EntreContos

Literatura que desafia.

Café (Catarina Cunha)

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Antes de pensar o dia perguntei-me se haveria outra noite suficiente para alimentar todas as bocas estelares. A mudez solar sepultou todos os meus pensamentos óbvios na cova rasa da imensidão galáctica.

Vácuo no corredor.

Meteórico.

Foda.

Odeio o dia começar assim da mesma forma que terminou.

A cafeteira me inferniza com questionamentos domésticos recheados de rotina maternal. Sofro as lamúrias depressivas das marés, como se não bastasse o que tenho que assistir inerte.

Suporto o beijo do aroma do que odeio amar.

Fé e mar.

Café.

Saudade do que nunca se é

Foda.

Odeio o dia começar assim da mesma forma.

O movimento de rotação me embrulha o estômago e sucumbo ao tédio de goles homeopáticos de translação. Não há latitude suficiente para aplacar a longitude de minha desesperança com tantas certezas absolutas. Obtusas, contra ou pró.

Sempre profundo.

Mundo foda.

Odeio o dia começar assim.

Dou corda na engrenagem alimentando os ventos antes que a violência indomável me jogue os indefesos ao colo. Não sei até quando conseguirei fazer café assistindo essa máquina faminta devorar as próprias entranhas. Precisaria ser mais do que o gelo sobre a febre para cumprir minha missão.

Ficção.

Karma é foda.

Odeio o dia começar.

A cada movimento feroz procuro nos meridianos as causas catastróficas de tão vil existência. Mas não há cálculo infinito possível de resolver equação tão complexa quanto à inexatidão.

Insisto.

Esperança é foda.

Odeio o dia.

Cracas e mais cascas se acumulam sobre meus ombros varrendo minhas forças para a vala do buraco negro. Lá de onde vim, mas nunca entrei. Vejo o fogo consumindo a razão e os dedos das florestas me agarrando.

Deslizam e voam de mim.

Perda é foda.

Odeio.

Ser Terra,

Mas cá tenho café.

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47 comentários em “Café (Catarina Cunha)

  1. catarinacunha2015
    20 de dezembro de 2016

    Muito obrigada por todos os comentários e, para os interessados, os bastidores de Café: Depois de ler vários contos atuais de FC, pincelados e/ou modernamente interpretados como punk, não me identifiquei e resolvi enveredar pela origem, a essência punk: a inconformidade, o vazio, a revolta pela impotência e ignorância. Café nasceu de uma pesquisa profunda sobre a natureza da revolta humana. De Albert Camus (O homem revoltado) à Sid Vicious. Pensei no personagem mais ferrado e impotente possível: a Terra, desde os primórdios até os dias de hoje. Inicialmente com o texto gordo (2,3 mil palavras), foi preciso uma dieta rígida, cortei todo o carboidrato (as explicações), a proteína trans (cenas de ação imberbe) as frituras (os clichês). Resisti ao desejo de ser deglutida facilmente e deixei o prato “ao dente”. Sobrou 290 palavras suadas e, para alguns, indigestas. Mas o prato está servido. Original, com minha essência e visão punk do mundo. O Café? Apenas uma dose de esperança.

  2. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐▫▫▫▫): desculpa, mas apesar da beleza das escolhas das palavras, não encontrei nem um fino fio da trama para me apegar. E olha que gostaria bastante de encontrá-lo.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): uma bela poesia, mas mesmo em poesias, eu gosto de entender o que está acontecendo e não foi o caso. Eu não devo ser o público-alvo desse texto ou estou perdendo alguma coisa que não consegui abstrair.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): muito difícil avaliar criatividade sem entender. Ganha pontos pela ousadia em mandar esse estilo de texto para o desafio.

    🎯 Tema (▫▫): Não tem nada de X-Punk nesse texto.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei da cadência do texto e do uso das palavras, mas ficaria mais feliz se tivesse entendido o contexto. Quem era, pelo maldito último átomo que sobreviverá ao fim do universo conhecido, o narrador o que que ele disse tem a ver com café!?!?

    ⚠️ Nota 6,0

  3. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Bem, creio que você tenha tentado, mas faltou mais pesquisa. E acho que isso deve, sim, ser levado em conta, visto que muito foi debatido sobre o tema e o desafio é isso, escrever conforme a temática. Creio que tentou, mas não deu. Além disso, escreveu em forma de poesia, ao menos não dá para chamar de texto narrativo, tenho muitas dúvidas se é possível chamar de conto. No meu entendimento, não. Achei que houve muitas repetições, o que não é lá muito interessante em texto narrativo, diferente do que acontece em um texto com estrutura de poema, né? De qualquer forma, foi corajoso(a). Boa sorte!

    • Bia Machado
      17 de dezembro de 2016

      Lendo os comentários dos colegas que souberam apreciar seu texto me senti muito fria com esse comentário que deixei aqui, Catarina! Desculpas, viu? Eu devia ter me esforçado mais em procurar suas intenções com o café… Valeu como aprendizado, pra mim, de não escrever comentário a partir de uma primeira impressão, ainda mais em textos tão subjetivos quanto esse. Mas uma coisa reitero: parabéns pela coragem! Não é pra qualquer um(a) não! Te admiro muitíssimo!

      • Catarina
        20 de dezembro de 2016

        O que é isso, Bia? A primeira impressão é importantíssima em um texto. Quem escreve subjetividade corre sempre o risco de uma leitura objetiva. Agradeço.

  4. Leandro B.
    16 de dezembro de 2016

    Oi, Sid.

    Tenho tremenda dificuldade com linguagem poética. Não entendi coisa alguma do texto, e as interpretações que construo descarto logo.

    Bom, mesmo entendendo nada, li certa vez que poesia precisa de ritmo. E, por absurdo que pareça, senti um ritmo bastante claro durante a leitura.

    Enfim, parabens pelo trabalho. Muitos colegas apreciaram. E, se vale de algo, achei a leitura gostosa.

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    12. Café (Sid Nancy): Nota 5
    Amigo(a) Sid,
    Cara, não curti muito o seu texto.
    Foda.
    Achei que ele não se adequou muito ao tema do desafio.
    Por mais que essas dúvidas todas sejam assim – foda –
    não consegui ver nada de punk nas suas linhas.
    Ficção.
    Punk.
    Foda.
    Também gosto de café, e gosto de textos reflexivos,
    o problema é que o seu texto acabou reflexivo demais.
    Tipo um espelho de frente pro outro. Saca?
    Parece infinito,
    mas é apenas o espaço entre dois planos que se refletem,
    que são a imagem um do outro,
    mas que ao mesmo tempo não são imagem nenhuma em si mesmos.
    Imagem nenhuma. De nada.
    Profundo.
    Foda.
    Vou tomar um café.

  6. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Você escreveu um belo texto, mas totalmente fora do contexto do desafio. Achei legal colocar a Terra como narradora, pena que não se encaixou com tema. Desculpe pela nota baixa.

    Boa sorte.

  7. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: chega a me entristecer ter que descontar alguns pontos por inadequação ao tema e ao gênero, ainda mais de um trabalho tão bem feito. Por outro lado, o texto ganha pontos pela intensidade do sentimento e pelo cuidado com a palavra.

    Criatividade: nesse caso, é o chamariz principal. Percebe-se uma beleza assimétrica a cada verso, da narrativa ao ódio que, como sua própria frase, vai diminuindo a cada passagem, perdendo-se aos poucos até tornar-se ação por si só. Acho que é a primeira vez que leio a visão da Terra sobre si mesma de maneira tão forte.

    Carisma: esse seria, para mim, o texto mais cativante até aqui, o que mais me agradou. Isso só me faz odiar ainda mais ter que ser justo com os demais – pode tomar como um sincero elogio.

    Parabéns e boa sorte!

  8. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Cara, que ousado mandar um poema pro desafio! Parabéns pela ousadia, de cara.
    Não vou entrar na questão de poema ser ou não conto, sou da opinião de que o que o autor quiser que seja, será conto. Então não tô nem aí pros padrões que um conto deveria ter.
    Eu adoro poesia. Até arrisco uma ou outra de vez em quando, mas não com sua qualidade, rsrs.
    Gostei bastante. Fiquei um pouco confuso, e to até agora tentando digerir esse café pesado que você me fez tomar hahahah.
    Por último, fiquei pensando na forma como seu conto se encaixaria no tema, mas acho que nada mais punk do escrever o que quer, mesmo que fuja aos padrões esperados, né?
    Resumindo: gostei bastante, acredito que deva ficar na metade superior do ranking. Parabéns pelo trabalho!

  9. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado Sid Nancy, então seguem meus pitacos:
    PREMISSA: difícil de identificar. O autor se arriscou num texto de vanguarda, prosa poética com pouca prosa e quase sem poesia. Não achei punk, só desencantado. Poderia ser um libelo ecológico do planeta.
    DESENVOLVIMENTO: versos livres e soltos. Até demais.
    RESULTADO: sinceramente, não tem como comparar esse texto com os outros do desafio. Sem tirar o mérito do autor, mas é quase uma deslealdade colocar lado a lado com os outros.

  10. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Não sei precisar corretamente sobre esse conto porque não consegui entender perfeitamente a sua mensagem. Bem escrito, sem erros, concordo, mas não me conquistou. Nota 7,0.

  11. Jowilton Amaral da Costa
    13 de dezembro de 2016

    O texto é muito bom. Uma prosa poética e tanto, viajante e muito bem escrita. Mas, para mim não é um conto e nem se adapta ao tema. Não levará uma nota muito baixa, também não posso dar uma nota igual ou maior a outros textos que ficaram dentro do tema do desafio e que tem enredos bem elaborados, para mim não seria justo. Espero que entenda. Boa sorte no desafio.

  12. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao… conto? Não, pera aí… Tudo bem que alguém queira se fazer de inteligente, a pessoa mais esperta do mundo, mas acho um desrespeito isso que você fez. Os desafios literários, como este do Entrecontos, servem para nós exercitamos nossa escrita, criando histórias que comovam, provoquem e façam pensar. Comentamos os contos uns dos outros porque queremos ver onde podemos ajudar os colegas a melhorarem. E daí aparece alguém que se acha gênio e manda um poema péssimo e sem enredo. Acho isso um desrespeito total com os colegas que estão se esforçando, cada um deles, em criar a melhor história que puderem. Pode contar com meu zero, é garantido. Não vou te desejar boa sorte, porque não adiantaria nada. Até, e fique com meu poema.

    Café ruim.

    Coisa pior que o demo.

    Muito pior ainda é poema ruim,

    De quem faz poesia só porque não sabe fazer prosa.

    Tua nota é um zerinho mais redondo que uma tosca Terra protagonista.

    • Rsollberg
      17 de dezembro de 2016

      Que deselegante!

      • Renato Silva
        19 de dezembro de 2016

        Prefiro dizer: que escroto!

  13. rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    Café (Sid Nancy)

    Caro (a) Sid.

    O grande mérito deste pequeno grande conto é a forma! Óbvio que também tem conteúdo. Mas a frase se esvaindo é o melhor exemplo. Gaia depressiva e viciada.

    Não tenho nada para apontar. É um texto para ler duas, três, quatro vezes. Para aproveitar tudo, inclusive o que não é dito. O grande barato é que ele vai na contramão da maioria dos contos aqui do certame. Que bom que ele deixa espaço para o leitor viajar, e não cai na terrível tentação de ficar explicando tudo.
    Tem belíssimas frases, tem ritmo, tem café, tem tudo.

    Parabéns. Certamente um dos meus preferidos.

  14. Fil Felix
    12 de dezembro de 2016

    GERAL

    O formato mais poético é interessante e foge do comum, mas fica tudo muito subjetivo e passa a impressão de não haver algo realmente sendo contado. Uma história, propriamente dita. São devaneios e impressões nos sendo passados, de uma estética bonita, sim, mas que não me levam a algum lugar.

    O X DA QUESTÃO

    Não sei dizer se o conto está no X-Punk, já que não senti nem tanto da ficção científica. Me lembrei do filme 2001, que são imagens bonitas e soltas. O conto consegue me dar essa visualização, mas ainda não tanto no “X” da questão. Talvez no desafio do Cotidiano? Fica difícil de avaliar: não é um conto e não grita o tema, apesar de bonito.

  15. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    A meio da leitura parei e tive que vir escrever: Sucessão de frases soltas muito interessantes. Parecem, ao inicio frases soltas sem ligação, mas lendo muito atentamente dá para perceber as conexões. Um bom texto onde falta talvez a ligação ao tema, mas isso é o menos importante. Um belo texto poético, parabéns. Este texto foi o culpado por eu ter enviado o meu, após alguém ter falado nele no face, vim ler e, não sei porquê, senti-me obrigado a acabar o meu, por isso, muito obrigado.

  16. Eduardo Selga
    8 de dezembro de 2016

    O fato de “Café”, sem nenhum açúcar, ser um texto profundamente poético, não faz dele um poema. Digo isso, que não é nenhuma opinião pessoal e sim categorização feita pela área do conhecimento que trata da estética literária, para tentar dirimir a confusão que sempre se dá quando textos assim surgem nos Desafios, consagrados a contos.

    Poema é forma textual, portanto é um gênero.

    Poesia é conteúdo, e não se refere exclusivamente à palavra escrita.

    Poema se dá em versos e estrofes, rimados ou não. O seu conteúdo pode ou não ser poético, pois existem poemas narrativos.

    Poesia pode se manifestar em parágrafos, e o poético na prosa se dá muito mais numa relação inusitada entre ideias que numa articulação de palavras sonoramente impactantes.

    A construção de prosa com o “espírito” poético não é poema, na medida em que a forma é prosa: é, então, prosa poética ou poesia em prosa. Qual a diferença? Na primeira forma, os valores da prosa e da narrativa (enredo, personagem etc.) se sobressaem, não obstante o poético se manifeste fortemente; no segundo caso, a poesia salta aos olhos, obscurecendo alguns aspectos da narrativa, mas não a elimina.

    Nesse sentido, “Café” é poesia em prosa. E poesia não é necessariamente poema, torno a dizer.

    A presença de termos que se repetem regularmente não faz deles refrão ou estribilho, do ponto de vista formal, embora cumpram esse papel. Para que fossem, os termos anteriores teriam de ser versos, coisa que não ocorre. Assim, o que parece refrão é a conhecida anáfora da prosa, recurso algumas vezes usado nesse Desafio.

    Sendo poesia em prosa, é conto? Sem dúvida é uma narrativa, e alguns pressupostos do conto estão presentes, ainda que sem a nitidez e não ambiguidade que se costuma exigir do conto, quando compreendido na perspectiva do enredo. Para quem entende que o conto precisa contar uma estória, precisa dizer alguma coisa facilmente captável, “Café” talvez seja amargo (que trocadilho horrível…). E gostaria de lembrar que o enredo não é única pedra de toque do conto, é possível narrar a partir de outros focos, como o personagem, a linguagem e a ambientação, por exemplo.

    Quem é o personagem de “Café”? Acho que esse é o ponto fundamental do texto, na medida em que tal elemento, podendo também ocupar a função de narrador, define qualquer narrativa. A dificuldade de uma clara definição pode ensejar no leitor mais apressado a ideia de que ele não existe nesse conto, na verdade é um eu lírico. No entanto, já o dissemos, o texto não é um poema, por isso não pode haver eu lírico, e sim narrador ou narrador-personagem.

    Sim, mas quem é o personagem? Entendo ser o nosso planeta, mas no sentido de Terra –Gaia, ou seja, o planeta como um todo orgânico e vivo, não um grande pedaço de rocha mais ou menos redonda na qual existem formas de vida. Um ser pensante, à sua maneira, e que reage às agressões feitas e que, no caso do texto, está amargurado com sua própria existência no mundo, no sentido de universo (“o movimento de rotação me embrulha o estômago e sucumbo ao tédio de goles homeopáticos de translação”).

    Nesse sentido, preparar o café (“a cafeteira me inferniza com questionamentos domésticos recheados de rotina maternal”) é o amanhecer da Terra, metáfora do cotidiano fenômeno de rotação do planeta em torno do Sol, algo que incomoda à personagem do conto porque angustiada, como se pode ver em “odeio o dia começar assim da mesma forma que terminou”. Noite e dia, iniciar e terminar, para quem mergulhado nessa condição emocional, é rigorosamente a mesma coisa.

  17. Amanda Gomez
    7 de dezembro de 2016

    Nunca fui muito feliz nas minhas interpretações sobre poesias. Eu até tento, crio toda uma teoria, mas quando vou ver o resultado, não é nada haver com o que já é pré estabelecido pelos sábios de plantão.

    Não sei como reagir a esse ‘’conto’’, não sei se me interessa ou não, ele estar fora do tema, ter a estrutura correta de um conto ou essas questões burocráticas.
    A questão é que eu consegui visualizar, mesmo que de forma embaçada o ‘’enredo’’ por trás, ou talvez eu queira inventar um, só pra justificar o fato de que eu gostei dele, mesmo que provavelmente ele esteja no desafio errado.

    Em meio a frustrações pessoais ( por não ter conseguido mandar o meu a tempo, me arrumei pro baile, meu vestido rasgou e não tinha poha de fada madrinha nenhuma pra me ajudar) Estou meio chata com essa questão de tema. Se muitos se esforçaram para mandar algo dentro do que foi pedido, porque que outros postaram outras coisas, mesmo que excelentes, só pra não ficar de fora?

    Eu não sei, e na verdade não me importo. Gostei da sua poesia, automaticamente li em voz alta, o que sempre acontece quando leio poesia, mudei o ritmo da voz para pegar as rimas, e me vi declamando-a e querendo mais.

    Foda.

    Certo, parando com as indagações… eu consegui visualizar Sci-fi, na verdade chegou um momento que quase criei personagens e uma ambientação além das entrelinhas. Eu não sei quem é o narrador… não consegui identificar se tem alguma pegadinha ou coisas do tipo, embora eu acho que tenha. Algumas palavras típicas de sci-fi foram lançadas para demonstrar alguma verossimilidade, funcionou… e não funcionou.

    Eu simplesmente gostei da leitura, tanto que li várias vezes. Mas não sei como avaliar pro desafio. Vou escolher uma nota aqui, e mais tarde eu decido qual será.

    No mais, continue com suas prosas poéticas Punk… São ótimas.

    Sorte no desafio.

  18. Davenir Viganon
    6 de dezembro de 2016

    Olá Sid.
    O conto ou texto, [não importa muito] é bem gostoso de ler. Tem bom ritmo, porém ele pode até ser um refresco para quem não curte muito FC mas esse não é o meu caso.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Nunca é tarde para se encantar com o gênero da Ficção Científica. Então vou te recomendar uma leitura do conto, “Ah, ser um bolho!” porque há um drama bem humano com uma abordagem bem leve.

  19. mariasantino1
    5 de dezembro de 2016

    Oi, tudo bem?

    Então, gostei de grande parte do escrito. Vc exagera nas proporções e faz tudo caber em uma pessoa, ou melhor, num ser, rompendo com as possibilidades e realidades como só a poesia e o universo literário permite. Toda desesperança, aflição e tédio aí expostos foram absorvidos por mim como se eu fosse um guardanapo a limpar essa mancha aí que serviu como imagem.

    Infelizmente já imaginamos como o texto vai terminar, não terá uma trama com climax, diálogos e alguém para torcermos (não que isso seja obrigatório),mas encontramos reflexão (o que vale muito). O punk ficou na negação de aceitar a vida, a existência, e eu gostaria de ter curtido mais isso, mas a ausência de atitudes para gerar mudança me pareceu mais niilista que revolucionário.

    Enfim, gostei das reflexões, do clima, do fluxo verbal, mas esbarrei nos senãos acima citados.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 7

  20. Anorkinda Neide
    5 de dezembro de 2016

    Olá, autora! (suspeito q sejas mulher devido a palavra ‘maternal’ ali no meio do texto)
    Simplesmente maravilhosa esta prosa!! Salvei em meus arquivos pq isto é inspiração pura!
    Não sei quem vc é, mas já te admiro bastante! 🙂
    é uma pena nao estar nos conformes do desafio, mas isto pouco importa pois me presenteaste com uma das poucas maravilhas que já li por aqui!
    Obrigada!
    Abração

  21. Pedro Luna
    4 de dezembro de 2016

    O texto tem uma beleza poética que se destaca. No formato apresentado, também se sobressai o ritmo frenético que faz a leitura rolar fácil na barra lateral do computador. Infelizmente, é aquele caso de texto onde muito se esconde nas entrelinhas, ou possivelmente apenas na cabeça do autor. Eu não visualizei trama e por isso não consegui gostar. Me desculpe por não ter muito o que falar. Leitura fácil, mas faltou sentido.

  22. Sick Mind
    3 de dezembro de 2016

    Faltou um maior diálogo com a tecnologia. Parece mais um desabafo da rotina cansativa. Sendo uma prosa poética ou poesia, é complica julgar, pois abre um leque de interpretações. Deixo uma sugestão de como a poética influenciada pelo cyberpunk costuma fazer esse diálogo tecnológico: http://letrazcyberpunk.blogspot.com.br/

  23. Rubem Cabral
    2 de dezembro de 2016

    Olá, Sid.

    Primeiro parabenizo a você pelo atrevimento: um conto-poema em meio a um oceano de prosa.

    Contudo, devo dizer que fora a atitude punk do narrador, revoltado com tudo, há pouco dos estilos punks no restante do texto: o high tech/low life do cyberpunk, o retrofuturismo do steam, as pirações ecológicas do solarpunk, a fumaça do dieselpunk, etc.

    Até entendo que poderíamos ter aqui um novo x-punk, mas há também pouca trama além das lamentações do planeta-punk.

    Como a ideia foi interessante e a escrita foi boa, darei nota 6.

  24. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Sidy,

    Tudo bem?

    Você escreveu um conto LíricoPunk. Mais para lírico que para conto, mas, como diria Mário de Andrade, conto é tudo que o autor diz que é.

    Sua veia poética é incrivelmente boa.

    Como estamos aqui no clima punk, viajei enxergando o(a) personagem em uma capsula satélite orbitando a terra no marasmo dos dias, porém acompanhado de um bom e quente café. A cápsula, claro, é uma alusão a nossas próprias rotinas, repetidas à exaustão, dando voltas e voltas em torno do próprio “rabo”.
    Gostei.

    Parabéns por sua verve.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  25. Bruna Francielle
    30 de novembro de 2016

    Tema: Bem, aqui algo interessante ocorreu: o próprio autor decidiu ser o ‘punk’.

    Pontos fortes: a inovação; algumas frases foram bem metafóricas como esta: “Não há latitude suficiente para aplacar a longitude de minha desesperança com tantas certezas absolutas.”
    – O texto está muito bem ritmado.
    – Acho que o personagem é punk, sim. Se levar em consideração que punk seja ser revoltado.

    Pontos fracos: Ele é revoltado, sim, mas com o que? É aí que entra a falta de um enredo ‘punk’. O que vemos são divagações enquanto o personagem faz e toma o café. Ele está revoltado com a vida.
    Não sei se dá para considerar o quesito tecnologia, presente no gênero punk, como sendo representado pela cafeteira. E ainda, não há corporações, empresas, embates e perseguições, nem nada do que se esperaria de um conto punk (de acordo com meus estudos sobre o gênero). Quero dizer, eu gostei sim do conto, mas faltam elementos para o caracterizarem como um conto X-Punk.
    – algumas frases já não ficaram tão metafóricas assim. Na verdade, careceu-lhes algum sentido, como as duas frases iniciais.

  26. waldo gomes
    30 de novembro de 2016

    Bonito texto, mas acho que se enganou de desafio. Falo mais nada porque sou novato aqui.

  27. Pedro Teixeira
    29 de novembro de 2016

    Gostei do que vi aqui, apesar de minh dificuldade para enquadrar o texto como um conto – parece mais uma poesia – que possa entrar na categoria “x-punk” – não vi nada de steam, cyber, bio, ou outra de suas categorias Há ótimas sacadas e a prosa poética está muito bem escrita, com frases espertas. Assim, fiquei dividido.

  28. Gustavo Castro Araujo
    28 de novembro de 2016

    Este é um daqueles textos que, embora enxutos nos deixam a pensar por horas. Cada linha, cada parágrafo, tudo se concatena para fornecer um vislumbre de um devaneio certamente mais profundo do que aparente. A ponta do iceberg, se quisermos apelar ao clichê, não só do protagonista, mas de quem está lendo. Vi a mim mesmo preparando o café tendo à frente um vidro embaciado, de onde posso ver o mar, as marés de meus pensamentos indo e vindo, entremeadas pelo aroma que leva e traz pensamentos involuntários, permeados por um cansaço, por uma monotonia, por um enfado. Tá tudo uma merda, mas pelo menos o café está lá. Remanesce a esperança. Não quero entrar no mérito se o texto é conto, crônica, prosa poética ou o diabo. Faz pensar e isso, para mim, é que há de mais precioso em qualquer escrito. Não há ações mirabolantes, reviravoltas hollywoodianas, personagens de plástico. Até dá para enxergar algo de cyberpunk aí, com as metáforas espaciais e tal, mas é no mergulho no infinito da consciência que reside o inconformismo que traduz a cultura punk. Tive a sensação, porém, que mais poderia ser dito ou ao menos entrevisto. Pareceu-me que o autor preferiu ater-se a limites pessoais pré-definidos, evitando arriscar-se em outros sentimentos. De qualquer forma, é um trabalho diferente, ousado e, por isso, merecedor de aplausos.

  29. Marco Aurélio Saraiva
    28 de novembro de 2016

    Um belo poema. Bem interessante de ler e reler. Muito gostoso de refletir, reler e refletir um pouco mais. Uma leitura divina! Você escreve muito bem, não há dúvidas. Cada linha tem um significado, aberto a mil interpretações.

    Infelizmente não vi nenhum sinal de “Punk”. Nem a ínfima faísca de um “punkqualquercoisa”.

    A não ser que, se você olhar bem, verá um futuro distópico pairando no ar. A própria terra a ver o seu futuro sombrio, a odiar sua rotina e saber que anda, lentamente, a uma destruição em fogo. Nossa própria realidade flerta com futuros “punk”, ás vezes tão evidentes que não podemos enxergar. Mas daí é forçar demais pra dizer que o conto se encaixa no tema por causa disso.

    Enfim, excelente escrita, excelente poema, completamente fora do tema e que levanta questões sobre ser mesmo um conto ou não.

    Boa sorte!

  30. Priscila Pereira
    27 de novembro de 2016

    Oi Sid, cara eu queria ter entendido o seu conto… mas pra mim ficou sem pé nem cabeça… me desculpe se foi só eu que não entendi… mas apesar de não ter entendido nada eu gostei, me lembrou um conto que eu fiz, em que só escrevia o que vinha na cabeça, sem nexo nem lógica nenhuma… o meu ficou muito divertido.. o seu ficou meio sinistro… até mais!!

  31. Dävïd Msf
    27 de novembro de 2016

    não é conto, tá mais pra poesia…

  32. Zé Ronaldo
    26 de novembro de 2016

    Interessantíssima propositura do texto ser em prosa poética. Traz um certo lirismo quase que descabível ao tema.
    O narrador em primeira pessoa encaixa muitíssimo bem no fluxo de consciência que leva toda a ação do texto em um turbilhão arrasador positivamente.
    A brincadeira com a intercalação de algumas expressões chegam a quase calcar os pés do texto na poesia, o que, se fosse o caso, seria também excepcional.
    Para mim, um dos textos mais fantásticos até agora.

  33. Zé Ronaldo
    24 de novembro de 2016

    Perfeito!! Bravo, bravíssimo! Prosa poética de primeira linha! Texto delicioso de se ler, como todo texto deve ser. Maravilha, maravilha mesmo!

  34. Evandro Furtado
    24 de novembro de 2016

    Gênero – Average

    Não encontrei elementos o suficientes que colocassem o conto, definitivamente, dentro do desafio. Como, no entanto, esse tema é, de fato, confuso, dou-lhe um desconto.

    Narrativa – Good

    A ousadia da narrativa por si só vale uma nota alta. Soma-se a isso o inteligente uso da linguagem pelo autor, e suas mirabolantes estratégias.

    Personagens – Good

    Temos a Terra como essa coisa meio viva, meio sei lá. Como a coisa toda é muito transcendental, não importa de qualquer forma.

    Trama – Average

    Faltou, nesse aspecto, brincar um pouco mais com a história. Espaço não te faltou.

    Balanceamento – Good

    A ousadia e a qualidade literária fazem de um conto que poderia facilmente ser desclassificado por estar fora do tema, um bom concorrente para um eventual Top 5.

  35. angst447
    24 de novembro de 2016

    Olá, autor! Antes de mais nada, um esclarecimento: me nego a discutir a adequação ou não ao tema do desafio. Isso porque me sinto incapaz de fazê-lo.
    O seu conto, todo alinhavado em prosa poética de alta qualidade, decerto causará estranheza em muitos leitores. Natural que isso aconteça, já que segue uma outra linha de narrativa. Eu gostei, porque além de poesia, a história toda coube bem curtinha entre um gole e outro de café.
    Ironia que acontece por aqui – seu conto Café vir logo depois de Despertos, que fala de sonhos. Precisamos de café para despertar ou precisamos estar despertos para sonhar com o café?
    Eu gostei do seu trabalho. É bonito, bem trabalhado nas palavras escolhidas a dedo, ou melhor, a goles.
    Boa sorte!

  36. Tatiane Mara
    23 de novembro de 2016

    Então … ou não entendi nada ou postaram no local errado. Desculpem !

    Como é obrigatório comentar, digo que é uma viagem muito louca que me passa somente confusão, nada mais.

    É isso.

  37. Dävïd Msf
    23 de novembro de 2016

    O formato não me agradou…
    Poderia até ficar interessante se posto em formato de versos, mas certamente este texto não é um conto. Em minha opinião a constatação final de que o narrador está numa queda eterna em direção a um buraco negro (era esta mesma a ideia?) não justifica a repetição e palavras soltas pelo texto.

  38. Evelyn Postali
    23 de novembro de 2016

    Oi, Syd Nancy,
    Não sei o que dizer desse conto. Falou de algo que gosto. Café. Falou da minha casa, eu acho. Eu não sei bem, mas acho que é meio orgânica, meio máquina. Também odeio o dia, vez ou outra.Talvez porque as engrenagens dele se forjan há tempo e não se possa fazer parar a não ser que se esgote esse movimento em algum lugar ou de alguma forma drástica. Dramática. Eu não sei bem se ele se enquadra no desafio, porque também não sei muito bem distinguir alhos de bugalhos a essa altura da leitura, mas eu gostei. Café é vida. Café faz o mundo girar. A Terra está a zilhões de anos na frente de qualquer planeta que não tenha café. A cafeteira é prioridade em qualquer lugar. O pozinho inconfundível faz falta para o dia acontecer. Fato. Só isso já basta uma avaliação positiva.
    Parabéns ao autor.

  39. olisomar pires
    23 de novembro de 2016

    É uma poesia. Pode ser muita coisa. Até “punk” pode ser.
    Será ? não sei e isso é triste.
    Não da forma chorosa das meninas do balé.
    Triste como a lona suja de sangue da outra luta e que se beija sem querer.

    Mas poesia é isso e não é. O que será ?

  40. Fheluany Nogueira
    23 de novembro de 2016

    Concordo que sem café não há vida. Um conto minimalista que, em linguagem poética, mostra o deslocamento social, a insatisfação. O foco narrativo colabora com esse tom do texto. Não sei se gostei ou não, ao menos para este Desafio. Parabéns pela participação. Abraços.

  41. Brian Oliveira Lancaster
    23 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Uma prosa poética excelente, com várias camadas profundas. Mas onde está o tema? Pareceu-me as reflexões de um corpo cibernético, mas as raízes do enredo não transmitem essa certeza, infelizmente. A única coisa que me trouxe uma luz foi a alusão a engrenagens. – 5,0
    R: Gosto dessas coisas diferentes, experimentais. Dá pra tirar muitos significados de cada frase, o que achei genial. Espero que esteja certo em ser um fluxo de consciência de alguma criatura, pois então tudo fará mais sentido. – 9,0
    E: Simples, ritmada, com toques intimistas pincelados a dedo. Flui que é uma beleza. – 9,0
    M: Escrita poética, com bastante floreios, mas fáceis de serem assimilados. – 9,0
    [8,0]

  42. Fabio Baptista
    23 de novembro de 2016

    Meu… tinha mais o que aí nesse café? rsrs

    O texto é praticamente uma poesia. Uma poesia boa.
    Começou bem, manteve o ritmo e acabou na hora certa. Mais um pouco e já começaria a enjoar nas repetições.

    Foi um planeta-punk? Bom, não importa. Gostei bastante!

    Foda!

    NOTA: 8,5

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Informação

Publicado às 22 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .