EntreContos

Literatura que desafia.

O Jardim das Almas Perdidas (Amanda Gomez)

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A sensação era como se eu estivesse submersa em um mar gelado e, aos poucos, meus ossos iam transformando-se em gelo. Olhei fascinada para uma gota de suor escorrendo no rosto do homem ao meu lado. Encolhi-me, disfarçando o barulho dos meus dentes batendo. Encarei as costas de um dos responsáveis pelo efeito. Seu aspecto era consistente, um tom avermelhado envolvia sua figura fantasmagórica. Estava ao lado de uma mulher que, assim como eu, tinha arrepios constantes.  Ao fundo, sei que havia pelo menos mais dois. Olhei meu reflexo no vidro da janela, surpreendida por não parecer, como me sentia.

Desci do metrô com o jornal nas mãos, seu rosto não estampava mais na primeira página. Mas era noticiada na folha seguinte: Georgina Paes, desaparecida, sem pistas, testemunhas ou corpo. Não tive dúvidas que era ela, o espírito que vi acompanhando-o em um comício que fizera na cidade onde eu estava.  O choque de vê-lo impediu-me de me aproximar. Por isso, depois de dois anos em meu esconderijo retornei à cidade.

Segui em meio ao aglomerado de pessoas que vinham de todas as direções, esbarrando nos vivos, para desviar dos mortos.

*****

Sarah tem amigos imaginários”. Era a desculpa que meus pais davam às pessoas que percebiam minha peculiaridade.

A bolha em que vivi estourou quando eu tinha oito anos. Nas férias, eu passava o dia inteiro correndo pelos jardins, nunca tive muitos amigos, não os culpava: Eu fazia coisas assustadoras. Minha amiga imaginária da vez era Dalila, a filha da vizinha, ela morreu em um acidente de carro.

“Não se pode brincar com a dor alheia, Sarah, por que você não pode ser normal?” Vociferava minha mãe, enquanto meu pai me batia. Eu não entendia naquela época, que ir até a casa da vizinha e, dizer que Dalila, sua filha, estava ali comigo, não era o certo a fazer. Minhas costas arderam por dias, Dalila partiu.

Em um dia de sol quente, com cheiro de flores, minha mãe desapareceu e, nunca mais voltou.

Prefiro acreditar que ela não tenha percebido o que estava fazendo comigo. Quando passou a aparecer, em tons vibrantes de vermelho – pedindo, implorando, ordenando que eu subisse ao lado do meu pai em um palanque, enquanto ele dava notícias tristes sobre o desaparecimento de sua esposa, e falasse com lágrimas e mãos trêmulas palavras que tornar-se-iam minha sentença:

“Meu Papai matou a mamãe”

“Como sabe disso?” Foi o que o delegado perguntou logo depois da confusão. Eu estava sentada em uma sala fria, com vários olhos me avaliando, minha mãe, permanecia ao meu lado cochichando palavras em meu ouvido.

“Ele matou mamãe afogada, enquanto nadavam na lagoa. Ela não sabe dizer onde está o corpo. Ela queria se separar dele”. Eu estremecia a cada grito de raiva que ela dava, quando eles claramente não acreditavam em mim. Mesmo que em certos momentos, eles ficassem assustados com a visão de uma garotinha falando com algo que não podiam ver.

Meu pai nunca chegou a ser preso, não havia provas e, além de poderoso, tinha um álibi. Fiquei dez anos em uma casa especial – um lugar cheio de pessoas de branco querendo entrar na minha mente. Com o tempo, fui crescendo e entendendo como as coisas funcionavam. A confusão transformou-se em raiva, e depois em ódio.

Certo dia, enquanto brincava sozinha, ela chegou furiosa, sua aparência a cada dia ficava pior, percebi que minha mãe me odiava e, o mais assustador: era recíproco.

“Vá embora!” – ordenei – “Vá embora!” Ela ficou assustada, mas não parei. Gritei para que fosse embora até ficar sem voz. Quando acordei depois do surto, sua ausência era a única coisa que pude sentir, não derramei nenhuma lágrima desde então. Ignorei a existência de todos os outros espíritos que habitavam o recinto:  foi então que senti o frio.

Eu tinha duas escolhas: reconhecer a existência deles e, ser atormentada, ou ignorá-los e viver em um eterno inverno.

*****

Balancei a cabeça, afastando as lembranças. Toquei a campainha, apreensiva, não sabia bem o que iria dizer. A porta abriu revelando a figura de um homem: seus olhos estavam fundos, a roupa amarrotada, parecia exausto.

– Olá – pigarreei – Sou Sarah…

– Escute, eu não estou dando mais porra de entrevista, Ok? – Interrompeu.

– Não sou jornalista.

– O que diabo é então?

– Amiga da sua irmã…

Sentados no sofá do aconchegante apartamento, nos encaramos. Não tinha traçado nenhum plano. Ele me fitava com impacientes olhos âmbar, quando balbuciei algo, o telefone nos interrompeu. Se desculpando, ele correu para atender. Não era dessa forma que eu gostaria de agir, mas a ocasião estava favorável. Levantei e peguei uma pulseira com um penduricalho com a letra “G” em cima de um armário – rezei para que fosse dela. Ouvi a voz dele alterada no outro cômodo. Esperar e disfarçar era o certo, mas o que fiz foi correr porta afora.

– Ladra!

O grito me fez tropeçar e quase cair.

Olhei para trás e nos encaramos, seus olhos raivosos mudaram para completa perplexidade, sua aura era lilás, tirando a cor atípica – era exatamente como nas fotos.

Georgina.

Corri.

Parei em uma pracinha vazia naquele horário. Ofegante, sentei no banco, com a pulseira – agora inútil – nas mãos.  Passados alguns minutos, encarei seus sapatos de saltos diante de mim, corri os olhos por sua figura até chegar em seu rosto.

– Olá, Georgina.

– Deus…  – ela arfou – Você tem os olhos dele.

Ficamos sentadas no banco, até que eu tenha dito tudo, ela ficou em silêncio a maior parte do tempo.

– É maravilhosa essa sensação – disse, fechando os olhos – Existir, nem que seja para uma garota estranha que fala com os mortos.

Um pequeno sorriso brotou em meus lábios.

– Não pode se acostumar com isso – alertei.

– Eu sei, tenho perambulando por esses dias que mais parecem anos, gritando, pedindo ajuda, sofrendo por meu irmão – engoliu em seco. – No começo achei que ficando perto eu poderia ajudar, mas, o efeito foi contrário. Não quero ser pra ele, o que sua mãe foi pra você… quero ir embora, Sarah.

– Eu preciso saber onde você está… seu corpo.

Seu sorriso era triste.

– Eu não sei.

Meu peito afunda e, sinto a esperança de reparar o passado escorrer por entre meus dedos.

– Eu o amava. – ela continuou. – Quando ele me atacou… não acreditei até o último suspiro. Era nosso aniversário de namoro, nós… ele nunca me assumiu. Era tudo às escondidas, mas, pra mim bastava. Carlos me levou para jantar, trouxe minhas flores prediletas… ele sempre trazia.

– Tulipas. – disse – surpreendendo nos duas.

– Como sabe? – seu rosto era confuso.

Minha cabeça girou e senti que ia desmaiar.

– O que foi? – exigiu saber.

– O seu cheiro… – digo pesadamente – Você cheira a tulipas.

– Eu… não entendo. – sua voz equalizada sussurrou.

– Minha mãe cheirava a gardênias, eram suas flores prediletas.  – digo a meia voz.

*****

Às vezes nos meus sonhos, eu a via se afogar, por mais que tentasse não conseguia salvá-la. As águas continuavam tranquilas, a casa logo acima do morro tinha o mesmo tom de amarelo. O velho caseiro nada disse, quando viu a menina avoada, agora crescida, desbravando aquelas terras novamente.

Cada passo que eu dava me senti afundar, como se houvesse mãos enroscando em meus tornozelos impedindo-me de avançar. Memórias de criança surgiram em uma avalanche que me deixou sem ar.  Rostos, belos e desconhecidos vagando pelo jardim.

Havia uma variedade imensa desde a última vez que estive ali. Em determinado momento, Papai proibiu minha presença – agora entendia o motivo, eu via o que ele não podia explicar. Avistei o que procurava, Gardênias… a respiração falhou, lágrimas me cegaram. A presença estava de volta.

Corri.

– Mãe! – chamei – Mamãe!  – Ajoelhei envolta do espaço dedicado as suas flores preferidas. Ao redor havia margaridas, rosas, jasmins e, as mais recentes: tulipas.

*****

Me mantive longe da repercussão, mesmo que meu rosto tenha voltado para as páginas dos jornais. Além das duas, havia mais cinco flores plantadas pela crueldade do meu pai. Um cemitério lindamente planejado – Um jardim de almas perdidas – Ele se matou assim que tudo explodiu, Jogou-se de uma janela tornando-se nada mais que um borrão no chão. Eu esperei por ele, e espero ainda hoje. Chamei seu nome e visitei seu túmulo.  Mas, onde quer que ele esteja, meus olhos não conseguem alcançá-lo. Mamãe também estava perdida pra mim, desejei que tivesse encontrado paz.

*****

Georgina permaneceu ao lado do irmão durante todo o enterro, enfim terminou seu ciclo.

– Você é boa nisso – disse ela, depois. – Pode se tornar um Sherlock Holmes médium, já pensou? Imagine só os casos que resolveria. Ao invés de falar com os suspeitos, iria entrevistar as vítimas. Só precisa melhorar esse seu guarda roupa, sabia que as pessoas costumam ficar mais elegantes no frio? – brincou. – Obrigada, Sarah.

Virei para responder, mas ela já não estava mais lá.

Uma sensação, até então, desconhecida se apoderou de mim – dever cumprido talvez. Pela primeira vez, senti orgulho do que eu era, e ansiedade pelo que poderia fazer. E eu poderia fazer muitas coisas…. Sorri para alguns fantasmas que olhavam-me com curiosidade.

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42 comentários em “O Jardim das Almas Perdidas (Amanda Gomez)

  1. Thiago Amaral
    15 de outubro de 2016

    Achei o conto bom e interessante. Apesar da saturação de fantasmas no desafio, esta história teve uma pegada diferente, e não causou incômodos. Todas os elementos clichês de ver e conversar com os mortos, ao meu ver, foram evitados e a história ganhou com isso. Os elementos sensoriais (cores, cheiros e o eterno frio) contribuíram bastante também para fugir da mesmice.

    Não houve grandes revelações ou momentos de emoção, mas a história entretém como conto de mistério.

    A abundância de cortes e passagens pode ser vista como algo confuso num bom ou num mau sentido. Nesse caso, vi como bom, pois achei o conto rico de informações quanto à vida da protagonista, ainda mais em espaço tão limitado. Só não entendi a cena no apartamento; quem gritou ou quem tinha a aura lilás, se era o irmão, o espírito, pra que pegar o objeto, etc. Fica a seu critério se essas coisas deveriam ter sido melhor explicadas.

    Outro ponto positivo foi a simetria entre o começo, frio pela rejeição ao dom, e o fim, no qual ela passa a se abrir aos outros espíritos. A história, de fato, está bem redondinha, muito bem apresentada.

    A única coisa negativa que gostaria de ressaltar é opcional: as já citadas vírgulas que poderiam ser ponto final. Acho que uma mudança nisso deixaria o texto ainda mais elegante.

    Até!

  2. Pedro Luna
    14 de outubro de 2016

    Eu gostei. Meu preferido até agora. Digo isso porque gostei da trama, principalmente da situação do fantasma da mãe pedindo para a filha denunciar o pai. E também porque me lembrou algumas coisas que já escrevi, como o meu conto Assombrados Anônimos. O lance de “sentir o frio” é sempre algo que me deixa tenso em conto sobre fantasmas.
    Parabéns

  3. mariasantino1
    14 de outubro de 2016

    Oi, tudo bem?

    Então, o lance mentalista foi uma boa sacada e também achei bacana a epifania impelida pelo cheiro das flores. Pra mim o pai sobrou e muito, e uma vez que ele tem papel importante na trama, merecia um melhor aprofundamento. O começo até a parte em que a mãe dela some, está soando bem natural e instiga a querer saber mais, porém o lance de clinica para loucos deu uma destoada e depois quando ela vai conversar com o irmão da mina lá o conto muda outra vez de ritmo.
    A ideia é boa e o tema está aí, mas o conto não consegue repassar fortes emoções, de forma que lemos e vemos, mas não chegamos a torcer por algo.
    Boa sorte no desafio.

  4. Maria Flora
    14 de outubro de 2016

    A história é interessante. Mas há pontos no texto que podem ser revistos para melhorar. Defeitos que realmente acabam travando a leitura, já identificados em outros comentários. Gostei do conto! Boa sorte!

  5. Pedro Teixeira
    14 de outubro de 2016

    Olá, Mustang! Gostei do texto. Consegue arejar um tema já batido, trazendo reflexões e momentos bem inspirados, como o no qual a fantasma diz que é bom existir para alguém. Senti que a trama ficou com informação demais, e isso atrapalhou um pouxo o fluxo da trama. Há potencial para algo em série aqui, tem um jeitão bacana de HQ. Como conto não funcionou tão bem quanto poderia, mas foi uma leitura prazerosa. No que se refere ao tom da narrativa, só acho que “eterno inverno” parece destoar do tom do restante do texto, de resto gostei.Parabéns e boa sorte no desafio!

  6. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Gostei, mas ainda assim senti as coisas meio apressadas por aqui. Principalmente pela grande fragmentação do enredo. Sempre parece que falta algo, que só o que está sendo narrado não é o suficiente. Por exemplo, só a história da morte da mãe já daria um conto, usando apenas esse conflito. Mas vc optou por pequenos “capítulos” e vou avaliar o conto olhando assim, como um todo.

    Outro colega já comentou sobre a possibilidade de aumentar tudo isso, afinal a garotinha com certeza tem grandes aventuras e histórias pesadas como essa para se contar.

    Vi que você comentou que escreveu o conto quase que “de última hora”, pode ser por isso que tantas ideias acabaram indo para o papel. Eu queria mais unidade, um pouco mais de ordem aqui. De qualquer forma, a escrita é fluída e muito interessante.

    Parabéns pelo trabalho e na próxima, tente “rascunhar” a primeira versão do conto antes, pra dar tempo de olhar ele de longe, e entender melhor o resultado.

  7. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    5. O Jardim das Almas Perdidas (Mustang)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: gostei imenso da forma sinestésica como a história começou, e de como o passado veio para explicar o dom de Sarah. Depois, talvez pelo limite de palavras, esperei um twist na história mas ela passou reto, sem surpresas, daí até o final. Me pareceu um bom argumento para um piloto de televisão, o que permitiria aprofundamento no universo da personagem.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Minissérie

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    13 de outubro de 2016

    Autor(a),

    o texto tem pontos de excelência – principalmente pelo fato de tornar levemente interessante uma tema tão batido.

    Existem erros de pontuação, fatores que impedem uma leitura mais fluída e constante. Porém, a escrita é muito boa. Só senti falta mesmo de uma história melhor elaborada e mais original.

    No mais, é um bom trabalho.

  9. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    O texto tem alguns problemas de pontuação e fluidez, principalmente no primeiro parágrafo, que é excessivamente vago. Vi nos comentários alguns elogios em relação à escrita, mas minha opinião é diferente. Li com entraves e com dificuldade de concatenar as ideias. Outra característica que me desagradou: o texto é muito insubstancial e quase não possui detalhes mais profundos. Por exemplo: a narradora diz que o pai é poderoso. OK. Mas poderoso por que? Uma frase resolveria essa questão, mas ficamos com a sensação de que o texto está superficial porque não temos sequer a construção do personagem que é antagonista da história.

    Um exemplo de problemas na construção do texto: “Desci do metrô com o jornal nas mãos, seu rosto não estampava mais na primeira página.” Usar esse “seu” não funciona. Georgina não foi apresentada ainda. Quando você usa um pronome desse, o leitor vai ao texto passado tentar buscar a referência, que ainda não existe.

    Mais um exemplo: “Não tive dúvidas que era ela, o espírito que vi acompanhando-o em um comício”. Esse acompanhando-o refere-se à que? Fiz um esforço para entender que estava se referindo à última palavra da frase anterior (corpo), mas em termos de construção, ficou estranho. Esse mesmo problema é recorrente em todo texto (“nunca tive muitos amigos, não os culpava”). Há também problemas com a colocação de vírgulas e pontuação em geral.

    A manchete do jornal está estranha: “Desaparecida sem pistas, testemunhas ou corpo.”. Se tivesse corpo, não estava desaparecida, certo?

    Por fim: apesar de todos os problemas que encontrei, acho que a personagem tem potencial. O texto merece ser revisitado, de preferência com a ajuda de um revisor que possa auxiliar com alguns dos pontos que mencionei.

  10. catarinacunha2015
    13 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Começou logo dando de cara com alma penada. Bora lá!

    TRAMA batida, mas a escrita é extremamente talentosa. Há profundidade e facilidade para a prosa. Com mais prática, desenvolvendo mais a técnica, teremos festa.

    AMBIENTE não muito influente na trama, mas, vá lá.

    EFEITO cofrinho. Vale o investimento futuro acumulando moedas literárias.

  11. Luis Guilherme
    12 de outubro de 2016

    Boa tarde, Mustang, td bem?

    Olha, seu conto é interessante. Tem uma trama legal, e é legal a forma como desenvolveu os acontecimentos e a personalidade da personagem. Mas nao me conquistou. Acho que ficou meio vago em alguns momentos, não sei.

    Acho que o mais importante é que mostra uma criatividade e um talento grandes.
    Notei também alguns erros de pontuação que dão uma travada no texto.

    Enfim, no geral, é um belo conto! Mesmo usando um tema já bem explorado, que é a “investigação paranormal”, conseguiu trabalhar bem a quetão pessoal da personagem, os traumas e suas questões, conduzindo a um fim interessante.

    Parabéns!

  12. Evandro Furtado
    12 de outubro de 2016

    Fluídez – Good

    Há dois pontos que gostaria de destacar. O primeiro é em relação à pontuação: em alguns momentos, o período fica longo demais, substituir algumas vírgulas por pontos pode ajudar nisso. A segunda coisa é a mudança de tempo verbal, seria legal uniformizar tudo no passado, alguns trechos no presente parecem deslocados.

    Personagens – Oustanding

    A personagem principal é muito bem desenvolvida. Apesar de o autor não atribuir a ela características físicas, sua imagem é muito bem construída, sobretudo a partir de aspectos psicológicos. Sua relação com os espíritos também é bem bacana, assim como o desenvolvimento dessas almas atormentadas.

    Trama – Outstanding

    Simples, mas bem desenvolvida. Em um curto espaço de tempo o autor consegue abranger um longo período da vida da personagem principal, apresentando os fatos que levaram ao ponto no qual ela se encontra no principal momento da história.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Good

    A narrativa em primeira pessoa funciona bem criando uma atmosfera de intimidade entre a personagem-narradora e o leitor. A aura fantástica, no começo, contem traços de terror muito bem colocados – a história de Dalila merecia um spin off. Há uma frase em particular que achei genial: “Segui em meio ao aglomerado de pessoas que vinham de todas as direções, esbarrando nos vivos, para desviar dos mortos”.

    Efeito Catártico – Good

    Uma boa história de fantasmas com personagens profundos e cativantes.

    Resultado Final – Good

  13. Simoni Dário
    11 de outubro de 2016

    Olá Mustang

    Um conto bem desenvolvido com potencial para algo maior. A narrativa é bem fluida e acredito que tenha sido difícil colocar o texto da forma como foi estruturado, em partes(e não deixar pontas soltas).

    Uma boa história, ainda que o tema não esteja presente, já que cemitério, para mim, é diferente de um esconderijo de corpos por um assassino psicopata.

    Você tem talento e esmero com a escrita, está de parabéns!

    Bom desafio.
    Abraço

  14. Bia Machado
    11 de outubro de 2016

    Tema: Sim, está adequado e tem tudo a ver com a trama.

    Enredo: Gosto muito de textos, séries, filmes com essa temática, de relação entre vivos e mortos, investigação criminal etc… Acho que dá pra dizer que é a minha temática preferida. Seu texto tem o enredo ótimo para um romance, ah, se eu tivesse ao menos 200 páginas dessa história para ler, como ficaria feliz! Para o tamanho de um conto, meio complicado, fica devendo alguma coisa, mas é compreensível.Gostei da forma como colocou o que caberia em 200 páginas dentro de um conto com o limite de 1500 palavras, mas por conta disso acabou correndo um pouco e muita coisa foi pouco explorada.

    Personagens: Me cativaram. A médium renderia várias histórias. E sobre isso o autor/autora (acredita que seja autora, mas, quem sabe?) tem total mérito, parabéns. Um enredo muito bom sem personagens cativantes não agrada, não envolve.

    Emoção: Conseguiu me entreter e isso é muito bom. Pareço estar chovendo no molhado, mas já entenderam que gostei muito desse texto, né?

    Alguns toques: “A sensação era como se eu estivesse submersa em um mar gelado e, aos poucos, meus ossos FOSSEM SE transformando em gelo.” Essas construções verbais me incomodam, mas foi apenas um toque, nada que influencie no meu julgamento sobre a narrativa. E mais uma vez, por favor, crie um romance com essa história. 😉

  15. Fil Felix
    10 de outubro de 2016

    Hitsuzen

    O tema já é bastante conhecido de quem gosta de horror/ sobrenatural, como livros/ séries/ filmes que alguns colegas citaram que tratam da mesma coisa. Eu também percebi algumas semelhanças com um mangá/ anime que sou apaixonado: xxxHOLIC. O protagonista, Watanuki, tem a maldição de ver espíritos (youkais) e, num episódio, precisa salvar a alma de uma mulher que teve seu corpo enterrado embaixo de um pé de hortênsias. Delivery Service of Corpse também é um mangá onde um grupo com habilidades diversas recebem pedidos de ajuda de espíritos querendo paz.

    GERAL

    O tema, então, não é dos mais originais. O desenvolver ficou interessante, como colocou as linhas temporais alternando entre uma e outra, faz o leitor acompanhar o “caso” aos poucos. O clima também é bom, eu particularmente gosto de histórias com fantasmas, espíritos, alienígenas e afins. Tratar o oculto é sempre bom. Alguns detalhes também ajudam nos pontos positivos, como as diferentes flores e o percurso da menina pelo “manicômio”.

    ERRORr

    Uma coisa que percebi na escrita é o uso da vírgula em alguns momentos que acho que não precisava. E me pareceu uma característica (ou vício) do autor mais que um erro ou descuido, porque é constante. Como aqui: “Meu peito afunda e, sinto a esperança de reparar o passado escorrer por entre meus dedos.”

  16. phillipklem
    10 de outubro de 2016

    Boa noite.
    Gostei bastante do seu conto. Apesar de ser uma premissa bem previsível, foi agradável de se ler.
    Você escreve muito bem, e constrói bons personagens. Gostei muito da protagonista e do fato de ela ver não só os mortos, mas a cor dos vivos também. Foi um adicional muito bem vindo.
    O único fato que me incomodou foi o fato de o pai ter se tornado um serial killer depois de ter assassinado a mãe, pois não é assim que geralmente acontece, mas não há motivos para desmerecer seu texto só por causa disso.
    Meus parabéns e boa sorte no certame.

  17. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    O conto é bom, apesar de beber em uma fonte bastante conhecida. A maneira como foi escrito me agradou bastante. O início, com “sangue na parede” já me prendeu – essa, aliás, é uma técnica bastante eficiente se usada com sabedoria (foi o caso aqui), funcionando mais ou menos como a cenoura na vara de pescar para motivar o coelho a prosseguir. A explicação que se segue, com a menina contando os motivos e sua própria história, também ficou adequada, se bem que senti o ritmo cair um pouco. Ao tratar novamente do caso presente, o conto voltou a ganhar fôlego, terminando com dignidade, ainda que de modo previsível. A escrita é boa (embora com possibilidades de melhoria), fluida e hábil, revelando uma autora que pratica com esmero e que busca as encaixar as melhores expressões. Se posso fazer uma aposta, diria que este texto, embora bem escrito, não irá ficar entre os melhores, mas tenho certeza de que a autora irá evoluir rapidamente e, por certo, frequentará o pódio dos desafios por aqui antes do que imaginamos. Boa sorte!

  18. Olá, Mustang,

    Seu texto é bem escrito, com uma narradora que vai, aos poucos, revelando o enredo. É interessante ver como as pistas deixadas vão desvendando o mistério à protagonista, ao passo que também o revelam ao leitor.

    Os espíritos a atormentavam, para que ela conseguisse desmascarar seu pai, frio assassino de mulheres. A premissa por si só, já é, praticamente um conto.

    Gostei do trabalho com o sensorial, na descrição dos cheiros de flores, do frio, enfim.

    A única ressalva que eu faria seria o fato de a trama envolver uma série um tanto grande de ações, em um período de tempo igualmente extenso. Isso, talvez, tire um pouco da força do conto. A história cairia muito bem em um romance.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

  19. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    “Ele matou mamãe afogada.” Esta frase deixou-me nervoso, pois se a matou ela não era afogada, ou, se era afogada ele não a matou. Sim, fiquei bem confuso. Ainda estou. rsrsrs Escreves bem, sim, mas lamento que não tenhas investido numa história mais original onde mostrasses ainda mais todas as tuas capacidades. Aguardemos pelo próximo desafio, então.

  20. Gilson Raimundo
    8 de outubro de 2016

    Um conto ao bom estilo “Sexto Sentido”, tipois de coisa que gosto por mais que seja explorado, não traz grandes novidades mas daria um bom filme…. teve mistérios, emoções e dramas o que não vi na maioria dos contos postados…. final belíssimo.

  21. Davenir Viganon
    7 de outubro de 2016

    Olá Mustang
    O título, é bonito e está presente na parte principal da estória. É de soltar um “aaaaah” quando lemos o título no texto. Já falaram da estória, e eu gosto dessas estórias de médiuns que falam com os espíritos. Não pesou no drama, nem no humor e o final foi triste mas esperançoso. É bem escrito mas não me conquistou mas eu achei um conto muito bem narrado, bom feijão com arroz, mas a personagem principal é meia comum, não tinha algo marcante nela, nem os outros também. O que costumo dar mais valor é a estória e aqui acho que está boa, a revelação fez o conto valer a pena mesmo que tenha ficado aquela impressão de que era um episódio de série.
    Um abraço.

  22. Fheluany Nogueira
    7 de outubro de 2016

    Uma trama policial-médium, realmente, não é muito original. Há até uma série de tevê, antiga (A Paranormal), que explora este assunto, além dos livros e filmes já citados aqui. Mas a condução da narrativa foi acurada, criou-se empatia com a personagem e com as vítimas e entender que o psicopata era o pai da sensitiva foi chocante, sobretudo depois de ter trancafiado a filha, por anos , em hospital psiquiátrico, temendo que ela revelasse seus segredos.

    Conto com estrutura bem delineada, linguagem agradável, o cemitério aparece na medida do necessário, oferece leitura fluente; enfim, marcou pontos positivos comigo.

    Parabéns e abraços.

  23. Pétrya Bischoff
    7 de outubro de 2016

    Olá, Mustang! A primeira frase, a sensação de frio, criaturas e olhar pela janela e, antes mesmo de eu ler que era um metrô, remeteu-me a cena dos dementadores no trem em HP e o Prisioneiro de Azkabam (por sinal meu favorito da saga).
    A escrita apresenta alguns problemas com a pontuação mas creio que seja apenas a revisão pouco atenta. A narrativa é muito boa, clara, objetiva e conduz o leitor satisfatoriamente em primeira pessoa. A história é interessante; lembrou-me Cold Case (que eu amo), e eu gostaria de ler outros casos solucionados com a ajuda dessa médium.
    Gostei da maneira que o suspense se revela abrupto, ao saber que o pai era uma serial killer. Muito bom conto, parabéns e boa sorte!

  24. Anorkinda Neide
    7 de outubro de 2016

    Olá! Eu gostei do conto, pero no mucho.. achei um pouco morno.
    Apesar do quebra-cabeça,não acontece muita coisa.
    Acho que há cemitério, sim, pois o canteiro de flores é onde o pai enterrou suas vítimas, assim entendi. o que faz dele um cemitério. E tb tem a ultima cena no enterro do irmao de Georgina 🙂
    Realmente, parece um episódio de série de fantasmas, eu gosto! A originalidade foi do canteiro ser o Jardim das almas perdidas, bonito isso, poético.
    Me pareceu q qd narrou ali sobre o hospício, a ‘voz’ da narradora estava infantil, mas quem conta o conto é a personagem já adulta né? achei q destoou um pouquinho.
    Mas eu gostei, parabens pelo trabalho. Abraços

  25. Davenir Viganon
    6 de outubro de 2016

    Olá Mustang
    O título, é bonito e está presente na parte principal da estória. É de soltar um “aaaaah” quando lemos o título no texto. Já falaram da estória, e eu gosto dessas estórias de médium que falam com os espíritos. Não pesou no drama, nem no humor e o final foi happy. É bem escrito mas não me conquistou mas eu achei um conto muito bem narrado, bom feijão com arroz, mas a personagem principal é meia comum, não tinha algo marcante nela, nem os outros também. O que costumo dar mais valor é a estória e aqui acho que está boa, mesmo com cara de episódio de série.
    Um abraço.

  26. Fabio Baptista
    6 de outubro de 2016

    Mais fantasmas!

    Aqui, porém, eles foram abordados de um jeito peculiar (aliás… me lembrei do livro/filme quando li “peculiaridade” rsrs). Essa proposta de detetive mediúnica está longe de ser nova, mas pelo menos aqui no desafio não me lembro de nada nesse sentido.
    Enfim… a escrita é ok e a trama, apesar de bem elaborada, não chegou a me empolgar em nenhum momento.

    – Olhei meu reflexo no vidro da janela, surpreendida por não parecer, como me sentia
    >>> a utilização (ou falta de utilização) de algumas vírgulas ficou bem estranha, às vezes até tornando as frases sem sentido, como nesse exemplo

    – surpreendendo nos duas
    >>> nós

    – Ajoelhei envolta do espaço
    >>> esse “envolta” ficou estranho

    Abraço!

  27. Claudia Roberta Angst
    5 de outubro de 2016

    Terminei o conto com duas sensações:
    a) foi uma leitura rápida, sem entraves e possui um bom ritmo;
    b) o tema cemitério ficou só lá no título.

    Não que isso conte muito para mim, mas não me vi em momento algum em um cemitério. Tudo bem que o autor (suponho que seja uma autora) tenha usado a metáfora do jardim com flores diversas para representar o local onde as vítimas estavam. O tema do desafio não foi abordado, de fato.

    A linguagem está bem empregada, sem lapsos de revisão que sejam notáveis. No entanto, há algo que torna a narrativa confusa em alguns pontos e que me fez voltar parágrafos para conseguir compreender o que acontecia. Quem era irmão de quem, essas coisas. Muita informação em uma mesma oração.

    A trama pode não ser nada original, mas desperta e prende a atenção. E isso é um grande feito.

    Boa sorte!

  28. Ricardo Gnecco Falco
    5 de outubro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Vamos lá… Este trabalho ficou realmente interessante. Como leitor, tenho que dizer que, tirando a escolha verbal feita já na primeira frase, o texto fluiu com muita facilidade e, mesmo que um pouco alongado, o conto pôde ser inteiramente sorvido. Bem narrado, leva o leitor pela mão até o final. Final este que, a meu ver, mesmo sem muitas surpresas, encaixou bem com a “trama”. Portanto, pela escrita fluída e narrativa redonda, entre 1 e 10 eu darei nota 7 ao trabalho.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Agora a parte chata… Como escritor, devo ressaltar que a escrita, mesmo que correta, não chega a empolgar. Mas, fato, o conto atende ao que se propôs. Contudo, o maior desabono desta obra reside, exatamente, na (falta de) originalidade da história/trama. Resultou em uma mistura de Sexto Sentido com IZombie, onde a sensação de “eu já vi isso em algum lugar” rouba por completo a beleza que uma boa escrita, por si só, não consegue sustentar. E isso é uma pena, pois o(a) autor(a) mais do que provou que TEM capacidade (de sobra) para escrever sobre o que quer que se proponha. E aqui, exatamente, entra um pontinho muito discutido entre os escritores… A importância da IMAGINAÇÃO; a capacidade de CRIAÇÃO, e a tão abençoada (será mesmo um ‘dom’) CRIATIVIDADE. Que bom que quem dá a nota aqui é o EU LEITOR, pois se fosse o EU ESCRITOR, daria 10 para a forma, porém 0 para o conteúdo. A média seria nota 5. Pois, penso eu, o escritor (principalmente o de ficção) deve sempre honrar o ‘trabalho’ que produz, o fruto gerado não apenas por suas mãos, mas também por sua mente, enquanto uma criativa criatura criadora. Mas não fique triste comigo… O conto está, realmente, bem escrito! 😉

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Aguardando algo mais “inspirado” por parte do(a) autor(a).

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  29. Wender Lemes
    4 de outubro de 2016

    Olá! Essa é uma das minhas últimas leituras no desafio, também é uma das que trazem uma abordagem mais original. Uma boa parte até agora tentou ganhar os leitores pela emoção, outra parte pelo asco, ainda houve os que tentassem pela densidade poética/emocional – em todos os casos, contos muito bem escritos, de modo geral. O diferencial que notei aqui foi justamente a ausência de uma “artimanha” visando arrebatar o leitor. É uma narrativa despretensiosa que conquista pela simplicidade das ideias que aborda (e do modo como o faz). Uma “detetive sobrenatural” que teve uma infância difícil não é algo lá muito inovador, mas a escrita bem dosada torna a leitura agradável mesmo assim. Parabéns e boa sorte!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    3 de outubro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Interessante abordagem de uma espécie de “super-heroína” mórbida, ao estilo do antigo seriado Heroes. Foi uma ideia diferente e casou bem com a proposta. Os vai-e-vens cansaram um pouquinho, mas o enredo leve cativa.
    ME: A construção exige um pouco de esforço, mas depois que entendemos o que acontece, fica fácil de acompanhar a trajetória. Tem uma veia poética embutida, de linguagem fácil, e fecha muito bem com uma promessa de enredo futuro.

  31. Jowilton Amaral da Costa
    2 de outubro de 2016

    A leitura fluiu bem, a história é batida. Não tem como não lembrar do filme o Sexto Sentido. Eu ia reclamar que uma família esclarecida, o pai era poderoso, acho que político importante, a menina poderia muito bem ser considerada médium e não com problemas mentais para ser internada numa clínica, mas, com o desenrolar da história, percebi que o pai tinha medo de ela revelar seus crimes, como aconteceu posteriormente,, e por isso a internou, relutantemente aceitei. A intercalação dos acontecimentos ficou bacana. É um conto policial sobrenatural médio, bem escrito, mas, sem força para me impressionar. Boa sorte.

  32. jggouvea
    29 de setembro de 2016

    Não achei o conto tão impactante quanto os que receberão meus cinco primeiros votos, mas aqui há muito para se elogiar. Talvez por eu ler tão pouco o tipo de literatura que muitos dizem que você imita. Como eu não sei disso, vou dar uma opinião de ingênuo e ignorante.

    1. Uma das primeiras coisas que o escritor tem que ter é a capacidade de escrever bem. Isso inclui uma boa ortografia, mas o mais essencial é o domínio da sintaxe, é organizar a ação em frases que se encadeiam e estruturam a narrativa. Quando você domina esse nível básico, praticamente qualquer coisa que você narre já fica interessante. Eu acho inacreditável que tantas vezes nesses desafios os comentaristas valorizem autores que não chegaram a esse nível de capacidade, porque isso é básico. Ninguém corre antes de andar, ninguém nada antes de boiar, ninguém sola antes de solfejar. Então, na minha opinião, quando um autor consegue escrever com correção e clareza, ele se coloca à frente de todos os outros que não atingiram isso. Sabe por que?

    2. Porque originalidade não é uma qualidade em si. Você pode ter boas ideias, mas as suas ideias não são só suas. Dificilmente você terá ideias que ninguém nunca teve antes. Então o que faz diferença é como você se acerca e se apropria dessa ideia. Se você escreve bem, vai pegar as boas ideias que os outros esperdiçaram e vai transformar em textos bons. Eu não tenho o costume de fazer isso com textos aqui do EntreContos, mas não acho errado fazer, desde que não haja cópia de conteúdo.

    3. Você tem, obviamente esse nível de correção “comercial”, o que significa que você está quase no nível profissional de escrita. Falta encontrar seu público. Digo que você tem isso porque é surpreendente ver como você formata corretamente, pontua bem, emprega os tempos verbais de maneira a organizar a ação (não, os verbos não estão lá para atrapalhar, ao contrário do que muitos pensam), e o resultado disso é a leitura fácil, fluida, que fica parecendo que o texto é raso porque o leitor lê depressa. E tem gente que confunde “texto difícil de ler” com “texto profundo”. Em homenagem a essa fluidez que você dá ao seu texto, você terá um voto meu, embora eu não possa prometer um voto entre os cinco primeiros.

    4. Você colocou vários elementos juntos, a mediunidade transformada em uma ferramenta de descoberta da própria identidade, o pai assassino, a luta contra o talento, o “frio” ao se afastar do talento, a institucionalização do diferente. Tudo isso coube e conseguiu funcionar dentro do limite do conto, ainda que tudo isso funcione ainda melhor em uma obra mais longa, como uma noveleta. Por ter conseguido organizar tudo isso em uma narrativa tão curta, sem se perder, é que eu digo que você chegou a esse nível de competência que falta à maioria dos autores.

    5. Por fim, a metáfora das flores… Não sei se você é homem ou mulher (ou algum gênero-neologismo), mas esse recurso marca uma sensibilidade que hoje em dia é rara até nas mulheres. A sutileza de não narrar diretamente nada da violência ajuda o leitor a manter o foco no essencial. Tripas não voam pela página porque há algo mais importante e profundo acontecendo, ainda que o texto pareça “voado” e superficial.

    Resumindo: um texto sofisticado, que revela um(a) autor(a) maduro(a) e seguro(a) no uso da língua. Provavelmente será injustiçado ficando abaixo de outros que não tem a mesma qualidade, apenas porque, supostamente, não tem tanta “originalidade”. Eu não lhe darei o primeiro voto, mas não estranho se muitos derem e não acharei injusto se ganhar.

    • Mustang
      30 de setembro de 2016

      Oi, tudo bem?

      Olha, minha intenção era ficar aqui quieta, só esperando os ” morrrde e assopra”, mas diante do seu comentário tão generoso, não consegui não agradecer as palavras, que confesso, não estava esperando e , que alegraram meu dia. Muito obrigada!

      Este conto em especial, postei para manter um ritmo e aperfeiçoar minha escrita, é um conto de última hora ( sim Rich Dan, síndrome do conto de última hora) A ideia já perambulava por minha cabeça fazia um tempinho, mas só terminei na véspera, sinceramente não achei que conseguiria abordá-la em exatas 1500 palavras, mas consegui, e isso já foi uma vitória.

      Saber que agradou a você, Iolanda e outros já vale muito, e mesmo que os próximos 30 (?) comentários forem chineladas e pontapés ( Tá sinistro esse desafio) já está valendo!

  33. Marcia Saito
    29 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Um conto bem scrito apesar de não ter chamado minha atenção.
    Fez-me lembrar daqueles seriados estadunidenses de se utilizam de médiuns para se obter um “detalhinho diferencial” na história.
    Ainda bem que há alguns fâs de seu estilo, que destruíram o demais contos com seus comentários.
    Enfim, não há como agradar a todos.
    Boa sorte.

  34. Ricardo de Lohem
    28 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Começando pelo fraco e depois indo para o que ficou bom, é melhor assim, não acha? Primeiro as notícias ruins, depois as boas, assim tudo fica mais agradável. Se fosse para dar uma nota por originalidade, sinto dizer, mas a história mereceria um menos 10 (-10). Sim, 10 abaixo de zero. Nove décimos de toda história sobre gente que vê fantasmas segue exatamente o roteiro do seu conto, que, aliás, parece um argumento pronto e ajustado pra ser transformando em roteiro hollywoodiano. Essa mesma história já foi escrita, exatamente do mesmo jeito, milhares e milhares de vezes, só nos últimos vinte anos. Além disso, o tema cemitério não parece ter sido abordado. Felizmente, originalidade e adequação ao tema não são tudo: a capacidade de desenvolver o tema é essencial. O desenvolvimento está correto, uma leitura agradável, que agrada salvando o barco de afundar. Bom conto, desejo para você muito Boa Sorte.

  35. Iolandinha Pinheiro
    27 de setembro de 2016

    Seu conto é muito bom. Além de bem escrito, livre de erros, com um excelente ritmo, um enredo super legal e uma personagem bem trabalhada. Os personagens secundários cumprem os seus papéis na medida. Um dos melhores que li até agora. Ressalto apenas o começo do conto que me pareceu um tanto confuso, mas isso é corrigido ao longo da envolvente narrativa. Para mim o principal atrativo de um conto é a sua fluidez, a vontade que a gente tem de ler até o fim, sem se distrair, e você conseguiu isso comigo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  36. Marcelo Nunes
    26 de setembro de 2016

    Olá Mustang.

    O conto está bem escrito. Alguns trechos ficaram muito bons com os detalhes. Senti um pouco confuso neste trecho “[…] Balancei a cabeça […]” até “– Deus… – ela arfou – Você tem os olhos dele”.

    Não prendeu minha atenção até o final, tive que ler em três partes. E acho que o conto ficou distante sobre a proposta do desafio. Na minha visão faltou isso.

    Parabéns e boa sorte!

  37. Priscila Pereira
    26 de setembro de 2016

    Oi Mustang, seu conto é bom. Fácil de ler, vai revelando tudo aos poucos. Você tem uma ótima imaginação, conseguiu colocar no papel o que uma médium sente mesmo não sabendo de verdade (ou sabe?) Boa sorte!!

  38. Taty
    25 de setembro de 2016

    Bem construído, leitura fácil, as personagens nos deixam querendo saber mais.

    A trama não é original, mas foi realizada com sucesso.

    É isso.

  39. Olisomar Pires
    25 de setembro de 2016

    Conto com vidente ao estilo da série Medium estrelada por Patrícia Arquete.

    Sem surpresas, apesar de bem escrito, o conto não é empolgante.

    O tema do desafio foi abordado indiretamente e de forma muito vaga.

    Boa sorte.

  40. Olisomar Pires
    25 de setembro de 2016

    Bom conto com vidente ao estilo da série Medium com Patricia Arquete.

    Sem surpresas, apesar de bem escrito não é empolgante.

    O tema ficou vago, muito vago, embora as coisas se relacionem indiretamente.

    Boa sorte.

  41. Evelyn
    25 de setembro de 2016

    Oi, Mustang…
    O sexto sentido, aqui, me dizendo que alcançou uma boa pontuação sem a ajuda do Buce. Gostei de como desenvolveu a história, de como foi mostrando os personagens. Eles são personagens bem feitos. Está tudo entendível para mim, usando uma linguagem simples, mas também certeira. O conto está bem trabalhado dentro do tema, embora o cemitério tenha sido pouco mencionado.
    Parabéns.
    Abraços!

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Informação

Publicado às 24 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .