EntreContos

Detox Literário.

O Gatilho de Borges (Gustavo Araujo)

gatilho

Caminhava de cabeça baixa, a mão segurando o chapéu contra a chuva fina, quase alheio às pessoas que cruzavam em várias direções. Trazia a pasta de trabalho junto ao peito, como um escudo contra o vento frio. O anoitecer havia se adiantado e as luzes de neon se refletiam nas poças do calçamento. Procurava desviar da água acumulada, pois não havia nada pior nessa vida do que pés molhados. Incerto quanto ao horário, levantou a vista por um instante, procurando um relógio no alto de algum edifício. Minúsculas gotas se precipitaram da aba do chapéu em direção ao seu rosto, impedindo momentaneamente que enxergasse à frente. Foi quando esbarrou no sujeito. Naquele homem. Naquele exato homem. O chapéu e a pasta foram ao chão, encharcando-se. Seus olhos se encontraram por um instante e ele teve certeza de que também fora reconhecido. Abaixou-se para apanhar seus pertences, mas sabia que o homem estaria ali, mirando-o. Sentiu o peito arfar e o desejo de dizer ao sujeito a verdade. A mais pura verdade.

***

Trabalhava em um edifício impessoal, acinzentado, cujos andares mais altos fundiam-se às nuvens de cobalto onipresentes. Em uma saleta sem janelas, isolava-se do mundo. De sua mesa florescia um computador anoso, rodeado por pilhas de folhas, livros velhos e diversos tipos de carimbo. Arquivos de metal com gavetas profundas se situavam à retaguarda da cadeira, testemunhas silenciosas de tempos esquecidos. Uma luminária branca piscava no teto, a luz emitindo estertores mudos. Na porta de madeira uma janela envidraçada tinha impresso seu nome: Afonso Salvador.

Há trinta anos a cena se repetia. Pendurava o sobretudo num cabide junto à parede, bem como o chapéu de feltro, enquanto se preparava para iniciar os trabalhos. Ligava seu computador e aguardava até o carregamento dos programas, o que levava minutos sem fim. Todavia, estava acostumado com a lentidão. De certa forma, até a apreciava, aproveitando para ler, sempre, um encanecido livro de Jorge Luis Borges, cujas passagens ele já havia decorado.

Sentava-se quando as mensagens começavam a rolar instantaneamente na tela, os caracteres esverdeados se esparramando em busca de atenção.

Era um analista.

Alianças entre grandes corporações e o Estado permitiam varreduras constantes em sistemas de dados, cruzando informações, quebrando códigos, desvelando números de protocolo, exibindo mensagens, telefonemas e sites suspeitos, de modo a evidenciar padrões de comportamento de avatares diversos.

A Afonso Salvador cabia examinar esses elementos, munido de boletins e perfis fornecidos pela polícia de costumes. Confrontava as atividades aos avatares indicados pelo sistema, buscando nomes reais de pessoas, seus rostos, seus endereços, suas verdadeiras personas. Com isso, construía o embrião da acusação formal, atrelando as atividades subversivas a seus reais protagonistas, repassando as conclusões à repartição seguinte para providências, gente que ele jamais vira, mas que talvez trabalhasse naquele mesmo edifício.

Normalmente, os comportamentos inadequados referiam-se a críticas veladas, trocas de mensagens com conteúdo proibido – atividades que levavam a simples detenções. Não raro, porém, interceptavam-se convocações para ataques em massa com claro objetivo de sabotagem, o que era punível com a destruição de registros pessoais e, em casos extremos, com a eliminação completa de informações sobre o indivíduo, tanto pretéritas como futuras.

Em verdade, Afonso Salvador procurava não se preocupar com as consequências. Não cabia a ele acompanhar os desdobramentos de suas análises, mas tão-somente encaminhá-las à área responsável. Era assim que funcionava. Era por isso que funcionava.

***

Certo dia, recebeu uma série de informações criptografadas, números e caracteres se alternando em grande velocidade em sua tela, a imagem lembrando uma cascata.

Colocou o livro de Borges de lado – por sorte acabara de virar a última página – pois evidentemente, as informações que recebia eram importantes. Com o software de liberação e três tipos de senha obteve acesso ao conteúdo.

Mensagens subliminares exibiam padrões semelhantes ao de uma recente ofensiva à companhia telefônica. O avatar do autor das mensagens denunciava uma estranha predileção por desenhos animados dos anos 1930. Não obstante, o conteúdo era relevante o suficiente para causar instabilidade, exigindo intervenção imediata.

Afonso Salvador confrontou o comportamento dos acessos com os modelos de bancos de dados armazenados na rede de perfis com acesso restrito. Em seguida, carregou os registros policiais chegando em poucos minutos ao responsável, um sujeito de nome pouco usual: Daniel Goliadkin.

Automaticamente, passou à tela de identificação. Registro de nascimento, informações escolares e profissionais, além relatórios de autoridades diversas. Observações apontavam para questionamentos inoportunos e comportamentos inapropriados, destacando-se a realização de contrabando de literatura proibida. Uma ficha bastante rica, podia-se dizer. Afonso Salvador acessou o campo respectivo e uma fotografia em alta resolução surgiu lentamente no monitor.

Por um momento, fitou a imagem sem reação. Contraindo as sobrancelhas, passou a mão sob o queixo, cofiando uma barba inexistente. Fechou a imagem e voltou a conferir a ficha que havia acessado: Daniel Goliadkin, nascido há 23 anos. Abriu a foto novamente. Milhares de pixels se uniram para construir a mesma imagem. Deteve-se, a respiração suspensa. Examinou com vagar os olhos do rapaz, o nariz e o queixo quadrado e protuberante.

Daniel Goliadkin era idêntico a ele, Afonso Salvador. Não à sua versão atual, por óbvio, já que se aproximava dos sessenta anos, mas à sua versão jovem. As mesmas imperfeições, os mesmos detalhes, as mesmas marcas de nascença.

Balançou a cabeça e tornou a fechar a imagem. Só podia ser um erro, embora não recordasse outra ocasião em que algo daquele tipo tivesse ocorrido. Acessando bancos de suporte, checou outras imagens: tempos de escola, licenças, formulários preenchidos em ocasiões diversas, imagens de câmeras de segurança. A todo tempo via a si mesmo, ou melhor, uma variação de si próprio com menos da metade de seu tempo de vida.

Ponderou se alguém, ousado o suficiente, conseguira invadir o sistema. Sim, essa seria uma explicação. Um ataque sem precedentes, direto aos analistas que, como ele, eram encarregados de estabelecer as ligações entre fatos e pessoas, levando à eliminação virtual e até mesmo física de inimigos do Estado. Claro, só podia ser isso.

Pensou em encaminhar uma mensagem ao setor de segurança de rede, mas desistiu. Se o sistema tivesse sido violado, que era o mais provável, seu texto nada mais faria do que confirmar aos invasores o sucesso do plano. Se ao menos conhecesse outros analistas, poderia indagar se teriam passado por algo semelhante, mas isso era impossível. Por óbvio, jamais travara contato com algum colega de trabalho.

Não havia alternativa senão conferir pessoalmente a identidade de Daniel Goliadkin. Provar que seu rosto era outro. Provar que o sistema fora invadido.

***

O endereço constante dos cadastros da polícia de costumes indicava que Daniel Goliadkin vivia em um edifício de seis andares, com 24 apartamentos no total, erguido no bairro operário da cidade. Edifício Stevenson, chamava-se.

Afonso Salvador não teve muitas dificuldades para logar-se no sistema de transmissão eletromagnética que desaguava naquele prédio. Com isso, teria acesso a todos os televisores do condomínio, inclusive àquele que pertencia a Daniel Goliadkin.

De sua saleta apertada, cercado por papéis e livros de capa amarelada, digitou uma série de comandos, fazendo estalar letras e números de seu teclado. Acessando remotamente as linhas de transmissão, selecionou a opção para que se exibisse um aparelho televisivo por unidade habitacional. Em um instante, a tela de seu monitor dividiu-se em 24 quadrados. Alguns se encontravam escurecidos, fazendo crer que o morador respectivo mantinha a televisão desligada. Outros apresentavam imagens que pareciam estáticas num primeiro instante, mas que em poucos segundos revelavam o sucesso da interceptação, demonstrando movimentos de pessoas que assistiam à rede estatal.

Selecionou o quadrado referente ao apartamento 43, maximizando a imagem que, àquele momento, se encontrava escura. Aguardou alguns minutos, até se convencer que não havia ninguém por lá. Paciente, ajustou fones de ouvido sobre a cabeça e aguardou, distraindo-se com as cenas de outras moradias.

Alguns minutos depois, sem que pudesse precisar quanto, ouviu um ruído vindo da imagem desejada. Maximizou-a novamente. Antes maciçamente escura, passou a se dissolver em cores elípticas, repuxando-se em anéis de matizes azuladas em busca de nitidez. Um rosto surgia, de início borrado, as extremidades esfumaçadas. Logo a silhueta ganhou contornos mais definidos, revelando uma mulher jovem. Cabelos curtos, olhos levemente amendoados e sardas remanescentes de uma infância sob o sol. A garota, que devia ter por volta de vinte anos, tentava sintonizar a transmissão, sem saber, naturalmente, que era observada pela via reversa. Seu semblante pareceu incomodamente familiar a Afonso Salvador, mas ele não soube precisar o quando e o porquê.

Ela sorriu por um momento, parecendo satisfeita, e depois se afastou, sentando-se em uma poltrona de veludo, as pernas dobradas para o mesmo lado. Manteve-se assim por alguns minutos até que alguém rapidamente passou por ela, beijando-a sem que fosse possível ver-lhe o rosto.

Daniel Goliadkin.

Só então Afonso Salvador notou que não ouvia o som ambiente. Com um comando aumentou o volume para escutar a conversava do casal. O rapaz não aparecia na tela, mas era possível ouvir sua voz ao longe, todavia ininteligível. A garota replicava de modo automático, como que hipnotizada pela programação a que assistia. Instantes depois, novamente de costas, ele se aproximou dela oferecendo-lhe algo para beber. Ela sorriu e ele se sentou junto dela, apertando-se na mesma poltrona.

Afonso Salvador agora confirmava. Daniel Goliadkin era verdadeiramente igual a ele, uma cópia fiel, idêntica a seu próprio eu de três décadas atrás.

Tentou racionalizar a situação. Um embrião congelado, uma clonagem não autorizada – sim havia algumas hipóteses que poderiam explicar aquele fato. No entanto, pelo menos naquele momento, preferiu apenas assistir, extasiado de certa forma por ter percebido que uma pessoa idêntica a ele habitava aquele mundo.

De certa forma, a constatação demonstrava que o sistema não fora invadido. De fato, o rosto de Daniel Goliadkin era exatamente aquele que constava dos bancos de dados, de modo que restava a ele, Afonso Salvador, encaminhar as informações pertinentes à repartição que lhe era superior, para que fossem adotadas as providências apuratórias cabíveis, com a provável prisão do rapaz e, ao que tudo indicava, também daquela garota.

Todavia, pela primeira vez em mais de três décadas de serviço, deixou de seguir o protocolo. Queria aproveitar a ocasião, tão inusitada quanto rara, para admirar aquela coincidência peculiar. Assim, manteve para si as informações produzidas, como que para sua distração. Queria aprender mais sobre o rapaz, seus desejos, seus trejeitos, suas manias. Queria ir além do que constava das fichas produzidas pelo sistema e dos relatórios obtidos junto à polícia de costumes. Queria saber, realmente, quem era Daniel Goliadkin.

Dia após dia, mantinha-se alerta com relação ao que ocorria no apartamento 43 do edifício Stevenson. Acompanhava os diálogos de Daniel Goliadkin com a garota de cabelos curtos – que agora ele sabia chamar-se Helena – testemunhando risos, discussões, beijos trocados e planos ingênuos.

***

Certa feita, notou que Daniel Goliadkin estava sentado no sofá ao lado da poltrona de veludo, com a atenção roubada por um livro: El libro de Arena, de Borges. O mesmo que ele, Afonso Salvador, lia todas as manhãs ao chegar ao trabalho e cujas passagens havia decorado. Tomou a cena como um alerta, mas preferiu sufocar qualquer conclusão precipitada. Contudo, como a torrente que aos poucos se acumula até estourar a represa, seus pensamentos subliminares passaram a pressionar sua própria sanidade.

Com o passar dos dias, outras coincidências surgiram. A predileção por uma bebida de maçã, o hábito de ler jornais iniciando pela seção de esportes, a admiração pela música de Wagner. Daniel Goliadkin não era só idêntico a ele no aspecto físico (embora separados por trinta anos), mas também mental, psicológica e culturalmente. Não tardou até que se julgasse em condições de antecipar os diálogos que o rapaz teria com Helena. Era como se adivinhasse as falas, os assuntos, as estratégias mentais para convencer a jovem de seus argumentos. Também conseguia antever suas fraquezas, suas decepções, suas falhas de caráter.

Daniel Goliadkin era ele, era uma versão replicada, ainda que mais nova, dele próprio.

O contato, ainda que remoto, com a realidade do rapaz, levava Afonso Salvador a ponderar que havia certa repetição naquele contexto. Era como se recordasse a própria juventude, as opções que fizera, os projetos abortados, o início dos trabalhos como analista e a imersão naquele ambiente opressor e impessoal dedicado ao Estado. O adeus à família. O adeus a… Helena.

Não demorou para se convencer de que seu próprio passado era idêntico à atual realidade de Daniel Goliadkin, inclusive os sonhos-de-um-mundo-mais-justo que alimentara por tanto tempo até dar-se conta de que jamais poderia mudar o status quo e por fim alinhar-se a quem combatia. Mas agora, naquele momento, seu alter ego, seu outro eu, ainda alimentava esse desejo pueril.

Invejou-o por um instante. Vendo-o pelo monitor, ao lado de Helena, rindo de alguma comédia reprisada à exaustão, tentou convencer-se a simplesmente seguir o protocolo. Entregá-lo ao escalão superior para as providências cabíveis e pronto. Nunca mais ouviria falar dele. Nunca mais se sentiria humilhado por ele, por sua juventude, por sua sede de vida.

No entanto, era incapaz de agir dessa forma. Em verdade, pela primeira vez na vida, via-se tomado por um sentimento de coragem e ousadia. Precisava, de alguma forma, repassar a Daniel Goliadkin as informações de que era monitorado pelo Estado. Que as mensagens que trocava, que os planos que vinha arquitetando para contra a companhia telefônica, eram acompanhados secretamente pelos agentes de segurança e por analistas. Se pudesse convencê-lo a desistir dessa ideia tola, fadada ao fracasso, talvez pudesse garantir-lhe as escolhas que ele próprio jamais dispôs.

Daniel Goliadkin era sua segunda chance.

***

Tomou o transporte em direção ao bairro operário, já no fim da tarde. Nuvens carregadas se formavam no alto prometendo instabilidade. Indiferente a isso, Afonso Salvador saltou do ônibus e tomou o rumo do edifício Stevenson. Invadido por uma sensação de urgência, acelerou o passo, desviando das pessoas que, àquela hora, retornavam para casa. Do céu enegrecido iniciou-se a precipitação, uma chuva leve, quase um borrifo. Ele fechou o sobretudo até o pescoço, segurando o chapéu com uma das mãos, protegendo o peito com sua pasta de trabalho. Não sabia que horas eram. Talvez não encontrasse o rapaz em casa. Aliás, o que diria a ele? Como informaria sobre as…

Esbarrou em alguém. Sua pasta foi ao chão, espalhando seus pertences. Ergueu a vista instintivamente para ver quem era.

Daniel Goliadkin. Claro.

Em uma fração de segundo percebeu a fagulha do estranhamento. Viu-se refletido na íris do outro – em sua própria íris. Imaginou-o perguntando “que livro é esse? Borges?”, ao que responderia “sim, El libro de Arena”. Caminhariam juntos até o edifício Stevenson, onde o rapaz o apresentaria a Helena. Conversariam sobre a vida, sobre seu passado, sobre suas escolhas. Aconselharia o rapaz – porque assim aconselharia a si mesmo – sobre o futuro, sobre os passos em falso que deveria evitar. Corrigiria seus rumos, faria-lhe um afago. Diria que preservasse a todo custo seus sentimentos por Helena, pois do contrário ela se desvaneceria, tornando-se nada mais do que uma lembrança remota, cuidadosamente asilada nos recônditos de sua mente. Diria a ele ouvisse o chamado do oceano, evitando a queda numa existência modorrenta e sem propósito pessoal, que não se rendesse à composição de um aparato estatal monstruoso, a um Leviatã. Diria a ele para fugir.

Em uma fração de segundo, foi nisso que pensou, mas não disse palavra. Abaixou-se para apanhar seus pertences, ciente de que o jovem o observava. Nada disse o rapaz sobre o livro de Borges, se é que o viu.

Ao levantar-se, porém, Afonso Salvador percebeu que estava sozinho. A chuva continuava a cair e as pessoas passavam apressadas, desviando tanto dele quanto das poças d’água que refletiam as luzes de neon.

Pondo-se em pé, deu-se conta de que naquela noite, julgando ter encontrado a versão futura de si mesmo, Daniel Goliadkin seria preso pela polícia de costumes. O julgamento não tardaria a sair: culpado por atividades nocivas – extremamente nocivas – ao Estado. Pena: apagamento de registros passados e futuros. Um procedimento cirúrgico implantaria um dispositivo para dar-lhe um novo propósito de vida, uma nova identidade, afinada com os interesses do Estado. No entanto, estranhamente, a cada vez que finalizasse o livro de Borges, teria um vislumbre de seu passado verdadeiro, ainda que de modo confuso. A ideia era que percebesse como havia sido salvo das limitações de uma existência fadada ao fracasso. Ou talvez fosse apenas crueldade.

***

Quando chegou à saleta em que trabalhava, Afonso Salvador ligou seu computador e, enquanto esperava o carregamento dos programas, abriu o livro de Borges na primeira página. Percebeu que o software de segurança varrera alguns programas, mas não soube dizer por que nem o que eram. Não importava. Tinha sua atenção voltada para a prosa do escritor argentino: “Teria preferido estar só, mas não quis levantar em seguida, para não me mostrar descortês. O outro se havia posto a assobiar.”

…………………………..

Texto atualizado em 18/12/2016, às 00h56.

42 comentários em “O Gatilho de Borges (Gustavo Araujo)

  1. Iolandinha Pinheiro
    18 de dezembro de 2016

    Ah, e o conto tem outra solução possível.O jovem Daniel Goliadkin ser a lembrança do passado de Alonso, despertada pelo gatilho de Borges, então a história se repetiria infinitamente, uma vez que Alonso era leitor assíduo deste escritor. Se for isso, o conto fica ainda mais interessante.

  2. iolandinhapinheiro
    18 de dezembro de 2016

    Olá. Primeiro parabéns por mais um título como contista. Já li alguma coisa sua e sempre leio sorrindo, sentindo prazer pela maneira tão profissional com que vc maneja as palavras. Adorei a ambientação. Era como assistir um filme, desde o primeiro parágrafo. Dava para sentir o vento frio tentando arrancar o chapéu da cabeça de Alonso, assim como dava para olhar ao redor e ver uma paisagem futurista decadente como se vê nos filmes Brazi, o Filmel e Laranja Mecânica. Tive vários “déjà vu” lendo o teu conto, isso não quer dizer que faltou criatividade, apenas que meu cérebro quis enxergar nele elementos de Farenheit 451, 1984 e outras obras de igual temática. Gostei da inserção de elementos antigos no cenário futurista, como o computador com caracteres verdes, ou a televisão com botões de girar, tudo muito retrô, achei que ficou charmoso. O que eu mais gostei, no entanto, foi do gatilho de Borges e da maneira como o autor me levou a pensar num desfecho mais dramático, e depois apresentar uma solução tão criativa, como a que foi dada, que eu imaginava ser a dramática eliminação do investigado, mas era um rearranjo cerebral, o que me lembrou bastante dois filmes: Código 46 e O Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. O que dizer? Parabéns, campeão.

  3. Gustavo Castro Araujo
    18 de dezembro de 2016

    Repetindo aqui o comentário que deixei no post de resultados.
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    Oi, pessoal,

    Quero agradecer àqueles que se dedicaram a ler “O Gatilho de Borges” e também os comentários recebidos. Confesso que não sabia direito sobre o que escrever para o desafio, já que a temática punk, em qualquer vertente, me é estranha, não passando dos clichês do gênero. Mas, enfim, desafio é isso, não é? Sair do sofá macio e encarar a chuva lá fora.

    Por uma dessas coincidências da vida, eu estava zapeando alguns artigos na internet quando me deparei com um texto fantástico (cuja autoria se perdeu nos labirintos da minha memória) sobre a questão do “Duplo” na literatura. À primeira vista, não parece ser algo muito específico, mas Borges, Dostoievsky, Saramago, Poe e Stevenson em algum momento dedicaram-se a ela. Mais do que mera curiosidade, esse tema traz a lume questionamentos filosóficos, psicológicos e existenciais irresistíveis. Quem, em sã consciência, não se sentiria atraído pela ideia de encontrar a si mesmo? De questionar-se, de corrigir erros, de incentivar-se?

    Acendeu-se a fagulha. Depois foi só pensar na trama tendo como contexto a proposta do desafio. Implantes memoriais e governos totalitários são alicerces do universo cyberpunk, ainda que não exclusivos. Para mim, sustentaram a narrativa cujo propósito era justamente colocar o leitor na mesma posição de Afonso Salvador e seu alter ego Daniel Goliadkin.

    A imagem que ilustra o texto é de um quadro chamado “Double Man”, ou Homem Duplo, do artista americano Keith Haring. Quanto aos personagens, todos são referências às obras que trataram do gênero “Duplo”, como muita gente percebeu. Tertuliano Afonso é o protagonista de “O Homem Duplicado”, de Saramago; “Goliadkin” é o sobrenome do personagem condutor de “O Duplo”, de Dostoievsky. E claro, há Borges em todos os poros do conto simplesmente porque é dele um dos textos mais perturbadores nessa vertente: “O Outro”, publicado em “Livro de Areia”, cujo título original, em castellano, mantive na narrativa por uma questão de fidelidade reverencial, servindo como gatilho para as lembranças que assombrariam Afonso Salvador cada vez que terminasse de ler a obra – uma sanção por ter desafiado o Estado na juventude.

    Enfim, quero agradecer uma vez mais pelas análises dedicadas e profundas, pelas críticas bem embasadas – e até pelas que são fruto de insegurança infantil –, pelos erros apontados e pelas sugestões de melhoria. Escrever para um universo como o que temos no EC é um privilégio. Não são todos os lugares em que se têm leitores exigentes, de cultura elevada e de dileto senso literário. Muito obrigado.

  4. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): boa, muito bem amarrada. Esses textos de viagens no tempo (ou melhor, de convivência temporal) são sempre interessantes quando bem executados e esse não é uma exceção. O final acabou sendo um pouco anticlimático, pois eu esperava mais dessa conexão dele com seu passado, mas ainda assim fechou muito bem.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, quase profissional, com um texto com esse mote precisava ter para não se perder. Só encontrei esse errinho enquanto lia:

    ▪ Afonso Salvador procurava não se *preocupava* (preocupar) com as consequências

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é uma grande novidade, mas apresenta elementos muito interessantes, como a conexão com o livro do Borges.

    🎯 Tema (⭐▫): senti falta de um pouco mais do clima Cyberpunk. É, porém, uma boa distopia sci-fi.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não teve uma grande reviravolta e o final acabou meio xoxo, mas ver a trama se fechar com inteligência deixou um gosto agradável ao fim.

    ⚠️ Nota 8,0

  5. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Achei o conto muito bom e bem escrito. É bem possível que George Orwell teria escrito algo parecido se já conhecesse a tecnologia que conhecemos. Sou um grande fã de sua obra e adoro ver referências dela por aí. Achei o título interessante, onde você usa o termo “gatilho” para algo que desencadeia uma memória. O modo como foi escrito conseguiu manter o suspense até o final. Parabéns.

  6. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Uma narrativa muito segura. E pra mim, que curto Borges, teve um gostinho bom, ainda maior. Gostei do enredo, adoro essas coisas de looping, lembrou-me também um tantinho do “Fluam, minhas lágrimas, disse o policial”, do Dick, por ter uma narração que é capaz de prender o fôlego. Talvez o espaço de 3000 palavras não tenha sido adequado para tudo o que esse conto poderia ser, correu um pouco no final, e ainda assim o final foi muito bom, muito seguro, se sustenta. Se é punk, realmente não sei dizer com certeza. Mas foi uma ótima leitura e parabéns pelo ótimo trabalho.

  7. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    27. O Gatilho de Borges (Aleph): Nota 9

    Amigo(a) EntreContista,

    Parabéns pelo seu texto. É muito bem escrito e instigante. É excelente!
    Essa parte aqui me fez soltar um “putz, é assim mesmo”, o que é um ótimo sinal: “Não demorou para se convencer de que seu próprio passado era idêntico à atual realidade de Daniel Goliadkin, inclusive os sonhos-de-um-mundo-mais-justo que alimentara por tanto tempo até dar-se conta de que jamais poderia mudar o status quo e por fim alinhar-se a quem combatia”.
    Gostei da forma como o seu texto, mesmo com um limite apertado de palavras, conseguiu fechar um ciclo, mostrando a vida do personagem no final e no início. Da mesma maneira, achei que o toque de colocar o livro de Borges como o catalisador para aquelas memórias apagadas foi genial. Acho que, em parte, jamais doarei os livros da minha biblioteca particular porque, um dia, quem sabe, eu poderei ser o próximo Afonso Salvador. hehehehe
    Meus parabéns pelo seu texto!
    Um abraço

  8. Fil Felix
    16 de dezembro de 2016

    GERAL

    Esses loopings me dão um nó! Narrativa e conto muito bons, tranquilo de ler. Ambientação e personagens bem desenvolvidos, trabalhando a evolução da história aos poucos, sem atropelamentos. Um ponto de destaque é quando o protagonista se vê no outro, descartando as hipóteses de viagens no tempo, realidades se cruzando, e partindo pra uma definição mais racional do caso. Mesmo ao descobrir ser ele mesmo, sai dos clichês do gênero.

    O X DA QUESTÃO

    Gostei desses novos investigadores hackers, além de ter um personagem mais velho, também fugindo do homem de vinte e tantos anos inconsequente ou aquele com trinta e tantos na crise. O final é uma reviravolta, não imaginei onde daria. Só achei um pouco didático demais ao explicar sobre como funciona o looping do esquecimento e lembrança.

  9. mariasantino1
    16 de dezembro de 2016

    Olá!

    Deu um nó no meu cérebro essa história de gatilho. Gostei demais de imaginar isso, essa lacuna de “felicidade” (ou maldade mesmo) dando um loop eterno na vida do rapaz. Gostei da narrativa pausada, das cores e sensações e nossa, imaginar essa trama aí dá uma sensação estranha, incomodamente estranha. A invasão do Estado dá o tom do tema e não cobro mais, curti o conto da maneira que está. Essa construção aqui é boa “Contudo, como a torrente que aos poucos se acumula até estourar a represa, seus pensamentos subliminares passaram a pressionar sua própria sanidade.”

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 9,5

  10. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: é uma das melhoras técnicas empregadas até agora no desafio. A descrição do encontro no começo cria um suspense agradável, que se sustenta na boa escrita. Esse conto prova que não é necessário criar diálogos para se ter uma boa narrativa. O fluxo de pensamentos supre muito bem essa função e nos mantém inseridos na mente do protagonista do início ao fim.

    Criatividade: esbanja-se aqui, com o protagonista em um clico infinito de autodescoberta, engatilhado pelo livro que tanto lhe agrada. Ver-se no outro não é apenas uma distração da mente ou um requinte de crueldade, pelo meu entendimento, é um escape para a falta de propósito da vida que o protagonista leva.

    Carisma: como disse, é uma leitura muito agradável, parte pela boa história criada, parte pela técnica impecável com que é regida.

    Parabéns e boa sorte.

  11. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Cara, que conto incrível! São tantas referências que precisar dar uns google, hehehe.
    O conto tá lindo! Primeiro, escrita e estrutura tão excelentes. Tá fluente e gostoso se ler. O enredo conduz o leitor de forma agradável, e o desfecho é excelente (precisei ler e reler).
    Pelo que entendi, o Daniel nem existia, o livro era o gatilho que disparava as memórias da juventude de revolução, mas quando tudo vinha à tona, ele tinha novamente a memória alterada pelo Estado, até chegar a uma nova percepção, e tudo se reiniciar.
    Aliás, parabéns até pelo título, que ajudou a compreender o desfecho.
    Quanto ás referências, peguei Dostoievski, com o Golyadkin, o médico e o monstro, e acho que devo ter deixado passar outras.
    Enfim, excelente, nota 10!
    Parabéns!

  12. Waldo Gomes
    15 de dezembro de 2016

    Muito bom, uma trama jóia de verdade, gostei muito.

    Bem escrito e conduzido com tranquilidade, uma excelente idéia, narrativa fluida muito a gosto dos filmes de suspense cult.

    Parabéns.

  13. rsollberg
    15 de dezembro de 2016

    O Gatilho de Borges (Aleph)

    Caro (a), Aleph

    De imediato a história me lembrou duas coisas, a primeira uma frase do Churchill; “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. E a segunda, foi o conto do Edgar Allan Poe, “William Wilson”.

    Bom, primeiramente, o título foi uma ótima sacada. Não entrega nada e complementa o conto ao final.

    Afonso (o salvador?) é um personagem bem construído, um burocrata que acompanha os dados e cruza informações. Sua rotina no escritório foi bem detalhada, criando uma imagem bem nítida para o leitor.
    A agonia sentida pelo protagonista ao se observar é absolutamente palpável, em razão da competência do autor em descrever as ações. Aliás, as ações do texto são muito bem elaboradas, destaco essa como exemplo: “Por um momento, fitou a imagem sem reação. Contraindo as sobrancelhas, passou a mão sob o queixo, cofiando uma barba inexistente. Fechou a imagem e voltou a conferir a ficha que havia acessado: Daniel Goliadkin, nascido há 23 anos. Abriu a foto novamente. Milhares de pixels se uniram para construir a mesma imagem. Deteve-se, a respiração suspensa. Examinou com vagar os olhos do rapaz, o nariz e o queixo quadrado e protuberante.”

    A divisão do texto também foi bem realizada, e aqui a ordem cronológica adotada funcionou.

    Outrossim, o texto é repleto de boas referências como Borges e Thomas Hobbes.
    O desfecho é ótimo e conclui de maneira sublime a trama. Um final engenhoso e instigante.

    Certamente um dos melhores contos do desafio.
    Parabéns e boa sorte!

  14. angst447
    14 de dezembro de 2016

    Olá, autor!

    Antes de mais nada, esclareço que não levarei em conta a adequação ou não do conto ao tema proposto. Não me considero apta para tal.

    Pequenos lapsos de revisão:
    procurava não se preocupava com > procurava não se preocupar com
    para contra a companhia > contra a companhia
    Ao levantar-se > não chega a ser propriamente um erro, mas AO funciona como partícula atrativa do pronome SE > Ao se levantar …

    O conto está muito bem escrito, com linguagem clara e fluida, sem entraves que atrapalhem a leitura. Imagens interessantes costuradas com maestria na trama.

    A ideia do clone, da cópia mais jovem do personagem, ficou bem bacana. O suspense prende a atenção do leitor. E o desfecho ficou perfeito.

    Boa sorte!

  15. Amanda Gomez
    14 de dezembro de 2016

    Olá, Autor.

    É legal quando a gente termina de ler um conto e vê a clara referência ao título. Gosto quando os autores fazem isso.

    Seu conto é muito bom, o começo um pouco lento, apático tal como a vida do personagem, mas aos poucos as informações vão surgindo, aparece o mistérios, as dúvidas. Um quebra cabeça que vai se juntando aos poucos e entendemos que é necessário essa abordagem mais detalhista dos fatos.

    Gostei do enredo, do plot twist no final, de acompanhar essa descoberta e procura de respostas de Alfonso Salvador.

    Depois que sabemos o que acontece com ele – vítima de um procedimento para abafar seu espírito revolucionário. Passamos a entender a dimensão do mundo como é, da tecnologia, indagamos quantos mais sofrem a mesma interferência.

    Ter apenas um vislumbre do que foi, do que é…viver um personagem que foi criado para ele – E enfim o gatilho que o faz retornar sempre para aquele ponto em que descobre quem é realmente. Não entendi algumas referências, mas seja como for elas enriqueceram o enredo.

    É uma história bem contada e escrita. A narrativa e instigante, as descrições ajudaram muito na composição do personagem e do ambiente. Gostei bastante!

    Parabéns pelo conto, sorte no desafio.

  16. Leandro B.
    14 de dezembro de 2016

    Oi, Aleph.

    Um conto muito bem escrito. Não conhecia a história do Dostoievski, então tive que googlear para entender a referência. O ritmo da história é muito eficiente e a proposta do conto é bem intrigante.

    Não acho que se adeque muito ao tema, mas a essa altura já não tenho muita certeza sobre boa parte dos contos.

    Escaparam algumas coisas na revisão, listei abaixo:

    “Em verdade, Afonso Salvador procurava não se preocupava com as consequências.”
    Preocupar

    “aumentou o volume para escutar a conversava do casal”
    Conversa

    “que os planos que vinha arquitetando para contra a companhia telefônica,”
    Suprimir o para

    “Diria a ele ouvisse o chamado do oceano”
    Faltou o ‘que’

    Enfim, parabéns pelo ótimo trabalh

  17. Pedro Luna
    14 de dezembro de 2016

    Gostei. Infelizmente terminei o conto sem entender totalmente o que se passou. O penúltimo parágrafo explicou a situação do implante que o fazia ver o passado, e achei muito legal, mas fiquei boiando na motivação de ele ser preso. Preso por ter julgado ter visto ele mesmo no futuro? E como a polícia soube disso? Realmente fiquei sem entender. foi mal..kk. Na minha opinião, o final ficou um pouquinho corrido, provavelmente por causa do limite, mas justo no momento das explicações, o que atrapalhou o todo.

    Porém, o conto tem um tom misterioso muito bem orquestrado, e deixa o leitor com vontade de avançar. Por isso, no geral, eu gostei muito.

  18. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado Aleph, aqui estão as minhas impressões:
    PREMISSA: o texto mais reflexivo (literalmente) do desafio. Um encontro com seu outro, num ambiente opressor e cinzento. Puro punk realista-fantástico.
    DESENVOLVIMENTO: a história é muito bem desenvolvida, e mantém a atenção da leitura até o final.
    RESULTADO: um conto muito bom, que se destaca dentre os outros do desafio pelo viés da erudição e do domínio narrativo.

  19. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Mesóclise: faria-lhe = far-lhe-ia. Frase: Afonso Salvador procurava não se preocupava, o correto seria: Afonso Salvador procurava não se preocupar,. Sobre o conto: Um enredo inusitado e intrigante. Escrito corretamente. O velho estado interferindo de uma maneira surreal na individualidade, mais que programada. Nota 9,0.

  20. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Estamos diante de uma história 0,00% X-Punk. Nenhuma, desta vez nenhuma característica do gênero está presente. Mas é uma história bastante boa, até curiosa, que se destaca entre as outras devido à força que faz para ser inteligente. Não é totalmente bem-sucedida, mas tem seus bons momentos. Aliás, o simples fato de uma história tentar muito ser inteligente já mostra que não vai conseguir, senão não precisaria tentar. O conto se chama “O Gatilho de Borges”, e o pseudônimo do autor é “Aleph”, nome de um conto famoso de Borges, podemos então esperar um tsunami de referências ao grande estritor argentino, o que de fato acontece. A história é sobre um tal de Afonso Salvador, que trabalha para o governo como analista, cargo que na verdade corresponde à investigador ou algo assim. Claro que essa palavra, “analista”, deve ser interpretada em mais de um sentido, sendo uma referência a psicanálise. O Analista é obceca por um livro de Jorge Luis Borges, El libro de Arena. Esse livro tem um conto, “El Otro”, que fala de um homem que conhece a si mesmo mais jovem, o que vai acontecer também no presente conto, que é uma releitura daquele. O duplo mais jovem, Daniel Goliadkin, mora em um edifício chamado Stevenson, uma referência, é claro, a Robert Louis Stevenson (1850 – 1894), famoso autor de “Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde”, outra história de homem que tem um duplo… Essas e outras referências, inclusive as que eu tenha deixado passar, mostram que o autor quis passar erudição e inteligência, às vezes passando do ponto, como neste trecho que beira até o ridículo: “Afonso Salvador não teve muitas dificuldades para logar-se no sistema de transmissão eletromagnética que desaguava naquele prédio.” Sistema de transmissão eletromagnética? Não seria melhor simplesmente dizer “Rede” ou “Wi-Fi”? O conto termina com uma citação de um trecho do conto “El Otro”. Isso me desagradou um pouco: um conto que termina com uma citação de outro em vez de algo próprio, não me pareceu uma ideia que enriqueceu a narrativa, muito pelo contrário. No fundo, foi só uma história de governo opressor que gosta de matar, torturar e apagar a memória das pessoas, com toques surrealistas gratuitos. Mas não foi ruim, achei um bom conto, em si mesmo um tanto vazio, mas cheio de referências interessantes. Parabéns, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  21. Rubem Cabral
    13 de dezembro de 2016

    Olá, Aleph.

    Gostei do conto. Tem uma atmosfera bacana, lembra um pouco “Brazil, o filme” ou Dark City. A escrita é bastante boa e há pouco por acertar, feito na frase onde um verbo a mais “vazou”: “Afonso Salvador procurava não se preocupava…”.

    Acho que há espaço para algumas melhorias. Por exemplo, não vejo o pq de usar o título do livro do Borges no original em espanhol. Leitores brasileiros entenderão melhor como “O livro de areia”. Contudo, poucos entederão a referência ao Robert Louis Stevenson.

    Penso tbm que o espaço reduzido do texto forçou o autor a um parágrafo que explica tudo (Pondo-se em pé, deu-se conta de que naquela noite, julgando ter encontrado a versão futura de si mesmo…), ao invés de se buscar uma solução mais orgânica e integrada ao conto.

    Há alguns elementos cyber, mas o conto parece algo diferente, tipo um retrocyber ou algo assim.

    Nota: 8,5.

  22. Anorkinda Neide
    11 de dezembro de 2016

    Olá!
    Bem, tô achando que todo mundo fugiu dos punk e fez FC, mas devo estar redondamente errada. pq pela minha avaliação, eu tb fugi dos punk.. rsrs embora nao fosse intencional.
    Vamos lá.. o conto é perfeito. As frases perfeitas. O segundo parágrafo é uma aula de como se fazer uma descrição com um tom poético, claro e fluido. Meus parabéns!
    A conclusão da história tb é fabulosa, fechando o conto em si mesmo sem nenhuma mácula. (eu acho) Aula. vc deu um aula, acho q de novo, como noutros desafios hehe
    Mas tem um porém, nao me cativou muito, achei o personagem sem brilho, a moça tb, muito apagadinha, talvez isso insira-se no fato de q sao lembranças quase q automáticas e temporárias, explica, mas não justifica…
    Mas o texto é tão perfeito que eu fico com dó de não ter gostado mais, com mais força..
    É isso, abração e boa sorte!

  23. Bruna Francielle
    10 de dezembro de 2016

    Tema: Estou meio na dúvida..Até houve um princípio de rebelião,mas pelo que entendi no fim, ele era o próprio Daniel. Ah, ele já foi um “punk”, mas foi parado.

    Pontos fortes: – descrições muito boas e elusivas, ricas em detalhes, sendo possível visualizar precisamente o que era descrito
    – Talvez o próprio enredo, se pelo que entendi, no fim das contas, ele tinha um vislumbre do passado quando lia o livro, e Afonso era Daniel. Ele via ele mesmo no passado, antes de ter sua vida mudada pelo Estado
    – A história dá pistas que não são impossíveis de serem entendidas no fim
    – logo na primeira cena, gera-se curiosidade, interesse em prosseguir na leitura
    – falou bastante sobre a vida do protagonista, como o quanto a vida dele era vazia pelo trabalho e nem sequer conhecia os colegas
    – domínio do português

    Pontos fracos: – apenas uns erros de digitação.. como “Afonso Salvador procurava não se preocupava”

  24. Marco Aurélio Saraiva
    10 de dezembro de 2016

    Que conto!

    Me prendeu até o fim. Uma história bem original e criativa. E que escrita! Um texto perfeito, com belas construções e uma narrativa cheia de detalhes interessantes. Tudo foi bem construído: a ambientação; os personagens; os cenários. Até a tensão que Afonso sentia ao perceber, pouco a pouco, que Daniel era ele mesmo.

    Que crueldade a pena que ele levou! Não sei se foi proposital, mas o conto, para mim, deixa em aberto o que realmente aconteceu com Afonso e Daniel. O que entendi foi que, como pena por sua rebeldia, ele foi “reprogramado” e passou viver um loop onde, sempre que terminava o livro de Borges, tinha a oportunidade de assistir a si mesmo no passado, cometendo os mesmos erros.

    O conto viaja por um clima melancólico, que dá lugar a um clima de suspense e tensão, para voltar a melancolia da rotina pré-programada de Jorge. Tudo com muita originalidade e escrito com maestria. Gostei muito de ler esse texto. Parabéns mesmo!

    Destaquei dois trechos excelentes abaixo:

    “Sentava-se quando as mensagens começavam a rolar instantaneamente na tela, os caracteres esverdeados se esparramando em busca de atenção.”

    “Abriu a foto novamente. Milhares de pixels se uniram para construir a mesma imagem.”

    Boa sorte!

  25. Jowilton Amaral da Costa
    10 de dezembro de 2016

    Um bom conto. Bem escrito e nos faz refletir sobre o escrito. Eu imaginei um homem que gostaria de mudar a vida, mas, resignado com o cotidiano desiste na última hora. Muito mais fácil viver tranquilo, sabendo como o dia vai começar e acabar, do que viver o desconhecido, acho que foi isso que a personagem pensou. Contudo, podem ter outras interpretações do texto. Acho que fiquei com a mais simples. Boa sorte no desafio.

  26. catarinacunha2015
    9 de dezembro de 2016

    Ai, que beleza de primeiro parágrafo! Aí dá gosto de ler. Quem escreve conto no século XXI tem que dizer a que veio logo na porta, não pode esperar ser convidado para entrar e sentar para um café.
    O punk passou longe, como um pingado. Mas a realidade alternativa ficou impregnada na minha mente. Gosto muito do efeito loop infinito. Embora executado com maestria, o (a) autor (a) não ousou sair de sua zona de conforto, logo nada punk.

  27. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    História muito bem montada, a trama vai e chega ao ponto de partida, nós percorremos esse percurso, sempre seguindo a leitura atentamente pois o texto consegue, facilmente, reter o nosso interesse. Muitos parabéns. A técnica não é original mas resultou muito bem neste conto, e isso é que é importante.

  28. Evandro Furtado
    8 de dezembro de 2016

    Gênero – Good

    Gostei de várias coisas que o autor inseriu no conto, em particular um clima meio noir, tanto na ambientação como na narrativa.

    Narrativa – Good

    O autor é muito competente em suas descrições ainda que, creio eu, poderia ter investido mais no discurso livre indireto para desenvolver melhor o personagem.

    Personagens – Average

    Creio que faltou conexão leitor-personagem. O conflito não foi forte o suficiente para gerar empatia.

    Trama – Good

    Ainda que a premissa seja muito interessante e a execução decente, poderia-se alcançar níveis mais altos. O destaque vai para o caráter circular da trama que é explorado tanto na forma quanto no conteúdo.

    Balanceamento – Average

    Um conto interessante que, no entanto, não atinge todo o seu potencial.

    Resultado Final – Average

  29. Fabio Baptista
    7 de dezembro de 2016

    Texto muito bom, história interessante, muito bem contada.
    Puxou (bem) mais para o lado da distopia do que do punk, na minha opinião. Mas a maior parte dos contos do desafio seguiu esse caminho e quase não estou considerando adequação ao tema.

    A trama me lembrou Minority Report, quando o Tom Cruise vê o nome dele como o próximo assassino. Esse plot consegue prender bem a atenção. Também, e principalmente, desperta uma bela reflexão sobre “o que você diria a seu eu do passado?”, ou ainda “o que seu eu do passado diria a você se te visse agora?”.

    – procurava não se preocupava
    >>> preocupar

    – tão-somente
    >>> aqui é mais curiosidade: não fazia ideia sobre esse hífen. Pelo que vi (pesquisei em apenas um site), não tem mais no novo acordo ortográfico.

    – (…) passou a se dissolver em cores elípticas (…)
    >>> Alguns trechos passaram um pouco da conta no rebuscamento

    – Diria a ele ouvisse o chamado do oceano
    >>> faltou alguma coisa aí nessa frase

    NOTA: 8,5

  30. Davenir Viganon
    7 de dezembro de 2016

    Olá Aleph
    Não sei até onde vão as referências dos contos do Borges, pois nunca li nada dele [shame on]. Mesmo assim, o conto funcionou comigo. A trama simples do homem que encontra outro igual e mais jovem foi bem envolvida pela tua narração que me despertou a curiosidade. O clima noir me pegou também. O suspense foi excelente. O uso de programas para traçar perfis na internet me inspirou num conto que escrevi num desafio aqui chamado “Órbita Vermelha”.
    Gostei bastante do resultado.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Apesar de vir aqui dar dicas, teu conto me lembrou um autor que eu que tenho que ler ainda, o Borges. Philip K. Dick foi chamado de “Borges americano” pela Ursula Le Guin. Enfim acho que um conto que você gostaria, caso não conheça, é “Podemos recordar para você por um preço razoável”, pois assim como teu conto
    fala sobre a identidade, no seu conto, o personagem a vê fisicamente em outro homem e nesse conto, mostra o que aconteceria a nossa identidade se manipulássemos livremente nossas memórias.

  31. Eduardo Selga
    6 de dezembro de 2016

    Uma das características do discurso do insólito pós-moderno na literatura (dentro do qual se incluem o fantástico, o realismo mágico e estéticas similares), é seu horizonte relativamente estreito de temas, o que exige do autor grande versatilidade, de modo a seu texto não parecer requentado.

    O duplo é um desses temas, apesar de, assim como qualquer outro, não ser exclusividade do insólito. É muito comum, e não há antologia abrangente que não inclua contos com essa perspectiva. Aliás, para quem acha que fidelidade ao tema é fundamental (e eu não concordo com isso, por razões que não cabem aqui), entendo que “O gatilho de Borges” não se insere majoritariamente no punk, e sim no insólito, em sua modalidade literatura fantástica. A questão é: no conto o que fala mais alto? É o aspecto punk, representado pela eliminação da cidadania como método de punição, ou a existência do duplo? Em minha opinião, o segundo aspecto.

    O conto é uma evidente homenagem ao escritor argentino Jorge Luis Borges, o que perpassa toda a narrativa, do título à citação final, pertencente ao conto “O outro”. Situado em algum ponto futuro, perceptível pelo domínio quase absoluto do Estado sobre o cidadão, a continuada presença de um “[…] encanecido livro de Jorge Luis Borges […]” sugere que a obra ou o estilo do autor funcione como um detonador (o “gatilho” do título) da situação vivida pelo protagonista, que pode ser um tipo de alucinação. E aqui lembro a existência , no citado conto de Borges, de uma passagem na qual o personagem atribui ao cansaço a sensação de já ter vivido a situação em que se encontrava. No caso do protagonista deste conto, ele trabalha sob pressão contínua de um Estado policialesco, o que enseja exaustão psicológica. Outra possibilidade, ainda dentro da ideia de alucinação, é o livro ou o estilo borgeano abrir uma espécie de janela para o passado: o personagem enxerga algo distinto daquilo que efetivamente ocorre diante de si. O encontro sob a chuva com o personagem, seu suposto duplo, pode ter sido efeito disso.

    Está óbvio que o autor domina muito bem as técnicas narrativas usadas no conto. Por isso, no trecho “em verdade, Afonso Salvador procurava não se preocupava com as consequências” há um erro de revisão que fez sobrar uma palavra, possivelmente PROCURAVA.

    Em “[…] denunciava uma estranha predileção por desenhos animados dos anos 1930. Não obstante, o conteúdo era relevante […]”, o conectivo NÃO OBSTANTE foi usado equivocadamente. O termo significa APESAR DISSO, mas esse significado não se encaixa como ligação das duas orações em questão.

    Em “paciente, ajustou fones de ouvido sobre a cabeça e aguardou […]” a palavra SOBRE não parece cabível, caso contrário o personagem não conseguiria ouvir.

    Em “[…] até dar-se conta de que jamais poderia mudar o status quo e por fim alinhar-se a quem combatia” entendo haver uma ambiguidade. É que ALINHAR-SE A pode significar TRAIR ou, ainda, pode ser JUNTAR-SE A OUTRA PESSOA OU GRUPO que também combata o Estado. Pelo contexto do conto, é possível identificar o significado desejado, mas a construção textual apresenta debilidade.

    Coesão textual: poucos erros, mas prejudicam o texto.

    Coerência narrativa: as partes dramáticas estão devidamente amarradas, e os vários erros de coesão comprometerem a coerência.

    Personagens: o protagonista é complexo e bem construído.

    Enredo: bem alinhados dois aspectos que poderiam chocar-se no resultado final: o tempo mais antigo representado por Borges, com sua lentidão, e a velocidade do mundo digital. O fato de o conto ser inspirado em “O outro” não fez dele uma paráfrase, ao contrário, tem vida própria.

    Linguagem: sem objeções, o discurso do insólito é muito bem manejado.

  32. Sick Mind
    6 de dezembro de 2016

    Não sei se classificaria como um postcyberpunk ou um nowpunk. O texto ficou muito bom, um dos melhores, provavelmente. Pode não ser um enredo muito original, mas ficou bastante adequado a temática “X-punk” do concurso. Colocar referência a Borges foi uma ideia interessante. O final ficou bem amarrado. A única coisa que não gostei foi a repetição dos nomes, só Daniel Goliadkin aparece 19 vezes…

  33. Priscila Pereira
    4 de dezembro de 2016

    Oi Aleph, gostei muito do seu texto, muito gostoso de ler, bem escrito, uma ideia muito boa, assustadora… sabe que eu já havia imaginado se as tvs poderiam estar nos mostrando para “alguém”… achei muito interessante. ótimo trabalho. Parabéns!!!

  34. Pedro Teixeira
    4 de dezembro de 2016

    Gostei bastante do conto, trabalha com aspectos da mente humana de uma maneira inteligente que lembra Philipp K. Dick: supressões e implantes de memória, gatilhos…É uma trama instigante, bem escrita, sem grandes construções mas eficiente. O ambiente da sala de Salvador é claustrofóbico, asséptico e impessoal na medida certa. Interessante a forma como o texto brinca com a realidade e a percepção dela. Há repetições excessivas do nome “Daniel Goliadkin” e a frase “procurava não se preocupava com as consequências passou batida na revisão, mas tirando isso um bom conto que realmente traz elementos punk, talvez proto-punk, hehe.

  35. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Aleph,

    Tudo bem?

    Não sei se o seu conto é Punk ou não. Não sou especialista no assunto. Também, durante a leitura, encontrei pequeninos lapsos de revisão. Coisas bobas que, provavelmente escaparam em seu segundo tratamento, ou algo assim. No entanto, para mim, seu texto merece um imenso 10. Provando que, uma boa história, se sobressai a qualquer outro critério de avaliação.

    Adorei a premissa, o desenvolvimento da história em si, a fluência de seu texto, o desfecho, tudo. É O tipo de trabalho agradável de se ler. Instigante.

    O tema toca nas escolhas que fazemos na vida e em nossa possibilidade ou não, de consertar os estragos que cada caminho errado ou certo pode nos causar. O que você escreveu vai muito além da realidade fantástica.

    Parabéns por seu belo trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannnini

  36. tatiane mara
    1 de dezembro de 2016

    Sinistro. Bom até. Gosto dessas coisas meio reveladas, meio escondidas.

    Bem escrito e contagiante. Sem reparos.

  37. Fheluany Nogueira
    30 de novembro de 2016

    De certa forma, muitos dos contos desta edição estão inspirados em “1984” de Orson Orwell, em que o Estado/Big Brother controla até a intimidade dos cidadãos, tudo pode e tudo vê. Gostei muito desta releitura, em que o “recuperado” é castigado ou premiado com visões do passado. A política está aqui trabalhada sem parecer um panfleto ideológico.

    O texto está dentro da proposta; choca entender qual a situação do personagem, que é bem construído. Não notei problemas gramaticais maiores. A citação de Borges enriqueceu a trama e explicou o título. Parabéns pelas ideias. Abraços.

  38. Brian Oliveira Lancaster
    29 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Excelente. Clima noir aliado ao cyberpunk, mais uma “quase” viagem no tempo. Como não gostar? – 9,0
    R: A trama transcorre de forma genial, com os mistérios se sobrepondo pouco a pouco. Quase previ que o autor voltaria à cena introdutória, o que é uma jogada bastante esperta. A pessoa que escreveu gosta bastante de literatura, pois os nomes remetem à livros e autores reais. Toda a atmosfera de detetive permanece, mesmo após o final indefinido (houve mesmo viagem no tempo? Clonagem?). Neste caso não sei se gostaria de saber a resposta. – 9,0
    E: Começar pelo fim, com uma cena que chama a atenção pelo cenário construído, foi uma bela sacada. A leitura flui sem problemas. As divisões foram bastante acertadas. – 9,0
    M: Notei apenas um verbo incorreto na frase “Afonso Salvador procurava não se preocupava com as consequências.” (preocupar). Fora isso, é uma escrita bastante madura, sem tropeços, segura de si. – 9,0
    [9,0]

  39. olisomar pires
    27 de novembro de 2016

    Muito, muito bom o conto. Bem escrito, fluido, envolvente. O final do conto não surpreendeu pois havia duas possibilidades mais óbvias: 1. ser uma ilusão ou 2. ser uma manipulação.

    O autor escolheu a segunda que não é ruim, apenas comum. O que não tira o mérito da escrita.

    O controle da população faz seu papel no texto, assim como o personagem manietado.

    Boa sorte.

  40. Zé Ronaldo
    27 de novembro de 2016

    Texto sublime. Realmente idêntico à escrita borgiana, mas me recordou muito, também, as espirais de Cortázar.
    Texto tão fluido quanto a garoa que caía no conto. Fácil leitura, corre sozinho, direto para o mar.
    Ideia magistral, bem trabalhada. Trabalho elaboradíssimo.
    Personagem fortíssima e marcante, características psicológicas viris e fortes. Ótimo trabalho de criação.
    Trama bem trançada, texto enxuto, conciso. Finalização plena e perfeita.
    Um texto sem diálogo nenhum mas de uma facilidade de leitura soberba.
    Texto deliciosíssimo de se ler.
    Parabéns a(o) autor(a).

  41. Dävïd Msf
    27 de novembro de 2016

    george orwell não havia previsto a influência de hackers em seu sistema de controle, que aqui aparecem claramente! influência muito interessante numa história que, a priori, seria bem previsível… 😀

  42. Evelyn Postali
    26 de novembro de 2016

    Oi, Aleph,
    Gostei muito do seu conto. Nossa… Acho que seria muito cruel ser condenado a perceber-se preso a um laço de tempo determinado. Eu li O Livro de Areia do Borges. Tem uma relação bem direta com ele, esse conto, porque o personagem vê algo precioso que possuía e que perdeu e quer mudar o que aconteceu e não pode. O medo da perda de algo valioso, no caso do seu conto, a liberdade, e o receio da condenação a ver essa liberdade esvair-se de tempo em tempo.
    Tem algumas palavras intrusas, deixadas pela revisão. Nada ruim que atrapalhe.
    Parabéns pelo conto.

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Publicado às 25 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .