EntreContos

Literatura que desafia.

11 de dezembro de 2016 (Gustavo Aquino)

Os domingos pertencem ao fim da linha, aos cauris virados, à chuva que chove a cântaros, o ocaso da vida.

Incorporamos.

Ela girou seu riscado, rebentou riso-treva, pariu materno escárnio. Virei catavento: a voz iracunda que não me pertencia anunciando o Cavalo de Ogum, falange de além-mar nunca metida em libambo ou grilhão. Era eu o próprio trovão.

Em mim baixara a tristeza, oxé cego de Xangô, caxangá chanfrado de Oxalá.

Em minha mãe descera a sombra-de-toda-uma-vida. Aquele um que dava nó no sim, nó no não, e transformava em infinita infelicidade a frágil felicidade das tardes.

A própria depressão.

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92 comentários em “11 de dezembro de 2016 (Gustavo Aquino)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Puxa, não rolou a conexão aqui… gostei das imagens suscitadas, mas… senti falta do impacto, do algo a mais. Em todo caso, boa sorte!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Achei um pouco confuso, talvez por minha causa. Mas boa sorte no desafio.

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    A personalidade do texto em si já demonstra a coragem e o amor do autor(a) pela escrita. A liberdade poética é grande. Apesar do desconhecimento de alguns termos, acredito que a beleza em si só, esta na sonoridade também. Na beleza das palavras e as interpretações que surgem dentro de nós. O domingo pode ser sim um dia chuvoso, trevoso e repleto de depressão, mas no fundo tem sua beleza também. Parabéns pelo trabalho!

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    O ritmo é bom, a fluência narrativa também, mas faltou, creio, sair umpouco da brandura no final, para fazer um desfecho menos melancólico como foi o texto inteiro. Parabéns.

  5. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Ekê
    As imagens são belíssimas, dá para sentir a melancolia permeando toda a narrativa.
    Por desconhecer a temática abordada, entrei num túnel e saí do outro lado como se tivesse devaneado por algum tempo num ato incompreendido. Mas há algo de belo, algo de humano, algo de divino.
    Parabéns.

  6. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Ola, Ekê.

    Não tenho muito o que dizer da história. Fiz uma pesquisa sobre os termos, mas mesmo assim não compreendi o significado da narrativa como um todo. Imagino que já sabias que a linguagem causaria certa estranheza, mas optou pela mesma de toda forma. Isso é bom, pois oferece ao leitor a possibilidade de sair de sua zona de conforto e, além de sentir, crescer. Uma pena que, mesmo após pesquisar, acredite que não entendi quase metade das construções.

    Mas posso dizer que gostei da forma ritmica e com certa musicalidade.

  7. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Infelizmente não entendo nada sobre o assunto. Achei corajoso. O autor ou autora escreve o que quiser e como quiser. Dentro do tema proposto, inegável a sua competência. Monstro da escrita. Só não gostei por questão pessoal e como já disse, tendo em vista que é um desafio, e de micro contos ainda, para mim não foi muito longe diante de outros. Desculpe : /

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Parece ser um conto muito bom, mas não consegui apreciar por conta do meu desconhecimento mesmo sobre a religião. De qualquer modo, gostei das palavras empregadas e do ritmo do conto, boa sorte.

  9. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Ah, o domingo! O dia internacional da depressão, que só prova como estamos inseridos nessas construções da sociedade organizada.
    O hino hungaro do suicidio está ai para comprovar isso;

    “Sunday is gloomy
    My hours are slumberless
    Dearest the shadows
    I live with are numberless
    Little white flowers
    Will never awaken you
    Not where the black coaches
    Sorrow has taken you
    Angels have no thoughts
    Of ever returning you
    Wouldn’t they be angry
    If I thought of joining you?

    Aproveitando isso, achei muito bacana o fato do autor trazer esse tema para o lado da cultura afro-brasileira, ótima sacada. Ademais, o texto tem estilo próprio, peculiar, com um vocabulário de fazer inveja.
    Parabéns!!!

  10. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Ekê, se consegui acompanhar seu conto, trata-se de um ritual da umbanda ou candomblé, num domingo, onde o narrador recebe seu santo. Mas a compreensão ficou nisso, já q meus conhecimentos sobre o assunto são mínimos. Então, realmente, não tenho como avaliar este conto. Creio q isso certamente vai acontecer com outros colegas aqui. Mas, na arte tudo pode e não vejo nada demais q vc escreva para um público mais restrito. O problema é q realmente não tenho como avaliar essa história neste desafio, porque pra mim ficou ininteligível. Boa sorte!

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Gostei da musicalidade textual formada pelas rimas no conto. Achei complexo e de difícil compreensão, deixei passar muita coisa. O talento do autor esta registrado.
    Bom desafio!

  12. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Um conto com diversas camadas. O estilo de narrativa é bem característico e poderia chutar algumas autorias. É preciso ler com calma e quase que obrigatoriamente também ler uma segunda vez, principalmente por estas camadas e pela mitologia usada não ser tão comum ao leitor. O que não é ruim. As imagens que me passaram são ótimas, com muita riqueza de detalhes. Um domingo de fim, com incorporações. As pessoas incorporando as entidades, girando, enquanto a mãe do narrador ganha dois finais. A sombra que lhe desce poderia imaginar como a própria morte, indo em frente à ideia de domingo. No segundo final, lhe desce a depressão. Um conto muito bom, com identidade.

  13. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Alguém anda escutando muito Paulo César Pinheiro!
    Ekê, de todos os microcontos o seu foi único, infelizmente (posso estar enganado, pois estou lendo na ordem), que trabalhou com a premissa afro-brasileira.
    É bom ler nomes esses nomes.
    Gostei do que li aqui, embora seja algo muito triste.
    Obrigado pela ousadia de, pelo menos, ter mostrado que existe todo um outro lado do Brasil a ser considerado em nossas narrativas.

    Ogum iê patacori Ogum!

  14. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Infelizmente, por um dispositivo de proteção (acredito), rejeitamos o que desconhecemos, o que não entendemos.

    Não nego, senti um pouco de estranheza, fiquei meio perdida, mas não afastada do texto, se tivesse mais tempo, certamente pesquisaria melhor, pois apenas margeei alguns nomes e alguns comentários para desanuviar a mente.

    E sabe, em literatura tudo é válido, sempre carregamos um pouco do que lemos, sua crença não me desrespeita, e o fato de eu não conhece-la não significa que ela não sirva. Então, obrigada por compartilhar algo que faz parte da sua cultura, algo importante para você.

    O uso dos termos africanos enobreceram a narrativa, mas como conto deixou algumas lagunas carentes, faltou algo substancial para um conflito, enxerguei como uma representação de um episódio, mas sem surpresas, sem proximidade com persona. Talvez pelo limite de palavras, eu tenha visto como um acessório desligado do conjunto.

    Não sei quem é você, mas depois das “bombásticas revelações”, se tiver algo maior dentro dessa temática, gostaria de conhecer.

  15. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Olá!

    Achei a escrita do conto segura e muito sincera. O narrador é vivo, tem personalidade e nos conta uma história muito triste. Senti falta de ambientação, para ilustrar melhor as “incorporações”, mas ainda assim, o texto compensa pelas emoções que as linhas emanam. Gostei bastante, principalmente pela ousadia de adotar essa personalidade narrativa e abordar a tristeza e a depressão sob o ponto de vista dessas religiões que são tão presentes em nosso território e ao mesmo tempo, passam despercebidas e estereotipadas por grande parte dos brasileiros. Parabéns!

  16. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Ekê,

    Não entendo muito de umbanda, o que me dá até um pouco de vergonha, pois procuro conhecer tudo sobre cultura popular e suas nuances. O Brasil precisa conhecer o Brasil, é o que acho.

    No entanto, não creio que seja necessário ser grande conhecedor dos termos usados, ou o significado de cada entidade, para se “sentir” o seu conto.

    Você criou um conto orgânico, forte, cadenciado como música. E para mim literatura é música, muito.

    Bela escolha.

    Parabéns por sua verve e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Li várias vezes, pesquisei os termos desconhecidos… realmente, esse não é um texto de fácil leitura.
    Gostei muito da temática que você escolheu; a cultura afro ainda é pouco explorada e a dificuldade de compreensão do texto me entristeceu bastante porque é em momentos assim que nos damos conta de como essa forma de expressão ainda é marginalizada pela mídia, educação, a sociedade em geral… a USP colocou um livro do Pepetela na lista de leitura obrigatória do vestibular, e por mais que apresente um momento histórico da Angola, não tem tanta expressão da cultura afro como seu micro (creio que, no caso de Mayombe, é fruto da miscigenação entre colonizador e nativo).
    Seu texto me acrescentou bastante, sem dúvida!
    Gostaria de estar mais envolvida nessa forma de expressão e compreender melhor o seu conto. Desculpe-me por minha ignorância a respeito do assunto…
    Boa sorte! Gostei bastante!

  18. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Num desafio com tantos contos para comentar, confesso minha falta de tempo de pesquisar as palavras usadas para melhor compreensão do texto. Sinto muito, mas não sou o seu público-alvo. Não entendi nadica de nada. Ademais, não sei se o texto está literal ou são figuras de linguagem, pois a única coisa que consegui pensar foi que o texto trata de um parto, mas tenho 0% de confiança nisso 😦
    Minhas sinceras desculpas por não conseguir escrever um comentário mais útil.

  19. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    não tenho o menor interesse pela temática apresentada o que me fez afastar da leitura e o texto não me agarrou. Está bem escrito, mas não me entusiasmou faltou a existência de algum fator que fizesse o leitor “acordar” do embalo das rodas e reviravoltas dos rituais, desculpa, problema meu

  20. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Não tive a sorte do colega Tom Lima, que se deparou com uma resposta de Ekê a algum comentário feito, e nem disponibilidade suficiente neste momento para buscar no dicionário alguns significados.Mesmo assim, fui cativada pela musicalidade da escrita, pela vibração que provoca, por ter sido levada a “entrar no clima”, mesmo sem ter formalmente “entendido” o conto. Aprecio a atitude atrevida de quem apresenta textos assim, de quem nos deixa compartilhar de suas experiências e experimentações independentemente de qualquer outro propósito. Valeu!

  21. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    Por não fazer parte do meio e desconhecer alguns termos, tive dificuldade em absorver o conto, o que é bastante triste, já que sua escrita passa uma atmosfera muito bonita. Seu domínio com as palavras é claramente perceptível. Parabéns!

  22. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Tem um “Q” de “Melancia Coco Verde” baita conto do João Simões. O problema é que seria perfeito com uma direção pro leitor. Mas, tudo bem, se for pelo quadro pintado, ficou divertidamente bonito. Encerro então com uma linha do conto gaucho

    — Vancê desculpe a demora: mas quando se encontra um conhecido do outro tempo — e então do tope deste (Ekê)! — a gente até sente uma frescura na alma!… Coitado, está meio acalcanhado… mas, bonzão, ainda!

  23. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Texto repleto de exotique (como dizem os franceses, que aparenta ser do estrangeiro); a meu ver, que deixou a narrativa submersa no universo da mitologia afro-brasileira. A meu ver, isso foi mais uma fantasia vestida sobre a história do que efetivamente estabelecer um contexto, o que deixou o conto com cara de “vamos falar mais de brasilidade”. Desculpe, não é crítica ao autor, mas essa linha de pensamento tem sido dominante em alguns escritores brasilianistas. Eu acho importante falar do Brasil, da cultura, do povo, da arte; mas utilizar isso como “adereço” me causa certo desconforto. Boa sorte no desafio.

    • Ekê
      25 de janeiro de 2017

      realmente triste saber que palavras e frases saídas exatamente do léxico afro-brasileiro sejam consideradas “exotique” no próprio contexto da literatura brasileira..

      Escrevemos sobre aquilo que vivemos.

      Se vivo num contexto afro-brasileiro, de rodas de candomblé, sambas ou giras de umbanda, é exatamente sobre isso que vou versar.

      • Daniel Reis
        27 de janeiro de 2017

        Vamos lá: o que me incomodou não foram os termos, mas o uso deles como adereço para a história. Não julguei se o autor tem ou não representatividade para falar sobre o tema, longe disso; o que não gostei foi que o que era para ser principal virou acessório. Abraço!

  24. Tom Lima
    25 de janeiro de 2017

    Olha, tem uma beleza muito grande. Não achei problemático ter que procurar alguns termos pra entender melhor, só não gostei de não ter entendido mesmo assim.

    A duvida só sumiu porque, quase sem querer, encontrei uma resposta do ekê a um dos comentários explicando o que acontece. Sabendo disso, tudo fez sentido. Um sentido profundo, ligando o título ao que acontece, encadeando a ação e as incorporações. é muito bonito, mas, pra mim, não funciona como mricroconto. Sem esse comentário seu, Ekê, eu não entenderia. Talvez com mais palavra, com mais espaços pra fazer essas ligações, não deixando explícito, mas poético como todo o conto é, funcione e seja magistral.

    Uma escrita de muita potencia aqui. Parabéns.

    Abraços

  25. Rubem Cabral
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Ekê.

    O conto parece ter nascido em Portugal, no chuvoso período que antecede o inverno (11 de dezembro). A primeira frase é muito bonita, ao associar domingos à melancolia.

    Contudo, o vocabulário difícil e minha falta de conhecimento sobre candomblé, deixou-me sem entender muita coisa. Aparentemente, o narrador teve uma relação romântica interrompida bruscamente e afundou em tristeza depois disso.

    Nota: 7.

  26. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Senti que perdi muita coisa por desconhecer o tema tratado. No entanto, é bem perceptível que o conto está muito bem escrito. Não sou lá muito fã de narrativas cheias de metáforas, mas em um microconto esse tipo de coisa não deixa o texto arrastado e nem prejudica a leitura.

  27. Tiago Menezes
    24 de janeiro de 2017

    Bem, sou totalmente leigo em relação ao tema, e minha opinião se baseará no fato de que existem palavras rebuscadas demais no texto, apesar de soarem bem em alguns momentos. Boa sorte.

  28. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Oi Ekê,

    Não tenho vergonha de dizer que tive que fazer umas quatrocentas pesquisas durante a leitura do seu texto. Só assim conseguiria entender pois não tenho conhecimento algum sobre o tema.

    Depois de ler um monte de coisa, apesar de ainda achar que faltam muitas outras coisas para eu pesquisar, posso entender que o conto demonstra incorporações de santos em um final de domingo. As cenas estão detalhadamente descritas, mesmo com o vocabulário (se posso dizer assim) rebuscado. O final possui um tom melancólico, trazido pela entidade que tomou à frente da mãe.

    Um relato bonito, mas que me deixou com a impressão de que algo ficou faltando, no final. Talvez eu não tenha conseguido absorver toda a essência do conto. Perdão.

  29. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Sou leigo em relação ao tema, então não posso opinar com propriedade. O que noto é uma poesia nas palavras, quase ritmadas.
    Boa sorte!

  30. Renato Silva
    23 de janeiro de 2017

    Sou bem leigo quanto a essas religiões africanas e seus termos. Seria isso uma dança de candomblé e as palavras estão na língua iorubá? Li umas 3 vezes, mas fiquei sem entender muita coisa. Me parece descrever um ritual onde uma mulher incorpora determinada entidade.

    O conto me pareceu bem escrito, dentro daquilo que o autor se propôs a fazer. Usou um vocabulário rico, porém desconhecido pra mim. Mostrou que domina esse tipo de linguagem. Mas eu realmente não curti muito, culpa da minha ignorância.

    Boa sorte.

  31. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Imagens tão lindas, a cultura é farta. Tive que ir me informar para entender, ou seja, levarei algo do conto. Parabéns

  32. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Enfim, um grande ponto de interrogação.

  33. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Eu achei um bom canto. Também acho os domingos melancólicos. Aquelas tantas expressões de religião africana do meio para o fim do conto me tiraram um pouco do texto, por não entender bem o que significam. Um texto bem escrito, poético, que perdeu um pouco de força na última frase. Boa sorte.

  34. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    Começou com um MERGULHO na água molhada, mas depois foi crescendo, crescendo e se agigantou em um tsunami de imagens e sentimentos cortantes. A frase final gera IMPACTO reverso, como uma puxada violenta do freio de mão: cavalo-de-pau.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .