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Detox Literário.

Livros, amores e assassinatos em série (Anderson Henrique)

Jurei que a mataria se fosse embora. Cumpri a promessa com uma espátula em meu primeiro livro, “A aflição do canalha”. Morreu como se não entendesse meus motivos.

Sufoquei-a com um travesseiro em “Ao cair do terceiro dia”. O embate revelou partes do seu corpo e uma lingerie minúscula. Quase desisti de matá-la.

Em “Uma expressão em amarelo” o ato foi menos pessoal: um disparo entre os seios perfeitos.

Eliminei-a definitivamente em “O vazio das palavras”. Morreu após virar a última página e constatar que o livro não fazia qualquer menção à sua existência.

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80 comentários em “Livros, amores e assassinatos em série (Anderson Henrique)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Um ótimo conto, bem criativo, gostei bastante.

  2. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Poxa, acho que é meu favorito também! Muito bem desenvolvido e muito inteligente o “assassino”, que mata por palavras até a verdadeira morte ser a simples indiferença. Muito, muito, muito bom!

  3. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Putz, nem tenho o que falar. O meu favorito. Isso que é ironia que gosto de ver em textos. A vingança do cara no último livro foi genial. Dá pra pensar na cara de taxo da mulher ao não se ler. Já ganhou.

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Wow! Quanta originalidade, gostei muito e me identifiquei muito também. Com certeza um dos meus favoritos, parabéns!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Tudo inserido na ficção, inclusive e principalmente a morte, Gostei da criatividade do autor, João, que conseguiu atrair para a leitura do princípio ao fim, tecendo o enredo naturalmente, sem forçar a barra. Desejo-lhe sorte.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Ideia e execução funcionaram nesse interessante conto. É lacônico na medida certa. Abre um leque de perguntas na mente do leitor; o escritor é um serial killer real, ou apenas um assassino de personagens? Em sua cabeça ele mata sempre a mesma mulher? (tem o amores no título, mas…)

    O trecho final é a bala no bolo, ou melhor, a cereja no peito “Eliminei-a definitivamente em “O vazio das palavras”. Morreu após virar a última página e constatar que o livro não fazia qualquer menção à sua existência.”. Essa, certamente, a morte mais dolorosa, afinal, não há nada pior que a indiferença.
    Parabéns

  7. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá.

    Um enredo diferente, simples, porém muito bem elaborado. Confesso que só não gostei dos títulos dos livros. srsrsrsrs Exceto pelo último, que é muito bom. Os significados que o conto carrega tbm são muito pertinentes. A questão do peso da realidade dentro da ficção do escritor e tbm, o potencial da escrita como superação das dores da vida. Um ótimo trabalho, parabéns!

  8. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Entre os 83 contos que li até agora, nenhum recebeu comentários tão entusiástica e unanimemente elogiosos quanto o seu! Precisa dizer mais? Só me resta discordar do Nelson Rodrigues e sua afirmação de que “toda unanimidade é burra”. Aqui, a exceção NÃO confirma a regra. O conto é tudo de bom!

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    É um trabalho bem inteligente, que traz uma boa escrita aliada com o uso da metalinguagem.
    Porém, embora tenha tido beleza, não me tocou.
    Infelizmente.

  10. Leandro B.
    26 de janeiro de 2017

    Oi, João.
    Gostei bastante.

    Achei que o micro se resumiria a assassinato, mas há uma guinada boa no final (uma reviravolta inteligente e pouco forçada) que não apenas me surpreendeu mas, de certa forma, alterou todo o significado do texto.

    De reclamação o micro passou a abordar a questão da superação e do ego.

    Paralelamente, achei um pouco contraditória tal superação narrada pelo personagem que supera, afinal, ela não deveria mais ser digna dos seus pensamentos.

    Isso pode ser explicado por uma outra interpretação, na qual o conto não aborda a superação, mas a decadência, sendo o ato de não mencionar a ex um frio cálculo para atingi-la.

    Por diversão talvez fosse interessante narrar a história pela ótica dela, só pra ver como fica.

    Enfim, gostei muito.

    parabens.

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Gostei muito do conto, principalmente porque fugiu do clichê de namoros, assassinatos e etc. Pelo menos aqui ficou na ficção. Gostei da narrativa e do enredo.

    Bom desafio!

  12. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Caramba, li três contos seguidos sobre assassinatos e confesso que suspirei: mais um! Mas que boa surpresa ao me deparar com essa brincadeira entre a ideia e a metalinguagem. Muito criativo, com um final que o fez transbordar.
    Realmente, um dos melhores que li até agora.

  13. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    YESSSSSSSSSS. É disso que to falando. CRIATIVIDADE! Amei. Parabéns. Meu favorito, já quase acabando as leituras. Obrigado.

  14. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, João.

    Achei muito bom. Os múltiplos assassinatos apenas existentes nas obras e o desfecho amargo, ao ignorar a ex-amada. A escrita foi bastante correta, e os nomes das obras fictícias foram criativos também.

    Nota: 9

  15. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Gostei da maneira com que o conto aborda o que colocamos no papel quando escrevemos. Aquilo faz parte de nossas vidas e, antes de tocar qualquer leitor, deve tocar principalmente o autor. Senão não há razão em escrever.
    O conto está bem construído e a última frase é ótima.
    Boa sorte!

  16. Leo Jardim
    25 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): o autor mata a amada em seus livros. A última morte, definitiva, não entendi se foi literal ou metafórica. Também fiquei na dúvida se ela era realmente uma pessoa ou apenas um personagem.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, desenvolve bem a trama.

    💡 Criatividade (⭐▫): não chega a ser um mote criativo.

    ✂ Concisão (⭐▫): o texto deixa algumas dúvidas e se estende demais, poderia cortar uma das mortes, indo direto pra última pois já tinha entendido a ideia.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): me deixou pensativo, mas não foi de um jeito muito bom. Se uma das dúvidas acima fossem resolvidas, acho que teria mais impacto.

  17. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Um ótimo conto, onde o autor presencia a morte do amor aos poucos, na presença marcante dela em cada um dos seus livros. No final, a surpresa, tornando-a simplesmente inexistente. Parabéns!

  18. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá João,

    Tudo bem?

    Colocar personagens “disfarçados” entre obras é um hábito de todo escritor. Um segredinho nosso, não? Gostei da brincadeira com o intertextual. Ficou muito interessante. Uma abordagem diferente à figura do assassino que é tão explorado por aqui.

    O desfecho, coroou a obra. Ficou muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  19. Glória W. de Oliveira Souza
    25 de janeiro de 2017

    Uma narrativa interessante. O autor, salvo melhor juízo, aproveitou o desafio para fazer merchandising (tie-in) de algumas obras suas. E pela descrição dessas ‘obras’ eram todas dentro do gênero policialesco. Ou as ‘obras’ não existiram, mas sim eram capítulos de um único livro: a própria vida. E na construção dos ‘capítulos/obras’ abordava muito as reações violentas (mortes) contra mulheres. Foi quando, na última página (ou seria último pensamento), se dera conta de que não falava sobre si. Esse ódio às mulheres passara dos limites de um ‘capitulo/obra’ para o mundo real. Terapia urgente! Há certa dramaticidade na narrativa e o desenrolar da história flui.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    A metalinguagem e a própria discussão do fazer escrita são os trunfos desse conto. Cada escritor tenta exorcizar seus fantasmas na escrita, mas matar alguém de maneira requintada demanda pelo menos três ou quatro edições… Gostei muito da associação “não ser citado”/ “não existir mais” como o pior castigo, quem sabe a morte. Parabéns!

  21. Davenir Viganon
    25 de janeiro de 2017

    O conto tem um entrelaçamento bem feito entre a ideia do SK e do escritor tentando esquecer a amada. Tai algo que falta mais aos escritores e esse personagem tem: viver antes de escrever.

  22. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Olá,

    Uma ideia ótima, muito bem executada!

    Quando li a primeira frase pensei ” ah, lá vem o assassino de novo..” mas aí os pensamentos cessaram quando chegou na conclusão, voltei do inicio, pois vi que a história ia ser boa, e é.

    A identificação é imediata, eu não costumo transportar pessoas reais para as páginas das minhas histórias, mas é perfeitamente compreensível essa situação. A forma como o homem resolveu matar, ceifar… jogar fora a maldita, da sua vida foi muito boa! Quem dera todos tivessem essa ideia ao invés de cometer crimes, não é mesmo?

    Os nomes dos livros, os formas com que a matou, as descrições ficaram ótimas!

    O desfecho não decepcionou, tornando o texto redondinho, missão cumprida!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  23. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Achei criativa a forma como o conto foi conduzido, dando um caminho diferente a um fim de relacionamento. Depois de tantos contos com mortes literais, esse com mortes literárias me agradou bastante. O final, principalmente, foi muito bom (será que ele enfim superou?)

  24. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    texto com muita ironia e bem escrito, conseguindo manter o leitor em suspenso até ao final, parabéns

  25. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Que obra-prima! Amigo João, meus parabéns!
    Quando crescer eu quero escrever como você.

    Excelente! Excelente! O que mais eu posso dizer? Eu não sei. Logo eu, tão prolixo, não tenho palavras.

    Gostei de tudo, de como você iniciou com uma “ameaça de morte” e de como você foi demonstrando aos poucos como essa morte iria acontecer “na realidade”. E ao final, o leitor já está envolvido e entende a metáfora de terminar de matá-la ao simplesmente não citá-la no livro. Muito bom. Meus parabéns!

  26. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Olá,

    Do começo ao fim, eu adorei sua história. O título é ótimo, a narrativa flui que é uma beleza e o final é revelador e impactante. Para mim, a melhor característica do conto foi a ideia de matar amada em cada livro até ela sumir completamente. Como se o personagem a estivesse apagando de sua mente em cada história.
    Parabéns.

  27. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Quem nunca buscou superar os seus fracassos nas linhas? Ideia interessante e muito bem executada. Parabéns, ao autor pelo conto e ao personagem pela superação

  28. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Achei muito inteligente a forma como o autor associou o possivel fim de um relacionamento à carreira literária do personagem. A escrita funcionou bem e as metáforas também. Parabéns e boa sorte

  29. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Um conto super bem escrito e criativo.
    Aqui o fim do amor e a vontade de esquecer a amada é narrado pelos diversos livros escritos. De uma forma clara, mas, ao mesmo tempo, metafórica, o texto conta que ele apenas esqueceu do amor por ela quando não a matou em seus livros.
    Foi muito bem desenvolvido.
    Parabéns.

  30. Lohan Lage
    23 de janeiro de 2017

    Muito interessante!
    A ideia é batida, todavia, foi executada com um toque excelente de criatividade.
    Parabéns!

  31. Lee Rodrigues
    23 de janeiro de 2017

    Achei a ideia muito bacana e até faço papel de advogada do diabo, porque se não fosse a “marvadeza” do ser contemplativo, ele não teria inspiração para quatro romances.

    Vai… dor de cotovelo tem lá suas vantagens rs

  32. Gustavo Castro Araujo
    23 de janeiro de 2017

    Excelente conto. Gosto muito de metalinguagem e aqui a ideia beirou a perfeição. Narrada de forma irônica e sarcástica, a pequena história revela um amor rompido, frustrado, que vagarosamente é expiado. A alusão aos livros – adorei os nomes – mostra como todo escritor lida com seus fantasmas. Enfim, uma ideia muito boa e muito bem executada. Parabéns!

  33. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    Caramba, que conto é esse?
    Gostei muito!
    Eu fiquei feliz pelo autor, que, finalmente, no final, conseguiu superar.
    Parabéns!

  34. Thata Pereira
    23 de janeiro de 2017

    Tema clichê, ideia original e bem executada. Eu nunca me baseei em alguém conhecido para a construção dos meus personagens, mas já escrevi muitas poesias que foram dedicadas. Ou seja: identificação imediata.

    Conto muito bem conduzido.

    Boa sorte!!

  35. angst447
    23 de janeiro de 2017

    Foi uma ideia interessante a abordada pelo autor. Saiu do comum, mas correu riscos. O narrador pareceu-me ser um escritor que tentava inutilmente matar a mulher amada (musa inspiradora, talvez) em cada livro que escrevia. Sem sucesso, descobriu que a mataria somente quando se tornasse indiferente e a ignorasse completamente. E assim foi: no último livro, nem mesmo mencionou sua existência.
    Bem escrito, mas a citação dos títulos dos livros (necessária, eu sei) truncou um pouco o ritmo da narrativa.
    Boa sorte!

  36. Fil Felix
    23 de janeiro de 2017

    A ideia do conto é ótima e acho que vai afetar todos que o lerem no desafio, já que é muito fácil se identificar com a situação. Escrever é uma ótima forma de exorcizar nossos demônios e o conto consegue transparecer isso muito bem. Apesar de não ter sido tão tocado quanto alguns colegas, um ótimo conto!

  37. Juliano Gadêlha
    23 de janeiro de 2017

    Ótimo conto. Em meio a tantos assassinos nos contos deste desafio, aqui temos um escritor que só mata em seus livros. Boa sacada! Além da criatividade, muita habilidade para contar essa história em poucas palavras e sem aperto. Muito bem escrito, parabéns!

  38. Vanessa Oliveira
    22 de janeiro de 2017

    Bom, a principio achei que seria outro conto sobre assassinato, e até desanimei. Mas ficou em aberto, então vou com a morte da personagem. Achei bem interessante, boa sorte!

  39. lidiaduartec
    22 de janeiro de 2017

    Costumo personificar meus sentimentos em vários textos, e adorei a forma em que você conseguiu demonstrar o que se passa na cabeça de um escritor kkkkk
    No último livro, “O vazio das palavras”, o autor espera que sua indiferença mate o amor, mas ele tem tanta intencionalidade nesse feito que me faz pensar que ele apenas se engana ao imaginar ter superado esse sentimento (o que eu faço na maioria dos meus textos kkkkkkk).
    Gostei bastante, parabéns!

  40. Tatiane Mara
    22 de janeiro de 2017

    Olá…

    Conto dor de cotovelo e sublimação.

    Muito bem escrito, narrativa fluida, uma excelente idéia.

  41. Matheus Pacheco
    22 de janeiro de 2017

    É… Eu acho que eu não entendi, seria o descaso com vidas de personagens?
    Por mais que eu não tenha entendido muito bem eu curti o jeito narrado.
    Desculpe pelo comentário escasso mas eu realmente preciso de um luz nesse conto.
    Um abraço ao escritor.

  42. waldo gomes
    22 de janeiro de 2017

    Muito bom o conto. Diria perfeito, se perfeição existisse em literatura.

    Personagem transfere para seus livros a desilusão amorosa e vingativa, até que supera essa fase.

    Uma bruta decepção, por falar nisso, três livros ????

    Parabéns pelo texto.

  43. Renato Silva
    22 de janeiro de 2017

    Tive que ler algumas vezes para entender, e então pegar todo o sarcasmo da estória. Muito criativo e uma ótima ideia para matarmos aqueles que queremos sem termos problemas judiciais.

    Crimes passionais são burrice e não só destroem a vida da pessoa que queremos matar, mas a nossa própria. Uma pessoa inteligente prefere escrever e extravasar todos os seus sentimentos em sua obra. Transfere aos seus personagens suas vontades, medos e anseios, matando e, assim, obtendo sua vingança. Obtém sua realização pessoal sem causar um mal real a qualquer outra pessoa, pelo menos dentro desta realidade na qual vivemos (caso você considere a existência de inúmeras outras realidades).

    Boa sorte.

  44. Tiago Menezes
    21 de janeiro de 2017

    Esse certamente vai pra minha lista. Bem escrito e muito criativo. Adorei a forma como o autor mata as personagens femininas de suas histórias numa tentativa de esquecer algum amor perdido na vida real, e de como ele vai evoluindo até que, no final, ela “morre” ao saber que ele não fez menção alguma à ela. Impressionante. Parabéns!!!

  45. Luis Guilherme
    21 de janeiro de 2017

    Boaaa.

    Adorei a metalinguagem. A história tá muitíssimo bem contada!
    Gostei muito do desfecho, é a cereja no bolo!

    Nem tem muito o que comentar, mas saiba q vai pra lista.
    PArabéns e boa sorte!!

  46. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    21 de janeiro de 2017

    Ótimo! Excelente forma de desabafo para liberar a raiva. Criativo demais… escrever livros assim… Gostei! Boa sorte!

  47. Eduardo Selga
    20 de janeiro de 2017

    É como se o narrador fosse um personagem independente do autor, e desse modo saísse de um livro para entrar em outro quando bem lhe aprouvesse, o que remete a uma mistificação do fazer literário que muitos de nós apreciamos: o fato de personagem “ter vida própria”. Em minha opinião, uma saborosa bobagem. O personagem está nos vastíssimos e desconhecidos recantos de nossa alma, e se ele “assume” a narrativa é porque essa face do autor pede para aparecer. E este sempre dialoga consigo mesmo, meio autista, ainda que não ouça a conversa. Mais interessante conseguir ouvir as vozes, porque caso contrário passa a dar aos personagens um caráter quase sobrenatural.

    O autor trabalha com sua mundividência e seus fantasmas. Sem eles não há literatura, e sim palavrório. Esse conto é interessante nesse sentido. Na verdade, não é um narrador-personagem que cometeu assassinatos em diversos livros, por si: é a expressão do universo do autor.

    Ah, então o autor é homicida? Não. Mas a destruição contínua da imagem feminina é símbolo importante no mundo do autor. O mesmo se daria se fosse a imagem masculina, infantil, materna ou qualquer outra. É a manifestação de um universo. Do mesmo modo que a fragilidade humana é a cara ao colega Gustavo Araújo e o lirismo romântico à Cláudia Angst, por exemplo.

    Quem escreve o texto ficcional não é uma assombração, e sim uma pessoa de carne, osso e, principalmente, psiquê.

    A literatura pode, nesse caso, funcionar como ferramenta de autoconhecimento. Por que será que existem autores que passam a vida inteira trabalhando os mesmos temas? Medíocres? Nesse caso, precisamos rever o conceito sobre Gabriel García Marquez e Allan Poe, por exemplo. No primeiro caso, o patriarcalismo decadente; no segundo, a escuridão.

    O conto trabalha, portanto, o limite entre a ficção e a realidade. O último parágrafo mostra o quão esse limite nem sempre é claro. Até chegar no arremate, o personagem confessa homicídios de uma mesma personagem, ou de versões dela. Ao fim, contudo, ela vira a última página do livro e percebe que ele “[…] não fazia qualquer menção à sua existência”. Para fazer isso de fato ela precisaria ser humana, não personagem de ficção.

    E aí? Realidade ou ficção? Ficção, é claro, pois “Livros, amores e assassinatos” não é conto?

  48. elicio santos
    20 de janeiro de 2017

    Interessante a forma como o ponto de vista do escritor é apresentado. O autor inova ao narrar a morte do ente amado de um modo artístico. O protagonista mata personagens baseados no desencanto amoroso até esquecê-lo completamente. Bom texto!

  49. catarinacunha2015
    20 de janeiro de 2017

    MERGULHO na areia movediça. O texto foi consumido pela impessoalidade dele mesmo, não gerando emoção. A ideia do escritor abandonado esquecendo (matando) a musa inspiradora é interessante, mas a forma como foi construído prejudicou a empatia. IMPACTO de uma agulha infectada com varíola: Inteligente, mas sem efeito no mundo vacinado.

  50. juliana calafange da costa ribeiro
    18 de janeiro de 2017

    Sensacional o conto! Bem construído e criativo. A gente logo se identifica, quem já não tentou se livrar de alguém através das palavras no papel? Geralmente dá samba! Um dos melhores contos até agora, parabéns!

  51. Andreza Araujo
    17 de janeiro de 2017

    Pera, deixa eu ler outra vez. Muito divertido! Quem nunca se inspirou num amigo (ou desafeto) para compor um personagem que atire a primeira pedra!

    Mas sabe o que eu mais gostei no seu conto? O modo como a mulher vai desaparecendo dos pensamentos dele, isso fica evidente desde o modo como ela morre nos livros, como também nos títulos das obras. Até que então ela é totalmente eliminada quando não é mais lembrada em suas histórias. Genial!

  52. Guilherme de Oliveira Paes
    17 de janeiro de 2017

    Meta micro-conto, gostei bastante do artifício e da linguagem metafórica usada na sua construção. Achei instigante, meio que desafia o leitor a decifrar se os assassinatos são alegorias criadas pelo escritor que busca superar o fim de um relacionamento ou se o narrador fala de mortes reais disfarçadas de ficção. Achei a premissa muito boa de qualquer modo, mas talvez pudesse ter mais brilho na forma.

  53. Jowilton Amaral da Costa
    17 de janeiro de 2017

    Muito bom. Matou a amada com a indiferença, que dizem que é o verdeiro antônimo do amor, e não o ódio. Achei bem conduzido, parecia que iria esfriar antes de chegar o fim. No entanto, o desfecho foi matador.

  54. Marco Aurélio Saraiva
    17 de janeiro de 2017

    MUITO bom! Franzi o cenho durante todo o conto, tentando entender o que eu lia, até chegar na última frase e entender tudo. Perfeito! Um paralelo muito belo entre as várias faces da morte: afinal, se você esquece de uma pessoa, ela morreu para você.

    Talvez seja a minha identificação com a vida de escritor que tenha me feito gostar tanto do conto. Afinal, eu também gosto de espelhar os meus sentimentos nos meus escritos. O conto considera a escrita o espelho da alma do escritor e, quando a mulher que o abandonou não mais é citada em seus livros, ela soube que finalmente não faz mais parte da vida daquele homem e, de certa forma, morreu ali.

    Parabéns! Um excelente micro conto!

  55. José Leonardo
    17 de janeiro de 2017

    Olá, João Fante.

    Gostei. Se toda vingança fosse assim, estaria bom para ambas as partes, não? Partindo do pressuposto que a vingança só tem motivação e posterior saciedade na pessoa que quer efetuá-la, seria uma maravilha se apenas personagens substituíssem.

    (Lembrei de certo autor nacional da atualidade, conhecido, que quis se vingar da ex-esposa de modo semelhante. Mas o livro é ruim.)

    Fechando com chave de ouro, o esquecimento é a melhor das vendetas. Ninguém mais sofre.

    Muito bom, Fante. Leve, criativo, direto.

    Boa sorte neste desafio.

  56. Victor F. Miranda
    17 de janeiro de 2017

    Interessante! Gostei dessa brincadeira com as palavras que criou uma ponte entre os livros e a vida. Muito bem escrito.

  57. Wender Lemes
    16 de janeiro de 2017

    Olá! Um dos mais criativos até aqui, acredito. Uma forma diferente de explorar a metalinguagem. Não deixa espaço para maiores elucubrações – e nem precisa -, brinca com o leitor do início ao fim. Falando em fim, vi certa contradição armada ali. Diz o protagonista que eliminou a mulher definitivamente por ter escrito todo um livro sem mencioná-la, mas, teoricamente, escreveu um microconto após tudo isso com ela presente em cada parágrafo. Curioso, não?
    Parabéns e boa sorte.

  58. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2017

    Uma boa ideia, bem executada. Impossível não se identificar com o texto… quem nunca “se vingou” de alguém, ou deu vazão àquele amor não correspondido usando as linhas tortas da literatura como arma?

    Bom… eu nunca fiz, mas imagino que muitos escritores fazem! hahuahuahua

    A “morte” mencionada no último livro traz um sorriso cúmplice ao leitor.

    Bom conto.

    Abraço!

  59. Fernando Cyrino
    16 de janeiro de 2017

    que conto mais criativo, que história interessante. Um conto muito bacana mesmo. Gostei muito, gostei bastante, gostei demais. Parabéns.

  60. Douglas Moreira Costa
    16 de janeiro de 2017

    Um dos contos mais criativos que li até agora. Gostei bastante como você transformou um tema tão batido em algo tão divertido de se ler. E o final, maravilhoso. Matou-a por tornar ela invisível, insignificante. Isso os faz até achar que conhecemos um pouco da personagem dela, buscando o prazer de se ver ainda pulsante no coração do escritor que ela quebrou. Muito bom o seu conto, parabéns.

  61. Bruna Francielle
    16 de janeiro de 2017

    Achei cômico até, gostei.
    Uma boa história, o escritor usa sua ex amada como personagem, mata ela nos livros.. mas só consegue se livrar dela quando a esquece,
    Muito bom.
    Os nomes dos livros também foram bem bacanas.
    O título talvez q tenha sido longo demais e explicativo demais, pro meu gosto é claro !

  62. Ceres Marcon
    16 de janeiro de 2017

    A vingança é um prato que se come frio. Sempre pelas beiradas.
    A criatividade foi teu ponto forte.
    Gostei de cada parágrafo e a segunda morte, minha preferida.
    Parabéns!

  63. Anorkinda Neide
    15 de janeiro de 2017

    é inteligente.. pegou o ditado: Nao seja inimigo de um escritor, ele pode matar vc.. algo assim.. como q é? rsrs
    Bem, adorei o nome dos livros, de onde tirou esses titulos? muito criativo.
    Mas, algo aconteceu, e é bem provável por eu estar vesga de tanto ler microconto, que eu nao entendi nada. Não fossem os comentarios abertos, sei nao…
    Dae pensei, vou reler e avaliar se eu entenderia mesmo q nao tivesse lido os comentarios e concluí que nao sei! pq agora tudo me parece claro como uma fonte.
    Bem, vamos ao texto, senti que as frases estão estranhas, separando-as com ponto final onde poderia ter vírgula, nao sei me pareceu um fluxo de pensamentos e nao um texto realmente trabalhado com cuidado.
    pela quantidade de ‘nao sei’ q escrevi aqui, vou precisar voltar e pensar melhor sobre este conto outra hora e definitivamente é hora de eu parar de ler por hj.. rsrs
    abraço

  64. Edson Carvalho dos Santos Filho
    15 de janeiro de 2017

    Entendi a ideia de transformar a namorada (ou esposa?) em personagem de seus livros e matá-la até que, no último, a esquece e nem fala dela. Mas a ideia ficou obscura demais. Claro que é importante fazer o leitor refletir, mas tudo tem um equilíbrio. Os títulos dos livros são difíceis de ligar com o enredo, o que gera uma certa confusão e deixa a leitura menos fluída, truncada.

  65. andré souto
    15 de janeiro de 2017

    Muito bom: a auto-paródia a serviço de um texto bem acabado e onde tudo funciona.Parabéns.

  66. Bianca Machado
    15 de janeiro de 2017

    Muito bom! Parabéns pela ideia e por sua execução. Nem tenho muito o que dizer, pra mim foi um deleite, da primeira à última palavra, fiquei imaginando as mortes, hahaha, coitada (ou não). Desculpa por não poder dizer mais nada, mas é isso. Estará entre os meus 20, é certo.

  67. Iolandinha Pinheiro
    15 de janeiro de 2017

    Errata: Onde se lê de mais, leia-se demais.

  68. Iolandinha Pinheiro
    15 de janeiro de 2017

    Muito legal e bem tramado. O cara é escritor e mata a namorada desertora em seus livros, de várias maneiras, encarnada em personagens distintas. Mas ela só morre de fato quando ele, finalmente, a esquece, e não a coloca mais em seus romances. Bacana de mais, estrelinha para você.

  69. Fheluany Nogueira
    15 de janeiro de 2017

    Aqui vale o dito popular “Pior o desprezo que a morte!” Muito boa a metalinguagem, usando os títulos e personagem dos livros para mostrar o relacionamento do casal. Texto bem construído, divertido e criativo. Parabéns e abraços.

  70. Olisomar Pires
    15 de janeiro de 2017

    Bom conto. O narrador-personagem transfere aos livros que escreve sua raiva contra a amada, matando-a impiedosamente nos primeiros e ignorando-a por completo no último, dando a entender que o sentimento passou.

    Bem escrito, criativo e leve.

    Bom conto.

  71. Tom Lima
    15 de janeiro de 2017

    Maravilha de texto! A evolução dos sentimentos ficou ótima, se desenvolvendo na forma do assassinato.
    A pena, despertada por essa necessidade de matar na ficção, da lugar a um certo alivio pela superação.

    Parabéns!!
    Abraços.

  72. Andre Luiz
    14 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do seu texto. Foi interessante e arrebatador ao final, especialmente por retratar assassinatos figurados, mesmo que o título contradiz isto.

    -Originalidade(9,5): Gostei bastante do seu texto, principalmente quando você liga a perda de sentimentos do homem pela mulher que ele “mata” em seus textos, através do nome dos livros.

    -Construção(9,5): Como eu já disse, você conseguiu ousar e deu um mistério ao longo do conto. Eu fiquei pensando: Será que ele realmente vai matar ela? Não, fez-se pior. Ele matou-a com a indiferença. Muito bom!

    -Apego(8,0): Seu autor foi cativante, e a ideia favoreceu sua personalidade.

    Parabéns!

  73. Virgílio Gabriel
    14 de janeiro de 2017

    Muito bom. Como advogado, vejo isso quase sempre. Enquanto o casal briga, é porque ainda existe sentimento. Pois o fim real só se inicia com a indiferença. Você derramou essa premissa no conto de forma perfeita. Texto bem escrito, fechado e criativo. parabéns.

  74. Evandro Furtado
    14 de janeiro de 2017

    O autor parte de uma premissa pra lá de inesperada, falando sobre o amor entre as páginas de um livro. No balanço certo, ele mostra ao leitor como o personagem-narrador supera, enfim, um amor mal-sucedido. A brincadeira com a “morte” é pra lá de inteligente.

    Resultado – Very Good

  75. Priscila Pereira
    13 de janeiro de 2017

    Oi João, muito bom o seu conto!! O escritor que desconta suas frustrações com a pessoa amada em suas personagens e sua vingança suprema ao ignorar totalmente no último livro. Gostei da ideia e da forma como foi contada. Parabéns e boa sorte!!

  76. Brian Oliveira Lancaster
    13 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Metalinguagem wins! Sabia que apareceria um assim, mais cedo ou mais tarde. Muito bom. Histórias dentro de histórias. A primeira frase leva a crer se tratar de uma pessoa, depois entendemos que é uma personagem do personagem. – 9,0
    O: Criativo, sem dúvida. Original? Um pouco. Não 100%, pois, se analisado friamente, trata-se apenas de um relato de um escritor depressivo. – 9,0
    D: Excelente. Utilizou todo o espaço de forma consciente e ainda acrescentou um final ao estilo “toma aí”. – 9,0
    Fator “Oh my”: um texto que prende pelo inusitado, um relato de um escritor vingativo, descontando suas frustrações na personagem. Intrigante. Quase lá.

  77. mariasantino1
    13 de janeiro de 2017

    Opa!

    Conto deveras curioso. Chama a atenção pela metaficção (morreu lá mas não cá. Morreu por dentro e por fora continua erguido — história dentro da história em paralelo). Ótima linguagem e sugestão de ideias. Captei aqui que o que conta é a psiquê, pois o corpo é casca mas se maculam a alma, o brio, daí são outros quinhentos.
    Bom conto.
    Boa sorte no desafio.

  78. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Conto abertíssimo: afinal de contas quem foi ignorada: a personagem principal ou algum amor do escritor? A brincadeira dos títulos dos livros e a maneira como foram mortas é demais!

  79. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Ah… Finalmente! A indiferença é uma arma poderosa. Esquecer é sempre para os fortes, ou para aqueles cujo amor era tanto…

    • Evelyn Postali
      13 de janeiro de 2017

      Amei a maneira como inseriu o nome dos livros do autor dentro do texto, e de como a percepção da importância foi diminuindo. Eu ri e ao mesmo tempo fiquei triste com esse texto porque nossos sentimentos sempre cegam nossa razão.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .