EntreContos

Literatura que desafia.

Reunião no clube (Rubem Cabral e Vitor Leite)

clube

O Mercedes S600 blindado “cortou” o Palio que sinalizara a intenção de estacionar e ancorou na única vaga para deficientes com a doçura de um tanque de guerra que pousasse num canteiro de flores. O proprietário do veículo, um homem na casa dos sessenta e de cabelos grisalhos e esparsos, confortavelmente aninhado na poltrona de pelica que desempenhava o papel de banco traseiro, sorriu pelo feito. Contudo, não era uma expressão amistosa esse seu sorrir, ao invés, era um sorriso duro, de dentes pequenos e perfeitos, um esgar de predador prestes a abocanhar a presa.

Sem mancar ou exibir qualquer problema físico, o Sr. Dantas Albuquerque teve a porta aberta pelo motorista de pele escura, impecável em seu uniforme, e que segurava um guarda-chuva inglês, evitando assim as gotas chorosas que poderiam desalinhar os cabelos fixados com gel do patrão.

Dantas olhou seu belo relógio Blanc Pain, muitíssimo mais caro e exclusivo do que um reles Rolex, e praguejou: não gostava de se atrasar, em especial às reuniões do Clube M.

Todo mês num lugar diferente, eram essas as regras. Haviam escolhido dessa vez um hotel falido recentemente, porém ainda operacional e detentor de certo luxo decadente. Em verdade, uma abominação arquitetônica rica em carpetes e cortinas de veludo vermelho e frisos dourados.

Abriram-lhe a porta almofadada que dava acesso ao salão principal e o ar frio embaçou seus óculos. Dantas reconheceu os seus três confrades sentados à mesa redonda junto do piano, sorvendo bebidas de copos gelados e fumando, sem dar atenção aos cartazes que informavam que isso era proibido no local.

— Até que fim, Dantas! Pensei que nos daria o bolo nesse mês! Logo agora que você lidera a competição! – exclamou Ludmila Picollo, de cabelos ruivos e seios imensos, apertada num vestido verde-esmeralda de grife. Seu rosto já havia sofrido tantas intervenções que perdera a capacidade de exprimir emoções, os lábios estavam deformados por recentes injeções de gordura. Sua idade, algo entre os cinquenta e setenta anos, era impossível de se precisar.

— Céus, não! São apenas nove minutos, Ludinha! Trata-se, na verdade, daquele atraso elegante, dando ao anfitrião alguns minutos extras para que tudo fique perfeito!

— Sei, sei… Comecemos logo então – disse o Senador Rodriguez Paiva, rosto de pergaminho seco, cabelo negro-graúna, penteado de trás para frente, num esforço inútil de esconder a calvície. — Temos que escolher hoje nosso campeão, o que disputará a final com os campeões das outras mesas.

— Eu tenho mil e oitocentos pontos – disse Marcos Pereira, jovem louro e bronzeado, de uns vinte e poucos, o único com menos de cinquenta sentado à qualquer das mesas. — Ludi tem mil e quinhentos, Rodriguez, mil e trezentos e você mil e novecentos. Todos ainda têm chances! Quem começa? Primeiro as damas, que tal?

Ludmila levou a mão ao peito, o rosto repuxado parecia insinuar satisfação.

— OK. Eu começo!

— Legal ou ilegal? – perguntaram todos.

— Legal. Por incrível que pareça. Tenho todos os papeis pra provar!

— Muito bem! Cem pontos de bônus! – exclamou Marcos, anotando num iPad. — Carry on, baby!

— Paulo Marcelo era o nome. Sete anos, três vezes adotado e três vezes devolvido ao Lar Maria do Socorro, feito mercadoria defeituosa. O primeiro casal o devolveu porque ele chorava muito quando tinha dois anos. O segundo, porque ele era bagunceiro demais. O terceiro – ela gargalhou – porque era preto demais!

— Jura? – perguntou o senador.

— Pela minha mãe mortinha! Imagina: alguém concorda em adotar uma criança negra já com sete anos para não esperar na fila de recém-nascidas brancas e então devolve porque o pobre tem lábios grossos ou nariz largo? Meu Deus, que mundo é esse? Pois bem, soube do caso, preenchi todos os formulários, fiz as entrevistas de praxe e levei o Paulinho pra casa. O menino inicialmente vivia amuado, deprimido, sem autoconfiança, pisando em ovos, com medo de sujar, quebrar algo. Eu então o recebi da forma mais calorosa possível: dei tanto carinho, li livros infantis de histórias felizes, dei brinquedos, e o mais importante: brinquei junto, cozinhei eu mesma aquelas comidinhas que todas as crianças adoram: pizzas, frango assado, bolo de morango. Fomos ao parquinho, ao teatro ver “Pluft, o fantasminha”… Arrumei um gatinho amarelo com uma amiga, um bichinho doce que só sabia ronronar e fazer carícias e eles logo ficaram inseparáveis. E então, aos pouquinhos, dia após dia, testemunhei o desabrochar daquela flor, o sorriso surgir largo no rostinho antes tão taciturno. Na última semana, já me chamava de mãe e demonstrou-se inteligente e alegre. Tinha o potencial de ser alguém na vida: um professor, um engenheiro, o descobridor da cura de alguma doença horrível…

— E? – indagaram todos, em uníssono.

— E ontem, sem mais, entreguei de volta à instituição. Disse que ele havia me furtado, que não era uma boa criança e que eu não acobertaria pequenos bandidos sob o meu teto. Disse na frente do menino, os olhos cheios de incompreensão líquida. “O que eu fiz de errado dessa vez? Por quê?”. Antes de ir, perguntou se poderia levar o gato consigo, o que foi, é claro, negado. Óbvio, joguei o vira-lata fora logo depois, assim como fizera com o pivetinho.

Ludmila arreganhou a boca: os dentes trepados cediam-lhe ares de tubarão.

— Monstruoso! – comentou Marcos. — Ganhar a confiança de uma criança carente, plantar a esperança, e após isso tudo… Deus, foi um dos relatos mais vis que já escutei na vida. Quinhentos pontos! É o meu voto!

— Quatrocentos e cinquenta! – exclamou o senador. — O menino ainda pode ter a sorte de ser acolhido por gente boa, embora seja mais provável que termine seus dias na cracolândia mais próxima depois de tantos traumas!

— Quatrocentos! – votou Dantas. — Isso não é, nem de longe, a maior maldade que já escutei.

— Média de quatrocentos e cinquenta, mais o bônus da legalidade, quinhentos e cinquenta! Somados aos pontos originais, dois mil e cinquenta pontos. A disputa tá acirrada! Parabéns, Ludi!

A senhora moveu os braços curtos, a pantomima de quem fizesse uma mesura em resposta a um cavalheiro que a tirasse para dançar.

— Senador? O senhor gostaria de continuar? – indagou Marcos.

— OK. Hum, legal também – ele iniciou. — Mas temo não estar à altura do relato de nossa amiga… Bem, banquei por uns meses a ONG “Maná”, que preparava refeições nutritivas e distribuía, sem custos, a escolas rurais, casas de abrigo e asilos. Uma maneira boa de lavar dinheiro através de empresas de fachada ou de ganhar isenções de impostos por vias oficiais. Soube, por alguns contatos, que minha generosa contribuição mensal correspondia a quase cinquenta por cento do total da renda deles. A “Maná”, ao contrário da maioria das organizações que conhecemos, era honesta e correta, administrada por voluntários que não recebiam um centavo. Todos os dias, marmitinhas de arroz, feijão, frango guisado ou carne desfiada, legumes, tudo gostoso e de boa qualidade, entregues ainda quentes aos carentes e necessitados. Daí, é claro, eu cancelei minha contribuição e forcei e convenci alguns outros “padrinhos” da ONG a fazer o mesmo. Nos primeiros dias os esquerdopatas ainda tinham reservas financeiras, depois, correram desesperados atrás de patrocínio. E então, simplesmente quebraram, falindo inclusive alguns dos voluntários, que rasparam até o limite de crédito das suas próprias contas magras. Hã, foi só isso. Não foi possível criar nada mais elaborado. Afinal, a Lava Jato está passando o rodo em Brasília e tive que improvisar.

— Eu dou quatrocentos pontos! Foi algo desprezível: é baixo demais tirar o pão da boca das pessoas, mas devemos nos lembrar de que você financiou a boia nutritiva por algum tempo também – lembrou o rapaz.

— Eu dou trezentos e cinquenta, pelas mesmas razões do Marcos – disse Dantas.

— Trezentos e cinquenta também – complementou Ludi.

— Somando a média das três notas ao bônus e aos seus pontos anteriores, dá mil setecentos e sessenta e seis. Uau, quase o número da besta no final, não? Lamento, Rodriguez, você já está em segundo lugar. Troféu Madre Teresa de Calcutá pra você!

O senador deu de ombros e fez uma careta, sorvendo ruidosamente de seu gim-tônica com um canudinho.

— Dantas? Quer continuar?

— Ilegal. Completamente ilegal – ele iniciou o relato. — Contratei um homem e uma mulher, ambos belíssimos, tipo modelos de revista de moda ou fitness. O homem foi a uma dessas boates GLS no primeiro dia, deu mole pra alguma bicha que pensou ter tirado a sorte grande e… Boa noite, Cinderela! – desafinado, ele cantarolou o jingle de um programa televisivo antigo. — A mulher fez o mesmo numa boate convencional. Nos dias que se seguiram os dois foram a restaurantes e raves, pois eu queria um grupo diversificado. Seis pessoas no total. A primeira mosca na teia foi um professor de história, certo Roberto Palahniuk…

***

Roberto abriu os olhos, mas nada viu, senão o breu mais profundo, sem uma nesga sequer de luz. Gritou, mas só escutou o eco da própria voz. Descobriu-se deitado numa superfície áspera e fria. Pôs-se de pé e saiu tateando, sempre pedindo socorro. Depois de cerca de meia hora, concluiu que estava numa sala vazia de uns quarenta metros quadrados, sem móveis ou algo do tipo. Descobriu ainda um sanitário, uma pia, uma pilha de rolos de papel e um portão de metal cheio de rebites que, julgando pelo ruído grave que gerava ao ser socado, era espesso como a porta de um cofre.

Vomitou no sanitário, teve uma diarreia nervosa também. Passadas algumas horas, sentou-se no chão e começou a chorar. Então, um relógio-despertador tocou. Roberto escutou em seguida um ruído metálico e caminhou com cuidado em sua direção. Alguém colocara uma bandeja sobre o piso, junto da porta. Havia sobre esta uma provável quentinha que, julgando pela maciez e calor, era de papel de alumínio. Havia também talheres de plástico e duas garrafinhas de água gelada.

Agradecido, Roberto abriu a embalagem com cuidado e o cheiro bom da comida despertou sua fome. Comeu tudo. Bebeu um pouco de água, mas lembrou de economizar um pouco para mais tarde.

Inspecionou a porta e encontrou uma ranhura na parte inferior. Forçou-a com a ponta dos dedos e uma abertura de uns dez centímetros se abriu. Gritou por ajuda, mas latidos raivosos do que pareciam ser cães muito grandes fizeram com que fechasse a portinhola. Mesmo do lado de fora, observou, reinava a mais absoluta escuridão.

Mais tarde, outra bandeja com comida e água foi depositada. Com receio de ratos ou insetos, após comer, Roberto empurrou as bandejas com os restos de volta, através da ranhura, isso apesar do medo de ser mordido pelos cães.

Dormiu miseravelmente, acordando várias vezes e machucando a pele no cimentado áspero.

Despertou assustado: alguém gritava por socorro.

— Oi? Tô preso aqui também. Onde você está?

A outra pessoa não respondeu inicialmente, depois tossiu por alguns minutos.

— Calma, seja lá quem você for. Tô caminhando na sua direção. Meu nome é Roberto.

Carlos era o nome do segundo homem. Relatou ter conhecido uma mulher na noite anterior e que não se lembrava de nada depois. Roberto explicou o que acontecera com ele até então, sobre a porta blindada, sobre as instalações e a comida entregue duas vezes ao dia.

Algumas horas mais tarde, o relógio tocou. Roberto caminhou até a porta e notou, desolado, que somente uma bandeja com uma quentinha e duas garrafas de água foi disponibilizada. Abriu a portinhola e gritou:

— Somos dois, cacete! Cadê a comida do Carlos?

Os mastins latiram ameaçadores e ele desistiu de protestar e decidiu dividir a comida com o novo companheiro.

***

— O que é isso, Dantas? Uma nova edição de “Jogos Mortais”? – indagou Rodriguez.

— Não. Não tenho saco pra jogos. Jogos pressupõem chances, e elas não existem aqui – respondeu. — Ah, tenho um vídeo curto no celular, o dia dois no cativeiro. Querem ver?

Posicionou o aparelho sobre a mesa e, ao observar a imagem em cores, Marcos soltou um palavrão.

— Como?! Não filmou em infravermelho! A sala estaria um breu total, não? Então, então eles…

— Exatamente! Mas isso eles ainda não sabiam… Tampouco quanto a iminente chegada de mais gente e a estrita manutenção da cota de alimento… Disputas, sobrevivência, descobertas, presentinhos…

– Ah Ah Ah Eu dou duzentos e cinquenta pontos! Quero ver até onde você consegue levar esta história. Não acredito que consiga manter essa gente viva por muito mais tempo. – Disse a mulher e calou-se, pretendendo que as suas palavras caíssem sobre os outros como se fosse uma toalha de pano leve.

– Isso é demasiada pontuação!

– Acho que você vai perder a mão nesse desafio, está a brincar com uma realidade que desconhece! Parece um cientista a brincar com elementos estranhos e preste a perder o controle dos acontecimentos! Olha, eu só estou a avisar!

– O que é essa auréola em torno da tua cabeça? Agora virou santo?

Uma gargalhada bem sonora, vinda da boca de todos os que estavam em torno da mesa, interrompeu a conversa, e, a mulher levantou o braço para pedir mais vinho e mais comida. Dantas levantou-se, justificando mais uma viagem até ao banheiro.

***

 Os novos companheiros depois de dividir a comida, perceberam rapidamente que tinham que partilhar aquele espaço e o silêncio, viver envoltos naquela escuridão cada vez mais espessa. Apesar da habituação, os olhos não ganhavam mais características de observar no escuro. Conheciam-se há muito pouco tempo, mas já se percebiam pela respiração e pelos suspiros, para além de se conseguirem orientar pelo som. Aqueles ruídos do ar a passar os pelos do nariz, pareciam música, com uma diversidade de ritmos que refletiam o interior daqueles corpos. Interior cada vez mais escuro.

– Temos de dormir! – Disse um dos corpos perdidos naquele breu, e continuou – Não sei como, mas temos que dormir, já deve ter passado a noite e o dia… Aqui deixou de haver dia e noite. Nesta noite o tempo é constante, será sempre noite.

– Precisamos de um sol – Começou a falar o Carlos, logo interrompido pelo Roberto.

– Isso é uma tolice! Para que queres o sol? Para veres? Para ser dia? Se for dia não precisamos do sol para nada! Nesta noite precisamos é da lua. Ela é que nos iluminaria, seria a nossa estrela.

Lá fora ouviam-se os cães, cada vez mais furiosos e sempre mais perto. Aquela raiva fazia as paredes mais finas do que eram na realidade. Roberto passou as mãos pela face como a confirmar que não era o bafo de um cão qualquer a aquecer a sua pele. O suor nas mãos, por breves momentos, assemelhou-se a uma baba a deslizar na pele da sua face. Sentiu um calafrio a percorrer as suas costas, de alto a baixo, acabando na ponta dos dedos.

Sem dia nem noite, desconhecendo se os olhos estavam abertos ou fechados, estremeceram com o barulho de uma chave a entrar na porta, e em menos de um segundo a porta abriu, empurraram um outro corpo e fechou-se a porta. Somente houve tempo para se porem de pé, e já estavam perdidos naquela escuridão. O recém-chegado deixou o seu corpo em pé, esticou os braços para a frente tentando descobrir alguma coisa junto a si. Roberto e Carlos deram as boas vindas e falavam tentado descobrir o que se estava a passar. Professor, filósofo-escritor e o novo era futebolista. Não conseguiam encontrar um padrão justificativo para aquela prisão. Razões politicas? Não, nenhum deles participava em nenhuma acção pró ou contra quem quer que seja. O homem que entrou pediu ajuda para se sentar, os outros disseram-lhe para andar em frente, cinco passos, e encontraria uma parede.

A cor da pele deles também era muito diversificada, pelo que não seria a causa. Nenhum deles tinha amante, moravam em zonas bem distantes e frequentavam locais muito distintos uns dos outros. Nem transportes nem estradas tinham comuns. Não conseguiam perceber os motivos de serem os escolhidos.

A conversa estava fluida como água morna e eles perderam a noção da passagem do tempo, três horas, um minuto ou uma noite inteira. O último a chegar só queria dormir e acordar deste pesadelo.

– Tenho fome, não se come aqui? Fomos enterrados vivos?

Ficou o silêncio acompanhado pelo escuro e três corpos perdidos que acabaram por adormecer. Foi o latido dos cães que os acordou, em pânico, não sabiam se se levantavam ou aguardavam a chegada do futuro em pé.

Do outro lado da porta, o ladrar, misturado com o rosnar anunciava que alguma coisa estava a acontecer. Gente nova a entrar ou simplesmente alguém a passar? Talvez seja uma simples demonstração dos pequenos poderes daquele mundo minúsculo. A resposta não demorou a chegar, com uma nova abertura da porta, e, a entrada de mais três corpos robotizados. Não se registou nenhum movimento naquela sala, para alem dos três corpos, bem encostados que mostravam medo, talvez do escuro ou dos cães. Do desconhecido. Roberto ainda pediu licença para falar, mas a resposta foi o som da porta a fechar seguido de duas voltas da chave.

– Somente queria saber se íamos comer hoje e se a comida teria em conta estas seis bocas vazias. – Não se via a sua face, mas parecia uma estátua, fria e imóvel.

Passados três segundos os seus músculos começaram a ser repuxados por fios invisíveis, toda a sua pele era um papel amarrotado e a boca deixava os dentes bem visíveis, como os cães lá fora. A sensação de impotência deixou-o em silêncio e ausente. Uma voz pediu para os três novos se apresentarem e explicou as regras de vida naquele buraco. Ao fim de pouco tempo, os chegados por último, iniciaram a sua viagem para encontrar a parede periférica e sentaram-se, encostados na parede. O silêncio desconfortável aumentava como a fome ou a dúvida sobre o que estava a acontecer.

– Lá fora, nas notícias ninguém fala desta situação! O que será isto?

Os cães atiraram-se à porta, os seis corpos no interior do escuro estremeceram, talvez dormissem talvez só a matéria estivesse naquele local. Esperavam ouvir mais algum ruído. Mas nada aconteceu.

***

O Mercedes S600 blindado rasgava o ar com os seus brilhos, bem visíveis ao longe desde a esplanada onde se encontravam a aguardar a chegada do homem. Não se pode dizer que deixou o carro estacionado, foi mais desviar o carro do eixo da via e sair a voar para junto dos outros dois que o aguardavam.

– Novidades do outro lado da porta?

– Já se devoram uns aos outros?

– Não, mas as relações estão a deteriorar-se cada vez mais. Já falam como se disparassem balas, reagem como aqueles escritores quando alguém decide continuar os seus textos, matam!

– MATAM?!

Em torno da mesa, ficaram quatro corpos a tremer com as gargalhadas bem sonoras que saíam das suas bocas. O sol movia-se calmamente a acompanhar as sombras.

***

– Cada vez somos mais e vocês mantêm a mesma quantidade de comida! Querem o quê? Que lutemos pela comida ou que cada um coma o seu vizinho?

– Agora comemos só dia sim dia não? Vai ser ainda mais difícil de comer?

Aqueles berros foram interrompidos pelos cães a saltarem para a porta, estavam ferozes, muito ferozes.

– Temos que fugir! – Disse alguém desde um dos cantos.

A resposta que se ouviu foi um chorar abafado, talvez por mãos. Após o ruído da chave na porta, abriram a porta e antes de haver burburinho, já a porta estava fechada. A pouca luz que entrou deu para perceber que tinham deixado, em pé, um corpo de mulher pouco vestido. Dos que estavam no chão todos ganharam novas forças, desconhecendo-se a proveniência daquelas forças, conseguindo levantar aqueles corpos de metal pesado e sem articulações. Ainda se ouviram perguntas sobre o nome e quem estava ali. No escuro, os corpos mexiam-se com os braços lançados para a frente, como se fossem zombies. Alguns já tocavam na mulher, ouviam-se gritos entrecortados por choro. Várias vozes masculinas anunciavam a posse daquela mulher, sendo logo de seguida interrompidas por ais e palavrões. Naquela escuridão, um segundo demorava meia eternidade, o corpo da mulher começava a ceder mais que as poucas roupas que ainda pousavam na sua pele, as pernas tremiam e os braços já nem se afastavam dos seios nus. Os dentes procuravam qualquer coisa que se aproximasse do seu corpo. A cena não era arrepiante porque não se via, e os ruídos eram abafados pelo rosnar dos cães que continuavam a atirar-se à porta.

Aos poucos os corpos caíam no chão, sobrepostos e já ninguém encontrava forças para se arrastar até às paredes. A mistura de corpos era acompanhada pela mistura de odores, sobressaindo o cheiro de podridão, misturado com o de fezes e o de suor.

– Cheira a sangue! – Disse alguém.

– A morte!

– Só queria sentir gotas grossas de chuva sobre o meu corpo!

– Saudades de terra molhada.

Voltou o silêncio, e era mais pesado que os seus corpos. O cheiro a podre muito mais intenso. Dois ou três corpos arrastaram-se pelo chão a procurar a porta, um encontrou, e começou a bater na superfície metálica. Pelo som, os outros, os outros aproximavam-se e ajudavam a bater na porta e na gritaria. Pediam socorro e salvação, anunciavam que havia gente morta naquela escuridão. Talvez estivessem todos mortos, enterrados vivos, ali esquecidos. A mulher conseguiu fugir embrenhando-se na escuridão, procurando subir pelas paredes. Fez-se esquecida. Fugiu o mais que pode do som vindo das batidas na porta.

Alguém, por coincidência bateu com o braço no fecho da porta e ela abriu, e apesar de todo o cansaço, os corpos fugiram. Deram dois passos como se fossem bailarinos ou toureiros. Fugiam dos cães ou seria da luz, a maior fera? No meio da escuridão, aquela cena, parecia uma fotografia, tudo imóvel e em silêncio. Um corpo começou a mover os pés sem os levantar do chão, lentamente para não ser visível qualquer alteração naquela imagem. Slow motion real.

– Fugimos? – Perguntou alguém.

– E os cães? E os homens?

– Para fugir é preciso estar preso e a porta não estava fechada. A porta sempre esteve aberta. Fizemos a nossa prisão.

Começaram a correr seguidos pela mulher, que muito lentamente, diluída na sombra, movia-se procurando ocultar a sua nudez. As mãos, relembrando o seu amante, seguravam os seios grandes que apareciam por entre os dedos. Os lábios, longe do vermelho do desejo, estavam secos, todo o seu corpo estava seco e a necessitar de umas mãos doces, peludas e desejosas. Os músculos das pernas eram bem visíveis possivelmente pelo medo do que se passava à sua volta, ou na procura de não calcar o lixo espalhado pelo caminho. Em silêncio ouvia um eco que não se perdia no espaço: Fizemos a nossa prisão.

***

– O mal está espalhado, vencemos! – Disse o homem ao entrar no Mercedes. – Precisamos de continuadores para esta história! – Continuou a falar mas o ruído do motor sobrepôs-se à sua voz. O carro ia em direção do sol poente, e com o braço de fora continuava a falar.

 

Anúncios

36 comentários em “Reunião no clube (Rubem Cabral e Vitor Leite)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Percebi aqui, ao menos na metade inicial, a mesma estratégia utilizada no “Confusão no Saldão”. Em meio a um cenário comum – lá, a loja de departamentos; aqui, um clube para magnatas malvados – contam-se histórias sobre pequenos e nem-tão-pequenos pecados, envolvendo o leitor em múltiplos universos, com diferentes protagonistas. A competência literária aqui, porém, revela-se mais madura, melhor, com amplo vocabulário, excelentes construções frasais e uso adequado de metáforas (a do tanque de guerra estacionando no canteiro de flores foi a melhor). Tanto no que diz respeito a quem iniciou como quem complementou.
    Neste caso, vemos que o autor inicial ofereceu uma vasta gama de possibilidades a quem o sucederia, criando uma espécie de concurso bizarro de maldades. Caberia a quem continuasse a narrativa atar todos os nós deixados ou, como na verdade ocorreu, escolher uma das premissas e desenvolvê-la. Tivesse sido eu a complementar, creio que utilizaria a primeira ideia, ou seja, achar uma maneira de unir todas as pontas, mas acredito que o autor complementar, ao escolher a segunda hipótese, foi mais sábio. Com o limite de palavras enxuto para a continuação, não dava para abarcar todas as hipóteses. Desse modo, acredito que aprofundar a experiência com as pessoas trancadas lutando por um prato de comida resultou em algo interessante, com belas passagens filosóficas: “para fugir é preciso estar preso; fizemos nossa prisão”.
    Enfim, um conto competente e interessante.

  2. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Uma história que começa cruel. Grande inventividade para o mal, rs… Gostei do toque do senador. Se os políticos tivessem um mínimo de bondade no coração o povo brasileiro não sofria tanto, parece que somos governados por cascavéis. A segunda parte deu ênfase ao efeito “CUBO”. Não creio que era a intenção do primeiro autor, mas não ficou ruim. O segundo conseguiu dar unidade retomando as cenas originais e finalização foi coerente, a disseminação do mal. A história inicial ficou com alguma coisa no ar, mas tudo bem.

  3. Jowilton Amaral da Costa
    19 de agosto de 2016

    A premissa da primeira parte é bem interessante um clube de mal-feitores, reunidos para contar quem conseguiu fazer a pior maldade, com o irônico nome de Madre Teresa de Calcutá. hahaha bem legal. No entanto a continuação deixou a desejar. Uma narrativa confusa e pouco elaborada, fazendo com que o enredo degringolasse. Uma pena. Boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,

    Pra que viagem mais louca vocês me levaram agora hein: nem sei bem o que dizer.
    Gostei do conto. Achei que está muito bem escrito, não vi nenhum erro de português e consegui embarcar na viagem de vocês. Foi muito loko!
    Gostei da ambientação inicial do conto. Gostei dos personagens em volta da mesa e da interação entre eles. Quase morri de raiva lendo a parte do menino adotado.
    O único detalhe que eu achei que ficou faltando um pouco foi dar um pouco mais de conclusão à história do grupo de milionários. Por que eles se reúnem: Quem fizer mais pontos ganha algum tipo de premio: o que seria um premio para pessoas assim:
    Achei bem legal também a parte do conto em que as pessoas estão presas no escuro. Inicialmente, enquanto eu lia, não comprei muito a parte de botarem uma mulher na sala e os caras morrendo de fome resolverem atacá-la como fizeram. MAS, enquanto estava aqui escrevendo esse comentário, me lembrei de uma passagem da mitologia grega: o anel de Giges. Giges conseguiu um anel que o fazia ficar invisível. Quando descobriu os poderes que esse anel lhe dava, ele cometeu as maiores barbaridades e atrocidades.
    Quando lembrei dessa passagem, a cena fez muito mais sentido para mim. Colocaram uma mulher em uma sala completamente escura, na qual a pessoa não se sabia se estava de olhos abertos ou fechados, todos estavam ali havia vários dias, passando fome e sem entender o que estava acontecendo. Não duvido que algum, ou alguns, fariam o que fizeram.
    Por fim, gostei da metáfora de que eles não estavam presos, que se prenderam sozinhos. Também me lembrou outra história da mitologia grega: o mito de sísifo, citado na filosofia do absurdo de Albert Camus, mas esse comentário já está ficando longo demais e vou deixar Camus para uma próxima oportunidade.
    Parabens aos autores.

  5. Marco Aurélio Saraiva
    19 de agosto de 2016

    Humm, o clube dos vilões!

    A ideia inicial do conto era interessante, mas se perdeu no segundo ato. Deixou de ser um “clube de maldades” para ser um experimento a la “ensaio sobre a cegueira” e “O Albergue”. A porta sempre aberta no final foi um toque interessante, mas extremamente inverossímil. Sinceramente, a maldade de Ludmila pra mim foi muito mais impactante. Estou a té agora com pena do garoto adotado.

    Ambos os autores escrevem muito bem. A trama, porém, não agrada. O início realmente despertou a minha curiosidade, mas toda a história do cárcere foi o enterro do conto. Dantas parecia um homem inteligentíssimo e eu queria saber mais sobre ele, mas acabou que não vi nada mais a seu respeito. Todo o círculo de vilões foi excluído do conto.

    Enfim, uma história com potencial mas mal explorada.

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA:a narrativa inicialmente estabelecida, ainda que bastante improvável (fazer o mal em si, só por ser ou ser o mais malvado) , a meu ver poderia ter conduzido a uma solução diferente, mais significativa que um Big Brother da maldade.
    INTEGRAÇÃO: parcial, ainda há um solavanco estilístico entre as vozes narrativas.
    CONCLUSÃO: a segunda parte com certeza trouxe a nota do conto para baixo, e sua tentativa de filosofar sobre o sofrimento e a escolha individual ainda ficou muito vaga.

  7. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Aaahh …

    Essa foi mais ou menos a minha reação quando vi a história sendo subvertida, achei a premissa tão bacana e empolgante, mesmo que politicamente incorreto. Adorei a reunião, os relatos e os jogos sádicos dos integrantes, o que foi essa maldade com o menino órfã??? Incrivelmente maléfica, por mim teria ganhado com certeza. Até me vi continuando o conto com o menino se vingando, de tão revoltante que foi kk. Gostei bastante dessa primeira parte. A segunda…

    Bem, vamos falar da segunda… talvez o autor quis levar a maldade desse clube a outro patamar… mas não acho que tenha funcionado muito bem, o foco saiu de personagens absolutamente carismáticos, para outro apático e sem personalidade… foi uma caída de ritmo considerável. Não digo que foi ruim… mas não foi um bom complemento…digo, deixar os personagens apresentados em segundo plano, prejudicou o conto pra mim.

    Ficou bem escrito, e a angústia e escuridão foi nítida. Eu fiquei com a impressão que a mulher é a .. Ludi dessa Mafia…estou errada? Acho que sim, só ficou confusa essa participação desta mulher.

    Enfim, um conto bacana, com um.potencial que não fui muito bem aproveitado… nesse caso a primeira parte se sobressai. Mas não deixa de ser um bom conto no geral, trouxe elementos originais e alguns clichês que funcionaram. Tem uma não sutil questão política e social bacana aqui. Imagino que o autor inicial tenha usado isso de forma irônica, ou crítica. Tenho dúvidas.

    Parabéns aos autores.

  8. vitormcleite
    18 de agosto de 2016

    Quando li este texto – a primeira parte – escrevi nas minhas notas: a temática não me estimulou muito, mas é dos textos que me deixa na expectativa pela continuação.
    O sorteio ditou que eu iria continuar este texto, espero que o autor inicial não tenha ficado dececionado. Eu gostei de escrever esta continuação.

  9. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Esse conto me deixou meio dividido. Acho que prefiro comentar cada parte separadamente.
    A primeira tá bem interessante, o enredo tá bem tramado e interessante e a gramática tá quase impecável. O mais interessante é como a história me envolveu. Quer dizer, maior maldade que os caras tão contando e eu comecei a me sentir mal de ler, senti uma repugnância ao testemunhar aqueles cuzões contando as maldades hahahah. Acho que isso é um dos maiores indícios de que uma história tá profunda e atingiu seu objetivo: quando o leitor sente as mesmas emoções que o texto expressa.
    Já a segunda metade não agradou tanto quanto a primeira. Não que esteja ruim, pelo contrário, conseguiu manter uma pegada interessante. Começou legal, mas a conclusão não me convenceu muito. Fiquei com um gostinho de quero mais na boca, acho que pela expectativa criada na primeira metade.
    Mas teve vários pontos positivos também. Não sei se foi impressão minha, mas senti uma certa referência ao próprio desafio. Gostei da intertextualidade.
    Enfim, em geral tá interessante, só a conclusão que não me agradou totalmente.

  10. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Muito bom, com temas fortes e aterrorizantes: loucura, clubes misteriosos, a fragilidade humana, tortura física e psicológica – a morte, sempre rondando. Mexeu comigo. Gostei.
    Nota 9,4

  11. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a premissa é cruel, mas bastante interessante. Na parte que mostra o ponto de vista dos personagens que sofrem as maldades, ficou ainda melhor, mas faltou personificar mais cada um deles, fazendo sentir o que eles sentiam. A segunda parte, perceptível por ser escrito provavelmente por um autor lusitano, manteve o ritmo, embora a narração tenha ficado um pouco mais densa e confusa. O fim, deixando a entender que eles estavam presos por que queriam, ficou interessante, mas esperava uma melhor resolução para o plot principal (o clube de maldades). Acho que teve um furo também: as câmeras não usavam infravermelho, então eu entendi que estavam todos cegos.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): aqui ficou bem fácil diferenciar as duas partes, pois o segundo autor é muito provavelmente da “terrinha”. O primeiro narrou bem e escreveu bons diálogos e o segundo trouxe elementos interessantes na narração, mas que deixam a leitura mais pesada. Na média, é um texto bom de ler, mas que não chega a se destacar tanto nesse quesito.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não chega a ser um mote totalmente novo (jogos mortais, ensaio sobre a cegueira, etc.), mas me pareceu, ainda assim, bastante criativo.

    👥 Dupla (⭐▫): o segundo autor continuou bem o conto, mantendo a mesma história. A diferença de estilos, porém, ainda deixa a sensação de dois textos diferentes.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): algumas cenas fortes causaram impacto inicial bom e o meio também. O fim, porém, não trouxe o impacto esperado para uma história tão forte.

  12. Andreza Araujo
    17 de agosto de 2016

    Horrível, cruzes. Se pudessem ver a minha cara agora, teriam até pena! Senti asco, tristeza, raiva… tudo junto. Essa leitura me fez mal, é um texto forte. Sei que não tem muita tortura nem detalhes tão cruéis, mas eu realmente fico muito impressionada com textos assim.

    Bem, a narrativa é impecável, ambos os autores dominam a arte da escrita. Só sei que eu nunca mais quero ler esse texto na minha vida! Não é ruim, muito pelo contrário, pois se fosse ruim, eu sentiria tédio… Eu quis fechar os olhos, parar de ler, mas no fim eu continuei, precisava saber se eles conseguiriam sair de onde estavam.

    Só não entendi a questão da escuridão, pois a filmagem não estava em infravermelho, o que deu a entender que eles estavam cegos, mas na cena da mulher eles percebem de longe que era uma mulher “pela pouca luz que entrou”.

  13. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! O começo do relato me chocou um pouco: “O Mercedes S600 blindado “cortou” o Palio…”. Usar aspas para assinalar um usou uma gíria ou expressão idiomática?! Isso é muito tosco, use as aspas para outras coisas, como separar diálogos. Um leitor que se confunde com uma gíria não merece ser elucidado, assim, por favor, nunca mais faça isso. No segundo parágrafo, uma pequena confusão: “Sem mancar ou exibir qualquer problema físico, o Sr. Dantas Albuquerque teve a porta aberta pelo motorista de pele escura, impecável em seu uniforme, e que segurava um guarda-chuva inglês, evitando assim as gotas chorosas que poderiam desalinhar os cabelos fixados com gel do patrão”. Desalinhar os cabelos de quem, do patrão ou do motorista? Não se entende se são os cabelos ou o gel que são do patrão. Essas ambiguidades involuntárias podem confundir o leitor, e até levar a mal entendidos quanto ao significado do que se leu. Assim, meu conselho é: duplo sentido, só se for de propósito. A história é sobre um grupo de ricos que se reúnem para disputar uma competição de maldades, o que fizer a maior ganha. É um tema que foi muito explorado pelo Marquês de Sade e sua “Sociedade dos Amigos do Crime”. A diferença é que os libertinos de Sade se dedicam as mais extremas crueldades, sem nenhum limite, enquanto no conto os competidores se dedicam a maldades, na maioria das vezes, extremamente modestas, quase infantis. Estacionar em vagas para deficientes?!?! Francamente, isso é um conto infantil? Apesar desses senão a primeira parte foi bem divertida, muito melhor que a segunda. O relato dos aprisionados no Jogo Mortal foi bastante monótono, já que não era uma jogo de verdade; não havia nenhum quebra-cabeça a ser desvendado, nenhuma quest a ser cumprida. O desfecho foi ridículo: a porta estava aberta o tempo todo? E ninguém teve a ideia de tentar abrir a porta para fugir? Bem absurdo… Bom, de qualquer jeito, a primeira metade foi mediana, a segunda ruim, um conto regular. Desejo para vocês Boa Sorte.

  14. Fabio Baptista
    15 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Reunião no clube

    TÉCNICA: * * * *

    Achei o começo meio truncado, muito adjetivado. Depois a leitura flui muito bem.
    A segunda parte voltou a travar, em parte pelo sotaque português, que me exige atenção redobrada, e em parte pela trama (comentada à frente).

    ATENÇÃO: * * * *
    A primeira metade prende bastante atenção, a ideia da história pode não ser inédita, mas é muito boa.
    O complemento, infelizmente, acabou dando uma dispersada.

    TRAMA: * * *
    Essa era uma das histórias que eu gostaria de ter continuado.
    Embora acredite que o primeiro autor tenha ido um pouco além do ponto ideal da transição. O melhor, na minha opinião, seria acabar chamando um dos membros do clube e perguntando “e aí, qual foi a sua maldade?” e deixar a bola pingando para a criatividade do segundo autor dar continuidade livremente. Desse jeito, ficou meio “engessado”, obrigando o coautor a seguir nessa linha Jogos Mortais.

    E foi o que aconteceu… infelizmente, até demais. A trama acabou na segunda etapa, tornando-se apenas uma descrição das maldades. E as indiretas às regras do desafio não ajudaram em nada e o final, fazendo nova referência à questão de continuar conto dos outros, também não me agradou.

    UNIDADE: * * *
    As peças não se encaixaram muito bem por aqui.

    NOTA FINAL: 7

  15. Thales Soares
    13 de agosto de 2016

    Gostei muito do começo da história. Esse era um conto que prometia! Criativo e bem conduzido. O segundo autor se virou bem no início, mal pude perceber o momento da transição. No entanto, não pude deixar de perceber algumas quebras de lógicas, o que é gravíssimo dentro de uma história fechada como essa. Por exemplo, o primeiro autor afirmou que as personagens estavam “cegas”, e que na verdade não eram as luzes que estavam apagadas. O segundo autor modificou tal afirmação, e disse que as luzes estavam sim apagadas, e que as personagens conseguiram ver a mulher quando ela chegou.

    O autor principal fez um conto difícil de ser continuado. Difícil devido a quantidade de detalhes ocultos e pontas soltas. O coautor, apesar de tentar manter o clima de suspense, deu umas escorregadas feias. O pior da história foi o final. Para mim, esse fechamento enterrou de vez toda a obra. O jogo maligno dos membros do clube foi simplesmente esquecido, tudo o que estava sendo construído foi desfeito quando as personagens foram soltas e descobriram que a porta desde o início estava….. aberta? Aff.. essa eu não consegui engolir! Fiquei com cara de caneca quando li esse desfecho.

    Pontos Positivos:
    – História criativa.
    – Narração boa e que prende o leitor.

    Pontos Negativos:
    – Quebras de lógicas na segunda metade.
    – Final broxante.

  16. Bia Machado
    13 de agosto de 2016

    – Conflito: 2/3 – Não há um conflito bem delimitado, ou mais destacado. São as pessoas no quarto? Ou é a ação no clube (pra mim a parte que estava mais interessante)?
    – Clímax: 2/3 – Podia ter sido melhor. No momento do clímax, pra mim, tudo aconteceu rápido demais.
    – Estrutura: 2/3 – Interessante, mas a ação do começo do conto se perdeu, acabou ficando em segundo plano. E eu me pergunto, por quê?
    – Espaço (ambientação): 2/2 – A atmosfera é bem angustiante nos momentos da prisão.
    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Gostei muito, mas os sócios do clube poderiam ter sido mais bem aproveitados.
    – Narração (Ritmo): 1/2 – Prende a atenção, mas o excesso de adjetivos na primeira parte quebrou um pouco o ritmo da minha leitura.
    – Diálogos: 2/2 – Bem construídos. E não me deixaram confundir as personagens.
    – Emoção: 1/2 – Gostei mais da primeira parte do conto. Se tivesse continuado mais um pouco lá, fazendo vir à tona mais podres e absurdos dos sócios… O final me decepcionou um pouco. E acho que há alguma autoria portuguesa aí nessa história, por algumas expressões que aparecem rs.

  17. Gilson Raimundo
    13 de agosto de 2016

    Um clube de maldades semelhante o da franquia “O Albergue”, nada de novo apareceu, teve sim um pouco de jogos mortais e outros tantos enlatados americanos. Ludmila foi a que mais se destacou em seus relatos. Na segunda parte a angustia de se estar confinado não foi explorada, não se aproveitou o drama da prisão, os caras nunca tiveram vontade de partir para cima da porta quando ela se abria, perdeu em verossimilhança neste ponto, o certo era correr como boi bravo em direção à luz, estes personagens são muito preguiçosos, a porta que sempre esteve aberta foi uma boa jogada, pois mostrou o quão inúteis eram os prisioneiros que sem forças para se erguerem ainda pensavam e faturar a donzela…

  18. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: este conto também apresenta, de modo geral, um bom domínio da escrita. As cenas deploráveis são exploradas de modo a causar repulsa e indignação no leitor – em alguns momentos da primeira parte podemos notar a tentativa de um humor sarcástico.
    Criatividade: a ideia do clube da maldade é legal e poderia ter sido ainda melhor aproveitada no começo se não fosse o apelo “tragicômico”. O desenvolvimento corre dentro do proposto em princípio, tendendo ao cenário dos “Jogos Mortais”. O trabalho com as emoções e com as atitudes dos personagens ganhou peso nessa parte.
    Unidade: em questão de enredo, a transição é muito bem feita. Os estilos são diferentes, claro. Se não estou enganado, a veia lusitana prevalece no complemento, e isto é um bônus admirável, prova que as diferenças estilísticas podem trabalhar a favor da essência do texto. No geral, é um conto bem guiado, com suas pontas amarradas na medida correta.
    Parabéns e boa sorte!

  19. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    O final um pouco aberto. O homem que bolou essa prisão ganhara? Rs, poderia ter encerrado com quem ganhou o jogo. Mas foi sim, um final interessante. Apesar de altamente estranho nenhum deles nunca ter tentado abrir a porta antes. Tirando essa estranheza, foi bem legal. Confesso q observei um certo viés político neste conto, q parece ter sido colocado mesmo d maneira inconsciente, rS’ Pessoas ricas são as más aqui..a visão de o menino ser sempre maltratado por todos e precisar de cuidados especiais com o destaque para a etnia dele e a tal ONG ou algo assim ser de esquerdopatas, no contexto colocados como bonzinhos; Apesar disso, achei bem interessante a reunião. O conto ganhou pontos comigo por ser instigante, não necessitar de muito esforço pra ser lido, não ter sido um fardo, em outras palavras. A narrativa não é cheia de arranjos desnecessários, ou exagerada em detalhismos que cansam, alguns personagens possuem personalidade forte, o que é positivo, pois dá vida a eles. O jogo de quem faz a pior maldade, foi muito criativo. No fim, o drama da mulher colocada no recinto cheio de homens também foi bem descrita e realista. Só que tiveram uma espécie de final feliz, os presos, pois foram “libertados”, algo que destoou das vítimas dos jogos iniciais.

  20. Simoni Dário
    12 de agosto de 2016

    Olá Dupla

    A parte inicial prendeu bem mais a minha atenção, achei melhor escrita e sustentou bem o enredo de personagens FDP, com todo o respeito. A troca para a fase complementar não ficou marcada, eu quase não percebi, tive a impressão de o autor inicial ter escrito muitas palavras e deixado o mínimo para complementação. Quando percebi a mudança, aí não gostei do que seguiu e o desfecho, apesar da boa ideia, não me agradou. A escrita também fica comprometida na fase complementar em relação a inicial.
    O peso maior na nota está com a parte inicial.
    Abraços

  21. Muito bom.

    A primeira parte do conto traz uma trama angustiante, com um trabalho focado no terror. Mas o que mais me impressionou foi o terror psicológico contido no texto.

    A segunda parte, a principio, parecia não seguir pelo mesmo caminho, indicando que o conteúdo seria focado na violência. Mas o autor surpreendeu com seu final inesperado e muito coerente.

    Uma espécie de brincadeira com o “Mito da Caverna”.

    Parabéns a ambos os escritores.

  22. apolorockstar
    11 de agosto de 2016

    o conto tem uma ideia interessante e macabra, tem alguns erros de digitação na segunda parte que infelizmente tiraram alguns pontos ,porem a premicia é muito boa e o fluxo também, algumas figuras de linguagem foram bem utilizadas,mas o final foi difícil de entender, não se sabe se eles estavam cegos ou não

  23. Júnior Lima
    10 de agosto de 2016

    O conto se inicia muito bem, com uma premissa bastante inusitada e interessante. Um Pink Flamingo aristocrata. Desejei que a história até o fim explorasse as peripécias dos ricaços malvados, mas tudo bem.

    De certo ponto pra frente, o estilo passa do humor negro para descrição de um experimento psicológico macabro. O tom muda. Eu estava adorando a ideia inicial, mas pelo menos a história continua bem narrada e a curiosidade persiste.

    O final é um tanto aberto a interpretações e, por isso mesmo, dá o que pensar. A conclusão também complementa bem o que veio anteriormente. Gostei.

  24. Anorkinda Neide
    10 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    Texto um pouco arrastado, com personagens caricatos. Mas instiga q querer saber até onde as maldades chegam e provoca ao pensar nos motivos delas e ainda, será q não é assim, na vida real? hahaha É um texto bem escrito.
    .
    Comentario segunda fase:
    A continuação apesar de ser um tanto longa, foi corrida e repetitiva, toda hora entrava mais um no aposento. Não pegou o gancho de q estavam todos cegos de verdade e nao continuou com a reuniao dos amigos sádicos. Ok, o espaço era exíguo para muita coisa, mas… é como se fosse outro conto, apesar de continuar a partir da cena dos personagens encarcerados. A conclusao final de q eles mesmo fizeram a sua prisao é interessante, mas faz parte d eum outro conto e nao segue a premissa do início.
    .
    União dos textos.
    Como falei acima, a junção focou em uma cena apenas e fez dela praticamente outro conto. Infelizmente não houve coesão.
    Mas os dois autores sao ótimos, parabens! Abraços

  25. Catarina
    8 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Abre duas grandes portas para evoluir. O jogo dos ricos e o lado de algumas vítimas. Os personagens são fortes e o mistério da maldade criativa é um belo presente para quem continuar, desde que seja bom em subtramas. Haja ponta para amarrar.

    PIOR MOMENTO: O proprietário do Mercedes S600 estaciona com “a doçura de um tanque de guerra” provavelmente porque está “confortavelmente aninhado na poltrona de pelica que desempenhava o papel de banco traseiro”. Ele dirigia do banco traseiro?

    MELHOR MOMENTO: “Antes de ir, perguntou se poderia levar o gato consigo, o que foi, é claro, negado. Óbvio, joguei o vira-lata fora logo depois, assim como fizera com o pivetinho.” – Vi a maldade escorrendo pelo canto da boca. Muito bom!

    PASSAGEM DO BASTÃO: O despertar do desejo de vingança no coração da torcida ajudou a passar o bastão. Mas o coautor prefiriu aumentar a dor.

    2ªPARTE: Houve a intensificação da tortura e a competição tornou-se obsoleta diante da nova narrativa. Estilo intenso, soube aproveitar a oportunidade, mas não as subtramas.

    PIOR MOMENTO: “Para que queres o sol? Para veres? Para ser dia? Se for dia não precisamos do sol para nada! Nesta noite precisamos é da lua. Ela é que nos iluminaria, seria a nossa estrela.” – Para mim não fez o menor sentido essa viagem.

    MELHOR MOMENTO: “Passados três segundos os seus músculos começaram a ser repuxados por fios invisíveis, toda a sua pele era um papel amarrotado e a boca deixava os dentes bem visíveis, como os cães lá fora…” – Bonito isso, gajo! Tradução imponente da dor.

    EFEITO DA DUPLA: Trata-se de uma dupla além-mar, intercontinental. Estilos tão diferentes, mas estranhamente complementares.

  26. Olisomar Pires
    4 de agosto de 2016

    Um conto supostamente de terror, entretanto, a primeira parte pecou pelos diálogos totalmente incoerentes com a posição das pessoas envolvidas: ninguém chamaria de “esquerdopatas” uma instituição de caridade, geralmente esses lugares são dirigidos e mantidos por apartidários ou, no mais das vezes, religiosos, pois a chamada “esquerda” tem uma agenda mais geral e política, nao se preocupando muito com o cidadão, o indivíduo-humano, basta fazer uma pesquisa.

    A segunda parte é imensamente melhor escrita, embora tenha se rendido ao argumento original, uma estrondosa mudança de rumo teria sido genial.

    Como um todo, o conto se mantém.

  27. mariasantino1
    3 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Achei um bom começo, instigante, cínico (isso não é pejorativo), bem narrado e de fácil entendimento. E esse fator me fez crescer o interesse pelo que viria a seguir. Não vi uma outra forma de dar prosseguimento (quando li esse conto), que não fosse falar também desse cativeiro aí e dessas pessoas. Não vou ficar dizendo que a ideia veio desse ou daquele livro que não li, mas a sacada desse clube me lembrou o filme UM JANTAR PARA IDIOTAS, no qual alguns figurões se juntavam para rir da desgraça alheia. Enfim, a primeira parte é instigante e narrada com clareza.
    A segunda parte ficou muito focada no cativeiro e retirou a participação dos outros personagens (os jogadores da primeira parte), e isso, pra mim, fez o conto perder pontos, porque se sente a ausência desses personagens que iniciaram a trama, mesmo com o retorno de um no fim. Na primeira passagem se percebe o autor mostrando um pouco da natureza humana, ou do que algumas pessoas são capazes de fazer umas com as outras, mas na segunda parte essa reflexão fica diluída só no visual. Enfim, um conto com potencial para mais que acabou perdendo com a segunda parte.

    Boa sorte no desafio.
    Nota: 7

  28. Pedro Luna
    3 de agosto de 2016

    Achei a trama bastante interessante. O Clube me lembrou alguns clubes de filmes ou de HQS, onde personagens se reúnem para comemorar atos de maldade. Bom, aqui os personagens são sádicos mesmo..kk. Quanto a situação principal, dos confinados, achei bem cruel e ao fim, quando descobrem que a porta não estava trancada, teve uma pitada de Saramago. Eles fizeram a sua prisão, claro, com a ajuda de quem os pusera ali, mas o pecado foi não tentar fugir. Teve uma pegada de filosofia nesse final.

    É interessante e bem escrito, só daria um trato em algumas passagens que me soaram desnecessárias, como esse diálogo improvável em tal terrível cenário: “Isso é uma tolice! Para que queres o sol? Para veres? Para ser dia? Se for dia não precisamos do sol para nada! Nesta noite precisamos é da lua. Ela é que nos iluminaria, seria a nossa estrela”.

  29. Wesley Nunes
    2 de agosto de 2016

    Analise da primeira parte.

    Em todo o texto, me chamou a atenção o cuidado em que o autor montou as cenas. Desde a Mercedes sendo estacionada, a formação do clube até as dependências do hotel. As imagens ficam vivas na mente do leitor. O autor conseguiu através da sua escrita manter um ar de arrogância, demonstrado não só na voz dos personagens como também na voz do narrador. Essas vozes combinam com as cenas retratadas e com a trama do conto. Gostei dos momentos em que as descrições se alternaram da riqueza para imagens perigosas e medonhas.

    Nesse texto eu só encontrei motivo para elogios e nenhuma falha em relação a escrita. A intenção do autor foi clara: Provocar raiva e repulsa no leitor. Em minha leitura, eu senti esses sentimentos. A ideia do jogo possui originalidade e o leitor cria expectativa de como ele irá ser encerrado.

    Analise da segunda parte

    Conforme encerrei a leitura da primeira parte, a expectativa para a segunda tornou-se enorme. Gostei de como o autor aproveitou a deixa da parte inicial e decidiu mostrar um dos “jogos” em detalhes. O texto consegue transmitir uma sensação claustrofóbica para o leitor e conseguimos sentir a aflição dos personagens. Os diálogos feito pelos horrendos jogadores, ainda mantém o tom arrogante e isso fornece uma unidade ao conto.

    Notei no conto o uso de um artigo antes do verbo. Exemplo: a brincar, a avisar, a passar. Essa escolha gramatical não combina com o tom da primeira parte e ainda mencionado a escrita, informo que o excesso de uso do artigo “a” deixa o texto repetitivo e cansativo.

    O seguinte trecho:

    “reagem como aqueles escritores quando alguém decide continuar os seus textos, matam!”

    Esta sentença provoca riso em mim enquanto participante do desafio, mas essa analogia me pareceu forçada ao ser inserida no conto.

    O texto possui alguns raros deslizes, originados possivelmente de erros de digitação.

    Parabéns pelo incrível suspense e pela criatividade.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    2 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Reunião no clube (Madre Teresa de Calcutá)
    CA: O texto começa muito bem, e traz aquele clima de histórias antigas, de “rodas de cavalheiros” (nem tanto nesse caso), mas que possui o mistério já embutido no contexto. O suspense é bem construído, mas a quebra de histórias no final não me agradou muito. O próprio personagem poderia estar contando, sem a quebra. Mas é opinião pessoal. – 9,0
    MAR: O início é um pouco travado, mas passando essa parte, o restante se desenvolve muito bem, cativando a curiosidade do leitor ao perceber que estranho clube era aquele. – 8,0
    GO: Bem original em sua abordagem. Tirando a parte da quebra brusca, o enredo prende a atenção do início ao fim. – 8,5
    [8,5]

    JUN: É notável pela troca de gramática. A intenção foi boa, fingir que a continuação começava depois. Neste caso vou me ater somente à história, pois o estilo (português) é diferente. No entanto, mesmo passando por cima das diferenças, notei várias trocas de tempos verbais e cenas confusas. O segundo autor começou bem, mas talvez, na ânsia de escrever tudo, atropelou algumas cenas. Precisava de um pouco mais de coesão, sem tantos eventos sucessivos, mais focado na emoção e sensações, que o texto pedia. – 6,5
    I: O conceito geral é bem interessante e foi seguido à risca, isso não posso negar. Então ganha pontos pela continuidade. – 8,0
    OR: Aristocracia se divertindo com classes menos privilegiadas. Já vi isso em algum lugar, mesmo assim, foi abordado de forma criativa, mesmo sem um fim específico ou vingança, pagamento, etc. – 8,0
    [7,5]

    Final: 8,0

  31. Evandro Furtado
    2 de agosto de 2016

    Complemento: Upgrade

    A primeira parte já havia surgido com uma ideia bastante interessante, deixando pontas para que o segundo autor pudesse continuar, ele o fez com maestria. Apesar da mudança do tom empregado – nesse caso, julgo, em razão de pertencer a uma outra variante da língua, provavelmente a lusitana – o trabalho feito com os personagens e, sobretudo, com a trama, foi muito bem executado. Ao explorar a natureza animal da humanidade, o autor foi capaz de trazer questionamentos interessantíssimos. Também foi interessante a mudança de cenário sobre a qual o conto foi narrado.

  32. Danilo Pereira
    1 de agosto de 2016

    O texto tem uma temática legal. Um clube de “psicopatas” praticamente… acho que faltou um pouco mais de tensão nas imagens… histórias de suspense são sustentadas com drama. Mas, como afirmei, achei a temática muito boa NOTA:7

  33. Thomás Bertozzi
    31 de julho de 2016

    O conto começa muito bem, mas depois eu me perdi.
    Já li três vezes e ainda não ficou claro.

    A porta está aberta mas a chave gira pelo menos em dois momentos…
    Os cães somem de repente? Ou nunca estiveram lá?
    No momento da fuga, alguém se move arrastando os pés . Era alguém que vigiava do lado de fora?

    O “Dantas” é o diabo ou algo parecido? Pelo jeito ele voa.
    A parte do segundo encontro que ele tem com 4 pessoas… são as mesmas quatro personagens do hotel?

    Acho que a intenção era deixar tudo meio sinistro, borrado mesmo.
    Mas ficou confuso demais (na minha opinião).

  34. angst447
    31 de julho de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama -Aderência)
    T – Título simples, sem deixar qualquer dica sobre o enredo desenvolvido.
    R – Quase nada escapou da revisão:
    Papeis > papéis
    para alem > para além
    A segunda parte apresenta algumas características que sugerem um sotaque lusitano.
    E – O segundo autor respeito a ideia inicial do conto e seguiu na mesma levada. O ritmo mudou um pouco e perdeu as características das proezas de malvadeza, dentro da competição do clube. No entanto, vale ressaltar que o autor não se utilizou de qualquer recurso para se desviar do caminho proposto. Objetivo do certame alcançado com sucesso.
    T – A parte inicial apresenta-se mais carregada de acontecimentos vis e caracterização dos personagens. Já a continuação traz um elemento a mais: a densidade das relações mantidas dentro de espaço limitado e sob condições desumanas. “Fizemos a nossa prisão.” Foi o ponto alto do conto.
    A – O conto prende a atenção por funcionar como uma avalanche de informações acerca da maldade humana. É natural e humana a curiosidade sobre o que de mais cruel poderia acontecer com os pobres coitados confinados. Não é um conto leve, mas a narrativa focada na capacidade criativa de produzir o Mal deu lugar a um certo tom filosófico sobre as relações pessoais. Fui até o fim da narrativa sem me cansar. Bom trabalho.
    🙂

  35. Matheus Pacheco
    31 de julho de 2016

    Fala ai amigos, tem uma coisa que me incomodou um pouco começo, que foi aquela reunião dos milionários sociopatas, com aquela contagem de pontos (que eu acho que ficou um pouco confuso), e além disso concordo com um dos personagens falando que parecia um “Jogos Mortais” (HAHAHAAHAHAH)

    Abração amigos

  36. Davenir Viganon
    31 de julho de 2016

    Olá. Gostei da ideia do conto, esse clube da maldade e o jogo medonho de um deles. Achei uma pena o “continuador” ter voltado pouco ao clube, deixando aquele arco aberto demais. Ficou em aberto um dos homens reunidos do clube. A resolução dos trancafiados pelo homem do clube ficou bacana ainda que o desfecho não tenha tanto impacto, foi bem escrito. Só achei que a referência ao desafio não foi o suficiente para me surpreender.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 29 de junho de 2016 por em Duplas e marcado , .