EntreContos

Literatura que desafia.

Doces lembranças (Renato Silva)

despedida

Calça xadrez se despediu dos cachinhos rubros. O trem partiu e nunca mais a viu.

Os anos correram, as pernas cresceram, mas o lacinho nos cabelos e o cheiro alaranjado de sua colônia lhe abandonaram. “Como estará ela agora?”

Melhor não saber. Que fique a lembrança; eternizar imagens etéreas e carregá-las no peito para sempre.

Cachinhos rubros logo esqueceu a cor daquelas calças e se livrou dos delicados fios espiralados. Encantou-se com um boina verde, mas dele só ganhou um berço e uma carta de adeus.

“Por que eu não entrei naquele trem?”

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82 comentários em “Doces lembranças (Renato Silva)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não teve tanto impacto, mas eu gostei. Boa sorte.

  2. Victória
    27 de janeiro de 2017

    A história, não sei por que – talvez pelo amor aparentemente juvenil, talvez pela menção do trem -, me lembrou Cinco Centímetros por Segundo. É romântica e bonitinha, mas, pelas poucas palavras, não conseguiu causar impacto.

  3. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    No final, ela se arrependeu de não ter ido com o cara, mas se arrependeu só porque o boina verde a deu um toco? Se tivessem ficado juntos ela lembraria do calças xadrez? rs. Quem sabe?

    Um bom conto que mostra as facetas do amor. Um polvo de muitos tentáculos.

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    É interessante olharmos para trás e conseguirmos determinar qual foi o momento divisor de águas em algum aspecto de nossas vidas. Isso me lembra de uma frase dita no filme Mr. Nobody: “No xadrez chama-se enrascada quando o único movimento certo é não se mover.”. Acontece de ficarmos nos perguntando quais rumos a vida teria tomado se determinadas decisões tivessem sido diferentes. Parabéns pelo conto, gostei muito!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Criamos textos a partir do nada ou quase nada (isto é muito difícil, quase impossível) ou os escrevemos a partir de velhas ideias. Há pouca originalidade em literatura, mas ainda temos bons autores que se destacam com boas tramas, retiradas e reviradas, nas quais são acrescidas pitadas de novidades, através das quais se consegue por uma nova assinatura num ótimo texto. Na natureza nada se cria, tudo se transforma”, disse Antoine Lavoisier, mas na literatura ainda é diferente: pouco se cria, mas muito se transforma. Isto é bom, desde que se transforme uma coisa em coisa parecida, mas com novo formato. Doces Lembranças é assim. Boa sorte.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Ótimo, justamente por narrar a história através de uma perspectiva absolutamente diferente. Gabo costumava fazer isso, usando inclusive a perspectiva de objetos.
    Parabéns autor que pegou uma ideia singela e por intermédio da habilidade e da técnica conseguiu criar uma novidade.
    Curti

  7. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá.

    Conto bem escrito, as descrições dos personagem deixar a narrativa com um toque especial e tbm achei muito legal o quanto você consegue contar em tão pouco espaço. Muito bom isso. A única construção que me soou estranha foi essa “Os anos correram, as pernas cresceram, mas o lacinho nos cabelos e o cheiro alaranjado de sua colônia lhe abandonaram.” quem sabe cabe aqui uma reformulação.

    Parabéns pelo trabalho.

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    Ayla,

    achei uma obra tocante. Que nós faz refletir sobre as escolhas cotidianas.

    O texto está bem escrito e muito bem construído.

    Parabéns.

  9. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    A personificação conferiu originalidade ao texto, causando um tom emotivo, que nos leva a meditar nas escolhas, nas trocas impensadas, ou pensadas demais sem muito valia.

  10. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Mais até do que a história bonitinha, ou a trama bem amarrada, é impossível deixar de apreciar seu cuidado com cada uma de suas frases: escolha minuciosa das palavras, ausência dos habituais clichês, imagens originais e metáforas criativas, efeitos bem sacados, como substituir os nomes por características dos personagens… Não deixe de ver as observações da Thata Pereira sobre a frase “Os anos correram…. abandonaram” e aproveite pra transformar aquele “lhe abandonaram” por um “o”…

  11. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Bacana a escolha dos nomes, coloriu bastante a história simples. Senti falta de mais uma aparição de calça xadrez, que é uma alcunha bem legal. Parabéns

  12. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Narrativa cuja escolha das palavras se transborda em ternura. O uso das características dos personagens, ao invés de nomeá-lo ou dar-lhes um simples pronome, dialogou com todas as imagens do texto.
    Imagético, sensível, muito bem desenvolvido. Leva-nos à reflexão de nossas escolhas introduzindo um exercício significante no pensamento um “e se…”
    Apreciado!

  13. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Ayla.

    Muito bom o texto. Gostei em especial do uso de características pessoais ao invés de nomear os personagens.

    Boa a escrita: não encontrei erros por revisar.

    Nota: 8.5.

  14. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Relato de um daqueles pequenos momentos em nossas vidas que são extremamente decisivos. Muito bem narrado, com a dose certa de sentimentalismo e arrependimento.
    Boa sorte!

  15. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    O tema é bacana. Texto sutil e sensível. A conclusão levanta questionamento, sem deixar o final em aberto ou apresentar uma grande reviravolta. Sem grande problemas ou desajustes. Bom conto.

  16. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Um ótimo conto, sentimental e uma atitude não realizada, o remorso de não compartilhar e aceitar os sentimentos. Boa sorte!

  17. Leandro B.
    25 de janeiro de 2017

    É, antes de tudo, um texto sobre a vida e sobre as escolhas que fazemos.

    Claro, o texto engana. Percebemos que a personagem projeta uma realidade alternativa, mas nada sabe o que aconteceria se, de fato, subisse naquele trem. É possível que, em outro universo, nesse mesmo instante, se perguntasse: “e se eu nunca tivesse subido naquele trem”.

    Gostei da tecnica, leve, evitando nomes próprios, facilitando no auto reconhecimento na história.

    Um bom micro, sem duvidas.

  18. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    Conto bem escrito. Não se pode saber o que o destino nos reserva e, muitas vezes, o arrependimento vem com o amadurecimento. Uma ótima história.
    Bom desafio!

  19. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Ayla,

    Tudo bem?

    Seu conto é bem escrito, com imagens delicadas e vivas, quase como uma foto antiga em preto e branco e depois pintada à mão pelo fotógrafo.

    Gostei de sua maneira de nominar os personagens.

    Cada escolha na vida nos leva a declinar de outras e a opção pela premissa fica bem clara em seu texto. Escolhemos entre amores e ficamos nos perguntando. E se fosse diferente? Gosto disso. Um ótimo tema.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  20. Glória W. de Oliveira Souza
    25 de janeiro de 2017

    O tema parece ser de arrependimento. Ela ficou, enquanto ele foi viajar. Viajou. Tempo passa e nada dele retornar. Ficam lembranças dos tempos idos. Sem esperança, ao que tudo indica, se relaciona com um soldado. Este deixa um filho e uma carta de despedida. Infeliz, ela sente remorso por não ter embarcado naquele trem. Na estação (do trem e do tempo) ficaram estacionadas os seus sonhos. Sonhos desfeitos. Sonhos mortos. A narrativa é bem descritiva, o impacto final é atenuado.

  21. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Despedidas, amores, abandonos… eu gosto muito dessa linha, Autor(a) – acho que é uma mulher. Apesar da aparente banalidade da situação, é justamente o contrário seu mérito: a universalidade, que faz com que o leitor vibre junto com a história por ter passado por uma despedida similar, um dia. Quanto à técnica, apenas digo que o limite do desafio não permite um aprofundamento maior sobre a história, mas que ela está ali, está. Parabéns!

  22. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    Conto sobre arrependimento, em que o protagonista, “calça xadrez” (um tremendo bundão) fica remoendo sua covardia. Contudo a narrativa parece esconder isso ao mostrar justamente ele sendo “punida” pelo destino, por não ter ficado com o calça xadrez, o que reforça a minha interpretação de que ele era um bundão mesmo.

  23. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Olá,

    Gostei da forma diferenciada como foi contada a história, ela em si não nos trás nada de novo, mas o autor acertou em como a conduziu.

    Mostra aquele momento na vida em que voltamos ao passado e paramos para pensar no Se… o que teria acontecido, ele deveria ter ido atrás? como ela estará?

    Do outro lado as mesmas indagações… a diferença que ficou clara e que eu achei bem interessante é que ele não a esqueceu logo, mas hoje os pensamentos são mais distantes, não há vagas para arrependimento, apenas curiosidade. No caso dela, que logo esqueceu aquele momento juntos, restou algo parecido com arrependimento.

    Gostei bastante, parabéns e boa sorte no desafio!

  24. angst447
    24 de janeiro de 2017

    Bonita narrativa de um encontro/desencontro. Os personagens nomeados com seus trajes. Conto cheio de símbolos, metáforas, bem trabalhado.
    O arrependimento de não ter seguido o instinto e entrado no trem (entrado de vez na vida daquele rapaz). Ganhar um berço como forma de dizer que ela engravidou do boina verde,mas foi deixada. Triste destino da mocinha ruiva, embora nada incomum.
    Bom ritmo, boas imagens, linguagem bem empregada.
    Boa sorte!

  25. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    O conto foi muito bem escrito, e você conseguiu conter uma história de anos em um limite apertado de palavras. Não há uma grande surpresa ou reviravolta, mas o conto não pede isso; o final encaixou bem. A leitura me agradou, mesmo não sendo meu gênero favorito.

  26. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    É… Amiga… Infelizmente seu texto é mais real do que podemos imaginar.
    Tem muito calça xadrez por ai babando por muitos cachinhos, mas sem a menor chance. Enquanto isso tem muito boina verde distribuindo berço. Escolhas, às vezes, são caminhos sem volta. A pergunta da última frase do seu texto provavelmente preencherá a mente da ex-cacinhos rubros por toda a vida dela.

    Muito boa a sua narrativa. Gostei muito. Muito real, muito direta e reflexiva. Parabéns!

  27. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    interessante esta trama e o modo como se encontra transcrita, com uma excelente escolha de palavras, muito bom, parabéns

  28. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    A forma como você caracterizou seus personagens deu uma cara toda diferente para sua história. Adorei.

    Talvez por causa da foto e das roupas dos personagens imaginei a história se passando em um passado não muito distante, anos 50/60, talvez.

    O final carrega o arrependimento pelas escolhas e mostra que, as vezes, decisões simples como tomar um trem ou não podem mudar nossa vida para sempre.

  29. Thata Pereira
    24 de janeiro de 2017

    Que imagem bonita e o texto é escrito da mesma forma, apesar do final triste. Ambos remetem ao passado, época das viagens de trem e dos namoros antigos.

    Só uma frase me deixou confusa: “Os anos correram, as pernas cresceram, mas o lacinho nos cabelos e o cheiro alaranjado de sua colônia lhe abandonaram.”, acho que esse “mas” só caberia ali se o lacinho e a colônia não tivessem sido abandonados, pois os anos passaram e associam as mudanças. O “mas” faz uma contradição no que parece ser um complemento. No meu ponto de vista, ficaria assim: “Os anos correram, as pernas cresceram e o lacinho nos cabelos e o cheiro alaranjado de sua colônia lhe abandonaram” ou “Os anos correram, as pernas cresceram, mas o lacinho nos cabelos e o cheiro alaranjado de sua colônia não lhe abandonaram”. Será que foi o limite?

    Tirando isso, lindo conto. Gostei muito!

    Boa sorte!!

  30. Leo Jardim
    24 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): uma história bonitinha de um amor infantil que foi interrompido muito cedo e, bem mais tarde, a cada desilusão, será sempre lembrado como “e se”. Legal a alusão aos personagens pela vestimenta ou penteado.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, deixa a trama fluir.

    💡 Criatividade (⭐▫): é um mote comum.

    ✂ Concisão (⭐⭐): o texto é bem fechadinho.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): esse assunto sempre faz pensar, mas talvez por já ter intuído a resolução, o impacto não foi muito grande.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .