EntreContos

Literatura que desafia.

Enfim (Evandro Furtado)

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Trinta e sete tiros desferidos contra o peito de um Zé Ninguém. Desceu sobre ele o anjo da morte, o manto negro caindo sobre a pele alva, os lábios vermelho-sangue sussurrando palavras inexistentes.

– Qual o meu destino? – ele perguntou.

– Só faço a entrega. – ela respondeu.

Agarrou-lhe a mão e subiram em direção às estrelas, ignorando os gritos e o choro dos que permaneciam no chão.

– Tão patéticos. – ele falou olhando para baixo. – E imaginar que já fui como eles.

Continuou a contemplá-los até que seus olhos já não permitissem que os visse.

Fechou-os. Deixou-os. Morreu-lhes, enfim.

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89 comentários em “Enfim (Evandro Furtado)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Eis a morte, novamente. E seu beijo fatal!
    Olha, eu gostei, mas… pode parecer enjoado de minha parte dizer isso, mas senti que faltou algo… mas boa sorte, em todo caso 🙂

  2. Andre Luiz
    27 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,0): Eu mesmo já escrevi sobre o Anjo da Morte, porém a forma como você escolheu trazer o beijo da morte foi nova para mim.

    -Construção(7,5): Senti falta de um algo a mais, e me incomodei com o “Zé Ninguém”.

    -Apego(8,0): O leitor fica se perguntando quem será essa pessoa, e o porquê de tudo isso. Nunca saberemos.

    Boa sorte!

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Apesar de uma ótima ideia, sinto que faltou algo. Foi bem construído, mas faltou um toque, talvez mais algumas linhas fossem necessárias. Apesar disto, deixou uma boa curiosidade sobre o que realmente se passou. Por qual motivo tudo aconteceu? Boa sorte!

  4. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da abordagem, a gente fica pensando onde ele tava (ou qual era a situação) pra ele levar tantos tiros. E quem eram essas pessoas chorando e gritando; parentes, amigos? Porque poderiam ser também pessoas desesperadas no meio de uma guerra ou algo assim. São infinitas as possibilidades e gosto dessa discussão que o texto permite. Apenas estranhei a fala do homem conforme vai para o céu, acho que faria mais sentido se fosse a anja.

  5. Felipe Alves
    27 de janeiro de 2017

    Talvez uma construção muito grande para pouco espaço. Dá pra entender tudo, mas falta um espaço maior para resolução e para instigar o leitor. Boa sorte!

  6. Jowilton Amaral da Costa
    27 de janeiro de 2017

    Bom conto. Acho que o Zé Ninguém não tomou trinta e sete tiros por acaso, claro, que não estou justificando que se matem pessoas. Sou contra a pena de morte. Mas, pela soberba com que ele subiu ao céu, demostrou que sua índole quando vivo não era das melhores e provavelmente procurou durante a vida uma forma de morrer como morreu. Boa sorte.

  7. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Excelente, sem mais. Boa sorte!

  8. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    Enfim um conto bom sobre esse tema. Gostei!

    Não é algo sensacional mas cumpre bem o que o autor quis passar. A ideia do Zé ninguém chamando os outros de patéticos é ótima.

    F iquei muito impressionado com a última frase. Muito bem escrita essa parte!

    Inteligente, irreverente e com uma mensagem importante. A desigualdade é aqui embaixo, lá em cima não existe essa de Zé ninguém. Mas será se existe esse negócio de lá em cima?

    M uito bom, viu! Parabéns e boa sorte no desafio!

  9. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Amour,

    Tudo bem?

    Muito bom. É tudo que eu gostaria de dizer. Sua verve é excelente. A história bem amarrada e sem a menor necessidade de mais palavras. A última frase é excelente.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Gustavo Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Foi bem construido, gostei bastante, acho que vai para o meu top 20

  11. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    – Tão patéticos. – ele falou olhando para baixo. – E imaginar que já fui como eles.

    Putz, o cara fala isso das pessoas que estão lamentando a sua morte? Kkkk. Tipo, familiares? Filho da mãe.

    Acredito que esse trecho exista para demonstrar que o Zé Ninguém na vida se sentia o barão depois da morte. Enfim, o conto é bem escrito mas não vi uma consistência na história. A entrega da morte costuma ser banal e aqui não fugiu dessa sina.

  12. Douglas Moreira Costa
    26 de janeiro de 2017

    Uma imagem muito bonita a que você narrou, tem bastante coisa ai. Eu gostei da imagem que deu à morte, e do diálogo. E ela levando ele rumo às estrelas também criou uma imagem espetacular quando disse que ele via a todos lá embaixo e os achavam patéticos. A morte dele também foi bem narrada. Acho que é um conto que se apoia na beleza da sua narração e nem tanto na história em si. E funcionou para mim.

  13. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Boa sua história. Mas, com relação à estrutura do seu conto, não entendi, afinal, quem são os “que permaneciam no chão”, gritando e chorando. No início vc fala apenas “Trinta e sete tiros desferidos contra o peito de um Zé Ninguém”. Então, em tese estamos falando de uma só pessoa. A imagem q vc usou pra ilustrar o conto é q nos faz achar q tem mais gente ali, quando vc se refere aos outros “tão patéticos” lá embaixo. Enfim, isso ficou meio confuso. Mas no todo, gostei da premissa. Nem sempre a morte é um pesar… Alguns só estão esperando pq não tem coragem de se matar, né? Vc domina bem a linguagem, tem uma boa construção das imagens, a história surpreende. Parabéns!

  14. Tiago Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Meu comentário deu erro e não foi salvo, que pena. Bem, é um ótimo texto. A descrição do anjo da morte foi bem realizada. O texto passa um leve terror e a frase final causa certo impacto. Morreu-lhes, curti.

  15. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Tirando o exagero (37 tiros no peito, que é isso?!), o restante da narrativa é muito boa.

    “Fechou-os. Deixou-os. Morreu-lhes, enfim.”

    Esse “morreu-lhes” me parece que aquelas pessoas que ficaram na Terra morreram para ele, que agora alcançava um novo plano, certo? A ilustração escolhida bateu bem com a descrição do anjo da morte e o cenário onde se passa o conto. Gostei muito, parabéns e boa sorte.

  16. Poly
    25 de janeiro de 2017

    Conto interessante pela temática diferente do que vi até aqui. Bem escrito, sem erros. Fiquei um pouco confusa no “ele” e “ela” até por que no primeiro parágrado é mencionado “o anjo da morte”. Não tenho certeza se entendi a mensagem final, se o zé ninguém aceitou que qera um zé ninguém e entregou os pontos.

  17. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    final muito interessante, em oposição ao início que fez afastar a minha leitura, mas com a continuação da trama, o texto prendeu-me e gostei. Lamento pelo inicio do texto que estraga toda a perceção, mas de qualquer modo, parabéns

  18. krimer
    25 de janeiro de 2017

    Estranho. As idéias expostas são muita vagas para se ter uma noção do que se está falando.

    Confuso.

  19. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Muito bom, ainda que os diálogos pudessem ser menos abismados e mais críveis. Gostei do modo como descreveu o anjo da morte, apenas um entregador (acabei imaginando uma caveira com o uniforme amarelo e o boné azul dos correios, mas isso é minha culpa, não do conto). “Morreu-lhes, enfim.” é um ótimo encerramento.
    Parabéns e boa sorte.

  20. Marco Aurélio Saraiva
    25 de janeiro de 2017

    Há uma “vertente” da literatura onde muitos autores entendem a morte como a iluminação final. É como se os mortos, uma vez “fora do jogo”, têm acesso a todas as respostas.

    Este conto parece usar desta ideia, já que o homem, descrito como um Zé Ninguém, ao morrer olha para todos de cima e vê que todos são patéticos. Em pouco tempo pareceu atingir uma iluminação única.

    Infelizmente o conto não passa disso. É uma reflexão interessante mas curta. A técnica é boa, sem falhas e com palavras cuidadosamente escolhidas. Só não entendi a frase: “…os lábios vermelho-sangue sussurrando palavras inexistentes.”. Não consegui visualizar uma criatura sussurrando palavras inexistentes, rs. É etéreo demais.

  21. Juliano Gadêlha
    25 de janeiro de 2017

    Bom texto, bem escrito. 37 tiros realmente é muita coisa, mas não me apego muito nisso. A frase final é muito boa, fecha muito bom o texto. Bom trabalho, parabéns!

  22. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Com trinta e sete tiros no peito, o cara virou uma peneira. Eram quantos os seus algozes? Ou uma submetralhadora deu conta do recado? Isso acabou ficando mais marcado entre as leituras do que a história em si. Já não gostei do sussurro de palavras inexistentes, e não entendi por que a morte já foi como os que permaneceram no chão. Desculpe, não é do meu estilo este seu conto.

  23. rsollberg
    24 de janeiro de 2017

    O conto é bem escrito, tem história, diálogo e um bom arremate.
    Na realidade, o que mais gostei foi do diálogo. Direto, verossímil dentro do contexto, dinâmico e, ainda bem, nem um pouquinho telegráfico.

    A frase final também foi um belo acerto do autor, ela é singela e sucinta, mas ao mesmo tempo, gera reflexão automática após o ponto final.

    Parabéns

  24. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO dramático das catacumbas do Capeta direto para o sofá de São Pedro. Achei divertido, mas no final ficou só um sorriso entre os lábios. Uma pitada de crítica social outra de humor e ponto. A frase final não gerou IMPACTO, embora seja muito bem elaborada.

  25. Fabio Baptista
    24 de janeiro de 2017

    Eu gostei do conto. Foi bem construído, bem narrado e, sobretudo… foi compreensível. Parece algo básico, mas nesse desafio parece que o tema foi “Descubra o que eu quis dizer” ahuauhaua. Nesse cenário, uma história contada com clareza acaba ganhando pontos.

    Abraço!

    PS: Não me incomodei com o número de tiros.

  26. Lee Rodrigues
    23 de janeiro de 2017

    Viajei na sua imagem, parece o interior de um farol com o aparelho ótico estourado.

    Talvez o mal afamado “37” não seja literalmente o sentido da palavra, e sim uma gíria de usuários de drogas: Dar uns tiros, uma cheirada…

    E a morte, o aviãozinho, ela só faz a entrega, a viagem é dele. E depois de dar “uns tiros” a viagem acontece, ele sente o corpo flutuar como carregado pelas mãos… E talvez a morte aconteça (ou não, seja só uma viagem), quando ele olha e vê os que estavam com ele e percebe que foi um tolo, pois ai sim enxerga como era.

    Ou não é nada disso e você vai dizer que quem andou dando uns tiros fui eu. rs

  27. Fheluany Nogueira
    23 de janeiro de 2017

    A última frase valeu o texto. As minhas críticas são as mesmas de todos comentários: o exagero na quantidade de tiros, Se havia várias pessoas chorando por ele, não era tão “ninguém” assim, etc. O texto tem um formato original, a subida para o céu, as falas do falecido ficaram interessantes. Gostei. Abraços.

  28. Anorkinda Neide
    23 de janeiro de 2017

    Pois é.. quis crer que a constatação de que ‘fui como eles…’ fosse do anjo da morte.. faria mais sentido, mas o pronome leva a crer q é o Ze ninguem. entao concluo q ele era um homem q ja esperava pela morte, ja havia refletido sobre isso e por isso foi tao rapido facil e consciente o seu desprendimento.quem ele é ou quais as circunstancias de sua morte, o q levou aos 37 tiros, nao dá pra saber, nem mesmo especular.
    Entao o texto ficou falho pra interpretar, dificultando muito a avaliação.
    a ultima frase me soou bonita, mas sem saber ao certo quem disse e o porque, ela ficou enigmatica demais.
    boa sorte e abraço

  29. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Pessoal dos comentários implicou com os 37 tiros! 😛 Eu achei meio exagerado, mas não prejudicou o conto no geral. Gostei do final e da representação da morte como uma mera mensageira. Também fiquei com a dúvida sobre o quão ordinário seria esse “Zé Ninguém”, mas ao meu ver, as possíveis interpretações enriqueceram o conto. Parabéns

  30. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Para que tanto tiro, Amour? Se tivesse colocado cinco, de repente, pouparia duas palavras e não mostraria todo esse exagero… O bom do conto é a subida em direção às estrelas. E o final foi bonito também. Um conto bom, tirando o início, que poderia ter sido melhor.

  31. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Depois de trinta e sete tiros não ia sobrar nem a alma… Desculpe, não resisti… Mas como eu gostei da sua ideia, do clima que vc criou o tempo todo, fiquei à vontade… Também gostei da sua forma de escrever, de desenvolver a história, mas fico sempre refém de certos detalhes, como o “anjo da morte” que virou “ela” e a imediata frieza do protagonista para com aqueles que choravam a sua morte.
    Nisso, o seu genial “morreu-lhes” devia ser “morreram-lhe” …

  32. Priscila Pereira
    20 de janeiro de 2017

    Oi Amour, gostei da inversão… em vez de o protagonista morrer, os outros morreram pra ele… é bem interessante. Está bem escrito. Parabéns e boa sorte!

  33. Cilas Medi
    19 de janeiro de 2017

    A continuidade da vida e do conhecimento, superando uma morte parcial e intermediária, apesar da brutalidade e indiferença do anjo, ao responder, no meu entender, rispidamente e sem nenhuma outra consideração a respeito do ato e fato. Um bom conto.

  34. Mariana
    19 de janeiro de 2017

    Os 37 tiros foram exagerados e não precisava a expressão “zé ninguém”. No mais, me lembrou o filme “O sétimo selo”, o que é algo digno de nota. Abraço

  35. Srgio Ferrari
    19 de janeiro de 2017

    O cara leva 37 tiros e todos no peito. Para um Zé Ninguém é muito tiro. É muito ódio. Isso mesmo, canibalizando comentário da Iolandinha. Só que tem coisa muito boa aí. O micro começa como deve, a mil por hora, direto ao ponto sem chorumelas. Bem posto, bem conduzido, finalizado com escolhas que foram a dedo, certamente. Curti, bruto. Mas 37 e Zé Ninguém…..acho que com mais tempo teria mais opções para introduzir.

  36. Felipe Teodoro
    19 de janeiro de 2017

    Oi!

    Confesso que não entendi sua história. É claro a questão da morte e depois a alma sendo levada para algum lugar. Mas não entendi a escolha da quantidade de tiros, o fato de ser um “zé ninguém” (seria um soldado?) enfim, faltou apresentar melhor a história. Sei que o espaço era curto, mas deixar assim, fragmentado demais, infelizmente, na minha concepção de micro conto, é um ato falho. Ainda assim, desejo sorte para você no desafio.

  37. Amanda Gomez
    19 de janeiro de 2017

    Olá,

    Olha, eu gostei do conto, mas não sei explicar o motivo exatamente, tendo em vista que eu não o compreendi totalmente…talvez nem parcialmente rs. Fiquei na duvida de quem fala o ”Tão patéticos” mas acredito que seja essa figura que leva as almas… de certo já foi um homem como os que ficaram, viveu as mesmas coisas, cometeu os mesmos erros… e agora, evoluído, acima de todos, mostra sua total indiferença a essa ”raça”

    Agora sobre Zé Ninguém… que de ninguém só deve ter o nome, eu fiquei meio perdida. Mas acredito que tenha sido um homem, que viveu uma vida difícil, que superou muitas coisas nela, e que usa o nome como uma lembrança do que foi para os outros e do que se tornara… o nome me pareceu uma ironia. Com certeza ele foi alguém, um alguém de peso na vida dos que ficaram.

    Gostei dos diálogos, e me vi dentro da cena.

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  38. Iolandinha Pinheiro
    19 de janeiro de 2017

    Olá. O cara leva 37 tiros e todos no peito. Para um Zé Ninguém é muito tiro. É muito ódio. Ele só poderia ter barbarizado a vida das pessoas para quererem dar tanto tiro nele. E quando morre deixa gente chorando lá embaixo. Pelo jeito, não era tão insignificante assim. Aí vem uma mulher que é o anjo da morte para levá-lo. É mulher porque na fala dela (só faço a entrega) tem escrito ela respondeu. Então quem olha para baixo e fala que já foi como eles (referindo-se ás pessoas que choram, não é o anjo da morte e sim o cara dos trinta e sete tiros. O engraçado do conto é que ele nem se importa de estar morto, ou com as pessoas que estão lá embaixo, ele só que se sentir superior a elas. Mal morreu e já fala ” – Tão patéticos. – ele falou olhando para baixo. – E imaginar que já fui como eles.”. Gostei muito da última frase:”Fechou-os. Deixou-os. Morreu-lhes, enfim.” Morreu-lhes é muito legal. Acho que o cara odiava ser um Zé Ninguém e estava se sentindo muito superior naquele momento, e, imediatamente, começou a desprezar seus iguais, agora não tão iguais assim. Mesmo fugindo bastante do que seria verossímil, eu gostei. Acho que a gente não precisa ter sempre as mesmas reações, sentir as mesmas dores. Então, não foi problema para mim. Refletindo aqui se te dou uma estrelinha. Abs.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .