolo)

medeia-antunes

A filha quer uma boneca, o menino quer a bicicleta. A mãe não consegue nem bancar a comida. Todos falam, ninguém a ajuda. As crianças têm fome, sede, vontades. No lugar do pão no forno, o desespero fermentando… A vida na miséria a transformou em rainha grega. Último dia útil do mês, pega os seus pelos braços. Linha do trem, destino final. A luz murcha dos faróis é o aviso. Voa, os pequenos estão protegidos pelo seu calor. Não haverá mais barriga roncando. O jornal não se interessa pela história, quer mais linhas para os escândalos da corrupção nacional.

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82 comentários em “Fome de mãe (Mariana Carolo)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Forte, bem elaborado, linha a linha.
    Mais uma tragédia na lista de micros, rs.
    Boa sorte!

  2. Roselaine Hahn
    27 de janeiro de 2017

    Pô, mais um conto de morte? O que fazer, o meu tb. é, rsrs.A temática é impactante, parece surreal, situação limite. Não entrarei em divagações a respeito de julgamentos sobre a atitude da personagem e a abordagem panfletária no final, o que mais conta é a forma com que vc. contou a história, e ela foi bem contada. Sugeriria pequenas alterações na pontuação, no início, a meu ver aumentaria mais a carga dramática, que imagino ser o objetivo do texto. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Um texto bem forte, mostrando a realidade de algumas familias. Ficou muito bom. Parabéns e boa sorte.

  4. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Por um lado achei forçado ela tirar a vida dos filhos. Por outro, penso que existe a possibilidade, principalmente se você levar em consideração o estado mental da personagem. Sem esperanças, vendo as crianças passarem fome, fundo do poço, enfim, perfeitamente possível que ela tome essa atitude cruel com a vida dos pequenos. O conto é bacana.

  5. Leo Jardim
    26 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): pelo que entendi, ela se mata junto com os filhos debaixo do trem. É verossímil, já que a fome é capaz disso. Só não gostei muito das crianças quererem brinquedos quando não têm nem comida. Geralmente as necessidades primárias vêm antes das supérfluas.

    📝 Técnica (⭐▫▫): há uma troca do tempo verbal a partir de “pega os seus pelos braços”. Além disso, não gostei da forma como a história foi contada, travada, com frases curtas e confusas.

    💡 Criatividade (⭐▫): um mote comum.

    ✂ Concisão (⭐▫): não acho que as palavras foram bem empregadas, houve muito corte e resumos curtos. Pareceu que tentou colocar muito conteúdo em pouco espaço.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): apesar de triste, a história não me comoveu, talvez pela forma contada ou pela ausência de espaço para desenvolver melhor a dor da personagem.

  6. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Que triste e melancólico. A narrativa é competente e o autor está de parabéns. Ótimo texto.
    Bom desafio.

  7. Victória
    26 de janeiro de 2017

    Texto muito bem escrito, sobre uma cena forte e chocante que, infelizmente, a realidade não dá tanta importância. Ao contrário de alguns colegas, achei a última frase do texto impactante e adequada, mas acho que o que mais resume o conto é a questão do “desespero fermentado”. Parabéns

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Essa frase resume bem o que se passa com a personagem “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando.”
    É tangível a angustia da protagonista nas linhas escritas, mérito do autor. Um conto denuncia com uma pequena carga de crítica, mas sem nunca ser pedante.

    Gostei.
    Parabéns

  9. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Eu não gostei muito do tema, apesar de está bem escrito. Será que muitas mães se matam e matam seus filhos por contam da fome e das dificuldades? Achei meio forçado. Inclusive, se um ato assim ocorresse, a mídia daria muita atenção, ao contrário do que o conto quer dizer. Acho ainda que a grande maioria das mães lutariam sem se entregar para criarem os filhos. Enfim, posso estar enganado, e sendo otimista demais, Boa sorte.

  10. Lídia
    26 de janeiro de 2017

    A forma em que você usou seu taleto para dar voz a essa crítica social é formidável. Muito obrigada pelo texto.
    Uma mãe solteira, provavelmente moradora de São Paulo, sem condições de cuidar dos filhos e de si própria…
    Enquanto a mídia foca em casos de corrupção (e tem que dar visibiidade mesmo, fazer pressão), o prefeito foca em pintar os muros da cidade de cinza…
    Boa sorte!

  11. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Lobo,

    Tudo bem?

    Sua história é forte e, infelizmente, uma dura realidade. A alusão à Medéia é interessante, mas poderia, em um primeiro instante, exigir tal bagagem do leitor, mas isso não acontece. A história passa clara e a mensagem também.

    Vemos aqui um microconto com camadas e isso é muito bom.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  12. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    este texto merece o meu silêncio, tudo o que eu disser tira força às tuas palavras. Situação limite que acontece muito frequentemente e quase só aparece num rodapé do jornal ou da televisão. Muitos parabéns pelo retrato que fazes com tão poucas palavras. Excelente

  13. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    O conto obviamente é uma critica social, muito bem escrito, por sinal. Lembrei do que no Guia dos mochileiros das galáxias é chamado de “campo POP’’, que significa: Problema de Outra Pessoa. Nós às vezes acabamos “escolhendo” não ver certas coisas por não acharmos que seja problema nosso. Enfim, parabéns pelo conto!

  14. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Conto com uma forte crítica social. A questão da mídia e a manipulação da massa, o fato da miséria que é tão real. Mas confesso que além de me doar o coração a atitude dessa mãe, ela me soou abrupta, sei que seria possível e que essa é uma possível representação da realidade. Mas ainda assim, ficou bem pesado. É bem escrito, tem um enredo forte, mas senti que da parte do narrador, faltou imprimir um pouco mais de emoção na personagem e o início, a retratação da miséria poderia ter, mas como o espaço é pequeno, entendo sua escolha. Parabéns pelo trabalho.

  15. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Lobo,

    um bom conto e atroz em seu final.

    A solução final da mãe para com os filhos é de doer.

    Em termos de escrita, não temos nada de arrebatador; Porém. a competência dela nos conduz com firmeza até o derradeiro final.

    Parabéns

  16. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Mensagem extremamente forte no conto. A dificuldade da mãe solteira em manter seus filhos alimentados. Todo mundo gosta de falar e dar opiniões, mas ajudar que é bom, nada. Um fim trágico em que ninguém se importa. Muito bom o conto, parabéns.

  17. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Poucas palavras, mas bem escritas. Para uma mãe em desespero e sozinha, parecia não haver outra saída.

    Este trecho “Voa, os pequenos estão protegidos pelo seu calor. Não haverá mais barriga roncando.” me lembrou aquele conto (muito triste) do Andersen sobre a pequena vendedora de fósforos, que morreu congelada. Chega um momento em que a menina não sente mais frio, pelo contrário, sente-se aquecida pelo abraço da avó que veio buscá-la. Acho que qualquer um que conhece esse conto irá lembrá-lo quando ler esse trecho que você escreveu. A morte como o fim para todo o sofrimento. Infelizmente, muita gente acredita que não há mais nada a se fazer. Nada mata mais as pessoas do que a indiferença das outras.

    Boa sorte.

  18. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    A estética da miséria é recorrente não só nos desafios, mas no geral, em todo o fabulário brasileiro, do cinema ao jornal. Todavia, o autor desse texto conduziu com habilidade a narrativa, ainda que pelo caminho óbvio: a mãe que desiste de viver por não poder dar o que os filhos querem. Por que tirar deles a vida? Fica no ar a pergunta que não interessa aos jornais, mas interessa ao leitor.

  19. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    Que conto forte, um tema bastante triste, que tem muito a ser debatido e cabe muita visibilidade. É incrível como aquele final sobre só se focar na corrupção nacionallainda sim seja difícil de ser afirmado: “só cabe CERTA PARTE da corrupção nacional” seria bastante mais adequado kkkkkkk. Eu gostei muito do seu conto, mas fiquei bastante curioso com “rainha grega”, não entendi o porquê.

  20. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Caro Lobo, seu conto me trouxe à memória uma peça de Chico Buarque (A gota D’água) baseada em Medéia.

    Não tomei por panfletário, talvez a última frase pudesse ser subtraída, para que o foco não se desviasse das vicissitudes da vida, apenas talvez.

    “No lugar do pão no forno, o desespero fermentando…” Uma crescente carga dramática depositada no conflito da persona como provedora. É dolorido o saber que não se trata apenas de fábula.

  21. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    A imagem e o título são ótimos, traz aquela coisa “crua” que costumamos ver em filmes nacionais sobre este tema. Bem escrito, levanta questões sociais e também aproveita pra fazer críticas à mídia e até mesmo a invisibilidade que casos assim geralmente tem. Só o final que acho que perdeu um pouco o impacto do todo.

  22. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Só faltou botar a culpa no PT no fim. (sabe, está em voga) rsrsrs…Bah, nada demais. No Datena tbm aparecem varias dessas pobres almas. Como ganhar com algo assim? Não é um microconto, é um dura constatação. Não gostei.

  23. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Que porrada!
    Forma e conteúdo trabalhando juntos pra criar impacto.
    Nem tenho muito o que dizer, só elogiar!

    O descaso da mídia, e do mundo em consequência, é a parte mais forte pra mim, mesmo todo o conteúdo sendo intenso, foi essa parte que embolou a garganta.

    Parabéns!

    Abraços.

  24. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá. Uma temática forte abordada de forma direta, sem deixar de incutir certa poesia nas descrições. É difícil comentar a perspectiva da mãe, pois não consigo imaginar tal nível de desespero. Da mesma forma, é um soco no estômago quanto aos valores que damos a cada informação (os jornais vendem o que queremos ver, ou somos condicionados a querer ver o que nos vendem?). Achei inteligente a relação entre a linha do trem e as linhas que realmente interessam ao jornal.
    Parabéns e boa sorte.

  25. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO raso numa poça. O drama da miséria deverá sempre ser lembrado por todos, principalmente escritores e formadores de opinião. Mas o tom panfletário não mexeu comigo pela forma direta da construção. O IMPACTO foi prejudicado pelo clichê.

  26. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A narrativa é forte, comovente e real. Tudo é muito direto, talvez por se tratar de um microconto, tornando a estrutura mais impactante, mais crua. O final trágico é um pouco previsível, mas não tirou a beleza da narração e o drama que carrega. Parabéns!

  27. Miquéias Dell'Orti
    22 de janeiro de 2017

    Olá.

    Um texto carregado de tensão e com fortes cenas de uma realidade que alguns não compreendem (ou, talvez, não queiram nem saber).
    O maior trunfo do conto foi a temática trabalhada. Algo forte, bruto com a vida, e que deixa as pessoas com uma ponta de incômodo.
    Parabéns.

  28. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Um texto forte representando uma realidade e mais uma vez, a morte. Com ou sem razão, faço protesto sobre essa identidade mórbida nos micros contos, quase uma histeria coletiva. Boa sorte!

  29. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Quase irretocável! Você é fera, Lobo. Uma narrativa a que não falta nenhum detalhe na composição da cena e no desenvolvimento da história. Já foi pra minha lista!

  30. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    Microconto muito impactante!
    Gostei, pois é bem escrito e forte e tem uma temática bem diferente (desespero).
    Parabéns!

  31. Fabio Baptista
    21 de janeiro de 2017

    Um texto forte e bem construído, que narra, com competência, o desespero de uma mãe sem condições de alimentar os filhos.

    Não pude deixar de pensar nos casos de homens que matam as esposas e filhos e depois se matam, deixando cartas de despedida onde relatam o medo de não conseguir dar uma condição digna aos filhos, de não conseguir emprego, enfim.

    Normalmente esses casos são atribuídos ao “machismo”, ao sentimento de posse do homem, etc. Eu não costumo ver dessa forma… acredito que desespero e sentimento de posse (assim, como a bondade, maldade, canalhice, compaixão, etc. etc. etc.) acometem os seres humanos independente de sexo, cor, religião…

    Bom, foi só uma divagação, desculpe.

    Bom conto!

    Abraço.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .