EntreContos

Literatura que desafia.

A coisa certa a se fazer (Tiago Menezes)

moeda

Trabalhou muito por aquela moeda. Suou o corpo. Sujou a roupa. Feriu as mãos.

A fome, uma velha amiga, daria uma voltinha hoje. O menino recolheu suas coisas, despediu-se com um breve aceno e correu até a padaria mais próxima. No degrau dela, porém, havia um jovem. A fome os apresentou, pois também eram velhos amigos. O menino sentou-se ao seu lado e lhe ofereceu a moeda com um sorriso.

– Que tal a gente comer alguma coisa, meu amigo?

O jovem, tirando uma moeda igualzinha do bolso, respondeu:

– Eu ia te perguntar a mesma coisa.

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160 comentários em “A coisa certa a se fazer (Tiago Menezes)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Gostei, um tom pueril que me agrada. Mas faltou aquele punch, sabe, que sempre espero… mas boa sorte, viu?

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da simplicidade e beleza com que escreveu o conto. Realmente muito bonito, parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Haha muito bom, adoro esse tipo de conto, gostei bastante. Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Em meio à multidão de angústias humanas, muitas costuradas com maestria, eis que em meio à escuridão surge o fraterno, o verdadeiro, coisas que os antigos fílósofos gregos tanto frisavam: o despertar das virtudes humanas. Coisas que seriam extraídas de cada ser através da educação. Mas tem gente que traz as virtudes já em estado de sementinha que rompe a terra e presenteia a vida com a leveza de uma alma gigante.
    Quanta singeleza num texto sensível e delicado. Não, não há um impacto profundo: é um cafuné na alma. Delícia!
    Parabéns, autor!

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Um conto bonito e delicado, bom para quebrar a melancolia de matanças de outros contos. A solidariedade já está ficando for a de moda, temos que nos atentar para isso. Um bom conto.
    Bom desafio!

  6. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    O conto é bem escrito, mas não consegui me desvencilhar da imagem de comercial que ele passou. Bom, a mensagem é boa: o menino ao oferecer a ajuda, descobre que o amigo também tem dinheiro, então ao invés de 1 real, ele agora tem 2, e provavelmente vão se alimentar melhor. É uma mensagem contra o egoísmo, no entanto acho que ela ficaria mais forte se o egoísmo surgisse na trama, algo como o menino não querendo repartir e descobrindo que o amigo também tem dinheiro. Enfim, é só uma possibilidade que pensei, não sou o autor desse conto. Repito, achei bem escrito e com uma boa mensagem, mas a construção me incomodou um pouco por trazer personagens sofridos convivendo em solidariedade fácil demais, quase como um comercial. No geral, é um bom conto.

    • Bast
      27 de janeiro de 2017

      Olá Pedro, obrigado pelo comentário e por sua opinião. Fico feliz que tenha gostado.

  7. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Sou hobbesiana demais para acreditar nessa ideia de solidariedade…
    O conto foi bem escrito, e tem uma moral interessante (algo do tipo é “dando que se recebe”). A facilidade de leitura se encontra na escolha lexical e no contexto cotidiano. A leitura fluiu bem.
    Só acho que, se a solidariedade fosse inata ao homem, o capitalismo não existiria, por exemplo… mas essa é uma opinião minha que eu terei que sustentar com um texto imenso kkk
    Boa sorte!

    • Bast
      27 de janeiro de 2017

      Olá Lídia, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Adorei! É um conto singelo e delicado, que infelizmente demonstra uma cena bastante cotidiana – crianças pobres. Não acho que a cena dos dois garotos pareça improvável, ou melhor, tento acreditar que seja bem realista, já que ressalta o melhor que temos na humanidade: o companheirismo e a empatia que devemos ter pelos outros. Parabéns, adorei a mensagem.

    • Bast
      27 de janeiro de 2017

      Olá Victória, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  9. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Oie, Bast!

    Gostei da suavidade que deu ao tema sem apelar para consonâncias. A beleza esta na simplicidade da ação numa narrativa sem enfeites, onde compartilhar o melhor de si alcança outros sabores.

    • Bast
      27 de janeiro de 2017

      Olá Lee, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  10. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Ah, que fofo! Esse tipo de conto me faz acreditar ainda no homem. Se a realidade não ajuda muito, a ficção faz esse papel. Embora, tenha me convencido de que isso aconteceu, ou melhor, está acontecendo agora em algum lugar do mundo.
    A fome certamente é um dos principais problemas da sociedade, desde a troca do nomadismo, para o sedentarismo. Ocorre que atualmente, ela é ainda mais cruel se comparada a nossa abastada sociedade de consumo, que se transforma cada vez mais na sociedade de ostentação. O pior é que ainda hoje existe gente que crê que a fome é um mito e que é preciso ir para a Africa para acompanhá-la in loco. Não por outra razão, digo viva ao fome zero e qualquer outro programa que vise erradicar esse problema.
    Voltando ao conto… bem escrito, com ritmo, inicio, meio e fim, e que ainda desperta reflexão.
    Parabéns!!

    • Bast
      27 de janeiro de 2017

      Olá rsollberg, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  11. Leo Jardim
    25 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): uma boa mensagem de dois amigos que compartilham as dores e sucessos. Um pouco incomum, infelizmente, mas que seria muito bonito de se ver.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, faz a trama fluir com agilidade.

    💡 Criatividade (⭐⭐): a criatividade aqui vem na mensagem positiva.

    ✂ Concisão (⭐⭐): texto fechadinho.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): não é arrebatador, nem causa grandes elocubrações, mas depois de ler e ver tanta desgraça no mundo, uma mensagem positiva me foi incrivelmente bem-vinda.

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Leo, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  12. Fil Felix
    25 de janeiro de 2017

    Um conto muito bonito e bem narrado. Parece um comercial, só faltou a propaganda no final com um “acredite nas pessoas”. A mensagem é legal e por um momento pensei que cairia no brega, com ele ajudando alguém pior e pronto. Mas não, houve uma pequena surpresa ali no final que eleva o texto. Muito bom!

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Fil, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  13. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Bast,

    Tudo bem?

    Existe muito mais solidariedade na pobreza, que na riqueza. Isso é fato.

    A história é, apesar do tema duro, construída com doçura e sensibilidade.
    O título pode fazer a trama escorregar para o maniqueísmo, mas não, você conseguiu transitar no limite.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Paul, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  14. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Ahh muito bonitinho! Não apenas a forma singela como a história foi narrada, como a própria atitude dos meninos. Percebemos a pureza no coração deles através do desejo de compartilhar o pouco que tinham. Parabéns para o autor!

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Andreza, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  15. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    faltou sentir o peso da importância da mensagem que está expressa no conto, faltou impacte na leitura, mas de qualquer modo parabéns

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Vitor, obrigado pelo comentário.

  16. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Guti-guti. Os infortúnios da vida unindo as pessoas. Bonito. Eu gostaria muito mais se um dos meninos tivesse escondido a moeda, comido alguma coisa com a moeda do outro e depois gastasse a moeda dele sozinho. Ainda assim, achei um bom conto. Boa sorte.

    • Bast
      26 de janeiro de 2017

      Olá Jowilton, fico feliz que tenha gostado. Sua dica foi anotada. Obrigado.

  17. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Excelente! Bem escrito, com personagens que mesmo descritos em tão pouco espaço, estão cheios de vida. A escolha de palavras também é muito bem feita, dá pra ver o cuidado que o autor teve com a escrita de cada sentença. O final é muito bonito e carrega uma mensagem muito positiva e que deve ser compartilhada. É esse tipo de representação de amor que precisamos fazer uso na realidade, alteridade, olhar para o outro e se colocar no lugar e assim, buscar atos melhores e consequências melhores. Parabéns pelo trabalho, muito bem feito.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Felipe, obrigado pelo comentário. Fico muito feliz que tenha gostado.

  18. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Bast, Deusa Gato, Madame Cat (?)

    sensível tua obra.

    Gostei muito.

    Irretocável em sua apresentação.

    Parabéns, de verdade.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Gustavo, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  19. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Um jovem e um menino que eram velhos amigos. Pode até ser, na dureza das ruas, mas acho que faltou construção e carinho pra colocar essa história. A grande sacada era a fome que brevemente achei que seria persona encarnada, mas quase. Uma pena.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Srgio, obrigado pelo comentário.

  20. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    O conto mostra uma cumplicidade misturada à solidariedade, algo que dificilmente vemos nos dias de hoje. Texto singelo e que passa uma mensagem positiva aos leitores. Parabéns pelo ótimo conto.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Tiago, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  21. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Conto simpático e positivo, em meio a tanta desgraceira e suicídio (rsrs). Acho que alguns leitores poderão considera-lo piegas, mas acredito que foi um risco calculado pelo autor. Talvez, e digo isso como parte da minha aprendizagem, não como defeito, se o menino não oferecesse a moeda ao outro logo de cara (o que é da natureza humana, pensar primeiro em si) e só depois decidisse compartilhar, sendo que o outro fez a mesma coisa, a história teria para mim uma significação mais impactante. Boa sorte!

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Daniel, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado. A dica foi anotada, porém o limite do conto não me permitiria fazer tal coisa, mas é uma boa dica.

  22. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Gostei. O menino viu seu amigo e não hesitou em dividir com ele o tão pouco que lhe custou tanto sacrifício para conseguir. Um bom exemplo de desapego e solidariedade, um amigo de verdade. Só não entendi porque o outro menino, que também tinha uma moeda, estava do lado de fora da padaria.

    Narrativa simples, sem ambiguidades, bem direta. Para o tema proposto, tinha de ser assim. Parabéns e boa sorte.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Renato, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado. Ambos eram moradores de rua, por isso o outro estava do lado de fora da padaria.

  23. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    Que imagem bonita, e ao mesmo tempo muito triste. As mazelas da sociedade cria situações como essa e, no entanto, não desfazem a humanidade que a gente tem. É um conto pequeno que diz muito, tem bastante sentimento, cria uma sensação na gente. Tem alma o seu texto. E é bem escrito também. Parabéns

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Douglas, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  24. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Muito bonito. A união quase forçada daqueles que enfrentam as mesmas dificuldades. Me emocionou esse, mas as falas precisam de mais algum trabalho, elas soaram falsa pra mim. O resto não, tem uma força muito grande, gostei bastante.
    Boa sorte.

    Abraços.

    • Bast
      25 de janeiro de 2017

      Olá Tom, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado. A dica foi anotada.

  25. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Belo conto. É estranho como uma ação tão simples permeia o improvável. Não é um conto que se arrisca, para o bem ou para o mal. É um fato simples, narrado de forma ligeiramente poética, mas direta, com uma pequena reviravolta ao final. Então, por que deixa essa sensação amarga? Volto ao início: a cena dos dois garotos parece improvável, e é justamente a consciência disso que cria o incômodo. Parece improvável, mas deveria ser comum.
    Parabéns pela sensibilidade. Boa sorte.

    • Bast
      24 de janeiro de 2017

      Olá Wender, obrigado pelo comentário.

  26. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO com boia na cintura. Versão mais fofa do conto vizinho (584 toques sobre a vida). Baita coincidência. Mas, tal qual o vizinho, não me ofereceu nenhum IMPACTO ou emoção. A constatação da miséria solidária por si só não me encanta. É preciso que a construção se agarre a si mesma, se rasgue, se vença.

    • Bast
      24 de janeiro de 2017

      Olá Catarina, obrigado pelo seu comentário. Dica anotada.

  27. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Achei “o” micro conto, com uma mensagem positiva, apesar dos desvalidos personagens. Imagem forte, atraente, impactante. Dos vinte, com certeza. Sorte!

    • Bast
      24 de janeiro de 2017

      Olá Cilas, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

  28. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    A história é bonitinha e edificante, um nadinha piegas para o meu gosto… Bem contada, arrumadinha, só achei que nada, do título ao tema, da escolha das palavras ao jeito de narrar, dos personagens aos diálogos trocados, me surpreendeu ou encantou… Enfim, correto, mas sem tchan…

    • Bast
      23 de janeiro de 2017

      Olá Estela, obrigado pelo comentário. Uma pena não ter curtido o conto. Nada do conto, na verdade, como você detalhou bem. Uma pena…

  29. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    Gostei do final. É simples e um ótimo recorte do nosso dia-a-dia.
    O interessante é que, talvez, na esquina da padaria do seu bairro, (ou no meu caso, da minha quadrada) essa história pode estar acontecendo.

    • Givago Domingues Thimoti
      22 de janeiro de 2017

      *quadra

    • Bast
      23 de janeiro de 2017

      Olá Givago, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado. Verdade, isso ainda acontece em muitos lugares, infelizmente.

  30. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Gostei muito, é singelo e imaginar essa cena foi muito bom. Estou aprendendo a dar valor a esses textos que são um recorte do cotidiano, mas um recorte daqueles que enchem a vida de sentido. Parabéns pela ideia, muito bom!

    • Bast
      22 de janeiro de 2017

      Olá Bia, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .