EntreContos

Literatura que desafia.

A Resposta (Sidney Muniz e Olisomar Pires)

deus

É o fim? Minhas mãos calejadas já não agüentam uma caneca de chá por muito tempo. Estou velho e a artrite é como uma pulga a saltar pelas juntas, marcando presença. Não estou a me queixar, mas me sinto mal ao ver as pessoas lendo, ou melhor; soletrando minhas rugas como se estas estivessem gravadas em braile sobre minha pele, decodificando assim os meus segredos. Anos mais e cada vez mais anos menos. Deste modo há de ser com todos, não é? Condenados a uma progressiva contagem regressiva. Acredite em mim quando digo que não te culpo por tudo. O que aguardo, e isso é um desejo, é que o fim seja melhor que o meio e que a dor não me feche os olhos, mas que seja solidária até o fim. E ao final, quem sabe, tenhamos um recomeço; Eu, ele e ela.

Há tempos não admito sua presença, sua companhia, e isso me faz pensar no que ele tinha fé quando me fez aquela pergunta. Você gosta disso tudo? Digo em relação a essa desordem que causa em minha mente. Gosta? Creio que tantos, como eu, já tragaram desses cálices, desse infortúnio que é a perda. Faz anos que tento contrapor aquela pergunta que ele me fez. Embora a resposta exija apenas três subversivas letras, positiva ou negativa, se trata de um questionamento que me faço dia após dia desde então.

Não estou certo se temo em responder de forma equivocada, ou se o medo maior seja dessa conclusão findar de vez a conveniência de um reencontro. Tenho até medo de saber. O que asseguro é que a ausência não diminui o apego, e conhecendo também a outra face da moeda, o amor não suaviza a ausência. Quisera que um ou outro simplesmente se esvaísse, assim talvez houvesse paz a flutuar em minhas veias, a sombrear as tardes mais ensolaradas, mas não.

Existe a hora certa? Será que foi assim com ele? Aquele dia foi comum para muitos. Naquela quinta feira, de manhãzinha, meu filho me fitou e meus olhos delataram o sentimento que se desenhava, acumulando-se no precipício de meus olhos. Percebi o vento triste que arrastava um dos últimos fios dos cabelos castanhos, lisos, aqueles que costumeiramente cobriam meus ombros em dias de sol. E em resposta aquele sorriso macilento, clamava o vazio do meu peito. Eram golpes ocos, ressoantes no céu da minha boca num egoísta e ecoante “Não me deixe!” que quase escapulia entre os dentes, tão perto de ganhar vida dentre os lábios. Você me entende? Queria ser mais forte, mas não fui. Pode ao menos tentar compreender, por favor? Eu desmoronei.

Não sei se pelo medo de encarar a perda, ou pela sensação de estar pela primeira vez em anos abandonado no mundo novamente. Não sei. Senti um cubo de ar, gelado, ardido na garganta, entalado, sabe? Doía tanto que meus lábios tremiam. Meu corpo cochilava em algum canto de minha alma, meio adormecido. Pra onde ir se a dor não abandona a gente? Recordo-me que lhe segurei a mão, pequena, frágil, fria. Segurei forte. Lembro-me de cada gesto, cada reflexo. Havia um leve tremor no corpo, tamanha fraqueza que o acometia. Estava cada vez mais magro naqueles últimos meses. O tubo de oxigênio não era somente alegórico. Nem mesmo a brancura da pele, ou aquele retrato tão real e ao mesmo tempo impensável. Crianças não deveriam adoecer nunca. Não estou lhe culpando, não mais.

Queria ter apenas o poder de congelar o tempo, de aprisionar as nossas vidas em uma lembrança, e eternizar. Segurá-lo comigo, antes, depois, agora. Queria ter acreditado no impossível quando o possível era uma questão de fé e não de resposta. Deveria ter lutado contra minhas vontades e meu egoísmo e deixá-lo partir sem a saudade, sem a minha saudade. Esperava tanto que quando acordasse suas faces estariam mais coradas, ou seus olhos mais alegres e as intempéries do tempo, da saúde, da vida, teriam então sido apenas de uma brisa arruaceira dum outono que conhecera seu fim. Desejava ter o medo da solidão amenizado no antro do meu sentir, ou ser dono de maturidade tamanha para permiti-lo partir libertando-o das algemas do meu coração. Você entende o que é a dor, sofre de verdade por alguém?

Desculpe-me, é que parece ser tão natural pra você. Estou a te julgar, eu sei. Peço perdão mais uma vez. É que se eu tivesse tido força de responder-lhe sem deixar escapar o sopro do meu choro, ou o ruído da minha ruína. As palavras não puderam reinar entre os soluços e lágrimas. E a voz não saiu, mas sim o som inconveniente de um suspiro acovardado. Estava a lembrar de seus primeiros passos, de sua mãe carregando-lhe no colo ainda com o macacão hospitalar. Os pés calçando pantufas em plena enfermaria, o médico advertindo-a, e ela com cara da brava ignorando-o e continuando sua caminhada como se estivesse a passear pelos corredores de nossa própria casa. Era um poço de vida, de bondade. E ele, mesmo antes de nascer, meu pequeno já existia em nossas vidas. Éramos perfeitos antes, mas ele era o que faltava, pois bagunçou tudo da maneira mais harmoniosa que experimentamos. E o que lhe dei? As lembranças são tão vivas, mesmo depois da morte. Por quê? O que você quer com isso?

Estou aqui, apoiado na grama, como quando ainda na cama estive em seus minutos finais. Vejo essas pedras, mensagens, datas e flores sobre lápides. Mas não vejo nada. É difícil relembrar das agulhas entrando e saindo de seu corpo. As sessões de quimioterapia. As conversas, as minhas promessas. Não faça como eu. Não me diga que tudo vai dar certo. Dói recordar dos enfermeiros silenciando aquele bip. Era o único som que ainda indicava vida! O silêncio veio como uma faca, cortando nosso elo. Desmoronando as paredes do meu coração. E o grito sangrou na minha boca num sonoro não, e noutro.

 

Seus olhos se fecharam, eu não o respondi. Nunca o respondi aquela pergunta. Ele foi um campeão, um garoto tão maduro para idade, tinha todas as respostas. E eu que sempre tive sua mãe como muleta. Sempre imaginei e ainda vejo em meus sonhos, ele com seus dezoito anos, entrando na universidade, cursando medicina, direito, quem sabe se tornando algo melhor do que algum dia eu poderia me tornar. O que você sonha para seus filhos? Falo daqueles que se foram antes de crescer. Você pensa neles?

Desde que éramos somente nós dois, desde que a mãe dele se… Eu não poderia tê-lo perdido. Não! Não foi justo comigo. Como pode um homem perder a mulher que tanto ama, e em seguida o filho? As duas coisas mais importantes de sua vida. Como? Você já amou uma mulher? Falo de uma companheira, já amou? Quer saber, não respondi a pergunta dele, pois não sei a resposta, ou talvez saiba e não queira admitir.

O que você faria se estivesse sozinho no mundo? Talvez só você seja assim, do seu jeito. Mas não está sozinho, está? Sabe, eu gosto de tomar sorvete nos dias de sol. Havia um tempo que o sorriso deles tinha sabor de morango, e tudo era tão quente, mesmo no inverno. Ainda caminho pelo parque na primavera, mas eles não estão lá. Quando a noite cai gosto de observar as estrelas, a lua. Penso que devo ser o sol, sozinho durante o dia. Ela pode ser a lua, ele uma estrela. Somos nós, tão perto e ao mesmo tempo o contato não acontece. Tem um eclipse na manga pra mim? Pode ser que minha hora esteja chegando, veja as pessoas, a vitalidade delas. Agora olhe pra mim. O que você vê? O céu é um sonho bom demais né, mas tenho tanto medo que seja só um sonho. Então eu te pergunto depois de tanto conversarmos, a mesma pergunta que me faço todos e todos os dias. Você acha que eu acredito em você?

Não imagine por um instante sequer que duvidei de você em algum momento, Não, senhor.

Desde sua concepção e até mesmo antes eu já acreditava no seu caminho, mesmo agora quando me pergunta algo tão trivial, eu já conheço sua resposta, como não conheceria, se te vi crescer, amar, se entregar, e sofrer ?  Sim, eu sei o que você responderá, na verdade, nem importa muito o que sua boca dirá; seu coração, sua mente, seu espírito já confessaram na primeira vez que te criei. Você não se lembra, eu não me esqueço.

Quando seu filho deixou de respirar, eu estava lá. Por ele, por você. Uma mão minha o segurou sorridente me enxergando, a outra estava sobre sua cabeça lhe confortando.

Entenda, eu partilhei totalmente de sua dor, afinal você, assim como seu filho, são meus filhos também. A separação não é fácil, mas era necessário, não dizem que nada é em vão ? Acredite, há um motivo para tudo.

Sim, sua esposa, Mayara, também lhe foi retirada muito cedo. Lamento, não por ela, mas por você ter que atravessar essa dor para logo depois ir se encontrar com outra, talvez maior, aliás, bem maior.

Agora você está velho e percebe que se deixou dominar pela tristeza, não conseguiu sair de suas lembranças, não se perdoa – De um modo que você não imagina, se culpa por atos que não poderia controlar – meu filho amado, você se perdeu.

Deixe eu te ajudar, vamos lembrar algumas coisas juntos e depois a gente resolve o que tiver para ser resolvido, não se atente aos clichês, se eles existem é porque funcionam e ademais, eu os criei todos,  posso usá-los livremente.

Estamos na sua casa no final do ano, Jorgito está feliz, a árvore de Natal está para ser montada, ele olha os enfeites na caixa rasgada, são do ano passado, mas isso não importa, eles funcionam, veja:

– Pai, pai …

– Que foi, coisinha chata ?

– Vamu montar logo o Natal… deixa eu…deixa eu…

– Calma, rapazinho. Sua mãe vai nos ajudar, sem ela eu não dou conta.

– Mas eu quero agora.

– Peraí, vamos tomar um sorvete antes e depois a gente monta, tá bom ?

– Oba, quero sim, pai… no meu copo grande… esse não, o azul.

Vocês foram pra cozinha, jorgito não parava de andar e falar, você não conseguia deixar de olhar pra ele, que menino bonito e vivo, tão confiante, tão novinho, de meia em meia hora você pensava que daria tudo na vida pra proteger seu filho, sacrificaria tudo por ele. Sua esposa chegou e juntos, vocês três, uma santa trindade, ergueram a bela árvore na sala, quase uma capela.

Riram muito quando Jorgito levou um pequeno choque, ele fez uma cara muito engraçada. Estava descobrindo o mundo e vocês estavam testemunhando esse descobrimento. Não há dádiva maior.

Poucos anos depois, sua mulher já doente em casa, desenganada, sob os cuidados de todos da família e você encontra Jorginho sentado no quintal, perto daquela grande pedra embaixo do pé de manga. Ele estava triste, como seria normal, mas havia algo diferente.

– Oi, filhinho.

– Oi, pai.

Você se sentou ao lado dele, os dois olhando pra casa, não havia necessidade de palavras, você percebeu que seu filho sabia e mais, para sua surpresa, que aceitava. Nessa hora você sentiu raiva dele. Julgou-o ingrato ou insensível. “Como poderia ele não estar desesperado ? Ele não ama a mãe”, você pensou.

Ah, meu amado ! O amor é diferente em suas formas. Jorge, apesar da pouca idade, entendia que a vida não tem explicação, vocês tinham feito tudo que poderiam fazer, ele não fugia. Você era teimoso e desculpe, mas também egoísta demais. Jorge queria terminar com o sofrimento da mãe, você não queria iniciar o seu.

– Pai, se algum dia eu ficar assim, doente desse jeito, igual a mamãe, por favor, não me deixe sofrer tanto. – Jorginho falou num repente, foi totalmente inesperado, você levou alguns segundos para entender. Não prometeu nada e reagiu:

– Que bobagem é essa, agora ? Não basta essa coisa toda e você ainda quer me derrubar mais ? – Você respondeu zangado, era o medo falando, um medo mais antigo que o mundo.

Então você se levantou e saiu depressa de perto do seu filho. Ele ficou ali por mais duas horas. Só entrou quando viu você sair correndo pela porta da frente e se abraçar com seu irmão mais velho. Sua esposa estava morta. Ao que parece você também. Naquele dia, Jorge perdeu a mãe e foi abandonado pelo pai.

Não, senhor, cale-se ! Eu o ouvi atentamente nesses últimos anos, portanto, não lhe permitirei me interromper, você vai ouvir primeiro, depois lhe darei a palavra, por enquanto você está mudo.

Sim, você abandonou seu filho! Sofrendo pela morte de seu amor, deixou de amar uma parte dela viva naquela criança crescida!

Em seu favor é possível dizer que a maioria de vocês age desse modo, não que seja uma desculpa aceitável, mas ao menos é um atenuante, mesmo que medíocre, aliás, a mediocridade é uma constante nesse mundo, mas continuemos, é bom vê-lo quieto sem as suas perguntas.

Nove meses após o desenlace de Mayara você discutiu com seu filho:

– Como você pode pensar em festinha numa hora dessas ? Sua mãe morreu, lembra ?

– Pai, como eu esqueceria, se o senhor carrega o corpo dela o tempo todo consigo ?

Não houve uma bofetada física. Somente uma leitura de pensamentos.

Jorge viu nos seus olhos que você queria muito lhe dar o tapa, até virou o rosto com o pretenso impacto. Você sentiu a mão pesando e ardendo, parece mesmo que a face do seu filho tinha a marca dos seus dedos. Ambos se calaram. Ambos se fecharam. Somente Mayara chorou ao meu lado. Ela não suportava assistir.

Quando Jorge apresentou os primeiros sintomas da doença, você ficou feliz: “Agora ele vai entender o que a mãe sofreu.

Um pensamento rápido, logo afastado com o preço da culpa e remorso. Imediatamente, você orou. Nós ouvimos. Não havia nada que pudesse ser feito. Não me julgue, você nunca entenderá. Eu não o julguei.

Jorge sofreu com a dignidade de alma ancestral. Infelizmente, não posso dizer o mesmo do seu comportamento: bebida, indolência, pena de si mesmo, não adianta negar.

Quando seu filho mais precisou de você, que um dia pensou em dar tudo na vida para vê-lo feliz, você o desamparou novamente,  duas vezes seguidas, mais uma e Pedro teria um forte concorrente. Não resolve dizer que testemunhou quase tudo, que acompanhou cada agulha do tratamento, isso é o que você diz, a verdade é outra.

Pare de se lamentar, Homem, não esqueça que posso ouvi-lo mesmo calado e preste atenção agora, isso que vou lhe mostrar aconteceu um dia antes de Jorge deixar essa vida. Seu irmão nunca lhe contou por motivos óbvios. Ele, o tio querido de Jorge, que o abraçava mais que o próprio pai,  estava lá, no hospital, mais uma vez, quando o rapaz disse, entre uma pontada e outra:

– Tio, como o papai está ?

– Ele está bem, Jorge. Não pense nisso. Sabe como ele é com esse negócio de doença. Mais tarde ele vem te ver.

– Ah, tio ! Como o senhor é bom. Eu me preocupo com ele, sei que ele me ama, mas também sei que não vou sair daqui pra ajudar meu pai a se reerguer. Tenho muito medo de que ele faça uma besteira grave quando eu não estiver aqui mais.

– Você não vai …

– Pára, tio. – Interrompeu o garoto. – Posso ser novo, mas eu sei, o senhor sabe, o médico sabe, papai sabe ! Só quero te pedir um favor.

– Pára você, não quero ouvir nada disso, eu não aguento.

– O senhor precisa. – Jorge fechou os olhos. Ambos estavam muito sérios.

Continuou Jorge para o irmão mais velho de seu pai:

– Tio, diga ao papai que eu nunca senti muito a morte da mamãe.

– Mas porque eu diria uma tolice dessas ? Você sofreu mais que todo mundo, eu vi, eu sei, quase briguei com seu pai por causa disso.

– Papai não sabe, ele sempre acreditou que eu não tivesse me importado, então só confirme isso pra ele. É possível que ele encontre um jeito de amortecer a dor pela minha ausência, pelo menos no início, que é o período mais duro.

Sentindo-se tocado por essa pureza, não restou escolha a não ser concordar, não sem antes perguntar numa linha de voz:

– Tem certeza ?

– Tenho, por favor, faça isso e não conte pra ninguém.

– Está bem, eu prometo. – E se abraçaram.

Com essa doce e piedosa mentira, seu filho com a ajuda do seu irmão, salvaram sua vida. No dia seguinte, Jorge me abraçou, eu abracei vocês dois e continuei do seu lado, te ouvindo, te fazendo dormir, querendo te bater às vezes, por ser tão tolo, mas no último instante, eu desistia da punição.

Você levou muitos anos para entender e aceitar, embora nunca mais tenha sido feliz, embora tenha transferido contra mim sua angústia, mas você superou em grande parte, começou a ajudar outras pessoas, abriu sua casa para muitos necessitados, visitou gente precisada nos hospitais, escreveu livros que mudaram muitas vidas. De uma maneira meio torta, querendo fugir ou desaparecer, você fez mais que muitos outros, menos desafortunados, jamais fizeram.

Por isso e outras coisinhas, não preciso que você acredite em mim, sua pergunta me é irrelevante, mas a resposta a muitas de suas dúvidas está aí na sua frente.

Vamos, Homem, olhe, tenha fé !

Sim, são eles. Corra, vá abraçá-los.  Você está livre, pode falar agora, se quiser.

– Jorgito amado,  Mayara, meu amor .

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36 comentários em “A Resposta (Sidney Muniz e Olisomar Pires)

  1. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Que coisa! Uma pegada espirita, uma voz marcante e uma condução muito boa.

    Olha o segundo autor segurou bem a peteca, não deixou o conto decrescer no sentido de perda de cerne e ainda deu ar especial a voz aí. Achei que o conto ganhou muito com essas explicações provindas de Deus e também me liguei no lance de nossas atitudes e ações, mesclada a, muitas vezes, nossa incapacidade de ver além, de só enxergar o que se quer ver. Se ausentar das pessoas que amamos também é uma forma de assassinato, porque matamos um pouco o amor, e muitas vezes os motivos são tão banais.
    Bem, divaguei, acho que fiquei meio tocada com o lance do garotinho que escapou do conflito na Síria e de um outro que disse algo assim>>> Quando eu morrer, vou contar tudo isso pra Deus. Ah! Pois bem, que mundo estamos criando?
    O conto é melhor na segunda parte que a primeira, a primeira foi muito dramática. O personagem se mantém e o universo criado permite a inserção de outro personagem.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 7,5

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Senti que Deus foi uma figura bastante presente neste desafio. Outra coisa bastante presente, e que até me cansou um pouco, foi o excesso de drama apresentado pela maioria dos autores. Parece que o pessoal ficou meio com receio de inovar neste desafio, e optou por manter-se numa zona de conforto.

    Enfim… a história não me empolgou muito. Achei meio desinteressante o personagem que perdeu a família e se lamenta para Deus. O segundo autor manteve o mesmo estilo que não estava me empolgando. Porém, algumas partes do segundo autor me deixaram um pouco confuso… não sei se era pelo meu cansaço da leitura, mas em certos momentos em não consegui diferenciar quando era o cara ou quando era Deus falando.

    Apesar do bom entrosamento dos autores, este conto não me agradou muito.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Estilo cheio de imagens e belas frases, bem escrito, mais um herdeiro de Clarice. Desta vez o enredo é o inverso do conto que ficou sem continuação, o pai é que fala do filho. O tom poético, melancólico e introspectivo, consegue transmitir sentimentos profundos. A continuação foi uma quebrada hiperbrusca, os diálogos as cenas e a linguagem são totalmente diferentes, pareceu um estalo. Não que tenha ficado ruim, apenas muito diferente. Uma metade privilegia a escrita, a literatura, e a outra é um estilo narrativo, que dá ênfase a casos, acontecimentos. De qualquer forma, parabéns e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Parabéns pelo trabalho conjunto de vocês. No geral eu gostei do conto, mas acho que algumas coisas atrapalharam um pouco. Achei que a primeira parte ficou muito descritiva/monologo interior. Praticamente não aconteceu “nada” na primeira parte. Foi mais uma descrição das emoções e pensamentos do personagem. Apesar de eu achar que não existe nada “errado” em literatura, essa opção acabou me cansando um pouco.
    Na segunda parte houve mais coisas acontecendo de fato, mas tive dificuldades com alguns pontos também. Achei por exemplo que a mudança na perspectiva de quem está falando (o velhinho para Deus) foi tão sutil que eu nem vi direito quando aconteceu, e daih eu fiquei completamente perdido sem saber quem estava falando com quem.
    Gostei muito de algumas frases. Essa daqui por exemplo: “ Que bobagem é essa, agora ? Não basta essa coisa toda e você ainda quer me derrubar mais ? – Você respondeu zangado, era o medo falando, um medo mais antigo que o mundo.” Acho que é uma frase muito verdadeira e cheia de significado. Parabéns.
    À medida que o conto foi se encaminhando para o final e o “sermão divino” foi dando mais significado à história e mostrando o que tinha acontecido achei que o conto foi ganhando em qualidade.
    No geral, como eu disse, foi um bom conto. Começou meio morno e depois foi esquentando e melhorando. Parabéns pelo trabalho.

  5. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: o texto começa reflexivo, com várias possibilidades de história, sem concretizar nenhuma, só sugerindo uma inversão de papeis. O segundo autor levou a história para um caminho reto, sem tantas curvas e digressões como na primeira parte.
    INTEGRAÇÃO: apesar de bastante diferentes, o segundo autor trouxe os elementos do primeiro para uma nova construção.
    CONCLUSÃO: a construção da história parece querer arrancar lágrimas do leitor, mas o efeito acaba suplantado na primeira parte pela verbosidade e na segunda pelo excesso de histórias de fundo e explicações.

  6. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    E a voz não saiu, mas sim o som inconveniente de um suspiro acovardado. – desculpem autores começar o comentário com uma citação do vosso texto, mas achei a parte inicial excelente, do melhor que já li por aqui. Acredito que era difícil conseguir manter o padrão inicial, no entanto, o “continuador” apesar de baixar ligeiramente a qualidade, conseguiu um bom nível e resultou um conjunto muito bom e só posso dar os parabéns para vocês. No final de ler a primeira parte fiquei conforme dei inicio a este comentário, sem voz. Este texto leva o leitor para a meditação, por isso, obrigado.

  7. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Que difícil essa leitura, muito densa. Todas as palavras praticamente refletem apenas uma coisa: O luto.

    É esse luto se arrasta por quase toda a extensão do conto, não permitido que o leitor relaxe um pouco de todas essas frases filosóficas e clima dramático. Realmente não foi uma leitura fácil.

    O segundo autor deve ter tido bastante dificuldade de entender, mas achou um bom caminho para o final, ele sacou as pontas soltas e seguiu a mesma complexidade dramática da escrita. Acho que o conto ficou bem “ emendando” e teve um alívio das divagações do personagem, para alguns diálogos e enfim explicações.

    As soluções foram consistentes, e o final trouxe o que o que conto inteiro tentou e não conseguiu: emoção, o diálogos entre Jorge e o tio me tocaram… e as voz de Deus (?) Acrescentou de forma positiva.

    No fim, o complemento veio pra somar. Parabéns aos autores, por terem concluído no desafio.

  8. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Intenso e reflexivo, o final me fez chorar, e olha que não sou de chorar assim…
    Bom, muito bom conto.
    Nota 9,0

  9. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Não sei bem o que pensar desse conto. Fiquei dividido. Vamos começar pelo começo:
    Gostei da transição entre os autores, achei que foi bem suave, e que os dois se completaram bem.
    O primeiro autor abordou com profundidade a questão da perda, até fiquei me perguntando se ele próprio já passou por isso.
    Já o segundo, conseguiu dar um sentido e deixou o texto mais fluído.
    Por outro lado, no geral, achei em alguns momentos o texto maçante e/ou confuso.
    A escrita também tá muito boa ortográfica e gramaticalmente.
    Enfim, acho que o balanço final é positivo.

  10. Bia Machado
    18 de agosto de 2016

    Minha leitura desse conto foi muito instável, em alguns momentos cansa muito… Tive que parar de ler, voltar depois, mas a missão estava difícil, uma lamúria nada empolgante… São importantes as reflexões, longe de mim dizer que não, mas talvez tenha pecado pelo excesso… Os diálogos, muito importantes para a criação da empatia com as personagens, ficaram muito forçados, não consegui sentir como algo natural, em grande parte. Com relação à dupla, acho que houve, sim, grande afinidade, ficou interessante a continuação. E o final foi bem emotivo. No geral, gostei, e sinto por não ter aproveitado mais as reflexões, devido à leitura corrida.

  11. Pedro Luna
    18 de agosto de 2016

    Esse conto alterna entre bons e chatíssimos momentos. No início, aborda o sofrimento do homem, mas assim como outro conto do desafio, foca demais em uma lamentação e devaneios que simplesmente cansa e empaca a leitura. Depois, achei interessante que ele começa a abordar relações, como o fato do pai ter remorso da criança, enquanto a mãe morre. A partir daí fica mais interessante. Agora, não gostei dos diálogos. Me soaram artificiais e um pouco forçados. Como:
    “Pai, como eu esqueceria, se o senhor carrega o corpo dela o tempo todo consigo ?” Forte, mas ficou muito a cara de texto escrito, e não falado.

  12. Andreza Araujo
    18 de agosto de 2016

    Gostei da ideia do conto, e também da mensagem que ele traz. Mas achei o início muito repetitivo, a história não estava sendo narrada, apenas refletida nos temores do personagem à beira da morte. Os trechos são bonitos, mas eu fiquei com um pouco de tédio porque a história não andava. E o excesso de perguntas, embora condizente, também me fez torcer o nariz.

    Essas questões melhoraram consideravelmente na segunda parte, pois quando o protagonista conversa com Deus, este lhe relembra várias passagens de sua vida, mas sem perder a parte da reflexão pessoal . Por outro lado, a estética do texto foi prejudicada, porque há troca de narrador (ou de falas dos personagens) sem que haja uma identificação, através de aspas ou travessões. Ou seja, mudava a pessoa falando e eu não sabia que tinha mudado! Ficou muito confuso no início, depois acho que consegui entrar no clima.

    É um texto muito bonito e com grande potencial, mas que em sua totalidade não me emocionou.

  13. Simoni Dário
    17 de agosto de 2016

    Olá
    Com todo o respeito aos dois autores, mas me fazer chorar a essa hora da manhã…não se faz isso. Nossa, que conto! Foi me arrebatando, o tom melancólico foi despertando minha curiosidade, a agonia e o sofrimento do pai narrados com maestria já foram me seduzindo para um desfecho sem igual. Como dizem os Portugueses, muitos parabéns aos competentes escritores, principalmente ao autor complementar que deu um final emocionante ao texto, fazendo jus à excelente narrativa da parte inicial.
    Abraços

  14. Gustavo Castro Araujo
    17 de agosto de 2016

    Muito bom o conto. O início tem uma pegada inimista, um monólogo que traz o inconformismo de um homem com relação à morte da esposa e do filho. Profundo, doloroso e verdadeiro. Belas construções, belos questionamentos. Imagino que deve ter sido difícil para o segundo autor prosseguir nessa linha sem parecer repetitivo, mas acho que teve sucesso na empreitada. Ao dar voz a Deus ou a uma consciência superior, pôde estabelecer o contraponto à indignação do protagonista, questionando-o sem parecer autoritário ou didático demais. Ficou muito bom mesmo. A dupla aqui funcionou bem demais. Mesmos estilos, mesmas ideias, mesmo capricho. Enfim, um conto de destaque. Parabéns.

  15. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): Achei o início muito arrastado e fiquei bastante incomodado com as idas e voltas que a trama dava. O drama do homem pela perda da família não estava me convencendo muito, estava faltando eu sentir mais a emoção dele. Eu também não estava entendendo bem com quem ele estava conversando e isso me incomodava. Mas então Deus assume a narração e tudo o que não funcionou passou a funcionar: os defeitos e dores do protagonista ganharam cores e formas. O filho falecido brilhou e o texto se encerrou muito bem com bastante emoção.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): boa, sem grandes problemas, exceto pela atualização da nova ortografia.

    ▪ agüentam (aguentam)
    ▪ Pára (Para)

    💡 Criatividade (⭐▫▫): crises existenciais, doenças, conversas com Deus, enfim, embora muito bem conduzido são motes comuns.

    👥 Dupla (⭐⭐): aqui está mais um caso de um autor que pegou um texto bom, mas muito complicado e finalizou com muita classe. Soube aproveitar todas as pontas deixadas pelo primeiro e não desrespeitou a obra inicial não deixando parecer que eram dois textos.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐⭐): um cisco entrou nos meus olhos e alguma corrente fria resolveu passar por aqui nas últimas linhas do texto e arrepiaram meus pelos. Enfim, o conto é muito emocionante, principalmente no fim quando o Criador assume a narração. Mas, analisando bem agora, a parte inicial que me deixou um pouco entediado foi importante para que esse final funcionasse. Parabéns aos dois. Não sou incessível, mas não sou tão fácil de emocionar.

  16. angst447
    16 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)

    T – Título simples, mas que já induziu o segundo autor a chegar a uma conclusão.
    R – Não encontrei lapsos de revisão que merecessem ressalva. Só alguns detalhes e emprego questionável de vírgulas.
    quinta feira > quinta-feira
    jorgito > Jorgito
    Jorginho ou Jorgito?
    E – Os dois autores parecem ter mesmo funcionado como uma dupla – pergunta e resposta. Não houve conflito de ideias ou de estilos, embora a primeira parte seja mais poética e tenha carregado nas belas imagens. A continuação ou resposta veio com um tom um tantinho piegas, mas funcionou. Considero que o objetivo do certame foi atingido.
    T – A trama revela a angústia de um homem atormentado pela perda da mulher e do filho. Em um momento difícil, sozinho, lida com os seus conflitos, lembranças e dúvidas. Na segunda parte, Deus aparece respondendo e mostrando o que ele desconhecia. Final piegas, de novelinha das seis, mas eu gostei.
    A – A leitura fluiu bem , sem atropelos ou acidentes. Não me cansei, o que já é um ótimo sinal. Apesar do começo ser bastante melancólico, reflexivo e o final carregado de significado religioso, o ritmo funcionou sem falhas de compasso. A curiosidade em relação à resposta manteve meu interesse até o fim.

    🙂

  17. Jowilton Amaral da Costa
    16 de agosto de 2016

    Bom conto! As duas partes muito bem escritas, combinando muito bem. pro meu gosto pessoal a primeira parte foi mais interessante. Se o conto fosse mais curto eu teria gostado mais. Contos deste tipo acabam fazendo o leitor, no caso eu, se dispersar e perder o fio da meada, tendo que voltar algumas vezes para se orientar. Demorei um pouquinho para terminar a leitura. Vou destacar aqui um trecho onde se pode observar toda a ironia, soberba e crueldade divina que eu gostei bastante: “No dia seguinte, Jorge me abraçou, eu abracei vocês dois e continuei do seu lado, te ouvindo, te fazendo dormir, querendo te bater às vezes, por ser tão tolo, mas no último instante, eu desistia da punição.”. hahaha, o cara perde a mulher e o filho, e “Deus” não gosta que o cara ache ruim, e ainda pensa em puni-lo ainda mais, contudo, misericordiosamente desiste. kkkkkk, Nunca entenderei este Deus. Boa sorte.

  18. Danilo
    16 de agosto de 2016

    O conto segue a linha do drama familiar. No início parece mais um desabafo, uma oração. O eu lirico sofre por perdas precoces em sua vida. A continuação, o autor colocou mais vozes e ações no conto, entretanto não fugiu do drama. Achei a descrição boa dos sentimentos, todavia esperava uma conclusão mas significativa. NOTA:7

  19. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá como vão? Vamos ao conto! Não tenho muito o que comentar desta vez. Fusão completa, sem emendas. O conto é um longo e cansativo monólogo de um pai que perdeu a mulher e o filho e tem imensa piedade de si mesmo. É muita culpa, remorso e lamentação, achei cansativo e chato, não comovente. A (pouca) história tenta ser realista e humana, mas nem por isso deixa de cair em absurdos. “– Pai, se algum dia eu ficar assim, doente desse jeito, igual a mamãe, por favor, não me deixe sofrer tanto. – Jorginho falou num repente…”. Jorginho é uma criança pelo que eu entendi. Nunca vi criança dizendo coisas do tipo: “se eu ficar doente, me mate, que eu prefiro,” não existe criança capaz de ter uma atitude dessas, e se existir é raríssimo, coisa que aparece só em circunstâncias raras de vida , parece muito improvável que uma cabeça de criança funcione desse jeito, até na ficção isso soa falso demais para ser aceitável. Uma história que poderia ter sido muito melhor, mas não conseguiu chegar até onde prometia. Desejo para vocês Boa Sorte.

  20. apolorockstar
    15 de agosto de 2016

    o conto tem uma linguagem muito interessante, que os dois autores conseguiram acompanhar,embora o primeiro autor tenha arrastado mais o texto, com a falta de diálogos e ações,isso foi um pouco prejudicial, pois senti que o conto demorou um pouco para acontecer, o final foi emocionante ,muito bonito mesmo, embora ainda tenha algumas coisas nubladas pelo fluxo de consciência

  21. catarinacunha2015
    15 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: As ruminações existenciais nos três primeiros parágrafos ficaram entediantes. Não consegui sentir emoção alguma com o relato. Cheio de expressões de efeito, mas sem técnica apurada.

    PIOR MOMENTO: “Desejava ter o medo da solidão amenizado no antro do meu sentir, ou ser dono de maturidade tamanha para permiti-lo partir libertando-o das algemas do meu coração.” – Isso ficou muito piegas, quase um dramalhão mexicano.

    MELHOR MOMENTO: “me sinto mal ao ver as pessoas lendo, ou melhor; soletrando minhas rugas como se estas estivessem gravadas em braile sobre minha pele, decodificando assim os meus segredos.” – Esta imagem foi muito bem construída.

    PASSAGEM DO BASTÃO: A última frase deu o único motivo para continuar: o direito de resposta. Bastão passado às pressas, mas eficiente.

    2ªPARTE: Mais uma vez um coautor faz uso da voz do Criador para salvar a trama. Aqui se mostra um Deus conservador e chato, mas a narrativa melhorou muito.

    PIOR MOMENTO: “– Jorgito amado, Mayara, meu amor .” – Este fim ficou muito piegas mesmo. Só pode ter sido de propósito para honrar a parceria.

    MELHOR MOMENTO: “– Você respondeu zangado, era o medo falando, um medo mais antigo que o mundo.” – Lindo um medo assim descrito.

    EFEITO DA DUPLA: Quase uma dupla sertaneja mexicana.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    14 de agosto de 2016

    Êta desafio deprê. A galera está sofrendo ein!

    O primeiro escritor me pareceu mais sólido que o segundo. Mais firme com as palavras e mais sentimental, demonstrando seus sentimentos com poesia. O segundo escritor é mais direto, seco e descritivo. O choque acabou trazendo um tom negativo à segunda parte.

    A primeira parte do conto também pintou a imagem de um Jorgito bem pequeno, com pouquíssima idade. O segundo autor trouxe mais idade para o garoto, a fim dele responder questionamentos sérios sobre a vida de forma até mais madura do que muitos adultos. Gostei e não gostei da mudança: o conto acabou perdendo um pouco na continuidade. Outro ponto que me decepcionou um pouco foi o fato de o personagem principal realmente demonstrar amor e dedicação pelo filho perdido na primeira parte; uma angústia real e onipresente. Então, na segunda parte, ser pintado como irresponsável e até, de certa forma, “infantil” por não saber lidar com a dor e os problemas da vida.

    O resultado final foi um conto de tom pesado e mediano. A fala de deus me deu mais raiva dele do que o autor deve ter julgado que daria, mas é comum eu ter raiva dos deuses criados por muitos. Nada diferente aqui.

    Ainda assim, o primeiro autor é muito bom e passou com naturalidade o sentimento de perda do personagem. Cheguei a ficar depressivo aqui, rs. O segundo autor também é bom, mas gostaria de ver mais construções elaboradas e menos diretas, não ao extremo a ponto de não se fazer entender, mas ao menos também não tão lineares a ponto de não estimular o cérebro do leitor a funcionar um pouco.

  23. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: os autores demostraram bom domínio da escrita, empregado na tentativa de emocionar o leitor com a melancolia da situação. A narrativa em primeira pessoa ajuda na identificação, mas foi uma boa opção do continuador mudar um pouco o estilo, pois ficaria muito maçante.
    Criatividade: não vejo este conto como um ápice de criatividade. É uma boa narrativa, emociona até certo ponto, mas não traz novos elementos nem uma estética inovadora, por exemplo.
    Unidade: como disse, nota-se a sucinta mudança de estilo do começo para o final, inclusive na troca do monólogo pelos diálogos. Esta mudança foi bem-vinda, pois não demoveu a essência da parte inicial e ainda suavizou a tensão puramente descritiva que tornaria o conto tedioso.
    Parabéns e boa sorte.

  24. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    A transição da pergunta para a resposta não ficou clara pra mim! Do nada percebi que era outro ser a estar falando, isso ficou um tanto confuso e deveria ser trabalhado melhor.

    A resposta de deus, apontando os erros do homem, era uma possibilidade para a história e, como foi feita, funcionou muito bem. A frase final fechou o conto fortemente.

    Mesmo assim, fiquei me perguntando como seria a resposta para um homem que estivesse sofrendo e não houvesse descarregado sua angústia no filho, daquele jeito… Acho que também daria uma boa resposta, hmm? Apenas não tão fácil quanto a que foi dada.

    De qualquer forma, bom texto.

  25. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    Olá; Bem, o início do texto, não me convenceu. Achei um tanto quanto parado, entendo que seja a forma escolhida de narrar, filosofando, mas não ficou realista o relato. (não parece que o personagem está mesmo vivendo aquilo..) Achei a história ganhou um ritmo e ficou mais interessante quando o narrador muda e passa a ser “Deus”. Com essa mudança, o final chegou emocionante. Acho que poderia cortar bastante coisas e talvez modificar diversas sentenças iniciais, que dão a impressão de enrolarem, muito escrito e pouco dito. Criar frases mais incisivas, menos “perdidas” . É minha opinião quanto ao texto. Parabens

  26. O tema da primeira parte do conto é muito doído. Um pai que perde seu filho e para piorar, a mulher de sua vida… A resposta filosófica que o personagem procura, a meu ver, é mais do que “Deus existe? Ou “O céu existe?” Acho que é, na verdade, uma busca para a cura da culpa da dor do amor. Quando amamos, nos sentimos culpados pela dor do outro.

    A segunda parte já envereda por caminhos mais ligados à religião, mas não deixa de trabalhar a culpa em todos nós. Mostrando um outro ponto de vista sobre a questão.

    O resultado é bonito.

    Parabéns para os dois autores.

  27. Evandro Furtado
    10 de agosto de 2016

    Complemento: upgrade

    Conto curioso. Já no primeiro autor, me pareceu haver uma divisão de textos. Achei que era já o início da segunda parte, depois mudei de opinião. Fascinante a maneira como o segundo autor conseguiu não só pegar o estilo inicial como criar uma trama ainda melhor. Realmente fantástico.

  28. Anorkinda Neide
    8 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    Um monólogo ateu. Não me conectou totalmente, mas pude ver o cenario, o drama, as mortes e a desesperança do protagonista. O texto é eficiente, no final deu algumas deslizadas na gramática.
    .
    Comentario segunda fase:
    Olha… neste texto acho que quebrou o ritmo. Tá, que deu uma lição, digamos assim no chororô do pai/protagonista, mas acho que não de liga a relação do pai com o filho pós morte da mãe, ficou artificial e muito rápido tb. Deus falar com ele tb não conseguiu me agradar, infelizmente. Embora tenham frases memoraveis nessa conversa.
    .
    União dos textos:
    Acho que não seguiu num todo harmonioso, não. Este enredo cabe num conto curto, acredito.. os dois autores precisaram rechear a historia, tornando-a repetitiva e chata até. Outra saída seria, colocar alguma ação, com cenas da família ao invés do relato e poucos diálogos artificiais.
    Boa sorte aos autores. Abraços

  29. Gilson Raimundo
    7 de agosto de 2016

    Um drama familiar envolvendo a morte da mãe, do filho e posteriormente do pai, entendo bem a angustia do filho que sofre com a culpa e rejeição injusta e mesmo assim se sacrifica pedindo ao tio que o pinte como vilão para seu pai não ter remorso… Entendi o texto desta maneira, mas não tive empatia pelo conto, à forma como foi colocado se arrastou muitas vezes perdendo emoção, me desanimei… O segundo autor deu uma dinâmica ao conto, mesmo assim não despertou em mim as emoções que devia, a demora em se ter um clímax foi o ponto chave para meu desanimo….

  30. Thomás Bertozzi
    7 de agosto de 2016

    Que diálogo! Leve para ler, pesado para sentir.

    O texto consegue jogar as emoções para cima e atingir em cheio o leitor.
    É impossível ficar indiferente ao final, mesmo que seja apenas para refletir, pois na trama há “medos mais antigos que o mundo”

    Parabéns aos autores!

  31. Gilson Raimundo
    6 de agosto de 2016

    Um drama familiar envolvendo a morte da mãe, do filho e posteriormente do pai, entendo bem a angustia do filho que sofre com a culpa e rejeição e injusta e mesmo assim se sacrifica pedindo ao tio que o pinte como vilão para seu pai não ter remorso… entendi o texto desta maneira, mas não tive empatia pelo conto, a forma como foi colocado se arrastou muitas vezes perdendo emoção, me desanimei… o segundo autor deu uma dinâmica ao conto, mesmo assim não despertou em mim as emoções que devia, a demora em se ter um clímax foi o ponto chave para meu desanimo….

  32. Matheus Pacheco
    6 de agosto de 2016

    Então amigos, eu já falei isso em outros contos e nesse eu vou ter de voltar a falar, atenção essa é uma critica minha (uma chatice pra ser exato) mas é em relação aos parágrafos que são um pouco grandes e na segunda parte alguns diálogos um pouco mal colocados.
    Abração amigos

  33. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: A Resposta

    TÉCNICA: * * * *

    A técnica, sobretudo na primeira parte, é muito boa, mas também muito densa. Não que densidade seja defeito, mas exige uma atenção redobrada na leitura. É o tipo de escrita que, na minha opinião, combina mais com romance do que com conto.

    A segunda parte conseguiu capturar bem o clima de reflexões, mas, junto com o sotaque lusitano, perdeu também as belas construções da primeira etapa.

    – Anos mais e cada vez mais anos menos
    – Queria ter acreditado no impossível quando o possível era uma questão de fé e não de resposta
    >>> ótimo!

    – eu não o respondi
    >>> não respondi a ele

    ATENÇÃO: * * *
    Confesso que o clima de muitas reflexões e pouca trama acabou me dispersando por algumas vezes.

    TRAMA: * *
    Notei em outros dois textos do desafio essa questão de mostrar um “outro lado” do personagem na segunda etapa. É um recurso interessante.
    Aqui, porém, se alongou demais, Deus se perdeu em muitos devaneios em sua narração.

    O final é bonito.

    UNIDADE: * * * *
    Apesar de notar a troca de autores, também fica visível o esforço para manter o ritmo e a pegada da primeira parte.

    NOTA FINAL: 6,5

  34. Brian Oliveira Lancaster
    5 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – A Resposta (Valdo Barbosa)
    CA: Texto melancólico e bem reflexivo, quase no limiar de crenças pessoais. Mas o autor, sabiamente, preferiu trilhar o caminho mais poético. – 9,0
    MAR: Escrita bem treinada, diria até calejada, pois é complicado escrever assim por tanto tempo – no sentido de manter as frases e parágrafos bem conectados através de eufemismos e metáforas. – 9,0
    GO: Gosto de textos assim, apesar de ser um desafio imenso para quem for continuar. As sutilezas caíram bem, mas quase entrou num âmbito mais religioso, que estragaria um pouco a imparcialidade. Mesmo assim, admiro a escrita em geral. – 8,5
    [8,8]

    JUN: A continuação mantém o tom, mas acho que deveria ter sido utilizado algum recurso estilístico para demonstrar que a fala “vinha de cima”, pois a troca de pontos de vista não é suave. – 8,0
    I: Um enredo que nas entrelinhas fala sobre fé, o que deu um ar bem diferenciado ao contexto. Algumas coisinhas escaparam à revisão, mas não chegam a atrapalhar. – 8,0
    OR: É um texto de lamento e melancolia, sem muitas novidades. Mas achei a primeira parte mais firme e coerente do que o restante. Apesar de ter um final satisfatório, poderia ter sido resolvido sem a interferência divina, com o protagonista entendendo que, por exemplo, toda a natureza e criação ao redor já traziam a resposta. – 7,0
    [7,6]

    Final: 8,2

  35. Davenir Viganon
    3 de agosto de 2016

    Olá. Um homem velho e amargurado pela perda da esposa e filho e confronta Deus para saber o porque sua vida foi uma merda. Depois veio uma resposta que do altíssimo que se manifesta pra esfregar na cara do velho que a vida dele foi uma merda porque ele foi um merdão com o filho e para mostrar não gostou de ser questionado também. Alias, achei o todo poderoso meio alterado emocionalmente, acho que estava irritado… enfim eu não consegui entrar no clima triste da estória. A leitura foi arrastada. Fiz um esforço, como bom leitor que tento ser, para gostar do conto mas não rolou.

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Publicado às 8 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .