EntreContos

Literatura que desafia.

A chama e o chamado (Thomás Bertozzi e Ricardo de Lohem)

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Os sapatos saíram com um movimento dos próprios pés, mas foram necessárias as mãos para retirar as meias. Nada daquilo podia ser levado adiante pelo tapete e foram deixados no chão. Elias virou-se para percorrer os poucos passos até o pequeno banheiro, anexo à sala, no fundo da igreja. Lavou bem as mãos o rosto, pescoço e antebraço, e quase ficou lá no por mais tempo, de tanta ansiedade.

O reverendo apagou todas as luzes e foi novamente até o limiar da tapeçaria vermelho-vinho no centro da sala, impecavelmente limpa, decorada por detalhes dourados, muito bonitos e complexos. Do outro lado, sobre a cômoda de madeira, um castiçal com cinco velas acesas fornecia agora toda a iluminação do recinto.

Elias respirou fundo. Estava pronto. Avançou pelo tapete macio e ajoelhou-se diante das velas. Uma brisa leve empurrou as pequenas chamas para a esquerda por alguns instantes

– Eis-me aqui, Senhor! Teu humilde servo fiel, cansado, mas repleto da tua unção após mais um dia de trabalho nos alicerces de tua grande obra! Se me consideras digno de entrar em vossa presença, ó Pai, então manifesta novamente a tua glória, ó Senhor dos exércitos, grandioso ungido…

O fogo rugiu, engolindo todo castiçal e também o móvel que o sustentava, sem nada queimar. Não havia estalo, nem fumaça. Apenas um calorzinho agradável emanava dali.

– Ô GLÓRIA!!! – Berrou o religioso, encarando as chamas em êxtase, com os olhos marejados.

– Olá Elias. Cá estou novamente. Quer conversar, não é? Sei de seus contratempos…

– Por favor, ó Altíssimo – atalhou o pastor – Perdão, mas peço que troques essa voz de mulher.

– Pois saiba que considero este timbre muito mais adequado a mim.

Elias ergueu-se um pouco, juntando as mãos com os dedos entrelaçados, antes de continuar:

– Desculpai-me, ó Rei dos céus! De outro modo, porém, penso que não manifestaríeis vossa glória de maneira adequada, entendes?

– (Agora com voz de barítono) O que eu entendo é a tua condição limitada. Vamos entrar em um acordo, então: eu falo com voz de homem e você abandona essa “segunda pessoa”. Pressinto que cometerá erros terríveis caso insista. – A chama balançou antes de continuar – Vamos!   Puxe uma cadeira e afrouxe a gravata. Essa posição é um desconforto só.

– Como queira. – O alívio traduziu-se num sorriso satisfeito do pastor, enquanto buscava um móvel para acomodar o traseiro.

– Você ainda duvida, não é? Sim! Sei que sim. Por isso não repassou o que lhe contei. Tudo bem. Admito que nossa primeira conversa foi meio… – a chama balançou – truncada.

– Eu me assustei, senhor. Seu poder e esplendor são difíceis de suportar. Tive medo!

– De fato teve… mas só a princípio! Depois você desconfiou. Veja bem, des-con-fi-ou de mim!

– Perdão, ó grand…

– Você pensou que fosse o Diabo! – interrompeu a voz da chama, que balançava – E depois tentou me expulsar daqui!

Elias tremia e chorava:

– Tem misericórdia de mim, ó Rei da glória, eterno sobre céus e terras…

– CHEGA! – A voz ribombou como um trovão pelo cômodo.

As passadas de uma centopeia seriam ouvidas ali, tamanho o silêncio no recinto.

– Meu caro, – o fogo prosseguiu, mais calmo – você não pede aos outros para que tenham fé em mim? ,

– Sim, mas…

– Então comece dando o exemplo. Não te expliquei anteontem que acertamos as contas há algum tempo? Está tudo bem agora, não precisa mais se preocupar com o inimigo, como diz. Vá e conte isso a todos! Sabia que ele até mudou de nome!? Sim! E pediu para eu não contar a ninguém.

– Mas… é impossível! Pense bem: ninguém acreditará em mim! Além disso estarei contrariando as Escrituras… SUAS PALAVRAS!

Era impossível para Elias disfarçar o meio sorriso triunfal.

– Estão desatualizadas. – A calma na voz divina foi assustadora

– Hein!?

– Primeiramente, pare de pensar que eu sou o Demônio! Isso. Passou?

– Sim, senhor

– Ok. Agora diga: há quanto tempo não atualizam? Acha que fiquei parado nos últimos dois mil anos?

– Mas como posso alterar uma coisa dessas?

– É justamente o que vim combinar com você. E nem é alteração. Trata-se de um acréscimo.

– Não entendo como fez as pazes com o diabo! – disse pastor Elias, com as mãos abertas para o céu – Ele é o pai da mentira, o mal personificado, ardiloso e nojento! Nós o combatemos há séculos em teu nome!

– De fato – respondeu o fogo – ele andou revoltado por algum tempo, fez umas coisas erradas, concordo, mas amadureceu e nos encontramos com bastante frequência agora. A inteligência dele sempre me impressionou.

“Veja a Débora, por exemplo – o homem levantou a cabeça, assustado – Ela também anda meio revoltada mas vai se acalmar, com o tempo. Guardadas as devidas proporções, os dois casos são bem parecidos. Espere e verá.”

Elias engoliu seco e inspirou, pensando na filha de 15 anos que andava dando um trabalho danado.

– É difícil acreditar totalmente em você…

– Imagino que sim. Confesso que posso ter exagerado um pouco na primeira abordagem. Tentei impressionar com aquelas nuvens e tal, mas o importante – continuou a voz pirotécnica, após um leve balanço – o importante é você crer que eu só quero ajudar e usá-lo como instrumento, embora seja ainda muito imaturo e cego como um filhote de gato.

– Por que, então, apareceu para mim??

– Boa pergunta. Na verdade, foi porque você pediu da maneira correta!

– De fato, meu Senhor, ajeitei tudo com muito cuidado. – Elias sorriu satisfeito, correndo os olhos arregalados pela a sala ao redor – Este tapete foi feito por um pessoal lá em Nazaré e o castiçal, o bispo consagrou pessoalmente no rio Jor…

– …Não! Que bobagem é essa! Preste atenção: há dois dias, você entrou por aquela porta, olhou para este ponto e acreditou, até o último fio de cabelo, que eu apareceria bem aqui – Dito isso, a chama se apagou…

… Para reascender sobre a escrivaninha, no canto esquerdo da sala, de onde prosseguiu, para um Elias boquiaberto.

– De onde tirou a ideia de que eu preciso ou dependo de algo para que me vejam? Não tenho eu o domínio sobre a matéria? Porque pensa que ela pode me influenciar de alguma forma? – A chama balançou e então continuou – A propósito, isso inclui aquela coisa gigantesca no centro da cidade.

– A Santíssima Catedral… – o pastor pensou em voz alta.

– Essa aí! Quanto tempo você gasta pedindo dinheiro, em meu nome, para terminá-la?

– Mas é uma obra sagrada, para a tua glória, ó Senhor poderoso nas altu…

– Quieto!

– Desculpe – disse o pastor, agora cabisbaixo e triste. – Não me diga que estamos errados!? Estamos? Trabalhamos com tanto empenho…

– Não me lembro de possuir residência fixa.

– Mas o que quer que eu faça!? Não dá pra devolver o dinheiro nem demolir o que está de pé. Vou ser processado, expulso e até preso, sei lá!

– É?! Que coincidência… – a chama balançou e Elias teve a certeza de ouvir um risinho sair por entre as fagulhas.

“Não irei e nem posso obrigá-lo a fazer nada, meu caro, mas quero esclarecer algumas coisas: em primeiro lugar, foi você quem me procurou. Segundo, não só esclareci sua dúvida como acabo de deixar outra dica de conduta. Parece-me que agora é com você, não?”

Elias se levantara e andava de um lado a outro do tapete, enquanto e coçava o queixo freneticamente.

– Claro! Só preciso dizer a todos que Deus e o Diabo atualmente são amigos e condenar a nova catedral do bispo…

O fogo então reduziu-se a um pontinho luminoso, do tamanho de um vaga-lume, antes de cruzar toda a extensão da sala e ir mesclar-se às chamas de uma das velas do castiçal. Pronunciou, porém uma última frase antes de partir:

– Esse “só” é por sua conta.

***

 

O senhor Novales terminou de ler e ficou a olhar para mim, ansioso como perro à beira da mesa a implorar comida com olhos pedintes.

– Então? Que te parece? Fala direto do teu coração.

Achei um pedaço de merda.

– É um texto que mostra que sua autora tinha a semente do talento para as letras. Se essa semente tivesse crescido, poderia ter se tornado uma frondosa árvore.

O homem suspirou, nos lábios um sorriso, nos olhos a nostalgia e a dor da ausência.

– Ela poderia ter se tornado escritora! Notou a crítica à Igreja, às instituições religiosas?

– Sim, crianças não costumam ser capazes de lidar com esses temas, ela tinha uma mente madura para sua idade.

– E o jogo de palavras do título, “A Chama e o Chamado”; não te pareceu coisa muito inteligente para uma menina?

Por favor, senhor, não forces os limites. Queres que eu diga, “é genial! Ela era mais que Gabo, mais até que Cervantes!”, mas não gosto de mentir além do que é preciso. Não é para isso que me pagam, e prefiro, se possível, evitar me exceder em pecados que não sejam meu sustento.

– Sem dúvida é um texto que no seu todo demonstra talento por parte de sua autora. Mas creio que não é como crítico literário que o senhor quer me contratar, não é verdade?

Ele me olhou com simpatia, mas também com a severidade dos que desejam deixar para trás a ternura amarga das lembranças cheias de saudades e adentrar em assuntos mais práticos.

– Não vou mais malgastar o tempo do senhor. Vamos direto ao ponto. Eu sou Victor Novales Profeta. Já ouviu falar em meu nome?

– Todos já ouviram falar no senhor: O Juiz Novales, responsável pela prisão de tantos malfeitores.

– Exato. Sou um juiz aposentado. Sempre fui um homem honesto; acredito que a justiça, o certo, o bem devem prevalecer no final. Essa minha atitude me levou a acumular muitos inimigos ao longo da vida. Ontem, minha casa foi assaltada. Eu cá não estava. Eles vieram direto para o escritório, este no qual agora estamos a falar, e abriram o cofre, o que está à minha direita. Nele havia dinheiro e cópias de documentos.

– E o senhor quer que eu os recupere? – questionei.

– Não – respondeu ele, negando com a cabeça. – Pouco me importa o dinheiro e os documentos, só o que quero de volta é a primeira metade do conto.

Ele mostrou que o texto que ele estava lendo para mim terminava exatamente em “– Esse “só” é por sua conta.”.  Faltava o resto da história.

– Que tipo de louco roubaria meio conto? – perguntei.

– O tipo que não é louco, e que não sabia que estava roubando meio conto. Veja bem, senhor, o conto estava em um envelope, metade embaixo de uma pilha de papéis, a outra metade embaixo dessa estátua de bronze. Quanto puxaram os documentos, rasgaram o envelope em dois, sem nem se darem conta.

No cofre aberto, se via uma bela estátua de bronze de São Jorge.

– Como se passa o resto do conto? – perguntei.

– Não sei. Lê-lo e Relê-lo me dava uma dor como brasa no peito, fiquei um tempo sem o tocar, e tudo esqueci.

– Então não sabe como a história continua, nem como termina? – inquiri eu, bastante surpreso com essa singular situação.

– Não sei – respondeu ele, desolado. – Infelizmente, apesar desse conto ser a lembrança mais importante que me restou dela, se apagou dos labirintos de meu crânio. Mas creio que não será difícil para o senhor perceber que é o próprio quanto o encontrar: os personagens, o enredo… Bem, o senhor é um escritor, sabe mais que eu dessas coisas.

A mim não me agradava a ideia de aceitar essa missão.

– A questão, senhor, é que não sou um ladrão – afirmei, explicando minha evidente relutância.

– Bem sei eu. O senhor não é um ladrão, é um escritor. E um assassino. Não é mesmo, senhor Alejo?

Meu nome é Alejandro. Chamem-me Alejo, se assim preferirem. Sobrenome? Não faço uso, mas se quiserem me sobrenomear, que seja Nadie, pois um Dom Nadie é o que sou neste mundo. Alejandro de Nadie, a seu serviço.

– Senhor Alejo, o serviço que lhe proponho não é de matar, a princípio, mas, dependendo da situação, pode assim se tornar. Os que invadiram minha casa o fizeram a mando de Emilio Fuentes, El Cerdo, um bandido que enviei para a cadeia tempos atrás, indivíduo nocivo, que deseja se vingar fazendo-me o maior mal possível. Quando ele descobrir o que esse meio conto significa para mim, irá pedir uma vultosa soma para devolvê-lo, e no final o destruirá, apenas para pisar em minha alma. O que quero é que o senhor traga de volta o meio conto. Se não conseguir, quero que mate Emilio Fuentes. Seu pagamento será o mesmo em qualquer caso, mas prefiro que me traga o meio conto.

Uma lembrança errante fez meu rosto sorrir sem me pedir permissão. Disse eu:

– Uma vez tive que fazer um conto em troca de minha vida. O senhor me pede ou um meio conto, ou uma vida. É estranho como vidas e contos se entrelaçam neste mundo.

Ele sorriu pela primeira vez em nosso encontro, sorriso de boca sincera, que os olhos tristes não quiseram acompanhar.

– Gostaria de ler alguma coisa do senhor – pediu o juiz.

– Com muito gosto – lhe respondi, e procurei em meu celular algo por mim escrito que pudesse ser de seu agrado. Encontrei.

– Acredito o senhor gostará: é sobre um pai que tudo fez para defender seu filho de um malfeitor. É inspirado em um acontecimento que de fato ocorreu.

Ele leu, ao final vi lágrimas em seus olhos.

– Teu conto é uma doce e venenosa fruta que encheu meu coração de uma tristeza alegre e amarga. O senhor sem dúvida tem enorme talento.

Agradeci tocado, pois senti que suas palavras eram veras. Não sabia ele que o conto estava incompleto; cabia a outro termina-lo, espero que o faça bem. Coisa estranha começar uma história para outra pessoa terminar, ou terminar a que outra começou; coisa estranha e por demais difícil, por isso, creio eu, é chamada de desafio.

– Aceito sua proposta, senhor Novales. Trarei seu meio conto de volta, ou apagarei a chama de um vivente em seu nome. O que me for possível, conforme com as circunstâncias. E a justiça será feita.

Ele sorriu e balançamos as mãos. O que eu não sabia é que estava aceitando aquele que seria o mais duro trabalho que tive em minha vida.

 

***

 

A casa de Emilio Fuentes era uma fortaleza tida por quase todos como impenetrável. Ainda bem que nunca tive em grande conta a opinião da maioria, já que a experiência me ensinou que as verdades dos fatos da vida existem por si sós, não são eleitas em plebiscitos e nem se importam com a vontade do povo. A vida é um rei-jogador tirânico e louco, que tudo decide por sorteio, e não acredita nem um pouco nas virtudes da democracia.

Para mim, entrar naquela casa foi como água entrar numa esponja.

– Tudo que desejo é o papel que tu tens nas mãos – disse eu. – Entrega-o, e me vou, te deixo tua miserável vida como regalo.

Ferido, dois matones mortos a seus pés, e sem ter para onde fugir, El Cerdo sorria, cara de louco. Fuentes apanhou um isqueiro do bolso e, sem nenhuma pressa, acendeu uma lareira que havia ali perto.

– Não faças loucuras, homem – disse eu.

 

 

***

 

 

– O senhor conseguiu o meio conto? – questionou o Juiz, ansioso.

– Foi muito difícil, mas aqui está.

Ele pegou o papel de minha mão como se fosse um bebé recém-nascido, sentou atrás de sua escrivaninha e começou a ler. Seus olhos percorreram o papel engolindo cada palavra, cada letra, um tamanduá de língua grudenta tragando formigas em um formigueiro. Pude ler em seus olhos todo um desfile de emoções: surpresa, angústia, perplexidade. Que se passava? Não teria sido de seu agrada o meu serviço? Por fim ele se levantou da cadeira e veio até mim. Fiquei de pé, esperando o que o instante seguinte me traria. Ele me disse:

– Nunca ninguém fez uma coisa dessas por mim. Nunca. A partir de hoje, considero o senhor como meu filho.

Ele me abraçou, um abraço com sabor de pai. O rigoroso juiz Novales, abraçando um assassino como se seu filho fosse. Os paradoxos do ser humano são coisas para se viver, não entender.

 

 

***

 

 

Acabada a missão, só me restou mergulhar no mar infinito das estradas que levam para todos os lugares e para lugar nenhum.

– Filho? – exclamou Hermes, surpreso.

Hermes é minha motocicleta. É um grato amigo, com ele tenho longas e prazerosas conversas. Não perguntem, não me restam agora palavras o suficiente para explicar.

– Sim, Hermes, filho. E ele nem sabe como foi difícil cumprir essa missão. Quer que te conte?

– Que seja agora!

 

***

 

– Não faças loucuras, homem – disse eu.

Emilio Fuentes não me deu ouvidos. Atirou o meio conto ao fogo. Menos que um instante depois, minha bala atravessou a cabeça de El Cerdo.

Corri para a lareira, o papel queimara quase todo, só restara a linha final.

Um conto de Letícia Profeta.

Saí de lá sem saber o que fazer. Então tive um ideia. Comprei um bloco de papel e caneta, fui para o hotel e passei o resto da noite criando um final de conto no estilo e na letra da falecida filha do Juiz Novales.

 

***

 

– Não deve ter sido tarefa fácil! Afinal, disseste que o meio conto era um pedaço de merda…

– Falei como que por falar; não era a pior coisa já escrita na Terra. Criei uma segunda metade até que boa, até que decente. Queres ouvir?

– Agora, só o final. Seu eu gostar, te pedirei o resto.

– Não tem incomoda em nada saber o final antes? – questionei.

– Estás falando de spoilers? Para mim nada são. Se saber o final pudesse nos tirar o prazer de algo, ninguém teria prazer na vida, sabendo que o final dela é a morte.

– Que seja então conforme teu gosto – disse eu.

Disse então Elias a Lúcifer:

Se alguma coisa aprendi, é que nem Deus nem o Diabo tem papel no nosso desejo de viver. O que nos mantém apartados de acabar com nossas vidas são duas coisas. A chama do prazer pelo convívio com os nossos semelhantes, o desejo de com eles estar, viver e conviver, também chamado de amor pelos que bem queremos; e o chamado do desconhecido, que é a base do desejo de saber, de conhecer, um chamado que nos impele a ir além de nossos limites, de querer ver o que há atrás daquela montanha, além daquele arco-íris. São essas duas coisas que nos fazem desejar a vida e continuar seguindo em frente.

A Chama e o Chamado.

– Alejo – disse, com ceticismo, meu companheiro das estradas –, tu acreditas mesmo que uma menina de dez anos escreveria tais coisas?

Respondi-lhe com um sorriso.

– O que importa, Hermes, é que ele acreditou. Para mim, é só isso que me importa. E agora, queres ouvir a história toda?

Respondeu-me Hermes com entusiasmo.

– Quero-a toda, inteira, com todas as suas letras, pontos e vírgulas, sem que nada falte. Anda, meu amigo, conta-me esse conto híbrido, criado por uma menina morta e por ti. Não me faças esperar mais, sacia agora minha fome dessa história.

***

Enquanto isso, o Juiz Novales estava em seu escritório olhando para o papel que Alejo lhe dera. Ele tirou de uma gaveta a primeira metade do conto e, com uma fita adesiva, uniu as duas cuidadosamente, cortando as rebarbas com uma tesoura. Com toda a calma e máxima atenção, o Juiz leu a obra íntegra, a boca sorrindo levemente, os olhos abrilhantados pela tristeza e fascínio. Novales Profeta pegou uma caneta e escreveu algo logo depois da última linha do conto. “A justiça foi feita,” pensou o Juiz, lendo a sentença por ele reconstruída.

Um conto de Letícia Profeta e Alejandro de Nadie.

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39 comentários em “A chama e o chamado (Thomás Bertozzi e Ricardo de Lohem)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Percebo neste conto o mesmo subterfúgio utilizado no conto sobre a cidade de Praga. Há uma premissa estabelecida pelo primeiro autor – no caso, um diálogo engraçado entre um pastor e o Criador, repleto de tiradas sarcásticas e indagações desconfortáveis que nada mais são do que críticas às religiões e às convenções do Cristianismo. Particularmente, gosto de contos assim, que contestam valores, ainda que sejam os meus valores (não foi o caso aqui, mas mesmo assim achei válido).
    Ocorre que o segundo autor preferiu enveredar por outro caminho. Talvez não tenha apreciado a premissa, ou talvez tivesse, desde o início, a intenção de fazer um link com um coto cujo início gostou ou mesmo escreveu, no caso, “A História de Pablo Valdívia”. O resultado foi uma história paralela, ainda que provocada pelo início, mas sem qualquer ligação direta entre os personagens. É engraçada também – assim como eu disse lá em “A História…”, Alejo é um personagem cativante, carismático.
    Em termos de desafio, porém, não posso deixar de dizer que essa guinada me frustrou, pois a mim pareceu uma fuga, uma maneira do segundo autor fugir do propósito do desafio que, a meu ver, era tentar adaptar-se a um estilo diferente daquele a que estamos acostumados a escrever. Claro que é possível pensar diferente, no sentido de que o desafio era manter-se fiel à própria escrita, subvertendo conceitos inicialmente fixado, mas isso, mais uma vez, a meu ver, não era a ideia principal. Por isso, em termos estritamente pessoais, ainda que eu tenha gostado de ambas as partes isoladamente, devo dizer que o conto não me agradou por faltar-lhe unidade. No todo é um conto falho, ainda que com boas tiradas. No entanto, eu esperava alhgo mais fluido e congruente. De todo modo, parabéns aos autores.

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Gostei!

    Apesar do segundo autor ter ligado o foda-se para tudo o que o primeiro escreveu, e ter meio que jogado tudo no lixo, ter chamado a primeira parte de um “pedaço de merda”, e ter seguido por seu próprio caminho, o resultado final me agradou.

    Achei muito bacana o crossover feito com a história do motoqueiro. Eu também utilizei essa ideia no conto que continuei. Acho tão legal que eu gostaria de ter visto esse tipo de coisas em outras histórias também, afinal, este é o único desafio que permite esse tipo de coisa.

    Adorei o motoqueiro conversando com a moto, Hermes. Objetos inanimados falantes sempre me conquistam. Toda a segunda parte ficou muito divertida, e apesar da ofensa ao primeiro autor, eu gostei desse segundo autor.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    O primeiro estilo, barroco, divinatório, lembrou o Selga. Os questionamentos religiosos parecem levar em direção a uma catarse mística. A segunda parte subverte imediatamente o enredo, tornando-o uma espécie de “metaconto”. Diga-se que o pequeno espaço jamais seria suficiente para o que o segundo autor se propôs, e ele teve que se valer de flashes, como os escritores do realismo fantástico. Os contos isoladamente são bons, mas é evidente que são histórias distintas: uma introspecção e um mini-romance. Ainda que o final, em forma de “dispositivo sentencial”, consiga, de certa forma, promover a identidade perdida.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos,
    Desculpem a franqueza mas não gostei muito da história que vocês construíram para esse desafio. Eu achei a primeira parte muito engraçada. O jeito como o pastor falava gritando ficou hilário! “– Ô GLÓRIA!!! – Berrou o religioso”. Estou rindo até agora.
    Preciso dizer também que o autor da primeira parte deixou uma batata quente na mão do colega que deveria continuar a história. Fiquei me imaginando tendo que continuar essa história e tive calafrios.
    É nesse ponto que acho que o colega que continuou a história merece os parabéns. Parabéns pela coragem de peitar esse foguete e parabéns também porque a ideia que teve para continuar a história foi completa e absolutamente inusitada. Sério! A criatividade está em alta por aih. Infelizmente a ideia que vc teve para continuar a história inicial não me agradou muito. Achei que a ruptura foi muito grande em relação à primeira parte e muito pouco factível. Tiro meu chapéu para ver Alejo de Nadie dando as caras em outro conto nesse mesmo desafio. Foi uma boa sacada também, mas apesar de ser uma boa ideia, levou o conto inicial para um caminho meio tortuoso e ficamos, no final das contas, com dois contos pela metade, que têm “algo a ver” um com o outro.
    Renovo meus parabéns aos dois autores pela criatividade.
    Um abraço!

  5. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: o início do diálogo metafísico prometia uma história fantástica, mas o sucessor do autor original fez questão de transportar Alejo, de História de Pablo Valdívia, para um universo que não era o dele.
    INTEGRAÇÃO: acho que esse foi o principal ponto que depreciou o trabalho de ambos – ficou parecendo que o autor complementar rebelou-se com a história que tinha como missão continuar e a transformou num pastiche de conto escrito pela metade.
    CONCLUSÃO: ambos saíram prejudicados, não há como negar. Sugiro ao autor da primeira parte que ofereça uma continuação da sua ideia original, como exercício mesmo.

  6. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    texto que procura introduzir algum humor no desenvolvimento da segunda parte do conto. Não gostei do texto “cortado” pelas reticencias, perdeu ritmo dificultando a leitura. Peço desculpa aos autores mas não gostei do rumo do texto, embora me pareça possível ter agarrado o leitor noutros assuntos abordados na primeira parte.

  7. Evandro Furtado
    19 de agosto de 2016

    Complemento: upgrade

    Ta aí um exemplo de conto que não respeitou a unidade e executou tal questão muito bem. Muito bacana a primeira parte, bem estruturada, boa trama, personagens interessantes – dentro do delírio metafísico que parece ter tomado esse desafio. O segundo autor foi ousado, transgressor. Mudou completamente o tom, trouxe personagem de outro texto – seria dele mesmo esse outro objeto nesse movimento transficcional? – e inseriu um sem número de recursos metalinguísticos. O resultado? Supimpa.

  8. Leonardo Jardim
    19 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): ao contrário de Alejo de Nadie, gostei bastante da primeira parte do texto. Em tom descontraído, brinca com alguns dogmas da religião, principalmente as evangélicas que visam o lucro. Fiquei triste quando houve o corte, mas recuperei a vontade de ler quando ressurgiu o assassino escritor (personagem marcante deste desafio). A participação dele, esquecendo as metalinguagens do desafio, funcionou legal, embora tivesse ficado muito corrida e todo mundo já soubesse (eu pelo menos) que ele tinha escrito a segunda parte.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): em ambas as partes o conto é bem escrito com pouquíssimos problemas que não chegaram a incomodar muito. Eu anotei esses aqui:

    ▪ – Por favor, ó Altíssimo – atalhou o pastor *ponto* – Perdão, mas peço que troques essa voz de mulher (esse problema se repete no texto, se desejar, consulte esse artigo sobre o assunto: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279)

    ▪ Porque (Por que) pensa que ela pode me influenciar de alguma forma?
    ▪ quero de volta é a primeira (segunda?) metade do conto

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): pontos criativos em ambas as partes.

    👥 Dupla (▫▫): aqui é o ponto fraco. Acredito que o segundo autor desrespeitou a ideia deixada pelo primeiro. Escreveu um bom segundo conto, mas não uma boa continuação.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei do impacto causado pela primeira parte (uma boa bola levantada) e da segunda também. A união dos dois textos que não ficou muito boa.

  9. catarinacunha2015
    19 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Um diálogo simplório com vocabulário raso. Salvou-se a premissa de Deus e o Diabo serem amigos.

    PIOR MOMENTO: “reverendo” ou pastor ou rabino? Senti nesta passagem, e em outras também, um desconhecimento em relação ao candelabro judaico. As nomenclaturas se misturaram com o catolicismo e protestantismo. Faltou pesquisa, ficou muito ralo.

    MELHOR MOMENTO: “As passadas de uma centopeia seriam ouvidas ali, tamanho o silêncio no recinto.” – Imagem bem traduzida.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Apenas protocolar.

    2ª PARTE: Atenção, se não suporta críticas, por favor, pare de ler agora. A continuação é um apanhado de ideias desconexas e preguiçosas. Faltou inspiração e muita transpiração. Lamento ter lido.

    PIOR MOMENTO: “Achei um pedaço de merda.” – A crítica velada à primeira parte do conto foi infantil e antiética. Se ao menos tivesse feito melhor eu entenderia.

    MELHOR MOMENTO: “O que eu não sabia é que estava aceitando aquele que seria o mais duro trabalho que tive em minha vida.” – Percebo aqui a admissão da impossibilidade literária de escrever a continuação.

    EFEITO DA DUPLA: Triste como água escorrendo sobre o óleo.

    • Thomás Bertozzi
      22 de agosto de 2016

      Ei Catarina!
      A confusão entre os elementos (pastor, reverendo, religioso e o candelabro) foi proposital, para ficar meio caótico e não focar em um seguimento religioso específico.

      • Catarina
        31 de agosto de 2016

        Muito obrigada, Thomás, pelo retorno! Abraços!

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Como a divisão das partes está explícita, decidi analisa-las separadamente.
    Na primeira metade, percebi alguns erros gramaticais leves, principalmente de pontuação, mas nada que comprometesse a integridade do conto.
    Os diálogos, por sua vez, não convencem muito. Acho que faltou fluidez, tem algo na forma como o diálogo é conduzido que soa muito superficial e mecânico. A história tem uma premissa interessante, mas acabou sendo mal explorada. Acho que se o autor lesse os diálogos em voz alta, teria uma percepção melhor, e talvez pudesse ajusta-los.
    Já em relação à segunda metade, não gostei nada da forma como foi reiniciado o conto, como se pela dificuldade em continuar a história, o coautor tivesse preferido simplesmente fugir da missão do desafio e tomar um atalho. Não gostei muito dessa ferramenta utilizada. A premissa em si é interessante, essa forma de intertextualidade e as referências ao desafio. Porém, acho que foi muito mal conduzida, e enfiada goela abaixo. É quase como aquelas histórias que acabam se enrolando demais e terminam com “e ele acordou do pesadelo”.
    Também não achei legal o modo como se referiu ao início do conto, achei meio desrespeitoso com o companheiro (me deu a impressão de dizer que o primeiro autor parece uma criança escrevendo, sem comentar o trecho “achei um pedaço de merda”, achei que mandou muito mal nisso.
    Por outro lado, também tenho elogios a fazer. Gostei bastante da forma como a segunda parte se desenrola, as idas e vindas. Me agrada bastante esse tipo de escrita. Percebi um talento e uma técnica legais, acho que se tivesse encarado diretamente o desafio, teria se saído muito bem.

  11. Junior Lima
    18 de agosto de 2016

    Meu conto preferido do desafio!

    Bom, tenho um pouco de pé atrás com essa técnica de “era-tudo-uma-história-que-alguém-estava-lendo-e-agora-posso-escrever-o-que-quiser”. Mas, assim como o outro juiz, senti que ao final a justiça fora feita. Apesar de uma justiça dúbia.

    A primeira parte já estava interessante pelo tema e também divertida pelos diálogos provocantes (Aqui discordo do Alejandro e digo que ele foi injusto). Mas, desde o início, o(a) segundo(a) autor(a) provavelmente já havia planejado algo mais ambicioso, e acho que deve ser perdoado por mudar tudo.

    A segunda parte, não tem como, se destaca (e muito) por todo o jogo metalinguístico, tanto por completar o início quanto no contexto do desafio. Brinca bastante com o texto inicial, e acredito que nenhum dos insultos devam ser considerados como opinião verdadeira. Espero que a Letícia Profeta não tenha se ofendido, seja lá de onde esteja lendo essa história!

    Ele até tentou dar um finalzinho (ou resposta) para a primeira parte, antecipando qualquer crítica que eu poderia fazer quanto a isso… Não foi totalmente satisfatório pra mim, mas valeu a tentativa haha

    Parabéns à Letícia Profeta e ao Alejandro Nadie!

  12. Wesley Nunes
    17 de agosto de 2016

    O texto em toda a sua essência é formado por diálogos, que são excelentes, fazem avançar a história e possuem fluidez. As vozes tanto do pastor quando do Deus são marcantes e distintas entre elas. A premissa do conto é criativa e desperta interesse no leitor. Tanto o humor quanto a critica são sutis no texto e provocam divertimento e risos.

    Devo elogiar a construção do enredo e a ponta deixado do primeiro autor para o segundo.

    A linguagem entre os dois homens também é forte e os caracterizam como figuras de autoridade. A trama que brota na segunda parte é intrigante, mas não possui o mesmo impacto da primeira parte. Achei forçado essa questão de uma parte, de um conto cheio de ironia possuir tanto valor para o personagem. Por que não é informado qual o poder ou importância, por que ela é tão importante para o Juiz? Há sim uma justificativa, mas ela não me fez comprar a ideia.

    Posso estar enganado, mas percebi uma referência ao conto “A História de Pablo Valdivia”. Desculpe, mas não sou muito fã de referências.

    A obra brinca com o desafio entre contos e a partir dessa intenção, achei a segunda parte também divertida. Mas senti falta de algo que fosse além dessa metalinguagem.

    Parabéns pela obra

  13. Bia Machado
    16 de agosto de 2016

    – Conflito: 3/3 – Existe o conflito e eu gostei bastante. E olha que não foi uma leitura fácil.

    – Clímax: 2/3 – Podia ser um pouco melhor, acho que nesse caso o segundo autor não seguiu o mesmo ritmo, embora eu não tenha nada a reclamar.

    – Estrutura: 3/3 – Acho que ficou bacana assim, ajudou a dar um dinamismo à narrativa. Os autores também estavam bem afinados, percebi onde começava o texto do segundo autor e, embora eu tenha gostado mais da primeira parte, achei

    bacana a forma como o segundo autor deu continuidade ao texto.

    – Espaço (ambientação): 1/2 – Nada de mais, porém não compromete a compreensão.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Poderiam ser um tantinho mais aprofundadas, pois são bem interessantes. As duas do início eu adorei, quem dera um conto só deles, me diverti muito com aquele diálogo.

    – Narração (Ritmo): 1/2 – Alguns errinhos bobos de digitação, que podem ser resolvidos em uma revisão mais apurada.

    Mas o ritmo é muito interessante, é o que eu poderia chamar de um “conto movimentado”, dinâmico.

    – Diálogos: 2/2 – Mais apurados na primeira parte, mas funcionam em todo o conto.

    – Emoção: 2/2 – Gostei bastante, me envolvi com a história e a narrativa manteve minha curiosidade até o final.

    Parabéns.

  14. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Oi, como vão? Vamos ao conto! Eu sou Ricardo de Lohem, como vocês já devem agora saber, sou o autor da segunda parte de “A chama e o chamado” e, como vocês já devem ter desconfiado, antes mesmo de saberem de fato, eu sou Sam Van Leon, o escritor da primeira parte de “A História de Pablo Validivia”. Quando recebia a incumbência de continuar “A chama e o chamado” (que passará a ser aqui referenciado como ACC) não gostei muito, porque é uma texto que deseja falar de questões como o papel da religião na resolução de problemas sociais, principalmente os relacionados com a miséria e afins, assuntos que no momento não tenho votade de abordar. O que fazer, então? eu não estava com a mínima vontade de falar de reformas sociais efetuadas via intervenção divina.Então tive a ideia de usar a primeira parte como se fosse um conto lido por alguém, e aproveiter pra fazer referências ao próprio desafio do Entrecontos em si. Gostei de ter feito a primeira parte de “A História de Pablo Valdivia”, e resolvi fazer um crossover, continuando com o mesmo personagem e ainda fazendo referência à história anterior dentro de ACC. Um estranho contratempo: quase que a frase final ficou de fora! Como vocês viram, ela contém uma importante reviravolta; para saberem mais detalhes do acontecido, perguntem ao chefe. A primeira e a segunda partes ficaram, na minha opinião, muito bem casadas, apesar de serem completamente diferentes. Espero que vocês tenham gostado, obrigado por lerem meus texto, até a próxima.

  15. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2016

    Olha…se eu escrevesse utilizando as palavras que utilizei ao terminar de ler, não pegaria “muito bem” para a minha pessoa, então, serei mais educada na escolha das palavras para comentário rs: genial, sensacional, muito bom, tremendamente inteligente!
    Achei incrível esse conto. Ótimo. Consegui vislumbrar Alejandro de Nadie como personagem com bala na agulha para vários contos, romances, enfim, criativo, ótimo, fascinante.
    Observação para o início do conto, que me passou a impressão de algo tecnicamente (bem) escrito para o desafio, o que diminuiu,talvez, o ritmo do conto, curiosamente, no início, para logo depois ser o baita conto, que é. Para ser justa vou tirar alguns décimos do 10, que ainda acho que merece.

    Nota 9,4

  16. Simoni Dário
    15 de agosto de 2016

    Interessante história que prende atenção no começo e mantém a curiosidade até o final. Bom início com bom desfecho. Achei difícil para o autor da parte complementar terminar uma história dessas e fiquei realmente intrigada esperando pelo fim, que agradou. Na segunda parte o autor surpreende mais perto do final, mas me manteve envolvida para terminar a leitura com gosto. Parabéns aos autores.
    Abraço

  17. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    Nesse conto vemos uma dualidade de pensamentos. A primeira parte é um conto mais para o lado psicológico, questionador um dialogismo singular entre Elias e não de sabe qual força é deus ou Diabo; aqui fica uma dúvida, o conto não esclarece com toda convicção de quem se trata a “Voz”… Na segunda parte é um conto completamente diferente onde o autor misturou com personagens de outros contos que estão no desafio, a ideia foi genial, entretanto o enredo ficou a desejar. Faltou um pouco trabalhar o lado psicológico do personagem, seus questionamentos diante de Deus, religião e vida. NOTA:8

  18. Amanda Gomez
    14 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Minha maior curiosidade, talvez, seja saber qual a real intenção do primeiro autor com este começo… ficou tal como o conto do conto. Algo inacabado, escrito por outra pessoa… Achei muito interessante, essa metáfora, se posso chamar assim. A mistura de ficção com a realidade: um autor complementar o outro. Um grande desafio, e já por isso os parabenizo.

    Encontramos de novo Alejandro de Nadie, que surpresa, e que esperteza, porque não dizer assim, não é mesmo? Foi muito sagaz, trazer seu personagem para a continuação. Não digo que combinou, ou que caiu como uma luva. O texto foi subvertido, mudado e chacoalhado, não era o que o outro autor tinha em mente, isso é obvio. Mas foi bem competente em todo o resto.

    A quebra de ritmo, deixa a dúvida se foi uma boa escolha ou não… novamente é como se fosse usado a desculpa do ‘’ sonho’’ e dali em diante o autor pode seguir no que quiser confortavelmente. Fazer esta continuação é bem complicada. Um dos personagens, é Deus! Veja só. Como seguir nesse campo tão delicado que é a religião? Por isso acho que a ‘’ escapada’’ do autor secundário, foi válida.

    A escrita está muito boa, existem citações ótimas, dignas de post its coloridos. Ambos estavam inspirando, seja o primeiro, pela ousadia e por fazer diálogos ótimos, seja o segundo por construir uma narrativa agradável com um personagem já carismático.

    Tem algumas falhas de coerência… Algumas coisas não ditas ou explicadas. A verdade é que todo o começo ficou no ar.. Somente quem o escreveu poderá dizer sobre essa conversa com Deus, o segundo apenas criou outra história, usando ela como um plano de fundo. E é ai que vem o X da questão.

    Mas como, no geral, me agradou, eu vou tentar deixar de lado essas questões de subversão, complemento e fidelidade a primeira parte.

    O nome do conto, é ótimo.

    Parabéns aos dois, um conto que faz lembrar.

  19. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    Realmente, mais um conto em que a história que o outro autor iniciou, foi deixada de lado impiedosamente, para dar lugar a outra coisa, nada a ver com o inicio. Bem, cada qual com seus gostos e suas atribuições para cada conto. Se tem gente que gosta, sejam livres para gostar, mas de minha parte, até agora não tenho achado bacana esses cortes bruscos para colocar coisas sobre o desafio. Acho que a história não foi continuada aqui. RS’

  20. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Olá! Tive que mudar meu estilo de comentário para este conto. Primeiramente, gostaria de parabenizar os dois autores, são duas partes excelentes por si só. Em segundo lugar, acho que o criador de Alejo merece um troféu por ter conseguido encaixar tão bem seu protagonista em uma trama que não era dele. A releitura de Deus efetivamente dando as caras – pelo autor inicial – foi ótima. Além de tudo, quando todos amargávamos o gosto do suposto ex machina na continuação, eis que se retoma o conto da menina Profeta com a propriedade de um maestro. Para mim, foi uma estratégia inquestionável. Enfim, obrigado por me proporcionar um conto nota 10 quando eu já achava que não o encontraria.
    Parabéns e boa sorte!

  21. Matheus Pacheco
    12 de agosto de 2016

    Olha, eu achei o começo do texto engraçadinho, mas (Assim como aconteceu com o meu conto, e eu achei sensacional) a segunda parte ficou mais bem pensada que a primeira.
    Tem também uma coisa que eu achei um tanto sem sentido na primeira parte foi o numero excessivo de pontos juntos. (O que lembrou do meu, que tem uma interrogação perdida no meio de tudo…)
    Abração amigos

  22. Davenir Viganon
    11 de agosto de 2016

    Olá. Eu acho esse recurso interessante, de parar tudo e dizer que tudo era um conto, mas aqui não me agradou por dois motivos. O principal motivo é que eu realmente queria saber o final daquela estória (foi a mesma coisa com “Praga, meu amor”) e então já comecei lendo a segunda parte bufando insatisfeito, devo confessar. Mas procuro ser um bom leitor. Fiz uma pausa e comecei a ler a segunda parte. (um conto cortado de modo abrupto, terá um comentário igual.
    :p

    *********************************************

    O uso da metalinguagem na segunda parte ficou bacana e gostei de rever o Alejandro de Nadie (eu já tinha lido a outra aparição dele). Ficou bem divertido. Não acredito em coincidências mas essa motocicleta ter o mesmo nome do pombo de outro conto, já tá parecendo bruxaria. kkkk. Se minha avaliação fosse somente a soma das duas partes a nota seria muito maior, mas eu analiso também o uso continuo dos elementos dos dois contos e aqui, apesar deles aparecerem são subordinados a algo que não tinha nada a ver com o que estava lendo no início. No fim das contas, gostei do conto e não serás “derrubado” no que depender de mim.

  23. Pedro Luna
    11 de agosto de 2016

    Achei interessante a forma como o segundo autor tratou a mescla de contos, transformando isso na própria história. Foi algo diferente, ainda que eu soubesse que alguém ia utilizar as características do desafio para criar um conto. Sedutor demais.

    O que aconteceu aqui de certa forma apaga o valor da primeira parte como história, a não ser que exista alguma ligação que eu não vi. A primeira parte poderia ter três parágrafos, que ainda assim a segunda funcionaria. Ou seja, a junção não proporcionou a harmonia entre as partes, e o que senti foi que a leitura da primeira metade do conto no fim não valeu pra muita coisa. Mas a sorte é que as duas partes foram bem escritas e tem elementos sobrenaturais e detetivescos que prendem a atenção. Gostei da explicação sobre a Chama e o Chamado, principalmente o Chamado, que justifica a nossa busca pelo misterioso, o que ainda há por vir.

  24. palcodapalavrablog
    11 de agosto de 2016

    O primeiro conto, certamente, não foi escrito por uma menina de 10 anos. Trata-se de uma brincadeira filosófica com a possibilidade de um Deus não estático. E se a mensagem do tal Deus não houvesse parado no momento em que a bíblia foi escrita? A premissa, que por si só já é ótima, e ainda, de quebra, critica o viés materialista da igreja.

    A segunda parte, transforma a história em uma espécie de missão impossível, mas também aproveita para imprimir a sua visão filosófica sobre a discussão levantada no início.

    O resultado é bom!

    Parabéns para ambos os escritores.

  25. Andreza Araujo
    11 de agosto de 2016

    Bem, neste conto dá para perceber claramente onde o primeiro autor termina e o outro começa, até porque o próprio personagem conta isso pra gente. Se bem que poderia ter sido uma jogada do segundo autor… mas enfim, só estou dizendo isto porque vou comentar separadamente as minhas impressões, por serem trechos tão diferentes.

    Toda a atenção exagerada do pastor é bastante crível. Entre as descrições, a melhor parte pra mim foi a chama se movendo enquanto Deus falava. Se é que era Deus, porque eu tenho as minhas dúvidas, assim como o pastor tinha.

    Toda esta cena me deixou curiosa, e o modo como o segundo autor continuou também! Achei de uma criatividade enorme fazer a primeira parte ser “história” da segunda. A metade complementar possui mais frases poéticas, o que pode ser explicado pelo perfil do narrador, o assassino escritor! Gostei até mesmo da cena da moto falante (embora eu não tenha certeza sobre ser real este fato ou apenas delírio do personagem), pois a moto tinha personalidade.

    Ademais, no final eu acabei sentindo falta de ler o tal conto completo. Saber se era mesmo Deus falando através da chama e tudo o que aconteceria com o pastor. Foi uma grande jogada essa segunda parte, mas também um grande risco…

  26. Anorkinda Neide
    10 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    Um Deus bem irônico nao é? Todo o texto é irônico, as vezes isso dá uma cansada. Mas é uma boa ideia, uma leitura que enterte.
    .
    Comentario segunda fase:
    Uma continuação filosófica, tem metalinguagem, tem o personagem do outro conto inserido aqui, tem até uma doçura na presença da personagem Leticia, enfim, um texto muito louco!! haha Adoro! Parabens, autor
    .
    Uniao dos textos:
    Embora a continuação tenha pinçado elementos da primeira parte, acho que temos dois textos aqui, separados. Infelizmente não senti uma coesão entre eles. Boa sorte, autores. Abraços

  27. angst447
    10 de agosto de 2016

    Obs.: Falha minha – Não há erro na grafia de vaga-lumes. Eu é que ainda estranho esse hífen. Sorry.

  28. angst447
    10 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – O título simples e adequado, sem grandes atrativos.
    R – Alguns poucos lapsos de revisão encontrados:
    e quase ficou lá no por mais tempo > e quase ficou lá por mais tempo
    Porque pensa (…) ? > Por que pensa(…)?
    vaga-lume > vagalume
    só o que quero de volta é a primeira metade do conto. > Não seria a SEGUNDA metade do conto?
    Bebé > bebê
    Há contradição no emprego das formas de tratamento – ora Vós, ora Tu (que o próprio autor ressalta em uma das falas do personagem)
    E – Nítida separação de partes, empregado o recurso do era-apenas-a-leitura-de-um- texto. Pela notável reviravolta da narração, presumo que o segundo autor não curtiu muito a primeira parte do conto e resolveu dar novos ares à trama. Não destoou, o que me faz considerar cumprido o objetivo do desafio.
    T – A trama começa com uma proposta que mescla humor com tema religioso. O diálogo entre Deus e Elias ficou bem interessante, deixando a narrativa fluída e leve de se apreender. A segunda parte parecia estar caminhando bem, mas lá pelas tantas, perdeu-se em um labirinto de possibilidades. O autor tentou continuar o texto utilizando elementos que fariam o leitor se identificar com o personagem – o próprio desafio, a questão de ser um escritor, etc. .
    A – A leitura flui bem, embora a primeira parte tenha sido mais agradável de ler. Era para ser um conto divertido, suponho. O tom irônico e debochado continua, de certa forma, na segunda parte, o que facilita um pouco as coisas para o leitor. A explicação dada para o sumiço da segunda metade do conto pareceu-me pouco verossímil, o que atrapalhou o andamento da leitura. Poderia ter sido algo menos teatral, não sei. O final, com direito à revelação da perspicácia do juiz, até que ficou interessante. Afinal, todos nós tivemos vontade de colar as duas partes dos nossos contos.

    🙂

  29. mariasantino1
    9 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Só a ousadia vale a leitura, vale o desafio, uma vez que o segundo autor pensou rápido e inovou em pouquíssimo tempo. Não curto quando se menciona o desafio, porque me parece saída fácil e cria expectativas que, no geral, não se concretizam (da mesma forma que falar com o leitor), mas nesse conto, em especial, por retirar a previsibilidade eu gostei. Criou algo inusitado usando as armas que tinha em mãos. O gancho deixado convidava para um lance de Noé ou algo parecido que nem imagino como alguém iria conseguir fazer, mas ao invés disso se inseriu um outro personagem criado aqui mesmo.
    Boa narrativa, boa saída, controle em inserir o novo respeitando o que já havia sido criado.

    Sucesso.

    Nota: 9

  30. Brian Oliveira Lancaster
    9 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – A chama e o chamado (Profeta)
    CA: Um texto interessante, que circula por vários gêneros. Notei cotidiano, insólito e pitadas de fantasia, aliada à nem tão boa e velha polêmica. – 8,5
    MAR: O texto é bem marcado pelos diálogos, e sua construção é praticamente em cima deles. Felizmente são fluentes, um pouco cômicos, mas com tons de seriedade. Talvez, se o autor(a) escolhesse apenas um deles, ficaria melhor. O enredo não decide se é um Auto da Compadecida, ou Bem Hur. – 8,0
    GO: O texto tem suas qualidades e está bem escrito. O contexto é criativo em algumas partes, mas não me agradou como um todo. – 7,5
    [8,0]

    JUN: Curiosa antecipação dos eventos e participações especiais (não foi o primeiro que vi fazer isso, mas esse surpreendeu na consistência). – 9,0
    I: Uma história e tanto (ou mais de uma). Tirando alguns errinhos bobos de revisão, a metalinguagem aplicada e sobreposta em várias camadas foi excelente. Quebra a “quarta parede” de um jeito singular, inusitado. – 8,5
    OR: A primeira parte já era interessante, mas a segunda foi a cereja do bolo. A criatividade fluiu aqui como em nenhum outro conto. – 9,0
    [8,8]

    Final: 8,4

  31. apolorockstar
    8 de agosto de 2016

    seu texto está bem escrito e coeso, contudo a continuação não faz jus ao resto do conto, eu gostei bastante da primeira parte ,estava com um fluxo interessante e se desenvolvia bem, mas isso foi morto por que o coautor não entrou na onda do colega e mudou totalmente a história, negando a anterior. perdoe-me mas não poderei dar uma nota boa ,embora escrevam bem, e sinto muito chamar a atenção coautor mas era preciso nesse desafio deixar de lado um pouco o que gostamos de escrever e saber trabalhar em equipe para que o texto fique coezo, imagina se no meio de harry potter se fala ” e harry acordou no sotão, e tudo não passou de um sonho”

  32. Rubem Cabral
    7 de agosto de 2016

    Olá, Profeta.

    Um bom conto. Fiquei muito curioso sobre a ideia de Deus querendo rever as crenças atuais e tudo mais.

    Daí, a entrada da segunda parte, com o personagem de outro conto e com outro narrador de tom gauchês, veio de início a me desagradar.

    Contudo, a evolução da segunda parte até que fechou o texto de forma razoável, embora eu tivesse preferido ler a continuação do conto com o padre e Deus.

    Nota: 7.5

  33. pisciez
    4 de agosto de 2016

    Cara… se eu fosse o primeiro autor estaria muito irritado agora. Muito mesmo, rs. Isso não se faz.

    O conto começa com um tom cômico e crítico muito bom, com alguns leves clichês que não atrapalhavam. O segundo autor manteve bem o tom cômico, mas a quebra da trama me “jogou de cima da montanha russa”. O resultado final foi um conto cômico que ficou pela metade, e uma continuação forçada, com pedidos de desculpas ao primeiro autor enfiados no meio do texto e críticas pesadas ao mesmo (comparando, afinal, o primeiro autor a uma criança [mesmo que prodígio] e também falando que o primeiro ato era “um pedaço de merda”).

    Os dois escritores são bons. Não vi problemas na escrita, tirando aqueles pequenos erros de digitação que morrem em uma segunda ou terceira revisão.

    Enfim, não curti. Eu sei que, por ser um conto cômico, o segundo autor tinha até certa liberdade. Também sei que muitos dos ataques ao primeiro ato são sarcásticos e podem muito bem ser apenas piadas para manter o clima cômico do texto. Mas o primeiro conto pedia algo bem diferente do que esta continuação, e também tinha muito potencial para algo melhor. Uma pena.

  34. Jowilton Amaral da Costa
    4 de agosto de 2016

    Eu gostei da sacada. Acho que quem não vai gostar muito é o dono do primeiro conto, cuja história foi um tanto ignorada. Se eu tivesse lido este conto sem saber que era um desafio em duplas, talvez não tivesse estranhado como ele foi complementado. Foi um estranhamento bom, me entenda. E o bom é justamente porque eu sabia que o desafio era em duplas. Confuso, né? Pois, é, estou bem confuso de como proceder para avaliar este conto, hehehe. Num todo eu gostei. A narrativa da segunda parte é um pouco mais atraente do que a da primeira, em minha opinião. Os dois conduzem a história com um bom tom de humor. Ironia e sarcasmos são bem aplicados no texto. Enfim, eu gostei. Boa sorte no desafio.

  35. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto:A Chama e o Chamado

    TÉCNICA: * * * *

    A primeira parte, mais baseada em diálogos é ok, com alguns deslizes:
    – e quase ficou lá no por
    >>> sobrou um “no”

    – Olá Elias
    >>> Olá, Elias

    – pela a sala ao redor
    >>> sobrou um “a”

    Da segunda parte, gostei mais, com alguns deslizes, também:

    – ela tinha uma mente
    >>> cacofonia
    – tive um ideia
    >>> uma

    Porém, com várias sentenças brilhantes:

    – mas não gosto de mentir além do que é preciso
    – me exceder em pecados que não sejam meu sustento
    – sorriso de boca sincera, que os olhos tristes não quiseram acompanhar
    – Se saber o final pudesse nos tirar o prazer de algo, ninguém teria prazer na vida, sabendo que o final dela é a morte.
    >>> essa última, foi especialmente brilhante

    ATENÇÃO: * * * *
    As duas partes conseguiram, cada uma a seu modo, prender minha atenção.

    TRAMA: * * *
    Também olhando como partes individuais, as tramas agradam, cada uma a seu modo. Seja no diálogo, sempre interessante, por mais que a ideia já esteja batida, de Deus / Diabo / Pastor, seja pelo clima de investigação.

    UNIDADE: *
    Aqui, infelizmente, o segundo autor fugiu completamente. A segunda parte é meio genérica e poderia ser “acoplada” a qualquer conto do desafio, com mínimas intervenções.

    NOTA FINAL: 6

  36. Olisomar Pires
    1 de agosto de 2016

    Achei confuso. A segunda parte é melhor que a primeira, mais trabalhada e criativa, embora tenha bagunçado tudo. Não senti uma ligação entre as partes. Por isso a estória ficou prejudicada ou diria que a primeira parte não é essencial para a segunda e vice-versa. Acredito que faltou empatia.

  37. Gilson Raimundo
    31 de julho de 2016

    Apesar de não se ter divisão física entre os autores, da pra ver a mudança de estilo, o autor que completou o conto teve uma sacada fenomenal, realmente a primeira parte era infantil, uma caricatura critica do sistema religioso… um Deus duvidoso que me lembrou da serie Sobrenatural quando Deus (sarcástico) abduz Metraton seu escriba que fora expulso e troca informações sobre sua nova e péssima obra… Agora o complemento trouxe de volta um Alejo meio fanfarrão, diferente daquele do Pablo Valdívia, poderia ter sido um pouco mais sóbrio o que tornaria o conto show de bola dando a quem não sabe da participação de duas pessoas a impressão que as deficiências da primeira parte foram propositais… San Van Leon não precisava repetir a introdução de seu conto para explicar quem era o detetive (ficou meio antipático) …a soma dos dois foi quase perfeita, gostei bastante e espero vê-lo bem colocado…

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Publicado às 14 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .