EntreContos

Detox Literário.

A Musa (Felipe Teodoro)

conto-musa

O velho desperta com os olhos brilhando. Ainda não amanheceu, mas ele não pode perder a oportunidade. Levanta da cama e corre até o computador, que é sua forma de fugir de casa, sem precisar deixar o conforto do apartamento. Encara o monitor, aguardando o sistema iniciar e acende um cigarro. Depois abre o processador de texto e concentra-se para ouvir a canção novamente. Sem perceber, inicia um digitar frenético.

A moça caminha até a porta, olha para trás e diz que volta logo. Depois desaparece no corredor escuro e eu fico sozinho, sem saber onde estou. Observo a rosa em minha mão, presente dela, e questiono: Qual o sentido de tudo isso? Não sei. É tudo tão confuso, e eu ébrio, tento em vão exercer minha mania de buscar uma explicação lógica para tudo. Derrotado, guardo a flor no bolso de meu casaco e a esqueço ali. Nunca mais.

Depois, durmo. Há anos durmo sozinho.

É difícil encontrar o caminho para casa. As luzes dos automóveis e os letreiros espalhados pela avenida confundem. Procuro por um trajeto mais calmo, e cambaleando, sigo até uma rua alternativa à movimentada Augusto Ribas.

Depois de alguns passos percebo que essa rua não tem placas e nenhum sinal de movimento. As casas ali são todas iguais e através das cortinas, vejo pessoas que parecem rir da minha situação. Mas eles não estão normais, parecem estar todos…

E a noite vai cada vez mais alta, a lua some no céu, a chuva caí lentamente. Minhas forças para andar logo se esgotam e o que resta é a visão distorcida, o desequilíbrio. Troco as pernas e caio de encontro com o chão de pedras. Nesse momento alguém ergue-me do chão e um pensamento bobo cobre minha cabeça. É um anjo-da-guarda! Obrigado, Senhor, por me tirar da escuridão!

– Venha, João. Deixe-me ajudá-lo.

Encaro meu salvador e a mulher em minha frente realmente lembra um anjo. Longos cabelos negros, a pele branca como mármore e os lábios carnudos, destacando o batom vermelho. Seria a realização do meu maior sonho?

– Venha, vamos matar essa saudade. – Diz ela e eu vou.

Após um longo tempo andando pelo labirinto das ruas estranhas, paramos frente à um grande casarão.

Avançamos, ela abre a porta e convida-me para entrar. Obedeço suas palavras e sou conduzido até um quarto que fica em uma espécie de porão.

– Esse presente é para você. – Fala entregando a pequena rosa vermelha. – Eu volto logo, preciso preparar uma coisa. Volto logo…

Deito na cama mais confortável de toda a minha vida e aguardo do retorno da bela donzela. E é nesse momento que acabo dormindo, como já contei no início da narrativa e aí as coisas se misturam. Percebo que já não sei mais quais são os limites entre a realidade e o mundo dos sonhos.

Ela retorna ao quarto, segurando um castiçal de vela em uma das mãos e na outra uma caneca de barro. Oferece-me a bebida, a qual aceito sem pestanejar e depois ela beija-me, deita ao meu lado.

– Eu preciso que você diga SIM, João. – Seus beijos são a melhor coisa do mundo. E o meu corpo quente, fervendo.

– Diga SIM, João.

– SIM! – E juntos em nossa volúpia, os dois corpos são um só. Perfeita sintonia. Sim!

Mas meu paraíso não dura muito tempo e o prazer é substituído pelo horror. Um segundo de razão brota em meus olhos e faz-me enxergar a verdadeira face daquela mulher. O que vi foi a representação mais pura da própria morte. A face desbotada pela podridão do tempo, o olhar branco, vazio. E de um buraco acima de sua testa despontavam vermes que caiam sobre mim, como a chuva que a pouco cessara.

O coto da vela, que ardera até abaixo do anel do castiçal de porcelana, lançava sombras oscilantes sobre as paredes e ali vi um exército de demônios prontos para devorar-me. Gritei enquanto era sufocado pelo efeito dos anos.

A vela apagou-se, junto com nosso amor.

Abro os olhos, respiro fundo. Sem mais sonhos, por favor! O quarto que estou já não é mais um quarto e a sensação de já ter passado por uma situação parecida, ganha a cena outra vez. Nunca mais.

Fico em pé em meio a escuridão, sem nenhum anjo-da-guarda para proteger-me e caminho por alguns minutos no escuro, perdido. Até que vejo uma luz e mais à frente uma escada que sobe por pelo menos três metros. Acelero os passos e quando chego ao topo, abro um velho portão de ferro e estremeço.

Em minha frente um mar de sepulturas, dos mais variados tamanhos e estilos. Cruzes e flores murchas se espalham por todo meu campo de visão. O mundo é cinza no cemitério. Olho para trás e vejo que a escada que subi, dá acesso a uma antiga cripta. De novo, não! Eu preciso esquece-la! Afasto-me desesperado, o coração quase saindo pela boca.

– João… – Sussurram os ventos do além, causando calafrios. E então ela emerge das sombras e para ao lado da porta de sua morada. É ela! Rindo um riso convulso como a insânia.

– Unidos para sempre… Nem a morte pode nos separar.

Junto forças e dou o primeiro passo para escapar daquele lugar.

– Não importa onde for, sempre estarei contigo. Você disse SIM, disse que seria para sempre.

Saio correndo, pulando sepulturas. Minutos depois encontro um muro e após um árduo salto, a rua. Agora, no mundo dos vivos, as coisas parecem mais fáceis. Vejo um táxi na esquina, a minha salvação. Passo meu endereço ao motorista e pergunto onde estamos. Ele ri e responde:

– Vila Aurora.

E enquanto se ajeito no banco traseiro do Santana, tento organizar minha cabeça.

Chego em casa e vou direto para cama. Após dois comprimidos, pego no sono outra vez, como se aquilo fosse possível. Chega de sonhos! Nunca mais.

Só acordo na manhã seguinte, com sol brilhando através da janela, avisando que um novo dia nasceu. Minha cabeça ainda dói, é início de ressaca e a passos lerdos resolvo preparar um café. Lembro do horrível pesadelo da noite anterior. O que foi que realmente aconteceu? Que horas cheguei em casa?

Caminho até a sala e encontro meu computador ligado. No monitor, uma página do Word, com o cursor do mouse piscando abaixo daquele que era o título provisório de um conto que a semanas ensaiava escrever, “A Musa”.

Movido por uma voz que não é minha, corro digitar todas as imagens que brotam em minha mente. Escrevo, mas as sentenças não fazem jus ao medo que sinto ao pensar na possibilidade de tudo aquilo realmente ter acontecido. A ficção é a verdade dentro da mentira, li uma vez em algum lugar, e se não fosse por isso, toda essa história não passaria de um pobre conto de fantasmas, uma tentativa barata de imitar os clássicos do gênero, carente de verdadeiros momentos de tensão.

Chego a pensar que estou doente da alma, e que a escrita desiquilibrada e em certos momentos quase amadora, é a prova real do meu bloqueio criativo. Fantasmas? Cemitérios? Sonhos? Poxa, você pode mais que isso, João! Mas decido apenas escutar a voz e ela diz várias coisas, de várias formas. Diz que esse conto é uma espécie de tributo, mas também uma forma de livrar-me da loucura. Diz que escrevendo posso amenizar a dor, posso ser outros e quem sabe até encontrar alguém. Eu preciso de alguém! Preciso?

E ao fim do texto, após a tentativa de justificar a falta de originalidade, a linguagem que oscila e até mesmo minhas duvidosas intenções, percebo minhas roupas sujas de terra preta. Nunca mais.

Corro até o casaco que deixei caído ao lado da cama e com receio enfio a mão em um dos seus bolsos. Meu coração acelera quando vejo as folhas murchas da rosa do cemitério. Pálido, retorno até o computador e arrepiado, concluo minha história:

Escuta – diz o cadáver da mulher, pousando a mão sobre meu ombro. – Vivos e mortos são dois lados da mesma moeda. E eu sou sua para sempre.

O viúvo salva o arquivo, desliga o computador e joga o cigarro fora. Volta para cama feliz por ter realizado outro trabalho. Deita e fecha os olhos para dormir mais um pouco, achando que o mérito é todo seu, sem perceber o fantasma da esposa, sentado aos pés da cama.

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74 comentários em “A Musa (Felipe Teodoro)

  1. Pedro Luna
    15 de outubro de 2016

    Infelizmente esse conto reuniu ingredientes que estão me descendo indigestos. A começar, pela brincadeira que faz com a própria questão do desafio. Sobre ter ideias, escrever. Enfim, uma metalinguagem que muito já vi. Além disso, ele investe em uma trama rápida, mas confusa, que se confunde com o que o sujeito escreve. Como uma trama dentro de outra. E nessa trama, a personagem femme fatale mortal acaba soando outro clichê. Ou seja, não vi nada de novo e o que vi não me agradou. Algumas mudanças no modo de narrar também soaram deslocadas.

    Enfim, infelizmente não gostei.

  2. Rodrigues
    15 de outubro de 2016

    Gosto de textos que lidam com o código dentro do código, por mais que possa parecer clichê, mas, quando isso é bem feito (como no caso aqui), fica muito bom. Porém, acho que faltou um pouco de desenvolvimento para maturar a história, existe aí um conto sensacional, mas foge aos olhos por algum detalhe ou outro.

  3. Amanda Gomez
    14 de outubro de 2016

    Olá,

    Seu conto me deixou bastante confusa, li algumas vezes para tentar fazer um comentário com propriedade. A história é bacana, a técnica usada, como já mencionado é inteligente, o diferencial deste conto por assim dizer. Mas a execução não ficou muito boa, a mudança de narrativa, o fato de não ter nenhum elemento que indicasse isso previamente deixa o leitor parado no parágrafo tentando entender onde foi que se perdeu.

    Não sou uma leitora preguiçosa que quer tudo as claras, não mesmo, mas realmente fiquei no escuro aqui, falha minha? Sei lá.

    Falando um pouco do personagem, mesmo deixando a história por trás do que é mostrado , deu pra ler algumas coisas nas entrelinhas, a cena fical não foi tão impactante, mas fechou bem o conto.

    Enfim peço desculpas pelo comentário meio confuso. Parabéns e sorte no desafio.

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    41. A Musa (Solfieri)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a passagem da narrativa em terceira e primeira pessoa precisa ser indicada de alguma forma, por algum elemento gráfico – itálico, quem sabe? O desenrolar da história precisa ser ágil o suficiente para preparar adequadamente a virada final – acho que, nessa história, a surpresa final acabou ofuscada pelo virtuosismo da parte central.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Borrado.

  5. Marcelo Nunes
    13 de outubro de 2016

    Olá Solfieri.
    Seu texto não conseguiu prender minha atenção. Um sonho dentro de outro, achei uma ideia diferente e positiva.

    Mas os saltos na narrativa me deixaram confuso ao ponto de perder o interesse na estória. Gostei em partes. Parabéns pela criatividade.

    Boa sorte no desafio.
    Abraço!

  6. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Gostei da ousadia. Acho que o material é interessante, mas fico em dúvidas quanto à execução. Reli para ter certeza, mas confesso que foi difícil captar. Vi que tem uma metalinguagem aí, história dentro de história, mas achei que não funcionou. Além disso, a história contada pelo escritor não me pareceu ter muita polpa. Há mérito na tentativa, mas talvez a forma precise ser exercitada.

  7. Fil Felix
    12 de outubro de 2016

    Metalinguagem que ultrapassou o limite de 50km/h

    GERAL

    Metáforas são ótimas. Quebrar a quarta parede, conversar com o leitor, o conto dentro do conto também. Brincar com o próprio formato é outra característica interessante. Mas geralmente, quando aparecem nos desafios (principalmente os que falam sobre o próprio desafio), não costumam se sair bem. Neste conto eu percebi uma construção de trama muito bem alinhada, que brinca com a ideia de looping/ lembranças, do limite entre real e imaginação que ficou muito bom. O ir e vir me lembra Efeito Borboleta. Um conto com uma pegada realmente interessante, gostei! Mas acaba correndo e tropeçando em alguns pontos que, pra mim, prejudicaram um pouco. A ideia de musa também caiu bem, me lembrou uma historia de Sandman.

    BUGUEI

    A leitura é tranquila, mas o estilo narrativo me estranhou. Os pensamentos se atropelam. No início, não sabia o que estava acontecendo. Lembranças ou idéias no word? Tudo muito caótico. O final, como comentei no Túmulos em Si, aposta na velha tática de algum resíduo do mundo dos sonhos na realidade (coincidentemente, uma flor em ambos), além da lama.

  8. Bia Machado
    11 de outubro de 2016

    Tema: Sim, está adequado à temática e certamente foi mais uma boa surpresa.

    Enredo: Totalmente metalinguístico, que exige uma atenção bem maior do que os outros que li até agora. Por isso bastante interessante. Acho que a questão da metalinguagem foi meio complicada aqui, ao menos para o espaço que havia disponível. Explicando, da forma como está, há uma rapidez entre um estágio e
    outro que pode dificultar para muitos que lerem. Diferente do que aconteceria em um conto bem mais longo, ou em livros como “Reparação” ou “O Mundo de Sofia”, para dar exemplos de romances onde temos metalinguagem e o tempo para o leitor é maior, claro. Mas foi uma escolha bem corajosa!

    Personagens: Interessantes, que me prenderam e demonstram terem sido bem pensados pelo autor/autora, mas sem o devido espaço para serem o que poderiam ser.

    Emoção: Além disso, a leitura é meio tensa, com o medo de perder alguma coisa no meio do que foi escrito.

    Alguns toques: Desenvolva mais o texto sem a limitação de palavras e faça uma revisão gramatical, coisa que o pessoal deve ter apontado.

  9. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Olha, fiquei meio dividido. Por um lado, a história é interessante e meio sinistra/obscura, o que me agrada. Mas achei um pouco confusa, e em determinados momentos fiquei na dúvida se tava entendendo ou não.
    Gostei da metalinguagem usada, mas achei que faltou dar uma conexão melhor entre os acontecimentos, que pra mim não ficaram tão lógicos.
    Enfim, resumindo, acho que o balanço geral é bom, especialmente o fim.

  10. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Um conto inteligente que aborda o tema com uma metalinguagem bem colocada. Se percebi bem, o primeiro e o terceiro parágrafo são narrados em terceira pessoa, enquanto que o restante se dá em primeira. Isso demonstra que há um narrador onisciente, mesclado com um que faz as vezes de personagem. Ficou interessante. Gostei do início, principalmente, porque há forte carga emotiva e psicológica, com os devaneios misturando-se à uma atmosfera confusa, sem que seja possível divisar realidade de… outra realidade. Não curti muito a quebra abrupta para o terror – conto sobrevive (bem) melhor sem ela, até porque no fim o aspecto psicológico, com as indagações desconfortáveis, é retomado. Se por um lado percebem-se inúmeros erros de revisão, por outro há que se louvar a coragem do autor em levar a narrativa no tempo presente. Esse é um recurso difícil de se utilizar, pois normalmente se cai no enfadonho. Aqui, o resultado ficou além do satisfatório. Enfim, no geral, um bom conto. Parabéns.

  11. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Este texto não me agarrou, apesar de ser desenvolvido e apresentar uma trama como eu gosto, mas, penso que faltou espaço para dar vida a esta história. Precisas de retomar a escrita sem limites de palavras e depois gostaria muito de ler este texto.

  12. Pedro Coelho
    29 de setembro de 2016

    Muito interessante o uso da metalinguagem. O conto dentro do conto, o sonho dentro do sonho. Uma estória diferente. Em alguns momentos fica um pouco confusa e falta alguma emoção talvez, mas talvez essa tenha sido a intenção. O último parágrafo eu achei um pouco esquisito e a conclusão soou forçada, talvez pela limitação de palavras. Mas é um bom conto. Com mais bons momentos do que maus.

  13. Simoni Dário
    29 de setembro de 2016

    Olá Solferi

    O conto tem movimento, ação, mas falta emoção para prender a minha atenção.

    A história é um pouco vazia, apesar de o autor ter narrado de uma forma até fluída. Fiquei curiosa em algum momento, entendi que a musa inspiradora do autor do conto no conto era a sua falecida esposa e achei até bacana isso.

    “E enquanto se ajeito no banco traseiro do Santana, tento organizar minha cabeça.” Um pouco de cuidado com a revisão, erro assim é mortal, com o perdão do trocadilho.

    Não gostei tanto, mas o autor é criativo sim, tem talento, reconheço.

    Bom desafio
    Abraço

  14. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    Que delícia! Que beleza ler um conto que une o gótico com o moderno, que casa adjetivos, o rebusque, com o contemporâneo! Solfieri! Solfieri! Chame Macário! Chame Bertram! Chame todos os outros amantes do gótico!

    Gostei do conto, autor(a)! Achei a metalinguagem bem aplicada e a escrita – salvo alguns errinhos – boa. Não houve estranheza, pelo menos para mim, na mudança do autor na forma de executar a narrativa. E o final ficou muito bom

    Parabéns pelo trabalho. Bateu aquela vontade de encontrar com os velhos amigos da Taverna!

  15. Ana Paula Giannini Rydlewski
    28 de setembro de 2016

    Olá, Solfieri,
    Boa tarde.

    Seu conto trabalha com metalinguagem. O sonho dentro do sonho, dentro do texto escrito pelo viúvo.

    A ideia é ótima e o fluxo de linguagem também é bom.

    Achei desnecessária a explicação, no meio do trabalho, de que ele volta a dormir (“como disse acima”), isso fica claro e poderia ser suprimido. Além de ser o único momento em que você utiliza este tipo de intervenção em todo o conto, quebrando um pouco o estilo.

    Também notei alguns erros de revisão, como alguns mencionaram acima, mas isso não atrapalha a fluência de sua história.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

    • Solfieri
      28 de setembro de 2016

      Oi Ana!

      Tbm pensei em omitir essa parte, mas fiquei pensando: Será que não vai ficar muito complicado?

      Veja, que mesmo deixando claro, alguns não entenderam. Enfim, ainda assim, na próxima versão dessa história, vou cortar essa parte fora. Obrigado pela dica! E os errinhos serão analisados com carinho após o desafio.

      Fico feliz que tenha gostado do conto. Além dos temas clichês que ela aborda, é um conto que tenta trazer um pouco de reflexão sobre as próprias fronteiras narrativas. Metaficção, autoficção, uma brincadeira com o próprio processo criativo… Tem várias coisas, algumas vão ficar só comigo mesmo, outras os leitores estão percebendo e tbm adicionando. Leituras e críticas são assim, sejam feitas por grandes, ou por amadores como nós.

      Mas eu já falei demais. Boa noite!

  16. Thiago Amaral
    28 de setembro de 2016

    Como vai?

    Lendo os primeiros parágrafos, fiquei um pouco confuso em relação ao que estava acontecendo. Não estava claro, o texto dava saltos estranhos na narrativa. Me pareceu, nesse caso, um “confuso ruim”. Talvez você poderia ter pensado em algum recurso narrativo que demonstrasse as mudanças do quarto do velho pra uma história sendo de fato digitada, ou do protagonista dormir e estar vagando pelas ruas. Talvez uns pontinhos que separassem os parágrafos. Do jeito que está, parece apenas jogado lá. Entendo que a intenção seja não deixar óbvio, mas… não rolou.

    Ao longo do texto, uma série de erros gramaticais atrapalham. Não gosto de ficar coletando, mas aqui acho que eles saltaram demais aos olhos, com frequência. Uso de vírgulas, principalmente.

    Quanto ao que realmente interessa, a história e seu significado, gostei bastante. O crescimento do personagem contrastando com seu escritor, que ignora sua musa, ficou muito interessante. A metalinguagem me fez pensar, causou um “confuso bom”. O último parágrafo fechou tudo muito bem. Senti, ao fim, que ao longo do processo acordei de um sonho para outro, várias vezes seguidas.

    Portanto, limpando-se o pó, um bom texto!

    Até!

    • Solfieri
      28 de setembro de 2016

      Olá!

      “você poderia ter pensado em algum recurso narrativo que demonstrasse as mudanças do quarto do velho pra uma história sendo de fato digitada”

      Entendo, amigo, e já expliquei essa questão por aqui.

      Veja que existe uma sequência lógica, a mudança é contextualizada. As coisas não estão soltas, até pq uma das coisas que mais prezo em um texto, é uma boa costura.

      “…inicia um digitar frenético” e “…o viúvo salva o arquivo” marcam essas divisões, no início e no fim.

      Pontuar/sinalizar a mudança de uma perspectiva para outra da forma como vc e alguns colegas comentaram, transformaria o conto em outro texto! Percebe que aqui não se trata de ficar melhor ou pior?

      De qualquer forma, a ausência de pontuação é um recurso muito usado na Literatura, e que pode servir para vários propósitos. Uma pena o efeito não ter sido positivo na sua leitura, mas faz parte.

      Sobre os “erros”, acho que seria mais legal se você exemplificasse pelo menos alguns, pra dar uma ajuda pro autor aqui, não? Veja bem, da forma como você falou, parece que o texto todo carece de revisão e que existem tantos problemas que até a leitura fica difícil.

      De qualquer forma entendi sua msg e outros colegas já deixaram algumas observações (sobre alguns desvios que foram intencionais e outros que realmente passaram despercebidos (é quase sempre assim, não?).)

      Enfim, obrigado!

  17. mariasantino1
    26 de setembro de 2016

    Oi, tudo bem?

    Tenho 99,9% de certeza de quem escreveu esse conto, mas vamos deixar isso de lado, ok?

    Então, o conto ganha pontos (comigo) por descrever delírios, tentar mesclar as realidades, pela metaficção, e pelo lance de MUSA inspiradora (tétrico). Você conseguir inserir alguma poesia ao tecer seu escrito, e ele fica até com alguma força quando se compara com a dor da perda de uma pessoa muito amada e que acaba não morrendo de fato, porque ainda andamos com ela presa em nós, mas confesso que algumas coisas esbarram nas minhas chatices. Um exemplo é que eu acho muito infantil essas cenas de caveiras e vermes e acho até que seu texto ficaria mais coeso sem essa passagem. Gostei da ligação entre o velho e a esposa já falecida, assim como o outro personagem dentro do outro texto que pode ser comparado ao próprio velho.
    Enfim acho que seu texto precisaria de mais espaço para vender melhor os personagem e suas aflições (e por conseguinte se ligar a pessoa leitora). Da forma que está acaba ficando corrido (minha opinião), mas é mérito seu que ainda assim ele consiga repassar sentimentos e sensações.

    Boa sorte no desafio, Autor.

    • mariasantino1
      26 de setembro de 2016

      Esqueci de comentar que “enquanto se ajeito” soa muito ruim >>> enquanto Me ajeito, soa melhor

      • Solfieri
        26 de setembro de 2016

        Tudo bem e você?

        Obrigado pela leitura e opinião sincera.

        Fico feliz que tenha gostado.

  18. Maria Flora
    26 de setembro de 2016

    Solfieri, o conto é muito interessante! A narrativa é boa, soube captar a atenção do leitor e vaguear dentro da mente do personagem sem se confundir. Todos os elementos estão presentes: lugares, pessoas e o próprio drama do personagem. Meus parabéns por este conto! Estará entre meus favoritos.

    • Solfieri
      26 de setembro de 2016

      Obrigado pela leitura.

      Fico feliz que tenha gostado.

  19. Davenir Viganon
    25 de setembro de 2016

    Olá Solfieri
    O título apontou a mulher/fantasma/personagem no qual movimenta a estória. Quando o texto busca quebrar as barreiras da realidade, já ganha +1 comigo kkkk A metalinguagem do homem que escreve um conto e fala diretamente com o leitor/avaliador do Entrecontos, eu gosto. O homem e sua musa literária. Talvez o espaço tenha sido pouco para tudo que você queria dizer, o ritmo ficou meio chutado. Acho que faltou revisão, não me refiro a gramatica, mas pra deixar as ideias mais conectadas e redondas. Não sei explicar… Apesar de tudo isso o conto ficou bom, mas pode ficar mil vezes melhor sem os limites do desafio. Não o abandone, por favor.
    Um abraço.
    [em off: O pseudônimo angariou minha simpatia, pois adoro o “Noite na Taverna”.]

    • Solfieri
      25 de setembro de 2016

      Fico feliz que tenha gostado.

      Noite na Taverna é de certa forma uma das leituras que ajudou na construção desse texto.

      Obrigado pela leitura.

  20. Pétrya Bischoff
    24 de setembro de 2016

    Buenas, vivente! Creio que os colegas já tenham apontado a pouca densidade na atmosfera terror. Entretanto, não creio que isso tenha desmerecido o resultado final, visto que o próprio autor abre esse diálogo com o leitor, como último sincero recurso na costura do enredo.
    A escrita é interessante, apresenta construções com potencial que, conforme já foi apontado, não chegaram a evocar grandes sensações.
    A narrativa é, para mim, confusa. E creio que esse redemoinho de acontecimentos não tenha sido intencional pois, se o fosse, o autor não sentiria essa necessidade de dialogar com o leitor, justificando idas e vindas na leitura. Há essas várias cenas que mesclam sonhos, construção do personagem-autor e realidade que, separadas, fluem de maneira satisfatória. O que prejudicou a narrativa, aqui, foi a costura dessas cenas. Na verdade, não creio que tenha havido costura alguma, o que o autor justifica por essa incerteza de mundo onírico.
    A ambientação é muito boa, pude vislumbrar as cenas descritas e gostei do que o autor construiu. Apesar de haver, também, muitas cenas para um espaço reduzido.
    De maneira geral, creio que o autor tenha acertado ao justificar seu texto junto ao leitor. O viés adotado, meio ritualístico, meio necrófilo, não me agradou, mas isso não interfere em minha avaliação.
    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  21. Pétrya Bischoff
    24 de setembro de 2016

    Buenas, vivente! Creio que os colegas já tenham apontado a pouca densidade na atmosfera terror. Entretanto, não creio que isso tenha desmerecido o resultado final, visto que o próprio autor abre esse diálogo com o leitor, como último sincero recurso na costura do enredo.
    A escrita é interessante, apresenta construções com potencial que, conforme já foi apontado, não chegaram a evocar grandes sensações.
    A narrativa é, para mim, confusa. E creio que esse redemoinho de acontecimentos não tenha sido intencional pois, se o fosse, o autor não sentiria essa necessidade de dialogar com o leitor, justificando idas e vindas na leitura. Há essas várias cenas que mesclam sonhos, construção do personagem-autor e realidade que, separadas, fluem de maneira satisfatória. O que prejudicou a narrativa, aqui, foi a costura dessas cenas. Na verdade, não creio que tenha havido costura alguma, o que o autor justifica por essa incerteza de mundo onírico.
    A ambientação é muito boa, pude vislumbrar as cenas descritas e gostei do que o autor construiu. Apesar de haver, também, muitas cenas para um espaço reduzido.
    De maneira geral, creio que o autor tenha acertado ao justificar seu texto junto ao leitor. O viés adotado, meio ritualístico, meio necrófilo, não me agradou, mas isso não interfere em minha avaliação.
    Parabéns e boa sorte.

    • Solfieri
      26 de setembro de 2016

      Não foi intencional? Agora você me deixou chateado. rs

      Abraço e muito obrigado pela opinião sincera.

  22. Felipe T.S
    22 de setembro de 2016

    Olá autor.

    No geral um conto interessante. Alguns momentos cansativos e outros onde tudo passa muito rápido. Confesso que não entendi muito bem do que se trata e quais são as relações entre as narrativas.

    Os erros cometidos no texto, mesmo sendo justificados por um personagem, devem ser arrumados, mesmo que para isso seja necessário mudar alguma coisa na história.

    Senti falta também de uma atmosfera mais sombria, acredito que investir um pouco mais nas descrições seria uma boa opção.

    Enfim, um texto na média;

    Sorte.

    • Solfieri
      23 de setembro de 2016

      Olá Felipe.

      Agradeço o comentário.

      Você não é o primeiro que cobra uma narrativa mais densa e sombria, mas creio que esse tipo de escrita não foi uma das minhas intenções aqui. O terror e o suspense são apenas detalhes para falar de outra coisa, são apenas acessórios da história, não a base.

      Obrigado pelo comentário.

  23. Jowilton Amaral da Costa
    22 de setembro de 2016

    Bem, eu acho que o autor escreveu uma história só pra ele, verdadeiramente só pra ele. Exorcizou coisas que o atormentavam, sem dar muita importância se os leitores entenderiam ou não.. O texto é bem escrito, no entanto, as estórias que se entrelaçam, apesar de ser uma só, confundem bastante quem as lê, ao menos me confundiu. Achei bacana o uso do nunca mais, que nos remete a Poe. No geral é um bom conto, que na minha opinião, deveria ser revisto pelo escritor. Boa sorte.

    • Solfieri
      23 de setembro de 2016

      Olá Jowilton!

      Nem sempre os textos precisam ser claros e fáceis, não? Não que esse seja difícil, pq não é. Na verdd é bem simples. Tá tudo aí! rs

      Ficaria muito mais feliz se você tivesse entendido, mas faz parte. Quem sabe outra hora né?

      Obrigado pela leitura!

  24. José Geraldo
    21 de setembro de 2016

    Como sempre aqui no desafio há muitos textos com ideias originais e inteligentes, que são postos a perder por execução apressada (e nessa crítica eu me incluo, porque as minhas participações sempre foram com textos verdes, para catar opiniões úteis ao seu desenvolvimento — e em geral os meus textos aqui colocados viraram contos muito bons depois de retrabalhados). Este texto não chega a desperdiçar totalmente a história, mas se esforça bastante. Na verdade ele peca mais por ambição do que por imperícia.

    A história claramente exige uma abordagem mais enxuta para caber nos limites do desafio. Boa parte dos floreios deveria ficar de fora para deixar mais espaço para ação, já que o limite é tão curto. Eles deveriam ficar para o desenvolvimento desta história como uma noveleta (gênero de que gosto muito).

    Digo isso porque é evidente que o final foi corrido e deixou muita ponta solta que precisaria ter sido amarrada. Vou dar um exemplo: a alternância entre terceira pessoa e primeira é totalmente inesperada e desnecessária. O texto parece ter duas camadas, uma espécie de dissociação da personalidade do personagem, mas isso não e em momento algum sugerido, o que faz com que a explicação só exista na cabeça do leitor que queira entender o que houve. O leitor comum, que tem dificuldade para diferenciar formas verbais, talvez passe batido pela mudança de pessoa, sem entender seu significado. Então seria necessário deixar este significado mais definido (não “mais explicado”, porém mais difícil de ignorar). Se algo é simbólico, o símbolo precisa ser visto para ser entendido.

    Eu particularmente não gosto de alternâncias entre pessoas narrativas, a menos que isso seja MUITO bem feito. Normalmente me passa a impressão de texto desorganizado. Ainda mais quando o texto também padece de alternância de TEMPOS verbais. Enfim, o texto dá uma impressão de falta de coerência.

    Mas a história é interessante e merece um desenvolvimento mais meticuloso.

    • Solfieri
      23 de setembro de 2016

      Boa noite José.

      Agradeço pelo comentário sincero.

      A mudança na forma de narrar é totalmente contextualizada. O que você e outros leitores comentaram é que seria melhor, se fosse usado : ou “…”. Mas isso mudaria muita coisa e iria contra minhas intenções.

      De qualquer forma obrigado pela opinião, com certeza vai ajudar nas minhas reflexões sobre o ofício.

  25. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: O estilo meio “noir” caiu bem, mas não houve divisões especificas entre as histórias. Um itálico, simples, ajudaria. O começo deixa a entender que são três protagonistas, mas isto é apenas retomado do meio para o final, e o texto ganha forma. Houve pequenos deslizes, mas a linguagem é bastante eficiente em transmitir as emoções.
    ME: A ideia é ótima, mas a execução soou um tanto confusa, apesar do próprio autor se desculpar por meio de metalinguagens. Desperdiçou um ótimo potencial. Creio que se refizesse o início e o fim, com melhores divisões, ficaria excelente, pois é difícil separar o “eu” do “eu” ali.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Olá Brian!

      Agradeço o comentário.

      Não há desculpas da minha parte, isso aí é com o personagem de uma das histórias, ele mesmo disse que não escreve tão bem.

      Sobre as divisões que não aparecem, ai sim, é minha culpa. Uma das minhas intenções era justamente não marcar, nem sinalizar. Quero o texto seja encarado como uma unidade com camadas e tenho meus motivos como autor para construir a trama assim. Sei que para alguns pode parecer que foi um erro, mas faz parte.

      Abraço!

  26. catarinacunha2015
    21 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Puts, mas um caso de autoficção? Escritor atormentado? Não gostaria de continuar, mas devo.

    TRAMA. Eu chamaria de um ensaio para um conto. O (A) autor (a) fez um jogo entre real e imaginário, aproveitando ideias interessantes, mas não lapidadas. O que dizer deste autoflagelo?: “… toda essa história não passaria de um pobre conto de fantasmas, uma tentativa barata de imitar os clássicos do gênero, carente de verdadeiros momentos de tensão”. Nem tanto, há talento.

    AMBIENTE. O cemitério está lá sim. Não vê quem não quer: na ilustração e na essência da viagem do maluco.

    EFEITO alucinógeno. Me senti coadjuvante de um experimento ébrio literário.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário!

      Que bom que a experiência de leitura foi interessante.

  27. Gilson Raimundo
    21 de setembro de 2016

    Boa a forma como o autor mistura realidade, sonho e a história criada no computador… Essa confusão que muitas vezes não se define causa um terror angustiante que transforma a história simples num conto diferenciado. No final o arremate foi bacana com a mulher sentada aos pés da cama. Parabéns.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário, Gilson.

  28. Fabio Baptista
    20 de setembro de 2016

    Bom, primeira coisa a se dizer é que li esse conto no celular, com a luz apagada, me preparando para dormir… e o final me deu um medo da porra! hauahuaauha

    O início dá impressão de ser em terceira pessoa, daí quando surge o “e eu fico sozinho” dá uma certa estranheza. A linguagem poética é bem trabalhada esteticamente, mas não jogou a favor da trama. Sinceramente, eu não entendi muito bem a história. Tentei agora, numa segunda leitura, mas continuei sem captar o espírito da coisa.

    Enfim… ganha pontos pelo final e pela beleza de algumas construções, mas não foi totalmente do meu agrado.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Olá Fabio! Que bom que você gostou de algumas coisas no texto.

      Entendo sua estranheza quando você se refere a mudança na forma de contar, mas isso é só mais uma ferramenta que utilizei. No caso desse conto, quando o autor muda a forma de narrar, muda também o que está sendo narrado e quem narra.

      Obrigado pela sinceridade.

  29. Pedro Teixeira
    20 de setembro de 2016

    Olá, Solfieri! A ideia em si tem bastante potencial, mas vi problemas na execução. É uma viagem interior do personagem – e nesse sentido o parágrafo inicial e o primeiro foram bem eficientes para criar a ambiguidade necessária e botar o leitor pra pensar.
    Faltou um pouco de coesão, uma costura melhor entre as palavras. E também uma escrita mais imersiva, mais sensorial, para colocar o leitor no mundo criado pelo conto. Do jeito que está não é ruim, mas não me pareceu a abordagem mais adequada : uma narração mais densa casaria melhor com a proposta.
    Como eu disse antes, a estória tem o grande mérito de fazer o leitor pensar sobre as imagens apresentadas, não dar tudo mastigado. Isso é algo que deve ser levado em consideração.
    Algumas frases quebraram um pouco o ritmo do conto:
    *caio de encontro com o chão de pedras – acho que “de encontro ao chão” soaria melhor
    *obedeço suas palavras – achei essa frase estranha
    enquanto se ajeito- enquanto me ajeito
    Bom, é isso. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Olá Pedro!

      Agradeço as dicas e o comentário sincero. Concordo completamente com você no que diz respeito a uma narrativa mais densa e imersiva, vou passar essas dicas para o João, assim como eu, ele está sempre querendo melhorar na escrita.

  30. Phillip Klem
    19 de setembro de 2016

    Boa noite Solfieri.
    O conto não é ruim. Sua ideia é bem interessante. O “Sim” sendo eterno mesmo depois da morte.
    O que eu não gostei mesmo foi a linguagem que você utilizou para contar passar essa ideia adiante.
    Todo o lance de sonho intercalando a realidade ficou bem confuso e cansativo. Enfim, não me ganhou.
    O texto também carece de revisão ortográfica.
    Acho que você tem um grande talento como escritor e uma ótima criatividade.
    Talvez este não tenha sido o seu melhor, mas tenho certeza que é capaz de mais.
    Boa sorte e boa noite.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pela opinião sincera! Com certeza todos nós aqui somos capazes de mais!

      Boa sorte!

  31. Fheluany Nogueira
    19 de setembro de 2016

    Uma boa narrativa, no geral, após uma segunda leitura. O clima é denso, o tema é explorado de forma sutil, personagens bem alinhavados, necessidade de uma revisão gramatical.

    O recurso da metalinguagem ficou interessante, não há, basicamente um conflito, é uma aventura na mente humana que sugere diversas interpretações.

    É um texto mais fechado, mas não incomunicável. Parabéns pela participação.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário sincero.

  32. Anorkinda Neide
    18 de setembro de 2016

    Olá! Eu gostei do conto, sabe…^^
    Apenas acho que a narraçao poderia ser toda no passado, não curti o lance do tempo presente, meio que tirou algum brilho das frases e da historia mesmo, mas é impressao minha… Poderia ter pensado noutro recurso para separar os narradores.
    Entendi que TODO o sonho do personagem se passa num cemitério, por isso não compreendo o questionamento quanto ao tema… o casarão nada mais é do que a cripta da qual ele sai depois e se depara com as lápides.
    Buenas, gostei muito do último parágrafo, acho que trouxe um fechamento inteligente, trazendo o elemento ‘fantasma da esposa’ para linkar com os acontecimentos ‘imaginados’ pelo escritor em seu texto e com o titulo deste texto.
    Parabens pelo desenvolvimento de sua ideia, caro(a) autor(a)!
    Há alguns errinhos necessitando revisão, ok?
    abraços

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário, fico feliz que tenha gostado da história!

  33. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Utilizarei o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Achei a leitura um pouco confusa. Depois de um tempo, a ideia do “sonho dentro de um sonho” desponta mais facilmente, embora ao final do conto a conversa do autor com os leitores-escritores volta a atrapalhar o mergulho na história. De 1 a 10, eu daria nota 6 para o conto.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Fiquei com a impressão de que o(a) autor(a) escreveu sem estar muito inspirado. A ideia (metalinguagem) é até boa, mas senti falta de uma paixão na escrita. Pareceu-me que o(a) autor(a), após o início da escrita, apenas preencheu os espaços faltantes como um trabalhador de uma fábrica, esperando dar o horário de final de jornada para bater seu cartão. Sugiro que o texto seja, como exercício, reescrito pelo(a) autor(a) em um momento de maior inspiração ou tranquilidade emocional, pois a ideia pode ser melhor trabalhada e render um ótimo conto.

    EU EDITOR (o lado negro da força) –> Tem potencial… Continue escrevendo!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      6? Então eu estou na média?

      Obrigado pelo comentário sincero! Que pena que você não foi atingido pelas doses de paixão dos meus personagens e da minha pessoa. Era pra ser uma leitura com pelo menos um pouco de emoção, mas pelo visto com você não funcionou.

      De qualquer forma, obrigado.

  34. Iolandinha Pinheiro
    17 de setembro de 2016

    Bom dia. Notei de pronto a mudança de terceira pessoa para primeira no início do conto, e isso me desagradou. Mas percebi a intenção do autor em criar dois protagonistas, sendo o segundo um personagem da história do primeiro. Lendo os comentários dos demais escritores observei que alguns registraram que o conto saiu do tema. Não acho que foi o caso. Há inequívocas passagens do texto dentro de um cemitério, há constante referência à morte, há a lembrança da esposa morta atormentando a consciência do escritor, há um fantasma vingativo influenciando a escrita do marido para que ele crie aqueles textos perturbadores. Se todo mundo centrasse os contos em falar exclusivamente sobre cemitérios, teríamos contos extremamente limitados e descritivos. Entendi que o teor confuso do conto que estava sendo escrito pelo primeiro protagonista era o reflexo de seus sentimentos e culpas em relação à esposa morta, como se quisesse punir o personagem que, afinal de contas, seria uma espécie de “alter ego” do personagem autor. Certa vez assisti um filme em que o protagonista tinha eventos que se embaralhavam em sua consciência e ele não sabia mais o que era realidade ou fantasia, o nome do filme é Alucinações do Passado, e este conto me fez lembrar dele. Em uma análise geral achei o conto criativo. Poderia ter ficado mais gostoso de ler, a desordem mental do segundo protagonista deixou o conto desarranjado, mas esta característica acho que fazia parte do que o autor queria passar, mostrando a confusão mental do escritor se refletindo em sua obra. É isso. Parabéns e boa sorte.

    • Solfieri
      21 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário sincero.

      Gosto desse filme que você citou e sobre a confusão mental, não era minha intenção deixar tudo soando desarranjado, deu um trabalho arrumar assim. rs

      De qualquer forma, agradeço suas impressões. Muito válidas!

  35. mhs1971
    14 de setembro de 2016

    Olá
    Tudo bem?
    Considerei esse conto de leitura bem fluida, de fácil entendimento, mesmo com as passagens sutis mas com uma conceitualização da temática de fantasma ser interessante.
    Apenas faltou, coisa simples de resolver, é a menção quanto a cemitério. Mesmo que a ideia do casarão remonte a algo assim, mas muitos leitores ficaram confusos e acharam que fugiu á temática do Desafio.
    O final achei adequado, mesmo que poderia ser aprimorado para não tornar redundante a ideia do fantasma da esposa, que já foi subentendido, mas que poderia ser utilizado de dar aquela pincelada poética.
    No geral, foi um bom conto, rápido e fluido, que,c om uma boa releitura e retralho, sairia um belo conto.
    Boa sorte e parabéns por sua escrita.

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Olá! Tudo bem e você? Agradeço o comentário,gostaria apenas de fazer um apontamento sobre essa afirmação “Apenas faltou, coisa simples de resolver, é a menção quanto a cemitério.”

      O tema está presente no conto, de forma implícita e explícita. O cemitério aqui é um espaço-chave para a compreensão do texto, e carrega um significado muito importante para os narradores-personagens.

      De qualquer forma, agradeço as dicas.

      • mhs1971
        14 de setembro de 2016

        Olá… tudo certinho.
        Sim, quanto à.menção seria apenas a colocação da palavra mesmo. O conceito eu entendi, apesar de outros mencionarem que não.tinha a ver com a temática do Desafio. Sabe aquele pequeno detalhe que um leitor mais chatinho pode se atentar, só porque não viu a palavra chave do Desafio. Mas é assim mesmo e continuo a gostar conto mesmo assim.
        Parabéns e continue sempre.
        Abraços

  36. Wender Lemes
    13 de setembro de 2016

    Olá! O que entendi do conto foi uma mistura de metalinguagem e Inception. João vive uma sucessão de sonhos dentro de sonhos, nos quais relaciona-se com uma criatura morta em forma de mulher – sendo perseguido por ter firmado inconscientemente algum tipo de pacto com ela. Há problemas ortográficos e de coerência nesta parte do conto, mas ela é, teoricamente, uma criação de outro personagem (o viúvo, que, inspirado pelo fantasma da esposa, escreve a história de João). Sendo assim, seria justo culpar o autor real pelos deslizes na técnica de seu protagonista? Creio que muitos culparão, não porque realmente tenha sido uma falha do autor real mais do que um jogo de estilos, mas porque a divisão entre o conto em si e o conto dentro do conto não se faz tão clara. Parabéns e boa sorte.

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Olá! Agradeço a leitura e o comentário! Uma das intenções era justamente não deixar clara essa divisão. Vejo que isso para alguns pode atrapalhar no entendimento da história, mas faz parte. De qualquer forma, gostei muito de sua leitura. Obrigado!

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Obrigado pela leitura e comentário, gostei muito! Sobre a divisão, uma das minhas intenções foi não deixar ela sinalizada (o autor sempre tem seus motivos rs). Mas ainda assim, acredito que é possível perceber a mudança de uma camada para outra.

  37. Priscila Pereira
    13 de setembro de 2016

    Oi Solfieri, achei seu conto bem confuso… Tive que voltar na leitura para entender que era um conto dentro de um conto. Umas aspas no segundo conto ajudariam bem… Desculpe, mas não consegui gostar do seu conto. Desejo boa sorte!

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Oi Priscila! Agradeço pelo comentário.

  38. Taty
    13 de setembro de 2016

    Primeira coisa que senti: fuga ao tema. Não sei até quanto isso é importante no desafio, afinal sou novata por aqui. Quanto ao texto, acredito que tenha havido uma confusão não resolvida, não sei se intencional entre vivo e fantasma. Enfim, um conto mediano (-).

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Olá Taty! Confusão entre vivo e fantasma? Quais deles? rs
      Uma pena o texto ter te passando a sensação de fuga ao tema. Espero que outros leitores não sintam isso, ou apenas isso. Obrigado pela leitura.

  39. Evelyn
    13 de setembro de 2016

    Oi, Solfieri,
    Eu não me situei no texto. Fiz duas leituras até perceber que havia um texto dentro de outro. Mas, longe disso, não tem mesmo um cemitério. O texto é denso e gosto do tema, apesar de fugir do desafio.
    Abraço!

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Agradeço, Evelyn.
      Já fiz um comentário sobre a questão do tema, de qualquer forma espero que tenha gostado da leitura.

  40. angst447
    13 de setembro de 2016

    Digamos que o autor, aqui, aprofundou-se mais no tema fantasma do que no tema proposto pelo desafio – cemitérios. Que seja feita a sua vontade, mas muitos vão considerar que você saiu pela tangente.

    Não que seja original a ideia do escritor encontrando-se com a sua musa inspiradora (que no caso, era o fantasma de sua mulher), mas não deixou de ser interessante.

    O conto possui duas formas de narração: na primeira pessoa e na terceira pessoa. Isso para diferenciar uma história da outra, afinal são dois contos em um. A tática exige habilidade com os tempos verbais e com as imagens empregadas, pois se corre o risco de tornar tudo confuso ao leitor.

    Você cometeu alguns lapsos que fugiram na hora da revisão:
    e concentra-se para ouvir > e se concentra para ouvir
    e convida-me para entrar. > e me convida para entrar
    e faz-me enxergar > e me faz enxergar
    Nos três casos acima, a conjunção E funciona como partícula atrativa do pronome oblíquo. Veja se não lhe parece mais natural assim.
    – à um grande casarão. > a um grande casarão (sem crase)
    – e aguardo do retorno da > e aguardo o retorno da
    Eu preciso esquece-la! > eu preciso esquecê-la
    E enquanto se ajeito no banco traseiro > E enquanto ME ajeito no banco traseiro

    Não sei se há necessidade desta explicação aqui: “E é nesse momento que acabo dormindo, como já contei no início da narrativa (…)” O tom ficou meio didático e truncou a passagem da narrativa.

    Enfim, o conto foi bem desenvolvido, passou rapidamente pelo cemitério, mas o tema está por aí.

    Boa sorte!

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Grato pelas observações! Obrigado pela leitura e comentário atencioso.

  41. Olisomar Pires
    13 de setembro de 2016

    Acho que o tema do desafio não foi obedecido. Fantasma é uma coisa, cemitério é outra. Em todo caso, é um conto um tanto confuso. As partes não dialogam entre si, apesar da relativa simplicidade da estória. Faltou um elemento de conexão pra mim, como leitor.

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Olá Olisomar! As leituras são diferentes e as vezes o que funciona para um, não funciona para outro. Faz parte!

  42. Evandro Furtado
    13 de setembro de 2016

    Fluídez – Very Weak

    O texto, infelizmente, é truncado em diversos momentos. O primeiro choque vem na passagem inicial do conto dentro do conto, é muito abrupta e é preciso retornar a leitura para entendê-la melhor. Dentro do próprio corpo do texto há alguns problemas pontuais em relação à sintaxe e à ortografia que uma revisão mais profunda poderia corrigir. Para além disso, ainda há mudanças de tempo verbal no corpo do texto, que afetam a estética do conto.

    Personagens – Average

    João: o personagem no conto dentro do conto. Provavelmente carrega traços do escritor, se apresentando como seu eu-literário. É o narrador e sob sua perspectiva vemos a história se desvelar.

    Trama – Average

    Essencialmente confusa, tem por ponto alto o primeiro e o último parágrafo, curiosamente a camada externa do conto. A história de João não tem tanto apelo, passa rápida, sem maior desenvolvimento. Há momentos específicos interessantes, mas muito mais pela forma com que são descritos do que pelo conteúdo em si. Não há um bom conflito e, portanto, não apresenta resolução.

    Verossimilhança (Personagens+Trama) – Average

    Estilo – Weak

    Há duas narrativas: em terceira pessoa na camada externa e em primeira pessoa na camada interna. A camada externa é muito bem executada, sem maiores problemas. A interna possui alguns problemas como os já mencionados no aspecto Fluídez. O ponto alto são as descrições apresentadas em alguns momentos, como a morte com os vermes saindo de sua testa.

    Efeito Catártico – Very Weak

    Graças ao mau desenvolvimento da trama, aliado aos problemas de Estilo e Fluídez, o impacto é praticamente nulo. Reforço que as melhores partes giram em torno da camada externa que em dois parágrafos é melhor desenvolvida que todo o conto interno. Gostaria de ter visto mais desse escritor que também parece ser um personagem mais interessante, cuja história parece possuir apelo. O foco, infelizmente foi outro e o autor se perdeu. Leia apenas o primeiro e o último parágrafo e perceba como eles tem força. Depois leia o miolo e note a falta de apelo. Peço perdão pela aspereza, mas as críticas têm apenas o intuito de ajudar. E, claro, essas são as minhas concepções, o autor pode ter as suas e deter-se nelas se, de fato, acreditar.

    Resultado Final – Weak

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Olá! Agradeço o comentário sincero! Muito interessante suas impressões sobre o texto.

  43. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um conto dentro do conto, esse tipo de metalinguagem permite desenvolvimento de histórias muito ricas. Aqui, temos um homem que escreve histórias inspiradas em sonhos originados de seu contato onírico com a alma/fantasma de sua esposa morta. O conto é meio necrofílico, e achei não ter muita relação com o tema, tá mais pra “história de fantasma” que pra ‘”história de cemitério”. No fundo, não há muito estória, apenas a exploração constante de uma única situação a obsessão do marido com sua mulher morta. O final é bastante fraco: “Deita e fecha os olhos para dormir mais um pouco, achando que o mérito é todo seu, sem perceber o fantasma da esposa, sentado aos pés da cama”. Achei desnecessário explicitar tudo que já tínhamos visto e entendido, o leitor não é burro. No geral, um bom conto, desejo para você Boa Sorte.

    • Solfieri
      14 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário! No fim não se trata de deixar tudo explícito. A intenção não era essa, mas respeito sua interpretação! Obrigado mesmo.

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Publicado às 12 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .