EntreContos

Literatura que desafia.

Amor de Cobra Lambida (Catarina Cunha e Renata Rothstein)

Cobra lambida

Nasceu no fim daquela madrugada sob a maresia fria de Copacabana. Jaqueline trabalhou nas ruas a noite toda. Durante a gravidez conseguia muito mais clientes. Homem tem cada tara, pensou com as mãos nas cadeiras. Tinha que aproveitar ao máximo, sabia que logo depois do parto murcharia igual maracujá de gaveta. Teria que baixar muito o preço. Arrastou as pernas inchadas até o Beco da Fome. Dona Lindaura tinha acabado de servir a sopa de entulho. Jaqueline sentou com dificuldade no estreito banquinho. Com os braços apoiados no balcão do boteco, sorveu a sopa quente com os olhos fechados, deu um gemido longo e a bolsa estourou. Micaiu Gladistone dos Santos veio ao mundo cuspido pelo largo canal, ali mesmo, no chão, onde as putas, os pinguços, os boêmios, músicos e artistas da noite se recuperavam das pancadas da vida. Com 2 Kg, 55 cm, pai a escolher, enrugado e trocando a pele, era quase uma cobra lambida. Zé das Medalhas, que pilotava o balcão de uma farmácia na Prado Júnior, fez as honras de cortar o cordão umbilical e apelidar o menino de “Bequinho”.

Cresceu na Vila Mimosa como um rei. O baixo meretrício não o intimidava. Conhecia a profissão da mãe e de suas inúmeras tias. De beleza suspeita, mas segurança e simpatia imbatíveis, soube aproveitar cada sopro de conhecimento na pocilga da imbecilidade.

Bequinho teve, ainda menino, a consciência de ser mais um merdinha da sarjeta, o que foi fundamental para desenvolver sua criatividade. Dependendo do interlocutor e da necessidade, suas origens variavam de família de professores a fazendeiros ricos. Simulava crises de choro sentido para conseguir uns trocados e dores de surras homéricas sem jamais ter levado um puxão de orelha. Não que não merecesse. Quando a mãe conseguia alcançá-lo era coberta de beijos e a coragem para aplicar o castigo derretia instantaneamente.  Foi menino de recados e fez da informação o seu bem mais precioso.

Na adolescência conheceu todos os clientes dos puteiros, fornecedores e usuários de drogas, comerciantes do bairro e contrabandistas e apontadores do Bicho. Bequinho contrariou as estatísticas, quebrou a bola de cristal e rasgou o baralho da cartomante. Tornou-se um estudante exemplar, o primeiro da classe. Ganhou bolsa de estudos, se formou e conheceu políticos e grandes empresários. Deslizava com desenvoltura entre o poder e a miséria sem que lhe respingasse lodo. Não demorou a abandonar Vila Mimosa sem olhar para trás.

Agora seu nome era Mic Glad do Leblon. Exercia o ofício de lobista como quem bebe água mineral com gás na beira do abismo: se arrotar perdeu. Coisas do negócio. Não se apaixonara por ninguém. As putas, por profissão ou talento, iam e vinham. Melhor pagar do que ouvir “Diz que me ama!”. Não aguentava cobrança. Orgulhava-se de nunca ter tomado café-da-manhã com mulher alguma. Era gozar e correr para o chuveiro, deixar o dinheiro ao lado da cama e sumir. Até o dia em que conheceu Sônia.

Parou o carro no sinal fechado. Mic não soube precisar o tempo  decorrido. Pousou os olhos nos pés de Sônia, deitados em havaianas amarelas indecentes, e alçou voo pelas longas pernas cruzadas sob o vestido amarrotado de chita florida. O laço do biquíni no pescoço pedia para ser puxado com os dentes, enquanto cruéis óculos, escuros gigantes, escondiam o significado do meio sorriso nos lábios. Ela enfiou os dedos entre os cachos fazendo um coque preso à caneta. Mic enlouqueceu, desceu do carro no meio da Av. Atlântica.

Sônia se assustou com aquele engravatado convidando para tomar sorvete Itália.

— Nem te conheço. Acha mesmo que vou entrar no teu carro com vidros escuros? Chapou.

— Eu sou o Mic, agora você me conhece e se não ouvir seu nome nos próximos cinco minutos tenho certeza que me arrependerei pelo resto de minha vida.

— Nossa… Prazer, Sônia. Vamos começar com um picolé da carrocinha aqui no calçadão mesmo?

— Perfeito.

Mic suava seu desconforto enquanto a sílfide passeava a língua pelo gelo como água quente no freezer. Sônia só tinha olhos para o picolé. Ele não conseguia pensar em argumentos decentes para substituir o corpo daquele inocente sorvete pelo dele.

— Você é linda.

— Você é direto.

— Sou justo.

— Você só tem isso para dizer?

— Me dá seu telefone.

— Não.

— Por que não?

— Por que eu não quero.

— Não gostou de mim?

Ela sorriu para o poste ao lado e se levantou. Sequer tirou os óculos escuros. Diante dos poucos avanços ele apelou para o marketing agressivo. Anotou seu nome e telefone numa nota de cem dólares e introduziu delicadamente no decote de Sônia. Ela olhou a nota displicentemente e gargalhou jogando a cabeça para traz feito gaivota engolindo peixe. Baixou os óculos e seu olhar escrevia em maiúsculas e negrito: BABACA. Esfregou o resto do picolé na camisa dele, pegou a nota com as unhas em pinça rasgando-a para o vento comprar um lanche.  Caminhou em direção à praia. Mic pensou rápido, correu junto, tirou todo o dinheiro da carteira, rasgou e jogou para o alto junto com o relógio e a chave do carro. Ela sorriu. Ele avançou.

— Às vezes fico inseguro diante de mulheres fortes calçando chinelos amarelos.

— Percebe-se – tirando os chinelos e sentando na areia de frente para o mar. Mic sentou ao lado, um pouco afastado.

— Errei. Peço uma chance de provar que não sou aquela nota de cem dólares.

— Eram cem dólares?

— Sim. Mais uns quinhentos que rasguei.

— Bem feito.

— Mereci.

— Mereceu.

Mic retirou delicadamente a caneta soltando os cabelos de Sônia, escreveu nome e telefone em sua gravata, prendendo os cabelos dela com um laço.

— Ficou mais maravilhosa ainda.

Ela manteve o penteado, levantou-se e seguiu para o calçadão sem se virar. Caso fizesse encontraria um homem derretido na areia.

Sônia passou o dia pensando naquele homem extravagante: Desgraçado, machista, acha que todo mundo pode ser comprado. Embora seu arrependimento parecesse sincero. Pode ser criação, essa gente muito rica é estragada de berço. Se tivesse vindo de baixo, estudado em escola pública e trabalhado desde cedo, teria mais respeito pelos outros. Nunca deve ter ouvido um não. Coitado, ficou passado com o meu chute. Mas talvez não seja um cara ruim e até que tem o seu charme. Gosto de homens honestos, ousados, que falam o que pensam. Vou ligar só para devolver a gravata.

Mic levou Sônia para jantar num charmoso restaurante de Ipanema. Entre um espumante e outro conversaram sobre tudo o que ela mais amava. Cinema de Wood Allen e Almodóvar, o cultivo das orquídeas na varanda do apartamento, seu gato ranzinza chamado Bukowski, o sonho de ter um Pollock na parede de sua sala e os planos de fazer mestrado na França. Mic nunca vira uma mulher tão complexa e seus olhos nem piscavam. Sônia conhecia aquele tipo de colecionador de conquistas. Ela seria apenas um quebra-cabeça mais difícil, depois apenas um troféu para a estante. Mas algo a impedia de sair correndo dali. Sônia estava visivelmente encantada com aquele homem que entendia de tudo um pouco e parecia ler sua mente. Resolveu sondar o terreno:

— Você deve ter muitas namoradas ou ser casado.

— Tive algumas. Jamais casei porque esperava por você. Sou um solitário e procuro a futura mulher dos meus filhos.

— Já eu sou como o João de Barro, demora a escolher a companheira e, quando encontra, dedica o resto de sua vida à família. Mas não suporta traição, o que  pode transformar sua vida em um único objetivo: vingança.

— Adoro mulher ciumenta.

— Odeio homem galinha.

— Eu viveria no nosso ninho pela eternidade.

— Bobo.

— Deusa.

As horas se debruçaram para o carro e passearam pela orla os dois cantando Imagine para a lua cheia. Pararam na praia da Reserva e nada havia mais a se falar. A entrega começou com a gravata, até que não houvesse mais peça alguma a esconder e se amaram à exaustão.

A lua já deitava sobre as montanhas.  Mic acordou com Sônia dormindo encolhida na areia. Ajeitou-lhe o cabelo embaraçado no rosto e, com o paletó, cobriu o delicado diamante. Deu-se ao direito a um minuto de contemplação e um beijo silencioso. Vestiu-se apressado e partiu.

Sônia despertou com as primeiras cutucadas do sol. Apenas com um paletó de linho com um maço de notas dentro.

Olhou em volta um pouco confusa, sem saber onde estava, a cabeça latejando e o corpo inteiro com as marcas de quem fez a festa dos borrachudos a noite inteira. Tentou se localizar, lembrar daquela noite,  saber como fora parar ali, com quem, e por quê.

Sentou na areia, olhou o paletó e o dinheiro, lembrou da noite anterior, do homem misterioso e louco que a seduzira e enlouquecera, sentiu-se um tanto quanto envergonhada… Não! – nauseada, talvez, fosse a palavra certa.

Estava na estrada já há algum tempo e até então homem algum a tinha feito de idiota, e disso ela se orgulhava, até a maldita noite em que cedera aos encantos fáceis de um talzinho que se apresentara como Mic. Mic – desde quando isso era nome de gente?

Coçou as pernas, detonadas pelos mosquitos, lembrou de ter tomado dois martinis no restaurante chique em Ipanema, comido alguma coisa, mas como teria apagado daquele jeito?

Ela, Sônia Tavares, estudante de Arquitetura, culta, bem relacionada, e – sim – profissional do sexo, uma forma de ganha pão que encontrara ainda adolescente, recém chegada do interior de Minas, quando viera para o Rio de Janeiro a fim de ajudar uma tia, que por pura “bondade” oferecera estadia em sua casa, dizendo que enquanto ela arrumava colocação e dava prosseguimento aos estudos, ia dando uma mãozinha para a tia, que já estava então bastante doente, com um pé na cova, mesmo.

Soninha aceitara, contente, a oferta generosa da tia, que não tivera filhos, e vivia com o marido, numa casa no subúrbio do Rio.

“Vou para o Rio!” – decidiu, na época. “Além do mais, devemos fazer o bem, sem olhar a quem”, tentava arrumar justificativa para si mesma.

Seguiu.

Sônia arrumou a mala, foi à paróquia de sua pequena cidade, rezou. Pediu a Deus que guiasse seus passos, despediu-se dos pais, ouviu as recomendações de praxe, pediu a bênção e quase feliz, entrou no ônibus e veio para o Rio de Janeiro.

Dormiu durante a viagem, sonhou. Estudava, trabalhava, conquistava independência, voltava para sua terra. Sonhou e chegou na Rodoviária Novo Rio.

Ela ainda não sabia, mas o sonho de arrumar emprego, estudar e se tornar alguém começava a mostrar a verdadeira face.

Primeiro, verificou que a tia Madalena, muito doente, de mulher frágil passou rápido a totalmente acamada, o que transformou Soninha em enfermeira tempo integral, sempre a postos para quando a tia gritasse seu nome, necessitando de limpeza, remédio, socorro. Ou mesmo para dar somente um esporro qualquer, afinal a tia andava doente e nervosa e achava que tinha direito de ofender e humilhar a jovem protegida.  Sonia aturava, estava ali, na Cidade Maravilhosa, e isso tudo graças ao “coração de ouro”, de tia Madalena.

Depois, na lista do bem-vinda à vida (de cão), vinha o tio Augusto – o miserável do marido da tia, um velho major reformado, que não cessava de andar atrás da garota, oferecendo mundos e fundos e mundos e promessas que – hoje ela sabia – não passaram de palavrinhas enganadoras com o único objetivo de aproveitar um pouco da carne nova de Soninha.

Em meio àquele dia a dia sofrido, os sonhos de garota ingênua ameaçavam naufragar, na alma que – ela percebia – ia morrendo, fenecendo em mágoa, um contraste gritante com o corpo cada vez mais exuberante,  e para encurtar a história de Sonia, havia se transformado em passaporte para uma vida mais digna, ou com mais dinheiro, após a morte de tia Madalena, seguida de muito perto pela morte de tio Augusto, encontrado morto em sua cama.

“Morreu dormindo, coitado”, foi o que disseram.

Sonia conhecia verdade. Não foi nada difícil numa daquelas noites, depois que o velho capotara ao seu lado, empurrar o travesseiro naquela cara velha e bolorenta, até que ele parasse de respirar.

Sônia – agora assassina – até chorou no enterro, louca de vontade de rir. Estava, enfim, livre daquele nojento.

Prostituiu-se. Primeiro nas avenidas suburbanas, a preços convidativos ao público da região. Juntou grana, foi para a Zona Sul, entrou numa faculdade particular, começou a cursar Arquitetura, seu grande sonho.

Nas horas vagas, exercia a profissão mais antiga do mundo, agora fazendo valer: só andava com a elite carioca, estudava, conseguiu juntar um bom dinheiro, comprar um apartamento.

Um belo dia lembrou da vida no interior, concluiu que já podia se manter “honestamente”, decidiu estudar, havia conseguido um estágio numa boa empresa, enfim, era hora de dar adeus  à vida que, de fato, jamais a agradara.

Alegre, colocou o biquíni, por cima um vestido de chita florida, calçou suas havaianas amarelas e não esqueceu dos grandes óculos escuros, que aliás, adorava.

Foi à praia, numa comemoração solitária da vida nova que iniciaria. Sentou-se num banco no calçadão de Copacabana, planejando seus novos passos, até ser interrompida por aquele homem de paletó que havia parado bruscamente o carro, para convidá-la a tomar sorvete.

Sônia olhou para ele. “Não é cliente”, pensou aliviada. Estava decidida a tomar jeito, ser “moça direita”, o que, na verdade, sempre  foi.

Achou o cara meio louco, mas alguma coisa nele atraía, despertava uma curiosidade que Sônia não estava acostumada a sentir.

Dali ao momento em que acordou na praia da Reserva haviam restado somente os flashes de sonhos em que ela encontrava, como quem não quer nada, o verdadeiro amor, na pessoa daquele estranho com quem tivera uma noite de amor e loucura, e que tornava-se o pai de seus três filhos –  ela: esposa daquele homem  com quem havia cantado  Imagine, sob a lua cheia.

Voltou a si. Ao lado o paletó de linho, maços de nota de dinheiro dentro. De novo, tratada como prostituta.

Olhou em volta, desnorteada, lembrou da gravata, estava enrolada no cabelo. Nela, o nome e o telefone do desgraçado.

Chamou um táxi, voltou para o apartamento. Passou uma semana de cama, com dores morais, mágoa, rancor.

A gravata, sempre no cabelo, como lembrança daquela noite de loucura, daquele homem por quem – ela detestava admitir – havia se apaixonado perdidamente.

Uma semana. Do choro ao riso enlouquecido, Sônia já não sabia no que estava pensando, mas sabia que sim, tinha um plano.

Naquela tarde quente de sábado, tomou um longo banho de espuma, acendeu incensos, relaxou.

Anotou o telefone de Mic num papel que largou displicentemente ao lado do telefone, um sorriso diabólico nos lábios, a certeza de que o poder que aprendera a usar seria sua justiça.

Voz inocente e levemente trêmula, ligou para Mic. Do outro lado, uma mulher atendeu, dando a informação:

– Residência do doutor Mic Glad!

– Alô, por favor o Mic? – Sônia pediu.

– O doutor não está , a senhora quer deixar recado?

Sônia era esperta, captou a brecha para dar o bote em que vinha pensando, há uma semana, já.

– Ah, sim…aqui é uma amiga de trabalho dele, poderia dar o meu endereço novo? Diga a ele que tenho uma proposta urgente para apresentar, e que espero por ele, ainda hoje.

– Pois não – disse a mulher – assim que o doutor chegar dou seu recado. A senhora também está trabalhando na obra? Ele andou comentando, sim.

Sônia não se fez de rogada:

– Isso, é sobre a obra. Espero por ele, hoje, não se esqueça  de avisar, por favor. Boa tarde!

Desligou.  Sorriu.

Estava lançado o anzol, agora era só esperar que ele mordesse a isca.

Naquela tarde Mic chegou em casa e recebeu o recado. A empregada fez direitinho o serviço esperado por Sônia. Ele caiu. Andava esperando um contato importante sobre uma obra pública com a qual poderia ter ganhos consideráveis.

Foi até o endereço. Um apartamento num prédio agradável, no bairro Peixoto, em Copacabana.

Achou estranho “o contato” marcar em casa, mas sabia que no negócio em que trabalhava, tudo era possível.

Subiu as escadas, apertou a campainha.

Quase caiu duro quando a porta se abriu e viu Sônia, a garota com quem passara uma noite de loucura, na praia da Reserva.

Ela vestia um sedutor vestido de cetim vermelho e sorria docemente, os cabelos presos no alto da cabeça, e os olhos de Mic não conseguiam se desprender do decote da garota.

Ele também havia ficado mexido, não confessaria, nunca, mas Sônia mexera com ele.

Ali mesmo na porta se beijaram, e seguiram assim, entre abraços e sussurros,  até o quarto de Sônia, preparado especialmente para a ocasião.

Lençóis novos, meia luz, pétalas de rosa e música: tudo conforme ela aprendera nos manuais da vida de puta, e o resto ela fez, daquele jeito que tão bem sabia fazer.

Fizeram amor selvagem a noite toda. Entre um abraço e outro Mic implorava perdão, dizia que havia fugido por medo de se envolver, que não era acostumado a sentir aquilo, que se ela quisesse, ele casava agora, jurava amor eterno.

Sônia apenas sorria, e gemia. Balbuciava coisas sem sentido.

Finalmente Mic adormeceu.

Horas depois, abriu os olhos. Tentou se mexer, percebeu que seus braços estavam presos na cama, com algemas.

Tentou se soltar, e viu, em meio à penumbra do quarto, que Sônia estava sentada na beira da cama.

Sorria maliciosamente. Ficou em pé, e Mic notou que ela usava apenas o paletó de linho que ele deixara sobre ela, uma semana antes, na praia.

Atirou violentamente um maço de notas no rosto de Mic, que tentou argumentar:

– Sônia, o que é isso? Que brincadeira é essa? Eu já expliquei, eu fiquei com medo de me envolver, não deixei o dinheiro por mal, estou apaixonado, garota, te dou o que você quiser: casa, jóias, viagens…Isso, vamos casar, viajar para a Grécia, o que acha?

Na luz pálido-azulada do quarto, o rosto de Sônia parecia estranhamente transformado.

A moça de aparência suave e angelical de antes parecia, agora, gélida e sem alma. A alma, que já havia abandonado aquele corpo, há tempos, hoje vinha fazer justiça.

Com a gravata entre os dentes, Sônia se arrastou, ajoelhada, pela cama, parando, respiração ofegante e risada nervosa, ao lado de Mic, o menino que contrariara as estatísticas, ganhara dinheiro, mas que jamais aprendeu a ganhar, ou ter respeito por quem quer que fosse.

Sônia passeou lentamente a gravata pelo corpo de Mic, que chorava baixinho, parou no pescoço, apertou…e quando ele já perdia os sentidos, parou.

Mic puxou o ar e sorriu, aliviado. Gritou, com a pouca voz rouca:

– Eu sabia que você não faria isso comigo! Vamos, diga o que você quer! Quanto você quer?

Sônia não respondeu, esticou a gravata na frente de Mic – a gravata em que anotara o nome e telefone naquela tarde – e passou em volta do membro de Mic.

Ele já não tinha voz ou movimento, paralisado de pavor.

Sua última lembrança em câmera lenta era do brilho de um facão na escuridão do quarto, e a risada de Sônia, a mulher que ele seduzira e tratara como prostituta, dias antes.

No quarto escuro, um grito e o sangue de Mic manchando todas as paredes.

Manhã de domingo. Um ônibus segue do Rio de Janeiro para Minas Gerais, levando Sônia, vestido de chita, sandálias havaianas amarelas. Óculos escuros e uma mala na mão, de volta ao lar, de onde não deveria ter saído – pensou.

No Rio de Janeiro era manchete em todos os jornais o caso de Mic Glad, lobista bem-sucedido, morador do Leblon, menino pobre e filho de prostituta que fugira às estatísticas, e que fora encontrado morto, num quarto em Copacabana, numa cena tão bizarra, quanto misteriosa: órgão sexual decepado e desaparecido da cena do crime.

Esse foi o fim de Micaiu Gladistone dos Santos, ou Bequinho – o Mic – num quarto de apartamento em Copacabana.

Em uma cidadezinha no interior de Minas, Sônia guardava em seu porta-jóias algo enrolado numa gravata, ajoelhava e orava, feliz, um sorriso pacato de quem faz o bem, sem olhar a quem: “- Justiça!”.

Anúncios

34 comentários em “Amor de Cobra Lambida (Catarina Cunha e Renata Rothstein)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Um conto em que se denota muito bem a alteração de mãos. Na primeira parte vemos uma narrativa bastante ágil, tipicamente urbana, recheada de diálogos bem sacados e inteligentes. A história de Micaiu (Que nome! Que nome!) é contada sem floreios, ainda que em trechos a narrativa resvale para o universo meio chick lit, algo entre o erótico e o piegas. O gancho da provável desilusão amorosa funciona bem, abrindo ao segundo autor uma vasta gama de possibilidades. Confesso que fui surpreendido pelo rumo tomado. Não esperava exatamente uma história de vingança. O segundo autor em verdade subverteu o rumo, deixando Micaiu de lado e jogando as luzes sobre Sônia. Vê-se que se trata, também, que um autor competente, que sabe o que faz. As ideias estão bem expostas e consegue-se perceber a consistência da segunda protagonista. Bem construída, quero dizer, eis que se explicam os motivos de seus atos. Contudo, devo dizer que esperava outro desfecho. O fato de a segunda parte ter deixado Micaiu em segundo plano me desagradou um pouco pois gostei dele. Sonia, ao contrário, mostra-se apenas alguém vingativa. Em todo caso, o resultado não deixa de ser interessante, sendo que ambas as partes se complementam sem sobressaltos.

  2. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    No começo notei uma mistura de tempos e de ponto de vista. O autor começou falando do bequinho e mudou bruscamente para sua mãe, inclusive usando o mesmo tempo verbal para um acontecimento anterior. No caso, teria que dizer então “Jaqueline, sua mãe, trabalhara nas ruas a noite toda”, pois estaria referindo-se corretamente ao bequinho e a um acontecimento anterior ao seu nascimento. Mesmo assim ficaria difícil de conduzir. Portanto, a melhor solução seria deixar o “Nasceu no fim daquela madrugada” para depois da bolsa estourar, mantendo a sequência dos acontecimentos. O estilo revela a influência de Bukowski, aventuras amorosas, um machismo latente do protagonista. Evolui então para uma espécie de “a vida como ela é”, no segundo autor. Algo um tanto arriscado, pois Bukowsli mostra o lado sórdido da vida de uma forma crua, questionadora, realista, e Nelson Rodrigues disfarça, de uma forma conservadora. De qualquer forma os pressupostos da narrativa são muito interessantes, e o conto flui bem.

  3. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,

    Li poucos contos desse desafio antes de terem sido complementados. O Amor de Cobra Lambida foi um dos que li ainda pela metade. Quase morri de medo quando terminei de ler, só de imaginar que poderia caber a mim ter que completar aquela história que havia me cativado tanto. Graças a Deus essa tarefa árdua coube a alguém com muito talento! Deveras. Eu não teria condições de escrever uma continuação tão bem feita para fazer jus a uma primeira parte tão boa.
    Quero dar os parabéns aos dois autores. A história prende desde o início e a jovem acordando sozinha na areia da praia com o maço de dinheiro no paletó foi um cliffhanger muito bem construído para terminar a primeira parte.
    Ao mesmo tempo, a vingança da garota de havaianas amarelas foi lindamente construída. Principalmente a relação entre Bequinho ter chegado a este mundo pelas mãos de uma profissional e ter partido desta para melhor também pelas mãos de uma profissional. Um arco dramático muito bem construído.
    Talvez o fato de ela ter levado o “membro” com ela para sua vida simples no interior de minas tenha sido um pequeno excesso… Se ela tinha tendências serial killer, deveria ter guardado um souvenir também depois de ter empacotado o tio fulano. Às vezes, ter feito ela guardar alguma coisa daquela primeira morte que provocou poderia ser um bom “forshadowing” para que ela guardasse o membro do pobre Bequinho.
    Mas fora isso, não vejo qualquer falha no conto. Meus parabéns aos dois autores.

  4. Jowilton Amaral da Costa
    19 de agosto de 2016

    Esse eu li antes da continuação e achei sensacional. Muito bem escrito, cheio de sarcasmo e bom humor e metáforas matadoras. Eu tenho quase certeza que sem quem escreveu a primeira parte e como só vão ver meu comentário no final eu vou arriscar que a dona da primeira parte é a Renata. Se não for me desculpe, hehehe. A continuação não era o que eu esperava, Eu não faria a Sônia virar prostitua, muito menos assassina, Porém, a continuação também foi muito bem escrita, seguindo o alto nível da primeira parte e acabei entrando na viagem e gostei. Um ótimo conto. Boa sorte.

  5. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    o conto foi bem intenso. linguagem muito bem aplicada, e foi impressionante como os dois autores conseguiram se encaixar ,pareceu ser feita por uma unica pessoa, teve alguns problemas de pontuação ,mas a história envolvente e as excelentes figuras de linguagem compensaram

  6. Marco Aurélio Saraiva
    19 de agosto de 2016

    Caraca maluco, que assassinato desnecessário. MANCHETE DO JORNAL: MORRE UM CONTO EXCELENTE, ASSASSINADO PELO SEGUNDO AUTOR.

    Cara, que tristeza. O primeiro autor fez uma coisa tão maneira, tão diferente!!! Mic é um personagem cativante, que superou, realmente, todas as estatísticas! Então ele se apaixona perdidamente por Sônia, que também me parece uma personagem interessante. Estava doido para conhecer os dois melhor. O primeiro autor escreve muito bem, adicionando personalidade e profundidade aos personagens de maneira sublime… e vem o segundo autor e MUDA TUDO em 180 GRAUS!!

    Eu presumo (já que não li o conto na sua primeira publicação) que o fato de Mic ter abandonado Sônia na praia com dinheiro e paletó foi criado pelo segundo autor (e tudo o que vem depois disso). Se foi criado pelo primeiro autor, então a culpa da minha frustração é dos dois.

    Por que isso não tinha nada a ver com toda a proposta do conto!

    Como é que Mic, um personagem tão minunciosamente trabalhado, conhece Sônia – o autor fazendo questão de dizer que ele não se apaixonara por ninguém ATÉ CONHECER SÔNIA – então ele a abandona na praia, colocando tudo o que foi falado em cheque? Como que Sônia, uma mulher que foi trabalhada inicialmente como alguém da zona sul, de dignidade, com certo ego, revelar-se uma prostituta profissional?

    Então o segundo autor trabalha uma Sônia sofrida, que viveu uma vida de abusos do tio e o matou por ter abusado tanto dela… só pra sair de casa e virar uma prostituta?

    Por fim Sônia, inicialmente imune ao dinheiro, com um charme essencial, difícil de ler, então abandonada na praia com dinheiro no bolso, tratada como o tipo de gente que ela mais abominava, revela estar PERDIDAMENTE APAIXONADA por Mic, a ponto de ficar louca? Ela perde completamente a sua profundidade e torna-se rasa como qualquer clichê de personagem frágil feminino. E como Mic, garoto esperto de rua, que galgou os degraus da vida debaixo de muito suor e malandragem, cai numa armadilha tosca daquelas??

    Por fim, o final do conto foi baixo demais, completamente contra a Sônia descrita inicialmente. Ao meu ver, foram 4 personagens no conto: o Mic da primeira parte, o Mic que abandona Sônia na praia (e vai até o final), Sônia da primeira parte e Sônia psicopata prostituta da segunda parte.

    Que Lástima!

    PS: O segundo autor escreve bem também. Não vi erros de digitação, português ou revisão de forma geral no conto, mas a trama falhou tremendamente.

  7. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: amigos, bem que eu tentei gostar do conto de vocês. Mas desde o começo, meio O Perfume, até a reviravolta do João de Santo Cristo do Leblon, nada me pareceu autêntico nessa história.
    INTEGRAÇÃO: o texto como um todo tem um solavanco de linguagem muito grande.
    CONCLUSÃO: a vingança final, desproporcional, não choca nem salva. Sinto muito.

  8. vitormcleite
    18 de agosto de 2016

    Sobre a primeira parte – Enredo magnifico e muito bem escrito. Corre o risco de desmoronar caso a história não seja bem agarrada. Muito boa a ideia de contar a vida do homem desde o nascimento, agora fica a curiosidade de saber a continuação.
    A continuação não fica atrás da parte inicial do texto, acabando por apresentar uma unidade na trama e na escrita, um enredo muito original dando vontade de ler sem parar. Muitos parabéns para a dupla.

  9. Simoni Dário
    18 de agosto de 2016

    Olá
    O início do conto prendeu minha atenção, uma leitura que fluiu e não precisou de apelos para me manter na história.
    Boa escrita e bons detalhes. Os diálogos curtos e objetivos, sem enrolação. Curti isso.
    Já do meio para o final, o texto mudou um pouco, achei meio enrolado (menina que saiu cedo de casa foi para cidade grande sofrer na casa da tia). Mas conseguiu manter a ligação com a primeira parte. Antes de terminar de ler, consegui adivinhar o final, a morte do lobista.
    Não foi um final impactante, foi bom. Levar o membro decepado junto, da cena do crime, foi Bizarro!
    Eu queria ler a segunda parte, escrita pelo autor que fez a primeira.
    Os dois estão de parabens!
    Abraço

  10. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Muito bom! O enredo é interessante e prende. Tá bem escrito gramatical e estruturalmente, apesar de algumas partes terem ficado meio truncadas, e talvez pudessem ter sido reescritas de forma mais simples e direta, mas isso não atrapalha de modo algum o todo.
    A transição entre os autores tá muito boa, o coautor conseguiu manter o ritmo e o estilo muito bem.
    O desenrolar da história também tá ótimo, assim como a conclusão. Te prende bastante até o fim, e você nem sente que tá lendo.
    Gostei do modo como os personagens foram trabalhados, a construção de cada um e a transição entre suas histórias e vidas.

  11. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, com ótimos personagens (Mic e Sônia) e um fluxo de crônica muito gostoso de ler. Os dois carregam a história e suas decisões, mesmo que estranhas, soam verossímeis. O único ponto negativo é a cerca previsibilidade da segunda parte, pois já sabia o teor da vingança.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): ambos os autores mandaram bem e narraram com eficiência. O único problema, que não é muito grave, é que o conto acaba gastando bastante tempo explicando as origens dos personagens. Acho que essas partes (principalmente o início) podia ser reduzida. Ou ainda começar com uma cena e depois contar a história do protagonista.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): apesar da qualidade, textos com prostitutas e vinganças são comuns.

    👥 Dupla (⭐⭐): acho que sei onde terminou a primeira parte (após a cena na praia?), mas foi só um chute, pois poderia ser um texto de um só autor que eu não ia perceber.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): o texto é agradável de ler mesmo tratando de temas pesados. O final encerra bem, só não foi mais impactante porque eu já havia previsto a cena final. Talvez eu esperasse ser mais surpreendido…

  12. Andreza Araujo
    17 de agosto de 2016

    O início é empolgante, com ótimas descrições, e o relacionamento de Mic com Sônia é engraçado, descolado… foi bacana de acompanhar. Mas depois o Mic vira um bundão. E Sônia vira assassina. Ou seja, a narrativa de ambos os autores é excelente, mas eu não curti a virada de jogo que os personagens tiveram.

    Por outro lado, foi interessante ver que o foco da primeira parte é a história de Mic, enquanto na segunda parte o foco é na mocinha. Mas senti falta de ver mais do personagem Mic na parte final, pois ele virou coadjuvante na sua própria história.

    É um texto bom e memorável, mas eu torci muito o nariz para o final que a mocinha considerava “justo”, achei muito banal.

  13. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Rapaz criado na marginalidade vira um tipo de malandro e conhece uma moça na praia. Confesso que, diferente de outros aqui, não gostei muito dessa primeira parte. Não me fascinou a ascensão de Mic Malandro. E a segunda parte estragou tudo de vez. Acho que a parte 2 seria interessante se a moça fosse de um mundo diferente do dele, e não uma prostituta louca assassina. Isso estragou todo o potencial de criar um contraste entre a vida marginal dele e um tipo de pessoa diferente. Os desacertos dominam a continuação. Por que ela se ofendeu tanto? No estilo de vida dela, esse tipo de coisa devia acontecer muito, por que tanta ofensa a ponto de querer matar? E que método ridículo foi esse pra capturar Mic? Que malandro cheio de experiência de vida cairia nessa conversa de “venha até um apartamento num endereço
    desconhecido, que tenho uma proposta de trabalho pra você”. Só gente muito inexperiente e burra iria pra um encontro desses. E no final, existe uma espécie de mensagem moral, ela era melhor que ele e fez justiça, por quê? Achei um final péssimo. Não gosto de quem julga e condena seus personagens. Tudo bem o protagonista ter uma final trágico, mas sem essa conotação de “ele era um menino mau, teve o que mereceu”. Enfim, realmente não gostei da história, a primeira parte não me agradou, a segunda poderia ter melhorado, mas foi horrível. Sinto, mas parece que desta vez minha opinião divergiu da maioria, mas como minha opinião sobre esse conto é, ao que parece, pouco comum aqui, vocês receberão boas notas. Desejo Boa Sorte pra Vocês.

  14. Fabio Baptista
    15 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Amor de Cobra Lambida

    TÉCNICA: * * * *
    Esse foi um dos poucos textos que li parcialmente (antes de ser postado o complemento). No final da leitura, tudo que pensei foi: “quem pegar esse aqui pra continuar, tá fodido”. Esse pensamento se deu por dois motivos:
    1 – Seria muito difícil igualar essa técnica maravilhosa, esse jeito de escrever com cada frase lapidada cirurgicamente, da primeira parte. Só consegui pensar em Catarina e Gustavo Aquino para essa tarefa.
    2 – O conto me pareceu perfeito ali onde terminou, qualquer coisa que viesse depois pareceria encheção de linguiça.

    O segundo autor foi competente, escreveu com fluidez e boa gramática, mas acabou ficando o contraste, a sensação de uma estrela que perdeu um pouco do brilho.

    ATENÇÃO: * * * *
    Manteve minha atenção o tempo todo, com uma leve dispersada quando começou a contar a história da moça.

    TRAMA: * * * *
    A ambientação e construção do personagem é perfeita. O conflito do putanheiro que se apaixona é batido, mas aqui é um ótimo exemplo de como usar o clichê a favor… mostrando que no final, não era nada disso. O cara enganou todo mundo.

    O segundo autor pegou uma bomba nas mãos e seguiu pelo caminho mais seguro – contou a história da moça e partiu para a vingança. A cena final ficou meio forçada, mas não tinha muito como fugir disso.

    UNIDADE: * * * *
    Nota pelo esforço do coautor em seguir a linha inicial.

    NOTA FINAL: 8

  15. Bia Machado
    15 de agosto de 2016

    – Conflito: 3/3 – Há o conflito, e foi bem trabalhado pelos dois autores, e o bacana é que cada um o fez à sua maneira.

    – Clímax: 2/3 – Talvez um pouquinho exagerado para o meu gosto. Ainda não sei o que achei dessa transformação de Sônia, a princípio achei bem feito, mas nos momentos finais, o momento do clímax propriamente dito, foi que achei um pouco de exagero a forma como tudo se deu, talvez por Mic ter ficado muito em segundo plano.

    – Estrutura: 3/3 – Ficou bem estruturado por parecer apenas um conto, o segundo autor seguiu bem o ritmo do primeiro.

    – Espaço (ambientação): 2/2 – Deu para vislumbrar bem os espaços todos: beco, praia, apartamento, e o melhor que não houve exagero, nada além do necessário.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Sônia se sobressaiu a Mic, a meu ver, e de forma contrária. Conforme Sônia ia crescendo na narrativa, Mic ia se tornando apenas um coadjuvante. Com relação a Sônia, talvez um pouco exagerado esse perfil psicopata dela na segunda parte.

    – Narração (Ritmo): 2/2 – Muito boa, coerente entre as partes.

    – Diálogos: 1/2 – Melhor na primeira parte, mas acredito que também nessa parte poderiam ser mais elaborados. Apesar disso, os poucos diálogos ajudam muito a construir as personagens.

    – Emoção: 2/2 – Gostei bastante do conto, da história. Só os momentos finais no quarto é que não caíram no meu gosto, talvez por eu esperar que tudo se desse de outra forma. Mas parabéns aos dois autores.

  16. Bruna Francielle
    13 de agosto de 2016

    A morte é tão usada em tantas histórias q confesso q enjoei dela. O fim, voltado a morte de ‘Bequinho’, um tanto quanto infundada. Ele não havia feito nada dmais pra merecer isso, rs’ Confesso q o conto pareceu muuito longo, acho q poderia ter mais ritmo, ser mais frenético. Foi um pouco arrastado com demasiados detalhismos e comparações.. “fazia isso como isso isso e isso”, depois novamente. A história também não me empolgou muito..O cara filho d prostitua, conhece uma mulher na praia, se apaixona, dpois pega ela, dpois larga, ai ela fica apaixonada, vai atrás e mata. Esperava algo a mais. A narrativa porém, foi bem conduzida com poucos erros, e não mudou drasticamente com a mudança d autor. Porém, enredo simples demais e personagens não carismáticos.

  17. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: é um dos melhores contos até agora, em minha opinião. O conto não presa pela escrita rebuscada ou pelas analogias poéticas, mas a narrativa é sincera, direta e isto o torna cativante.
    Criatividade: o enredo é relativamente comum. Todavia, o final fecha com chave de ouro com o decepar do dito cujo. Parece até um filme do Tarantino, tamanha sanguinolência e “requinte”.
    Unidade: os dois autores se entenderam bem. O conto já era bom e foi complementando de tal maneira que seria difícil simular mesmo que os autores pudessem conversar diretamente entre si.
    Parabéns e boa sorte!

  18. Ao ler “Amor de Cobra Lambida”, fiquei com a impressão de ler dois ótimos contos que se complementam entre sim, andando paralelos, ou, ainda, uma mesma história contada por dois diferentes narradores.

    Ambos muito bem escritos, se há uma ressalva a se fazer, seria somente o fato de o narrador da trama, simplesmente mudar, da primeira para a segunda parte.

    Ainda assim, o final surpreende e de certo modo, coroa com “vingança” as atitudes do protagonista.

    Parabéns aos dois escritores.

  19. Júnior Lima
    11 de agosto de 2016

    A primeira parte do texto é quase que perfeita, sem erros, madura e envolvente. Uma história urbana sem muito de especial acontecendo, mas que mesmo assim prende o leitor pela qualidade da escrita.

    Ao meu ver, a segunda parte infelizmente não conseguiu acompanhar esse nível. Não ficou ruim, mas um tanto previsível. Senti uma descaracterização da personagem Sônia, em uma trajetória de vida que já vimos em várias histórias por aí. De tudo isso, acho que se salva o fato de Sônia ser também, de certa forma, uma cobrinha…

  20. Pedro Luna
    9 de agosto de 2016

    Olha, no geral é um conto muito bom. Ainda que nada nele surpreenda. A primeira parte traz aquele personagem nascido na miséria, que se torna malandro na faculdade da vida, acaba se tornando um adulto desprezível. O que gostei foi que o autor partiu logo para uma trama, sem perder parágrafos e parágrafos contando o passado de Mic.

    A segunda parte foca em sônia, e aqui se perde um bom tempo contando o seu passado. Confesso que me irritei, mas daí o novo autor também volta a trama, e foi um alívio. O final, com a vingança dela, não chocou por já ter visto coisas assim antes.

    Um ponto positivo foi desconstrução de conceitos. Como a moça que acredita que o sujeito desprezível sempre fora rico. Sim, miseráveis também podem ser desprezíveis. A vida não é novela da globo, onde favela só tem gente boa. Além, claro, de revelar o pensamento de sônia a respeito de Mic. O sujeito desprezível, machista, e cheio de defeitos, lhe cativou, justo por ser ousado. Ousadia e mentiras são mesmo os melhores itens para conquistar uma mulher. Haha.

    O conto é bem escrito e foi uma boa leitura.

  21. Catarina
    9 de agosto de 2016

    Entreguei este conto na mão do parceiro como quem deixa o filho, no primeiro dia de aula, na esquina da escola. Sabia que ele iria sofrer, mas cresceria com suas próprias pernas. E não me arrependi.

    O parceiro entendeu o espírito de vingança e deu seu toque todo especial. Eu não transformaria minha carioca independente, livre e descolada em uma puta psicopata do interior de Minas, mas não posso negar que foi uma bela sacada: Bequinho nunca saiu das mãos de suas putas.

    Grata pela feliz parceria.

  22. Gilson Raimundo
    7 de agosto de 2016

    Um começo Nelson Rodrigues com mistérios amorosos e ação, possibilidades infinitas, uma das melhores primeiras partes do desafio, o segundo autor parte para a ideia simplista da jovem do interior que se vê obrigada a prostituir na cidade grande, se apaixona e não é feliz… a coisa boa é que a menina do interior se revela uma psicopata e o personagem que deveria ser o principal perde sua importância… será que ela escondeu as pistas, o aluguel do apartamento, a faculdade, se tudo estivesse em seu nome a policia iria encontrá-la facilmente. Será que ela planejava algo assim a mais tempo??? Por fim termina com a cena da atris Joana Fomm em Tieta do Agreste com o pinto embalsamado do seu amor nas mãos… poderia ter um desenvolvimento menos comum…

  23. mariasantino1
    4 de agosto de 2016

    Oi, autores!

    Então, esse foi, até agora, o conto cuja continuação puxou o tapete. Veja bem, se por um lado temos na primeira parte uma ótima, diria até excelente, concisão, na segunda parte sobra, se conflitua e me deixa de mãos e pés atados, uma vez que o primeiro autor foi muito feliz com o apresentado e fico assim assim em dá uma nota baixa como acho que a segunda parte merece. Mas vamos aos fatos.

    A princípio temos uma narrativa cativante, gostosa, próxima pelo ar malandro de gente comum. Tem humor, tem lacunas para o leitor preencher com seus pensamentos e sinto que o gancho chamava para uma mudança na vida amorosa do gajo, um aquietar de facho, que não veio.

    A segunda parte, se não se conflitua com a primeira (como mencionei anteriormente) ao menos soa estranha, uma vez que Sônia já havia ficado reflexiva quanto ao MIC depois de se encontrarem pela primeira vez e, portanto, quando ela reflete na segunda vez soa estranho. A narrativa mastigada da segunda parte não convida, entrega, não tem brilho. Acaba que o conto se torna comum e há brusquidão no tratar dos personagens (a Sônia, que guina por um caminho onde não houve qualquer alusão pelo apresentado antes ), e dessa forma há descaracterização dela.

    Por esse motivo o conto perde pontos comigo.

    Boa sorte no desafio

    Nota 7 😥

  24. Olisomar Pires
    4 de agosto de 2016

    Interessante. A primeira parte tem um estilo melhor e envolvente. A segunda parte tem uma estória melhor, mais criativa. Não sei se elas se complementam. Sozinhas são muito boas. O conto inteiro ficou meio falso.

  25. Jefferson Lemos
    4 de agosto de 2016

    Parte um) Acredito ter sido esse o tal conto do Rodriguez, que o FB comentou no grupo. É bem a cara dele. Gostei. Direto, bem ácido e cadenciado como o caminhar de Sônia pela areia. A linguagem é clara e faz o leitor buscar cada novo parágrafo, e mesmo com os saltos temporais, a história não se perde. O que mais gostei até agora. O final foi como eu imaginei, uma continuação cairia bem como uma luva.

    (Parte dois) é uma pena, de verdade, que o potencial do conto não tenha sido aproveitado da maneira correta. 😦

    O conto tinha muito potencial, mas essa continuação seguiu uma linha que não combinou em nada com a narrativa anterior, destoando do tom impresso pelo autor e descaracterizando a obra. Gostaria de ter visto mais do excelente trabalho apresentado, mas esse aqui não me agradou. Está até bem escrito, de certa forma, mas a personagem não parece a mesma. Aqui ela se tornou uma figura meio caricata, em meio a acontecimentos estranhos que pareciam combinar apenas para dar seguimento à história. E a meu ver, o ponto mais original da história, que era a acidez nas palavras, não deu as caras nessa segunda etapa.

    De qualquer forma, merece os parabéns!
    Boa sorte!

  26. Wesley Nunes
    3 de agosto de 2016

    A dupla trabalhou de forma tão orgânica, que fica difícil avaliar o texto por partes. Sendo assim, avaliarei a obra como um todo.

    Em relação a linguagem, ela é usada com maestria e nela percebemos a construção de um texto visceral. As cenas construídas são fortes e habilmente elaboradas. Esse bom trabalho, unido a narração e a inserção de alguns termos próprios da nossa cultura, fornece identidade para o texto. Esta obra tem uma cara de Brasil e o leitor se identifica com tudo, pois ele reconhece a realidade apresentada.

    Sobre a construção dos dois protagonistas Mic e Sonia, só posso informar que é muito bem feita. Conhecemos o passado, a personalidade e as duas maneiras de enxergar a vida. O autor é cuidadoso em estabelecer uma mesma temática para os dois personagens. Um encontro entre Mic e Sonia acontece e o autor sabe desenvolver uma expectativa em relação ao possível casal. O leitor também sente que há uma química entre os dois.

    O texto apresenta uma boa virada e a trama de vingança de Sonia não é só bem conduzida como sua execução condiz com todo o tom apresentado no texto.
    Parabéns pelo excelente trabalho da dupla e acredito que apareceu um forte candidato para o titulo de campeão.

    Sobre as críticas, há somente os bons e velhos raros errinhos de digitação:
    Faltou uma letra alí, trocou uma palavra em outro lugar…

    Ao se deparar com algo tão bem feito, é comum a chatice tomar conta de mim e eu dar uma leve sugestão. Reintero que é uma sugestão e não uma crítica, e que ela está pautada em uma opinião pessoal.

    Aquele que narra, menciona Sílfide que é uma Deusa Celtica. O texto tem uma cara de Brasil, por que não mencionar algo mais relacionado a nossa cultura?
    Parabéns pelo texto, pela criatividade e por construir uma incrível história tendo como cenário o Brasil.

  27. Anorkinda Neide
    3 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Texto muito bom com frases com mensagens sutis e inteligentes. Achei que pesou um pouquinho a mão nos parágrafos sobre o crescimento do menino e sua superação extraordinária, ainda bem q foram poucos parágrafos e já passou para o diálogo com Sônia que ficou show de bola.
    .
    Comentário segunda fase:
    Olha, acho q esta continuação vai dividir opiniões, eu não gostei muito. Precisa, acredito eu, de uma boa enxugada. Muito comprido o trecho q conta a vinda de Sônia ao Rio de Janeiro, as menções irônicas à tia e ao tio, achei desnecessárias, até mesmo a presença deles, poderia ser cortada, não acrescenta muito, poderia apenas dizer q a moça encontrou dificuldades e se prostituiu. Ela matou o tio, achei isso tão fora de foco…
    Ela ter se vingado de Mic, eu acho crível, ela já havia avisado, entao a narrativa poderia ter ido logo para esta parte. Achei que ela deixaria pistas, não é? A policia não descobriria quem alugou o apt? Agora sim, uma parte q necessitava ser escrita, como ela despistou a policia. Terminar como a Perpétua com o ‘objeto’ guardado,, haha não achei nada interessante!
    .
    Da união das duas partes:
    Foi, talvez, uma boa ideia terminar a vida nas maos de uma prostituta, assim como nascera de uma. Mas, para mim, destoou da proposta inicial, afinal o cara era safo neste universo das safadezas, teria percebido que a moça era descolada, afinal conversaram bastante. Eu acho que a liga não ficou boa para o meu gosto, como desconfio, haverá quem goste mais. Boa sorte!

  28. angst447
    3 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – O título é simples e instigante.
    R – Não encontrei grandes falhas de revisão.
    Sonia conhecia verdade > Sonia conhecia A verdade.
    maços de nota de dinheiro dentro. > maços de notas de dinheiro dentro
    Sônia ou Sonia?
    E – O segundo autor foi hábil na continuação, não deixando perceptível a emenda feita. Respeitou o estilo do colega e conseguiu dar o mesmo tom à narrativa. Lançou mão do flashback para explicar a trajetória de Sônia e seus motivos para procurar justiça. Talvez o desenvolvimento do conto tenha pesado um pouco no drama, mas funcionou bem. Final impactante, nada original, mas de efeito. O conto, portanto, atendeu ao propósito do certame.
    T – Gostei muito de como a narrativa foi conduzida desde o princípio. O autor – acredito que autora, na verdade – mostra habilidade inegável com as palavras. Foi muito fácil render-me à leitura, pois a caracterização de Micaiu ficou bem interessante. Acredito que o final tenha sido o imaginado pelo primeiro autor, mas em nada destoou com o início.
    A – Conto muito bem escrito, no geral. Apesar de estilos diferentes, os autores apresentaram uma história bastante instigante. A leitura foi bem agradável graças ao bom ritmo empregado.
    🙂

  29. Amanda Gomez
    2 de agosto de 2016

    Eis que chega um conto que muito me interessei para dar continuidade na segunda fase… rs.
    Eu não sei, mas senti uma pegada meio 50 tons, nesse conto, e meio que entendi que o autor que o iniciou pretendia levar mais para o romance que qualquer outra coisa. Algo como a redenção do personagem Mic. O autor que deu continuidade tinha outros planos, porém rsrs
    Trocar o foco narrativo foi algo ‘’ ousado’’ por assim dizer. Mas ficou muito legal intercalar, e logo percebemos que os dois personagens têm histórias de vida similares do que se diz respeito a vir de baixo, e sofrer muitos traumas de infância. Eles formariam mesmo um bom casal. Ao menos em teoria. Eu não gostei muito de Sonia, apesar do autor encher o texto de seus feitos e tentar de alguma forma, causar simpatia pela vida triste que teve. Mas isso foi feito também com o Mic, então está tudo certo, os autores entraram em sintonia.
    Não gostei das justificativas para ela fazer o que fez, e o outro protagonista perdeu um pouco do brilho, nem parecia mais o mesmo. E todas aquelas declarações depois do sexo. Não combinou com o que eu esperava… Ele ficou mais babaca do que no início. Talvez tenha criado outras expectativas, não sei.
    Mas resumindo, ela tem um trauma, por ser usada boa parte de sua vida, e criou uma intolerância a isso. Infelizmente os caminhos deles se cruzaram em momento errado.
    A ironia de tudo isso, é bem legal. De justamente ele se apaixonar por uma prostituta, e Sônia matar o cara que poderia mudar, ou preencher alguma carência que ela tivesse. Trágico.
    Houve uma boa sincronia entre as narrativas, ficaram similares. O conto ficou muito bacana. Parabéns!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    2 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Amor de Cobra Lambida (Joana de Barro)
    CA: Texto bem denso e cotidiano, carregado de emoções e metáforas. Consegue cativar desde o início, pela sua premissa urbana. – 9,0
    MAR: Excelente desenvoltura, apesar de notar certa quebra brusca no meio do texto. Apenas um tropeço, mas que não estragou em nada o restante da história, sendo satisfatória até o fim, com o personagem “lobo” e a “musa inspiradora” bem definida. – 8,5
    GO: Não sou muito de textos “normais”, mas essa premissa me chamou a atenção. Um bom toque de dia a dia na periferia, passando para a alta sociedade em segundos. Gostei das cenas mais clichês, onde pequenos detalhes a tiram dessa zona de conforto. – 9,0
    [8,8]

    JUN: Interessante. Coesão excelente. Quase não se nota a substituição de autores, a não ser pela troca de ponto de vista (que está sendo bem comum por aqui). Continua na mesma pegada, dando destaque a outras passagens cotidianas. Notei apenas a falta de uma pontuação, no começo da segunda parte. – 9,0
    I: No geral, o texto satisfaz com início, meio e fim, aumentando ou diminuindo a intensidade. Ficou bem cadenciado. O final foge um pouco dos estereótipos, mas esbarra em várias teorias filosóficas por aí, que deixarei para os colegas decifrarem. Não é muito do meu estilo, mas ficou bem escrito. – 8,0
    OR: É complicado ser original em textos cotidianos, mas saíram-se bem no quesito “manter interesse do leitor”. – 8,0
    [8,3]

    Final: 8,6

  31. Danilo Pereira
    2 de agosto de 2016

    Fibnal meio bizarro, porém tendo muito sentindo. o Bequinho veio ao mundo pelo ventre de uma Prostituta, e partiu dessa vida pelas mãos de uma outra prostituta. O Conto mostra como o destino de alguém mesmo fugindo as “estatísticas” sempre será o mesmo. Um pouco de amargo ficou depois dessa leitura. A vida de Bequinho tinha melhorado, porém o seu destino sempre o seguia de alguma forma!!! NOTA:8

  32. Thomás Bertozzi
    1 de agosto de 2016

    Muito bom!
    Parabéns aos autores!

    Ótimos diálogos, especialmente no início.
    O final não é lá tão novidade assim, mas a trama bem amarrada, envolvente, compensa tudo.

    Gostei!

  33. Matheus Pacheco
    31 de julho de 2016

    Coitado do jovem malandro, morto por uma mulher, assassina de primeira viagem com uma sede gigantesca por justiça (Não é minha intenção parecer irônico).
    Mas essa foi uma coisa que eu achei estranha no texto, como a mulher pode matar o homem que havia conhecido há apenas um dia, a menos que já observasse ele de longe.
    Mas muito, abração amigos.

  34. Davenir Viganon
    31 de julho de 2016

    Olá. Este é o sexto conto que eu leio. A leitura fui muito fluida. É o primeiro que eu li sem saber exatamente onde começava o complemento mas pude notar a quebra não pela forma de narrar, pois esta se manteve parecida do início ao fim, mas pela troca do personagem principal no conto. Acabou ficando a impressão de dois inícios que não ficam muito bem justificados ou que nem tudo da primeira parte foi bem aproveitado na segunda. Apesar de tudo gostei do personagem Mic e gostei de Sônia também, mas o final foi apenas de Sônia e o de Mic ficou o final de um coadjuvante. A estória me agradou e acho que dariam dois bons contos ao invés de um. Habilidade para escrever não faltou, talvez um desentendimento, mas nada trágico como o de Mic e Sônia heeheheheh

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 1 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .