EntreContos

Literatura que desafia.

Flores (Maria Santino)

flores

Vinha suado, assim como todos naquela lata de sardinha disfarçada de ônibus. Nos braços um buquê de rosas vermelhas, tão vermelhas e viçosas que nem pareciam reais. Por um momento o ar viciado de fundilhos e peido deu vazão ao aroma de flores, ainda que só em minha mente, e pensamentos me levaram para longe dali ao imaginar quem seria a felizarda.

Uma noiva, a mãe completando mais um ano de vida, um velório…

Mal percebi as mãos erguidas ao meu redor unido ao desespero frente à arma retirada do buquê.

As flores, de plástico, caíram aos meus pés.

Anúncios

87 comentários em “Flores (Maria Santino)

  1. mariasantino1
    28 de janeiro de 2017

    BASTIDORES DESTE CONTO

    SOBRE A IDEIA – Então, a ideia para o meu conto surgiu quando o colega Thiago de Melo postou no grupo uma imagem de um homem sentado em um transporte coletivo e carregando um buquê. Ele perguntou qual seria a história para aquela foto e dentre algumas respostas eu mencionei que havia uma arma escondida ali.
    Link do post >>> https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1139437052798610&set=p.1139437052798610&type=3&theater

    SOBRE A IMAGEM – Pensei em usar a mesma imagem como lembrança da brincadeira, mas não o fiz devido ao teor do meu conto estar relacionado a assalto e o rapaz da foto ser moreno (poderiam me acusar de racismo ou algo nesta linha). Devido a esse motivo, a imagem do meu texto é a oposta ao que encontramos no conto.

    SOBRE A ESTRUTURA E ESCOLHA DE PALAVRAS – Bem, em um ônibus encontramos pessoas arrumadinhas e maltrapilhas, cheirosas e fedidas… é simples assim e eu tentei exatamente fazer o leitor sentir essa mesma sensação quando encontrasse as palavras mais elegantes (por assim dizer) junto das mais esdrúxulas. No fim de tudo não temos a rua plana e asfaltada, o veículo para bruscamente e se você dorme no ponto vai ao chão. Isso foi o que mais eu desejei que as pessoas captassem, porém ao invés disso, ficaram dizendo que a união dessas palavras era defeito (paciência).

    CONTEÚDO — Eu poderia inserir um Ele e um Ela para separar o quê de quem, mas, sinceramente, não vejo essa confusão como algo necessário de se elucidar, uma vez que o que importa era que as flores não eram reais e que o engano estava nos olhos de quem se permitiu acreditar. O CERNE É A FRUSTRAÇÃO DE EXPECTATIVAS QUE VOCÊ MESMO CRIOU, E PONTO.

    Quase caio pra trás quando o amigo Eduardo Selga mencionou Flores, dos Titãs, porque foi o que deu o tom para a frase final, uma vez que a ideia era só o susto do assalto.

    Obrigada a cada comentário e espero ler todos vocês por aí.

    • mariasantino1
      28 de janeiro de 2017

      Ok, resolvi voltar atrás 🙂

      “Vinha suado” quem vinha suado? Ele, o assaltante que carregava o buquê.
      “As flores, de plástico, caíram aos meus pés” caíram nos pés de quem? Da pessoa narradora que era uma mulher como induz o pseudônimo (Sonhadora) e a narrativa em primeira pessoa.

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do final, a escrita ficou bem legal também, gostei do seu conto. Parabéns e boa sorte!

  3. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Olá, Sonhadora

    Narrativa bem construída, cujo final não impressionou, mas não deixou de arrematar o ótimo nível do texto. Só sugeriria a retirada de umas expressões que deram uma “quebrada” no fluir da história: lata de sardinha, de peido, fundilhos… No mais, mais um conto de bom nível.
    Parabéns e boa sorte!

  4. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    O único ponto negativo da construção se encontra no início, quando imaginamos que o narrador esteja descrevendo o próprio protagonista do conto, mas na verdade trata-se dele analisando outra pessoa. Ficou um tiquinho confuso.

    Assalto com estilo, será que o ladrão era educado? Aqui em Fortaleza já assaltaram ônibus com escopeta, com espada de samurai e já obrigaram os passageiros a pular do ônibus. Bom, no geral.

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Algumas palavras fizeram com que o conto perdesse a força na minha opinião. Arma escondida num buquê me lembrou filmes antigos, apenas mais um clichê.
    Boa escrita.

    Bom desafio.

  6. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    O final veio bem diferente do que imaginei e, creio, do que muitos leitores imaginaram. A leveza e limpidez da escrita levou-me a sentir o aroma das flores antes de encarar a morte. Bacana esta visão bem humorada do cotidiano das nossas cidades. Parabéns!

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, sonhadora.

    Olha, achei a ideia interessante, mas a primeira parte do micro acabou ficando confusa demais para mim. Só fui entender que o personagem se refia a outra pessoa e não a si mesmo em releituras, depois de ficar perdido com o fim.

    Claro, é algo que pode ser minimizado, afinal, da pra compreender o significado olhando a obra geral, mas para uma análise do conto, acabou perdendo uns pontinhos comigo. Mais importante do que pontos sem significado seria a possibilidade de reestruturar a primeira parte. Ou não.

    Como sempre falo, a confusão pode ser problema do leitor, e não do autor.

    De todo modo, parabens e boa sorte.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. Eu tenho essa mania de imaginar uma história sobre fatos (como o protagonista, que imagina que as flores podem ser para uma noiva, uma mãe de aniversário, um velório) e, por isso, já gostei da “atmosfera do conto”. Somado a isto, temos um final surpreendente e uma escrita clara. Parabéns

  9. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Pontos positivos; o conto começa quase como uma crônica, criando uma atmosfera, inserindo o leitor dentro do tal ônibus. Foi legal observar que a imagem das flores mexeu inclusive com os sentidos do sujeito. A reviravolta no final funciona.

    Pontos negativos: Comparar o ônibus a uma lata de sardinha não tem mais nada de original, em um desafio de poucas palavras o autor poderia ter trazido algo novo, fresco. Fundilhos e peido não fazem cocegas, se o autor pretendia chocar e fazer uma analogia mais crua com o cheiro poderia ter ousado mais.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte.

  10. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    O bacana desse conto não está só na surpresa do remate, mas também por ter nos ofertado uma imagem real, da qual todos temos uma lembrança, quem nunca divagou num ônibus que atire o “metro-passe”. E enquanto líamos, concordávamos com as afirmações do persona a cerca o ambiente, porque é uma situação familiar, e aí, também na nossa distração, vem o “mãos ao alto”.

  11. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Gostei do conto, descreve muito bem as sensações que o protagonista está percebendo do seu redor e das flores. Escrita muito boa nessa parte. A imagem casa bem com o texto e ajuda a formá-la na cabeça. A surpresa também foi bem vinda, imaginei como um prólogo de uma cena maior de ação. Com o assaltando jogando o buquê e mandando todo mundo pro chão.

  12. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Excelente. O narrador é sensível, bem construído. É bem escrito e ainda surpreende, mesmo com a deixa no início “nem pareciam reais”. Excelente jogo de linguagem, ótimo enredo. Parabéns mesmo. A cena final, com as flores de plástico no chão é muito forte. Acho apenas que a frase de abertura poderia ser um pouco melhor estruturada, mas analisando o conto como um todo, o trabalho é acima da média.

    Parabéns!

  13. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Sonhadora,

    Tudo bem?

    Você construiu um retrato cotidiano das grandes cidades.

    Gostei do jeito como trabalhou com a descrição dos odores dentro do ônibus fechado, dá quase para sentir a falta de ar e a sensação claustrofóbica que todos conhecemos bem.

    A surpresa do assalto, arruinando o momento de lirismo que talvez salvasse o dia da personagem, também é uma ótima ideia.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  14. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Quem me dera se em vez da personagem ter imaginado o perfume como algo prazeroso tivesse se lembrado do trecho de uma música dos Titãs (“As flores têm cheiro de morte”).
    Adorei a quebra de expectativa e a imagem da última frase.
    Boa sorte!

  15. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Gosto de como o texto muda por completo e pega o leitor desprevenido. Apesar da construção das frases ter sido bem feita, precisei ler algumas vezes pra entender que o narrador não era o assaltante, pois num primeiro momento pensei que quem tinha as flores era ele próprio. E quando ele imagina quem as ganharia, deduzi que ele era um entregador de flores. Quando compreendi que eram pessoas diferentes, o conto ficou bem melhor e tudo se encaixou kkkk É um texto bem criativo e surpreendente. Parabéns!

  16. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    final surpreendente, que surge no meio de um texto bem escrito e sem nada de notório, quando de repente, bum! SURPRESA TOTAL. Muitos parabéns

  17. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    Em algum momento todos nós nos pegamos imersos em nossos afazeres, esperando por algo que nos liberte. “Uma quebra da rotina.”. As flores inicialmente pareciam ter sido uma “quebra” positiva, causando devaneios agradáveis, mas então houve a surpresa: a arma, o desespero, as mãos erguidas, a descoberta das flores serem de plástico. Você conduziu muito bem essa mudança no conto. Parabéns!

  18. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Sonhadora,

    gostei do conto.

    Não consegui entender ele muito bem. Quem assaltou o ônibus era a mesma pessoa que levava o buquê?

    A escolha das palavras me pareceu boa e o estilo da escrita bem competente.

    Parabéns.

  19. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    É um assalto estilizado mesmo hehehe. Ok, gostei. Ah, dica (ora quem sou eu, não é mesmo?) começar um conto com Vinha é uma palavra horrenda pra se começar. Ele vinha de todo modo no trem, poderia apenas estar (sem escrever estar) suado no trem.

  20. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Me pegou de surpresa, rsrs. O foco no buquê me fez pensar quem também seria a felizarda, e me desviei do pensamento de quem estaria segurando o buquê. Um conto simples mais criativo. E você escreve muito bem, parabéns.

  21. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Assalto suave, esse. As flores foram a metáfora para a voz de comando, já que, para todos os outros, o conhecimento que era um assalto e a ordem já estava dada (estavam todos de mãos para cima quando as flores caíram). O autor trabalhou bem com a inversão de expectativa, mas a arma escondida no buquê é meio clichê de filmes de gângsters. A surpresa foi ter sido esse o final escolhido. Boa sorte no desafio.

  22. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    É um contrate muito bonito! As expectativas vão em uma direção e o conto em outra, de uma maneira muito interessante!
    Tem alguns tropeços que não atrapalharam a leitura.
    Gostei bastante, no geral!

    Parabéns!
    Abraços.

  23. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Gostei. O assalto que quebrou todos os pensamentos doces do narrador, trazendo-o de volta à realidade nua e crua. E só então percebe que eram flores falsas.

    A descrição do ônibus foi bem realista, até me senti dentro de um, naquele maldito horário de pico e com um calor de 35° lá fora. Se a sua intenção foi causar mal estar, parabéns.

    Boa sorte.

  24. Rubem Cabral
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Sonhadora.

    Bom conto. Boa a ambientação e o “engodo”, rs. O narrador imaginou o cheiro, influenciado pela aparência das flores, não? Bacana a surpresa ao final.

    Nota: 8.

  25. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá,

    Conheço bem o ambiente opressivo e fetidamente (palavra que acabo de inventar, acredito) claustrofóbico de um ônibus lotado e seu conto me remeteu a diversas sensações que eu não gostaria de lembrar no final do dia rsrs.

    Ruim para mim, bom para você! Dar à ambientação um enlace no leitor e faze-la o puxar para dentro da história é um baita trunfo.

    O final teve uma reviravolta interessante e me surpreendeu, mas não muito, acho que isso aconteceu porque faltou trabalhar um pouco mais do impacto no desfecho.

  26. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    O primeiro parágrafo gera uma pequena confusão, pois a construção leva à ambiguidade – quem pode estar carregando as flores é tanto o narrador quanto outra pessoa do ônibus. Quando é revelado que é outra pessoa, reli o primeiro parágrafo, dessa vez com a visão correta.
    Gostei do conto, memórias sensoriais são fortes. O final é surpreendente e o signo representado por flores de plástico é bom.
    Boa sorte!

  27. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO sem preparo pode dar em barrigada, torcicolo e outros efeitos inesperados. A premissa de confrontar o sonho com a realidade foi legal. O IMPACTO das flores de plástico só não surtiu o efeito esperado porque a execução não me pareceu cuidadosa. Em um microconto não basta escrever uma trama completa, é preciso que cada palavra diga a que veio.

  28. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Não foi tão impactante quanto pretende, mas está bem escrito e ambientado. É bom, não mais que isso

  29. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Legal como a falsidade das flores reflete a falsidade da situação e do portador. O mais interessante é que não é, pelo menos para mim, uma narrativa que inspira uma reviravolta, o que a torna mais impactante ainda. Não vejo a escolha de palavras mais simples como um aspecto negativo – trata-se de um episódio simples, um ambiente simples, a riqueza está logo nisso.
    Parabéns e boa sorte.

  30. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Bom conto. Bem engenhoso o ladrão, escondeu uma arma num buquê de flores de plástico. O ambiente dentro do ônibus foi bem caracterizado, ao meu ver. Boa sorte.

  31. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Um bom conto, com a surpresa no final. Parabéns! Sorte!

  32. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    Não gostei muito de algumas escolhas de palavras, mas a reviravolta no final do conto me agradou, o impacto funcionou muito bem. Parabéns!

  33. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    A trama do conto é bem original, fresca como as rosas. A narrativa segue bem, o final surpreende com a súbita virada. Pena que a pontuação apresente alguns problemas; que certas imagens possam ser consideradas artificiais ou forçadas (“lata de sardinha disfarçada de ônibus”) e outras até mesmo deselegantes (“ar viciado de fundilho e peido”); e que algumas palavras tenham sido mal empregadas (“deu vazão” em vez de “deu lugar”)… Quanto mais isento de percalços assim, mais um texto brilha e pode ser apreciado sem ressalvas….

  34. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    Gostei da surpresa no final, que resgatou a minha atenção para o texto . É bem escrito e aberto. Muito bom.
    Parabéns e boa sorte

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .