EntreContos

Literatura que desafia.

Confusão no Saldão (Bruna Francielle e Simoni Dário)

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Seis e meia da manhã, e um aglomerado de mulheres (e alguns homens) já começava a aparecer em frente a loja Paquinstein, no centro comercial da cidade.

Umas trinta mulheres haviam passado a noite na espera e todos que chegavam, procuravam ficar próximos à porta, para terem uma pequena vantagem na hora de levar o que quiserem antes dos outros que chegassem depois.

A loja de roupas de luxo abriria as nove da manhã, e havia anunciado nos últimos dias na TV, no rádio e pelas redes sociais que estaria fazendo um grande saldão com até 70% de desconto em algumas peças.

Ter uma roupa da loja Paquinstein era equivalente a ter um celular IPhone para as pessoas, e assim como ocorreu com o Iphone que, apesar do preço alto, é de alguma forma obtido até mesmo por integrantes da classe econômica C, assim se popularizou a loja Paquinstein. E aquele dia estava sendo esperado por gente de todas as classes.

Com cartões de créditos em punho, dinheiro vivo e moedinhas nas bolsas, as mulheres e alguns homens aguardavam ansiosos a realização de um sonho: adquirir várias roupas Paquinstein.

Mas o que os levou ali, não foi algo assim tão simples. Junto com uma peça Paquinstein, vinha: alegria, alto estima aumentada, status, sensação de ter algo que os outros valorizam, o sentimento de ter seu ego massageado com óleos perfumados. Assim era a experiência de pegar uma roupa no amostrador, levar ao caixa, pagar (nem que seja em 12 vezes sem juros) e levar pra casa, para, posteriormente, ostentar para os outros e pra si mesmo.

Jucileyde, uma loira falsa de uns 35 anos, magérrima e uma das representantes da classe C na espera, era uma das que havia passado a noite aguardando pra comprar. Apesar dos sinais da idade já evidentes em sua face, tais como alguns pés de galinha aqui e outros ali, era vaidosa e namorava atualmente um rapaz de 28 anos, moreno, que gostava de visitar o bar do bairro em que residiam. Era uma mulher comum e tinha uma filha adolescente. Agarrada à porta, ela ainda não sabia que seria uma das primeiras vítimas do saldão “Liquida Tudo”, incomumente realizado por uma loja de luxo – sabendo-se que isso é costume de lojas mais populares.

Assim que as portas se abriram, pontualmente as 9:00 a.m., sua magreza e falta de força não foram capazes de conter os clientes nervosos e animados atrás de si, que rapidamente a empurraram, a derrubaram e posteriormente a pisotearam até fazerem seu caminho para dentro da loja.

E ali, jogada no chão, antes de conseguir pegar sequer uma blusinha, padeceu Jucileyde, mãe de Ketlyn de 14 anos, namorada de Alexssandroson, de 28 anos.

O segurança da loja não viu ela, até que toda a manada de gente finalmente passasse. Pessoas ainda chegavam sem parar, mas como o grosso do pessoal havia passado, os novos clientes puderam desviar do corpo estendido no chão. Geralmente as pessoas param para observar uma cena grotesca – ainda mais se houverem mortes ou feridos -, seja ela um acidente na rodovia, ou um vídeo de assassinato mostrado abertamente na televisão, mas ali, a ânsia de comprar era maior que a curiosidade mórbida, e decidiram não gastar tempo para contemplar o corpo, partindo direto para o ringue de lutas a sua frente. Não tiveram tempo de sequer lamentar, talvez alguns nem tivessem a notado; o sentido extrassensorial captou um obstáculo no chão, mas os olhos procuravam por coisas desejosas nos estandes de roupas e acessórios.

– Uma mulher caiu aqui, ela morreu. – disse o segurança em seu walk-talk para a gerente, sem muita emoção em sua voz. – Ok. – respondeu à ordem de retirar a moça do meio do caminho.

Arrastou Jucileyde para fora, na calçada, a deixando encostada na parede da loja. Teve o cuidado de não deixar o corpo de forma que alguém pudesse sem querer tropeçar nele. Após isso, aguardou a gerente decidir para quem deveria ligar a fim de virem buscar o corpo.

E dentro daquele recinto onde ocorrera o homicídio de Jucileyde – mais tarde, arquivado e sem ninguém preso pelo crime, dada a impossibilidade de saber quem foi o autor do pisão fatal – ainda estava Neuza. Se estivéssemos no faroeste, Neuza seria conhecida como o gatilho mais rápido do Oeste, mas como estávamos no Brasil, Neuza era apenas a mão mais rápida da favela em que residia.

Ela era talvez a única pessoa que não estava preocupada em agarrar uma calça jeans feita pelo estilista Joan Carl Pison, ou uma cinta desenhada por Annabelle De La Fleirrer ali. Ao contrário, estava mais interessada em desbravar bolsas e mais bolsas da mulherada distraída e pode-se dizer até mesmo em um breve episódio de loucura momentânea.

Vupt, uma carteira arrebatada aqui. Vupt, um cartão de crédito escorregando para a mão dela ali. Vupt, mais uma carteira foi parar em sua mão – dali, pra sua bolsa, que estava cada vez mais cheia de carteiras.

Quando depois Maria Aparecida, uma das mulheres que ali estavam, fosse ao caixa pagar pela jaqueta de inverno que comprara, seria tarde demais. Ela descobriria que não tinha mais dinheiro, nem cartão, nem nada para pagar pela jaqueta, pois sua carteira haveria sumido, levada pela mão mais rápida da zona Oeste – a de Neuza.

Era como um buffet para Neuza, ela deambulou pelo certame por aproximadamente uns quarenta minutos até ir embora sem levar nenhuma roupa ou acessório, mas jamais de mãos vazias.

Na saída, encontrou com alguns policiais que analisavam o corpo de Jucileyde, mas não se desesperou. Ao contrário, ajeitou destemidamente o cabelo, ergueu a cabeça, arrebitou a bunda e saiu andando, em direção a seu doce lar onde mais tarde, faria suas compras via internet usando alguns cartões de crédito roubados.

Enquanto isso no estande de camisas masculinas sociais, algo incomum ocorria.

– Solta, eu vi primeiro! – esbravejava um rapaz gordo com um piercing rosa no nariz.

Era uma briga de homens… por uma roupa!

Três sujeitos se digladiavam por uma camisa em tom lilás com listras amarelas, que em seus dias comuns custava dois mil e seiscentos reais e que naquela manhã ensolarada estava pela bagatela de quatrocentos reais.

– Solta você, você claramente não tem a classe nem o porte necessário pra usar essa camisa! – respondeu o baixinho de bigode, momentos antes de levar um soco do terceiro homem, um afrodescendente musculoso.

A luta era basicamente entre o afrodescendente de nome Carlos contra os outros dois. Ele puxava a camisa para si, em uma direção, enquanto os outros dois mais fracos tentavam puxar dele, na direção inversa.

A impressão era de que o pescoço do baixinho havia dado um giro de trezentos e sessenta graus para a direita com a potência do soco recebido, mas nem assim ele largou seu sonho de consumo.

Quando virou o rosto novamente, um de seus olhos estava fechado, a bochecha vermelha e um filete de sangue escorria pela boca. Era explícito que logo logo, sua cara estaria inchada.

– E… nã…. vou de…stir. – disse o baixinho, e ao abrir a boca para proferir essa semifrase, incontáveis dentes caíram.

O gordo de piercing rosa então deu um tapa na cara do baixinho, que já enfraquecido pelo soco, cambaleou pra trás e finalmente estava fora da disputa pela camisa. Um oponente estava derrotado.

– Agora, é entre eu e você, gostosão! – gritou o gordo para Carlos, dando uma piscadela.

Carlos então deu um puxão na camisa, e o gordo foi puxado para frente junto com ela. No desespero, o homem cheinho de gordura resolveu contar com uma de suas armas mais poderosas: os dentes, que usava para comer Big Macs, mastigar chocolates e comer salgadinhos gordurosos. Deu uma dentada na camisa, e agora a puxava com a força das mãos e dos dentes, assim, como se fosse um cachorro que brincasse de agarrar as coisas pela boca.

E assim eles permaneceriam até o momento da loja fechar, numa luta infinita pela camisa que, mesmo sofrendo, sendo puxada impiedosamente, recebendo dentadas cheias de cáries, ainda estava inteira, fazendo os dois pensarem que de fato, ela valeria o esforço.

Já na fila do provador, esperando a mais de duas horas por sua vez, estava o casal Jéssica e Arthur, ou, talvez fosse mais apropriado dizer, Jéssica e seu provedor/cabide humano, já que a presença de Arthur ali era apenas para ele carregar as roupas que ela pegava enlouquecidamente pela loja e pagar a conta depois.

– To com vontade de mijar… – disse o cabide humano.

– Ai, espera só mais um pouquinho, querido, já chega minha vez…

– É o que você disse há duas horas atrás…

Jéssica revira os olhos.

– Você só reclama… Relaxa, respira… viva a vida!

Esse otimismo de Jéssica, um dos motivos que levou Arthur a se apaixonar e a casar com ela, de repente não parecia mais tão deslumbrante assim.

Vinte minutos depois, que pareceram como vinte anos para Arthur, finalmente Jéssica recebeu o cartão com o número vinte e dois – o tanto de peças que provaria – e se dirigiu até um provador que estava vago, apenas para dar um grito de horror.

Dentro dele, sentada no chão com as costas na parede, uma mulher jazia com os olhos abertos e parados e com um sapato de salto fino – tão fino que poderia perfurar, e perfurou… – incrustado no lado esquerdo de seu peito, onde dantes devia bater seu coração…

“E agora, o que fazer?”, pensou Jéssica, “avisar alguém e voltar pra fila, aguardando mais vinte minutos para liberar um novo provador ou…”.

Jéssica entrou no provador, jogou as roupas no puff localizado no canto esquerdo e, tentando não olhar para o cadáver, tirou sua camiseta para provar uma das peças. “Arthur não pode esperar mais tempo… Era até capaz de me obrigarem a ficar na loja até a polícia chegar e eu ter que testemunhar… Não, outra pessoa que encontre o cadáver! Arthur precisa ir ao banheiro!”. Em seguida, disse para si mesma, enquanto observava seu reflexo no espelho do provador, já com uma das blusas que pegara pra provar:

Hum… ficou larga demais…

A imagem no espelho começou a derreter e se deformar como um plástico quando aquecido no fogo. Jéssica deu um grito que, de tão sufocado, parecia que havia parido outra de dentro de si. Suando e tremendo ao mesmo tempo, deu um salto para frente na cadeira de praia, empurrando a pequena coberta que levara consigo para passar a noite na frente da loja com a promoção mais esperada de todas. Levou um tempo para se dar conta de onde estava. Havia tido um sonho vívido e aquilo assustou a moça que estava em tratamento havia algum tempo.

$*$*$*$*$

A secretária Jéssica não dormia bem desde que seu marido, Arthur, fora pego por ela numa traição. Era dona de muitas vaidades. Usava apenas roupa que ostentasse uma grife, bem à mostra. Pagava o preço que fosse, estourava cartões de crédito, colocava praticamente o seu salário do mês a disposição de seu narcisismo. Não descia do salto por nada. Arthur trabalhava como Agente de Segurança privada, fazia turnos alternados e alguns deles eram à noite. Desconfiada há algum tempo, pois o marido andava diferente, menos nervoso, mais perfumado e enchendo a esposa de mimos como se usasse um disfarce descarado, começou a investigar por conta. Primeiro futricava o celular dele quando o homem, distraidamente, não o levava consigo para o banho. Viu algumas mensagens trocadas com um tal de Jucymar e ficou intrigada, não conhecia nenhum amigo ou colega de trabalho do marido com aquele nome. Até que um dia resolveu abrir uma das mensagens e entendeu tudo. Aquele “A folga dessa semana cai na quarta acertei? Confirma meu amor  muita saudade” fez Jéssica derrubar o copo de suco em cima da cama, quase desmaiou. As pernas começaram a tremer, a boca ressecou e os olhos piscavam que nem sirene de ambulância. Teclou 32456790 e ouviu a voz melosa e familiar: — “Pensando em você.”

“Jucyleide, desgraçada, como você pode?” — pensou e desligou ao mesmo tempo em que percebeu que Arthur desligara o chuveiro.

— Jé, pode me alcançar a toalha, por favor? — ele pediu quase cantando.

O coração ia sair pela boca quando um toque de mensagem no celular dela tirou a raivosa do transe:

“ Oi Jé, sabia que a Paquinstein vai fazer uma liquidação daquelas mês que vem? Diz que vai ter coisas com até 70 % de desconto. Tem gente combinando de passar a noite lá pra na hora que abrir entrar de primeira.Vamo combiná de passar a noite lá também? Nem to acreditando. Bjs”

— Filha da puta, tu me paga! — Abafou o grito com as duas mãos.

— Quem Jé? O que foi, que cara é essa? — veio Arthur, enrolado na toalha de rosto, com pingos de água escorrendo pelo tórax. Parecia mais lindo ainda aos olhos da traída. Com a auto-estima lá no chinelo, a esposa falou, nada pausadamente:

—A AMIGA DA ONÇA, e você deve saber de quem eu to falando Arthur, SEU CRETINO! —O choro acompanhado de fúria deixou Arthur prá lá de assustado.

Jéssica e Jucyleide eram amigas dos tempos de escola. Jé desconfiava de certos olhares da colega, principalmente quando Arthur estava perto, mas nem deixava o pensamento tomar muito a sua cabeça. Jamais, JAMAIS passou pela sua mente que sua melhor amiga a estaria traindo, muito menos que Arthur estivesse fazendo isso com ela.

A cena, naquele momento de fúria, foi a seguinte: Jéssica estapeou Arthur descontroladamente e aos gritos, exigia uma explicação. Pegou o telefone, ligou para a ex amiga, exigiu que ela fosse até a sua casa para acertarem as contas. Depois de a esposa chamar a fulana de piranha, vagabunda e de todos os adjetivos convenientes para a ocasião, o marido resolveu tomar uma providência, já que a mulher ficou possuída de uma força animalesca e nem com os músculos se retorcendo o homem conseguiu dar conta de segurá-la. Saiu correndo para a rua, de toalha curta, pedindo que alguém chamasse uma ambulância porque a esposa não estava bem. Jéssica veio atrás com um vaso gigante na mão, presente de casamento dos sogros. Jogou em Arthur, que desviando, deixou que o mesmo caísse em cima do seu carro de trabalho. O barraco foi total, a vizinhança veio em peso, a gritaria atraiu geral pra rua e a coisa só se resolveu quando polícia e ambulância chegaram praticamente ao mesmo tempo. Jéssica foi levada ao Hospital Geral sob medicação pesada e Arthur encerrou com a polícia justificando que a esposa já vinha se comportando de modo estranho fazia uns dois meses.

Voltaram todos para suas casas, mas o assunto daquela semana na vizinhança foi o casal Jéssica e Arthur.

No hospital. Arthur jurou, de joelhos diante da mulher, que nunca teve sentimentos por outra que não sua esposa e que tinha cometido o deslize por uma noite só. Que amava Jéssica e faria tudo para retomarem o casamento que andava caído na rotina, segundo ele. Ofereceu cartões de crédito, disse pra esposa comprar aquele vestido que tanto amara na Paquinstein, disse que pagaria salão de beleza e tudo mais que um marido apaixonado pudesse oferecer numa situação que necessitasse comprar a confiança de uma esposa traída de volta.

Pega pela vaidade, a mulher aceitou. Passados os dias de atestado em que ficou em casa e sob forte medicação, Jéssica começou a gostar e a exalar expectativa de vida nova. Estava adorando os paparicos do marido e ainda matutava uma vingança contra a traidora que sumira desde o dia do ocorrido.

Os dias foram voltando ao normal e a vaidade da secretária dobrou de tamanho. Os cartazes anunciando a liquidação da Paquistein eram orgasmo para seus olhos. Arthur chegou a ficar insuportável de tanta “melação”com a mulher. As vizinhas, invejosas, começaram a comentar o exagero do “bonitão” no trato com a esposa. E como Jéssica não era mulher de se jogar fora, a maledicência virou febre no bairro. Cada dia ela aparecia com uma roupa nova, sapatos de salto alto brilhando e cabelos perfumados impecáveis. O espelho virou seu melhor amigo e olhava por cima do nariz quando desfilava pela rua. Neusa, a batedora de carteiras esperava ansiosa o dia que ia meter a mão na bolsa da “periguete”.

—Essa arrogância vai acabar, vai descer do salto rapidinho—falava sozinha e imaginava a cena da “fresca”abrindo a carteira e não tendo um cartão sequer na hora de pagar pelas futilidades.

Jéssica, como todo mundo, sabia da mão rápida da vizinha, mas todos ali faziam cara de paisagem quando passavam por ela, dadas as companhias barra pesada com quem a mulher era envolvida.

Enfim, chegou o grande dia—a liquidação tão comentada da loja Paquenstein. Arthur foi convocado pela esposa a sair do expediente de trabalho às seis da manhã e ficar com ela esperando a loja abrir às 9 horas. O escaldado nem reagiu. Chegou ao local e abriu um sorriso logo que viu a esposa. Jéssica ainda estava sob o efeito do pesadelo. Olhou por trás de Arthur que vinha em sua direção e percebeu que o gordinho do seu sonho era o dono da carrocinha de cachorro-quente que aproveitou o momento para faturar um pouco mais. Os outros dois da briga no sonho eram acompanhantes das mulheres que passaram a noite ali e sentaram na frente dela. Os policiais passavam a todo instante, cuidando para que a ordem não fosse quebrada, tamanho era o evento para a pequena Arábia.

Faltavam dois minutos para 9 horas e o coração de Jéssica não se continha mais. Arthur disfarçou o sono com copos de café que pegou na lancheria que abriu as portas mais cedo para acompanhar a movimentação da loja. O tamanho da fila estava de arrepiar. Arthur só tinha olhos para a esposa, mas guardava uma ansiedade e medo de que Jucyleide resolvesse aparecer. Aquela doida não perderia a liquidação, por nada.

9 horas. O empurra-empurra foi dramático. A gritaria era parecida com aquelas que se via nos noticiários de bombardeio num daqueles países que vivem em guerra. Jéssica não sentia nada a não ser euforia. Quando conseguiu entrar, engatou o marido pelo braço e começou a passar a mão no que conseguia e a pendurar nos ombros dele. Chegou ao provador depois de aguardar por uma eternidade. Vinte e duas peças, contou a atendente que guardava o setor. Arthur disse que precisava ir ao banheiro, mas na verdade queria dar uma sondada para ver se não encontrava aquela infeliz a qual se arrependera amargamente de ter conhecido. No pouco tempo em que ficou sozinho. Arthur avistou Neusa e já colocou a mão no bolso para sentir a carteira. Puxou o zíper do mesmo, por garantia. No provador, Jéssica ouviu a conversa de duas moças tagarelando na cabine ao lado da sua. Uma das vozes era bem conhecida da secretária. O coração de Jéssica congelou.

Ouviu Jucyleide comentar que o namorado, Kaká, esperava do lado de fora do provador. Pediu à amiga que levasse a bolsa dela para o Kaká porque a carteira e o celular dele haviam ficado dentro dela. Jéssica se encarou no espelho e quase não reconheceu o próprio semblante. Tirou a roupa de grife que estava provando, vestiu a sua e foi atrás da amiga de Jucyleide cuidando para não ser vista pela desgraçada da ex amiga. Viu quando a moça entregou a bolsa para o suposto Kaká. No momento em que saiu do provador, uma onde de calor humano invadiu os sentidos de Jéssica. Era tanta gente que para caminhar as pessoas iam com as cabeças de lado. Muitas mulheres já andavam com as mãos pra cima levantando as bolsas, temendo o pior. Jéssica pensou rápido, se aproximou de Kaká depois de levar alguns pisões, sentiu a bolsa de Jucylene perto do corpo dele, abriu o fecho da mesma sem ser percebida e colocou uma das blusas que havia provado, dentro. Fechou a bolsa sem ser pega e sussurrou, num tom mais alto, no ouvido do rapaz:

—Acho que a gente já se conhece. Você não é médico do Hospital Geral?

—Eu? Não, imagina. Tenho uma moto, faço entrega. Tele-entrega — respondeu analisando o corpão da bonitona. No que Jéssica foi direto ao ponto.

—Que calor! Topa achar um lugar mais tranqüilo aqui dentro.

—Ta meio difícil — e observando a sensualidade da mulher, sentiu um frio na espinha.

—Vou direto ao ponto. Te achei charmoso e gostoso demais, ta afim de uma intimidade?

—Aqui? Agora? — as pernas de Kaká amoleceram.

—Sim, to muito afim, multidões assim me despertam alguns prazeres. Fica frio, sou comprometida, só querendo sair da rotina um pouco.

Não se sabe como, mas acharam um canto qualquer, atrás dos provadores masculinos. Jéssica tentava não mostrar a cara pelo caminho para não cruzar com Arthur. Chegando ao local, a moça que usava uma calça jeans justa de empinar o bum bum e um salto de fazer inveja a qualquer Modelo, ajoelhou-se e começou a dar beijinhos bem molhados próximos a virilha do rapaz, depois de desabotoar e abrir o fecho do velho jeans dele, cheirando a banco de motocicleta. E foi indo até deixar o cara tão alucinado, que o gozo não demorou mais do que dois minutos. Jéssica levantou, passou a mão pelo rosto dele que respirava ofegante e mantinha os olhos arregalados, não acreditando no que acabara de acontecer. Puxou um lenço descartável da bolsa, secou os lábios, retocou o batom e voltou para a confusão em busca de Arthur. Chegou ao provador feminino e lá estava ele, parado, olhando para o relógio. “Tomara que não tenha cruzado com a fulaninha”, ela pensou dando uma olhada em volta. Chegou bem perto do marido, apalpou-lhe as partes e lhe deu um beijo daqueles que deixou o homem tonto.

—Nossa, que beijo bom! — falou o marido cheio de excitação e contente em poder pagar pelos desejos de consumo da mulher.

Ao mesmo tempo ouviram a sirene da loja Paquinstein que denunciava alguém passando pela porta de saída com algum ítem cujo ímã de segurança não fora retirado.

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41 comentários em “Confusão no Saldão (Bruna Francielle e Simoni Dário)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Ambas as metades do conto estão bem definidas. Na primeira, vemos um autor com uma ótima ideia e com alguns pontos a melhorar, sobretudo no que tange à revisão gramatical – concordância e ortografia. De todo modo, essa primeira parte tem a qualidade de jogar para o leitor uma questão que nos afeta em maior ou menor grau, mas que é difícil ignorar: o consumo. Para tanto, cria-se um universo de personagens interessantes, todo envolvidos numa espécie de corrida para se dar bem, para levar o melhor produto e, em meio a isso, preocupando-se com suas existências miseráveis.
    A segunda parte subverteu a ideia inicialmente apresentada. Está melhor escrita – o que revela um autor mais maduro – mas pecou pela falta de originalidade ao puxar a narrativa para um enredo de telenovela. Traições amorosas tomaram o lugar da crítica ao consumismo desenfreado, o que para mim foi um balde de água fria. Não curti muito, não.
    O resultado foi um conto irregular, em que as duas partes não “conversam” direito.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    19 de agosto de 2016

    A vingança da mulher traída. Um conto legal de ler!

    Por incrível que pareça, gostei muito da conexão que o segundo autor fez com o primeiro. A solução “tudo era um sonho” caiu como uma luva aqui, por quê o primeiro ato é tão surreal que combina muito com um pesadelo. A ambientação de Jéssica na fila esperando que a loja abrisse manteve o conto onde estava, aproveitou os personagens e deu mais profundidade ao enredo, focando em alguns personagens mais importantes, ao passo que o primeiro autor meio que “deu tiro para todos os lados”.

    Os detalhes do segundo ato foram muito bons. Desde Jucyleide, a mulher morta pisoteada no sonho, ser sua amiga traíra, até ela reconhecer todos os outros personagens do sonho como pessoas que tinha visto na rua esperando que a loja abrisse. Muito bem bolado!!

    O final foi legal. Gostei e não gostei. É daqueles finais que não dá pra escapar muito. Mas não estraga o resto do conto.

    Enfim, o saldo foi positivo. Eu estava com medo do primeiro autor entrar muito na vereda de “crítica ao capitalismo e à cultura do consumo”, mas o segundo autor conseguiu fechar bem a história e transformou-a em um conto onde a crítica ainda existe, mas inserida em um texto irreverente e muito bem bolado.

    Ambos os autores escrevem muito bem. Parabéns!!!

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Acho que o nome é Walkie-talkie, mas posso estar enganado. As cenas são muito interessantes, a mulher que morre e é esquecida dá um toque bem diferente e mórbido ao início. A continuação, na minha opinião, deveria dar sequência ao conto. A nova história não entrou muito bem, embora, claro, tenha seus méritos, principalmente como conto erótico de traição. Bom conto.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores do conto.
    Quanto à parte inicial do conto, achei que faltou mais cuidado na hora da revisão. Há muitos e muitos erros de ortografia, pontuação e etc, e isso infelizmente compromete a qualidade do conto. A gente não consegue “engatar” na história se não consegue entender direito o que está sendo narrado (os erros de concordância verbal atrapalham muito).
    Quanto à história em si, achei que a primeira parte ficou parecendo mais um esboço. Foram muitas ideias e núcleos desenvolvidos em um espaço muito curto de tempo. Teve morte, teve briga por roupa, teve batedora de carteiras, teve espera na fila, teve mais morte no provador, e finalmente um hospital. Foi coisa demais acontecendo para um conto de apenas 2 mil palavras dar conta. Então, ficou parecendo um esboço de um conto, com ideias gerais de uma história que precisaria ser bem maior e mais trabalhada para ser bem contada.
    Quanto à segunda parte, achei que o conto melhorou um pouco, mas depois caiu novamente. A ideia de narrar uma outra perspectiva de um dos muitos núcleos da primeira parte foi bem legal. Dessa forma foi possível para o leitor segurar no corrimão da narrativa e ir seguindo adiante à medida que as coisas se desenvolviam. Pode ser que eu seja muito puritano, mas não achei muito verossímil os últimos 20% do conto. Não duvido que uma mulher traída possa querer “dar o troco” da forma como a história contou, mas acho que encontrar um lugar vazio para fazer isso no meio de uma ultra-mega-liquidação (com filas de duas horas apenas para o provador), seria um pouco mais complicado.
    Não gostei da conclusão da história, não porque esteja mal escrita, é mais porque não é o tipo de “clímax” (ALERTA DE DUPLO SENTIDO!) que me agrada ao ler histórias curtas.
    No mais, parabéns pelas duas ideias e um abraço!

  5. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a ideia inicial, que poderia se desenvolver em um drama social (se a personagem Jucileyde se tornasse o foco narrativo) acaba se desviando para uma história tarantinesca de vingança, com excesso de personagens – e de personalidades caricatas, planas.
    INTEGRAÇÃO: a história tem uma costura bem evidente, quando entra a história de fundo da traição de Arthur e Jessica, e todo o precedente acaba tendo que ser narrado de forma cansativa.
    EFEITO: a história, que já estava fora do trilho no começo, capota de vez com as inverossimilhanças das ações nos provadores.

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a narrativa mezzo HQ/mezzo pulp prometia, principalmente nos diálogos ágeis e no ambiente sombrio. Mas aí veio a segunda parte e mudou a rota completamente, criando um ambiente de loucura e irracionalidade, e anulando a história anterior.
    INTEGRAÇÃO: há um vão enorme entre as duas narrativas e linguagens, mas o efeito final acabou sendo interessante.
    CONCLUSÃO: não foi um dos meus preferidos, mas pelo menos manteve a curiosidade até o final, que eu considerei deceptivo.

  7. vitor leite
    18 de agosto de 2016

    boa mistura entre humor, terror e quotidiano. O texto apresenta muitos estereótipos mas o resultado é bom de ler. Este comentário é válido para as duas partes do texto. Parabéns.

  8. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Pra ser sincero não gostei muito desse conto. Na primeira metade, o texto tá um pouco truncado, não flui muito, e apresenta alguns erros que poderiam ser notados numa revisão mais profunda, como “alto estima”.
    Mas isso não atrapalha tanto o texto, que até tem um conceito legal nas referências ao consumismo e em seus efeitos. Como exemplo, ficou bem legal a parte da mulher pisoteada e as pessoas não dando a mínima.
    Assim, a primeira metade até que deixou espaço para uma conclusão promissora.
    Porém, a segunda metade não me agradou muito. Se por um lado melhorou a escrita e a fluência do texto, por outro, achei que não conduziu bem a história, que acabou ficando meio chata.
    Achei legal a sacada do “acordou do sonho”. A princípio achei que seria uma daquelas “acordou do sonho e mudou a história toda”, o que seria bem frustrante, mas, em vez disso, usou essa acordada de forma criativa, traçando um paralelo com a realidade.
    Até aí tava legal, mas daí em diante, achei que a história perdeu fôlego e acabou ficando sem graça, culminando num fim que não me agradou muito. É como se a história carecesse de clímax, e acabou ficando rasa.
    Acho que os autores tem potencial e demonstraram isso, mas o enredo acabou mal aproveitado.

  9. Jowilton Amaral da Costa
    17 de agosto de 2016

    Um bom conto. Bem divertido. Estava bem escrito.A segunda parte melhor que a primeira. Personagens bem caracterizados. Uma boa interação entre a dupla.Boa sorte.

  10. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a separação entre as partes ficou bastante visível e o uso do clichê “pesadelo” incomodou um bocado. A primeira parte estava boa e apelava para o insólito, quando situações estranhas parecem comuns, acho que a continuação poderia seguir nessa linha. O maior problema dessa parte foi a falta de um personagem dominando a trama, coisa que a segunda corrigiu. A segunda, analisada de forma independente também ficou interessante, mas sem tanto destaque, pelo uso do clichê de traição. Os personagens que ligam as histórias são bons, mesmo que com alguns estereótipos. Somando virtudes e defeitos as duas partes empatam.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): são simples, focam na trama e não utilizam muita figura de linguagem ou trabalhos linguísticos. Encontrei uns problemas de revisão, mas não chegaram a incomodar a leitura:

    ▪ Jéssica revira (revirou) os olhos.
    ▪ uma onde (onda) de calor humano

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o tema (impactos de uma grande liquidação) é interessante, mas são usados muitos clichês.

    👥 Dupla (▫▫): embora compartilhem personagens, a segunda parte retirou grande parte do impacto da primeira usando o artifício de despertar de um sonho. A diferenças entre os estilos e formatos também ficaram muito fortes. Acho que são histórias que funcionariam bem individualmente, mas não como complementares.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): a parte inicial me agradou pelo inusitado e a final pelos personagens. Nenhuma, porém, causou impacto mais forte.

  11. Fabio Baptista
    15 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Confusão no Saldão

    TÉCNICA: * *

    Tem bastante a ser melhorado, nas duas partes.
    O segundo autor notadamente tem mais domínio técnico, porém talvez tenha deixado se abater por conta da trama, de onde não tinha muito o que tirar.

    – frente a loja
    >>> à

    – alto estima
    >>> auto

    – pisotearam até fazerem seu caminho para dentro da loja
    >>> “abrirem” ficaria melhor

    – sem muita emoção em sua voz
    >>> eu evito usar esses “sua/seu/suas”. Aqui dava para evitar: sem muita emoção na voz.

    – deambulou
    >>> perambulou?

    – esperando a mais de duas horas
    >>> há

    – uma onde de calor humano
    >>> onda

    – ta afim de uma intimidade
    >>> tá a fim

    ATENÇÃO: * *
    Me dispersei bastante durante a leitura.

    TRAMA: * * *
    Poderia ter saído uma boa comédia daqui, mas, infelizmente, não saiu nada.
    Vou arredondar bem pra cima pela coragem de ter sido politicamente incorreto.

    UNIDADE: * * *
    O recurso do sonho foi uma saída muito fácil. Bom, pelo menos acabou retornando ao tal saldão no final.

    NOTA FINAL: 5

  12. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! Um conto bastante confuso. Começou com a narração de uma liquidação – desculpem a rima desnecessária. Fiquei sem saber o que esperar, achei chato, inclusive a parte humorística, de gente lutando por roupas, não me fez rir nem um pouco. Ocorreram então as tais mortes, uma delas a acidental, a outra um assassinato, pensei comigo: “agora vai começar a ficar interessante!”, mas pra minha surpresa o continuador transformou aquilo num sonho. Ao final, nos é revelado que era um sonho premonitório, será que ele se realizará em todos os detalhes? Esse final até que é bastante original, mas o que vem antes dele não me agradou muito: o triângulo entre Jéssica, Jucyleide e Arthur não me pareceu interessante de se acompanhar, não foi engraçado nem inteligente. Um pequeno erro, só para constar: o nome “Jucyleide” foi trocado por “Jucylene” uma vez, pelo menos. Deixar o final em aberto, para ficarmos pensando se vai haver ou não um assassinato, foi uma má opção, a meu ver: a investigação de um crime poderia ter tornado a parte 2 mais rica. O No geral, o resultado foi bastante fraco. Desejo para vocês Boa Sorte.

  13. apolorockstar
    15 de agosto de 2016

    no começo até parecia muito interessante, mas a história perdeu o fluxo muito fácil, da loja e dos diversos personagens apresentados a história passou para apenas um devaneio, essa solução não funcionou para a trama ,tornando tudo muito confuso,sem falar que teve erros de português grotescos que atrapalharam a compreensão do texto

  14. Gilson Raimundo
    13 de agosto de 2016

    Uma bela sátira ao consumismo desenfreado e a pouca valorização do ser humano, os nomes Jucileyde, Ketlyn e Alexssadroson atestam bem isso, valorização extrema ao que não se deve valorizar, reforçando a critica à literatura copista atual. Parabéns. A segunda parte enfraqueceu o conto pois copiou a primeira mostrando os fatos de um jeito simples, previsível e monótono. Quando li a primeira parte esperei bem mais do complemento.

  15. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: não notei grandes problemas a respeito da ortografia no conto como um todo. Minha ressalva não é exatamente sobre a técnica escolhida, mas sobre o modo como o conto foi iniciado. Acho que a limitação de palavras que o desafio prevê também reduz a gama de eixos narrativos que o conto deve explorar – se quiser explorar bem. Nada contra criar dez histórias paralelas no mesmo conto, mas deve considerar que será mais difícil aprofundá-las que se houvesse apenas uma ou duas.
    Criatividade: não há o que questionar neste quesito. O primeiro autor foi muito criativo ao iniciar tantas possibilidades e o segundo autor precisou achar seu jeito para justifica-las de maneira adequada.
    Unidade: há quem criticará a estratégia do sonho como saída para a continuação da história. Particularmente, acho que o segundo autor já merece reconhecimento só por ter conseguido aproveitar praticamente tudo que foi proposto na primeira parte.
    Parabéns e boa sorte!

  16. Bia Machado
    12 de agosto de 2016

    – Conflito: 1/3
    Sinceramente, não consegui identificar qual o conflito. Talvez por que exista mais de um? Ou porque o texto não tenha me despertado tanto interesse? Fiquei muito em dúvida com relação a isso.

    – Clímax: 1/3
    Pode-se dizer que há um clímax, mas ficou meio perdido em razão de tantas coisas que aconteceram.

    – Estrutura: 3/3

    A estrutura está bem organizada. O segundo autor conseguiu um equilíbrio na passagem. O recurso do sonho incomoda um pouco, mas se o segundo autor acreditou não ser possível continuar da forma como estava, talvez tenha sido melhor. Na pele do segundo autor, nem sei o que faria.

    – Espaço (ambientação): 2/2
    Foi bem ambientado. Parecia que estava vendo a tal da loja e toda a ação.

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 1/3
    Deixou a desejar, sem muita profundidade no geral.

    – Narração (Ritmo): 2/2
    Cumpre seu papel, nada de muito elaborado, mas mantém o ritmo.

    – Diálogos: 1/2

    Fracos, no texto todo, não empolgam e poderiam ser mais bem trabalhados para enriquecer a narrativa.

    – Emoção: 0/2

    Infelizmente não me empolgou. Não é o tipo de conto (ou contos, pois isso se refere às duas partes) que me empolga.

    Alguns apontamentos sobre a primeira parte:

    – “na hora de levar o que quiserem”, melhor trocar por “quisessem”.
    – Revisar uso da crase.
    – Revisar a pontuação (vírgula).
    – Rever as repetições: Paquinstein, Paquinstein, Paquinstein. Neuza, Neuza, Neuza…
    – Seria melhor: “Com cartões de créditos em mãos” (porque no punho não dá pra segurar…)
    – “O segurança da loja não viu ela” – não a viu.
    – “Agora, é entre eu e você” – entre MIM e você.

    Média: 5,5

  17. A mensagem crítica ao consumismo desenfreado e à futilidade do mundo moderno, premissas desse conto, ficaram bem claras em ambas as partes.

    Para mim, no entanto, ficou um pouco confuso o desenrolar da trama. Creio que seria bom enxugar um pouquinho.

    Parabéns aos participantes.

  18. Júnior Lima
    11 de agosto de 2016

    A ideia do conto, fatos malucos ocorridos numa liquidação, até que tem potencial. Consigo imaginar algum filme no estilo de “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, mas se passando em uma loja de roupas caras.

    Contudo, a escrita na primeira metade da história é um pouco problemática. Há uma aparente dificuldade em expressar as ideias, como em “para terem uma pequena vantagem na hora de levar o que quiserem antes dos outros que chegassem depois”, no segundo parágrafo. Esse e alguns outros trechos demonstram uma certa inexperiência, que com a prática certamente sumirá.

    Fora isso, o clima de absurdo e – em certa medida – crítica social ficou interessante e poderia ter sido explorado de forma melhor na segunda metade. O momento no qual Jessica encontra um cadáver no provador me divertiu.

    Infelizmente, o(a) segundo(a) autor(a) aparentemente considerou a primeira parte absurda e inverossímil demais, optando por torná-la um sonho e resetar tudo. Ele(a) ainda amarrou e explicou o papel das personagens anteriormente apresentadas, o que foi uma boa, mas mesmo assim fica um gosto de truque e golpe baixo na decisão tomada, além de quebrar o ritmo da história.

    Por outro lado, a segunda metade demonstra um maior controle e experiência, permanecendo divertida e mantendo o tema. Pena que quase ignora a primeira parte, podendo funcionar como história independente. Se fosse de fato separada da primeira, receberia por mim uma nota maior.

    Fora tudo isso, o uso das vírgulas deve ser revisto, sendo que em diversos momentos (em ambas as metades) há uso incorreto, que distrai a leitura.

  19. Andreza Araujo
    9 de agosto de 2016

    O texto começa um pouco exagerado, provavelmente esses saldões são assim mesmo, nunca estive em um, nem pretendo! Tenho medo de ser pisoteada. Ups.

    Transformar a primeira parte em sonho e depois recontar a história foi uma boa saída, eu gostei. Mas não sei se o autor da primeira parte concorda comigo…

    A ideia de incluir uma traição e depois encerrar com uma vingança foi uma boa jogada, deu uma motivação para a história. Pois a primeira parte do conto é uma bagunça (uma bagunça boa), já a segunda foca na história da Jéssica, fazendo com que a gente conheça melhor a personagem e entenda as suas ações.

    Por outro lado, foi uma pena que o assassinato da mulher com o salto alto no peito não foi desenvolvido, já que fazia parte do sonho, meu lado curioso gostaria de saber qual foi a confusão que ocasionou isso.

    Tem alguns errinhos bobos, exemplos:
    alto estima (autoestima)
    pontualmente as 9 (às)
    houverem mortes ou feridos (houver)
    há duas horas atrás (há duas horas ou duas horas atrás)
    Jéssica revira os olhos (revirou)
    bum bum (bumbum)

    É um texto divertido e original, mas não é impactante.

  20. Renata Rothstein
    8 de agosto de 2016

    Confusão no saldão – e no conto, também – ritmo frenético e de fácil envolvimento, dá vontade de ler para descobrir o final, mas a expectativa de ver finalmente um entrelaçamento das idéias do(s) autor(es) termina sem realizar-se, infelizmente.
    Senti falta de uma revisão mais apurada, muitos erros de gramática, coisas básicas, mesmo (alto estima, as 9:00 a.m., dentre outros), o que me leva à conclusão de que foi mesmo falta de esmero e/ou atenção.
    Alguns personagens também tornaram-se desnecessários, como a briga de 3 homens por uma roupa (acredito que fosse suficiente narrar a briga, sem tantos detalhes). Já outros personagens não disseram a que vieram.
    E a ideia de vingança de Jessica não me pareceu tão vingança assim. Jucylene/Jucyleide processou a loja, ganhou uma grana. O namorado da mesma deu uma curtida, o marido (Arthur), não ficou sabendo, logo, não sofreu – enfim, confusa estou.
    Gostei do conto, achei que houve a intenção – ótima – mas não aconteceu.
    Nota 7,0

  21. Thales Soares
    7 de agosto de 2016

    Nossa caras… o conto de vocês não me agradou.

    A escrita dos dois autores não casou. Aliás, não houve tentativa alguma do segundo autor imitar o estilo do primeiro. Até aí tudo bem, às vezes uma mistureba até pode ser interessante. Mas parece que aqui não funcionou.

    A segunda parte começou da forma mais broxante imaginável: acordando de um sonho. Caramba! Confesso que, se minha dupla tivesse feito isso, acho que eu jamais a perdoaria hahaha. Tudo bem que o segundo autor, em diversos momentos, fez referências a primeira parte, e até aproveitou-se das personagens estabelecidas pelo escritor base. Mas para mim isso não foi o suficiente. O resultado foi uma história estranha, que já não estava muito empolgante no início, mas depois conseguiu piorar ao acrescentar delírios, traições, e outras reviravoltas.

    Analisando separadamente as duas metades que, ao meu ver, pouco se encaixaram e formaram um Frankenstein literário:

    – Primeiro autor: há alguns erros de português ma sua escrita. O verbo “haver” foi conjugado incorretamente mais de uma vez. “Pra” só existe na linguagem coloquial, então até seria cabível na fala de algum personagem, mas na narração o correto é “Para”. Apesar desses e outros errinhos, a escrita foi muito boa, me agradou mais que o segundo.

    – Segundo autor: Nenhum erro perceptível. Porém, leitura muito cansativa. Parágrafos gigantes e cheios de acontecimentos me deixaram completamente atordoado e desanimado com o texto.

    ***

    Pontos positivos:
    – A ideia inicial me lembrou do episódio de South Park, onde tem a liquidação da Black Friday.
    – Gostei da breve apresentação de cada personagem coadjuvante no início do conto, falando um pouco da vida pessoal de cada um que aparecia. Pena que o segundo autor não continuou com essa tática.

    Pontos negativos:
    – A junção das duas partes fracassou totalmente.
    – A briga dos três homens no início do texto foi estranha e nada crível. Três homens de tamanhos diferentes brigavam por uma roupa do mesmo tamanho? A briga durou umas 12 horas?
    – Final fraco.

    • Bruna Francielle
      20 de agosto de 2016

      Haha, obrigado pelos apontamentos e pelas suas correções na escrita. Algo do que vc disse eu não sabia, e agora sei. Muito obrigado

  22. Catarina
    6 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Vários personagens, muito distintos entre si, participando de uma única cena não é tarefa fácil. Humor clássico e um belo gancho para a fila na hora de pagar.

    PIOR MOMENTO: “Ter uma roupa da loja Paquinstein era equivalente a ter um celular IPhone para as pessoas” – Acho que celular é só para pessoas.

    MELHOR MOMENTO: “– E… nã…. vou de…stir. – disse o baixinho, e ao abrir a boca para proferir essa semifrase, incontáveis dentes caíram.” – Adoro humor negro!

    PASSAGEM DO BASTÃO: A riqueza dos personagens e a infinidade de possibilidades foi quase um beijo de passagem.

    2ªPARTE: O coautor foi inteligente ao escolher duas subtramas e desenvolver uma comédia romântica. O truque do sonho (batidíssimo) tirou um pouco do brilho do humor negro da primeira parte.

    PIOR MOMENTO: “Jé desconfiava de certos olhares da colega, principalmente quando Arthur estava perto…” e logo depois: “Jamais, JAMAIS passou pela sua mente” – Passou ou não passou? Se a ideia era cinismo, não ficou claro.

    MELHOR MOMENTO: “depois de desabotoar e abrir o fecho do velho jeans dele, cheirando a banco de motocicleta.” – Imagem muito bem construída. Nunca mais vou olhar para um motoboy de jeans sem pensar nesse cheiro.

    EFEITO DA DUPLA: Embora a 1ª parte esteja mais intensa, houve equilíbrio no estilo.

  23. Olisomar Pires
    4 de agosto de 2016

    Longo texto. Pareceu-me que a segunda parte se saiu melhor, embora também esteja um pouco confusa.Particularmente, não aprecio o recurso do “exagero” pra fixar uma mensagem, acaba sempre sobrando alguma coisa. Texto nervoso, eu diria.

  24. Anorkinda Neide
    3 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Jucyleide, Neuza, Carlos, Jessica e Arthur… personagens desfilaram no texto mostrando várias críticas sociais. Só achei q pesou a mao na descrição do gordo (bullying 😛 ). Gostei do enredo embora ache q o texto poderia ter um melhor capricho com frases mais bonitas, há alguns erros ortográficos. Gostei da presença dos cadáveres.
    .
    Comentário segunda fase:
    Olha os personagens marcantes ae de novo, só que agora na vida real.. rsrs Não me importo tanto com o fato de vc ter trazido o fator sonho, mas a pegada doida dos cadáveres é q tinha me agradado e agora eles não estão mais lá! Sinceramente não gostei da boquete gratuita no final,naõ precisava, mas depois pensei q era vingança pq o cara era namorado da outra.. ahh sei lá.. nada a ver 😛
    .
    União dos textos:
    Então.. dois textos distintos com os mesmos personagens…O primeiro na pegada nonsense, doida, anárquica e o segundo, uma historia de amor e traição. Acho que não deu liga, infelizmente.
    Abraços

  25. mariasantino1
    3 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Então, sinto muito, mas não curti muito não. A primeira parte procura falar sobre consumismo, mas falha na execução, porque insere muitos personagens que são apenas marionetes para o transcorrer da trama. Entendo que vc desejou mostrar o lance de consumir, e acredito que com alguns reparos o texto pode sim funcionar para mostrar esse aspecto (de se consumir em demasia). Alguns deslizes na primeira parte >>>>>> alto (AUTO) estima, amostrador (acredito que o correto é MOSTRADOR), há misturas de tempos verbais também.
    A segunda parte perde o aspeto de se falar de consumo, e se foca no casal. Bem, acabou que ficou nitidamente duas histórias em separado. Não temos vínculo com os personagens, não nos importamos, não temos um algo além para se refletir, e por esse motivo, ao menos para mim, o saldo final foi negativo.

    Boa sorte no desafio
    Nota: 5

  26. Bruna Francielle
    3 de agosto de 2016

    Algumas considerações.. Bem, primeiramente considero q a segunda parte é do outro autor(a) e ele pode escrever o que quiser. Porém. mesmo assim, eu poderia ter considerado a outra parte como uma continuação do meu conto. Mas como o que fez foi algo totalmente fora do que iniciei, não prosseguiu a história, eu realmente não considero esta a “continuação do meu conto”, pra mim é outra coisa. RS’ Friso que me diverti um pouco com a continuação. Alguns adendos:me pareceu q o autor teve dificuldades em trabalhar em um conto sem protagonistas comuns. Dizendo a minha ideia, era um conto SEM protagonistas, não do jeito normal ao menos. O protagonista do meu conto, em minha interpretação, era a “Loucura de comprar”. Faz alguns meses q criei esse conto, confesso, e havia abandonado-o, ai qnd vi q o desafio era assim de continuar, fui verificar meus contos inacabados e acabei escolhendo este. RS’ Foi um conto feito de forma totalmente despretensiosa. Não lembro bem se era a minha intenção inicial, mas o conto acabou por ter uma certa crítica social, descrita de maneira exagerada, sobre o consumismo. Acho que o autor e possivelmente parte dos leitores podem não ter captado isso, achando que era apenas cenas desconexas. Mas o protagonista estava ali e era a “loucura de comprar”. (protagonista este totalmente descartado pelo complementador) Entao,vejo que o autor precisou colocar um protagonista da forma comum, uma pessoa e não algo impalpável, e também não conseguiu continuar o fio da meada, precisando inventar outra história totalmente nova, demonstrando certa incapacidade nesses quesitos. Eu já sabia que era dificil a proposta de um conto sem protagonistas. Porém fiquei, extremament aliviada, pelo autor(a) não ter feito do conto uma investigação policial. A última cena q deixei havia um “crime”, e temia que continuassem a história toda falando disso, pelo menos fico feliz que não tenha continuado nisto. Porém achei que no final, a Jéssica ia matar a outra, e faria uma menção a essa cena, porém o que se seguiu foi algo bem mais leve. Estas foram minhas singelas percepções, que são apenas minhas, visto que quem ler ou quem escreveu, tem toda a liberdade para ter suas próprias percepções. E Valeu por continuar, afinal poderia ter desistido ! = )

    • Simoni Dário
      20 de agosto de 2016

      KKKKK, desistir nunca!

      Olá Bruna

      Em primeiro lugar gostaria de pedir mil desculpas pela minha incompetência em continuar o conto a partir do que você deixou bem claro no texto, que o protagonista é o consumismo desenfreado.

      Veja, a minha limitação como escritora no que diz respeito a temas, transformou o teu texto num desafio e tanto. Tenho uma tendência para escrever romances e histórias do tipo água com açúcar, então imagine minha saia justa. Logo, minha covardia em tentar escrever na sua linha de raciocínio foi grande e acabei apelando pelo pesadelo de Jéssica e fui pelo caminho mais fácil para mim, um romance, não açucarado (tentativa de mudança) e traições.

      Quando li teu texto, me vinham cenas na cabeça do filme As Branquelas, o qual não assisti, mas estava por perto em outras tarefas quando assistiam aqui em casa, ouvindo de vez em quando o filme. Imaginei que fazer uma comédia com humor negro ou pastelão eu não conseguiria e certamente teria feito um estrago maior. O teu tema deixado como pista – consumismo- me faria escrever um texto sério, com reflexões e moral da história que teriam agradado menos ainda, não consegui, sorry.

      Fiquei pensando que o teu gancho, com aquela morte no final fosse também uma pista para uma continuação policial (foram várias mortes), e aí a coisa desandaria de vez e fiquei aliviada que você deu graças a Deus por eu não ter ido por aí.

      No mais, parabéns pela ideia, desculpe mais uma vez pelo caminho que escolhi e vamos treinando, o desafio é um excelente exercício de aprendizado e persistência.

      Boa sorte com os teus textos.

      Abraço.

  27. Amanda Gomez
    1 de agosto de 2016

    Olá, Que confusão! Ficou bem nítida a divisão das partes, mas comentarei isso por último.

    Acho que entendi o objetivo do conto, uma vez que a ideia original não ostenta um protagonista, e sim o motivo que leva todos os citados a essa loja: O consumismo. Será uma crítica social a moral da história? Acredito que sim. Todos os absurdos dos acontecimentos iniciais.

    A ideia original foi subvertida, o que não é lá muito condenável tendo em vista a dificuldade do conto em si, me pareceu bem difícil. Agora a maneira como foi, deixou a desejar.

    Um sonho, sério?

    Surge uma protagonista por assim dizer, vivendo crises no casamento, eu confesso que não agradou muito essa história, ao mesmo tempo que combinou com a superficialidade do começo. Estou em conflito. Porque quando se lê o início, cria-se algumas expectativas que não são supridas… um espelho derrete e tudo que havia sido feito é desmontando. Temos Jéssica em seu drama familiar. Notei certas repetições, demonstrando que o autor estava mesmo meio perdido na história. rsrs. Não simpatizei com nenhum dos personagens, talvez seja o maior defeito. A falta de carisma e profundidade. É preciso ler mais de uma vez para entender a primeira parte, e depois nos frustramos, uma vez que pouco disso é aproveitado.

    Pondo de lado a confusão da história, tenho que comentar a narrativa que é bem agradável, e a escrita muito bem feita, percebe-se zelo em cada palavra. O autor da segunda parte conseguiu se aproximar bem do estilo da primeira. Mas acabo por preferir a ideia inicial, porque foge de alguns clichês. Se torna até mesmo gore, e seria mais interesse mergulhar no absurdo dela, que entrar em uma zona de conforto não muito empolgante.

    No geral, é um bom conto, confuso, tal como o título. Mas interessante se você se desligar um pouco do convencional. A escolha dos nomes foi interessante, e a personagem ”secundária” que furta todo mundo, poderia entrar mais na história. não sei.

    Parabéns aos autores, sei que foi difícil.

  28. Wesley Nunes
    1 de agosto de 2016

    Nesse conto é possível identificar a parte um e a parte dois nitidamente.

    Na parte um que se encerra com a informação de que a personagem Jéssica estava dormindo, o que chamou a minha atenção nessa parte, é como o autor sabe inserir senso de humor em seu texto. Achei engraçada as imagens caricatas dos personagens, o humor negro que desdenha a morte e o bom uso do absurdo retratando o comportamento humano. O autor faz uma crítica sobre o consumismo e consegue provocar uma reflexão do leitor a respeito deste tema.

    Em um primeiro momento, pensei que a loja fosse o personagem principal e achei divertido como cada pessoa dentro da Paquinstein tinha uma pequena história própria. Uma história puxava a outra, dando dinamismo para o texto e até originalidade.

    O que me gerou incomodo e eu não aponto como falha, é que em nenhum momento eu percebi que tratava-se de um sonho. Senti falta da inserção de alguns elementos mais oníricos para demonstrar que tudo era um sonho. Lendo eu pensei “Trata-se de um texto com um caráter mais humorístico”.

    A primeira parte possui uns erros pontuais como: troca de um O por um A e vise e versa. Em alguns momentos notei frases muito longas e que acabam cansando o leitor. Recomendo quebra-las, utilizando o ponto final.

    A respeito da parte dois.

    O texto é muito bem elaborado e a escrita é fluida. Tenho que parabenizar a criatividade do autor na utilização dos elementos e dos personagens da primeira parte. Gostei da construção da personagem Jéssica como uma pessoa instável e vingativa. O autor mantém essa personalidade em cada linha do conto e isso deve ser elogiado. Quando a trama segue para loja, o autor constrói bem a tensão. O leitor sabe que Jessica deseja fazer algo, mas não tem o conhecimento do que ela irá fazer, necessariamente. Tendo em mãos essa curiosidade do leitor, o autor só revela as intenções de Jessica no final do conto e isso me chamou a atenção. O final com a vingança “dupla” merece diversos elogios.

    Parabéns aos dois escritores.

    • Bruna Francielle
      20 de agosto de 2016

      Obrigado Wesley. Mas na verdade, a primeira parte encerrou-se com Jéssica no provador. A segunda parte é que iniciou dizendo que fora tudo um sonho, RS’ Obr. novamente

  29. Pedro Luna
    1 de agosto de 2016

    Eu não gostei do resultado. Direi os motivos.

    No início, achei alguns problemas com vírgulas, e depois a escrita melhorou. Mas o fraco foi o trato com a trama. A proposta era simples, confusão no saldão, ou seja, até quase o fim do conto, estava indo como esperado: uma sucessão de cenas, algo como um filme pastelão, com cenas malucas e desconexas que surgem uma atrás da outra.

    A primeira situação, de Jucycleide, me incomodou pelos nomes forçados e descrições aleatórias e inúteis (que diferença faz para o leitor saber que ela namora alexodronsson, e que ele tem 28 anos? Nenhuma.). Mas daí veio Neuza, e os furtos, e essa é a melhor parte do conto. Depois, uma cansativa briga por uma roupa dá lugar a divertida situação da mulher que encontra um cadáver, mas nem liga. Essa era a alma, comédia pastelão, absurda.

    Mas veio a situação do sonho e tudo mudou. Virou um casos de família bem escrito, mas muito desinteressante. O que não gostei, foi que o conto tentou ficar sério, mas o leitor não vem com essa pegada. O autor da segunda parte conseguiu escrever a criativa situação de vingança da personagem, mas creio que ele não fez bem em transformar a primeira parte em devaneio. Não funcionou para mim, porque o interesse caiu.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    1 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Confusão no Saldão (Birthday Cake)
    CA: Inusitado e bem humorado. Apesar do desenvolvimento rápido, o cenário escolhido permitiu visualizar facilmente as cenas criadas. – 8,0
    MAR: Algumas trocas verbais não chegam a incomodar, pois o contexto se desenrola bem. Quanto à ortografia, está bem revisado. Só algumas frases cortaram algumas ações de repente, prejudicando de leve a coesão. – 7,0
    GO: Eu gostei do tom cômico, com certa crítica embutida, que não passa despercebida a um leitor mais atento. Tem alguns probleminhas, como muitos núcleos distribuídos, mas o texto em si funciona. – 8,0
    [7,7]

    JUN: Se não fosse pelos símbolos, talvez a união passasse despercebida, porque, apesar do “Sonho Ex Machina”, os estilos ficaram bem parecidos, bem como a continuação do “barraco”, só que de outra forma. – 8,0
    I: São dois pontos de vista opostos, mas com o mesmo sentido: dar vida ao contexto de periferia. Nesse quesito, se saíram bem. – 8,0
    OR: É um cotidiano diferente, cômico até, sem grandes reviravoltas. Algumas coisinhas passaram na revisão, mas tudo bem. Foi divertido. – 7,5
    [7,8]

    Final: 7,8

  31. Evandro Furtado
    1 de agosto de 2016

    Complemento: manteve o mesmo nível.

    O texto começou com um tom satírico que me agradou muito, o segundo autor conseguiu imprimir relativamente esse tom, reproduzindo-o na segunda parte enquanto colocou características próprias. Os personagens mantiveram as características mas o que realmente incomodou foi a estratégia de continuação da trama. A questão de tudo ter sido um sonho realmente revela certa falta de criatividade na construção do texto, uma pena considerando que a segunda parte foi relativamente bem executada.

  32. Thomás Bertozzi
    31 de julho de 2016

    Olá autores!
    O conto é bem rico em detalhes e personagens, o que é bom. No entanto, essa riqueza não foi tão bem administrada na primeira parte – (fora alguns erros gramaticais), tanto que precisei reler o texto.

    A segunda parte é mais concisa, fluida e deixa as coisas mais claras. Juntou bem as pontas soltas da primeira metade.

  33. Jefferson Lemos
    31 de julho de 2016

    (Parte um) Um conto que faz jus ao nome: confuso. Esse estilo surreal e nonsense não costuma me agradar, e aqui, não me prendeu na maior parte. Não consegui simpatizar com as personagens e não vi muito que me impelisse a continuar a leitura. É bem escrito, no geral, mas o roteiro tem poucos atrativos. Alguns causos são bacanas, no entanto; como Jéssica ignorando completamente a mulher morta por razão do tempo que iria perder. Essa é uma sacada muito legal e bem atual. Vivemos em um mundo onde tempo é dinheiro. Reclamamos que não temos muito, e vivemos jogando fora o que temos.

    (Parte dois) aqui o trabalho de continuação melhorou (e muito) a primeira parte. Achei o primeiro trecho do conto completamente se nexo, e apesar da segunda parte não ter sido sensacional, o autor fez um bom trabalho com o que tinha disponível. Gostei de como trabalhou a personagem e o drama familiar, culminando numa situação mais escrachada. Bem escrito e com uma narração que não me fez reclamar. Uma salvação para o conto, com certeza.

    Parabéns e boa sorte!

  34. Danilo Pereira
    31 de julho de 2016

    enredos me encantam!!! Perincipalmente aqueles que tratam o cotidiano… São cenas do dia a dia. Achei um pouco confuso a complementação do original. O autor foi por um caminho arriscado, por´´em se saiu bem. Há uma critica sobre o consumismo, e essa sociedade do espetáculo, onde somos mercadorias tbm!!!. NOTA:8

  35. Matheus Pacheco
    31 de julho de 2016

    Vou dizer que se uma camiseta resiste a puxões e dentadas eu gastaria meu dinheiro nela, mas teve uma coisa que eu não consegui entender das duas vezes que reli, seria a segunda parte um ocorrido antes da primeira, pois pelo o quê entendi, na segunda parte a personagem “Jucileyde” ainda estava viva.
    Estranhamente achei o texto cômico (espero que seja cômico porque em algumas partes eu achei muito engraçado) e ai uma critica ranzinza sobre os parágrafos, SÃO MUITO GRANDES, mas não tirou o mérito.
    Abração amigos

  36. angst447
    31 de julho de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama -Aderência)
    T – O título é simples e já anuncia o que virá a seguir.
    R – Algumas falhas quanto à pontuação, sobretudo vírgulas. Outros lapsos aconteceram, como por exemplo:
    as nove da manhã > às nove da manhã
    alto estima > autoestima
    uma das que havia passado > uma da que HAVIAM passado
    as 9:00 a.m > às nove horas (da manhã)
    não viu ela > não a viu
    se houverem mortes > se não houver mortes
    como você pode? > como você pôde?
    o bum bum > bumbum
    E – O segundo autor lançou mão do recurso SONHO para dar continuidade à narrativa. Funcionou? Não sei. Confesso que achei a estratégia meio forçada. Tive de reler para perceber qual era o enredo a partir dali. O autor simplesmente não gostou da ideia de haver um corpo ali, encontrado no provador e resolveu transformar tudo em pó – delírio, sonho. Para mim, ficou a impressão de ler dois contos distintos, embora com os mesmos personagens e cenário. Portanto, não atendeu ao propósito do certame.
    T – A história bem popular, focada em grandes liquidações estilo Black Friday e a loucura causada pelo consumismo. Isso na primeira parte, porque o desenvolvimento voltou-se ao relacionamento de Jéssica com o marido traidor.
    A – Fiquei interessada quando surgiu o corpo no provador e a indiferença de Jéssica. No entanto, a trama se perdeu a partir daí. O final até que melhorou um pouquinho, mas meio incongruente. O conto não prendeu a minha atenção como eu gostaria.

  37. Claudia Roberta Angst
    31 de julho de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama -Aderência)
    T – O título é simples e já anuncia o que virá a seguir.
    R – Algumas falhas quanto à pontuação, sobretudo vírgulas. Outros lapsos aconteceram, como por exemplo:
    as nove da manhã > às nove da manhã
    alto estima > autoestima
    uma das que havia passado > uma da que HAVIAM passado
    as 9:00 a.m > às nove horas (da manhã)
    não viu ela > não a viu
    se houverem mortes > se não houver mortes
    como você pode? > como você pôde?
    o bum bum > bumbum
    E – O segundo autor lançou mão do recurso SONHO para dar continuidade à narrativa. Funcionou? Não sei. Confesso que achei a estratégia meio forçada. Tive de reler para perceber qual era o enredo a partir dali. O autor simplesmente não gostou da ideia de haver um corpo ali, encontrado no provador e resolveu transformar tudo em pó – delírio, sonho. Para mim, ficou a impressão de ler dois contos distintos, embora com os mesmos personagens e cenário. Portanto, não atendeu ao propósito do certame.
    T – A história bem popular, focada em grandes liquidações estilo Black Friday e a loucura causada pelo consumismo. Isso na primeira parte, porque o desenvolvimento voltou-se ao relacionamento de Jéssica com o marido traidor.
    A – Fiquei interessada quando surgiu o corpo no provador e a indiferença de Jéssica. No entanto, a trama se perdeu a partir daí. O final até que melhorou um pouquinho, mas meio incongruente. O conto não prendeu a minha atenção como eu gostaria.
    🙂

  38. Davenir Viganon
    31 de julho de 2016

    Olá. Estava me perguntando, antes de ler o primeiro texto (este, no caso) quando alguém iria usar o recurso do sonho para continuar a estória. Tal minha surpresa que já no primeiro ele foi usado. Fiquei um pouco de cara mas o “continuador” usou bem os vários personagens que foram lançados no início da estória. Eu havia sentido uma pegada mais “crítica ao consumo” e isso não foi seguido pelo continuador mas você aprofundou alguns personagens e manteve o tom absurdo e enveredou por algo mais “Relatos Selvagens” e eu gostei da continuação. No geral, mesmo com o recurso do sonho, eu acho que passaria como um conto escrito por uma pessoa só se ninguém soubesse do desafio. Bom trabalho.

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Publicado às 28 de junho de 2016 por em Duplas e marcado , .