EntreContos

Literatura que desafia.

Canteiros no Planalto Central (Bia Machado)

jardim-catedral

“Quem morou aqui?
Ele deve ter sido um jardineiro muito preocupado,
Que arrancou as lágrimas e cultivou boa colheita.
E estamos tão surpresos!
Estamos paralisados e
aturdidos…
Um jardineiro assim ninguém pode substituir.”
(Elton John)

 

 

Sexta-feira, 03/09/2066

Hoje encontramos uma família inteira ainda viva. Algo bastante incomum. Pai, mãe, três filhos, um deles bebê. A única em São José dos Pinhais, depois de semanas sem encontrarmos alguém vivo. Colhi amostras de sangue deles. Talvez dê para conhecer algum fato novo. Como foi bom não precisar enterrá-los! Disse que voltarei e que meu desejo é de reencontrá-los com vida. Pedi, no entanto, que buscassem outro lugar, ainda mais afastado das grandes cidades. Nas outras construções, milhares de corpos decompostos, algumas ossadas também. Ichiro me perguntou se não tinha nada que a gente pudesse fazer, mas sei que ele já conhecia a minha resposta. Tenho medo. E maior do que o medo de morrer é o de deixar meu filho sozinho. Para morrer sozinho. O homem me indicou locais onde ainda havia corpos, de alguns parentes e pessoas conhecidas deles, e fizemos um enterro. Disse que não tinha tido coragem de fazer aquilo sozinho. Às vezes, a única dignidade está em ser coveiro, mais do que em tentar ainda ser médico, por mais inútil que isso possa parecer. A única salvação para nossa mente cansada é enterrar nossos mortos, como uma homenagem, um ritual em que tentamos dizer: “fizemos o possível, acreditem, e nos perdoem”. Agora faço de conta que sou jardineiro e trato como canteiros os túmulos aberto às pressas, de qualquer jeito. Ichiro me ajuda, até já é capaz de fazer isso sozinho, assim como cozinhar e dirigir. Eu mesmo o ensinei quando ele tinha doze anos, receoso do que pudesse acontecer. Agora tem quatorze e dirige melhor que eu. Estou feliz por estarmos juntos, apesar de tudo, apesar da consciência pesada, como se tivéssemos culpa por ter sobrevivido a algo desconhecido e poderoso, enquanto nossos entes queridos se foram.

 

Segunda-feira, 07/02/2067

 Chegamos a Manaus na terça-feira passada. Não era bem o destino que eu desejava, mas… Não tínhamos vindo até aqui nenhuma vez. Seria só por alguns dias, menos de uma semana. Assim como as outras cidades, um grande túmulo a céu aberto. Encontramos apenas uma mulher, uma senhora idosa. Maria Aparecida, nome santo. Muito lúcida, contou como tudo aconteceu, dizendo que foi tão suave quanto inacreditável. “Era para ser”. Desde então estava à espera, resignada, apenas isso lhe bastava. Ontem foi aniversário de Ichiro, quinze anos. Maria me disse que ainda era forte para assar um bolo de macaxeira, assim a data não passaria em branco. Depois do bolo assado, da conversa que nos fez esquecer de toda aquela situação por algum tempo, fomos dormir. Ao acordar na manhã de hoje encontrei o corpo gelado da mulher em sua rede. Os cabelos pareciam até mais grisalhos. A expressão do rosto era serena. Na mão, um papel com um pedido escrito em letra tremida: agradecia por termos vindo até aqui para que ela pudesse ser enterrada, indicando o Orquidário do Mindu como o lugar de sua cova. E assim fizemos antes de deixar a cidade.

 

Quinta-feira, 22/12/2067

Não estou bem hoje. Como deixei isso acontecer? Descuidei-me demais. Preciso melhorar. Daqui a dois dias é Natal. E depois, um novo ano. E nada de novo no túmulo. Estamos vivos, mas vivemos em um cemitério. Quero muito viver, seja como for. Ichiro não pode ficar sozinho. No mês passado voltamos a São José dos Pinhais, atrás daquela família que encontramos da outra vez. Talvez o deixasse lá, talvez ficássemos lá. Mas estavam todos mortos, todos… Fizemos apenas uma cova para os cinco. Ichiro chorou, eu também. Perdi a conta de quantas vezes fizemos isso nesses anos todos, dia a dia, ainda assim, é como se estivéssemos sempre a fazer o primeiro enterro.

Nada me tira da mente de que na estação seca, no clima de calor, é que estamos mais seguros, já posso concluir isso. Só não consigo ainda compreender a razão. Preciso melhorar e prosseguir com os testes, preciso de mais tempo. Por mim, por meu filho, pelos poucos que sobreviveram.

 

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Cris veio me avisar de que já estavam indo.

— Te procurei no Itamaraty agora há pouco e você não estava lá, então já sabia que só podia ter vindo pra cá.

Abri os olhos apenas por um instante, sem conseguir ver muito bem o rosto dela por causa do sol. Mas Cris estava ali, pela última vez. Deitou ao meu lado, em meio às flores alaranjadas do canteiro que eu tinha plantado debaixo de um ipê roxo, próximo de onde enterrei meu pai há quatro anos. Dali era possível ver a cruz no topo da Catedral, compondo o cenário daquele imenso e ao mesmo tempo triste e colorido cemitério.

Cris não gostava de ficar tão perto das covas e não escondia isso de ninguém, mas admitia que eu cuidava de tudo de forma que o lugar fosse notado mais como um jardim, um especial jardim. Era o que meu pai tinha me ensinado e eu tinha feito questão de aprender da melhor forma possível.

— Não quer mesmo ir? — me perguntou, a voz sonolenta de quem tinha acordado bem depois do meio-dia, após uma noite de farra pela Esplanada deserta dos Ministérios. — Aqui já deu o que tinha que dar, Vitor…

Ela era a única que me chamava pelo meu primeiro nome, o que eu achava estranho. Gostava mais de Ichiro, por causa da ironia implícita na escolha de meu pai. Além de ser o primeiro filho, tinha sido o único.

Disse pra ela que assim deveria estar em tudo que é lugar. Eu tinha mesmo cansado de peregrinação. Ali era até bom, gostava da sensação de estar longe de qualquer outro canto onde ainda houvesse alguém vivo, apenas esperando chegar a hora de também ser enterrado.

— A gente vai dar um jeito de atravessar o oceano, você não disse uma vez que queria andar de barco? Sei lá, imagina a Europa toda só pra nós? — a voz dela era sem emoção.  Fiquei quieto, porque na verdade a ideia de que éramos poucos sobreviventes, cada vez menos, ainda me aterrorizava. Tinha decidido que cuidar das flores e dos túmulos de Brasília era algo digno de se fazer, até… Até que não fosse mais possível fazer nem mesmo isso.

Ela perguntou se era por causa do Breno.

— Ele não tem ciúmes, você sabe — complementou a pergunta.

É, eu sabia. E sabia que eu, sim, tinha ciúme, um ciúme de doer daquela morena linda. A Cris tinha sido a única até aquele dia. Era alguns anos mais velha que eu, assim como o Breno era como um irmão mais velho, ele era um cara legal, tinha aquela coisa mesmo de ser “chefe”, como o próprio nome o classificava. Queria parar de pensar no significado dos nomes das pessoas, mas era mais forte que eu, uma mania de garoto que começou como uma brincadeira em meio à tristeza de abrir covas para enterrar vidas ceifadas: pensar a respeito do nome que alguém poderia ter, a respeito do seu significado. Quando viva, a pessoa seria mesmo o que dizia seu nome? Eu era Vitor, mas não me julgava um vencedor, longe disso, apesar de estar ali, vivo, depois da pandemia.

Ia torcer pelos dois. Com ciúme e tudo, sim, ia torcer para que chegassem lá na Europa, ou seja lá qual fosse o lugar onde pretendiam chegar. Não iam sozinhos, mais da metade da comunidade tinha decidido partir também. Com a maioria dos que continuariam em Brasília eu não tinha muito contato. Isso não me incomodava. Com a morte do meu pai entendi: tudo era apenas uma questão de tempo. Depois que ele se foi, nunca mais tinha chorado durante um enterro. Não havia necessidade, lágrimas não teriam serventia depois de tanto tempo vivendo entre vivos e mortos como se fossem quase a mesma coisa. Nós, os vivos, estávamos mesmo totalmente vivos?

Trocamos um beijo de despedida, igual a tantos outros já trocados. Com o barulho da moto de Breno se aproximando, Cris me avisou, se levantando e piscando pra mim:

— Falei pra Karen cuidar de você. Vê se facilita, não fica só pensando em jardinagem.

Antes que ela subisse na garupa da moto, prometi que seria um bom rapaz. Os dois acenaram pra mim, sem dizerem mais nada, partindo para encontrar os outros. Tinha conversado com Breno na noite anterior, quando ele veio me contar sobre a decisão de ir embora. Sabia que estava indo por ter coragem de sobra pra isso. Já eu, tinha que confessar, só conseguia sentir um pouco de conforto ao manter aquele imenso jardim organizado. Minha coragem era a de cuidar da última morada dos que partiriam antes de mim.

Quando os dois finalmente sumiram no horizonte é que me dei conta de que meus dedos permaneciam cruzados atrás das costas.

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82 comentários em “Canteiros no Planalto Central (Bia Machado)

  1. Thiago Amaral
    15 de outubro de 2016

    Acho que o mérito deste conto está no ambiente construído, o mundo proposto, e no clima, as imagens apresentadas.

    A estrutura do texto, começando por um diário, foge do comum e por isso é agradável. Uma brisa refrescante, um diferencial.

    No entanto, as pequenas cenas narradas no início não valeram de muito além da apresentação dos elementos acima citados. Talvez, se preferir, alguns elementos mais marcantes poderiam ser inseridos nessas passagens, para não ficar só na construção do ambiente.

    A segunda parte, narrada em primeira pessoa, mostrou algumas características de Ichiro, como certa mania com nomes (Assim como nosso colega Edgar, O Corvo). Além disso, apresentou algumas passagens filosóficas e poéticas para aprofundar um pouco mais o significado da história. O tema “estamos vivos, mas vivemos como mortos” é também abordado em The Walking Dead, foi inspiração?

    Gostei do último parágrafo, apesar de não entender bem a intenção do gesto. De qualquer forma, conferiu mais força ao personagem, e achei que fechou bem.

    No geral, acredito que o que fica de interessante na história mesmo são as ideias e cenários que podem gerar reflexões, mais que os acontecimentos e personagens, que não mostraram tanto. Ichiro apresentou certas características bacanas, mas nada que o torne um personagem marcante.

    Nem cheguei a sentir falta de explicações sobre a situação do mundo.

    Até!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Olá, Thiago, obrigada pelos comentários, ajudou bastante. Sobre “The Walking Dead”, passei longe disso, não consigo assistir a essa série, ou nada que mostre essa questão zumbi de forma mais explícita, rs… Quando meu marido está assistindo vou fazer outra coisa da vida, rs. Mas gosto do cenário pós-apocalíptico, muito mesmo.

  2. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Um pequeno recorte de um grande universo ficcional. Gostaria muito de ler mais histórias sobre esse mundo. O texto é bem escrito, principalmente os diários iniciais, onde as construções são bem seguras e podemos ver a personalidade do personagem muito bem desenvolvida. Na sequência, quando é mudado o plano de narrativa, acredito que as coisas perderam um pouco da qualidade, mas vi que isso foi necessário, essa mudança, para você conseguir focar em um conflito menor. Por isso o conto não vai perder pontos comigo.

    Enfim, acho que vale muito a pena escrever mais sobre o que nos apresentou aqui, ou até mesmo um série de contos sobre o mesmo universo reunidas. Parabéns pelo trabalho, você escreve muito bem.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada, Felipe! Seu comentário ajudou muito. Estou escrevendo mais, sim.

  3. Pedro Teixeira
    14 de outubro de 2016

    Olá, Constant! A narrativa é redondinha, com personagens bem construídos. Mas o cenário e a complexidade da situação deixaram a trama com cara de capítulo de uma estória maior.
    Ficou bacana a exploração do relacionamento entre Ichiro e Cris, e o diário do pai de Ichiro, as vozes estão bem definidas. Outro acerto é essa característica de Ichiro de refletir sobre o significado dos nomes, fez todo sentido e casou bem com o enredo.
    Enfim, gostei, apesar de achar que não funcionou tão bem como conto, e sim como parte de uma narrativa maior.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    6. Canteiros no Planalto Central (Constant Gardener)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: interessante como uma história situada num futuro não tão distante atrai a atenção do leitor, já que vemos coisas conhecidas (como a cidade de Brasília) em outra situação. Quanto ao enredo, que é de desesperança, vi personagens bem esboçados e uma situação clara; somente o final é que, a meu entender, ficou em aberto. O que aconteceria a partir dali? Curiosidade minha…
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Desalento

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Daniel, obrigada pelo comentário. Pois é, adoro finais abertos, bem abertos, muito abertos, rs… Mas é por que gosto de imaginar do meu jeito a continuação. E para esse final imaginei muita coisa, espero que você também. 😉

  5. Gustavo Aquino Dos Reis
    13 de outubro de 2016

    A premissa do conto é excelente. Ganhou pontos pela criatividade em tempos de fantasmas, redivivos, antropófagos e etc.

    Gostei muito. E não tenho nada para retocar com a minha opinião.

    Porém, acho que a primeira parte ficou superior a segunda – principalmente pela força da narrativa em forma de diário.

    Parabéns, autor(a)

  6. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Gostei da construção dos personagens. Os trechos iniciais, contados pelo pai de Ichiro montam o universo. A escrita tá redonda (uma ou outra coisa pequena, que não incomoda). Achei o final bacana também, mas acho que o texto não vai tão bem como conto. Fiquei com vontade de ler mais, de saber o que acontece depois. Achei uma boa partida para algo maior. Promete que vai atrás dessa ideia? Nada de cruzar os dedos.

  7. Maria Flora
    13 de outubro de 2016

    Olá, Constant! Pós-apocalipse é um tema complexo para um conto, ouso dizer. Dá a impressão de faltar partes da história. O início do texto ficou bacana, deixa-nos curiosos. O conflito do personagem pai é evidente. A segunda parte é diferente. A própria narrativa se modifica, já não há mais conflitos evidentes. O filho é um personagem quase zumbi, sem peso. Ao menos, comparado com a figura paterna. Boa sorte no desafio!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Maria! Obrigada pelo comentário, ajudou bastante.

  8. mariasantino1
    13 de outubro de 2016

    Hey, Manaus recebendo alguma menção me deixa até emocionada 😀

    Então, tudo na paz? (hehehe!)

    O ponto máximo do seu conto é a forma que você usou o tema. O mundo transformado em um cemitério é caótico, desolador e muito bem bolado,porém algumas coisas chamam a atenção e causam estranhamento. Claro que desejamos saber mais sobre a pandemia, mas o que eu achei estranho foi o lance com as plantas, pois ainda há flores e demais vegetais ao ponto de se poder fazer um bolo de macaxeira. De certa forma seu texto me lembrou o seriado “The Last Man On Earth”, onde o cara vai vivendo e o expectador vai ganhando algumas pistas sobre o cenário daquela atualidade e o que houve anteriormente, e isso leva muito tempo para ser desvendado, bem como o seu texto que ficou parecendo algo de uma coisa maior. Talvez descrever os sintomas da pandemia amarrasse demais você e o limite de palavras é pouco, no entanto, achei que valia maior aprofundamento para que o leitor não chegasse ao final da leitura com uma sensação de que o conto poderia render muito mais.

    Boa sorte no desafio.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Maria, obrigada pelo comentário, ajudou bastante. Só explicando que não detalhei muito a pandemia com medo que dissessem que estava mais para desafio pós-apocalíptico do que para cemitério, rssss…

  9. Luis Guilherme
    12 de outubro de 2016

    Ah, faltou dizer que gostei muito do trecho:

    A única salvação para nossa mente cansada é enterrar nossos mortos, como uma homenagem, um ritual em que tentamos dizer: “fizemos o possível, acreditem, e nos perdoem”.

    Pesado!

  10. Luis Guilherme
    12 de outubro de 2016

    Boa tarde, Constante Gardener, ou jardineiro constante? hhahaha

    Gostei desse detalhe da observação dos nomes. Acho que enriquece o personagem, quando o autor aborda questões da sua personalidade de forma discreta e contextualizada, mesmo que não sejam traços da personalidade que acrescentem algo diretamente à trama.

    Bom, gostei bastante do conto. Fiquei com um gostinho de quero mais, sabe? O que aconteceu? Pq eles ficaram percorrendo o Brasil procurando sobreviventes e enterrando os mortos? Quantos sobreviveram e como? Isso tudo renderia um bom conto pós-desafio. Se escrever algo, me avisa que quero ler.

    Mas esse conto foi um belo recorte desse panorama geral dos acontecimentos. Não tinha como intenção explicar nada, só apresentar um recorte da realidade na pele de personagens específicos, e isso não é ruim, e foi bem executado.

    Enfim, parabéns e boa sorte!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Luis! Já estou escrevendo, depois de tantos dizerem a mesma coisa, vou te avisar, pode ter certeza! 😉

  11. Evandro Furtado
    12 de outubro de 2016

    Fluídez – Good

    O texto corre bem, sem problemas com a ortografia ou a sintaxe.

    Personagens – Average

    Não são desenvolvidos o suficiente para que o leitor se importe. Mesmo os narradores-personagens não são capazes de criar uma boa conexão com o leitor.

    Trama – Average

    O cenário pós-apocalíptico dispensa que o autor apresente com maior detalhamento a ambientação do conto. Aliás, nesse tipo de texto, quanto menos sabemos melhor. Nesse quesito o autor sucedeu. O problema maior foi a falta de um conflito dentro desse cenário. Não há nada que se sobressaia. Me parece a simples narrativa de um período desimportante. Mesmo os dramas dos personagens não são consistentes o suficiente.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Average

    Estilo – Good

    A narrativa em primeira pessoa funciona bem, sobretudo na primeira parte. O gênero escolhido apresenta um sem número de possibilidades que, infelizmente, não foram bem trabalhados na trama.

    Efeito Catártico – Weak

    Um conto ambientado em um cenário pós-apocalíptico que não parece ter nem um objetivo definido, nem grandes pretenções.

    Resultado Final – Average

  12. catarinacunha2015
    12 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Mais um começo com título sem graça e com citação. Não disse a que veio, mas vou ler assim mesmo.

    TRAMA prejudicada por essas datas sem motivo e desconexas (o pai morre e continua a mesma data dois anos depois) em um futuro distante em que muita gente morreu em uma catástrofe desconhecida. A narrativa tem boa técnica e competente montagem. Só.

    AMBIENTE – Como todo cemitério deve ser: florido, asséptico e bem frequentado.

    EFEITO Benjamin Button. O narrador começou o conto com a jovialidade de um velho e terminou como um adolescente ranzinza.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      O título não está bom mesmo, foi difícil colocar esse nos momentos finais pra enviar e ainda por cima já tinha um “sem título”, então não tive pra onde correr. Sobre a citação, coloquei porque a música me inspirou a criar esse texto. Foi mais por afinidade. E não dá pra ficar pensando se os outros terão citação ou não, a mim não me incomoda, a não ser que não tenha nada a ver com a trama…

      Sobre as datas, não entendi. Era um diário, quis colocar a data no futuro, consultando calendário permanente e tudo só pra dar mais veracidade… Não tinha como achar que a parte de Brasília fazia parte da última data… Ou tinha? Se pensou assim, peço desculpas, tive o máximo de cuidado em separar as partes, mudar a letra, colocar um separador de texto…

      “A narrativa tem boa técnica e competente montagem. Só.” É, acho que faltou o coração batendo no peito, uma pena…

      Eu gostei de Benjamin Button.

  13. Bia Machado
    11 de outubro de 2016

    Tema: Está dentro da temática, fugindo ao lugar comum.

    Enredo: Esse é outro enredo do qual gosto muito. Pós apocalíptico em todas as suas vertentes: “A Estrada”, “A Passagem”, “Blecaute” (um livro que poucos ou quase ninguém lembra). Por estar presente em tantas histórias por aí, precisa de um diferencial para se destacar. No caso do conto aqui, é a ambientação no Brasil, pouco comum (ainda). Acho que foi interessante dividir o conto entre o diário do pai e a narrativa do filho. Acredito que, se assim não fosse, seria complicado de colocar a coisa dentro de 1500 palavras. Concordo que o enredo estaria melhor em um romance, mas achei válida a organização dentro de conto. Os finais que parecem abertos e as informações reduzidas não me incomodam, pelo contrário. Quando há essas aberturas na história, fico feliz de poder contribuir com a minha parte para construir o texto.

    Personagens: Podem render mais, estão meio contidos. Mas a narração em primeira pessoa ficou interessante. Eu leria um livro inteiro narrado pelo Vitor Ichiro. 😉

    Emoção: Gostei do conto, foi uma narrativa que me levou, que não foi construída de forma muito fácil, pra mim funcionou.

    Alguns toques: Esse também é um texto que cabe em um espaço maior.

  14. phillipklem
    10 de outubro de 2016

    Boa noite.
    Seu conto me agradou muito. Uma ótima ambientação e desenvolvimento de personagens, principalmente nas partes iniciais.
    O começo me ganhou de cara, apesar de eu não gostar muito de contos narrados como diário e de o itálico ter me dado um pouco de dor de cabeça.
    Gostei do dilema do pai tentando ficar vivo para proteger o filho, mesmo que não haja um lugar seguro para ir. Me lembrou muito o livro “A estrada”, que é um ótimo livro e filme.
    A segunda parte perdeu um pouco do ritmo e da profundidade. As relações dos personagens ficaram pouco desenvolvidas e muito rasas.
    Acho que um melhor aprofundamento aí cairia muito bem.
    Gostei demais da forma que você abordou o tema. Muito original.
    Meus parabéns e boa sorte.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Olá, agradeço por sua leitura e comentário, ajudou muito.

  15. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Sou suspeito para falar porque gosto muito desse tipo de ambientação: mundo em ruínas, desesperança, final iminente. É onde o ser humano surge ou ressurge com o que tem de melhor e pior. Imaginar o planeta como um grande cemitério (os motivos, como nas boas narrativas do gênero, não importam) foi uma ótima sacada. Nesse contexto, a história de amor não correspondido poderia ter sido um pouco mais desenvolvida, pois resume-se a um adeus. Os detalhes, no entanto, brilham – o apego às origens dos nomes foi fantástico, o tipo de história dentro da história que separa quem sabe escrever daqueles que ainda dão os primeiros passos – diferentes camadas da mesma narrativa. Enfim, um texto que, se não prima pela originalidade, revela um autor experiente, calejado (no melhor sentido da palavra) e que escreve com esmero. Narrativa hábil, fluida e isenta de erros. E o que é melhor: não se apega ao sobrenatural. Parabéns! Ótimo trabalho!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário, Gustavo! Esse gosto por essa ambientação é o que temos em comum. Sofri demais com a leitura de “A Estrada”, por exemplo…

  16. Olá, Constant Gardener,

    Seu conto me remeteu ao filme “Eu Sou a Lenda”.

    Esse é o tipo de história que me agrada, e, estranhamente, é muito parecido com um projeto que estou desenvolvendo agora. Alguém brincou no facebook que seu texto é a minha cara, e, de certa forma, é mesmo. Rsrsrrs

    O conto é bem escrito, imagético, e a “voz” do primeiro narrador é perfeita.

    Senti um pouco a quebra da narrativa entre pai e filho, bem como uma certa mudança na atmosfera entre as duas partes. Ainda assim, mesmo se tratando de um texto curto, rapidamente me acostumei à nova “voz” e entendi que a passagem do tempo exigia uma evolução na situação vivida pelos protagonistas.

    Obviamente, também acabei refletindo sobre questões do meu próprio Projeto. Obrigada! 😉 Você me ajudou, mesmo sem saber.

    Parabéns pelo belo trabalho e boa sorte no desafio.

  17. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    O texto é bem escrito, a trama é envolvente até meio, depois, a espaços, perde a força. Foi pena, talvez fruto do limite das palavras, a história perde-se. Sugestão: repega a história e tenta escrever a segunda parte sem limites de palavras a ver o que resulta. Depois mostra-nos. Penso que poderá facilmente ser um dos textos mais interessantes do desafio, mas, neste momento precisa de trabalho. Muitos parabéns.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada, Vitor, continuei a escrevê-lo. sim, espero que sua versão (quase) sem limites seja mais interessante que o conto. 😉

  18. Gilson Raimundo
    8 de outubro de 2016

    Um pós-Apocalipse que comete os mesmos erros de todos do gênero, a humanidade se destrói e mesmo sendo poucos os remanescentes eles se dispersão saindo para morrer, quebram o vínculo quando sabe-se que Unidos poderiam ter mais chances. .. começou como um diário e terminou como recordações, não sei qual o melhor estilo.

  19. Fil Felix
    7 de outubro de 2016

    “Eu inauguro o monumento no planalto central do país…”

    Adorei o título e imagem.

    GERAL

    Gostei do clima do conto e de como tratou o tema: o cemitério como adorno, mesclado à jardinagem, flores, canteiros. Quase um Burle Marx dos defuntos! As imagens geradas são muito boas. A personagem principal também está bem construída e gostei de como incluiu a coisa do significado dos nomes, fazendo o leitor ir além do conto (Breno = líder), só poderia ter ficado um pouco menos explícito.

    BUGUEI

    A ideia geral do conto é interessante, mas acho que dois pontos acabaram prejudicando o desenvolvimento. Primeiro é o formato de diário, que acaba se perdendo durante a narrativa. Poderia ter sido de maneira direta, comentando a passagem do tempo, pra temos uma noção do tempo-espaço sem interrupções. A segunda é a falta de uma contextualização. Victor trabalha no que? Pesquisa o que? O que levou essa epidemia? Política? Natureza? Quando aconteceu? Faltam horizontes pra guiar o leitor, que acabamos caindo de cabeça num mundo pós-apocalíptico sem entender muito bem e sem criar empatia.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Fil, obrigada pelo comentário. Respondi ali pra Claudia que achei a questão dos nomes um tantinho forçada, vou deixar a coisa mais leve na reescrita… Toda essa parte que você chama de contextualização, ao menos para o conto eu não achei necessária, ou pelo menos fiquei com receio de me aprofundar nisso e fugir do tema, muita coisa me passou pela cabeça, rs.

  20. Pétrya Bischoff
    7 de outubro de 2016

    Olá, Constant!
    História interessante e envolvente, a ponto de eu querer ler todo o livro. Pareceu-me um recorte de um capítulo, apenas.
    A escrita está impecável, tanto em ortografia quanto em pontuação. A narrativa conduz o leitor como se estivéssemos assistindo a um filme muito bem produzido. A ambientação é rica e detalhada, ainda que o autor não se atenha tanto aos cenários.
    Conto muito bem executado, apesar de não passar muita emoção, deixando no leitor a vontade de saber mais acerca dos acontecimentos que levaram a essa pandemia, e ainda, o que virá depois. Parabéns e boa sorte!

  21. Anorkinda Neide
    7 de outubro de 2016

    Olá! eu gostei muito desta leitura.
    Gostei do pai e gostei do filho. Pensando bem, é muito trabalho pra duas pessoas apenas, tantos corpos pra enterrar,né? Mas vamos de licença poética…
    O texto flui, é correto, não emociona mas é eficiente em sua proposta.
    Não gosto de distopias mas aqui em nada me incomodou, vi o foco maior nas pessoas e suas relações,não costumo fazer análises de metáforas, mas não pude evitar de refletir se nós enquanto ‘vivos’ não estamos tb à espera da morte? Os mortos espalhados pelo país não poderiam ser nossos ex-amigos, relações q vão morrendo aos poucos ou abruptamente muitas vezes sem explicação? Atravessar o oceano em busca de ‘vida’ na Europa não seria a mesma saída buscada por muitos de nós q emigram, achando q o Brasil já não tem nada a oferecer? Mesmo sabendo q tb só há mortos por lá no Velho mundo tb…
    Gostei de refletir sobre isso, talvez eu tenha feito este paralelo pq nao tô numa fase feliz! hahaha
    Boa sorte, autor(a), abraços

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Anorkinda. Sim, muito trabalho. Mas isso eles faziam não por imposição… Era o que tinha sobrado pra eles, talvez… Enterrar quem desse, no meio de tantos, eu gosto de pensar desse jeito… Escrever o conto também me deixou meio down, rsss…

  22. Fheluany Nogueira
    6 de outubro de 2016

    Histórias de apocalipse sempre são curiosas e preocupantes; e esta transformou o planeta em um imenso cemitério. Que futuro aguarda a humanidade, hein? E em cinquenta anos. Esta aí.

    Gostei mais da primeira parte em forma de diário, mas ambas estão bem escritas e desenvolvidas. Gostei da criatividade e fiquei com gosto de quero mais. Queria saber o que provocou as mortes, por que alguns sobreviveram e até estou meio tensa pensando em quem enterrará Ichiro. Ah! Gostei do lance do significado dos nomes.

    Parabéns pela originalidade. Também acredito que esta trama resultaria em uma novela ou romance, voltada para os sobreviventes Abraços.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário. Não quis abordar muito a catástrofe, com medo de deturpar a temática, também por conta do espaço…

  23. Davenir Viganon
    6 de outubro de 2016

    Olá Constant
    O título é singelo, e parece abraçar algo que é uma parte muito pequena no conto.
    O ritmo é de livro, lento, mas agradável… as 1500 palavras vão chegando ao fim e a impressão de ter lido um capítulo fica. Acho que uma condensada no início faria bem. Como a trama é lenta, intercalar as cartas/memória com o restante da narrativa faria muito bem ao texto. Gostei que o mundo distópico e melancólico não teve muitas explicações técnicas. Gostei do resultado.
    Um abraço.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Davenir, foi difícil mesmo o título, nada parecia se encaixar… Então como o prazo estava acabando tive que pensar em algo e mandar, rs… Vou seguir a ideia de intercalar, sim. Obrigada pelo comentário.

  24. Fabio Baptista
    6 de outubro de 2016

    Então… está bem escrito e tal, mas, em resumo… não gostei.

    Eu curti bastante a primeira parte, em forma de diário, mostrando os efeitos da pandemia e deixando as coisas meio nebulosas, de um jeito gostoso que dá vontade de saber mais.

    Porém, a segunda parte, que é cronologicamente a primeira, pelo que entendi, não segurou o ritmo. Achei que pecou em dar background ao personagem, gerar alguma empatia, quando a força do conto era o cenário pós-apocalíptico.

    Abraço!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pela leitura, Fabio. Desde o começo eu tinha planejado a primeira parte. Mas depois pensei em uma parte narrada pelo filho, talvez porque eu quisesse mostrar o “depois”, enfim, claro, não coube no limite. Fossem 15.000 palavras estaria tudo tranquilo e favorável, ahahahha! 😉

  25. Simoni Dário
    5 de outubro de 2016

    Olá Constant Gardner

    Eu não entendi o conto, ou melhor, quase nada.

    O título e a foto remetem a algo que aconteceu no Brasil, menciona cidades do Paraná, Amazonas e Brasília. Achei estranho, talvez fosse o que sobrou do Brasil, não sei.

    Depois no diálogo do casal falam de “uma Europa só pra nós”, deduzo que o mundo sofreu com a pandemia.

    Perguntei a mim mesma porque São José dos Pinhais estaria entre as cidades, parece que tem alguma conexão para o uso dessa ou daquela cidade no enredo, mas pode ser coisa da minha especulação.

    Enfim, fiquei muito curiosa quase com o texto todo e entendi somente o óbvio que já foi comentado pelos colegas.

    Boa escrita e narrativa. Travou em alguns momentos, mas está bem escrito.

    Bom desafio.
    Abraço

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Olá, Simoni, obrigada pela leitura e comentário. Bem, você estava certa em suas especulações. E sim, no texto mesmo há a palavra “pandemia”. Valeu! 😉

  26. Claudia Roberta Angst
    5 de outubro de 2016

    Clima de “The day after”, quem não morreu, ainda vai morrer. Quem enterra agora, será enterrado depois. O diário do pai, registrando a saga de coveiro e suas preocupações com o filho Ichiro.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso, já que o planeta parece ter se tornado um imenso cemitério.

    Achei bacana o lance de prestar atenção aos nomes e os seus significados.
    Vítor = vencedor, vitorioso ou conquistador.
    Ichiro = Primeiro Filho.
    Maria Aparecida = “a soberana rainha que apareceu” ou “a pura que surgiu”.
    Cris – Cristina = “cristã” ou “ungida por Deus”.
    Breno = “chefe”, “chefe do exército”, “líder” ou “alto”, “nobre”.

    Não encontrei lapsos de revisão, a não ser:
    os túmulos aberto > os túmulos abertos

    O conto possui um bom ritmo, fazendo com que a leitura flua fácil e sem entraves. A trama prende a atenção e sim, concordo que daria um bom romance.

    Boa sorte!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Claudia, obrigada pelos apontamentos. Nossa, lembrei agora desse filme, verdade… Minha inspiração maior foi o livro do Marcelo Rubens Paiva, “Blecaute”, já leu? Eu gostei muito! Achei que Breno como líder ficou meio forçado, achei que alguém ia dizer isso, mas ninguém falou nada, porém acho que vou mudar isso. É muito nome bem encaixadinho pro meu gosto, rs… Obrigada! 😉

  27. Amanda Gomez
    5 de outubro de 2016

    Olá,

    Pois é, a trama não coube no limite de palavras, o enrendo é bem atraente, eu particularmente gosto bastante de distopias… É uma, em que o foco seria nos coveiros do mundo seria algo bem original… Geralmente, estamos acostumados a ver somente pessoas passando por corpos sem olhar para trás, a sua temática trás essa peculiaridade , que eu curti.

    Mas aqui, o conto não teve desenvolvimento, a a segunda parte é a mais agradável por assim dizer… Tivemos apenas cenas jogadas aleatoriamente. Eu , pretendia fazer algo do gênero, mas diante do limite desisti, pois não queria comprometer minha história.

    Como já disseram, você pode se quiser , escrever essa história sem a preocupação com limites, sua escrita é bem agradável, tenho certeza que ficaria muito bom.

    No geral é um bom conto, mas só teve uma introdução e um provável fim.

    Boa sorte no desafio.

  28. Ricardo Gnecco Falco
    5 de outubro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Leitura gostosa e atraente. Bem escrito e de fácil imersão por parte do leitor. Pena que faltou espaço para um desenvolvimento maior da história que, ao final, deixa mais perguntas do que respostas. Isso é até bom, mas apenas em um livro com diversos capítulos fazendo exatamente isso: causando vontade de saber mais e mais. Aqui, infelizmente, ficamos apenas com a introdução da história. Por este motivo, de 1 a 10 daria nota 7 ao trabalho. Parabéns pela obra!

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Que pena… Faltou o meio e o fim desta interessante história. Bem escrita e com um cenário ricamente ilustrado, o trabalho sofreu um aborto, ainda no início de sua gestação. E olha que o filhote prometia…! Sugestão: Transforme esta história em algo maior. Um conto sem preocupação com limites ou, ainda melhor, em um romance. Desenvolva cada um dos personagens sugeridos, em busca da “Terra Prometida”, na Europa. Pontos de tensão entre a Cris, ele e o amigo tornarão ainda mais rico este cenário apocalíptico e, se bem desenhado, como vimos em forma de prenúncio neste conto, renderão uma bela, instigante e rica narrativa longa. Com mercado, fãs e reais chances de publicação por parte de alguma grande editora. Não deixe esta oportunidade passar! Mãos à obra!!! 🙂

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Quando essa história virar um romance pós-apocalíptico, não se esqueça de avisar! 😉

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário, Ricardo, pode deixar que vou desenvolver…

  29. Wender Lemes
    4 de outubro de 2016

    Olá! A proposta do cenário pós-apocalíptico é muito boa. Não quero chover no molhado, mas acredito mesmo que o algoz deste conto seja o limite de palavras. Há muito que se contar e pouco espaço, então quem escreveu fez o melhor para transformar as partes em um todo. Não funcionou tão bem, como muitos já disseram, porque acabam sobrando mais pontas soltas que fios na meada. Senti falta, por exemplo, de mais detalhes sobre a viagem para o outro continente. Os pontos que achei positivos foram a agonia pela dificuldade de manutenção da vida humana e a sensibilidade dos personagens. Percebe-se o ambiente mórbido contraposto ao pai que ainda preza pela beleza dos jardins – contraposto também à bondade da senhora, que não deixa Ichiro sem um bolo no aniversário. Mais importante ainda, percebe-se que o tom esperançoso ainda se mantém após a transição para a segunda parte. No geral, um conto bem escrito com uma trama que lhe excede. Parabéns e boa sorte!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Olá! Sim, o limite de palavras foi complicado e eu acabei insistindo… Esse detalhe da viagem, juro que achei que não seria tão importante assim, coloquei mais pra dar a ideia ao leitor de que a coisa estava feia em tudo que era lugar do planeta, rs… Mas enfim, obrigada pelo comentário!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    3 de outubro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Diferente. Relato ao estilo diário com uma troca de narração bem pontuada. Uma linguagem simples, mas eficiente em transmitir as emoções, de forma cadenciada.
    ME: Gostei do mistério (mesmo não sendo um ‘total’ mistério assim), pois tudo é explicado em apenas uma frase. Admiro a coragem em deixar “vácuos” para a imaginação do leitor. Aprecio enredos assim, mas a grande maioria prefere tudo mastigado. A pandemia explica muita coisa, como os velórios a céu aberto. Apenas achei o final abrupto demais, apesar de conter um grande significado nas entrelinhas. O diário dá um tom mais intimista, mas, no geral, apesar de ter gostado, pareceu um texto que começou no meio e terminou no meio.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Valeu o VERME, Brian, tudo a ver com o desafio, rs. Foi muito aberto, pelo jeito, por isso essa sensação de “meio”. Obrigada pelo comentário!

  31. Jowilton Amaral da Costa
    2 de outubro de 2016

    Bom conto, trecho de romance ou qualquer coisa do tipo. Está bem escrito e é uma leitura envolvente. Fiquei confuso no momento em que Victor começa a narrar. A primeira parte quem narra é o pai dele, não é? Enfim, mesmo ficando sem informações sobre o que se sucedera com o mundo para que ele virasse um imenso cemitério, o conto me agradou. O título não ficou legal, na minha opinião. Boa sorte.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Jowilton, obrigada pelo comentário. Pode deixar que vou mudar esse título, não me veio nada melhor pro desafio, mas agora com calma vou pensar em outra coisa…

  32. jggouvea
    29 de setembro de 2016

    Esse é um texto que praticamente deixa desperdiçada uma ideia boa. Toda a primeira parte, em forma de diário, segue numa direção, mas depois o texto sinaliza outra — e essa, sim, é muito melhor. Então a gente fica com a sensação de que perdeu tempo na leitura.

    Se me tivesse pedido como leitor beta eu sugeriria: corte a primeira parte ou, no máximo, transforme-a em flashbacks. Foque na comunidade de sobreviventes e suas relações, coloque o plano louco de viajar para a Europa como algo mais importante na trama. Evite o óbvio: sangue e miolos.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário, José. Não desperdiçarei, vou trabalhar nele. Achei válida a sugestão dos flashbacks, E claro, nada de sangue e miolos. 😉

  33. Priscila Pereira
    29 de setembro de 2016

    Oi Constant… seu conto é muito interessante, está bem escrito, a história (pra mim) é original e transformar o mundo em um enorme cemitério é uma ótima sacada!! Parabéns e boa sorte!!

  34. Ricardo de Lohem
    29 de setembro de 2016

    Olá, como vai? A humanidade perecendo devido a um fator misterioso que está matando a todos. Seu conto me lembrou o livro “A Estrada”, de Cormac McCarthy, e a adaptação cinematográfica de 2009. Também parece ter servido de fonte de inspiração o filme japonês “Kairo” (2001), e o anime “Kamisama no Inai Nichiyoubi”. Um problema no início: você cita um trecho de uma música escrita por Elton John, “Empty Garden (Hey, Hey Johnny)”, e no final cita somente o autor, não o nome da música. É melhor ser mais informativo e citar o nome da música e depois o autor, ambas as informações são importantes, certo? O problema principal que vi aqui foi um notado por muitos: isso não é um conto, é um trecho de um romance que (suponho) não foi escrito. Um conto tem o direito de começar e terminar de modo brusco, mas dever ter um Universo que faça sentido em si mesmo, um universo autocontido nos limites daquela história, entende? Como está, ficou meio vazio, meio sem nexo. Mas valeu como trecho de um bom romance inexistente. Desejo para você Boa Sorte no Desafio.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Olá, sim, eu li esse livro “A Estrada” e gostei muito, apesar de ser muito dolorosa a leitura dele, tanto que nem ousei ver o filme. Já esse outro filme e anime eu desconheço. Sim, “A Estrada” foi uma das minhas inspirações, além de “Blecaute”, do Marcelo Rubens Paiva, outro do qual gosto muito. Não vejo a citação só referenciando o autor como problema. A autoria é que precisa ser citada em uma epígrafe. E apesar de todos dizerem que é um trecho de um romance, quando o escrevi sequer pensei nisso. Meus textos costumam ser bastante abertos, mesmo como leitora eu gosto disso, desde que bem escritos, talvez esse seja o problema do meu texto, não ter sido bem escrito, pois o escrevi meio que correndo, nos últimos dias. Não deu muito tempo de refletir sobre a estrutura, embora eu tenha gostado da forma como ficou. Pra mim fez sentido, uma pena que não surtiu o mesmo efeito em vários que leram. Então, ele não será trecho de um bom romance inexistente, mas de um existente, pois resolvi praticar esse exercício de transformá-lo em tal. Obrigada pelo comentário.

  35. Marcia Saito
    29 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Pois é… Seu conto prometia tanta coisa mas as 1500 palavras foram cruéis.
    É como se um Boing 747 de desenvoltura literária começa levantar vôo, sobre uns metros e já tem que finalizar descendo antes que a pista acabe, antes que caísse no mar.
    Quem sabe com um tanto a mais de palavras, em uma repescagem possa dar o corpo a mais que o conto merecia, não?
    Boa sorte

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Marcia, na hora em que escrevi nem tinha consciência do Boeing, rs. Obrigada pelo comentário.

  36. Pedro Luna
    28 de setembro de 2016

    Olá. Esse conto é muito bem escrito e tem uma trama interessante, mas ele peca justamente em transformar essa trama em conto. A todo momento ficou claro para mim que esse texto é feito para servir a algo maior. Um romance. Talvez aí coubesse as explicações para esse futuro sombrio, e o desenrolar de situações que você trouxe, como a relação dele com a moça e com Breno, as andanças com o pai. Sério mesmo, acho que ficaria muito legal um romance. Se você encontrasse situações fora do clichê de futuros apocalíptico, acho que faria um bom livro.

    Bom, mas voltando ao conto, ele é bacana, mas essa falta de algo mais, incomoda. É como disse, parece que li um trecho de algo, e portanto, no fim, a sensação não foi tão boa. Foi incompleta. No entanto, digo novamente que o autor (a) escreve muito bem. Foi uma leitura bem agradável. No geral, um conto bom.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário, Pedro. Na hora, realmente, nem me atentei que ele pudesse ser parte de algo maior, sério mesmo. Escrevi a história do jeito que coube em 1500 palavras, um grande defeito que tenho. Vou pensar mais nisso quando tiver que escrever outro conto. Valeu!

  37. Iolandinha Pinheiro
    27 de setembro de 2016

    Pois é. A ideia é interessante, mas a execução …. O começo é a parte mais difícil já que o leitor não tem pista alguma do que está acontecendo no mundo. A missão do pai e do filho é sair enterrando pessoas que encontram mortas por aí. Parece que fazem isso voluntariamente, e o conto deixa claro que é uma atividade que não os agrada, ainda assim, fazem, talvez porque achem que todo mundo merece uma sepultura digna, um enterro. O conto também não informa o que causou a catástrofe, e porque algumas pessoas parecem imunes ao que fez com que as outras sucumbissem. O título é Canteiros do Planalto mas a impressão que se tem é que poderia se chamar Canteiro de qualquer outro lugar, porque em momento algum há algum link que ligue fatos, personagens ou desfecho à localização dos canteiros/cemitérios. No fim o foco da narrativa muda para o garoto Ichiro, que na verdade se chama Vitor, e na decisão dele de permanecer em Brasília quando parte da comunidade está mudando para a Europa. Fiquei meio no “ora, veja” é só isso? Ah, não quero ser desagradável e nem que você se chateie comigo, o texto não é ruim, mas parece um trecho de algo maior, por isso não tem causas, nem conclusão, só fatos na vida de algumas pessoas. É isso. Sorte no desafio.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Apesar da execução ruim do início, o que você colocou aqui é justamente o que acontece, então será que foi uma execução ruim? Sobre não informar o que causou a catástrofe, não achei necessário, já que o tema do desafio não era pós-apocalíptico ou catástrofe, além disso eu sempre digo que não tenho um estilo próprio, mas tem algumas coisas que eu gosto de fazer, como deixar para o leitor algumas conclusões. Não é todo mundo que gosta, mas eu acho bacana, também gosto desse exercício enquanto leitora. O título não está bom, mas a palavra “Planalto” se relaciona com a segunda parte, pois eles estão em Brasília, isso foi deixado bem claro no texto e na imagem do texto, creio eu. O Ichiro se chama Vitor também. Vitor Ichiro. Isso é comum entre descendentes de japoneses, mas mesmo que a pessoa não soubesse desse costume, ficou claro também dentro do texto, quando ele fala em primeiro nome, que uns o chamam de Vitor, outros de Ichiro… E sim, “ora, veja”, foi só isso o meu texto. Na hora em que escrevi, nem me atentei que poderia ser parte de algo maior, pensei que ele se bastasse em si. Foi difícil colocar nas 1.500 palavras, é verdade, mas isso sempre acontece comigo, enfim, melhor eu começar a prestar mais atenção nisso. Obrigada pela leitura e comentário.

  38. Marcelo Nunes
    27 de setembro de 2016

    Olá Constant.
    Está bem escrito, só achei que a estrutura poderia ser um pouco melhor.

    Primeiro parágrafo repete algumas palavras, leitura um pouco travada.
    Mais à frente, o texto me lembrou de um filme, “Eu sou a lenda”.

    Vi somente um futuro repetitivo, um ciclo de vida manjado.

    Boa sorte para você.

    Abraço.

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Valeu o comentário, Marcelo. Vou mexer na estrutura, sim.

  39. Olisomar Pires
    25 de setembro de 2016

    O mundo todo seria um grande cemitério com mortos aguardando sepultamento e vivos esperando a morte.

    Como não houve reviravoltas, o conto ficou repetitivo, preso em si mesmo, quando passa a discutir as dúvidas inevitáveis da humanidade.

    Boa sorte.

  40. Olisomar Pires
    25 de setembro de 2016

    O texto é bem escrito e nos mostra um futuro de mortos a serem enterrados por vivos que aguardam sua vez de serem enterrados.

    Ficou meio repetitivo sem uma reviravolta nas coisas.

    Boa sorte.

  41. Taty
    25 de setembro de 2016

    Um cemitério global num futuro pós-apocaliptico, mas sem os mortos-vivos, sem criaturas estranhas, só a velha e boa humanidade sobrevivente.

    Bem escrito, embora algumas partes sejam meio confusas, principalmente quando o filho toma a narração.

    Sem surpresas, sem conflito.

    É isso.

  42. Evelyn
    24 de setembro de 2016

    Oi, Constant…
    Nossa… Que futuro sombrio. A humanidade dizimada. E ainda bem que sobraram os coveiros para enterrar todo mundo. Não todo mundo, mas enfim… Eu gostei do conto. Uma pena o pai-coveiro ter morrido. Tinha esperança de que eles encontrassem mais gente sadia nesse apocalipse aí.
    Uma história simples, sem conflitos. Bem escrita. Sem erros. Poderia ter falado mais sobre o que dizimou as gentes, não? Mas eu gostei.
    Parabéns.
    Abraço!

    • Bia Machado
      16 de outubro de 2016

      Oi, Evelyn, obrigada pelo comentário! Na verdade, eles enterram um ou outro, aqui e ali, não são coveiros mesmo… E optei por não abordar o que havia acontecido pra não dizerem que desviei do tema do desafio, fiquei com receio. Obrigada pela leitura!

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Publicado às 24 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .