EntreContos

Literatura que desafia.

Eu sou Crewe (Evandro Furtado)

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Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar, para sua própria segurança. Mas devo redigi-lo de qualquer forma, antes que minhas mãos percam as habilidades a elas concebidas. Antes que essa maldição se complete e eu me transforme nessa inominável coisa.

 

__________________________

 

Recebi a maldita carta em 17 de Outubro pelas mãos de Rosanna. Tinha as mãos trêmulas e, no rosto, marcas de agressão causadas pelo marido, provavelmente depois de chegar embriagado em casa outra vez. Apesar de aparente inevitabilidade, não toquei no assunto. Tal questão não me era particular.

Rasguei o envelope sem delongas assim que Rosanna deixou a peça, lendo com espanto cada palavra inscrita no papel. Anthony havia morrido.

Apesar do afastamento dos últimos anos, Anthony e eu sempre fomos próximos. Crescemos juntos na fazenda de Canterbury. Foi nessa época que conhecemos Colin, filho de influente diplomata na região.

Doeu-me, devo admitir, quando a família de Anthony partiu para o Novo Mundo. Colin nunca admitiu, mas creio que para ele o choque tenha sido ainda maior. Dia antes da partida, encontrei ambos escondidos no celeiro, lágrimas tomando as faces. Surpreenderam-se com a minha chegada. Despediram-se comigo ali sem dizer palavra alguma, apenas uma troca de olhares que nunca vi tão singular que nunca vi repetida em outro lugar. De qualquer forma, foi a última vez que vi Anthony pessoalmente.

Trocamos cartas ao longo dos anos. Ele sempre perguntava sobre Colin, pedindo para que lhe escrevesse, mas o outro se recusava. A simples menção ao nome de Anthony lhe despertava um semblante pesaroso e um rubor sem precedentes. Talvez por isso resolvi não lhe falar de sua morte.

Mas a carta não era simples notícia de óbito enviada sem maior objetivo. Era também recado e convocação: a casa de Anthony havia me sido dada de herança. Seus pais já haviam morrido há alguns anos e ele foi o último de sua linhagem. Restou-lhe apenas esse velho amigo a quem deixou tudo. Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem.

O que me estranhou, mais do que qualquer coisa, foi o fato de Anthony ter, mesmo tão jovem, deixado testamento. Temeria ele a morte por algum motivo? Ou talvez planejasse encerrar a própria vida?

À época eu já estava frustrado com Manchester e sua atmosfera. A Inglaterra já não era a mesma depois da morte da rainha. Resolvi eu próprio partir em busca de uma nova vida no novo mundo.

Notifiquei Colin de minha partida e em uma semana, de malas prontas, segui para a América. Longo tempo passei no mar, avistando apenas água até o horizonte. A lembrança de Anthony, Colin e os campos verdes de Canterbury substituíram o cheiro de sal pelo de grama molhada. Enquanto isso meu lar se esvaía em memórias que se espalhavam pelo ar, formando no céu nuvens de sonhos longínquos.

Foram longas semanas até que terra novamente surgisse diante de meus olhos. Eu enfim aportava no continente americano.

Esperava-me no porto um velho de nome Windsor. Também ele era inglês e dizia trabalhar para a família de Anthony desde sua chegada à América. Acompanhado dele, seguimos para a estação, de onde tomamos o trem até West Hills, seguindo de carruagem até a mansão.

Me espantou seu tamanho e sua aparência macabra instantaneamente. Em nada aquela sombria construção lembrava-me do caráter amigável e otimista de Anthony. Construída em estilo gótico repleto de gárgulas e torres cinzentas, devo admitir que a casa me assustou desde o primeiro momento.

A estrada que levava do negro portão de ferro até a entrada era cercada por estátuas de anjos, todos com expressões de sofrimento e pavor.

Cruzado o portal pude me deparar com o interior, também sombrio, janelas fechadas impedindo a entrada do Sol, como se apenas amargura e desesperança pudessem habitar a casa.

– Manter as janelas fechadas são ordens do senhor Burns. – disse-me Windsor.

– Anthony não mais dá ordens nessa casa. – respondi com mais dureza do que desejava. – Abra as janelas.

O mordomo obedeceu sem pestanejar. Aproveitei para olhar ao redor e observar a parede ornamentada de velhos retratos que me contemplavam de volta com seus olhos acusadores.

A luz que agora iluminava o salão havia diminuído o ar tenebroso que tomava a peça. Segui em direção a uma das janelas para observar os arredores quando fui tomado por um pavor absoluto.

– Windsor! – berrei.

– O que há, meu senhor? – o mordomo véio em minha direção, aterrorizado com meu grito.

– De que se trata isso? – apontei para as lápides que se espalhavam ao redor da casa.

– São túmulos, senhor. Há pessoas enterradas por toda a propriedade.

– Como?

– Sinto muito, senhor. Achei que soubesse. Desde que foi construída a casa, esse terreno guarda o corpo daqueles que nela habitaram.

– Está me dizendo que todos os antigos senhores estão aqui enterrados?

– Sim, senhor. Mesmo seu amigo, Anthony.

 

__________________________

 

Sem acreditar, encarei o túmulo de meu mais querido amigo. Foi a primeira vez que, de fato, afrontei a morte de peito aberto. Mas o mais inaceitável era saber que ali, sob aquela terra, sendo, já, devorado pelos vermes, estava alguém que havia nascido na mesma época que eu. Aquilo me fez imaginar que também poderia ser o habitante daquele túmulo.

Creio que o impacto de ver a sepultura de Anthony me fez esquecer o fato de que eu, agora, habitava um cemitério.

Comecei, então, a escrever cartas a Colin, na maioria das vezes mentindo sobre meu estado. Eu havia sido tomado por uma dor indescritível, incurável mesmo pelo mais moderno método científico.

Com o tempo passando, me habituei pouco mais à atmosfera macabra que ainda cercava a construção. Passei a explorar os arredores da casa, caminhando entre as lápides, buscando conhecer melhor seus habitantes. Ao fim, sempre terminava próximo ao túmulo de Anthony, e me encontrava conversando com ele sobre o passado.

Foi assim por muitas semanas. Meus únicos contatos se davam com Windsor, Colin por meio de cartas e o espírito de Anthony que eu insistia em atormentar. Por isso não condeno aqueles que julgam que meus relatos sejam fruto de uma mente atormentada e solitária.

O fato é que foi em uma manhã fria e de névoa espessa que notei que, para além das lápides, o terreno era tomado por estranhas árvores velhas e de estranhos formatos. Elas se espalhavam pela propriedade, compondo o ambiente macabro, tornando-o ainda mais assustador. À noite, quando me deitei, creio que tais memórias vieram à tona. Ao menos foi o que pensei na manhã seguinte. Hoje tenho certeza do que vi.

A luz da lua iluminava o quarto, portanto não precisei acender velas ou um lampião para iluminar minha leitura noturna costumeira. Quando tal luz, no entanto, começou a ser intermitentemente interrompida por algo que cruzava a janela, fui tomado de certo pavor. Joguei o livro ao chão e me deitei, a face virada para a parede, tentando fugir de alguma tenebrosa visão que pudesse surgir na janela. Fechei os olhos, tentando cobrir o rosto com o cobertor. Infelizmente, toda vez que puxava o pano sobre a cabeça, meus pés se descobriam e terror ainda maior me tomava: “E se me toca os pés?”, ponderei.

Por fim, arrisquei abrir um dos olhos. Foi grande o erro. Na parede, a silhueta de uma árvore, que até então não estava ali, se formou. O medo foi tanto que desfaleci.

 

__________________________

 

Pela manhã, já reestabelecida a coragem, vasculhei por entre as árvores alguma pista do que pudesse ter acontecido. Mas não havia nada que pudesse explicar minha visão na noite anterior.

Escrevi para Colin, relatando o acontecido, imaginando que aquela seria uma forma de racionalizar o medo que vinha me tomando. Meu querido amigo me respondeu ao longo das próximas semanas, sempre com tom preocupado, oferecendo-se para ajudar-me. Tentei-lhe escrever de volta para acalmar-lhe, mas não foi possível. Com o passar do tempo, as visões e os acontecimentos misteriosos foram se multiplicando. As árvores pareciam mudar de lugar de um dia para o outro, seus galhos às vezes pareciam metamorfosear-se em membros humanos, em seus troncos, semblantes começaram a surgir.

Passei a questionar minha sanidade. Nada podia dizer a Windsor, tampouco tinha coragem de escrever a Colin. Mais do que nunca, Anthony passou a ser meu único confidente.

Foi na fatídica noite de 31 de Janeiro que tudo se sucedeu. Ouvi o estalar de galhos à janela. Trêmulo, resolvi enfim enfrentar meus medos e encarar o que quer que se pusesse diante de mim.

Lá estava a horrenda criatura, me olhando com aqueles buracos em sua casca, seus galhos retorcidos formando mãos, seu rosto tão familiar.

Sem conceber aquilo que se punha diante de meus olhos, saí ás pressas do quarto, descendo as escadas sem maiores cuidados. Providencialmente, tropecei em meu próprio pé e me estabanei no chão.

Ainda confuso, abri os olhos e lá estava, em um quadro na parede, aquela mesma face familiar que vi inscrita naquele temível vegetal. A face de meu querido Anthony.

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55 comentários em “Eu sou Crewe (Evandro Furtado)

  1. Rodrigues
    15 de outubro de 2016

    Não gostei, apesar do clima pesado do texto e do cenário interessante criado, achei que a narrativa se perde em meio a um número muito grande de personagens, além de o final ter me parecido um erro, como se o autor quisesse terminar o texto rápido demais, talvez pela falta de tempo para participar do concurso, não sei.

  2. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    46. Eu sou Crewe (Randolf Crewe)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a construção do ambiente gótico, derivado de Poe & Cia, é executado com firmeza e convicção pelo autor. Não só nas descrições, mas nos raciocínios próprios do narrador. Nem sempre é preciso uma surpresa ou uma novidade para manter o leitor na linha, após linha, até o ponto final.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Onírico

  3. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    O conto tem o tom apropriado para as histórias de terror. O narrador é um tanto exagerado/dramático, uma coisa meio romanesca, mas acho que combina com a atmosfera do texto. No fim, o amigo do narrador prova-se um grande FDP, pois sabedor da maldição, doa a casa a seu amigo mesmo assim. E nesse ponto é justamente o que acho que falta na história: se o dono da mansão doou a casa para ele, faltou dizer o motivo, não? Supus que seja uma forma de se livrar da maldição. Isso justificaria a trama e adicionaria um elemento, mas acho que não há indicativo disso no conto (se houver, aponte por favor que eu mudo minha opinião).

    Algumas observações:
    – Deve-se evitar repetições tão próxima, a menos que sejam um recurso estilístico (“Recebi a carta pelas mãos de Rosanna. Tinha as mãos trêmulas”). Acontece novamente (vi/vi/vi), coisa que uma revisão corrige, mas que atrapalha a leitura. Veja: “apenas uma troca de olhares que nunca VI tão singular que nunca VI repetida em outro logar. De qualquer forma, foi a última vez que VI”.

    – Também deve-se evitar construções que remetem a algo que o leitor não viu ou não conhece (“um rubor sem precedentes”).

    – “Resolvi eu próprio partir”, acho “eu próprio” desnecessário. Se ele resolveu partir, foi ele mesmo, certo?

    – Algumas construções são exageradas (“meu lar se esvaía em memórias que se espalhavam pelo ar, formando nuvens de sonhos longínquos”). Além disso, a palavra longo aparece d+ (“Longo tempo / longo dos anos / longas semanas / longo das próximas semanas”). Macabro também se repete 3x no texto.

  4. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Gostei bastante! Em primeiro lugar, a escrita tá excelente! Gramática e ortografia quase impecáveis (quase pois tem uns errinhos insignificantes como “véio”, em vez de “veio”), texto fluente, agradável, bem estruturado, com boas conexões e ótimo uso da língua. Parabéns!
    A história também tá bem legal, criativa e curiosa. Fiquei preso querendo saber como iria terminar, e se desenvolveu bem. O uso da época também foi bem executado, convincente.
    O fim tá legal, confesso que não esperava que o rapaz tivesse virado árvore hahaha. Gostei muito da ideia do cemitério dentro da casa.
    A única coisa que não entendi foi o nome hhahaa.
    Parabéns pela obra!

  5. Marcelo Nunes
    10 de outubro de 2016

    Olá Randolf.
    O texto está bem escrito, a leitura fluiu até o final do conto. Gostei das descrições, mesmo sendo em um clima pesado.

    O início a leitura da uma travada. O final não agrada, acho que porque não gosto de terror.

    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Abraço!

  6. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Tive a impressão que o autor buscou inspiração no ótimo filme “Os Outros”, em que a Nicole Kidman, que passa apuros numa velha mansão, rodeada por pessoas estranhas e, no fim, descobre-se morta. Digo isso por causa da atmosfera criada e, nesse ponto, admito que foi bem sucedido. No entanto, em termos gerais, a narrativa lembra mais os romances da Jane Austen, com aquele contexto campestre tipicamente inglês, em que as pessoas se amam mas estão condenadas a jamais ficarem juntas. O resultado dessa mescla, infelizmente, não ficou dos melhores. A começar pela quantidade de personagens que sobram na narrativa. Colin e a garota no início, aquela que é agredida pelo marido, são dois exemplos de descartabilidade. No entanto, a ideia da árvore maldita parece interessante (ainda que seja totalmente previsível sua origem). Creio que é um conto que merece ser repensado e reescrito, pois há potencial aí para uma ótima história.

  7. vitor leite
    8 de outubro de 2016

    Parece-me que o autor sabe escrever muito bem, mas neste texto o início e o fim não ajudam muito a mostrar essas qualidades. Este conto merece uma revisão no inicio, e, um final mais interessante. Como alternativa, também poderás desenvolver este texto, esquecendo o número limite de palavras, dando mais vida às personagens bem como à trama. Parabéns pela tua escrita, mas quando cheguei ao fim da leitura fiquei com a sensação de que tens muito mais potencialidades do que aquelas que deixas visíveis aqui.

  8. Amanda Gomez
    30 de setembro de 2016

    Preciso saber ser eu estou viajando ou o título , refere-se, ou faz uma pequena brincadeira com o personagen Groot de Guardiões da Galáxia? Aquela velha “árvore humanóide” ( adoro) que não diz outra coisa que não seja ” Eu sou Groot”. ?? 😀

    Mas vamos ao conto….gostei da estrutura narrativa, da época em que se passa, tornar se um diferencial do que li até então. O mosteiro é bem empregado, embora seja mal utilizado no fim das contas. Acho que o começo do conto assim como o meio é ótimo, envolve o leitor e o desperta para os possíveis mistérios.

    Sua narrativa é muito boa, as descrições estão Ok. A voz do personagem se faz presente. Foi uma boa idéia, a casa cemitério… Trouxe o ar sombrio, sem a necessidade da peregrinação típica a um cemitério, o que sobraria espaço pra expor mais os fatos, infelizmente o final é apressado, deixa o leitor meio alheio.

    Em todo caso, gostei do sei conto, boa sorte.

  9. Simoni Dário
    29 de setembro de 2016

    Olá Randolf

    Conto muito bem escrito e narrado de forma a prender a atenção até o final que decepcionou.

    Cenas bem descritas, comportamentos muito bem narrados, mas o sentimento de medo era para uma árvore? Ele viu o amigo na tal árvore de terror? Não me acostumo com esse tipo de conto, mas você é talentoso. Conectei com o enredo, mas como disse, esse final…

    De qualquer forma, parabéns e bom desafio!
    Abraço

  10. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    Randolf,

    gostei da história. Ela é bem escrita, com algumas construções interessantes. O cenário Velho Mundo e Novo Mundo é corriqueiro dentro da premissa de histórias góticas – é um tema batido, verdade, mas cumpre seu papel. Minha posição pode parecer clichê, mas o final não foi muito arrebatador. A idéia da árvore foi certeira,inventiva e não lembro de ter visto esse tipo de entidade em outro conto de autores góticos, mas faltou ser melhor explorada.

    Porém, é um conto bem elaborado. Faltando apenas ser melhor aprofundado.

    Parabéns.

  11. Thiago Amaral
    27 de setembro de 2016

    Olá, Randolf!

    Achei a premissa do conto bem interessante e promissora (Me refiro à questão das árvores). Ao ler o primeiro parágrafo, imaginei algo como vampirismo ou licantropia, mas a verdade foi uma surpresa divertida.

    Queria ter lido um pouco mais sobre a transformação, parece que por falta de espaço a história foi se acabando rapidamente e terminou de forma abrupta, me deixando na vontade. Lembrei daquele vídeo do homem-árvore que viralizou uma época na internet, visão perturbadora que renderia umas descrições interessantes. A descoberta das árvores com membros e feições humanas poderia ter sido impactante mas, provavelmente pelas limitações, foi narrada de maneira rápida e simples, como os outros acontecimentos.

    Mas, de qualquer forma, seu estilo foi bem mais narrativo e leve, fácil de ler e, por isso, agradável. Essa simplicidade só atrapalha em alguns momentos-chave, como a descrição da mansão e o final. Nesses pontos, faltou pra mim algo mais poético ou sensorial, como no momento da viagem naval.

    Uma das coisas que mais gostei foi da sutileza quanto ao relacionamento entre Anthony e Colin (A não ser que o “dar para Colin” tenha sido intencional. Se foi, parabéns pela coragem em sair do clima fúnebre, mas não funcionou bem hauhauha)

    Aceito bem elementos sem relação à trama, como a personagem que entrega uma carta ao protagonista. Acho muito ruim quando uma história é “redondinha” e tudo tem seu propósito, facilitando a adivinhação do fim (como em filmes hollywoodianos). O único problema é se há falta de espaço, o que nesse caso prejudicou.

    (A menção a Anthony como “Senhor Burns” me tirou do clima um pouco porque lembrei de Simpsons, mas depois retomei)

    Achei engraçado e estranho o protagonista se apresentar no título, mas nenhum pecado aí. Se foi uma referência a Guardiões da Galáxia mesmo, tá muito fora do estilo do conto, parece uma piada que você não conseguiu segurar ahuahuha

    Um conto simples, com uma ideia interessante.

  12. mariasantino1
    25 de setembro de 2016

    Olá, autor!

    Em primeiro lugar, já aviso que não sou crítica literária e nem uma estudiosa da língua portuguesa. Ofereço apenas um parecer sincero de leitora chata e pessoa curiosa, para que você, autor, perceba o que funcionou e o que não funcionou comigo em relação ao seu conto. Bora começar, né? 🙂

    A estrutura (herança-mansão-morte- visões e loucura) se assemelha a textos já consagrados e consegue atingir êxito quanto à atmosfera tétrica, porém a narrativa me pareceu não ser a praia do autor e acabou soando estranha e forçada em algumas passagens. Exemplo: >>>> a casa de Anthony havia me sido dada (o “do”, mistura-se com o som do dada e soa estranho). Se posso, sugiro uma reformulação “ Eu acabara de receber, como herança, a mansão que fora de Anthony. >>>>> Me espantou seu tamanho e sua aparência macabra instantaneamente. “Espantei-me, instantaneamente, com seu tamanho e sua aparência macabra”. >>>> De que se trata isso? “Explica-me isso … O que vem a ser isso? … O que é isso?” >>>>> Tentei-lhe escrever de volta para acalmar-lhe (Não estou certa, mas acho que não se usa hífen aqui). Fora isso as palavras “delonga” e “peça” também me pareceram estranhas. A primeira, ao que me parece, é mais moderna ou talvez não seja culta, e a segunda é estranha mesmo 😛 Outra coisa é que o conto se passa na era vitoriana —-“À época eu já estava frustrado com Manchester e sua atmosfera. A Inglaterra já não era a mesma depois da morte da rainha”, —- e sendo assim acredito que não era costume chamar as pessoas pelo primeiro nome, portanto ao falar da Rosanna o mais acertado me parece ser chamá-la pelo sobrenome e incluir a função social dela. Mais ou menos assim >>>> Recebi a maldita carta em 17 de Outubro pelas mãos de Ms. Maple, minha senhoria. (por exemplo, ou apenas dizer que recebeu a carta e ponto. Pra quê nomear o que não vai trazer nada para a trama, né?).

    Juro que não vi nada homossexual no texto e sim uma amizade ferida pela partida repentina de um. O fato do Anthony querer dar para o Colin, ao menos para mim está relacionado a casa e, ao doar a mansão para o narrador personagem deu a entender que Anthony desejava que o outro se juntasse a ele na danação do além, e isso me pareceu medonho. O conto consegue acertar em cheio (comigo) ao relatar as memórias quando ele está na viagem marítima, ao falar dos passeios que sempre acabavam no retorno ao túmulo do amigo, das árvores que pareciam se mover e torna-se humanas e da imagem visualizada na parede.

    Achei um bom terror psicológico que só não me foi mais apreciado, pelo que mencionei.

    Boa sorte no desafio

  13. Davenir Viganon
    24 de setembro de 2016

    Olá Crewe.
    Não consegui encontrar, no conto, algo que justificasse o título. Contudo, o primeiro parágrafo faz tudo que o título deveria fazer: vender o peixe sobre o que vai vir. Penso que o maior problema está no início do relato em si. Você contou a estória e ambientou bem, porém o problema está na construção dos personagens. A impressão que ficou é que os personagens estão ali apenas para justificar as coisas que acontecem. Colim existiu apenas para receber as cartas. Anthony para dar a casa e encarnar no mostro. Não ficou estabelecido o que os personagens tinham a ver um com o outro. Alguns disseram, nos comentários, que poderia ser um relacionamento gay, talvez por ser algo que ficaria nas entrelinhas em uma carta de época. Mas essas ligações apareceriam de alguma forma, com intensidade e isso eu não vi no conto. A ambientação foi simples, batida, mas eficiente.
    Acho que faltou administrar melhor o limite de palavras do desafio, enxugar no inicio para ganhar o espaço necessário para desenvolver melhor o final.
    Um abraço!

  14. Maria Flora
    23 de setembro de 2016

    Olá, o conto é interessante. A descrição do ambiente ficou bom, o caráter psicológico da viagem atraiu minha atenção. A forma de escrita prende a atenção do leitor. No entanto, o início tem personagens desnecessários, que desviam do tema. O limite das palavras prejudica o desenvolvimento de um texto deste tipo, pois no final deixou a impressão de falha. Falta o final.

  15. Pétrya Bischoff
    22 de setembro de 2016

    Buenas, a primeira coisa que me causou um certo incômodo foi o título, pois não entendi a referência. Chegou a dar aquela impressão à Bond, James Bond, o que definitivamente, não me agradou.
    A escrita delata alguém que está tentando trilhar por esse terror clássico, talvez uma de suas primeiras tentativas. Há algumas construções parcas e, de maneira geral, não li nada que tenha realmente me impactado.
    A narrativa tem uma pretensão interessante, mas o excesso de informações prejudicou a história, já que há, pelo menos, cinco momentos distintos a serem desenvolvidos pelo autor e assimilados pelo leitor (recebimento da carta, viagem, chegada na casa, transcorrer dos acontecimentos na casa e desfecho final) além, é claro, de uma tentativa de localizar o leitor nessa amizade que, a meu ver, foi infrutífera. Também não compreendi o pq da menção à Colin; foi um relacionamento homoafetivo, beleza, mas não interferiu em nada na trama. A menos que eu tenha deixado algo passar.
    A ambientação foi o ponto forte do conto, ainda que eu não tenha me sentido dentro das cenas. Creio que aqui, possamos voltar à questão da escrita. O autor está tentando construir essa atmosfera, ele possui um conhecimento vasto, talvez devido a muitas leituras do gênero, mas não obteve sucesso na tentativa.
    De maneira geral, creio que a tentativa sempre seja válida, mas a trama não me prendeu. Creio que a pressa em relatar tantos acontecimentos em um espaço reduzido tenha prejudicado o resultado final. Muitos compararam a Poe, o que não está errado, mas tbm lembrou-me, principalmente pela narrativa em carta, ao O Horla de Guy de Maupessant. Isso foi interessante pra mim.
    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  16. Felipe T.S
    21 de setembro de 2016

    Olá!

    Um conto com uma ideia interessante e algumas cenas bem construídas. A trama como um todo, segue um padrão já bastante batido. Não há muita originalidade, e tbm nenhum traço que fique fora do campo que estão esses “relatos” no estilo Poe. Gosto muito, mas acredito que depois dos clássicos, é muito complicado seguir essa linha, sem soar repetitivo e previsível. Nós autores novos e brasileiros, precisamos encontrar formas de escrever contos que sejam nossos, é difícil, mas de certa forma o fazer literário é isso, conseguir com o tempo encontrar e contar suas próprias histórias.

    A narrativa tem alguns deslizes, sentenças não muito bem construídas, algumas repetições desnecessárias. Mas vejo aqui um autor com vontade de escrever e evoluir e isso é o mais importante. Dá pra notar que o conto tem uma certa sinceridade, mas ainda assim, vejo aqui algo que soa mais como a cópia de um modelo padronizado, do que um conto de autor iniciante, buscando identidade. Tente olhar para as suas influências um pouco mais de longe, acho que isso vai te fazer bem.

    As cenas com as árvores foram carregadas de tensão, mas ainda assim, para uma narrativa desse estilo, eu queria um pouco mais de hesitação, de dúvida e questionamento psicológico. Trazer os sentimentos do personagem e deixa-los transparentes para o leitor, é algo essencial nesse tipo de história.

    Parabéns pela construção e espero ter ajudado.

  17. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Conto de terror estilo clássico – muito mais psicológico do que focado na ação. A originalidade talvez se dê pelo artifício de utilizar um monstro diferente. Ganha pontos pela atmosfera soturna bem construída.
    ME: Nota-se que o autor procurou emular uma escrita antiga, mais rebuscada. Cai bem ao contexto, mas algumas repetições de “se” incomodaram um pouco. A rima na primeira frase destoou do restante. Mas o tom intimista e o “sotaque” britânico salvou o restante e não me tirou do clima geral. Não é um tema que aprecio, mas lembrou-me de alguns contos do Poe, o que é bastante positivo.

  18. Fabio Baptista
    19 de setembro de 2016

    O esquema de relato, que remete a Poe e Lovecraft, foi utilizado com competência. Não ficou um primor, mas conseguiu manter bem o clima de estranhamento, necessário para que histórias dessa natureza funcionem.

    Achei que Colin sobrou na trama, foi um personagem descartável. E, já na casa, o foco maior foi nas árvores, não no cemitério.

    Bem escrito, mas a trama me decepcionou um pouco, sobretudo pelo final apressado.

    – Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar
    >>> essa inversão gerou uma rima involuntária. Ficaria melhor optar pelo simples: Aquele que encontrar este relato

    – palavra inscrita no papel
    >>> mas uma vez, acredito que seria melhor o usual “escrita”

    – que nunca vi tão singular que nunca vi repetida
    >>> sobrou nunca por aí

    – seu real desejo era dar para Colin
    >>> suspeitei desde o princípio… kkkkkk

    – substituíram o cheiro de sal pelo de grama molhada
    >>> essa frase ficou muito boa

    – o mordomo véio em minha direção
    >>> veio

    – que ali, sob aquela terra, sendo, já, devorado pelos vermes, estava
    >>> muitas vírgulas

    – saí ás pressas
    >>> às

    Abraço!

  19. Jowilton Amaral da Costa
    19 de setembro de 2016

    Um bom conto. O conto tem o estilo clássico de terror, tem todo o feijão com arroz recomendado para escrever textos assim, é bem ambientado, dá pra perceber a nevoa que cerca a história, e me lembrou um pouco o conto A Queda da Casa de Usher do Poe. A trama é bem simples, mas, bem conduzida. Os personagens têm menos força que a ambientação e a clara tentativa, ao meu ver, de escrever uma história que nos remeta a outras já lidas.Não percebi erros gramaticais, ortográficos e afins. Gostei do conto.

  20. Matheus Pacheco
    18 de setembro de 2016

    Opa e ai amigão.
    Eu percebi uma pitada do terror de Alan Poe, ou talvez de Lovecraft, deixando o conto tão bem escrito que dito que rivaliza com qualquer um dos dois, ainda mais pelo uso da palavra “Inominável” no começo do texto.
    Não vou falar da pontuação do texto porque uma galera já comentou, e eu também não percebi, então de boa.
    Só para terminar, histórias de terror desse gênero sempre me despertavam um interesse, e essa não foi diferente.
    Abração amigo.

  21. Catarina
    18 de setembro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Quem é Crewe? Por que é perigoso acreditar? Que maldição? Que coisa inominável? Começou muito bem, quero continuar.

    TRAMA: Alinhavada com pontos de crochê, rica em detalhes e intimista. Senti apenas um descontrole no limite das 1.500 palavras com a correria no melhor do conto, o final. Se tirasse a gordura do começo (o 5º parágrafo, por exemplo) sobraria mais espaço para escrever o clímax.

    AMBIENTE: Impressionante, assustador. Muito rico o personagem mais importante do conto: a casa.

    EFEITO: Respondeu todas as perguntas e criou muita expectativa: fez pole dance, stripe tese, mas na hora H foi rapidinho.

  22. Pedro Teixeira
    18 de setembro de 2016

    Olá, autor! Um conto interessante, terror com fortes influências lovecraftianas, o que deu um sabor especial à narrativa. Curti o enredo, com todas as dúvidas que ele cultiva e invejei a ideia das árvores, que me lembrou o “Monstro do Pântano” de Alan Moore e me trouxe altas inspirações. Algumas frases quebraram um pouco o bom ritmo do texto, outras parecem destoar da proposta, como a construção inicial: “Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar – ficou parecendo uma rima involuntária, e não funcionou bem como frase de abertura, ao menos pra mim.Mas, no geral, a escrita é elegante e há trechos belíssimos, com metáforas inspiradas, como o da viagem no navio.
    A informação de que Rosana era espancada pelo marido soou desnecessária, até porque o personagem não é retomado depois. Quanto a essa frase que todo mundo mencionou, ela realmente ficou estranha, dúbia, e se foi intencional não me pareceu necessária:existem outras sugestões no texto, outros indícios pra plantar essa dúvida.
    Retomando a estética do conto, e trazendo também alguns pitacos sobre a gramática, acho que faltou uma vírgula “Que nunca vi tão singular que nunca vi”. Nesse trecho, o verbo vi é repetido três.Depois tem a repetição de havia-haviam.
    No geral, um bom conto.Parabéns e boa sorte no desafio!

  23. Ricardo Gnecco Falco
    17 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> A primeira impressão foi um pouco truncada. A leitura ficou emperrada no início, com muitos nomes/personagens para localizar e também com o estilo formal dado na narrativa. Uma vez vencida esta problemática, com a ajuda do narrador em primeira pessoa, a leitura foi ficando mais fluída e, do meio para o final, correu sem muitos entraves. Contudo, uma promessa implícita de terror não foi honrada ao final e fiquei com aquele gostinho incômodo de “esperava mais”, devido a pouca intensidade das últimas linhas. Numa escala de 1 a 10 eu daria nota 6, devido ao clima gótico imprimido ao texto.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Começo e final da história mal desenvolvidos. Início confuso e final pouco impactante. Porém, o texto em primeira pessoa foi uma boa estratégia e o tom mórbido também agregou valor à escrita. Vocabulário bom; imaginário rico (embora pouco aproveitado) e desenvolvimento bacana e crescente. Só faltou um fechamento mais intenso/impactante. Acabou ficando um texto bem sacado, porém morno. Algumas frases/imagens bem construídas, tipo: “…janelas fechadas impedindo a entrada do Sol, como se apenas amargura e desesperança pudessem habitar a casa.” Ou seja, você escreve bem; tem a “pegada”. Tanto, que esperava mais. Paradoxal, não…? 😉

    EU EDITOR (o lado negro da força) –> Quase lá! Continue se aprimorando!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  24. Fheluany Nogueira
    16 de setembro de 2016

    Texto interessante, com tema explorado adequadamente e ambientação bem construída. O conto, por definição, é narrativa breve e concisa, uma única ação; assim, a introdução ficou longa, com informações desnecessárias e o desfecho foi apressado. A linguagem também apresentou alguns problemas; o estilo exige uma maior formalidade que foi quebrada pelo uso de clichês, rimas, repetições e desvios gramaticais. Forma e conteúdo precisam estar em harmonia.
    No geral, gostei muito do conto, há um suspense na dose certa. Grata pela agradável leitura.

  25. Iolandinha Pinheiro
    13 de setembro de 2016

    Seu conto é interessante por vários aspectos, primeiro por tentar criar uma escrita que lembrasse escritores clássicos de terror, antiga, pesada e envolvente, segundo pelos elementos que colocou: a árvore com os traços do amigo, a sombra na janela, os túmulos dentro da casa e a relação homoafetiva do amigo do narrador com o Collin (algo inédito neste tipo de conto), e pelo medo que me causou.

    Infelizmente, também notei alguns problemas: Não entendi a inserção da personagem Rossana à trama, e porque iniciou a história falando dela e de seu drama doméstico se não tinha a intenção de explorar este segmento. O que a personagem Rossana acrescentou à trama? Por que eu precisei saber que Rossana apanhava do marido se ela nem apareceu mais na trama? A impressão que eu tive foi que o conto poderia ter apenas o narrador, e o espectro do amigo, que virou árvore, como os demais antigos proprietários da casa (foi isso o que entendi), e que ele narrador, num futuro próximo, também ia virar uma árvore (as dores foram a pista), então por que inseriu personagens como Rossana, o mordomo e Collin ? Outra coisa que me desagradou foi que eu achei o final abrupto e frustrante. Li a última linha e procurei o resto, mas não havia mais nada. Acho que perdi algum detalhe que colocaria sentido em tudo, mas do jeito que li, e pareceu estar faltando algo. O material que você trouxe foi muito bom, mas acho que não foi explorado em sua plenitude. Enfim, amigo, valeu muito. Seu conto foi assustador, o que é um ponto muito positivo para mim, de forma que eu espero ler outros contos seus com a certeza que irão me agradar. Abraços e boa sorte no desafio.

  26. Fil Felix
    13 de setembro de 2016

    Saudações Ent!

    Sabe o ditado “a primeira impressão é a que fica”? Então, tive duas não tão boas assim com seu conto. Primeiro por ser um conto envolvendo árvore/ terror, algo que já li umas três ou quatro vezes por aqui. O que não é, necessariamente, um problema. Principalmente se for estreante. Segundo, o início está um pouco truncado. Rola até uma rima involuntária que não agregou.

    GERAL

    A história possui um início (como ganhou a casa por herança), um meio (a viagem) e um fim (a maldição/ morte). O que é bom, além de deixar um certo suspense no ar com a maldição que não acaba, fazendo um link com a frase truncada do início. Esse argumento poderia ter sido mais enxugado, tirando coisas aparentemente desnecessárias à trama (como a mulher que apanhou, o relacionamento incompreendido de Coli/ Anthony) e focar no cerne da coisa, deixando o conto mais enxuto, como as conversas entre o protagonista e o túmulo do amigo ou as cenas finais, com a árvore.

    Gostei bastante dessa frase: “Enquanto isso meu lar se esvaía em memórias que se espalhavam pelo ar, formando no céu nuvens de sonhos longínquos.”.

    ERROR 404

    Além da frase inicial, faltou um pouco de revisão em algumas outras. Percebi um “nunca vi” duas vezes, “inscrita no papel” também ficou estranho. “Escrita” facilitaria. Alguns “lhe” e “se” também pularam demais na hora de ler, talvez simplificando ajudaria na fluidez. Um amigo postou lá embaixo que gramática não é tão importante, mas é o instrumento do autor. Então não custa nada aperfeiçoa-lo sempre que puder!

  27. Pedro Luna
    13 de setembro de 2016

    O conto tem um bom clima. Lembra até um conto que escrevi, Mordecai, que também tem mansão obscura, localização internacional, e pelo que vi, se passa na mesma época. Então, essa foi a parte que achei positiva. O autor/autora criou um clima gótico bacana. No entanto, a trama não foi o forte.

    De início, chama atenção, desde quando o cidadão chega na casa, sabe-se que algo ruim vai acontecer. A ambientação ajuda no clima pesado. Mas quando tudo começa, a sombra das árvores, e aparições, acabam nem assustando nem empolgando. Acredito que parte disso seja pelo desenvolvimento prejudicado pelo limite do desafio. Fiquei até preocupado, pois claramente o fim foi abrupto, e tenho medo de cair nessa situação no meu conto.

    Por fim, confesso que não entendi bem a maldição. Talvez tenha deixado algo escapar, mas de que se trata mesmo? Os donos da casa enterrados no cemitério se tornam árvores? É isso? E por qual motivo?
    Acho que detalhes, como a relação dos amigos com Colin, que é um personagem praticamente invisível na trama a nível de desenvolvimento, podia ter sido deixada de lado para investir em cenas macabras já na mansão.
    No geral, bom, mas não empolgou.
    Abração

  28. phillipklem
    13 de setembro de 2016

    Boa noite Randolf.
    Você tem uma ótima imaginação e leva bastante jeito para descrever cenários. Senti-me assistindo a um filme de Tim Burton.
    Achei o conto interessante. Tem começo, meio e fim, mas não está muito profundo.
    Você poderia ter desenvolvido um pouco melhor seus personagens. Ficamos meio que sem saber o por que da despedida dos dois amigos ter sido tão emocionada, e também o por que de os dois nunca mais terem se falado. O protagonista também ficou pouco desenvolvido.
    A narrativa, devo confessar, ficou um pouco cansativa. Apesar de curto, a linguagem antiga que você escolheu utilizar fez parecer que seu conto tinha o dobro do tamanho.
    Até gostei da conclusão da história, e consegui compreender o que aconteceu, porém, mais uma vez, você pecou no pouco desenvolvimento.
    Enfim. Seu conto revela que você tem um grande potencial como escritor e contador de histórias, só precisa de uns retoques aqui e ali.

  29. José Leonardo
    13 de setembro de 2016

    Olá, Randolph Crewe.

    O início me pareceu [a voz de Jethro De Lapoer, em off, na adaptação de “Os ratos nas paredes”, filme “Necronomicon”] prelúdio para um texto mais extenso [creio não ter sido o único com semelhante impressão; talvez arrastado mesmo pela pegada lovecraftiana e imaginando aquelas passagens do estranho de Providence], mas lendo o desenvolvimento, o mote para a “maldição”, concluo que está a contento.

    Interessante o artifício dos adjetivos, verdadeiros pilares para a constância no clima de terror do seu conto. Ele alcançou esse objetivo, essa atmosfera sufocante e sombria? Cabe aos leitores sentenciarem. Essa “aura” funcionou comigo até certo ponto; confesso que, na segunda metade, os adjetivos me cansaram.

    O trecho “troca de olhares que nunca vi tão singular”, dentro do local onde Anthony e Colin foram surpreendidos denota [atracação no celeiro, na rua, na chuva, na fazenda] um sentimento superior entre ambos, sentimento que, em algum nível, pode ter abarcado também o narrador [pobre f.d.p. que viraria aquilo da maldição; deve ser bacana ter um cemiteriozinho ao redor de casa, imagino as saturnálias que caveiras e ossos fazem aos olhos dos seres transparentes]. Assim sendo, Colin, que seria a primeira escolha de Anthony quanto ao espólio da casa, foi poupado?

    Um conto bem escrito, boa ambientação, talvez “carregado nas tintas” em algumas passagens (adjetivos), mas o resultado é bem satisfatório. Minhas limitações não permitem que me estenda, no entanto.

    Boa sorte neste desafio.

  30. Jefferson Lemos
    13 de setembro de 2016

    Olá, Randolf.

    Gostei do clima que você pôs no conto. Essa pegada pessoal com o toque de suspense, e a ambientação também, me lembrou bastante Lovecraft. É um estilo de escrita, aqui, que me lembra muito o Pedro Teixeira. Talvez eu não esteja enganado.

    O conto começou bem, trabalhando bem os acontecimentos e desenvolvendo o personagem e os cenários. Não vou me ater à comentários sobre a parte técnica, porque já percebi que alguns aqui já o fizeram. A história conseguiu prender minha atenção até o fim, e criou uma aura de tensão que se manteve quase até o final. Quase.

    O final quebrou bastante a expectativa, talvez pelo encerramento abrupto, tendo em vista que todo o restante foi desenvolvido com certa paciência e construção de clímax. Gostaria de ter visto um pouco mais de esmero, pois como está, foi pouco satisfatório (pelo menos para mim).

    A forma como trabalhou o personagem e os cenários, criando uma sinergia no desenvolvimentos de ambos, foi muito boa mesmo. Talvez por isso o final não tenha causado em mim o impacto que deveria.

    De qualquer forma, é um bom conto.

    Parabéns e boa sorte!

  31. Evelyn
    12 de setembro de 2016

    Oi, Crewe,
    Eu li seu conto e esperei haver algo mais ao longo da história entre os três amigos. Gostei da ambientação e acho que ficou adequada ao tipo de história. O desenvolvimento, talvez pudesse ter sido diferente. Talvez ele pudesse ter carregado Colin para perto de Antony. Talvez houvesse, ali, algo mais assustador. Esperava um final mais surpreendente; um desenvolvimento maior dos elementos de terror – as árvores, os túmulos, o entorno da casa, o motivo pelo qual os proprietários eram enterrados ali.
    Tenho certeza de que, como conto, ele poderá se desenvolver a partir dos apontamentos que foram feitos ao longo dos comentários. Gostei muito de como o pessoal fez a avaliação do texto.
    Então, é isso.
    Abraço!

  32. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um horror gótico-homoerótico que prometia muito no começo, mas terminou em nada. Não há dúvida nenhuma que Anthony e Colin tinham um caso, e quase foram apanhados em pleno ato no celeiro. “Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem”, não era preciso nem usar essa frase de duplo sentido para explicitar, já estava claro. Fazer Colin se encontrar com o fantasma de seu amante teria sido uma excelente direção, mas você optou por diluir esse tema numa história genérica de fantasma que terminou de modo insosso. Existem outro problemas também. Como já foi notado aqui, a frase de abertura,”Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar”, é tão boba, que sugere um história infantil malfeita. Claro que isso poderia ser uma paródia ou ironia do autor, mas não me pareceu, parece que você pensou que alguém ia levar isso a sério. Outras frases estranhas apareceram: “Apesar de aparente inevitabilidade, não toquei no assunto”. Inevitabilidade de quê?; ” Tal questão não me era particular”. Esquisito. Teria sido melhor: “Tal questão não me dizia respeito”, ou “Não cabia a mim intervir em assuntos alheios”, ou algo assim. O uso da árvore como elemento de terror foi muito ineficiente… Árvores de noite, em mansões góticas, podem se tornar aterrorizantes! Faltou mais imaginação e ousadia. É uma pena, o começo prometia muito, mas faltou desenvolver, desejo para você muito Boa Sorte!

  33. Ricardo de Lohem
    12 de setembro de 2016

    “Revisão pontual?”Você diz, pontual no sentido de em poucas partes do texto, de modo isolado, ou no sentido da colocação dos pontos? Do modo como você escreveu, ficou uma observação com duplo sentido.

    • Taty
      12 de setembro de 2016

      No sentido de partes específicas do texto, conforme já mencionado por outros comentaristas. Realmente ficou ambíguo, obrigada pela pergunta.

  34. angst447
    11 de setembro de 2016

    Costumo dar pouca importância a questão dos títulos, muito menos ao pseudônimo. Portanto, nem sei quem é o tal do Crewe, mas acho que seria interessante o título conter algo mais claro, que tivesse nítida ligação com a narrativa.
    Toda a ambientação do conto carrega cores estrangeiras. Por que não? É uma escolha do autor versar sobre outras terras. O problema é que, neste caso, a necessidade de uma pesquisa bem apurada para não incorrer em erros ou perder a chance de aproximar o leitor da trama. Contudo, a liberdade de expressão, de criação, deve ser respeitada, sem preconceitos.
    Acredito que a frase “Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem” não tenha o objetivo uma conotação sexual, mas sim, dizer que o desejo do falecido seria o de oferecer a casa como herança a Colin. O autor foi infeliz na construção da frase, mas só isso.
    Há alguns detalhes que eu mudaria se fosse a autora (não sou, então apenas me chame de intrometida e pense a respeito):
    – Rosanna apanha do marido bêbado – se não for desenvolver isso, melhor ocultar a informação ou talvez, o narrador dizer que imagina que tenha sido o marido o causador dos hematomas, mas que isso, de fato, não lhe interessava confirmar.
    – Fiquei com a impressão de haver um triângulo amoroso envolvendo Colin – o narrador e o falecido. Eu teria deixado isso um pouco mais claro.
    – As lápides poderiam aparecer apenas em um dos lados do terreno, talvez ao fundo, assim, o narrador só as veria quando olhasse por determinada janela. Do jeito que está, parece que a mansão é cercada por lápides e o narrador meio cego, pois não observou nada no caminho.
    – As árvores são elementos muito importantes para a trama. Estranho só aparecerem quando há névoa… Poderiam estar cercando todo o terreno, mas entendo que precisaria de algumas árvores mais próximas às janelas. Ou não. Talvez seja uma boa ideia, deixar as árvores à distância como observadoras e depois, incluir o elemento fantástico/terror com a súbita aparição da sombra de galhos na parede.
    – A questão das cartas já foi abordada pelos colegas. O tempo para receber uma carta seria maior.
    – O estado de saúde do narrador ficou vago – “Eu havia sido tomado por uma dor indescritível (…)”. Melhor seria ele ter sido tomado por uma melancolia indescritível, pois combinaria mais com a situação tétrica.
    – O narrador diz que atormenta o espírito de Colin. Isso não tem muito sentido, pois geralmente, os espíritos perturbam os vivos. Ainda mais com o final tão eu-vou-te-assombrar-para-sempre, o esperado seria que o novo morador se sentisse perseguido.
    Talvez, seja por vício profissional, mas acho importante apontar os lapsos de revisão encontrados. Estamos todos aqui para melhorar nossos textos e para colaborar com os colegas. Ou estou enganada? Portanto, apesar de toda a preguiça, continuarei fazendo algumas correções. A Bia já fez algumas, vou acrescentar outra:
    Manter as janelas fechadas são ordens do senhor Burns. > Manter as janelas fechadas é uma ordem do senhor Burns.
    A pontuação empregada apresenta algumas falhas, sobretudo, quanto às vírgulas.
    Há alguns clichês espalhados pelo texto, mas nada que prejudique a narrativa.
    Ufa, escrevi demais, mas devo ressaltar de que gostei do clima do seu conto. A história está bem desenvolvida e o final não me decepcionou. Boa sorte!

  35. Gilson Raimundo
    11 de setembro de 2016

    Em particular, eu como leitor e pretenso escritor de fins de semana, abomino ambientações estrangeiras desnecessárias, elas não valorizam o texto. Este conto poderia ter se passado em qualquer cidade brasileira que teria um efeito bem mais espontâneo, posso estar errado, mas se você quiser se valorizar como autor, valorize a literatura de seu país, não tente agregar falsos valores usando paisagens estrangeiras, não vale a pena. Use referências, ícones, inspiração, mas não tente ser um escritor inglês ou americano. No mais o conto me pareceu muito bem escrito apesar de comum, não trouxe nenhum detalhe novo apesar de ter brincado um pouco com a imaginação do leitor usando as árvores (ícone do terror), o fim também me pareceu brusco, sem novidades… Lembre-se que minha opinião é uma dentre muitas, talvez não deva ser levada a sério. Felicidades.

  36. José Geraldo
    11 de setembro de 2016

    Antes de mais nada, bom dia. Depois de dois anos afastado, resolvi participar novamente de um desafio. Não sei se vou fazer disso um hábito (quase certo que não), especialmente porque ainda tenho compromissos pendentes dos que havia prometido resolver quando saí de fininho.

    Enquanto meu próprio texto ainda não fica pronto, vou adian­tando os comentários porque, como fiquei afastado, não tenho a menor ideia de quantos podem aparecer até o fim do prazo do desafio.

    ————————————–

    Esse texto não me chamou muito a atenção. Por enquanto não vou fazer juízo de valor porque é preciso esperar para avaliar a qualidade geral. As notas a seguir não pretendem definir a minha avaliação final.

    Achei que o texto se baseia numa premissa legal, apesar de muito pouco original, e que só se mostra realmente interessante a partir do momento em que introduz essa premissa. Até então, estava parecendo uma história muito convencional de horror gótico derivativo, escrita sem cor local, por alguém que cita lugares e culturas que não conhece de perto. Nitidamente o texto melhora à medida que vamos lendo — o que já é, em si, uma qualidade, sendo o normal os textos irem se desmilinguindo na mão do autor quando ele não sabe o que faz.

    Como a premissa central do elemento horror é interessante, eu acho que ela precisava ser melhor explorada. Sei que 1500 palavras é um limite muito exíguo, mas é preciso trabalhar com o que se tem. Há muita “gordura” nesse texto que poderia ser removida com facilidade, abrindo espaço para mais desenvolvimento.

    Sei que alguns de vocês consideram o meu estilo excessiva­mente seco e sem fantasia, mas eu sinceramente acho que não é com mais palavras que se expressa mais sentimento, principal­mente se o limite de palavras é tão curto. Vou dar exemplos de cortes indolores que o autor poderia fazer no texto:

    “Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar, para sua própria segurança. Mas devo redigi-lo de qualquer forma, antes que minhas mãos percam as habilidades a elas concebidas. Antes que essa maldição se complete e eu me transforme nessa inominável coisa.” — 42 palavras

    “Não creia neste relato, por amor de sua segurança. Mas preciso escrever enquanto minhas mãos o podem, para o caso de essa maldição se completar e eu me tornar essa coisa inominável.” — 32 palavras

    “Recebi a maldita carta em 17 de Outubro pelas mãos de Rosanna. Tinha as mãos trêmulas e, no rosto, marcas de agressão causadas pelo marido, provavelmente depois de chegar embriagado em casa outra vez. Apesar de aparente inevitabilidade, não toquei no assunto. Tal questão não me era particular.” — 48 palavras

    “Recebi a maldita carta em 17 de outubro, pelas mãos de Rosanna. Ela estava trêmula, tinha o rosto marcado e parecia ter pressa de ir embora.” — 26 palavras.

    Nesse ponto eu gostaria de ressaltar que a menção à violência conjugal sofrida por Rosanna não tem seguimento no resto do texto, então ela é um elemento estranho, que gasta palavras à toa. Outro elemento supérfluo é a relação entre Anthony e Colin (ah, esses nomes!). Você gasta mais de duas centenas de palavras fazendo sugestões sobre isso, mas esta relação não tem nenhuma relevância para a história. Sobraria muito mais espaço para desenvolver o horror se você fosse direto ao ponto.
    “Mas a carta não era simples notícia de óbito enviada sem maior objetivo. Era também recado e convocação: a casa de Anthony havia me sido dada de herança. Seus pais já haviam morrido há alguns anos e ele foi o último de sua linhagem. Restou-lhe apenas esse velho amigo a quem deixou tudo. Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem.” — 66 palavras.

    “Mas a carta não era simples notícia da morte, ela também comunicava que Anthony me deixara sua casa em herança. Seus pais estavam mortos há anos e ele fora o último de sua linhagem. Restara-lhe apenas este velho amigo a quem deixou tudo.” — 43 palavras.

    Sem as menções a Colin, um personagem sem voz e sem ação no texto, fica fácil dar mais fluidez ao texto, até mesmo floreá-lo:

    “Foram longas semanas até que terra novamente surgisse diante de meus olhos. Eu enfim aportava no continente americano.” — 18 palavras

    “Foram longas semanas antes de ver terra novamente. Sobre o tranquilo oceano o navio singrou em paz, mas eu mesmo não tive paz desde a partida de Southampton: todas as noites fui assaltado por um mesmo pesadelo inexplicável, em que eu me sentia incapaz de mover um dedo sequer, o frio da noite me enregelava, aves pousavam em mim e os vermes roíam-me desde os pés. Na manhã do quarto dia, depois de uma noite particularmente atroz nesses terrores, uma velha irlandesa cruzou comigo no convés e desviou de mim, mesmo sendo uma senhora respeitável e não uma criada. Mais tarde eu a vi aos cochichos com outras matronas, e a custo percebi que falavam de uma estranha verruga preta esverdeada que surgira em meu rosto nos dias anteriores. Mas não fiz caso disso.” — 134 palavras.

    As 124 palavras adicionadas dão um ar ominoso ao texto, ajudam a construir no leitor uma sensação de algo ruim prestes a acontecer. Elas talvez não coubessem no original, mas acabam com mais função na história do que as alusões vagas ao matrimônio infeliz de Rosanna e à suposta homossexualidade de Colin e Anthony. Personagens sem voz e sem ação não devem ocupar espaço em um conto.

    Por fim, o conto parece amputado no fim, sem realmente conseguir criar um clímax.

    Esse mesmo conto, com um pouco mais de cor local e algum pano de fundo místico mais convincente, pode resultar em um horror bastante efetivo. Mas do jeito que está, soa um tanto verde.

  37. Wender Lemes
    11 de setembro de 2016

    Olá, Randolf. Primeiramente, gostaria de falar do que me agradou no conto. A atmosfera sinistra é bem peculiar ao tema, que foi cumprido bem. A linguagem, com a ortografia razoavelmente revisada (há algumas falhas, mas nada que torne a leitura truncada), resgata um pouco do estilo gótico (até no exagero ao tratar o horror). A ideia das árvores que se apropriam das almas dos mortos também é interessante. O que não me agradou tanto foi a previsibilidade do conjunto. É o primeiro conto do desafio e já senti a falta de algo mais inesperado. Merece respeito por ter se disposto a ser o primeiro, é uma grande responsabilidade. Parabéns e boa sorte!

  38. Leandro B.
    10 de setembro de 2016

    Olá, Crewe.

    Antes de mais nada, alguém sabe se existe alguma história de terror com árvores vivas?

    É a segunda que leio aqui no entrecontos (a primeira era narrada por um gorila, também falando sobre cartas trocadas, também no século XIX, o que me fez pensar se o autor se inspirou naquele conto, ou se há outro conto que ambos se inspiraram, gosto bastante da ideia e queria ler mais sobre).

    Quanto à história, parece-me que tenta reproduzir o estilo gótico, que sinceramente não sou um grande entendedor, tendo unicamente como referência um pouco de Poe e Lovecraft.

    Geralmente as histórias que li desses autores se sustentam por um pesado investimento na ambientação e na atmosfera, criando uma espécie de estado de perturbação, refletido na psique do personagem e que, gradativamente, é interiorizada pelo leitor.

    Acredito que o autor começou este processo, mas o resultado não foi completamente eficiente, basicamente por dois motivos:

    1- Elaborar uma ambientação gótica, que geralmente é carregada de adjetivos e impressões deturpadas dos personagens, estabelecer um mistério e uma personalidade beirando a loucura, gradativamente estabelecer a queda do personagem principal… tudo isso acaba demandando um espaço considerável. Este é um desafio com 1500 palavras, o que torna difícil ter sucesso numa empreitada deste tipo.

    De fato, esperamos o desenvolvimento de vários aspectos que foram simplesmente deixados de lado. Por exemplo, a situação de Rosana foi apontada e então ignorada, a relação entre Colin e Anthony não levou a lugar algum, o fato de Anthony ser homossexual no século XIX não foi explorado (isso contribuiu para sua morte prematura?), a causa da morte não foi discutida, o conhecimento do mordomo sobre os acontecimentos não foi explorado…

    Achei a frase “Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem” deselegante, como outros colegas. Se uma anedota quanto à sexualidade, foi desnecessária, se coincidência, algo que poderia ter sido percebido e corrigido pelo autor em uma revisão mais atenta, o que me leva ao segundo ponto.

    2- Creio que faltou revisão e paciência. Há uma tentativa de se estabelecer um clima sombrio, mas já na primeira frase do conto encontramos uma rima que infantiliza a história e enfraquece tal objetivo.

    “Aquele que este relato encontrar não deve nele acreditar”

    Quando comecei a ler achei que fosse uma brincadeira, mas como os parágrafos seguintes tentaram criar uma atmosfera mais carregada, imaginei que a rima foi acidental, então poderia ter sido evitada.

    Alguns outros apontamentos para uma próxima versão:
    “pelas mãos de Rosanna. Tinha as mãos tremulas…” (repetição)

    “apenas uma troca de olhares que nunca vi tão singular que nunca vi repetida…” (repetição)

    “Manter as janelas fechadas são ordens do senhor Burns”

    (aqui não é bem um erro, mas me lembrei automaticamente do patrão do Homer Simpson, o que mais uma vez me afastou da atmosfera pesada. Eu mudaria o sobrenome de Anthony).

    Acho que esse clima escuro e sufocante é muito difícil de ser executado com sucesso. Cada pequeno detalhe pode tirar a tensão e o pessimismo do cenário. Acredito que o autor estava no caminho certo, mas pecou nas pequenas coisas.

    Por fim, quero deixar duas coisas claras para o autor: não sou especialista de nada. Estou passando minha singela impressão enquanto leitor que gosta de escrever.

    Além disso, se estou chamando sua atenção para esses pontos de crítica é por realmente achar que o texto carrega potencial e que pode ser melhor executado com mais algumas revisões.

    Eu gostei da surpresa das árvores, mas creio que ela deveria ter sido apresentada de forma mais gradativa, com pequenas insinuações no início e no meio da história (de novo, a questão do espaço é realmente difícil)

    De todo modo, parabens pelo trabalho.

  39. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    10 de setembro de 2016

    Assim como outros por aqui, senti que o conto precisaria de algumas palavras a mais, para “fechar redondinho”. A ideia das árvores se transformando em pessoas é um clássico do terror, mas, no contexto, para mim, precisaria de uma maior atenção.
    O conto caminha como que para uma hisstória de vampiros e a súbita aparição das árvores “aos 45 do segunto tempo”, acaba entregando pouco do melhor que o texto poderia conter.
    A história é ótima e bem conduzida pelo autor.
    Desejo muito boa sorte no desafio!

  40. mhs1971
    10 de setembro de 2016

    Olá
    LI e reli para que não me enganasse por perder algum detalhe que porventura tenha sublimado. Mas não me enganei.
    O ritmo do conto predizia que seria algo mais longo e talvez com a previsão de mais eventos a ocorrer que a tornasse interessante. Remonta a mim contos da época elizabetana (sim, estou estudando isso na faculdade!), mas com o uso de clichês que até normal a determinadas cicunstâmcias (talvez pela urgência em se participar do Desafio). Mas que pessoalmente acho entediantes.
    Fora que o autor quis remontar a escrita de contos clássicos, mas entrega a falta de prática desse tipo de escrita com o uso de verbos e construção de frases próprios de quem escreve usualmente de forma livre, mais coloquial.
    A quantidade de palavras do Desafio dá a falsa ideia de que há muito do que escrever. Só se dá conta que está perto de acabar quando ainda há muito o que escrever para se completar a trama toda da história.
    Foi o que deu a entender a esse conto, que o final pareceu interrupto de forma brusca.
    Se ao menos o autor relesse mais vezes e cortasse certos detalhes de pouca importância, teria a quantidade de palavras para se completar a história.

  41. Priscila Pereira
    9 de setembro de 2016

    Sobre o título, tenho quase certeza que faz referência ao filme Guardiães da galáxia, onde uma árvore com feições humanas sempre diz: eu sou groot. Legal! Mas não tem nada a ver mesmo com o conto.
    Estou certa sr Crewe?? 😉

  42. Olisomar Pires
    9 de setembro de 2016

    Gostei do estilo, é bem escrito. Quanto à revisão, a colega Bia Machado apontou os pequenos deslizes. Entretanto, não houve uma divisão legal entre introdução, meio e desfecho.

    A oração “Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem” é totalmente fora do contexto, pois que o conto nos remete para uma época mais antiga e, provavelmente essa expressão no sentido sexual não teria a conotação de hoje, por outro lado, se não havia a intenção da brincadeira com a suposta homossexualidade dos personagens, é uma frase sem elegância, sem graça.

    O tema “cemitérios” foi atendido de uma forma interessante ao se pensar que a própria casa/mansão seria também uma tumba daquele cemitério: todos morando na casa dos mortos.

    Não chega a ser empolgante, mas é razoável. Boa sorte.

    • Anorkinda Neide
      9 de setembro de 2016

      oi Olisomar, acredito que o(a) autor(a) nao quis dar conotação sexual na frase, q eu tb citei em meu comentario, talvez como entrelinhas safadinhas rsrs Mas a ideia era de que o falecido quisesse ‘dar’ seu imóvel a Collin e não oura coisa! :p

  43. Anorkinda Neide
    9 de setembro de 2016

    Olá! Começando as leituras.
    Começando pelo título: não entendi. Pesquisei Randolf Crewe e o q encontrei em ingles, nao me levou a nada a nao ser q o cidadao morou em uma casa q foi de seus antepassados, sei lá, nao tem a ver com o conto. mas mesmo q tivesse pq Eu sou Crewe. realmente não entendi.
    Pena que a narrativa ficou bastante tempo contando coisas desnecessárias à trama, como a serviçal q apanhava do marido e o proprio Collin q apontou a trama para um enredo homossexual, principalmente com a frase: Creio que seu real desejo era dar para Colin, mas não teve coragem. mas depois Collin foi irrelevante, mesmo sendo o destinatário das cartas.
    Aliás, vamos às cartas… Crewe viajou para o novo mundo, ok? imagine a demora de se trocar correspondências numa época como aquela.. pode reparar q em livros q relatam estes tempos remotos, o tempo se mede por estações.. assim, o narrador poderia dizer q chegou a primavera, terminou o verao e somente ao fim do outono a resposta de Collin chegou, sabe? tudo demorava mais.
    Entao, lápides cercavam a casa, praticamente.. assim visualizei.. rsrs mas elas nao eram importantes tb, pois o assombro todo vinha das árvores q ficavam mais distantes. Entao, qd elas aparecem foi num dia em q a névoa estava mais espessa e ele pôde ver ao longe as árvores esquisitas…não seria estranho isso? Melhor seria dizer que num dia em que a névoa baixara, ele viu as árvores, né não?
    A cena da leitura à luz da lua e o temor inspirado por uma sombra sinistra poderia ser melhor trabalhada e carregada no suspense, mas está no caminho, mas então,o conto termina abruptamente qd ele reconhece o rosto do amigo na árvore.. não sei, faltou elementos q ligassem as árvores aos defuntos. Vc poderia ter trabalhado esta ideia com mais espaço e naõ digo pelo limite de palavras, mas cortando a introdução que tomou quase que o conto todo.
    É isso, obrigada por abrir o desafio! hehe
    Abração

  44. Pedro Coelho
    9 de setembro de 2016

    Não acho válido ficar corrigindo erros gramaticais. é como tomar uma sopa e criticar a tigela rachada e se esquecer do caldo, do aroma, do sabor. Há coisas mais importantes.

    O texto é bem feito, muito bem ambientado. Gostei do tom de descritividade. O final ficou um pouco confuso pra mim, ele acaba meio abrupto. Não sei se por estilo do conto, ou pela limitação de palavras. Mas foge um pouco do senso comum. Acho muito interessante contos que saem da linha introdução, desenvolvimento, clímax e desfecho.

    • Bia Machado
      9 de setembro de 2016

      Pedro, não sei se a questão de correção de erros gramaticais foi pra mim ou não, mas acho essa parte válida, sim, no sentido de ajudar justamente com a revisão gramatical, algo que geralmente o autor do conto acaba não vendo. Por isso coloquei “alguns toques”. E não me pauto nos erros gramaticais para decidir se gosto ou não de um conto. São apenas apontamentos, “alguns toques”, que podem sinalizar falta de atenção, dada a pressa, por exemplo… O que conta mais pra mim são os outros fatores que especifico: enredo, personagens etc…

      • Pedro Coelho
        11 de setembro de 2016

        Olá Bia, não foi pra você não. é só uma introdução do meu próprio comentário. Na minha opinião erro gramatical nesse contexto é quase irrelevante são autores no geral que estão começando, existem profissionais pra isso e o/a próprio autor/autora irá se aperfeiçoando com o tempo, a medida que escreve. Alguns comentários nessa linha gramatical chegam a ser ofensivos (que não é o seu caso). Outro ponto é, gramática pra quem?Gosto de adotar esse perspectivismo, muitos contos pedem certa informalidade, repetições, frases confusas, tudo pode contribuir positivamente para a ambientação. E muita gente acha que sabe exatamente o que o autor esta pensando e sai julgando a torto e a direito. Me entristece algumas prepotências que leio nos comentários…

    • Davenir Viganon
      10 de setembro de 2016

      Revisor é caro e aqui sempre tem uma alma atenciosa que faz o serviço de graça e boa vontade 😉

  45. Priscila Pereira
    9 de setembro de 2016

    Gostei muito do estilo do conto, charmoso e muito bem escrito, a ideia é original, poderia ser melhor executada se não houvesse limite de palavras. A ambientação fora do Brasil é bem interessante. Para mim o conto pedia mais, o final nem parece o fim, fiquei frustrada com isso.

  46. Bia Machado
    9 de setembro de 2016

    Tema: Gostei da forma como o tema do desafio está presente. Com certeza, está dentro do esperado e até fugiu do lugar comum.

    Enredo: Li a história sentindo a mesma atmosfera de quando leio um conto do Lovecraft ou do Blackwood. O autor (me passou a sensação de ser um homem, acharei massa se for uma autora) me parece bem familiarizado com esse universo. E um conto nesse estilo foi uma grata surpresa. No entanto, do meio para o final senti um pouco a pressa. Pra mim, contos desse tipo demandam mais espaço. Sim, Blackwood tem contos mais curtos, mas posso dizer que esses são aqueles dos quais menos gosto, pois esse autor, assim como o Lovecraft, são daqueles autores que precisam de mais espaço, precisam desenvolver mais, devido à riqueza do horror e do sobrenatural com o qual trabalham. Talvez se iniciasse a narrativa no momento da chegada do narrador à casa, colocando o que veio antes junto com os outros flashbacks, talvez fosse a saída nesse caso aqui, com o limite desse desafio. O final, sobretudo, foi insuficiente para me satifazer. Há em sua narrativa, Sr. Randolf, potencial para mais, para muitos outros detalhes, enfim, para mais horror. Da forma como o horror foi tratado aqui, não empolgou o suficiente. Ainda assim, uma grata surpresa, parabéns.

    Personagens: Praticamente temos apenas o narrador-personagem o tempo todo da narrativa, com outras inserções bem esparsas e pouco diálogo. O diálogo que acontece, aliás, é inserido apenas para o suficiente, que é lançar a questão do que aquela casa realmente é.

    Emoção: Gostei, na maior parte da narrativa. Deu até vontade de pegar aqui “A tumba” ou “A Casa do Passado” e reler. Bom trabalho e boa sorte no concurso! 😉

    Alguns toques:

    ” apenas uma troca de olhares que nunca vi tão singular que nunca vi repetida em outro lugar.” –

    esqueceu de tirar uma parte desse trecho na revisão.

    “A estrada que levava do negro portão de ferro”, achei desnecessário o adjetivo “negro”. E nada a ver com racismo, apenas porque foi um adjetivo colocado sem necessidade, só a locução “de ferro” já é o suficiente para o entendimento do leitor. E outra, com a descrição que você fez da casa no parágrafo anterior, é possível perfeitamente pra mim, leitora, imaginar que o portão de ferro é negro.

    “o mordomo véio”, passou aí na revisão o “véio”.

    “Mas o mais inaceitável era saber que ali, sob aquela terra, sendo, já, devorado pelos vermes, estava alguém que havia nascido na mesma época que eu.” Essas vírgulas não ficaram muito legais. Seria melhor refazer, tornando o trecho mais “limpo”.

    – Os meses do ano não se escrevem com inicial maiúscula no português, use minúscula.

    – Rever a pontuação das falas.

    • Bia Machado
      9 de setembro de 2016

      Corrigindo: O final, sobretudo, foi insuficiente para me satiSfazer. 😉

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Informação

Publicado às 8 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .