EntreContos

Detox Literário.

A Galinha Degolada II (Wilson Barros Júnior e Gustavo Araujo)

quiroga

Por muito tempo eu vivera na paz que todo ser humano almeja. Os direitos autorais do meu livro “Estupradas ao Anoitecer” eram suficientes para uma vida confortável, e eu ainda dava aulas à tarde, duas vezes por semana, na Universidade Federal. O resto do tempo eu passava escrevendo, ou lendo Chandler, ou Hammett, ou simplesmente tomando rum. Eu era professor catedrático de Literatura Inglesa, e minha única companhia era uma gata chamada Tessa.

* * *

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Quarta Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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39 comentários em “A Galinha Degolada II (Wilson Barros Júnior e Gustavo Araujo)

  1. Iolandinha Pinheiro
    30 de agosto de 2016

    A simbiose entre os dois autores ficou tão perfeita que não se sabe onde um termina e o outro começa. Sem querer ser repetitiva, mas não dá para não dizer isso: Adorei a fala das crianças. Uma excelente versão do conto em qual se baseou e com uma fluidez que o tornou muito mais palatável. Já é o segundo conto que leio deste desafio das duplas (o primeiro foi o da Santino) e continuo adorando. O nível aqui é ótimo. Abraços e parabéns aos competentes autores.

  2. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Caro autor do texto que complementei, queria dizer que foi um desafio enorme terminar este conto. Definitivamente não é o tipo de narrativa que tenho o costume de escrever. Textos sobre o cotidiano e nossos pequenos pecados são admiráveis, mas eu nunca me senti confortável para abordar algo do gênero. Não há um conflito bem definido, uma história no sentido clássico da palavra. Mas, ao contrário das minhas expectativas iniciais, eu gostei muito da experiência. Enquanto escrevia, pude perceber os pequenos ganchos que você deixou, como a impagável fala das crianças. Provavelmente, o rumo que dei à trama fugiu bastante daquele que você imaginava, mas não pude conceber nada além do que está aí. Não pude conferir ao protagonista outro destino que não o mergulho na loucura e na tentação por terminar com o inferno em que vivia. Embora o resultado não tenha me agradado em cheio – enquanto história – quero dizer mais uma vez que apreciei a experiência. Emular o estilo de outro autor foi algo incrível. O real objetivo foi deixar imperceptível a “emenda”. Se consegui isso, já me dou por satisfeito. Obrigado por me proporcionar isso. Um abraço!

  3. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    O humor negro presente no conto me empolgou. A história, como um todo, não me empolgou muito. Um homem frustrado que tem um cotidiano desgraçado e que só cai em desgraça. A leitura está leve e despretensiosa, deixando a leitura simples e fluida.

    O segundo autor se adaptou muito bem à proposta. Aproveitou vários elementos já estabelecidos pelo primeiro e conseguiu fazer boas cenas na segunda metade, como a das mulheres rasgando os livros.

    O final não achei muito empolgante. Meio que mergulhou num clichê e deixou o clima pesado ao matar todo mundo e descarregar toda a raiva acumulada ao longo da história.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Que conto fantástico! Vocês arrasaram! Gostei demais de como vocês conseguiram trazer para o leitor as frustrações do personagem principal. Faço um destaque especial para as falas das duas crianças! hahahahaha! É assim mesmo que criança fala e, se não é o pai ou a mãe, não dá pra entender nada, absolutamente nada. Eu lia as falas das crianças e ficava com aquela cara de interrogação, e aposto que o coitado do personagem principal também. Em outras palavras, eu consegui vivenciar parte da história junto com ele. Foi muito legal!
    Achei as tiradas sarcásticas perfeitas também! Esse trecho aqui pra mim foi o ponto alto do conto: “A cada noite eu me regozijava concebendo planos, sonhando com suas expressões incrédulas e surpresas. ‘Como você foi capaz de fazer isso?’ diriam em seus derradeiros suspiros. ‘Seu monstro!’ Às vezes, o pensamento era tão vívido que eu dormia quase contente”. Eu gostei porque é muito real. É nos momentos antes de dormir que imaginamos as coisas mais malucas e para esse personagem isso fez todo o sentido.
    Também achei muito realista que nenhuma das duas mulheres sabe cozinhar! Perfeito! Infelizmente esse é o mundo em que vivemos hoje. Existe uma diferença ENORME entre saber cozinhar e ser “empregada” de homem. Pra mim só precisa saber cozinhar quem precisa se alimentar pra viver… (quem não precisa comer pra viver nem tem porque aprender mesmo) Da mesma maneira que só precisa saber nadar quem UM DIA possa correr o risco de estar dentro d’água. Ambos os casos são questão de sobrevivência, na minha humilíssima opinião, é bom frisar. É muito triste ver que, em função de um ranço feminista exagerado de gerações passadas, a enorme maioria das mulheres jovens de hoje em dia mal sabe cozinhar um ovo. Sei bem do que estou falando, já presenciei ovo cozido queimado e até mesmo sopão de saquinho QUEIMADO (como é possível conseguir queimar uma sopa????? Pois é, aconteceu)
    Resumindo, meus parabéns pelo conto. Foi muito divertido.
    Um abraço!

  5. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: A história do escritor maldito, que tem uma vida familiar conturbada, despertou o meu interesse. O segundo autor, no entanto, carregou na tinta da psicopatia, o que o tornou caricato demais, a meu ver.
    INTEGRAÇÃO:a integração entre os autores foi muito bem costurada, apesar de ainda perceptível pela mudança de traços no esboço do personagem principal.
    CONCLUSÃO: um boa história, uma das poucas que enveredou pelo experimentalismo e superou em pontos positivos os pequenos problemas de construção de personalidade do protagonista.

  6. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    não gostei muito do final, acredito que foi resultado do número limite de palavras a utilizar e falta de tempo. Também não percebi muito bem para que apareceu a galinha. Gostei do texto, apresenta ritmo e emoção. Um enredo que entusiasma a leitura. Parabéns. Gostei também da linguagem definida para as crianças.

  7. Bia Machado
    19 de agosto de 2016

    Muito bom! Ri muito, estava precisando, rsss… Gente, e essas personagens, hein? Guardei no coração! Só consigo rir, rssss…

    E o bacana é que um autor entendeu bem o outro, foi um trabalho em dupla coerente. Que final, tá louco, bizarro mas totalmente coerente, como pode? obrigada, autores, por esse momento ímpar. E ó: pra mim tá ótimo do jeito que está. Nota 10!

    “– Você vive aqui de favor e ainda tem coragem de reclamar – dizia uma, sei lá qual.”

    “– Itche! Avôpai, chicabum!

    – Barnachuva! – Um deles sugeriu.

    – Ize, ize, paiavô. – O outro concordou.”

    kkkkkk

  8. Pedro Luna
    18 de agosto de 2016

    kkk.. gostei. As falas das crianças me irritaram seriamente, e a folga das duas folgadas também. Ainda bem que o conto permite que o leitor se sinta recompensado com a fúria do personagem no final. Sempre tem gente que se escora nos outros, e quando trazem na mala pestinhas, pior ainda. Me lembrou uma ocasião que fui em um restaurante e tinha uma criança fazendo a maior zuada e os pais com maior cara de paisagem, olhando pro nada. Não me fiz de rogado, fumaçando de raiva, fui até a mesa e mandei que eles a calassem. Gostei do conto, divertido e bem escrito.

  9. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Aplausos, aplausos, muitos aplausos!! Fantástico conto. No início imaginei um determinado caminho, um roteiro para a continuação do conto (que já estava ótimo), mas fui surpreendida pela insanidade de Jack Torrance, ops, do protagonista, e o Iluminado surgiu aqui na tela, em versão Desafio Duplas.
    Nota 10.

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Esse conto me deixou de opinião dividida. Acho que preciso analisar por várias frentes:
    1- Da premissa do conto, que é a questão do entrosamento dos autores, o texto tá impecável! Não sei dizer até agora em que momento houve a mudança. Parabéns ao coautor, pois não é fácil.
    2- Gramática e estrutura impecáveis.
    3- Enredo e desenrolar interessantes.
    4- Aqui é a questão. Não quero ser nenhum tipo de moralista, mas não gosto muito da questão da violência contra a mulher sendo abordada assim, de forma meio irresponsável. Mas isso não atrapalha o texto que, como um todo, estruturalmente e tudo, tá ótimo. Não vai abalar a nota nem nada, só uma opinião particular pro autor, acho que essa questão da violência de gênero tem que ser abordada com cuidado.
    Mais duas observações: gostei das referências e gostei da linguagem das crianças, fiquei um tempo tentando decifrar, caiu super bem na história.

  11. catarinacunha2015
    18 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Com certeza um dos melhores contos deste desafio. Narrativa estilosa, enxuta, com pincelada de humor negro (não gostei da morte do gato, mas a cena foi perfeita).
    PIOR MOMENTO: “A Galinha Degolada II” – Não foi o gato que foi degolado? Ou o autor ousa deixar o gancho no título com esse sugestivo II?

    MELHOR MOMENTO: “– Abraiola, saltura! – ordenava um. – Vapita, adonarai! – insistia o outro.” – Imagem maravilhosa! Nessa idade as crianças falam muito e com ênfase, mas sem domínio da linguagem ainda. É divertidíssimo.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Passou o bastão cantando o hino nacional, no auge; coisa de patriota.

    2ªPARTE: Foi a gota d’água rasgar os livros. O coautor aproveitor a verbe do humor negro da 1ª parte e aumentou à quinta potência. A fúria através da galinha está maravilhosa. A frase final soou como “moral da história”; arrancaria à forceps.

    PIOR MOMENTO: “Eu era Jack Torrance e aquele era meu hotel.” – Referência totalmente desnecessária, boba até.

    MELHOR MOMENTO: “ A gata morta no chão assistia a tudo, enquanto a TV emitia estalos intermitentes em meio à fumaça.” – Revoltante tirar do personagem seus dois alentos: A gata e a TV. A frase dá o tom do conto. Gosto de encontrar uma frase chave.

    EFEITO DA DUPLA: Dá gosto ver um trabalho tão coeso.

  12. Junior Lima
    17 de agosto de 2016

    Achei o conto muito engraçado quase que do começo ao fim. A escrita simples ajudou o tema simples e cotidiano, mas caótico.

    Só não vai receber nota máxima por mim porque me parece que, no final, perdeu um pouco do humor e adquiriu tom mais sério. Acho que a intenção foi surpreender e, de fato, faz sentido com a história. Mas eu teria preferido a continuação do tom que permeava desde o início.

    Fora isso, estão de parabéns!!!

  13. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): divertida a história do velho rabugento e os parasitas que vivem ao seu redor. O diálogo dos bebês ficou engraçado e não reconheci quase nada que era dito, mas acho que esse era o objetivo mesmo. As mulheres também ficaram um pouco sem personalidade e isso era culpa do narrador que não as distinguia bem. O fim acabou sendo um pouco previsto, pois o texto já havia dado vários indícios. Destaque, porém, para a “arma” usada no fim.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): sem grandes problemas, narração focada na trama, sem problemas, mas sem grandes destaques. Essa é a nota que dou quando texto não atrapalha, mas não chega a se destacar. Encontrei esse problema aqui logo no início:

    ▪ Por muito tempo eu vivera (vivi) na paz que todo ser humano almeja (aqui não cabe o mais que perfeito)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): boas referências no texto todo.

    👥 Dupla (⭐⭐): ótima, esse é um daqueles textos que se não estive num desafio de duplas, eu dificilmente saberia que se tratavam de dois autores.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): me diverti, mas não cheguei a vibrar com o final. Acho que faltou só um pouquinho para que a loucura total do narrador ficasse ainda mais comprável.

    • Wilson Barros
      20 de agosto de 2016

      Caro Leonardo, desculpe, mas você está equivocado quanto ao uso do pretérito mais que perfeito no vivera.

      • Leonardo Jardim
        24 de agosto de 2016

        Wilson, foi a sensação que eu tive, pois o “por muito tempo” tira a sensação de passado do passado. Mas posso estar errado e peço desculpas por ter sido taxativo.

        Ainda assim, prefiro”vivi” que “vivera” nessa primeira frase…

  14. Danilo Pereira
    16 de agosto de 2016

    O conto pode nos questionar… até onde a vida pode imitar a arte?? O personagem idolatrava os seus livros e suas histórias policiais, suspense, dramas… E em sua mente foi se construindo um outro personagem… A voz do outro gritou dentro daquele drama que alimentava a vida do Professor de Literatura inglesa. (Seria a voz de Hamlet pulsando em seu ser??) O personagem começou a viver como em uma panela de pressão. Sua raiva explodiu no final do conto. Conto muito modernistas, com muitas referencias a outros livros. Humor, libertação estética, a experimentação constante . A continuação seguiu o mesmo ritmo. Não deixando o conto perder os sentidos. NOTA:9

  15. Simoni Dário
    16 de agosto de 2016

    Olá

    Está muito bom o conto, não deu para perceber a troca de autor mesmo. O texto flui muito bem até o final. Achei divertido, criativo que de tão real, pareceu…real. Senti a aflição do personagem e também senti vontade de pegar as duas mulheres pelos cabelos. Sentimentos muito bem narrados. Parabéns à dupla mais sintonizada dos contos que li até agora.
    Abraço

  16. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Antes de irmos ao conto, vamos falar um pouco de Horácios Quiroga e o conto dele que serviu de inspiração para o presente conto. Horacio Silvestre Quiroga Forteza (Salto, 31 de dezembro de 1879 — Buenos Aires, 19 de fevereiro de 1937) foi um escritor uruguaio famoso por seus contos, que geralmente tratavam de eventos fantásticos e macabros. Horácio Quiroga teve uma vida marcada por várias tragédias. Quando criança, viu seu pai suicidar-se com um tiro. Alguns anos depois é o padrasto que suicida-se. Na juventude apaixona-se por uma jovem, mas o romance não prospera devido a oposição da família dela. Aos 24 anos, depois que dois de seus irmãos morrem, Quiroga mata acidentalmente um amigo com uma pistola e, desesperado, tenta o suicídio.
    Aos 29, quando era professor, namora uma aluna de 15 anos, encontrando novamente resistência dos pais dela, mas desta vez casa-se. Depois de algum tempo, muda-se com ela e a filha pequena para a selva, onde trabalha com plantações. Porém, a jovem não adapta-se e, após alguns anos, suicida-se. Ele permanece na mata por mais algum tempo com os dois filhos pequenos, mas decide voltar. Vê seu amigo Baltazar Brum chegar à presidência — época esta em que o escritor gozou de certo prestígio — mas alguns anos depois o vê sendo destituído do poder e, (sim, isto mesmo) suicidar-se. Quiroga volta a morar na selva com uma nova esposa, e esta também não se adapta e resolve deixá-lo. Pobre, descobre que tem câncer no estômago, irreversível e que lhe causa
    graves dores. Suicida-se com uma dose de cianureto. Mesmo após sua morte os acontecimentos trágicos não cessaram na família, com o suicídio de suas filhas. Foi mesmo uma vida marcada por tragédias, talvez pela desgraça mesmo, que se pode dizer que reflete em suas histórias de caráter chocante. Um de seus contos mais famosos se chama “A Galinha Degolada”. Resumidamente, o conto narra um episódio brutal na vida do casal Mazzini-Ferraz. Eles têm quatro filhos que, um após o outro, sofrem convulsões que danificam seus cérebros e os tornam retardados. Tempo depois do nascimento do último menino eles tentam ter outro filho e então nasceu Bertita, uma menina que não tem convulsões e acaba por ser uma criança normal. Um dia, os quatro irmãos veem a empregada degolando uma galinha e o resultado é trágico.Agora sim, vamos ao conto! O presente conto,”A Galinha Degolada II”, trata de fazer uma homenagem ao autor e ao seu famoso conto, ao narrar a história de um homem pressionado que chega o limite. Uma excelente ideia: homenagear os clássicos pode muitas vezes levara à criação de outro clássico, mais facilmente até do que tentar criar uma obra original do nada. O que quero dizer é que uma boa paródia ou releitura é muitas vezes superior a uma obra muito original, mas sem brilho. O resultado da parceria aqui foi muito bom; a história é violenta, bizarra e divertida ao mesmo tempo. Quem não se
    identificaria com protagonista? Quem nunca teve vontade de matar um monte de desafetos, na crença que este gesto extremo seria a solução de seus problemas. A transição ficou indistinguível, não percebi diferença nenhuma entre os autores, mimetismo completo e perfeito. O final ficou em aberto: afinal, ele matou toda a família? Muito boa a referência a “O Iluminado”, de Stephen King. Um ótimo conto, cheio de referências clássicas e demonstrando muita habilidade de ambos os escritores. Gostei muito, desejo Boa Sorte pra Vocês!

  17. angst447
    15 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – O título é bastante peculiar e a imagem escolhida me remeteu à outra época.
    R – Não encontrei lapsos de revisão que mereçam ressalva
    E – O primeiro autor traçou planos razoáveis para a sua narrativa. Manteve uma linha de raciocínio fácil de acompanhar. Já o segundo autor parece ter achado a coisa toda muito parada e o pobre do narrador um sofredor injustiçado e resolveu atear fogo em tudo. Fora que precisaria justificar o título – a tal da galinha degolada. Considero cumprido o objetivo do desafio, mesmo notando diferença entre as partes.
    T – A trama equilibra-se entre o relato racional do pai/avô e a loucura provocada pelos hóspedes indesejados. Momento de fúria, de limites ultrapassados e revolta transformada em loucura. A segunda metade ganha ares de quase comédia, com a galinha degolada no armário surgindo como arma e troféu. A comparação do narrador com o personagem Jack Torrance do livro de Stephen King foi interessante.
    A – O ritmo do conto é bom, sem engasgos entre as passagens principais. Depois da parte da caracterização dos personagens e a explanação sobre a situação entre eles, a narrativa evolui para a apresentação dos acontecimentos causados e suas consequências. O final é marcado por uma mirabolante cena que fica entre o terror e o pastelão. Foi divertido.

    🙂

  18. Jowilton Amaral da Costa
    15 de agosto de 2016

    Muito bom! A interação da duas partes foi boa, com destaque para a transição feita pelo segundo autor, levando um conto meio surreal e cômico para um suspense e terror muito bem executado e com um desfecho contundente. Gostei bastante. Boa sorte.

  19. Wesley Nunes
    15 de agosto de 2016

    Ao final da minha leitura percebi que a intenção dos dois autores era fazer uma obra sobre uma jornada de auto conhecimento. A partir desta premissa a história é surpreendente. O texto possui um ritmo veloz e isso combina com o fato do personagem estar perdendo a sua paciência cada vez mais rápido. A leitura é agradável e o autor é cuidadoso na construção da trama e por muitas vezes senti alguns elementos fantásticos no texto, me lembrando até o “realismo fantástico” ou um conto de Borges. O absurdo é encarado com certa naturalidade e não com um olhar de completo espanto. Cito os episódios: A galinha crua guardada no armário e o assassinato do gato pelos bebes. Esse bom uso do absurdo encarado com naturalidade, sempre desperta curiosidade no leitor e faz brotar perguntas mesmo após a leitura.

    A linguagem utilizada na fala dos bebes é um recurso criativo e o leitor permanece com aquela pensamento: “Tem algo estranho acontecendo”.

    O conto merece os parabéns pela sua complexidade e também por brincar com o realismo fantástico.

  20. Evandro Furtado
    14 de agosto de 2016

    Complemento: downgrade

    O conto é bastante interessante por inteiro. A segunda parte teve uma pequena queda em relação à trama, sobretudo, no final. Os personagens foram muito bem desenvolvidos, no entanto. A linguagem também foi muito bem aplicada, difícil descobrir onde começa a segunda parte.

  21. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    Hmm.. bem, o autor qe iniciou o conto, está de parabéns. Digo, um conto que deu gosto de ler, que realmente apreciei a leitura. Confesso que minhas expectativas diminuiram proximo ao final, o conto estava interessante, divertido e original, mas os pensamentos de assassinato tiraram um tanto o brio, por serem tão batidos sempre.. o final, conseguiu levantar novamente. A cena de ele degustando a loucura, a dele e a da situação, fora íncrivel. Realmente, deu pra sentir o desespero do personagem , a chateação que era morar com as 2 mulheres e as crianças. Ficou muito realista ,pode-se dizer. A parte inicial, foi uma das melhores do desafio, diria que até agora, achei a que mais me agradou, por ter um certo humor na dose certa, ironia, ah sim, eu adoro ironia ! Um ponto baixo foi a repetição exaustiva das falas das crianças.. já havia entendido que elas falavam coisas estranhas na primeira vez, não era necessário repetir outras 20, RS’ fALTOU UMA Dosagem nessa repetição..talvez ter repetido um tanto a menos. Uma ou outra vez até ia.. mas ficou exagerado. Poderia ter encontado outr coisa pra por no lugar. Mas a cena de loucura no final, foi uma cereja do bolo, que poderia ter estragado, caso fosse uma cena de assassinatos; ainda bem, pela história, que não foi. Como ja disse, assassinatos sao batidos demais, o momento de loucura foi muito mais interessante. Eu estava desanimada pelo bom começo seguido da perspectiva d se encerrar em um assassinato. Destaco de positivo a personalidade do personagem narrador, excentrica e única.

  22. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: ao lado de “A Paixão do Demônio”, este é um dos textos mais perturbadores que tive o prazer de ler no atual certame. Considero isto um aspecto positivo, visto que uma pequena parte não conseguiu despertar sentimento de qualquer espécie. Em todo caso, gostei da narrativa oscilando entre as ações do protagonista e seus pensamentos mórbidos.
    Criatividade: é um conto bisonhamente criativo – ou criativamente bisonho. Me peguei rindo ao final imaginando o “paiavô” agitando sua coxa de galinha como se fosse um machado. Se este é o segundo conto da galinha degolada, fiquei muito curioso sobre o que ocorreu com o primeiro.
    Unidade: acho que os dois autores se entenderam muito bem, o que me deixa, inclusive, preocupado. Duas mentes obscuras juntas… enfim, foi um dos contos diferenciados e bem articulados do certame.
    Parabéns e boa sorte!

  23. A primeira parte prepara o ambiente tenso do revoltado escritor que só quer sua solidão, em meio às banalidades cotidianas e todo o seu barulho.

    A segunda parte, delicia-se, pouco a pouco com uma vingança quase animalesca daquele que “combate”, por assim dizer, típicas figuras da busca desenfreada pela felicidade fútil da sociedade moderna.

    Só fiquei com peninha das crianças e sua linguagem superdivertida. (rsrsrs)

    O texto tem emoção, catarse e humor.

    Parabéns aos dois escritores.

  24. Marco Aurélio Saraiva
    11 de agosto de 2016

    Um dia de fúria!! Ah, como a desforra do personagem principal veio bem. Eu queria bater naquelas duas mulheres desde a metade do conto, hahahah!

    Ambos os autores se complementaram muito bem. Não vi a transição de um para o outro! A ideia visceral de gato e TV mortos a facadas foi repetida na galinha enfiada goela abaixo e nas pancadas desferidas na filha amedrontada. O segundo autor não mudou completamente o conto mas, ao invés disso, continuou a ideia de tal forma que os dois foram um só. É claro que dá para notar as diferenças de estilo, mas só se você prestar atenção.

    O conto é bem legal de ler. Muito bem escrito, personagens bem trabalhados, narrativa coesa e envolvente. Faltou um pouco de impacto, no sentido de que, apesar de eu ter gostado muito da leitura, não foi nada fora do esperado. Eu diria, um conto “seguro”. De qualquer forma, excelente!

  25. apolorockstar
    11 de agosto de 2016

    o conto é bem bizarro, adorei as referências ao iluminado no final ponto para o co-autor. por sinal os dois trabalharam bem na complementação, os estilos não se divergem e a história segue para um rumo como se tivesse feito por uma só pessoa, embora a história não seja ainda muito interessante e só aconteça alguma coisa no final, o fluxo no resto do conto é um pouco monótono.

  26. Thomás Bertozzi
    9 de agosto de 2016

    Muito bom! Intenso, engraçado, caótico!
    Quando vi, já tinha acabado…

    A narrativa acelera quanto mais a loucura se instala e o final, apesar de bizarro, parece bem verossímil. Era raiva demais acumulada.

    Parabéns!

  27. Brian Oliveira Lancaster
    8 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – A Galinha Degolada II (Horácio Quiroga)
    CA: Contexto interessante. Um cotidiano inusitado, com uma mistura de termos antigos com neologismos. Fiquei um tanto confuso. É um texto atual ou de época (mesmo com artefatos contemporâneos) ou ainda uma fantasia urbana, mais para o lado insólito? – 8,0
    MAR: O texto é bem cadenciado, apesar de algumas coisas serem difíceis de ser compreendidas. O fator tragicômico do contexto consegue prender. – 8,0
    GO: Textos cotidianos não me chamam muito a atenção, mas este tem uma áurea de estranheza excelente, que mantém o suspense até o trágico final. E, por fim, explica o título tão incomum. – 8,0
    [8,0]

    JUN: Junção excelente. Captou bem a atmosfera de insanidade do texto anterior e conseguiu aplicar-lhe uma dose maior de loucura, com final estilo Jack Nicholson. – 9,0
    I: Um dia de fúria. Semelhante ao filme, mas com uma pegada mais cotidiana e caseira, com um cenário só, o que foi bastante inusitado. Todas as personagens transbordam vida e os diálogos convencem. Somente alguns pequenos errinhos escaparam nos parágrafos finais. – 8,5
    OR: Nada muito diferente do comum, mas ganha pontos por atitudes corajosas e espasmos ocasionais de raiva incontida, apresentadas de forma sutil, mas que vão crescendo com o passar dos eventos, de forma bem cadenciada. – 9,0
    [8,8]

    Final: 8,4

  28. Andreza Araujo
    7 de agosto de 2016

    Caramba, nem dá pra saber onde um conto acaba e o outro começa, a emenda ficou muito boa. O texto possui estilo próprio, narração forte, bem desenvolvida, e que prendeu a minha atenção do início ao fim.

    Só achei o final em si meio sem graça, mesmo depois do ataque de loucura do homem. As intrusas foram embora, afinal? Eu gostaria de saber se o ataque dele deu algum resultado positivo para o dono da casa.

    Pensei que ele poderia ter trocado o corpo da galinha com a gata e daí ia cozinhar a gata e dar pra todos comerem, até que encontrassem um pingente (que seria do colar do bichinho de estimação). Claro que isto sou eu devaneando na história.

    Gostei da construção da equipe, foi bem divertida a leitura. Um texto muito bem escrito, não encontrei erros grosseiros de revisão.

  29. Davenir Viganon
    6 de agosto de 2016

    Olá. Achei que o conto era de “terrir” (Terro + humor) mas acabou ficando só humor mesmo. Pena que o continuador não concluiu a estória deixou as coisa muito no ar. Afinal o cara fez uma chacina com uma coxa de frango apodrecida ou não? Achei engraçado o conto, mas nada de muito mais.

  30. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    Ahhhh mano, o cara arrancou a cabeça da galinha com os dentes, mas eu achei um pouco estranho todos falando com o portugueses arcaico para no final mandarem referencias de “O Iluminado”, mas continuou muito bom.
    Abração amigos

  31. mariasantino1
    4 de agosto de 2016

    Olá, autores (ou autor, uma vez que, BENZA DEUS!, parece que só uma pessoa escreveu).

    Então, darei nota máxima porque o texto bate direto com o meu santo, é o que procuro quando leio um texto, é um texto que eu queria ter feito, bonito, sem alarde, sem querer abraçar mais do que as pernas podem abraçar, e os críticos literários que me perdoem, mas senti que parece mesmo com alguma coisa que o Horácio Quiroga faria.
    Bem, não há qualquer perda aqui, o jeito esquisitão, louco do personagem é mantido do início ao fim. As falas de paiavô e avôpai que permanecem mantendo o clima e ritmo narrativo. As ações também são cabidas dentro do universo criado pelo escritor I, e o que mais agrada é a psiquê, o estado alterado do personagem frente ao evento tão irritante como o fato de perder a privacidade e ter a paz incomodada pela falta de educação de outro alguém.

    Não tenho nada a acrescentar além de elogios.

    Excelente junção, teor, escrita, trabalho enfim.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 10

    • mariasantino1
      4 de agosto de 2016

      A repetição da palavra “texto” se dá pelo calor da emoção, sim?

  32. Fabio Baptista
    4 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: A Galinha Degolada II

    TÉCNICA: * * *

    Achei boa, mas nada que se destacasse além do básico, nas duas partes.
    Gostei mais da primeira, pois explorou melhor um tipo de humor que eu gosto.

    As falas das crianças ficaram engraçadas em determinada parte, mas no geral, só encheram linguiça.

    – eu
    >>> tem muita repetição de “eu” no começo. Um problema comum em contos narrados em primeira pessoa

    – reconciliação entre ela e Roberto Carlos, seu marido
    >>> desnecessário citar o nome do marido, pois não teve relevância nenhuma para a história

    – Enquanto soava o barulho estridente da novela elas riam estridentemente
    >>> repetição próxima: estridente / estridentemente

    ATENÇÃO: * * * *

    Conseguiu prender a atenção razoavelmente bem, no começo, pelo humor da situação inusitada e depois, pela expectativa do assassinato.

    TRAMA: * * * *

    Gostei desse cotidiano inusitado, foi possível visualizar bem o inferno da situação.
    Eu teria seguido mais a linha do humor, mas o caminho escolhido não foi ruim, apesar de previsível.

    A frase final tem força e encerra bem o conto.

    – O único detalhe era a TV que não funcionava mais
    >>> Bom, de certo modo ela “não funcionava mais” mesmo… mas pelo que foi narrado anteriormente, era mais grave que isso.

    UNIDADE: * * * *
    O segundo autor me pareceu um pouco mais acelerado que o primeiro, mudando ligeiramente o ritmo da narrativa.

    NOTA FINAL: 7,5

  33. Anorkinda Neide
    3 de agosto de 2016

    Comentário da primeira fase:
    Mas quem foi degolada foi a gata! kkkk Achei descontraído e engraçado demais. Parabéns. As falas das crianças estão impagáveis! Quando surgiu a faca super afiada pensei no pior, ao menos as criancinhas foram poupadas. Um senão, eu diria, talvez, foi quando ele saiu para comprar pão, parecia a clássica fuga, visto q ele nao aguentava mais aquilo, só q nao, isso frustrou o leitor sem necessidade 😛
    .
    Comentário da segunda fase:
    Show! O primeiro que vejo que fundiu completamente com a primeira parte. Eu acho que pegou bem o clima, tá bem escrito, a fala das crianças está quase igual ao que vinha sendo…haha Agoniada eu pq o cara não foge e nem coloca um freio nos abusos, só podia descambar na loucura mesmo. Parabéns!
    .
    Da união do texto:
    Achei que a leitura seguiu fluida e divertida, sem erros, sem profundidade aparentemente mas que gera, sim, uma reflexão, sobre os limites aos quais temos q estar sempre atentos. Gostei demais, parabéns aos dois autores.

  34. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Muito bom mesmo. Ótimo ritmo. Estoria bem concatenada. A segunda parte se amoldou perfeitamente e superou a expectativa criada pela parte inicial. Excelentes escritores. A fala das criancas completou o tom de loucura da coisa toda.

  35. Amanda Gomez
    2 de agosto de 2016

    Divertido e Bizarro.
    Eu ri nessa continuação, já havia lido a primeira parte, e fiquei compadecida do homem que viviam com essas cruzes. Queria que ele desse um jeito nelas, e cada vez que tinha que ler o idioma irritante desses pestinhas eu pedia que ele fizesse algo, antes que o homem ficasse louco, e de fato ficou.

    Eu não sei se o autor, pretendia transformar em uma ‘’ comédia’’ , mas pra mim ficou legal. As alucinações e desejos de como se livrar dessa família foram bem engraçadas. Politicamente incorreto torcer pra que ele os fizesse, mas por Deus! Eles mereciam.
    Me perdi um pouco para saber quem é filha, quem é a amante, neto e filho. Mas depois ficou tudo ok. Eu não entendi a parte da ‘’ Galinha Degolada’’ do título. Pensei que poderia ser um erro de digitação… Porque quem foi degolada foi a ‘’ Gatinha’’. Não sei. E essa questão de como aconteceu ficou no ar, foram os meninos? Se foi, isso não foi abordado depois.
    Um bom conto, com passagens criativas, e cenas cotidianas que dá para visualizar direitinho. O personagem é carismático, a gente torce por ele, pelo menos eu torci. A cena final (Risos) Foi inesperada. Aquelas criaturas rasgando seus livros, tomando sua casa… Quem suporta gente folgada? E 4 ainda. Ninguém merece. E ele chegou ao ápice da falta de paciência, se tornando um louco. Quem sabe agora elas vão embora, ou de tanto medo, passam a respeitar seu espaço.

    Acho que a dupla aqui funcionou muito bem, se não era isso que e autor inicial esperava, pelo menos deu para agradar. Ótima escrita. Conto divertido e bizarro, no bom sentido.

    Parabéns!

  36. Gilson Raimundo
    1 de agosto de 2016

    Deveria ser A Gata Degolada, foi uma boa leitura, quase não se percebe a troca de autores que se evidencia de forma mais clara no uso da linguagem dos pirralhos, uma boa simetria entre as duas partes, não sei se era realmente esta a direção que deveria ter seguido mas ficou legal

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Publicado às 13 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .