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Literatura que desafia.

Livros, amores e assassinatos em série (Anderson Henrique)

Jurei que a mataria se fosse embora. Cumpri a promessa com uma espátula em meu primeiro livro, “A aflição do canalha”. Morreu como se não entendesse meus motivos.

Sufoquei-a com um travesseiro em “Ao cair do terceiro dia”. O embate revelou partes do seu corpo e uma lingerie minúscula. Quase desisti de matá-la.

Em “Uma expressão em amarelo” o ato foi menos pessoal: um disparo entre os seios perfeitos.

Eliminei-a definitivamente em “O vazio das palavras”. Morreu após virar a última página e constatar que o livro não fazia qualquer menção à sua existência.

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80 comentários em “Livros, amores e assassinatos em série (Anderson Henrique)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Um ótimo conto, bem criativo, gostei bastante.

  2. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Poxa, acho que é meu favorito também! Muito bem desenvolvido e muito inteligente o “assassino”, que mata por palavras até a verdadeira morte ser a simples indiferença. Muito, muito, muito bom!

  3. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Putz, nem tenho o que falar. O meu favorito. Isso que é ironia que gosto de ver em textos. A vingança do cara no último livro foi genial. Dá pra pensar na cara de taxo da mulher ao não se ler. Já ganhou.

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Wow! Quanta originalidade, gostei muito e me identifiquei muito também. Com certeza um dos meus favoritos, parabéns!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Tudo inserido na ficção, inclusive e principalmente a morte, Gostei da criatividade do autor, João, que conseguiu atrair para a leitura do princípio ao fim, tecendo o enredo naturalmente, sem forçar a barra. Desejo-lhe sorte.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Ideia e execução funcionaram nesse interessante conto. É lacônico na medida certa. Abre um leque de perguntas na mente do leitor; o escritor é um serial killer real, ou apenas um assassino de personagens? Em sua cabeça ele mata sempre a mesma mulher? (tem o amores no título, mas…)

    O trecho final é a bala no bolo, ou melhor, a cereja no peito “Eliminei-a definitivamente em “O vazio das palavras”. Morreu após virar a última página e constatar que o livro não fazia qualquer menção à sua existência.”. Essa, certamente, a morte mais dolorosa, afinal, não há nada pior que a indiferença.
    Parabéns

  7. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá.

    Um enredo diferente, simples, porém muito bem elaborado. Confesso que só não gostei dos títulos dos livros. srsrsrsrs Exceto pelo último, que é muito bom. Os significados que o conto carrega tbm são muito pertinentes. A questão do peso da realidade dentro da ficção do escritor e tbm, o potencial da escrita como superação das dores da vida. Um ótimo trabalho, parabéns!

  8. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Entre os 83 contos que li até agora, nenhum recebeu comentários tão entusiástica e unanimemente elogiosos quanto o seu! Precisa dizer mais? Só me resta discordar do Nelson Rodrigues e sua afirmação de que “toda unanimidade é burra”. Aqui, a exceção NÃO confirma a regra. O conto é tudo de bom!

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    É um trabalho bem inteligente, que traz uma boa escrita aliada com o uso da metalinguagem.
    Porém, embora tenha tido beleza, não me tocou.
    Infelizmente.

  10. Leandro B.
    26 de janeiro de 2017

    Oi, João.
    Gostei bastante.

    Achei que o micro se resumiria a assassinato, mas há uma guinada boa no final (uma reviravolta inteligente e pouco forçada) que não apenas me surpreendeu mas, de certa forma, alterou todo o significado do texto.

    De reclamação o micro passou a abordar a questão da superação e do ego.

    Paralelamente, achei um pouco contraditória tal superação narrada pelo personagem que supera, afinal, ela não deveria mais ser digna dos seus pensamentos.

    Isso pode ser explicado por uma outra interpretação, na qual o conto não aborda a superação, mas a decadência, sendo o ato de não mencionar a ex um frio cálculo para atingi-la.

    Por diversão talvez fosse interessante narrar a história pela ótica dela, só pra ver como fica.

    Enfim, gostei muito.

    parabens.

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Gostei muito do conto, principalmente porque fugiu do clichê de namoros, assassinatos e etc. Pelo menos aqui ficou na ficção. Gostei da narrativa e do enredo.

    Bom desafio!

  12. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Caramba, li três contos seguidos sobre assassinatos e confesso que suspirei: mais um! Mas que boa surpresa ao me deparar com essa brincadeira entre a ideia e a metalinguagem. Muito criativo, com um final que o fez transbordar.
    Realmente, um dos melhores que li até agora.

  13. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    YESSSSSSSSSS. É disso que to falando. CRIATIVIDADE! Amei. Parabéns. Meu favorito, já quase acabando as leituras. Obrigado.

  14. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, João.

    Achei muito bom. Os múltiplos assassinatos apenas existentes nas obras e o desfecho amargo, ao ignorar a ex-amada. A escrita foi bastante correta, e os nomes das obras fictícias foram criativos também.

    Nota: 9

  15. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Gostei da maneira com que o conto aborda o que colocamos no papel quando escrevemos. Aquilo faz parte de nossas vidas e, antes de tocar qualquer leitor, deve tocar principalmente o autor. Senão não há razão em escrever.
    O conto está bem construído e a última frase é ótima.
    Boa sorte!

  16. Leo Jardim
    25 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): o autor mata a amada em seus livros. A última morte, definitiva, não entendi se foi literal ou metafórica. Também fiquei na dúvida se ela era realmente uma pessoa ou apenas um personagem.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, desenvolve bem a trama.

    💡 Criatividade (⭐▫): não chega a ser um mote criativo.

    ✂ Concisão (⭐▫): o texto deixa algumas dúvidas e se estende demais, poderia cortar uma das mortes, indo direto pra última pois já tinha entendido a ideia.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): me deixou pensativo, mas não foi de um jeito muito bom. Se uma das dúvidas acima fossem resolvidas, acho que teria mais impacto.

  17. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Um ótimo conto, onde o autor presencia a morte do amor aos poucos, na presença marcante dela em cada um dos seus livros. No final, a surpresa, tornando-a simplesmente inexistente. Parabéns!

  18. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá João,

    Tudo bem?

    Colocar personagens “disfarçados” entre obras é um hábito de todo escritor. Um segredinho nosso, não? Gostei da brincadeira com o intertextual. Ficou muito interessante. Uma abordagem diferente à figura do assassino que é tão explorado por aqui.

    O desfecho, coroou a obra. Ficou muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  19. Glória W. de Oliveira Souza
    25 de janeiro de 2017

    Uma narrativa interessante. O autor, salvo melhor juízo, aproveitou o desafio para fazer merchandising (tie-in) de algumas obras suas. E pela descrição dessas ‘obras’ eram todas dentro do gênero policialesco. Ou as ‘obras’ não existiram, mas sim eram capítulos de um único livro: a própria vida. E na construção dos ‘capítulos/obras’ abordava muito as reações violentas (mortes) contra mulheres. Foi quando, na última página (ou seria último pensamento), se dera conta de que não falava sobre si. Esse ódio às mulheres passara dos limites de um ‘capitulo/obra’ para o mundo real. Terapia urgente! Há certa dramaticidade na narrativa e o desenrolar da história flui.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    A metalinguagem e a própria discussão do fazer escrita são os trunfos desse conto. Cada escritor tenta exorcizar seus fantasmas na escrita, mas matar alguém de maneira requintada demanda pelo menos três ou quatro edições… Gostei muito da associação “não ser citado”/ “não existir mais” como o pior castigo, quem sabe a morte. Parabéns!

  21. Davenir Viganon
    25 de janeiro de 2017

    O conto tem um entrelaçamento bem feito entre a ideia do SK e do escritor tentando esquecer a amada. Tai algo que falta mais aos escritores e esse personagem tem: viver antes de escrever.

  22. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Olá,

    Uma ideia ótima, muito bem executada!

    Quando li a primeira frase pensei ” ah, lá vem o assassino de novo..” mas aí os pensamentos cessaram quando chegou na conclusão, voltei do inicio, pois vi que a história ia ser boa, e é.

    A identificação é imediata, eu não costumo transportar pessoas reais para as páginas das minhas histórias, mas é perfeitamente compreensível essa situação. A forma como o homem resolveu matar, ceifar… jogar fora a maldita, da sua vida foi muito boa! Quem dera todos tivessem essa ideia ao invés de cometer crimes, não é mesmo?

    Os nomes dos livros, os formas com que a matou, as descrições ficaram ótimas!

    O desfecho não decepcionou, tornando o texto redondinho, missão cumprida!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  23. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Achei criativa a forma como o conto foi conduzido, dando um caminho diferente a um fim de relacionamento. Depois de tantos contos com mortes literais, esse com mortes literárias me agradou bastante. O final, principalmente, foi muito bom (será que ele enfim superou?)

  24. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    texto com muita ironia e bem escrito, conseguindo manter o leitor em suspenso até ao final, parabéns

  25. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Que obra-prima! Amigo João, meus parabéns!
    Quando crescer eu quero escrever como você.

    Excelente! Excelente! O que mais eu posso dizer? Eu não sei. Logo eu, tão prolixo, não tenho palavras.

    Gostei de tudo, de como você iniciou com uma “ameaça de morte” e de como você foi demonstrando aos poucos como essa morte iria acontecer “na realidade”. E ao final, o leitor já está envolvido e entende a metáfora de terminar de matá-la ao simplesmente não citá-la no livro. Muito bom. Meus parabéns!

  26. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Olá,

    Do começo ao fim, eu adorei sua história. O título é ótimo, a narrativa flui que é uma beleza e o final é revelador e impactante. Para mim, a melhor característica do conto foi a ideia de matar amada em cada livro até ela sumir completamente. Como se o personagem a estivesse apagando de sua mente em cada história.
    Parabéns.

  27. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Quem nunca buscou superar os seus fracassos nas linhas? Ideia interessante e muito bem executada. Parabéns, ao autor pelo conto e ao personagem pela superação

  28. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Achei muito inteligente a forma como o autor associou o possivel fim de um relacionamento à carreira literária do personagem. A escrita funcionou bem e as metáforas também. Parabéns e boa sorte

  29. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Um conto super bem escrito e criativo.
    Aqui o fim do amor e a vontade de esquecer a amada é narrado pelos diversos livros escritos. De uma forma clara, mas, ao mesmo tempo, metafórica, o texto conta que ele apenas esqueceu do amor por ela quando não a matou em seus livros.
    Foi muito bem desenvolvido.
    Parabéns.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .