EntreContos

Literatura que desafia.

Um Sopro de Vida (Thiago de Melo e Daniel Reis)

sopro

A pequena sala de espera estava lotada, pessoas em silêncio se enclausuravam em seus próprios pensamentos. Pequenos grupos de duas ou três pessoas falavam baixo. Assuntos triviais. Falar ajudava a desviar o pensamento e esquecer o medo. A monotonia do ambiente era quebrada apenas pela televisão no canto da sala. Um apresentador gordo anunciava o milionésimo quadro de perguntas e respostas com artistas.

Alguém se sentou ao lado de Daniel.

– Acho que a programação de TV dos domingos deveria ser considerada uma forma de tortura de massa.

Daniel despertou da espécie de transe em que se encontrava. Já estava há duas horas naquela sala, o olhar vazio encarando o céu azul através da janela.

– É… – ele disse sem muito entusiasmo, não querendo que o comentário se transformasse em uma conversa.

– Talvez o objetivo desses programas seja nos fazer odiar tanto os domingos que as segundas-feiras não pareçam tão ruins assim.

– Aham…

O estranho continuou seu monólogo sobre programas de televisão de domingo. Daniel já não ouvia mais as frases. Os comentários ao lado se embolavam com a voz do apresentador na televisão.

*********

– Mannhhhêêêêê!!!! Que hora a gente vai pro shopping ver o Papai Noel?

– Depois do Chacrinha. Já falei – ela gritou do quarto.

Daniel voltou a encarar o grande televisor. Mulheres bonitas vestidas com maiôs cavados rebolavam ao som de uma banda de rock que se apresentava ao vivo, dublando o próprio LP recém-lançado. No canto do palco um apresentador gordo, com uma cartola colorida na cabeça, ameaçava tocar uma grande buzina que trazia pendurada no pescoço.

A mãe de Daniel chegou à sala colocando a bolsa no ombro.

– Filho, vem aqui. Olha só, a mamãe precisa sair rapidinho. Vou à padaria e depois ao posto de gasolina trocar o óleo do carro. Quer ir comigo?

– Mas e o Papai Noel?

– Já falei que a gente vai depois do Chacrinha. É o tempo de fazer essas coisas na rua. Mas, se você for, não quero você pedindo pra eu comprar mil coisas na padaria e nem reclamando que estamos demorando no posto.

– Acho que vou ficar aqui vendo televisão então – falou ao mesmo tempo em que bolava outra ideia.

– Ok. Mas se comporte, hein!?

Ela se agachou para olhar o filho nos olhos e pousou as mãos nos ombros dele.

– Filho, você já tem 7 anos, já é um homenzinho. Enquanto eu estiver fora você vai ser o homem da casa. Entendeu? Você tem que me prometer que não vai fazer nada de errado. Promete?

– Prometo – falou encarando aqueles grandes olhos brilhantes – mas quando você voltar a gente vai ver o Papai Noel, né?

– Vamos sim – respondeu abraçando o menino com força.

Daniel viu a mãe saindo e trancando a porta e correu para a janela do apartamento. Ficou ali aguardando que ela aparecesse no térreo do prédio e entrasse no velho Fiat 147 bege. O carro fazia um barulho estridente quando ligava e precisava ficar alguns minutos parado antes de sair. “Ele tem que esquentar um pouco” – a mãe sempre dizia quando o filho estava no carro.

Quando viu o carro desaparecer no canto da janela, Daniel desligou a televisão. Foi à cozinha e pegou a grande caixa de fósforos. “Fiat Lux”, leu. “Que legal! Eles fazem carros e fósforos”.

Foi para o canto da sala, deitou atrás do sofá e, embaixo da estante de livros, riscou o primeiro fósforo…

*********

A música característica da chamada de emergência da emissora chamou a atenção de todos na sala de espera. O plantão trazia novas informações sobre o massacre ocorrido na escola de Columbine naquela semana.

Daniel reviu as imagens das câmeras de segurança da escola americana e os momentos de desespero dos jovens estudantes que estavam sendo cassados por dois alunos armados.

A pessoa ao lado voltou – ou continuou – a falar após um momento de silêncio para ouvir a chamada na TV.

– Esse mundo está perdido mesmo. Os pivetes mataram 13 estudantes e depois ainda se mataram. Bandidos! Não há mais lugar seguro pra ninguém nesse mundo.

– Pois é… – Daniel respondeu.

Uma enfermeira entrou na sala de espera.

– Sr. Daniel Trauer?

O rapaz se levantou rápido e foi em direção à enfermeira.

– Sou eu. Como ela está?

– O Dr. Haper vai falar com o Senhor no consultório.

*********

O menino sempre via os personagens de desenho animado segurando fósforos acesos. Era parte da história. Os palitos iam queimando aos poucos enquanto a caverna era explorada ou quando entravam na tumba do faraó. Mas os personagens sempre se esqueciam do palito aceso na mão e acabavam queimando os dedos. Soltavam um gritinho e ficavam novamente no escuro, só para acender outro fósforo em seguida e continuar a aventura.

Daniel estava brincando como nos desenhos. Estava vivendo grandes aventuras com fósforos acesos na mão. No vão escuro embaixo da estante de livros, um após o outro, segurava os palitos acesos até que a chama quase tocasse os dedos. Invariavelmente, quando o fósforo já estava no final, cada momento a mais de luz era também um momento a mais de dor. No último instante, quando não aguentava mais, o menino apagava o fósforo com um sopro, deixava o palito junto aos anteriores e riscava o próximo.

“Vamos, pessoal! Temos que encontrar o tesouro antes que os fósforos acabem. Rápidoooo!”

– MEU DEUS DO CÉU, Daniel, o que você está fazendo!? – a mãe gritou atrás do menino.

*********

Daniel seguiu a enfermeira pelos corredores do hospital. A cada passo o coração do jovem pulsava 10 ou 15 vezes.

– Como ela está, Doutor?

O médico tinha uma expressão séria no rosto e pediu que o rapaz se sentasse.

– Como ela está? – repetiu, não contendo a ansiedade.

– Daniel, sua mãe é muito forte, mas você sabe que o câncer já havia se espalhado. Tentamos fazer um pequeno procedimento para aliviar a dor abdominal e dar a ela algum conforto neste momento, mas infelizmente não há muito mais o que fazer.

No fundo da alma, ele havia nutrido a fantasia de que aquele pequeno procedimento poderia alterar o quadro crítico da mãe. O jovem continuou ouvindo o médico falando, tentando se manter sério, lutando para segurar a emoção diante de um estranho. Em vão. À medida que a realidade entrava, as lágrimas transbordavam.

– Ela já voltou para o quarto. Demos um sedativo. Ela vai dormir algumas horas. Sugiro que você vá para casa tomar um banho e descansar. Não há nada que você possa fazer e ela precisa de repouso. Se algo acontecer nós te ligamos.

– Obrigado, Doutor. Vou ficar por aqui mesmo.

Daniel seguiu para o quarto que eles haviam ocupado 4 dias antes, quando a mãe passou mal em casa e teve uma convulsão, precisando ser levada às pressas ao hospital.

Estava dormindo. Parecia tão cansada. Sem o som do monitor cardíaco ele não teria certeza de que ela ainda estava ali. O abdômen, menos inchado após o procedimento para aliviar a pressão, ainda dava a vaga impressão de que estivesse grávida. Daniel se sentou na poltrona ao lado da cama e ficou contemplando aquele rosto fino e pálido em virtude da doença. “Por quê? Por que justo ela? Por quê?”. Exausto, após 4 dias de aflição naquele hospital, em pouco tempo estava cochilando.

*********

Daniel despertou sobressaltado no meio da madrugada. Ela estava acordada, olhando o filho com ternura.

– Mãe, está tudo bem? Você quer alguma coisa? Quer que eu chame o médico?

– Calma, meu filho. Calma – falou com a voz arrastada – Está tudo bem. Eu não quis acordar você. Você parece tão cansado. Por que você não vai pra casa descansar um pouco?

– Eu não vou deixar você.

Ela colocou a mão sobre a barriga com carinho.

– Você sempre foi teimoso assim, acho que desde que ainda estava aqui dentro. Não parava de se mexer – cada palavra a deixava mais cansada, mas ela queria ter mais uma conversa com o filho, valia a pena. – Ver a minha barriga assim me deu saudades de quando eu estava esperando você.

Daniel esboçou um sorriso.

– Agora você já tem 20 anos, já está crescido, mas criar você sozinha foi muito difícil, ainda mais depois do que aconteceu com seu pai. Você se lembra daquela vez em que quase botou fogo na casa?

Ela sempre contava a mesma história. Daniel já tinha ouvido o relato centenas de vezes.

– Não lembro, não, mãe. Quando foi isso?

– Você tinha uns 7 ou 8 anos. Eu deixei você em casa para fazer alguma coisa na rua. Quando voltei, vi só os seus pezinhos pra fora do sofá. Você estava deitado com a cara enfiada embaixo da estante. Eu fui andando devagar pra ver o que você estava fazendo. De repente, vi uma pilha de fósforos riscados e um fósforo aceso na sua mão embaixo da estante. Quase morri de susto!

– Que perigo! – ele disse, tentando ser irônico e se forçando a sorrir.

– Você disse que estava explorando um lugar misterioso. Você era tão inocente, nem se dava conta do perigo.

– O que seria de mim sem você junto comigo pra me impedir de fazer bobagens assim, né? – a imagem dela se embaçou nos olhos dele.

– Não fique assim, meu filho. Você precisa ficar bem.

– Não, mãe, eu não vou ficar bem! Como posso ficar bem? Esse mundo não vale nada. É um poço de tristeza e de violência. A única luz que eu vejo aqui é você. Eu só tenho você. Por que isso está acontecendo? Você não pode me deixar aqui sozinho! Não pode! – ele apoiou a cabeça na cama, chorando.

Com o toque gentil que só as mães têm ela afagou os cabelos dele. Ela não podia demonstrar o quanto também estava assustada e com medo do que iria acontecer. Mesmo diante da própria morte, uma mãe sempre pensa primeiro no filho. O que aconteceria com ele quando ela partisse?

– Filho, você precisa ser forte. O mundo não é assim tão escuro. Agora eu sou como aquele fósforo de quando você era criança – disse sorrindo –, mas meu fogo já está no final. Manter essa chama acesa está causando dor demais a você e a mim. Eu preciso que você me deixe ir para que eu não machuque mais você, para que eu possa ficar em paz.

– Eu não consigo, mãe. Eu não quero perder você. Eu não quero ficar sozinho aqui. Sem você vai ficar tudo escuro.

– Ah, mas eu não vou deixar o meu filhinho sozinho no escuro. Vem aqui perto de mim – e sorriu mais uma vez. Às vezes, o maior ato de coragem de uma mãe é sorrir para o filho, mesmo diante da perspectiva de morrer.

O filho se levantou e se aproximou do rosto dela. Mesmo fraca, juntou todas as forças para levantar os braços. Segurou o rosto do filho entre as mãos e encostou a testa dele na dela. Ambos ficaram ali de olhos fechados por um momento.

– Pronto. Este pequeno fósforo aqui, encurvado e quase apagado, ainda tem chama suficiente para acender o próximo fósforo, que é você. Você vai precisar ser uma pequena fonte de luz, mesmo contra toda a escuridão desse mundo. Você vai ficar bem?

– Eu vou tentar, mãe, vou tentar – e ficaram abraçados em silêncio.

*********

Duas madrugadas insones depois, a mãe de Daniel teve uma forte convulsão. A última. Ele correu pelos corredores do hospital para chamar os médicos e enfermeiras. Por mais que já soubesse que isso aconteceria em breve, ele não estava preparado. Não poderia estar.

Tentaram reanimá-la de todas as formas. Quando não havia mais nada a ser feito, o médico pediu que todos saíssem do quarto para dar privacidade ao rapaz.

Com o rosto molhado de lágrimas e as mãos trêmulas ele se aproximou da cama. Ela havia partido, partido para sempre. Ele abraçou o corpo dela. Beijou o rosto da pessoa que mais amava e que mais o havia amado. Sussurrou pra ela: – Eu vou manter a chama acesa, mamãe. Eu não vou ficar no escuro.

E soprou gentilmente o rosto da mãe.

A luz branca surgiu bem acima e à sua frente; ao centro daquela massa brilhante e enfumaçada, a pequena mancha negra, como um tumor, começou a tomar forma. Primeiro, a mulher sentiu-se solta no espaço, ascendendo num impulso vertical em direção ao vórtice, seguida pela flutuação à deriva, muito próxima à superfície translúcida da realidade. Estranhamente, ao mesmo tempo, era capaz de vislumbrar outra cena, tão irreal quanto um filme projetado na parede: abaixo, seu corpo permanecia inerte na cama do hospital, enquanto o sopro gentil de Daniel balançava suavemente seus cílios e beijava aquele rosto cansado pela última vez.

Tentou falar com o filho, mas o som da sua voz não chegou até ele. Dali, só conseguia vê-lo curvado sobre o seu corpo, e mesmo assim acabou ofuscada quando aura de Daniel estilhaçou-se em uma supernova de energia e revolta, brilho fugaz de um único fósforo na escuridão. A vibração espalhou-se pelo quarto e ela absorveu o impacto da onda de choque como um soco no peito. Seu coração falhou. Desesperou-se, tentando avisar que estava ali, que estava bem; mas era como se permanecesse isolada por um espelho falso, no qual somente um lado conseguia ver o outro. E esse lado, infelizmente, era o dela.

Sem qualquer razão aparente, o vórtice e a luz desvaneceram-se, como se dissipa uma tempestade. A seguir, seu corpo sutil desceu do teto até ao chão, esvaziando-se, lentamente. Era estranho ver-se deitada, sem vida, enquanto conseguia olhar para suas próprias mãos, bem nítidas, à sua frente. Tentou tocar o rosto de Daniel, mas o filho não demonstrou nada; chegou a ficar em frente ao rosto dele, ao ponto de ver-se refletida em seus olhos, sem conseguir reação. Teve então o súbito entendimento de que, apesar de realmente estar presente, também estava definitivamente morta.

*********

Daniel saiu do quarto, deixando a preparação da mãe a cargo das enfermeiras. Desceu até a lanchonete mais próxima e pegou o cardápio bem conhecido, praticamente decorado depois de tantos dias de fome, pressa e desconforto. Era provável que, antes do amanhecer, o corpo estivesse liberado para a cremação. Devorou um misto quente e um copo de café com leite, tentando não pensar em mais nada.

A mãe continuava ao seu lado, sem que ele pudesse percebê-la, agoniada com as ideias que deveriam estar se debatendo na mente do rapaz. Desde pequeno, Daniel sempre se isolou em um mundo próprio, com pensamentos múltiplos e simultâneos; apenas ela conseguia entender que a distração do menino na escola não era preguiça ou falta de inteligência, mas uma condição que, na época, os médicos não souberam reconhecer. Tinha certeza absoluta de que a ausência e distância do pai eram os fatores responsáveis por isso. Na tentativa de ensiná-lo a prestar atenção ao essencial, e a desprezar o que a seu ver não tinha importância, estabeleceu uma ligação quase que telepática com aquele filho único; por outro lado, essa proximidade acabou tornando o rapaz absolutamente dependente, buscando a proteção e aprovação da mãe o tempo todo. Ela um dia fora capaz adivinhar o que ele pensava, só de olhar. Mas agora, do seu ponto de observação, não conseguia captar o que estava se passando com o rapaz. Daniel era outro, menino-adulto, solto no mundo.

*********

No telefone público da recepção do hospital, Daniel discou uma longa sequência de números e ouviu a mensagem de ligação a cobrar, torcendo para que, do outro lado, alguém tivesse a mesma paciência que ele para ouvir até o final aquela gravação e aceitasse a chamada. Em inglês, uma voz masculina atendeu, e ele respondeu em português mesmo, sem que fosse necessário perguntar quem era:

– Sou eu, pai. Mamãe morreu.

Ela não acreditou que Daniel tivera a coragem de ligar novamente para o pai. Depois de ficar doente e afastar-se da família, ele quase nunca havia procurado saber do filho, nem quando encontrou a cura no exterior; por que, agora, Dani pensaria nele? E que diferença faria falar sobre o destino dela para o ex-marido? Por que ir atrás de quem dera tão poucas satisfações a eles? Sentiu-se mal pelo que considerou uma fraqueza do filho. Mas, aos poucos, compreendeu que não era bem assim: ao contrário do pai, ela não conseguiu sobreviver ao vórtice para ficar ao lado do filho; e ele simplesmente não tinha mais ninguém a quem procurar.

Do outro lado da linha, o pai distante balbuciou algumas palavras constrangidas, tentando demonstrar que se importava com a situação. Tentou encerrar dizendo que depositaria em breve uma ajuda na conta, e que assim que resolvesse algumas situações e burocracias, ligaria de novo para ele.

– Pai, eu quero ir embora. Não tem mais nada aqui.

Pelo silêncio de Daniel que se seguiu a essa frase, a mãe percebeu que o pai não dera a devida atenção ao tom de voz do filho, e falou pouco mais do que já tinha dito antes, nada além de promessas vagas e um vamos ver, algum dia. Provavelmente, acabou se despedindo de Daniel com alguma desculpa sobre seus afazeres ou inventando que alguém da nova família o chamava com urgência.

*********

Já era manhã e o rapaz saiu do prédio do hospital em direção à banca de revistas, na praça em frente. Espalhadas pelo parquinho, crianças divertiam-se gritando todas ao mesmo tempo, em escorregadores, balanças e gangorras. Daniel lia as manchetes dos jornais e os cartazes de publicidade expostos, sem conseguir prestar atenção a nada. Pediu ao jornaleiro uma carteira de cigarros e uma caixa de fósforos, pagou com dinheiro amassado e, depois, sentou-se num dos bancos de madeira da praça, acompanhando o universo das crianças, enquanto experimentava aquilo que um dos cartazes da banca definia, por ironia, como “o sabor da liberdade”.

A cabeça incandescente do primeiro fósforo riscado queimou a ponta do seu dedo indicador, e ele atirou longe o palito ainda aceso. Um menino ruivo, brincando em frente, viu a cena e riu dele. Daniel retribuiu, mas seu sorriso não durou nada e se apagou. O ruivinho, assustado, saiu correndo em busca dos amigos. E Daniel acreditou-se sozinho e sem luz.

Observando-o com atenção, a mãe percebeu que o rapaz ia acabar cometendo mais um erro: acender o cigarro pelo filtro. Tentou avisá-lo, mas não conseguiu chamar sua atenção. Foi o gosto horrível da primeira tragada que o obrigou a jogar fora aquele e pegar outro da carteira, para acendê-lo da maneira certa. Daniel estava mais preocupado em riscar fósforos do que propriamente em fumar. Enquanto o cigarro queimava, esquecido no canto da boca, ele riscava em sequência, um a um, vários fósforos da caixa Fiat Lux, e em seguida os atirava longe. A cada ignição, procurava segurar o palito até o último momento, aquele em que a chama finalmente atingiria seus dedos, numa tentativa de sentir alguma coisa menos dolorosa.

*********

Daniel solicitou ao gerente do crematório que mantivesse o caixão fechado e as luzes mínimas na câmara ardente. Como só ele estaria ali, não seria necessário expor o corpo à curiosidade mórbida de estranhos, principalmente aos convidados dos velórios vizinhos. Não que ele se importasse. Mas não queria ter que receber os pêsames ou explicar quem foi sua mãe e o que havia acontecido. Assim, preservou-a dos olhares dos outros e, principalmente, conservou viva a imagem que tinha dela, acesa na memória. Além do mais, como o caixão estava fechado e não haveria mais ninguém, ele podia deixar a sala quando quisesse fumar, sozinho.

A mãe não entendia por que Daniel estava fazendo aquilo. Ele nunca demonstrou curiosidade em fumar, já que esse foi um dos hábitos mais desagradáveis dentre tantos exercidos pelo pai dele, nos poucos anos de convivência. Sempre dissera ao marido que o cigarro causava câncer, e pedira para que parasse com aquilo, se não por ele, pelo menos pensando no filho. O homem ignorou os sermões dela e quase se arrependeu por isso. Só que, no final das contas, ela, que nunca fumou, acabou sucumbindo à doença; enquanto ele, assim que curado, voltou imediatamente ao vício. Ao observar o jeito do filho tragar aqueles cigarros, um atrás do outro, percebeu que Daniel e o pai eram muito mais parecidos do que ela gostaria de admitir.

*********

A cerimônia foi rápida. O padre que havia sido chamado para oficiar um velório ao lado, e que passou por acaso em frente à porta, prontificou-se a fazer uma oração final diante daquele caixão fechado.

– “Da terra à terra, da cinza à cinza, do pó ao pó” – recitou, em trecho bem a propósito.

Daniel não guardou muito mais do que o religioso disse, mas aquelas palavras em especial parecem ter riscado fundo em sua alma. Depois que o padre se foi, os funcionários vieram buscar o caixão para conduzi-lo à sala da cremação, mas o rapaz não os acompanhou. Aparentemente, seguiu o instinto que dizia que aquele corpo era só um fósforo apagado, a ponto de se retorcer em cinzas e fumaça. Aproveitou para amassar e jogar fora aquela sua primeira e última carteira de cigarros, vazia. Mas a caixa de fósforos, essa continuou em seu bolso, ainda que bem mais leve.

*********

A sala de jantar do pequeno apartamento já estava em penumbra naquele começo da noite. Enquanto Daniel se preparava, a televisão continuou falando para as paredes, sintonizada no programa de domingo, o mesmo de sempre. O rapaz foi até a cozinha, abriu a geladeira e trouxe um refrigerante grande até a mesa. Depois, buscou o bolo de chocolate ainda quente no forno, e o deixou aberto de propósito. A toalha molhada já estava na fresta debaixo da porta da frente e o bilhete, manuscrito, colado no batente do lado de fora. Ao seu lado, invisível, a mãe apavorou-se ao perceber que o filho, mesmo sozinho, havia colocado sobre a mesa da sala dois copos, dois pratos e um par de talheres em cada lugar, como ela sempre fez. Sem se preocupar em tirar o bolo da forma, Daniel espetou sobre a cobertura de chocolate derretido 21 pequenas velas coloridas, e depois usou os últimos fósforos da caixa Fiat Lux para acendê-las, uma a uma.

“Fósforos podem ser perigosos”, avisava o bilhete, para quem passasse no corredor.

Fechou os olhos por instantes e inspirou fundo, formulando seu desejo. Finalmente, ao abri-los para direcionar seu último sopro, percebeu que isso era inútil.

Todas as velas já estavam apagadas.

Teve então a certeza de que sua mãe permanecia ali, com ele. Para sempre.

 

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34 comentários em “Um Sopro de Vida (Thiago de Melo e Daniel Reis)

  1. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Mais um autor bastante dramalhão. A história, como um todo, foi um pouco desinteressante para mim, pois não curto muito a temática. Algumas partes me chamaram a atenção.

    As memórias do menino nos anos 80 foram agradáveis de se ler. Adoro quando esse tipo de nostalgia aparece nas histórias. Gostei da menção do Chacrinha, apesar de eu nunca ter assistido, meu pai sempre comentou que era uma bosta que passava na época dele. Eu sou dos anos 90.

    Os dois autores se completaram muito bem, e se uniram como um único. Para mim, este era o verdadeiro objetivo deste desafio, e aqui foi cumprido.

    A menção aos palitos de fósforo me atingiu em cheio. Eu costumava brincar muito dessa forma com meu primo, quando era criança, e já tivemos uma história muito bizarra em relação a isso, onde realmente quase colocamos fogo na casa.

    Enfim, a história não me chamou muito a atenção, mas foi bem escrita e os autores se relacionaram muito bem.

  2. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    “enclausurado em seus próprios pensamentos” é uma frase para constar na antologia “anorkinda-catarina”. O conto começa com flashes de reminiscências, é algo raro por aqui, e bem interessante. Nesse conto o recurso pareceu-me bem usado. O início do conto prova a máxima de Tcheckov, de qualquer história, mesmo que trivial, se bem contada, é um bom conto. A segunda parte enveredou pelo sobrenatural, quase que religioso, ao estilo Zibia Gasparetto. Somando as duas partes, o conto tornou-se quase um conto espírita. O estilo dos dois autores é parecido, e não houve dificuldades na transição. Mesmo bem diferentes, as partes combinaram bem. De qualquer modo, um bom conto, acima da média.

  3. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Oi, tudo bem?

    Li esse conto há dias e pensei já tê-lo comentado. Bem, gostei da narrativa, ela tem um toque pessoal muito bom e mostra certo estilo, mas sobre a condução eu tenho que dizer que houve volteios, descrições com um mesmo teor, cenas parecidas indo e voltando que não trazem muito para a trama. Em resumo não houve concisão. O personagem me pareceu muito perdido e triste (a história é triste). Um jovem complexado que pareceu viver em depressão já há tempos antes da mãe morrer. A mudança de foco foi interessante, e achei que descambaria para um humor negro o lance da mãe morta observando o filho, entretanto senti que o espaço foi curto para dar vazão aos dois personagens.

    Enfim, um conto que merecia mais presença para se destacar, mas ainda assim tem sua própria fala.

    Boa sorte no desafio

    Nota: 7

  4. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Um conto bonito, mas infelizmente foi outro que me passou a impressão de um drama com elementos muito clichê. De negativo, digo que algumas passagens e diálogos me soaram artificiais, como:
    “Filho, você precisa ser forte. O mundo não é assim tão escuro. Agora eu sou como aquele fósforo de quando você era criança – disse sorrindo –, mas meu fogo já está no final. Manter essa chama acesa está causando dor demais a você e a mim. Eu preciso que você me deixe ir para que eu não machuque mais você, para que eu possa ficar em paz.”

    Difícil imaginar uma mulher a beira da morte dizendo isso. É bem literatura, mas pouco realidade, e ando numa pegada mais real.

    De positivo, ser bem escrito e passar bem as emoções, mas não posso dizer que gostei, pois ficou a impressão de que abordou coisas que já vi em muitas outras mídias, como filmes e livros: o drama da morte, pensamentos que surgem a beira da morte, dificuldade de relacionamentos e até mesmo o espírito da mãe retornando para observar o filho. A trama não me pegou, mas certamente pegará outros leitores.

  5. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    o conto é lindo, a figura de linguagem emociona, usando as luzes como o espirito da mãe, é muito bonita a relação de mãe e filho estabelecida no conto, realmente uma obra prima e completa, que terminou no momento que precisava terminar

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezado autor(a) da primeira parte: antes de tudo, eu fiquei feliz em ser o continuador desse texto, que representou um desafio e me fez pensar por alguns dias em como eu poderia sair da sinuca em que você me colocou – dois personagens, sendo que um deles morre. Para não abrir outra história, apelei para o sobrenatural no caso da mãe e para o aspecto psicológico, no caso do filho. O final que eu tinha em mente não funcionou, e acabei optando por uma outra versão dele, em aberto, mas bem menos sombria. Espero não tê-lo decepcionado muito. Um abraço!

  7. Andreza Araujo
    19 de agosto de 2016

    Gosto do teor de realidade do início do texto. Os parágrafos são convincentes. Talvez porque no fundo cada um de nós já passou por situação semelhante. Inclusive, na minha infância, a pequena Andrezinha gostava de riscar fósforos dentro do armário para cozinhar arroz na minha panelinha de alumínio. É mole? Até hoje existem umas manchas pretas no armário. Maior perigo…

    Voltando ao texto, ele é mesmo bem real e comovente. É triste a questão do pai do protagonista, principalmente sobre o lance do cigarro e da doença, onde a mãe, que nunca fumou, passou a ser vítima fatal do câncer, enquanto o pai se curou e abandonou a família.

    Foi bonito ver o modo como o garoto era apegado com a mãe e vice-versa, e isto é explicado ao longo do texto.

    O final é meio macabro, mas perfeito para os personagens.

    Não é o meu conto favorito da rodada, mas certamente tem grande qualidade.

  8. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    que texto! Muitos parabéns. O conto é envolvente pela proximidade à vida real, pelo ritmo, pela quase uniformidade da escrita. Tem pontos fortes, acontecimentos que ficam na memória e, penso que todos nós concordamos em como é difícil escrever sobre a vida real. Fica aqui um dos grandes textos deste desafio, só espero que fiquem no pódio, muitos parabéns

  9. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Olá,

    Um conto muito bonito, cheio de sutilezas, a dupla funcionou muito bem. Novamente me sinto em desvantagem por não saber onde começa a segunda parte, pois fiquei na dúvida de quem foi a ideia da mãe “ fantasma” mas isso acaba por não importar tendo em vista que o conto em si ficou muito bom, independente das partes, irei avaliar ele sendo um só.

    Torci um pouco o nariz quando vi que seria algo meio sobrenatural, mas percebi que fazia parte do contexto pra entender o personagem. A metáfora do fósforo e tudo que ele significa pra ambos foi muito bem aplicada, embora tenha se repetido, as vezes fiquei querendo ver outro lado do menino, saber como ele lidaria dali em frente com a perda da mãe. Não foi isso que aconteceu, o final deu a entender que ele para sempre viveria sob a sombra dela, e isso não achei muito legal, pra ambos.

    Talvez eu tenha esperado uma evolução dele, que enfim ele conseguiria viver sozinho, e buscar seus propósitos. No fim ficou algo um tanto mórbido, embora sutil e dramático, característica que eu gosto.

    Meus parabéns a dupla bem sincronizada, ótima narrativa. Apesar de ser algo denso e dramático, não ficou arrastado.

  10. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Denso, dramático, profundo e perturbador, no sentido de que nos faz refletir sobre o inexorável, e tudo isso em meio ao cotidiano nosso de cada dia – Fiat Lux -, estou muito emocionada, amei este conto, dou meus parabéns aos autores.
    Nota 10

  11. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Gostei bastante do conto. Achei que foi muito bem continuado, ficando pouco aparente a mudança de autor, e isso é algo que tô considerando bastante pra avaliar esse desafio.
    Queria citar duas passagens que achei excelentes!
    Primeira: Quando viu o carro desaparecer no canto da janela, Daniel desligou a televisão. Foi à cozinha e pegou a grande caixa de fósforos. “Fiat Lux”, leu. “Que legal! Eles fazem carros e fósforos”. Hahahahah bem bolado!
    Segunda: “– Filho, você precisa ser forte. O mundo não é assim tão escuro. Agora eu sou como aquele fósforo de quando você era criança – disse sorrindo –, mas meu fogo já está no final. Manter essa chama acesa está causando dor demais a você e a mim. Eu preciso que você me deixe ir para que eu não machuque mais você, para que eu possa ficar em paz.” Gostei dessa parte também.
    Especialmente em relação ao começo do texto, achei muito interessante como fez com que me identificasse em diversos momentos e sentisse parte do texto, e isso é excelente em qualquer texto. Por exemplo, o cara falando sem parar do lado dele no consultório, quando claramente ele queria ficar em silêncio. Ontem mesmo passei por isso no banco, e quando li essa parte, ri lembrando.
    A escrita – ortografia e gramática – das duas metades tá impecável! Parabéns!
    O fim me surpreendeu. Achei que ele fosse se suicidar, me enganou. Hahahah. Isso também rendeu pontos.
    Ótimo conto, parabéns!

  12. Simoni Dário
    17 de agosto de 2016

    Olá
    Conto melancólico e triste, um tanto arrastado em alguns momentos, mas rico em detalhes (mérito do conto inicial) que fizeram a diferença na história, como as pistas deixadas pelo autor sobre os fósforos (desde o começo dava para ver que viria alguma coisa a partir deles), o que não comprometeu a leitura.
    Não percebi a troca de autor, parabéns ao autor complementar por isso, mas o autor inicial preparou bem o texto, facilitando a complementação.
    Parabéns à competência da dupla.
    Abraço

  13. Gustavo Castro Araujo
    17 de agosto de 2016

    Ambas as metades estão bem escritas. Completam-se de modo perfeito, ainda que seja possível divisar onde uma termina e outra começa. O segundo autor conseguiu emular muito bem o estilo do primeiro, mantendo a pegada sentimental que permeia todo o texto. O conto, como um todo, flui sem problemas, demonstrando esmero dos autores na escrita. O pecado aqui foi a ausência de uma trama mais elaborada. A história do filho que se vê sozinho no mundo depois de a mãe sucumbir ao câncer é tocante até certo ponto, mas fica só nisso. O máximo que ocorre de diferente é um leve suspense, no fim, para saber se o rapaz irá dar fim à própria vida, ateando fogo ao apartamento. Contos assim, que não seguem de A para B precisam de uma boa carga psicológica, algo que permita ao leitor conhecer a mente dos personagens. Infelizmente não observei esse mergulho, tão necessário, aqui. Apenas um sopro. Também não curti muito o aparecimento da mãe como fantasma — acho que o texto sobreviveria bem sem isso. De todo modo, ainda que com possibilidades de melhorias, o conto está acima da média aqui no desafio. Parabéns aos autores.

  14. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): boa, mas simples e comum. A primeira parte funciona sozinha e emociona. O elemento do fósforo se apagando ficou muito bonito. A segunda parte inicia uma nova história e até faz um bom trabalho abordando o espiritual, mas não teve jeito: ficou com cara de duas histórias diferentes.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): está muito apurada em ambas partes. Dou quatro estrelas para todos os ótimos autores do Entre Contos, deixando as cinco para aqueles acima da média do site. Portanto, tivemos dois ótimos autores aqui.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): usa elementos comuns como a doença de um familiar. A segunda parte parte para o espiritismo, mais um mote batido.

    👥 Dupla (⭐▫): o primeiro autor não deixou muitas pontas soltas e deixou uma bola quadrada para o segundo, que teve que inventar uma continuação.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): a primeira parte me emocionou bastante. A segunda não manteve o ritmo, mas não comprometeu.

  15. Bia Machado
    16 de agosto de 2016

    – Conflito: 2/3 – O texto faz com que eu tenha curiosidade em continuar lendo, apesar de muitos questionamentos, o maior deles: o rapaz tinha 20 anos, mas pra mim não agia muito como tal…Tive a sensação de que não compreendi exatamente o que aconteceu.

    – Clímax: 1/3 – Acho que fiquei sem entender, ou entendi errado. Aconteceu mesmo o que penso que aconteceu? Se sim,

    não sei, a mim me pareceu algo meio que forçado. Não comprei essa ideia.

    – Estrutura: 2/3 – O conto ficou bem estruturado com relação às partes de cada autor, parece mesmo como se apenas um autor tivesse escrito tudo. Achei bacana esse “ir e vir” na narrativa.

    – Espaço (ambientação): 2/2 – Para mim houve um cuidado com esse item, não há descrições muito prolongadas, ainda bem, apenas o necessário para que a ação se desenvolva de forma mais consistente.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Como disse no “conflito”, as atitudes para um rapaz de 20 anos ficaram meio forçadas.

    – Narração (Ritmo): 1/2 – É um conto que envolve, não foi difícil chegar até o final.

    – Diálogos: 1/2 – Medianos, um tanto exagerados em alguns momentos.

    – Emoção: 2/2 – Gostei do conto, foi uma leitura sem dificuldades, embora o tema não tenha me agradado muito, talvez o tom usado pelo autor da primeira parte tenha me conquistado e o segundo autor tenha conseguido me levar…

  16. angst447
    16 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Título simples, mas que carrega duplo sentido.
    R – Não encontrei lapsos de revisão que merecessem ressalva.
    E – Os dois autores parecem ter entrado em entendimento e não houve conflito de ideias ou de estilos. Gostei do aproveitamento da fixação piromaníaca do rapaz. Considero que o objetivo do certame foi atingido.
    T – A trama revela a forte ligação mãe e filho, em um momento difícil, sozinhos, lidando com a doença terminal. O tema foi abordado com sensibilidade, embora eu tivesse esperado consequências mais fortes na brincadeira com os fósforos. Claro que fiquei aliviada porque o autor 1 poupou a criancinha. O final, melancólico e dramático, ficou bom.
    A – A leitura fluiu razoavelmente bem , sem grandes entraves. Algumas passagens poderiam ser enxugadas e algumas explicações suprimidas. Isso seria ideal para dar ao conto um ritmo mais cadenciado, estimulando a leitura dos parágrafos. A curiosidade em relação ao destino do rapaz prendeu minha atenção.

    🙂

  17. Jowilton Amaral da Costa
    16 de agosto de 2016

    Uma drama e tanto, que passou para uma história espírita. .Achei que o segundo autor deu uma enchida de linguiça em alguns parágrafos. As duas partes foram bem escritas, mas, não conseguiu uma boa liga, Na minha opinião, conto médio. Boa sorte

  18. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! A primeira metade trouxe uma história de suspense: o que acontecerá agora que o menino acendeu o primeiro fósforo? Na segunda, o autor 2 mudou o rumo do conto e fez dela um drama no qual o acender dos fósforos se torna uma metáfora para a libertação da alma do corpo, do coração do sentimento de apego, e outros que se possa imaginar. Sem dúvida a segunda parte foi muito bem-sucedida nesse conto. Uma coisa que incomoda um pouco é uma certa ênfase espiritualista perto do final que pareceu meio deslocada da narrativa, parecia mais algum tipo de doutrinação, mas foram poucos momentos. Ou problema, também perto do final, é que o autor 2 parece ter dificuldade em terminar, me passou a impressão de se desdobrar para extrair o máximo de significados do ato de acender um fósforo, não queria soltar o osso. No geral achei uma história altamente boa, o primeiro autor fez um começo simples e aberto para muitas possibilidades, o segundo aproveitou bem. Parabéns, desejo para vocês muito Boa Sorte!

  19. Anorkinda Neide
    15 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase
    Um texto bom, colocou expectativa na alternancia dos tempos da narrativa. A todo momento pensamos que o guri incendiou a casa… rsrs Frustra um pouco saber q nada aconteceu e o diálogo de mae e filho no hospital nao ficou totalmente natural.
    .
    Comentario segunda fase
    Owww, enfim ele incendeia a casa! rsrs Acho que o texto seguiu bem a primeira parte. A presença espiritual da mãe ficou boa e ruim ao mesmo tempo. Boa por dae um toque de arrepio e sentimentalismo ainda maior à trama e ruim pq ficou gratuita quando nada aconteceu além de ela ser expectadora dos acontecimentos.
    .
    Uniao dos textos
    Acredito que uniram-se muito bem os textos dos dois colegas. Pena que o conselho da mãe não foi ouvido, dado ao final um aspecto trágico. Mas é assim mesmo, filhos não nos ouvem, nunca. 😦
    Boa sorte aos autores. Abraços

  20. catarinacunha2015
    15 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Simples e bela narrativa. O jogo de tempo entre os anos 80 e 90 foram bem elaborados, assim como a pesquisa de época.

    PIOR MOMENTO: “Com o rosto molhado de lágrimas e as mãos trêmulas ele se aproximou da cama.” – Sem emoção e piegas.

    MELHOR MOMENTO: “–Às vezes, o maior ato de coragem de uma mãe é sorrir para o filho, mesmo diante da perspectiva de morrer.” – Emocionante, sem ser piegas.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Sacanagem, jogou o bastão no chão, de propósito, para o colega ter que se abaixar para pegar.

    2ª PARTE: Soube incorporar o desespero do personagem após a morte da mãe. Pensei no suicídio desde o começo e o coautor embalou esse pensamento triste até a última frase, quando enfim sou surpreendida.

    PIOR MOMENTO: “Pelo silêncio de Daniel que se seguiu a essa frase, a mãe percebeu que o pai não dera a devida atenção ao tom de voz do filho…” – Peraí, a defunta sabia o que o pai estava falando, mas não estava ouvindo? Será telepatia pós-morte?

    MELHOR MOMENTO: “A cada ignição, procurava segurar o palito até o último momento, aquele em que a chama finalmente atingiria seus dedos, numa tentativa de sentir alguma coisa menos dolorosa.” – Cena bem construída, cheia de significados do fogo para a trama.

    EFEITO DA DUPLA: Gostei da dupla deprê.

  21. Wesley Nunes
    14 de agosto de 2016

    O conto como um todo gera empatia, possui drama e causando emoção no leitor. O autor utiliza cenas tão comuns: assistir televisão, comprar um cigarro ou acender um fósforo e as enriquece com detalhes em uma escrita cheia de carinho. A inocência do personagem principal é cativante e conquista o leitor.

    Chama atenção a forma como o conto foi montado. Ele é construído com fragmentos de vida e de uma maneira não linear. Isso de certa forma dá originalidade para o texto. O autor sabe falar da vida em sua obra. Tanto em relação ao viver, a morte e até mesmo a excelente descrição da passagem do vivo para o além da vida.

    Finalizando, menciono a ótima analogia da luz do fósforo com a luz da vida. No inicio do texto reparei em alguns escorregões, mas nada que prejudique o conjunto como um todo.

    Parabéns aos dois envolvidos nessa criação.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    13 de agosto de 2016

    Um conto melancólico. Acompanhar a trajetória de Daniel não foi fácil. Este é um assunto que mexe muito comigo, mesmo que eu não tenha passado por situação parecida na vida. O resultado foi uma leitura com olhos marejados e pausas esporádicas para aliviar um pouco do peso do texto.

    Ambos os autores são bons, apresentando um texto bem escrito e revisado. O entrosamento da dupla foi perfeito! Porém, achei a narrativa superficial demais. Muito “contar”, pouco “mostrar”. Emoções narradas em palavras ao invés de ações. Muitas frases excelentes misturadas com frases que pareciam advindas de uma latinha de “frases prontas”.

    O final foi positivo, é claro. Uma boa leitura. Pesada, triste, depressiva… mas boa e sincera. Gostei.

    Parabéns!

  23. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: não há o que criticar sobre as capacidades dos autores deste conto. Ortografia perfeita, um pouco de poesia, sem excesso, e a capacidade de emocionar pelos fatos e pelos diálogos.
    Criatividade: assim como outros neste desafio, focou-se em explorar o afeto dos leitores através de uma história extremamente triste, mais que em criar um estilo peculiar de narrativa ou de enredo. Ganha pontos pela técnica, mas não creio que seja um conto tão criativo, por assim dizer.
    Unidade: este foi outro ponto forte do conto em questão. O estilo manteve-se impecável, assim como a coerência dos eventos descritos. Os dois autores se entenderam muito bem.
    Parabéns e boa sorte.

  24. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    O texto está ótimo em termos de escrita. Apenas um erro mais grave foi cometido: “cassado” ao invés de “caçado” ao falar dos alunos em Columbine. A não ser que tenha sido uma grande licença poética com a expressão.

    Quanto ao tema, não mexeu tanto comigo e não me trouxe nada de novo. Talvez não seja a história pra mim nesse momento, mas a qualidade da escrita faz com que seja um bom conto, e com certeza muitos irão gostar.

  25. Um texto muito bonito. Os fósforos como simbolismo da vida, foi uma imagem inspirada, que me remeteu a uma vivência pessoal. E não é isso que bons contos buscam? A identificação por parte do leitor, emocionando-o de alguma forma?

    A trama foi conduzida por ambos com leveza e profundidade.

    Parabenizo os dois escritores.

  26. Evandro Furtado
    11 de agosto de 2016

    Complemento: mesmo nível

    As duas partes são bastante consistentes nos quesitos linguagem, trama e desenvolvimento de personagens. O segundo autor conseguiu manter muito bem o tom da primeira parte, ainda que uma virada de trama ousada causou certo impacto no início. Mas o desenvolvimento, muito bem feito, anulou tal efeito. A única ressalva que faria seria em relação ao final, senti que foi muito abrupto, sem o desenvolvimento necessário. Essas velas podiam queimar mais um pouco.

  27. Thomás Bertozzi
    7 de agosto de 2016

    Um bom conto, muito reflexivo e que flerta com o a espiritualidade.
    Lembra bastante o texto de outro(s) colega(s) deste desafio: “A Resposta”, especialmente quanto aos questionamentos humanos diante da morte.

    O interessante é que a trama tem um ritmo lento, mas a narrativa está longe de ser monótona. Isso ocorreu por conta de dois escritores muito competentes e inspirados.

  28. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    O segundo escritor do conto merece um bom reconhecimento porque ele conseguiu terminar um conto que parecia “Fechado”.
    Lembro que a primeira vez que eu li, peguei um receio sobre ele. Porque eu não conseguiria terminar nem se quer continar de tão bem amarrado estava.
    Abração amigos

  29. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Um Sopro de Vida (Lucas Trauer)
    CA: Nostalgia e melancolia na medida certa. – 9,0
    MAR: As divisões iniciais são ótimas, pois dá um fôlego para o leitor. A do meio confundiu um pouco, mesmo assim, não tirou o brilho da história triste. Um cotidiano simples, mas cheio de vida, com pitadas de anos 80. – 8,5
    GO: Esses tipos de textos são meu ponto fraco. Aprecio quando os sentimentos e sensações se sobressaem no contexto. – 9,0
    [8,8]

    JUN: Tem divisões, mas como o contexto foi mantido, ficou muito boa a continuação. Toda a atmosfera melancólica permaneceu. – 8,5
    I: Bastante triste, mas profundo. Enveredou para a área da metafísica, mas sem doutrinar o leitor, o que foi uma escolha acertada. – 8,5
    OR: Um cotidiano bem explorado, com toques mais emotivos, contendo várias camadas e uma bela história de convivência (mesmo em partes). Ganha pontos pelas metáforas. – 8,5
    [8,5]

    Final: 8,6

  30. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Um Sopro de Vida

    TÉCNICA: * * * *

    Bastante apurada, consegue narrar com clareza, beleza e leveza.
    Praticamente não percebi a transição dos autores.

    Achei que descambou um pouco para o sentimentalismo forçado na despedida, mas nada grave.

    – Eles fazem carros e fósforos
    >>> muito boa sacada

    – estavam sendo cassados
    >>> caçados

    – do teto até ao chão
    >>> até o chão

    – Daniel acreditou-se sozinho
    >>> esse “acreditou-se” ficou estranho

    ATENÇÃO: * * *
    Prendeu minha atenção, mas isso foi mais por conta da técnica, que fez a leitura correr sem contratempos, do que da trama (bom, no começo a trama me fisgou, sim).
    Gosto quando há uma junção desses elementos.

    TRAMA: * *
    O começo foi legal, intercalando passado e presente. Esse é sempre um recurso interessante e o primeiro autor soube usar muito bem.
    Depois que a mão morreu, porém, achei que a história perdeu o fôlego, entrando nessa questão de espírito que fica observando.

    O final, dando a entender que a mãe ficaria ali, curiosamente me soou mais como terror do que como um drama “feel good” (acredito que tenha sido essa a intenção).

    UNIDADE: * * * * *
    Não notei a transição.

    NOTA FINAL: 7

  31. Davenir Viganon
    4 de agosto de 2016

    Olá. Este conto eu gostei. Vejá só como um conto que não é de enredo me fez querer saber o que ia acontecer com o rapaz. O lance dos fósforos ficou bonito mas quase usaram demais durante o conto (ok, se o continuador esquecesse de tudo ia levar pau da galera e seria pior). Tem o lance do espírito da mãe acho que rendeu um final bom. Deve ter sido um conto difícil de continuar, ao menos seria para mim. Gostei do resultado.

  32. Olisomar pires
    2 de agosto de 2016

    Um belo conto. Estilos diferentes entre as partes. Considerei a primeira melhor que a segunda. O encerramento da fase original “soprou o rosto” é de uma beleza rara. A segunda foi tbm muito bem escrita, mas de uma forma geral sem comprometimento . No todo, o conto se sustenta.

  33. Gilson Raimundo
    2 de agosto de 2016

    Dois autores com dois estilos diferentes, o drama inicial não foi bem aproveitado, não me passou nenhuma emoção mesmo com a morte da mãe, foi muito simples, não teve um clímax arrebatador, a mulher tentou falar do pai do rapaz, pensei que estava morto, mas não fez diferença, falar dos apresentadores, de Columbine mostrou um Daniel saudosista que depois foi desconstruído, se tornando uma caricatura do primeiro, não ajudou muito…. a história foi muito simples, a cena final foi boa, foi a única que merece destaque na segunda parte.

  34. Bruna Francielle
    1 de agosto de 2016

    Nossaa.. emocionante. Confesso q nesse conto, gostei mais a partir da metade, o começo fora um pouco… hmmm… ! Acredito que o autor q complementou, fez um ótimo trabalho, pois conseguiu por ritmo na história e montar um plano de fundo mais rico, com o lance do pai ausente, da mãe q ainda estava ali. Daniel que parecia um xaropinho no começo, foi ganhando novas cores. O lance com o cigarro, os fosforos jogados no parque… foram boas cenas. Estava apenas apreensiva de que no fim, ele se suicidasse, mas me parece q não faria isso mais, ou ficou algo meio em aberto. É chato quando tudo se encerra em um suicidio.. Fica algo d tipo, “não sei mais o q fazer então vou matar o personagem, assim ele terá um final.” E essa frase então?: “ascendendo num impulso vertical em direção ao vórtice, seguida pela flutuação à deriva, muito próxima à superfície translúcida da realidade. ” Adorei. Enfim, o conto não prometia muito para mim, mas ele se revelou muito interessante. Acho que os autores formaram uma boa dupla..E diria que parece ter aqui uma.. sintonia para fazer contos “juntos”. Vossa parceria deu certo, é o que digo. Parabéns.

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Publicado às 8 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .