EntreContos

Detox Literário.

A Casa do Bairro Atibaia (Jowilton Amaral)

atibaia

Pedro entrou na casa com passos miúdos. Não fora fácil para ele reencontrar o lugar onde crescera. O cheiro de maracujá pairava na sala como uma nuvem diáfana de reminiscências. O odor vinha do imenso quintal, onde a planta trepadeira ainda se enroscava, feito serpentes esverdeadas, por todo o muro do terreiro. A lembrança dos frutos amarelos, olorosos e ácidos, inundou a boca e os olhos do homem de recordações.

O médico vivera na casa do bairro Atibaia durante vinte e seis anos. Passou metade de sua vida entre aquelas paredes pardas de maresia. Na rua sem calçamento, de barro desbotado, coberta por um manto esbranquiçado de sal, ele dera seus primeiros passos, ouvindo as ondas e sentindo o hálito do mar. Uma salina, de seu avô, desativada tempos depois, fora a fonte de renda de muitos moradores da região.  A brisa vinda de lá carregava com ela um gosto úmido e salgado, como se o vento chorasse todos os dias, expelindo suas lágrimas pelo ar.

Ele caminhou pelos cômodos atento a todos os detalhes, coisas novas, coisas esquecidas, coisas que haviam morrido para ele… as mãos deslizavam sobre a superfície das paredes, das portas, dos móveis. Tateava o passado com olhos de criança. Sala de visitas, sala de jantar, os quartos, a cozinha, a dispensa, o quintal. Em pé na porta dos fundos foi atingido por um vendaval de sentimentos. O primeiro e único amor estampou-se fantasmagoricamente a sua frente. Uma linda moça dançando sob o desvelo dos maracujazeiros. Era Susana. Pedro foi tomado pela emoção. A face se abriu num esgar mórbido e o homem chorou soluçando.

Pedro e Susana se viram pela primeira vez num fim de tarde, quando a luminosidade do dia começava a se entristecer. Ele vinha do mangue carregando duas armadilhas repletas de caranguejos enquanto ela tomava um sorvete, no calçadão da Prainha do Meio, acompanhada dos pais. Pedro nunca se esquecera daquele dia. Seus olhares se procuraram entre as dezenas de pessoas no passadiço, atraídos por uma força incomum. Ambos tinham treze anos de idade. Viraram colegas de classe, amigos, namorados, noivos. Uma história de amor cheia de idas e vindas que não obtivera um final feliz.

Pedro foi tirado de sua nostalgia por pancadas na porta da frente. Quem batia era um homem idoso, quase oitenta anos, atarracado e rijo, de faces acobreadas e braços fortes. O doutor conhecia muito bem aquele rosto.

— Desculpe lhe importunar, doutor. É que está na hora do enterro.

— Que isso, seu Jairo. O senhor nunca me incomodaria. E deixe de cerimônia e retire este doutor. — Pedro falou e em seguida abraçou o velho demoradamente. Seu Jairo era o pai de Susana.

O féretro que levava a mãe de Pedro foi seguido por dezenas de moradores do bairro.  Os rostos das pessoas trilhavam pelos olhos do médico como borrões na memória. Memórias que ele fizera questão de soterrar por mais de duas décadas. Recebia os sentimentos de amigos de infância, vizinhos e parentes próximos com um aperto de mão firme e o coração gelado. Não abraçou nenhum deles.

Abandonara aquele bairro e aquela gente com o intuito de nunca mais revê-los. Ponderou bastante se iria comparecer ao funeral e só fez a viagem até sua pequena cidade natal depois do telefonema de seu Jairo. Estava ali por causa dele e não por conta da mãe falecida. Nunca a havia perdoado por ela torcer contra sua relação com Susana e de não esconder a alegria quando soube do rompimento definitivo entre eles. “Foi melhor assim, meu filho. Aquela moça estragaria seu futuro. Estou aliviada”.

Pedro culpava a mãe por tudo que havia acontecido.

Lembrou-se dos anos em que ele e a noiva se encontravam as escondidas no quintal da casa. Susana não suportava mais as piadinhas que recebia da mãe do noivo e preferia chegar de madrugada a ter que esbarrar com dona Estela. A clandestinidade era facilitada pelo sono pesado da dona da casa, que só se recolhia, todas as noites, depois de beber uma garrafa de vinho e tomar um ansiolítico. Quase um ano após o termino do noivado, no dia da formatura de Pedro em medicina, Susana desapareceu.

No modesto cemitério só restou seu Jairo e Pedro. Após a cerimônia fúnebre, sem que nenhuma lágrima escorresse dos olhos do médico, eles caminharam em silêncio, até a sepultura de Susana. Pararam em frente a lápide da filha de seu Jairo e comtemplaram a imagem da jovem impressa na pedra. Era a fotografia preferida de Pedro. Susana sorria de felicidade. Seus cabelos negros e ondulados estavam esvoaçantes, mostrando todo o belo contorno de seu rosto moreno e delicado.

— Tem vinte e seis anos que ela se foi. E não paro de pensar nela um só dia. Minha menininha tão linda! Eu acho que se nós a tivéssemos encontrado, eu poderia ter descansado deste tormento — falou seu Jairo.

— Às vezes eu a vejo dançando — Pedro disse melancolicamente.

O corpo da mulher, na época com vinte e cinco anos, nunca fora encontrado. O caixão foi enterrado com as roupas ensanguentadas descobertas numa lagoa da antiga salina, que virara um criadouro de camarões. O namorado de Susana, Edu, foi detido para averiguações. No entanto, soltaram-no em pouco tempo. Não havia nenhuma prova contra ele. A culpa recaiu sobre um maníaco preso meses depois. Que confessou vários assassinatos de mulheres da região. No entanto, nunca admitiu ter matado Susana. A polícia não acreditou nele e deu o caso por encerrado.

Os velhos amigos se despediram em frente à casa da mãe de Pedro. A noite já ia alta.

— Tenho certeza que nunca mais o verei, Pedro. Por isso fiz questão de ligar e pedir que você viesse. Queria muito revê-lo. — Os dois trocaram um abraço forte e seu Jair partiu deixando com o médico uma foto. A fotografia de Pedro e Susana no dia em que passaram no vestibular. Ele em medicina e ela em letras.

Pedro se dirigiu ao quintal levando uma pá e a foto antiga. Sem dúvidas, o quintal sempre fora seu lugar preferido da casa. Um canto especial, de momentos incríveis entre ele e Susana, mas, que se tornara, na última duas décadas, a paisagem predileta de seus pesadelos.

Agachou-se e cavou próximo ao muro, onde os maracujazeiros se contorciam. O terreno arenoso se abria facilmente diante das estocadas da pá.

A pouco mais de meio metro de profundidade, ele encontrou o que buscava. Um pequeno baú de madeira. No interior dele estavam todas as cartas, fotos e bilhetes que ele recebera de Susana nos anos de relacionamento. Ela explodia suas alegrias e exorcizava seus demônios através da escrita. Sonhava ser escritora. A pequena arca guardava palavras de amor de uma adolescente apaixonada e também duras palavras de uma mulher indignada. As derradeiras cartas, durante o conturbado último ano de noivado, traziam reclamações e desapontamentos. “Não te conheço mais, Pedro. Você não é mais o menino doce que eu me apaixonei.”. “Você está insuportável… frio e as vezes violento…Teu ciúme é besta, o Edu só é meu amigo.”. O Edu não era só um amigo.

A cena do último encontro ainda estava bem nítida na cabeça de Pedro. E acontecera bem ali mesmo, onde ele cavava, sendo observado por maracujás maduros.

Pedro retornara mais cedo da festa de formatura. Não estava no clima para comemorações. O coração ainda doía. Sua mãe já havia se trancado no leito, ainda mais bêbada que nos dias comuns. Ele olhava para a televisão ligada, deitado na cama de seu quarto, absorto em pensamentos, quando Susana bateu em sua janela. Ela havia entrado sorrateiramente, sem que ninguém a visse, como nos bons tempos de namoro. Pedro foi encontra-la no quintal.

— Vim dar os parabéns e me despedir. Meu pai me contou que você vai para São Paulo daqui uns dias.

— Sim, é verdade — disse Pedro secamente, tentando esconder a revolução que acontecia em seu corpo.

— Pedrinho, não quero que você vá embora com raiva de mim. Por favor, me dá um abraço. — Pedro tentou ser durão, mas, não se conteve e a abraçou aos prantos. Um choro doído, silencioso e intenso, de lavar a alma. Ficaram assim por vários minutos.

— Tenho que ir, Pedrinho.

— Vai se encontrar com o Edu?

— Não precisamos conversar sobre isso — Susana disse, tentando sair dos braços que a envolvia. No entanto, o médico recém-formado não a deixou ir e a apertou ainda mais forte, muito mais forte.

Pedro colocou a foto que recebera de seu Jair dentro do baú. Olhou para a cova, para seu cemitério clandestino de recordações, lembrou de seu Jair e pensou em escavar mais fundo.  Contudo, não o fez. Ele sabia que haviam coisas que não deveriam ser desenterradas.

Pedro viajou para São Paulo na manhã seguinte e jamais mais voltou para sua cidade. Foi recepcionado no aeroporto pela esposa e por sua netinha. Retornou tranquilamente para sua rotina de consultórios e hospitais, seu jogo de tênis as quartas-feiras antes do almoço e o uisquinho com os amigos aos sábados a noite.

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61 comentários em “A Casa do Bairro Atibaia (Jowilton Amaral)

  1. Marcelo Nunes
    14 de outubro de 2016

    Olá Maracujazeiro.
    Texto está bem escrito, a leitura fluiu até o final do texto e se tornou agradável pela simplicidade.

    Gostei do cenário e das descrições, que estão muito bem construídas. O autor conseguiu manter minha atenção até o final do conto. Meus parabéns!

    Boa sorte no desafio.
    Abraço!

  2. Simoni Dário
    14 de outubro de 2016

    Olá Maracujazeiro

    Texto bem narrado apesar do tema conhecido.

    A leitura quase poética vai levando o leitor às profundezas da alma do protagonista. A história é quase previsível, deixando uma dúvida em relação à mãe de Pedro.

    Achei bem escrito, porém sem muita novidade. O talento do autor com as letras é o melhor do texto.

    O final fechou muito bem a história. O texto é primoroso, sem dúvida.

    Bom desafio.
    Abraço.

  3. Pedro Luna
    14 de outubro de 2016

    Um texto que me dividiu. Não dá para negar que a história é bem contada e leva o leitor com facilidade, mas algumas coisas me incomodaram. A principal, é que em nome da revelação final, a personalidade apresentada de Pedro, foi alterada. Até aí, tudo bem fazer isso com um personagem. Mas essa alteração brusca não me desceu bem. Acredito que o problema tenha sido o limite do desafio. Se essa mudança do personagem aos olhos do leitor fosse gradual, no decorrer de páginas, teria sido mais crível. Do jeito que está, principalmente no parágrafo que fala sobre o conteúdo das cartas, fica a impressão de que houve uma forçada de barra para chegar ao final desejado pelo autor.

    Bom, não é culpa do autor, ou autora, só não sei se foi a melhor escolha. Acabou que o fim não teve o impacto esperado para mim.

    No entanto, o conto não é chato. É bem escrito.

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    39. A Casa do Bairro Atibaia (O Maracujazeiro)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: o autor conduz com maestria a narrativa, levando o leitor a procurar o tempo todo o que estava à sua frente. Uma história de abandono e negação, que se torna violenta e retorna ao mundo normal, como se nada tivesse acontecido – um Passeio Noturno, à sua moda.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Rubenfonsequiano.

  5. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    O texto carrega no + que perfeito (com alguns problemas pelo caminho). Melhora no terceiro parágrafo com construções como “Tateava o passado com olhos de criança”. Mas aí vem um “Vendaval de Sentimentos” que o deixa um tanto piegas, parecendo que foi retirado de um dramalhão. Observei também um excesso de adjetivação e algumas imagens que não parecem fazer sentido como “O cheiro de maracujá pairava na sala como uma nuvem diáfana de reminiscências”. Cheiro não me parece ter proximidade com nuvem, mas até passa. Só que depois vem o diáfana e as reminescências… Acho que há um certo desequilíbrio no texto. A história que ele tenta contar é interessante, mas a fluidez sofre um pouco com esses “calombos” narrativos. Li alguns comentários dizendo que o texto é leve, mas eu tive dificuldades.

  6. Bia Machado
    11 de outubro de 2016

    Tema: Está adequado ao tema, de uma forma não usual, ponto positivo por isso.

    Enredo: O enredo é simples e o começo, talvez até a metade, me prendeu demais a atenção, estava gostando muito da narrativa. Mas aí veio o depois… meio que “mais do mesmo”. Quando a informação de que pegaram um serial killer e esse não confessou o crime, logo vi…

    Personagens: O Pedro, da forma como está, não me empolgou. No começo sim, houve uma esperança, mas depois… a coisa foi caindo de expectativa.

    Emoção: Gostei bastante da primeira parte. Da segunda metade, nem tanto, talvez por ter esperado mais? Foi uma boa leitura, mas que sendo franca não me marcou muito.

    Alguns toques: Há algumas bobeirinhas a serem arrumadas, que o pessoal já deve ter dito: Uma letra M usada antes de T, o que vai contra regrinha básica da nossa língua, um CH no lugar de X, coisas que poderiam ter sido resolvidas em uma revisão, visto que esse conto não foi dos que enviou nos últimos instantes, mas nada que prejudique a minha leitura. Como disse, são apenas “alguns toques”.

  7. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Pra começar, o texto tá muitíssimo bem escrito. A linguagem é fluente e impecável, gostosa de ler, apaixonante. Queria, primeiramente, te elogiar por isso. O texto é um bailar delicioso, e os momentos descritivos são excelentes. Quase senti a brisa do mar e a sensação de liberdade que a praia causa ahahaha.
    O desenrolar da história tá bem legal e tramado. Só tenho uma ressalva: achei que faltou clímax. O texto como um todo tá muito bom, mas faltou uma oscilação de ritmo ou algum momento mais incisivo, não sei.
    Por outro lado, o momento final da história ficou muito bom, especialmente a referência suave ao provável corpo da menina enterrado no quintal. Gostei do tom leve e indireto com que você contou isso.

  8. Fil Felix
    10 de outubro de 2016

    O criminoso sempre volta a cena do crime?

    Um conto que me despertou sensações distintas.

    GERAL

    A escrita está ótima. Como comentei em alguns outros, admiro quem consegue ter calma e narrar a história como se deve, pautando os acontecimentos. Eu sou muito desesperado e por isso raramente passo (ou preciso) de mais que 1500 ou 2000 palavras. O ritmo lento é uma característica marcante da escrita e tem seu lado positivo e negativo. Ele ajuda na emersão do drama, mas também se torna cansativo. As personagens estão muito boas e gostei que fugiu do lugar comum que é a mãe como figura materna e inocente, sempre vítima. O protagonista a detesta. O que também, em outro nível de análise, pode ganhar uma leitura freudiana dele ter assassinado a ex noiva. Ter se tornado violento pela não aceitação da mãe. Mas aí é jogar a culpa nos outros. Esses pontos, que fazem ir além do conto, é o que faz a diferença. E são sempre bem vindos.

    BUGUEI

    O final conseguiu me trazer de volta a leitura. Imaginei que seria mais um conto romantizando o cotidiano, altamente açucarado. Coisa que não sou fã. A mudança deu uma chacoalhada, ainda bem! A cena da despedida foi algo que, particularmente, ficou na minha cabeça porque já passei por exatamente isso (a cena do abraço, não do enterro! haha).

  9. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    O conto começa com uma escrita sensível, poética e bastante competente. Do meio para o fim, percebe-se a mudança do tom: a nostalgia dá lugar ao policialesco. Não há nada de errado nisso – até ajuda no efeito surpresa – mas eu confesso que esperava algo mais na linha “a vida como ela é”. Ao perceber que Pedro era, na verdade, um psicopata, fiquei com aquela sensação de “ah, tá… claro”, um pouco decepcionado pelo conto ter caído no clichê. De todo modo, no geral, a narrativa é conduzida de modo competente, ainda que com alguns erros de paralelismo. No geral, um bom texto. Parabéns.

  10. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Gostei da tua história, mas tens que ter muito cuidado ao escolheres as palavras, pois por vezes tiras força às tuas ideias. A história apesar de não ser muito original, apresenta um final que tem alguma surpresa. Parabéns.

  11. Pedro Coelho
    4 de outubro de 2016

    Interessante o tom nostálgico e rural que o conto se desenvolve. Contribui muito para a narrativa. O cenário e as descrições são muito bem construídos. Mas por outro lado, mesmo o conto sendo leve, fluido e fácil de ler, faltou alguma profundidade na minha opinião, aquele algo a mais, não me prendeu tanto, se é q sou algum parâmetro, mas senti um pouco de falta de carga emocional o algo do tipo.

  12. Leandro B.
    4 de outubro de 2016

    Ola, Maracujazeiro.

    Até então, um dos meus contos favoritos. O autor escolheu elaborar uma história simples, mas bem escrita. Durante a leitura, não reparei em qualquer erro que tenha quebrado o ritmo de minha leitura.

    Agrega ao conto o valor sinestésico, próprio da ambientação, marcada pelo maracujazeiro.

    Mais do que a revelação final, há pequenas inserções contextuais em personagens secundários que encorpam a trama, dando um pouco mais de complexidade aos personagens e, por consequência, tornando a trama menos rasa.

    A briga com a mãe que não gostava da relação do filho, a felicidade do ex-sogro no reencontro, o desejo dele de saber o destino da filha…

    De fato, a própria revelação final não busca funcionar como “efeito catártico” do conto. Afinal, o autor antecipa o assassino alguns parágrafos antes da conclusão. A história parece se sustentar, então, na escrita objetiva e sem erros e nos personagens complexos. Além, claro, da desconstrução da ideia de monstros na sociedade. Aí está um sujeito comum, capar de cometer homicídio.

    Enfim, uma história simples que funciona.

    Parabens, autor.

  13. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    Conto muito bom, incrivelmente escrito e fundamentalmente bem elaborado em termos de narrativa. Deliciosa a leitura do começo e que descamba para um final mórbido e amargo.

    É um trabalho irretocável – aliás, quem seria moi para retocar trabalhos de terceiros.

    Parabéns, mesmo.

  14. Thiago Amaral
    28 de setembro de 2016

    Um bom conto, bem escrito e simples, com poucos erros.

    O final me surpreendeu, e a sutileza dele foi um ponto positivo.

    Vagaroso como a vida, com um toque sombrio. Gostei.

  15. Rodrigues
    27 de setembro de 2016

    Não gostei do conto. Achei que a história poderia ter sido melhor trabalhada, pois me pareceu que tudo caminhou para ser salvo pela bendita da surpresa final, tão presente em contos desse concurso. Notei um tom excessivo de rebuscamento nas descrições e uma busca desnecessária por sinônimos. A repetição, neste conto, poderia ter sido utilizada para dar o tom simples ao texto, o cenário pedia uma narração mais simples, sem floreios, o que não aconteceu.

  16. Maria Flora
    27 de setembro de 2016

    Olá, gostei bastante de seu conto. A descrição dos lugares, pessoas, relacionamentos e sentimentos… tudo bem encaixado. A narrativa flui serena ao longo do texto e o final me pegou de surpresa! Suspense! Existe a necessidade de revisão gramatical e de algumas expressões ( como: “A lembrança…..homem de recordação.” – pode-se tirar recordação..). Este último fator não pesa na minha avaliação (afinal, convenhamos não sou perita rsrs) pois basta uma revisão e está tudo certo. O importante é a narrativa, trama, descrição para absorver o leitor na estória, e isso está presente. Meus parabéns!

  17. mariasantino1
    27 de setembro de 2016

    Olá, autor!

    Olha eu curto muito coisas rurais, odores e descrições, sobretudo, de mato e frutos. Puxa, como gosto disso!
    Até agora essa foi a melhor ideia para se desenvolver o tema. Digo, foi a sacada melhor bolada, porque o cemitério não se mostra convencional, mas ele existe e faz a trama toda depender dele (e isso é muito bom e competente, ainda mais com o limite e tals). Achei também que vc deixou o texto lacunoso na medida certa, porque se imagina a cena e o que tem mais abaixo do baú, enterrado, bem como não fica imune diante dessa frieza toda do médico ao lado do pai da moça. Me agrada muito quando não há descrições desnecessárias de passagens e coisas mais espinhosas como no caso desse assassinato aí.
    Apesar de gostar da ideia, achei que a narrativa se afetou demais em algumas passagens, e isso fica parecendo que você tentou fazer cada sentença ser bela, enquanto que a simplicidade cairia melhor até para combinar com a ambientação. Mas o saldo final foi positivo.

    Boa sorte no desafio.

  18. Davenir Viganon
    26 de setembro de 2016

    Olá Maracujazeiro
    Seu conto é muito bom. Você lidou bem com o limite de palavras, passando muitas coisas, fazendo parecer maior (no bom sentido). O título é bastante impreciso, acabei tomando o pseudônimo como título extra-oficial. Os personagens foram bem construídos (ponto forte). O narrador passou a amargura ao falar referenciado ao passado. As informações bem reduzidas e precisas aceleraram a estória nos momentos certos. Coube tanta coisa, até umas redundâncias (ponto fraco do conto), mas o que importa está ali. A surpresa foi bem trabalhada ao longo do conto, um segredo bem protegido dos leitores até o momento certo (claro, quem saca sutilezas percebe, mas eu sou paspalho para mistério e, quase, todos me surpreendem kkkkk). A ambientação também está ótima. Uma paisagem verde, bonita, contrastando com o peso dos personagens. Tudo isso envolvendo uma estória simples e eficiente. Gostei bastante.
    Um abraço.

  19. Amanda Gomez
    25 de setembro de 2016

    Rapaz, que conto bem contado.

    É a melhor leitura que fiz até agora neste desafio, com certeza. A carga sentimental em cada palavra é palpável, as descrições dão uma visão muito completa das cenas, a voz do personagem é nítida.

    Não tenho cacife pra falar muito de técnica, mas o texto é feito por alguém que sabe escrever, estruturar uma história e deixar que o leitor – em certos pontos – tire suas conclusões sem necessariamente ser a verdade.

    Confesso que fiquei surpresa, por ter sido pega de surpresa. Tinha certeza que o túmulo da garota estava ali, sob o maracujazeiro, isso já se percebe pelo junção de título + tema do certame. Mas o autor do assassinato eu não espera. O autor criou toda uma proteção em cima do personagem, para que o leitor não ousasse pensar que aquela cara, que tão tristemente sofria, pudesse ser o causador de tal sofrimento.

    Outra coisa que me deixou, de certa forma, impressionada foi o final. O fato dele partir e seguir a vida, como se esse passado não existisse, o fato dele ter voltado, não por ela, ou por qualquer problema de consciência que tivesse, e sim por uma mera formalidade, que era pra ele, o enterro da mãe.

    Depois disso, a gente volta ao abraço no pai de Susana, dá um certo friozinho no coração, por um pai que nunca vai saber o que aconteceu com a filha.

    Uma história triste, contada de uma forma belíssima.

    Parabéns, o conto é ótimo!

  20. Pétrya Bischoff
    25 de setembro de 2016

    Olá, autor. O que mais me agradou na trama foi a imprevisibilidade do desfecho final; ao menos não suspeitei até que fosse parcialmente revelado.
    A escrita parece dotada de delicadeza e atenção na escolha das palavras e a narrativa bem construída auxilia na fluidez da leitura. Entretanto, creio que a ambientação tenha deixado a desejar. Há várias cenas onde, apesar de bem narradas e descritas, não consegui me situar.
    As descrições de Susana não me agradaram por parecerem muito etéreas, entretanto compreendo que possa ser justamente por essa certeza que o médico carrega (e não culpa; ele não apresenta culpa, e eu gostei disso). Também me agrada ele retornar à sua rotina normalmente.
    De maneira geral, um conto com potencial, bonito e delicado, ainda que não tenha soado muito profundo.Parabéns e boa sorte.

  21. José Geraldo Gouvêa
    23 de setembro de 2016

    Minhas observações começam com críticas severas, mas aguente-as bem, caro autor. Um texto só merece ser minuciosamente criticado quando os defeitos estão só nas minúcias e quando solucioná-los evidentemente melhorará a qualidade geral. E há elogios grandes no final.

    Este conto padece de um certo artificialismo que o prejudica na hora da leitura. Há muitas palavras que parecem ter sido empregadas sem que o autor conheça realmente o seu significado, palavras catadas em dicionário, basicamente: “diáfana” (teria de ser visível, como uma fumaça), “história de amor que não obtivera final feliz” (o verbo não se aplica bem no contexto, “tivera” funcionaria melhor), “Memórias que ele fizera questão de soterrar” (o verbo soterrar não denota uma ação, mas um acidente, aqui caberia “sepultar”, “enterrar” ou algum outro verbo).

    Além disso, há um didatismo doloroso que se traduz em redundâncias ou estruturas verbosas que poderiam ser expressadas com menos palavras: “planta trepadeira”, “vivera durante vinte e seis anos” , “coberta por um manto”, “brisa vinda de lá”, “carregava com ela”, “chorou soluçando”, “fim de tarde, quando a luminosidade do dia começava a se entristecer”, “”história de amor que não obtivera final feliz” (por que não “história de amor sem final feliz”?), “rostos das pessoas”, “cerimônia fúnebre” (a história narra um enterro, desnecessário enfatizar)

    Aqui e ali fica evidente o recurso a sinônimos (também provavelmente catados no dicionário) e cognatos, para mascarar a repetitividade de ideias:

    Parágrafo 1: cheiro, odor e olorosos – basicamente o autor se concentra demais no cheiro.
    Parágrafo 2: maresia, vento, brisa, hálito do mar, sal, salina, gosto úmido e salgado, chorasse, lágrimas – o autor está obcecado em repetir muitas vezes que o lugar tinha cheiro de maresia.
    Parágrafo 3: tateavam, deslizavam.
    Parágrafo 11: escondidas e clandestinidade

    Como na maioria dos jovens autores, provavelmente crescidos lendo más traduções de livros estrangeiros em vez de autores nacionais de qualidade, há uma dificuldade para compreender o uso dos tempos verbais, que resulta em confusão temporal da narrativa:

    “O médico vivera na casa do bairro Atibaia durante vinte e seis anos. Passou metade de sua vida entre aquelas paredes pardas de maresia.”

    É evidente que a segunda frase também deveria usar o pretérito-mais-que-perfeito, mesmo que sua forma coloquial, composta (‘tinha passado’) porque o tempo de vida naquela casa é anterior à narrativa presente.

    “só fez a viagem” (a viagem já estava terminada antes de começar a narrativa, portanto, pmqp também).

    “o caixão foi enterrado” (já estava no chão há décadas, então pmqp aqui).

    Depois das mordidas, vamos aos assopros. De resto a história é muito interessante e eu confesso que não imaginara o final até que cheguei nele. Apesar dos vícios no nível da linguagem, que resultam nessas arestas que apontei, a narrativa em si é bem feita, tem um bom ritmo e chega ao final sem os solavancos que normalmente eu vejo nos contos menos maduros aqui do desafio. Esse conto não passa a sensação de que o autor teve que correr com a narrativa no final porque estava passando do limite de palavras. Isso sempre é bom, pois denota que o autor planejou a narrativa e, mais que isso, escolheu narrar uma história que efetivamente caberia no limite de palavras.

    Todos os vícios citados acima podem ser corrigidos numa boa revisão, que o autor poderia ter feito antes de postar aqui. Se tivesse feito isso, esse conto ganharia fácil o desafio. De qualquer forma, ele terá um dos meus votos porque fica evidente, pela sua estrutura, que o autor sabe muito bem o que é um conto, e por isso emprega a estrutura narrativa clássica, com unidade de tempo-espaço-ação, empregando flashbacks para preencher as lacunas do tempo presente. Isso dá ao conto uma força muito grande, pois a narrativa não fica fragmentada, e a tensão se constrói naturalmente.

    Achei legal é a economia de personagens. Dado o espaço curto, seria impossível criar personagens legais se eles fossem numerosos. Em um texto assim, muitos personagens acabam reduzidos a “muitos nomes” com os quais a gente nem se identifica. Três personagens apenas permite que o autor foque neles e os construa. Os nomes adicionais aparecem apenas porque necessários, não dão a impressão de incompletude.

    Outra coisa a observar é que os defeitos se concentram principalmente no começo. Isso quer dizer que o autor peca onde ele está tentando, *intencionalmente*, criar um efeito que não é natural de sua escrita. Quando ele perde o controle desse artificialismo e se revela, sua escrita se mostra superior e o texto começa a fluir melhor. Recomendo ao autor que se exercite em escrita livre, apenas deixando fluir, sem buscar palavras no dicionário e sem tentar impressionar demais.

    Boa sorte no desafio.

  22. Felipe T.S
    22 de setembro de 2016

    Olá Maracujazeiro.

    Escrita sensível, carregada de emoção. Percebi um cuidado na escolha das palavras e na construção das frases e gosto muito disso, mostra toda a unidade que sua história carrega, junto com o ritmo lento, que traz as memórias aos poucos. Como se durante a leitura, fossemos desenterrando o passado junto com os personagens. Poxa, muito legal isso mesmo.

    No geral, seu texto foi um dos mais prazerosos de se ler por aqui. Meus parabéns.

    Vi que os colegas passaram várias dicas já e acho que posso contribuir apenas com um detalhe simples. É possível omitir o nome do personagem em várias passagens, apenas pra deixar o texto um pouco mais lapidado, mas isso é um detalhe bobo, que não incomoda todo mundo.

    Parabéns mesmo e boa sorte!

  23. Jowilton Amaral da Costa
    22 de setembro de 2016

    Conto muito bom. Bem conduzido e com personagens bem trabalhados. Leitura fluida,.Os erros já apontados pelos outros comentaristas, não influenciaram na cadência da leitura., Acho que o autor foi bastante habilidoso, o leitor cria uma certa empatia com Pedro, mesmo desconfiando que ele seja um assassino..

  24. Brian Oliveira Lancaster
    22 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Um cotidiano bem explorado e singelo. Tive de reler duas vezes para entender que haviam se encontrado no enterro da mãe, e não da filha. Depois que falam que se passaram 26 anos, fiquei pensando, como assim? Mas foi bom reler e captar a nuance de sentimentos.
    ME: Escrita leve, competente, apesar de achar estranhas duas construções (“fantasmagoricamente” pareceu um palavrão; e “sorria de felicidade” não seria um pleonasmo?). No entanto, nenhuma frase me deslocou do texto e da atmosfera criada, o que é muito bom. Triste e realista.

  25. catarinacunha2015
    21 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Em nada poderia remeter a uma história envolvendo cemitério, logo é um desafio e tanto; me interessei em continuar.

    TRAMA profunda. O estilo é lento, mas a competência em envolver o leitor vale o ingresso. Há clímax e reflexão, não queima, mas também não acalenta; morno.

    O AMBIENTE da casa e quintal foi o meu maior suspeito quando o cemitério passou pelo conto sem luzes.

    EFEITO câmera lenta. Quase desenhou para ser bem entendido por criança, maluco e senil.

  26. Gilson Raimundo
    21 de setembro de 2016

    Acho que merecia um título melhor. Jairo se transformando em Jair não deprecia tanto a história, corretor automático me mata as vezes, além do mais estamos num exercício… Imaginei sim a moça enterrada ali no quintal. Este conto teve conflito, clímax e desfecho bem apropriados.

  27. Phillip Klem
    20 de setembro de 2016

    Boa noite, Maracujazeiro.
    Um conto sensível, muito bem escrito e cheio de nuances.
    Gostei demais da forma como tudo foi revelado no texto. Adoro sutileza quando se trata de escrita e seu conto está cheio dela.
    Pude perceber certo remorso por parte do médico, quando viu sua amada dançar entre os maracujás, mas não o suficiente para revelar o que realmente aconteceu. Uma ótima construção de personagem, na minha opinião.
    Você escreve como um profissional, apesar da falta de revisão. Meus parabéns.
    Se depender de mim, você estará no pódio neste certame!
    Boa sorte

  28. Fheluany Nogueira
    20 de setembro de 2016

    História romântica, com um caso policial, personagens marcantes, linguagem poética, sobretudo nos primeiros parágrafos. Nestes, o ritmo está mais lento, mas em seguida cresceu. O tema aparece triplicado: o cemitério oficial, o baú de lembranças e a sugestão (que muito me agradou) de que ele teria sido o assassino da amada. Previsível? Sim. Mas a forma como foi narrada ficou perfeita.

    Os deslizes gramaticais são muitos e já foram indicados nos demais comentários; a narrativa não ficou prejudicada no geral. Também achei que o lance do médico já ser avô ficou meio fora. Outra situação que me incomodou foi a frieza deste personagem no último parágrafo, em contraste com o comportamento anterior. Parabéns pela participação.

  29. Fabio Baptista
    20 de setembro de 2016

    Texto bem escrito, mas com um ritmo cadenciado demais na minha opinião.
    A história de retorno à cena do crime é boa e bem contada, mas não chegou a me despertar muitas emoções.

    Na parte técnica, achei que abusou um pouco dos pretéritos-mais-que-perfeitos, além do ritmo já mencionado.

    Esse “apertou ainda mais forte, muito mais forte” ficou muito bom. Gosto quando o autor deixa certas coisas pra a imaginação do leitor completar.

    – inundou a boca e os olhos do homem de recordações
    >>> seria melhor “inundou de recordações…”

    – um maníaco preso meses depois. Que confessou vários assassinatos
    >>> algumas frases ficaram truncadas pelo excesso de pontos. Frases muito curtas.

    Abraço!

  30. Anorkinda Neide
    18 de setembro de 2016

    Olha.. que inveja, viu?!
    Que texto lindo! Trabalhou 4 personalidades com muita eficiência, quase posso tocá-los, até o quinto personagem, o Edu, a gente pode ‘conceber’ apesar das poucas informações.
    Sim, há o cemitério, q é o motivo da visita do médico a sua cidade natal, ir ao cemitério enterrar sua mãe, há uma conversa no cemitério, a visita à lápide de Susana… querem mais cemitério q isso? e mais o maracujazeiro q é o cemitério verdadeiro de Susana. Tocante!
    Claro q tem uns errinhos já apontados pelos colegas, mas o que me envolveu foi a sutileza com q as revelações foram aparecendo, quisera eu revelar fatos desta forma quase carinhosa.. hehe
    ahh tenho uma crítica a fazer.. hehe netinha? há 20 anos ele foi estudar Medicina, ok q pode-se ter filhos cedo, eu mesma os tive, mas estudar medicina é um sacerdócio e ele ainda tinha o trauma de ser assassino.. enfim, esperava q ele fosse solteiro, no maximo casado e com filhos pequenos, mas netinha? achei demais! 😛
    Boa sorte, caro (a) autor(a)
    Abraços

  31. Pedro Teixeira
    18 de setembro de 2016

    Olá, Maracujazeiro! Gostei muito do conto. O rico perfil psicológico dos personagens os torna multidimensionais, vivos, e isso é ainda mais louvável numa narrativa curta. As descrições sensoriais, especialmente as do início, são maravilhosas. Merece destaque também a profundidade de construções como ” ele sabia que havia coisas que deveriam permanecer enterradas”: é uma frase de que permite ao menos duas interpretações que se entrelaçam: pode se referir aos restos mortais da ex-noiva,ou às lembranças. O uso de imagens simbólicas, como a do maracujazeiro, reforça essas ideias. Os pontos negativos pra mim foram certa previsibilidade do desfecho e alguns deslizes gramaticas. De resto, um conto muito bom. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Pedro.

  32. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    “A lembrança dos frutos amarelos, olorosos e ácidos, inundou a boca e os olhos do homem de recordações.”

    Olá, autor(a)!
    Utilizarei o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Com exceção do primeiro parágrafo, fui raptado por esta história e conduzido em uma leitura inacreditavelmente perfeita até o pontinho exato que o(a) autor(a) desejava que eu chegasse. Li, reli e quero ler de novo muitas outras vezes!!! De 1 a 10, daria nota 9, mas que pode subir se não encontrar outro texto que me agrade tanto quanto este! 🙂 Só não foi 10 logo de cara por causa do desfecho, um pouco corrido com relação ao restante do conto, embora esta falta de detalhes quanto ao assassinato de sua amada (como se deu, enfim) até que traz um pouco de provocação para a imaginação do leitor. Só mudaria o “uisquinho” da cena final para uma deliciosa caipirinha de… Maracujá, talvez? 😉

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Senti de cara o efeito que uma simples troca de ordem em uma construção frasal pode gerar. Soou-me incômoda a última frase (já) do primeiro parágrafo: “A lembrança dos frutos amarelos, olorosos e ácidos, inundou a boca e os olhos do homem de recordações.” Tudo bem que um homem que recorda é um homem de recordação, mas também pode ser um “não mais” homem, sendo-o, apenas, nas recordações. Sentiu a diferença? (E o perigo, ora pois!) Enfim… Tudo isso só pra frisar o quanto me incomodou esta frase que, quisera eu possuir o poder, a transformaria em: “A lembrança dos frutos amarelos, olorosos e ácidos, inundou DE RECORDAÇÕES a boca e os olhos do homem.” … Concorda? Discorda? Bem, não é à toa que este quesito de análise é por mim mesmo chamado de “o mais chato!”. 😉 Faltou, também, um acento no trecho: “Quase um ano após o termino do noivado…”, em término. E dois plurais aqui: “Um canto especial, de momentos incríveis entre ele e Susana, mas, que se tornara, na(S) última(S) duas décadas, a paisagem predileta de seus pesadelos.” Ah, tem a última frase do conto, também, faltando uma crase no “Sábados (à) noite.” Bem, isto posto,(e exposto aqui para todos, única e simplesmente por pura vingança invejosa), sou obrigado a confessar que não encontrei mais nada de errado na obra. Somente, talvez, o fato de não ter sido eu (o EU ESCRITOR) o verdadeiro autor deste maravilhoso e ‘quase(háháhá!) perfeito’ trabalho… Agora sério; parabéns pelo DIVINO domínio da pena que você demonstrou nesta obra! A manipulação sentimental, a empatia gerada no leitor pelo protagonista muito bem apresentado, as imagens desenhadas de forma magistral na imaginação de quem lê, a escrita suave e sorrateira, enfim… Um trabalho indubitavelmente feito por um(a) escritor(a) de verdade! Adorei! A melhor narrativa até o momento. Congrats!

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Uma verdadeira Obra-Prima! 😉

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Ricardo, pelo generoso comentário.

  33. Iolandinha Pinheiro
    17 de setembro de 2016

    Então. Gostei muito do início do conto. Gostei das descrições sensoriais, da calma ao descrever o cenário, da construção quase poética, sensível, bonita, explorando as lembranças de Pedro e um passado que vai aos poucos sendo revelado. Gostei de como o personagem foi delineado sem um caráter totalmente bom ou ruim, como uma pessoa de verdade, o personagem tem seus momentos mais obscuros. Daí para explicar o mistério do sumiço/morte da namorada, o autor dirige a história para o perigoso caminho da previsibilidade. Não que eu não tenha gostado do conto, pois gostei, mas, por ter aprendido ao custo de tirar um terceiro lugar num certame por ter “explicado demais” no meu texto. Veja bem, caro autor: imaginei o desfecho pelo meio do conto e a cada frase que eu lia, mais o que de fato ocorreu era escancarado para os leitores, deixando nada para a imaginação. Ainda assim, até agora, um dos melhores contos que li neste desafio. Você escreve bem. Um abraço e sorte no desafio.

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Iolandinha.

  34. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    15 de setembro de 2016

    Olá, O Maracujazeiro,

    Quando comecei a ler seu conto pensei: Nossa! É meu preferido até agora.
    Gostei muito do estilo leve e do caminho pelo qual a primeira parte da história parecia caminhar. O jogo com a memória do personagem, o local, o maracujazeiro e seus cheiros, enfim.

    Com o andamento do texto, senti que o mesmo enveredava por outras formas de se resolver a história. Algo trabalhando mais com o gênero policial e enveredando pelo trivial.

    Acredito, que quando sentamos para escrever, por mais que planejemos um trabalho, ele acaba, de certa forma, tomando vida por si mesmo. Pode ter ocorrido isso por aqui, ou talvez, você o tenha concebido exatamente como está publicado.

    Percebi que o seu Jairo perdeu o “O” e virou seu Jair no final da história. Mas isso não tirou a beleza, nem a poesia triste do pai que perdeu sua filha.

    Parabéns por seu trabalho.
    E boa sorte no desafio!

  35. Wender Lemes
    14 de setembro de 2016

    Olá! Bom conto este aqui. Há algumas ressalvas que gostaria de fazer quanto ao vocabulário e ao tom poético que foi desenvolvido. No início do conto, temos uma mostra maior do vocabulário, com palavras pouco usuais aparecendo frequentemente, visando enaltecer a escrita em si (arte pela arte). No decorrer do conto, este recurso perde espaço para a – muito boa – narrativa, o que faz com que a leitura se torne mais fluida. O final, sugerindo Pedro como assassino, acaba sendo uma opção “fácil”, mas foi uma escolha do autor e faz sentido com tudo que se apresentou até ali. O que tenho a sugerir seria mesclar melhor a densidade do tom “parnasiano” e a fluidez da narrativa. São duas estratégias muito válidas quando usadas em conjunto, desde que não fiquem tão distintas uma da outra. Parabéns e boa sorte.

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Wender. Valeu pela dica..

  36. Taty
    14 de setembro de 2016

    Que lindo conto, apesar de, aparentemente, alguém ter matado o outro ou da história de amor mal sucedida.

    Uma escrita leve, cativante, com bons personagens.

    Apenas, e não sei se isso conta muito, não sei se o tema do desafio foi cumprido.

    Mas é um bom conto, forte candidato.

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Obrigado, Taty.

  37. Claudia Roberta Angst
    14 de setembro de 2016

    Seu conto já traz uma promessa de frescor, mesmo sendo o tema pesado. Talvez pela imagem dos maracujás, o aroma doce e cítrico tenha me deixado confiante. Sim, a impressão estava certa. É uma leitura leve, sensível, com tom poético que não flui sem incomodar.

    O maracujá, também é chamado de passion fruit ( a fruta da paixão), foi uma boa escolha para representar o amor dos dois jovens. Doce, mas mais azedo do que o esperado.

    Alguns probleminhas na hora da revisão:
    se encontravam as escondidas > se encontravam às escondidas
    o menino doce que eu me apaixonei > o menino doce por quem eu me apaixonei
    e as vezes violento…> e às vezes violento
    foi encontra-la > foi encontrá-la
    que haviam coisas > que havia coisas – o verbo HAVER no sentido de EXISTIR é impessoal, sempre no singular
    seu jogo de tênis as quartas-feiras > … às quartas-feiras
    aos sábados a noite. > … à noite
    e jamais mais voltou > e jamais voltou
    Há também ausência de algumas vírgulas durante a narrativa.

    O tema proposto pelo certame está presente, tanto no sentido mais comum (enterro da mãe) quanto no sentido figurado (cemitério de lembranças).

    Gostei de como a narrativa foi conduzida, com a delicadeza de quem toca em um assunto difícil, o remexer nas lembranças dolorosas de Pedro, já um senhor vivido, médico e a^vô de família. Esqueletos e lembranças que nunca foram, de fato, enterrados.

    Boa sorte.

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Obrigado, Claudia. Esse “havia” sempre me complica.

  38. Olisomar Pires
    14 de setembro de 2016

    Belo texto. À exceção de alguns poucos equívocos gramaticais apontados pelo colega Selga, não encontrei outros. Tem uma leitura fácil, até bonita.

    Entretanto, os três primeiros parágrafos se destacam em qualidade do restante do conto, parece que se perdeu algo na transição, fiquei com essa impressão.

    Ainda faltando boa parte da estória, o final era previsível, até torci para que fosse outro, mas não deu outra rsrsrs…. não que seja demérito, nem todo conto precisa de uma reviravolta ou surpreender sempre. Só que o modo de contar o trivial da previsão não me conquistou.

    Detalhe: Acho que o tema não foi obedecido. OK que poderia ter alguém enterrado lá no quintal, OK que poderia ser um depósito de recordações, mesmo assim, minha idéia de história de cemitérios é outra. Muita gente há de gostar dessa sublimação do tema.

    Boa sorte !

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Obrigado, Olisomar.

  39. Evandro Furtado
    14 de setembro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    Além de não conter problemas com a ortografia ou a sintaxe, o texto possui uma leveza tão singular que a gente nem ve passar. O texto corre fluido e o final vem deixando gostinho de quero mais.

    Personagens – Outstanding

    Pedro – médico bem sucedido, com uma família formada e uma vida estabelecida. Apesar disso, possui traumas do passado que não o deixam ser, de fato, feliz. Tais traumas ficaram ocultos durante muito tempo em sua mente, provavelmente abafados pelo álcool – com o qual o personagem deve ter uma relação conturbada pelo vício de sua mãe – e pela conversa alta na roda de amigos. Típico sujeito do interior que resolveu “fugir” para procurar uma vida melhor na capital. Talvez tenha sido justamente a correria da cidade grande que tenha feito esquecer-se de seus dramas. Culpa a mãe por todos os seus males e não aceita sua própria parcela de culpa.
    Susana – o verdadeiro amor de Pedro. Supostamente assassinada. Edu, o segundo namorado, com o qual ela provavelmente traía Pedro, mesmo nos anos dourados de seu relacionamento, é o provável culpado. Talvez em uma noite de peripécias ela tenha rejeitado-o lembrando-se de Pedro, querendo voltar para ele. Edu, revoltado, não aceitou isso e a matou. O corpo provavelmente foi jogado em algum rio ou lago – não conheço muito bem a Geografia de Atibaia – ou enterrado em alguma mata. Aparece na história como a antítese de Pedro, sonhadora e simples. Sua morte levou consigo, também, esse lado de Pedro.

    Trama – Outstanding

    Não pude deixar de notar duas semelhanças com obras literárias. Pedro e Susana são personagens de As Crônicas de Nárnia, mas lá eles são irmãos então melhor parar por aqui antes que possamos cair em lugares onde não queremos. Para além disso, a forma como Susana desaparece me lembra da menininha morta em A Cabana. No livro, o pai é diretamente afetado assim como Pedro. A trama toma um aspecto não-linear, como flashbacks muito bem colocados. A relação entre os personagens é muito bem estabelecida tanto por meio dos diálogos quanto pela narrativa em si.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Outstanding

    Apesar na narrativa em terceira pessoa, o autor é capaz de compor um conto bastante intimista. Creio que um dos principais fatores para o sucesso seja a ambientação limitada. De fato, apenas a casa e o cemitério funcionam como cenários durante o conto. Além disso há uma clara consciência literária por parte do autor, visível, por exemplo, no uso de figuras de linguagem muito bem colocadas. Ainda, há aquelas frases em particular, colocadas em lugares específicos que criam todo um efeito único que poderia ser afetado se tirado do lugar.

    Efeito Catártico – Outstanding

    Já disse que é raro que um conto me arranque lágrimas? Creio que a dificuldade seja a ausência de música, que permite que isso aconteça com muito maior facilidade no cinema, por exemplo. Mas essa foi uma excessão. Meus olhos, realmente, lacrimejaram. Creio que pela fantástica habilidade do autor em nos fazer conectar com os personagens e seus dramas pessoais. Eu, realmente, pude sentir a dor de Pedro. O poder do texto se evidencia quando, ao olharmos para a história dos dois personagens, fazemos a pergunta “E se” para, depois de alguns minutos de reflexão, retornarmos com a resposta “Que merda, cara. Teria sido tão bonito”.

    Resultado Final – Outstanding

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Evandro. Fiquei lisonjeado que você tenha se emocionado.

  40. Priscila Pereira
    14 de setembro de 2016

    Oi, seu texto é interessante, bem escrito, para mim, não foi muito emocionante, já imaginava que Pedro seria o assassino da moça, mas a leitura é agradável. É um bom texto! Boa sorte!

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Obrigado, Priscila.

  41. Ricardo de Lohem
    14 de setembro de 2016

    Oi, Maracujazeiro, como vai? Vamos ao conto! A primeira coisa que eu notei no seu conto foi a incontável quantidade de vezes que arranjei desculpas para dar uma paradinha antes de continuar. Primeiro, tentei ler, e acabei deixando pra depois da minha noite de sono. Quando fui ler de novo, a cada cinco minutos achava alguma coisa pra fazer com desculpa pra pular pra aba ao lado. O que quero dizer é que esse tipo de história, Slice of Life, que esmiúça pequenas eventos do cotidiano, é muito difícil de se fazer. É muito fácil cair na poesia vazia, levando o leitor ao tédio. Pra mim fico só o vazio, sinto, mas nada me atraiu nessa história. Desejo Boa Sorte.

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      zzzzzzzzzzzz, ronc zzzzzzzzzzz ronc você lendo meu conto e eu lendo o seu comentário. kkkkkkkkkkkk. Só uma brincadeirinha vingativa. kkkkkkkkkkk. Uma pena que você não tenha gostado. Obrigado pela leitura. Abraço.

  42. Eduardo Selga
    14 de setembro de 2016

    Há mais um detalhe, do qual me esqueci no comentário inicial: é um conto “superpopuloso” (quatro personagens importantes), mas que, apesar disso, não há sobras, ou seja, não há personagem “boiando”. Todos cumprem uma função importante na trama e são bem interligados. Isso, em minha opinião, desmente o mantra de que conto não pode ter muitos personagens.

  43. mhs1971
    14 de setembro de 2016

    Olá
    Como vai?
    Acredito que pelo título, causa um quebra língua meio desagradável, mas não é o caso… rsrs.
    O conto foi de leitura fluida e um tanto rápida, tanto que reli para não ter perdido algum detalhe, que possa ter escapado.
    Mas, no entanto, tal como lido algo sequer causou emoção, veio a palavra à mente, de como classificá-lo: prosaico.
    Mesmo bem escrito e que denota a experiência no lidar com textos, causou-me até sono pela falta de qualquer detalhe que chamasse maior atenção ou mesmo que fixasse ao menos o nome dos personagens.
    Esse conto é o exemplo de algo bem escrito e que passa desapercebido pela falta de um dos elementos que torna um conto especial: a diferenciação em seu conceito.
    O Desafio não só está na escrita em quantidade de palavras mas também na conceitualização que o torne diferente dos demais.
    Boa sorte e abraços

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Olá, eu vou bem. Obrigado pelo comentário. Uma pena que o conto não a tenha emocionado. O conto realmente é prosaico, ele foi escrito em prosa. kkkkkkkkk Brincadeira, entendi o que você quis dizer, não concordo, mas, entendi. Só não entendi o que você quis dizer com “Acredito que pelo título, causa um quebra língua meio desagradável, mas não é o caso… rsrs” Causa ou não causa?

  44. Eduardo Selga
    14 de setembro de 2016

    Há contos cujo eixo se concentra na trama, em detrimento da construção de personagens; há contos que perseguem o caminho inverso. Esta narrativa, por sua vez, demonstra que o equilíbrio na dosagem da luz que incide sobre personagens e trama é importante para que se tenha um conto de boa qualidade literária. Isso faz com que, inclusive, este conto seja maior do que seu tamanho físico.

    Como assim? É que a estória chega a seu termo, mas continua na mente de certo tipo de leitor. Este não sentirá necessidade de ver surgir novos episódios ou personagens, mas a narrativa é tão completa e são tão desnecessárias quaisquer continuações que o leitor guarda a trama consigo, carinhosamente, pensando detalhes dos personagens e das cenas narradas pelo autor. Ou seja, a estória continua numa espécie de repetição mental com enriquecimento de detalhes.

    Um dos motivos pelos quais isso acontece (a depender da recepção textual pelo leitor) está na construção dos personagens. Tem-se a sensação de estar frente a frente com eles, pois a substância de que são feitos não passa pelo estereótipo nem pelo exagero. O autor certamente entende personagem como uma representação do Homem, de modo que evita a todo o custo construir representações mascaradas por determinados sestros narrativos.

    Nesse sentido, é de se observar o tom pastel que todos os personagens possuem. Não têm cores aberrantes. E aqui cabe uma observação: pelo que eu disse acima, é de se concluir que o Homem real não é exagerado nem estereotipado. Ora, sabemos que há pessoas que parecem um chitão florido ambulante nas palavras e no comportamento, e outras que vivem repetindo bordões televisivos. No entanto, elas se parecem muito mais com personagens do que com pessoas reais. Assim, quando o autor opta pela suavidade, por personagens outonais, ele está representando o Homem como ele deveria ser idealmente. Noutras palavras, enquanto há personagens em nosso cotidiano, no conto existem pessoas reais.

    Eles, os personagens, nos são revelados aos poucos, à medida que a trama avança. De modo que, não obstante em cores pastéis, eles não possuem apenas uma tonalidade. Vejamos o protagonista por exemplo. No início ele é saudade; mais ou menos no meio da narrativa nos damos conta do ressentimento dele para com sua mãe, ao mesmo tempo em que é carinho em relação ao pai de sua ex-namorada; ao fim, há uma sugestão velada de que ele a teria assassinado por ciúmes. Todos esses sentimentos são fortes, porém mostrados com suavidade.

    O pé de maracujá é mais do que uma planta: é um cemitério, onde está enterrado num baú parte do seu passado, mas também pode ser o local onde o corpo da moça foi enterrado, conforme pode-se deduzir por meio do trecho “[…] e pensou em escavar mais fundo. Contudo, não o fez. Ele sabia que haviam coisas que não deveriam ser desenterradas”.

    O pé de maracujá continua não sendo apenas uma planta: é uma alusão a um mito indígena brasileiro, segundo o qual o maracujá nasceu no local onde foi enterrada uma índia assassinada pelo pretendente, uma situação similar à do conto, se considerarmos que o ciúme do protagonista chegou a esse extremo.

    É pena que o texto escorrega muitas vezes na gramática, o que prejudica a coesão textual, como nas passagens abaixo.

    “Lembrou-se dos anos em que ele e a noiva se encontravam as escondidas no quintal da casa”: falta de crase em AS ESCONDIDAS;

    “A culpa recaiu sobre um maníaco preso meses depois. Que confessou vários assassinatos de mulheres da região: o QUE sem vírgula anterior é até possível, mas se MANÍACO estivesse imediatamente antes. Do modo como está, uma construção melhor talvez fosse ELE CONFESSOU […];

    “No entanto, nunca admitiu ter matado Susana. A polícia não acreditou nele e deu o caso por encerrado”: Se a polícia não deu crédito à versão do suspeito deveria ser MAS DEU O CASO POR ENCERRADO;

    “Um canto especial, de momentos incríveis entre ele e Susana, mas, que se tornara, na última duas décadas, a paisagem predileta de seus pesadelos”: A conjunção MAS não fica entre duas vírgulas. Há apenas uma, antes da conjunção;

    “Você não é mais o menino doce que eu me apaixonei”: POR QUEM ao invés de QUE.

    “Ele sabia que haviam coisas que não deveriam ser desenterradas”: HAVIA

    “A lembrança dos frutos amarelos, olorosos e ácidos, inundou a boca e os olhos do homem de recordações”: aqui o problema é sintático, pois a posição da palavra RECORDAÇÕES parece se referir a HOMEM ao invés de BOCA e OLHOS.

    Como resultado de todo esse arrazoado eu diria que o a narrativa é ótima em coerência narrativa, excelente em personagem e na linguagem, regular em coesão textual.

    • Ricardo Gnecco Falco
      17 de setembro de 2016

      “Noutras palavras, enquanto há personagens em nosso cotidiano, no conto existem pessoas reais.” — Selga.

      Essa eu vou imprimir! (rs!)

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Muito obrigado, Eduardo Selga.

  45. Evelyn
    13 de setembro de 2016

    Oi, O Maracujazeiro.
    Gostei muito muito muito do seu conto. Fluído, leve e ao mesmo tempo intrigante. Eu confesso que pensei em Pedro como assassino no momento em que eles estavam de frente para o túmulo. Quase dissipou-se na abertura do baú.
    Gostei de como construiu o cenário, e a sequência de cenas.
    Parabéns.
    Abraço!

    • O Maracujazeiro
      18 de setembro de 2016

      Obrigado, Evelyn

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Publicado às 13 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .