EntreContos

Detox Literário.

O Quadro, o Chapéu e o Gato (Pedro Luna)

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Intrigada com um quadro que teimava em ficar torto na parede da cozinha, Rosa Helena decidiu martelar quatro pregos, nas quatro extremidades do objeto, e grudá-lo na parede de forma que nem uma forte ventania fosse entortá-lo. Essa era a sua ocupação quando o marido, Alfredo, e o cunhado, Gilberto, entraram pela porta da frente da casinha que ficava em Santa Teresa. O marido aos gritos.

– Rosa? Corre mulher!

Rosa Helena praguejou, largando os pregos e o martelo, e foi até a sala, encontrando ali o cunhado deitado no sofá e o marido andando de um lado para o outro, suando feito um porco e dando tapinhas na testa.

– O Brasil perdeu – ele gritava e negava com a cabeça. – O uruguaio filho da puta marcou o segundo gol e acabou com a gente.

Foi só aí que ela lembrou do jogo.  Havia passado o dia pensando no quadro e sequer percebeu quando Alfredo saiu para o estádio.

– E eu com isso, Alfredo? Não ligo para futebol.

Alfredo voou até a mulher e a agarrou pelos braços, completamente alucinado.

– O Gilberto tá doente. É uma maldição, Rosa. As pessoas estão ficando mudas.

Rosa Helena não estava entendendo nada. Irritada, se soltou dos braços de Alfredo e foi até o sofá, onde o cunhado estava jogado, com uma expressão de quem sentia a pior das náuseas.

– O que você tem, Berto?

– Ele não pode falar – gritou novamente o marido, agitado como um gato escaldado. – Está mudo, não fala nada desde que o juiz apitou o fim do jogo.

– Que conversa besta é essa, homem? – gritou de volta a mulher. – Vai lá pra dentro e toma um banho pra se acalmar – e foi então que sentiu a mão do cunhado a puxar-lhe a manga da blusa. Gilberto estava com os olhos virando do avesso, pálido como um lençol, apontou para a própria boca, balançando o dedo de um lado para o outro, em um gesto de negação.

– O que você está sentido, Berto? Parece que tá morrendo.

– Eu já falei, mulheeeer – Alfredo estava cada vez mais alucinado. – Está mudo. E não só ele. Um monte de gente perdeu a voz. O estádio estava uma loucura. É uma uruca uruguaia. Precisamos pegar esses filhos da puta antes que eles deixem o Brasil.

Rosa Helena começava a sentir umas pontadas de enxaqueca com aquela gritaria. Para não sentar a mão na cara do marido, levantou-se e se afastou. Da porta da cozinha, observou a situação e começou a achar que por mais louco que Alfredo estivesse, parecia ter razão.

– É verdade, Berto? – perguntou. – Você não consegue mais falar?

O cunhado jazia no sofá, mas teve forças para levantar o braço e fazer um sinal de positivo com a mão.

– Viu? Viu? Eu tô te falando, Rosa – Alfredo se agitou ainda mais. – Vamos levá-lo no médico e depois temos que ir a polícia. Aqueles estrangeiros mequetrefes precisam se explicar.

– Tá, tá… espera aí, eu vou ver uma coisa.

Rosa saiu pela porta dos fundos, passou pelo corredor que ficava na lateral da casa, e saiu pela varanda. Havia um clima pesado na rua, e ela logo sentiu que realmente havia algo errado. Ali não tinha uma alma viva, nem mesmo os bebuns de sempre que passavam o dia na calçada. Andou alguns metros e bateu na porta de Arlete, sua amiga.

Demorou, mas Arlete abriu a porta, timidamente, deixando apenas uma pequena fresta por onde observou Rosa.

– O que foi? – disse.

– Arletinha, o Melquíades foi para o jogo? A tal final do jogo do mundo?

Arlete abriu um pouco a porta, enfiou a cabeça para fora e olhou para os lados, visivelmente desconfiada.

– Por que você quer saber?

Rosa tomou um susto. Onde estava a Arlete simpática de sempre?

– Porque o meu marido chegou surtando lá em casa, dizendo que o irmão estava mudo e que um monte de gente no estádio tinha deixado de falar. O Melquíades já chegou? Queria perguntar se ele sabe de algo.

– O Melquíades não sabe de nada – respondeu Arlete, rapidamente. – E se alguém perguntar, diga que ele não sabe de nada. Entendeu, Rosa Helena?

– Como assim, Arlete? Do que você está falando?

– Ele também está mudo – a amiga parecia que ia começar a surtar, igual a Alfredo. Arregalou os olhos e escancarou a boca, mostrando as gengivas. – É tudo um plano do Uruguai. Eles estão aliados com os Russos. Já ouvi no rádio que soltaram um tipo de gás no estádio, e por causa dele todos estão ficando mudos. Esse gás vai se espalhar pela cidade, depois pelo Brasil inteiro.

– Que conversa besta é essa, Arlete? – Rosa estava incrédula.

– Acredite se quiser, Rosa. Só sei que o meu marido saiu de casa ao meio dia falando pelos cotovelos e agora voltou com o vocabulário de uma pedra. Eu ouvi no rádio, entendeu? Se falaram no rádio, então é verdade. Volte para sua casa e tranque as portas. Não venha mais aqui.

Arlete bateu a porta e deixou Rosa sozinha ali, de queixo caído. Olhou para os lados e viu que a rua parecia um lugar abandonado, com as janelas e portas das casas completamente fechadas. Sentiu um arrepio nas costas e voltou correndo para casa. Um pouco antes de entrar, ouviu um barulho de pratos sendo arremessados no chão. Rosa acelerou o passo e adentrou na casa, para ver um Alfredo ainda mais enlouquecido.

O marido pulava de um canto para o outro, jogando pratos no chão e balançando os braços feito um macaco, completamente enfurecido.

Rosa deteve-se por um minuto, sem acreditar no que via, e então gritou com toda a sua força.

– ALFREEEEEEEEEDO!!!

O marido então a notou, caiu de joelhos no chão e começou a chorar, apontando para a própria boca.

Também havia ficado mudo.

***

Tavares fumava e andava ao lado do cientista, com a mão nada gentilmente pousada no ombro do homem, apertando-lhe com força.

– Não ouse falar bobagens, Friking – dizia. – E não fale daquele experimento que você construiu nas nossas costas e que agora você faz propaganda para todo mundo. O presidente não está interessado nessas bobagens.

– Meu nome é Friedkin – disse o homem da ciência. – É um nome estrangeiro que minha mãe gostava.

– Pode ser até de outro planeta, não dou a mínima – disse Tavares, dando uma tragada violenta que comeu quase todo o cigarro. – Apenas diga a que conclusão nossos cientistas chegaram e estará tudo certo.

Friedkin ajeitou os enormes óculos e permaneceu em silêncio. Não gostava de Tavares e do modo como ele gerenciava aquele departamento do governo. Cientistas precisavam de um ambiente livre, onde pudessem ser criativos, e não aquele campo de concentração. E o sujeito insistia em dizer que a sua última invenção era uma piada. Ora, quem mais no mundo pensaria em criar um simples chapéu que na verdade era uma bomba atômica? Países pagariam por aquele experimento, enquanto Tavares, ao ver o chapéu, disse que o projeto era um fracasso, pois ninguém em sã consciência no mundo temeria uma bomba que tinha a aparência de um chapéu.

– Estou avisando, Freakin. – disse ele, enquanto se aproximavam da sala de reuniões da base. – Você está representando todos os outros. Não estrague tudo.

O cientista apenas concordou com a cabeça e calado ficou. Os dois passaram pelos seguranças que estavam na porta e entraram na sala. Ali havia alguns homens, e entre eles o presidente Dutra.

– Esse é o homem que eu queria ver hoje – disse o presidente. – Tavares, diga o que tem pra mim.

Tavares apertou a mão do presidente e abriu um enorme sorriso.

– Bom, senhor presidente, na verdade eu trouxe aqui o chefe do nosso departamento de cientistas. O doutor Fritzkim.

– Perdão… err…  na verdade o meu nome é Friedkin.

– Que seja – Tavares o ignorou. – Senhor presidente, nossos capacitados cientistas tem uma teoria de como recuperar a voz das pessoas que estavam no estádio. Fritzkim irá explicar tudo.

O presidente então voltou a sua atenção para o cientista.

– Doutor, sou todo ouvidos.

Friedkin pigarreou e então começou a falar.

– Bem, senhor presidente, estamos diante de um caso de mudez coletiva jamais visto antes na história desse país. Certamente ele foi ocasionado pelo choque que as pessoas tiveram ao ver a nossa seleção futebolista ser derrotada em plena final.

– Diga algo que eu não sei, doutor – o presidente o interrompeu. Friedkin conseguia ver as veias no pescoço de Tavares, visivelmente com raiva. Decidiu ir logo ao ponto.

– Bom – continuou. – Eu e meus companheiros lembramos de um experimento que realizamos com alguns cachorros, anos atrás. Queríamos saber os efeitos de uma situação chocante nesses animais.  Portanto, pusemos três cachorros dentro de uma sala onde havia um pequeno gato inflável, feito com um material muito resistente. Os cachorros avançaram no gato, morderam-no e latiram para ele. De nossa sala de controle ao lado, observávamos tudo. Apertando um simples botão, lançamos ar para dentro do gato, que começou a inflar e aumentar de tamanho. O que pudemos ver, foi que a medida em que o gato ficava maior, chegando a ocupar quase toda a sala, os cães se acovardavam. Ficaram os três aninhados no canto, tremendo, e toda a valentia havia ido embora. O gato devia estar com uns dois metros de altura quando demos o golpe final. Outro botão, e então um equipamento de som instalado dentro do gato emitiu um som incrivelmente alto: MIAAAAAAAAAAAAAAAUUU!!! E foi aí que os cães caíram desmaiados. Desfizemos a operação, desinflamos o gato e levamos os cachorros para uma outra sala. Após despertarem, acredite, senhor presidente, estavam mudos. Não conseguiam de forma alguma latir. Estavam em choque.

Friedkin calou-se para recuperar o fôlego e percebeu que o presidente e os outros homens na sala o olhavam como se estivessem diante de um maluco. Tavares estava prestes a ter um colapso. Era melhor terminar logo a história.

– Então… sabíamos que eles estavam mudos devido ao choque, e por isso tentamos reverter a situação. Pusemos os cães novamente dentro da sala, mas dessa vez ali estava um gato de verdade. Um pequeno filhote, o mais fofo que pudemos encontrar. A ideia era que estraçalhando aquele filhote, os cães recuperariam a confiança e sairiam a latir, mas não foi o que aconteceu. Estavam com tanto medo de gatos que novamente foram para o canto, tremendo. Ou seja, não conseguimos.

O presidente Dutra pigarreou e deu de ombros.

– É uma bonita história, doutor Frederikim, mas não estou conseguindo ligá-la ao nosso problema.

– Farei isso agora para o senhor, senhor presidente. Chegamos a conclusão que não foi possível reverter o choque dos cachorros de forma imediata, mas eles são animais, muito diferentes de nós. Por isso, pensamos que talvez seja possível reverter imediatamente o choque nas duzentas mil pessoas que estavam no estádio, proporcionando o reverso do que elas presenciaram, ou seja, a vitória do Brasil.

– Como é que é? – perguntou o presidente. – E como faríamos isso?

Friedkin engoliu a seco, mas estava disposto a defender sua ideia.

– Faça o jogo novamente, ponha as mesmas pessoas no estádio, faça o Brasil vencer, e possivelmente todos voltarão a falar novamente.

– Eu entendi essa parte, mas como convenceríamos a seleção do Uruguai a jogar novamente? E ainda por cima perder? Você tem essa resposta, doutor?

Todos ficaram calados, inclusive Friedkin, pois aquela parte não lhe cabia. Foi então que alguém quebrou o silêncio.

– Senhor presidente, acredito que possa ser feito.

Era um dos homens que estavam na sala. Usava um terno azul-marinho, era alto e tinha cabelos e bigode grisalhos.

– Ministro de Assuntos Internacionais de Extrema Urgência? – disse o presidente. – Compartilhe então o que sabe.

– Podemos dar o Rio Grande do Sul ao Uruguai – ele foi seco e direto. – Em troca nos realizariam esse favor.

O presidente coçou o queixo gordo e refletiu sobre o assunto, até que tomou a sua decisão.

– Bom, por que não?

E todos comemoraram a decisão, inclusive Tavares, e enquanto os homens apertavam as mãos, sorridentes, e trocavam elogios, Friedkin achou que aquele era um bom momento para falar do chapéu bomba.

 ***

Alguns dias depois, Brasil e Uruguai entraram em campo novamente, diante das mesmas duzentas mil pessoas que haviam perdido a voz no jogo anterior, incluindo Alfredo, o marido de Rosa Helena, Gilberto, o seu irmão, e Melquíades, que agora era um viúvo, já que Arlete se suicidara com medo dos russos. Jamais houve uma partida de futebol tão silenciosa. Ghiggia, o carrasco uruguaio da partida anterior, alegou câimbras e deixou o jogo logo aos cinco minutos do primeiro tempo. O Brasil venceu por 15×0, com 10 gols de Friaça.

Nas arquibancadas, homens, mulheres e crianças choravam com a conquista, e quando a taça de campeão do mundo foi erguida no centro do gramado, as pessoas timidamente voltaram a falar, e aos poucos, toda aquela vontade de falar e gritar foi voltando, ao ponto de que pouco tempo depois, duzentas mil pessoas gritavam: É CAMPEÃO.

O presidente Dutra virou um herói nacional e governou o país por mais vinte anos. A euforia era tanta que nem mesmo a população do Rio Grande do Sul se incomodou em pertencer agora ao Uruguai. Tinha sido por uma boa causa. Alfredo e Gilberto comemoraram tanto que novamente perderam a voz por causa dos gritos, mas dessa vez Rosa Helena não quis nem saber. O mal humorado Tavares morreu de um ataque cardíaco fulminante logo após o jogo, quando totalmente embriagado e incentivado por uma nobre dama, decidiu tentar fumar trinta cigarros de uma só vez. E o doutor Friedkin, cansado de errarem tanto o seu nome e menosprezarem as suas criações, tomou um avião para a Rússia, onde planejava vender a ideia da bomba atômica, mas não uma que parecia um chapéu, mas sim uma que parecia um gato inflável, pois aparentemente aquela era uma aparência muito mais amedrontadora.

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29 comentários em “O Quadro, o Chapéu e o Gato (Pedro Luna)

  1. Andreza Araujo
    3 de junho de 2016

    Olha, eu acredito, sim, que futebol mexe com o nosso país, e que poderia alterar o futuro apenas porque a seleção ganhou ou perdeu um determinado jogo. Então acho que a RHA foi bem explorada.

    Sobre o conto em si, gostei muito dos personagens e do modo como você conduziu a narrativa. Devo dizer que achei muito engraçado, na medida certa, porque o texto não é idiota, ele é sutilmente cômico.

    Eu só não gostei do título, não despertou o meu interesse, mas isto é só um detalhe. Gostei muito do desenvolvimento da história, caro amigo. Você é bem criativo. Boa sorte no desafio!

  2. Wilson Barros
    3 de junho de 2016

    O conto começa intrigante e vai ficando mais ainda. As explicações lembraram-me bastante os contos de Isaac Asimov. As ideias são de uma criatividade incrível, em um conto originalíssimo. Muito bem escrito, o irreal aqui é tratado com perfeição, parabéns.

  3. Swylmar Ferreira
    3 de junho de 2016

    Muito legal o conto, criativo e cômico, a parte que mais gostei foi a do gato inflável,
    Meu caro autor, a trama é muito boa, apesar de simples, difícil imaginar a situação. A adequação ao tema é inegável, Gramática muito boa ajuda a leitura da obra e o enredo é muito bom, usa os diálogos magistralmente.
    O gato inflável foi ótimo.
    Parabéns meu caro e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    3 de junho de 2016

    Amigo, Cócegas,

    Achei o seu conto muito divertido. Todo o inusitado apresentado ao longo do texto deixa o leitor “esperando qualquer coisa” nas linhas seguintes. Tudo pode acontecer.
    Seu texto flui bem e a leitura segue fácil do início ao fim da narrativa.
    Acredito, no entanto, que o lado meio besteirol tenha tirado um pouco da qualidade do conto (no contexto deste desafio, claro).
    Me diverti bastante. Boa sorte!

  5. Virginia Cunha Barros
    2 de junho de 2016

    Oii… gostei do bom humor do conto, é uma coisa que me agrada, e a tua escrita é mesmo muito legal. A história me prendeu a atenção desde o começo, mas eu achei um pouco estranha a explicação de todo mundo ter emudecido por causa do jogo… de qualquer forma, um bom conto, parabéns!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    2 de junho de 2016

    Cócegas,

    Temos aqui um trabalho que prima pelo humor. Porém, infelizmente, a história não funcionou comigo. Achei divertido os personagens, o cientista e a recorrente confusão com o seu nome.

    O começo do conto, mais voltado para o ambiente domiciliar, me remeteu aos trabalhos de Nelson Rodrigues. E isso, autor, é um elogio.

    Você tem uma escrita muito boa e uma verve cômica dotada de muitas referências. Espero poder ver mais trabalhos assim.

    Parabéns e boa sorte.

  7. Thomás
    2 de junho de 2016

    Cócegas, sua história é completamente estapafúrdia e divertida.
    No contexto que você criou, ela é adequada à proposta do desafio.

    Achei, no entanto, que há poucas consequências referentes à RHA. Nesse caso, a “doação” de um estado da federação e o mandato muito mais longo de um presidente. Não houve nenhum desdobramento quanto a isso.

  8. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Cócegas! Seu conto é minha décima segunda leitura.

    Observações: parabéns pela técnica, a narrativa é envolvente e nos mantém curiosos praticamente o tempo todo. Trata-se de uma curiosidade desencadeada pelo próprio absurdo da situação – tudo pode acontecer. Seu conto coloca em questionamento o tema proposto. No momento em que falamos de Realidade Alternativa, somos levados a pensar em algo que não ocorreu, mas poderia ter ocorrido. Ora, como podemos dizer que a sua história é absurda, impossível, somente porque é diferente da nossa? Não é justamente este o conceito de Alternativa?

    Destaque: sua criatividade merece destaque. Os autores neste desafio parecem ter um gosto particular por futebol e por separar o Rio Grande do Sul do Brasil, mas ninguém mais misturou as duas coisas e trocou alguns milhões de gaúchos pela cura de duzentas mil pessoas.

    Sugestões de melhoria: não vejo realmente muito o que melhorar. Por mais que o final tenha causado certa estranheza com as explicações etc., vejo-o como parte importante do seu conto. Eu não o removeria, mas talvez pudesse explorá-lo um pouco mais.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: A RHA de um Brasil campeão em casa no ano de 1950, a partir de um acontecimento absurdo (ou de realismo fantástico): a mudez contagiante dos expectadores diante da derrota.

    TÉCNICA: linguagem despojada e simples, muitas vezes tendendo demais para a informalidade. Diálogos muitas vezes explicativos demais, poderiam ser mais burilados.

    EFEITO: história simpática, apesar de ilógica em essência. Não consegui me surpreender com a narrativa. Boa sorte, mesmo assim!

  10. vitormcleite
    31 de maio de 2016

    Gostei do início deste texto, mas depois parece que ficaste sem tempo para o desenvolver. Pontualmente tens um bom recurso ao humor, e todos sabemos como é difícil conseguir bons resultados. Por outro lado, relatas acontecimentos que, me parece, estragam um pouco o teu objetivo ao fazer este texto. Se repensares as partes de non sense do cientista, parece-me que vais ficar com um texto mais interessante, mas mesmo assim, muitos parabéns

  11. Pedro Teixeira
    31 de maio de 2016

    Olá, Cócegas! Um conto muito divertido, no qual as piadas funcionaram bem, especialmente na primeira metade.O clima de sátira permeia toda a trama e a gente realmente se sente em um filme do Mel Brooks ou em algum “Corra que a Polícia vem aí”, o que me agrada, pois gosto de comédia pastelão. As descrições estavam especialmente divertidas na primeira metade da narrativa. Senti uma pequena queda na parte final, que ficou um tanto corrida, mas, ainda sim, é um conto bastante divertido que cumpre com o que promete. A descrição do marido agitando os braços como um macaco ficou hilária, hehe. Bom, é isso, parabéns pelo belo trabalho e boa sorte no desafio!

  12. Anorkinda Neide
    31 de maio de 2016

    Ahhh… esqueci de dizer q o final corrido tirou algumas estrelinhas da tua avaliação! rsrs

  13. Anorkinda Neide
    31 de maio de 2016

    Olá, maluco!
    Gostei bastante!
    A leitura fluiu, comprei todo o nonsense e realmente parecia um daqueles filmes como Steve Martin, coisas absolutamente sem noção, como a solução encontrada e o cientista fora da casinha!
    Friedkin… humm lembra o nome do meu gato q tb ninguem nunca acerta de cara! hauhia
    Qt a ‘dar’ o Rio Grande do Sul ao Uruguai, vou nem comentar … :p
    Abração!

  14. Simoni Dário
    29 de maio de 2016

    Olá Cócegas.
    Um conto divertido, a proposta é muito criativa e a ideia de dar o Rio Grande do Sul aos Uruguaios em troca da vitória foi a cereja do bolo, ri demais com essa. Todo o texto está bem conectado e até ouso dizer que foi um dos melhores que li até agora nesse desafio, porque você colocou a alternativa da RHA que combina perfeitamente com o tom do seu conto. Falando sério, não são muitos os episódios da história que podemos arriscar dar uma alternativa plausível sem maiores pesquisas ou conhecimento e você criou uma situação doida onde cabe perfeitamente a alternativa que você propôs. Leitura muito agradável! Obrigada por isso e parabéns!
    P.S: O final combina com todo o resto e dizer que nem a população do RS se incomodou de pertencer ao Uruguai depois da vitória foi outra cereja. Ou você é desses lados, ou conhece bem os gaúchos! kkkkkkk

  15. Pedro Arthur Crivello
    26 de maio de 2016

    um conto de humor meio improvável de acontecer, a premissa confesso que não é muito forte, no começo do conto imaginei que seria algo meio como o “ensaio sobre a cegueira” de saramago. quando vi que questão se tratava da derrota do Brasil achei engraçado, mas algo ainda falta. o final não ficou bem estruturado, tentou dar um fim para todos os personagens que apareceram deixando histórias muito mal contadas com finais insuficientes, para um começo de certa forma interessante

  16. Catarina
    25 de maio de 2016

    O COMEÇO me deixou intrigada. O FLUXO, digno de um cronista do cotidiano, nos apresenta uma TRAMA difícil de ser costurada. Só quem se aventura pelo escorregadio corredor do humor, sabe o quanto é complicado induzir o leitor a rir de si mesmo. Você conseguiu com uma ALTERNATIVA histórica bizarra. O FIM teve uma queda mínima na qualidade e senti falta do quadro preso na parede. Me enganou direitinho.

  17. JULIANA CALAFANGE
    24 de maio de 2016

    Adorei seu conto! A gente vai lendo, se envolvendo, parecia q eu estava lá no meio dos acontecimentos, vendo tudo acontecer. É um conto na medida, bem objetivo, meio “maluquinho”, o q eu adoro, muito bem escrito, linguagem leve e direta. Divertido, sem pretenções. Parabéns, espero vê entre os melhores do desafio!

    • JULIANA CALAFANGE
      24 de maio de 2016

      Corrigindo: sem “pretensões”…

  18. Rodrigues
    19 de maio de 2016

    “O Brasil venceu por 15×0, com 10 gols de Friaça.” (rachei o bico nessa parte) Que conto direto, bem escrito e, ao mesmo tempo, simples, foi esse! Sem firulas, o escritor conseguiu mexer na história do país de maneira leve e contar uma história que remete à memória do brasileiro, tornando engraçada uma das maiores derrotas do Brasil em Copas. Os personagens são extremamente naturais e engraçados, assim como os diálogos e as situações absurdas. Redondo. Gostei demais!

  19. Evandro Furtado
    18 de maio de 2016

    Ups: Que non-sense, kkkk. É um conto extremamente divertido, engraçado, cheio de reviravoltas absurdas, tom satírico e tudo o mais. Os personagens também são bastante caricatos, funcionou bem no geral.
    Downs: Apesar de tudo, algumas partes da trama ficaram um tanto inconsistentes, apesar dessa ser a ideia original. O final também ficou meio apressado, pareceu que você quis terminar logo.
    Off-topic: essa daria uma ótima história da Turma da Mônica, não sei porque…

  20. Brian Oliveira Lancaster
    17 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Divertido, cotidiano, com alguns exageros do gênero insólito, mas bem cativante. E esse negócio de ficar “doando” estados, ou os separando, está se tornando um elemento comum nesse desafio. Claro que, para efeito do bom humor, funcionou. Faltou apenas falar do frio que faz aqui.
    E: Comecei lendo de forma séria, depois o tom foi se tornando parecido àqueles livros infantis que liamos no 1º grau, com cenas leves e piadinhas pontuais. Então me adaptei ao restante da leitura (e foi necessário, pois tem vários absurdos, mas que são característicos do tipo de humor escolhido). A história convence até certo ponto e pega justamente o ponto fraco da maioria dos fanáticos brasileiros, o futebol. A parte da experiência com gás achei bem interessante e hilária na medida do possível, mas a solução pareceu bem inverossímil, mesmo sendo bem divertida.
    A: É uma história curiosa que tem o futebol como plano de fundo para a dominação mundial, apesar dos elementos ignorarem por completo a capacidade bélica e comercial daquela arma. Para o Brasil até mudaria a rotina e o dia a dia dos telespectadores, mas não mais que isso. Até se encaixa no proposto, mas quase escapa de leve.
    O: Não notei nada que me incomodasse. Os diálogos são coerentes e os personagens “comuns” convencem.

  21. Leonardo Jardim
    17 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): nesse desafio estou lendo fora de ordem e dando preferência aos contos com menos comentários. Confesso que escolhi esse pela imagem. Achei a premissa boa, mas o desenvolvimento nem tanto. O personagem do cientista surge no meio da história e é mais importante que os outros apresentados antes. O final, depois que fazem o jogo, também é corrido demais, parece aqueles filmes que contam como cada personagem terminou. Enfim, tem muitos méritos (o tom descontraído, por exemplo), mas alguns percalços (infelizemente eu acabei focando neles).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): as cenas são bem narradas, as imagens ficam nítidas e os personagens, mesmo com pouco tempo de cena, são interessantes e marcantes. Algumas observações:

    ▪ Vamos levá-lo no médico e depois temos que ir a (à) polícia
    ▪ – Estou avisando, Freakin.(sem ponto) – disse ele
    ▪ – Ministro de Assuntos Internacionais de Extrema Urgência? (não ficou bom o presidente falando isso)

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): apesar de ser uma alternativa comum de se pensar essa de como seria se o Brasil vendesse em 50, mas a forma como tudo foi feito ficou muito criativo.

    🎯 Tema (⭐⭐): e se, no trauma da Copa de 50, todos os torcedores ficassem mudos? E se tentassem reverter isso?

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o início e o meio agrada pelo ridículo, mas o final corrido atrapalhou bastante o impacto do texto. Num conto, esse quesito é muito importante e por isso o final deve ser escrito com muito cuidado, pois é nele que o impacto reside.

  22. Eduardo Selga
    16 de maio de 2016

    Evidentemente, a intenção foi produzir humor, mas acredito que tenha faltado o tempo exato da comédia, coisa difícil de se conseguir. Não atingindo esse ponto, a narrativa soou muito burlesca. Não estou dizendo que o fato de haver caricatura seja um defeito, afinal a narrativa pode seguir por inúmeros caminhos, todos válidos a depender da execução. O problema é certa “forçação de barra” em algumas situações, as quais, na tentativa de se atingir o caricato, extrapola e chega ao inverossímil do pastelão (termo tomado emprestado das artes cênicas). inverossímil por quê? É que todo o conto deveria estar marcado por essa estética, esse exagero cômico, o que não acontece, pois o presidente e a personagem Rosa Helena não se enquadram nele. Nesse caso, se a proposta é a comédia, talvez a opção por um sorriso mais suave tivesse casado melhor com os dois, ou então que se radicalizasse de vez e também eles fossem caricatos. Inclusive, um presidente é ótimo veio de caricatura, ainda mais se militar.

    É verdade que a comédia trabalha muitas vezes com o contraponto, o personagem que destoa do caricato, mas em casos assim a seriedade acaba sendo também ridícula e formando, no todo, a caricatura. Não foi o caso, do modo como enxerguei o texto. Ou seja, os contrapontos não pareciam pertencer a um texto de humor.

    Além da incoerência citada pela Cláudia, a respeito dos desmaios, entendo haver a mesma falha quando o personagem afirma que “apertando um simples botão, lançamos ar para dentro do gato, que começou a inflar e aumentar de tamanho”. Anteriormente os cães não haviam mordido o gato inflável? Isso pressupõe furos no plástico.

    Há alguns problemas de construção frasal. Em “Diga algo que eu não sei, doutor – o presidente o interrompeu”, a partícula QUE joga o verbo para o subjuntivo, de modo que deveria ser ALGO QUE EU NÃO SAIBA.

    Em “E o sujeito insistia em dizer que a sua última invenção era uma piada” há uma ambiguidade não estética, pois não enriquece o texto, apenas o torna um tanto confuso. A questão está no uso do SUA. De quem? De quem fala ou do sujeito? Apesar de no contexto a ambiguidade se desfazer, um leitor menos atento pode se confundir.

    Na porção inicial há um “– O que foi? – disse”, frase na qual o verbo é totalmente dispensável por redundante. A menos se após o verbo houvesse algum qualificativo, como, por exemplo, “disse, curiosa”.

  23. Gustavo Castro Araujo
    16 de maio de 2016

    Gostei do conto. É agil, fluido e acerta bem nas piadas. Quem gosta de futebol ou conhece a fatídica final da Copa de 1950 certamente vai curtir mais. Independente disso, as situações improváveis — fantásticas na acepção literal do termo — funcionam muito bem para oxigenar a narrativa. Enfim, um conto despretensioso, bem escrito, isento de erros e que cumpre muito bem a ideia de entreter. Parabéns ao autor.

  24. Fabio Baptista
    16 de maio de 2016

    Conto muito bem escrito e bastante divertido. Comédia é um risco… mas aqui acredito que o autor se saiu bem. Não ri de todas as piadas, mas o começo conseguiu gerar uma sensação de empatia e acabei relevando um ou outro trecho com menos graça que apareceu depois.

    A trama é totalmente surreal, mas acaba funcionando. A parte em que decidem ceder o RS ao Uruguai é típica daqueles filmes de comédia nada a ver que a gente acaba dando risada.

    Fiquei com uma certa dúvida quanto à adequação 100% ao tema, mas não pretendo descontar muitos pontos por isso aqui no desafio.

    Ótimo conto!

    Abraço.

  25. Davenir Viganon
    16 de maio de 2016

    RHA: Cientistas aprontam altas confusões para reverter a derrota brasileira na final da copa de 1950.
    RHA está presente na forma de comédia. O evento histórico (a final da copa de 1950) foi alterado, não o resultado do jogo, mas o que veio depois. Comédia pura e me fez rir. Tem ótimas situações. Como no final a bomba atômica que o cientista desertor em forma de um ameaçador gatinho inflável. Hilário! O texto é ágil, como a comédia pede. Gostei muito, parabéns.

  26. Ricardo de Lohem
    15 de maio de 2016

    Olá, como vai? Esse conto nem é RHA, é Sci-Fi misturado com Surreal… Com um monte de humor por cima de molho. Isso poderia ser uma coisa muito boa, mas o problema é que o humor aqui é bastante tosco, não consegui achar graça em nenhuma situação que supostamente devia ser cômica. Pelos menos o pseudônimo do autor (Cócegas) me fez dar um extremamente vago e rápido sorriso, mas foi só. Um erro evidente: “– Rosa? Corre mulher!”; faltou a vírgula do vocativo, o certo: “Corre, mulher!”. Uma frase estranha: ” Havia um clima pesado na rua, e ela logo sentiu que realmente havia algo errado.”. Se ela sentiu que havia um clima pesado, é porque sentiu que havia algo errado, as duas coisas se equivalem, houve uma certa redundância de ideias que soou gratuita aí. Um conto bastante pobre de ideias e recursos, mas bem-intencionado. Desejo para você Boa Sorte!

  27. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Uma história meio absurda, não sei se o tema RHA se aplicaria, em todo caso apenas comento o lido. Bem escrito, os personagens são um pouco histéricos , mas faz parte do conjunto, eu acho. Um texto longo que poderia ser abreviado, mas isso é critério do auto. No geral, é bom.

  28. angst447
    14 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – Três palavras aleatórias, aparentemente, depois percebi que são elementos que fazem parte do conto. O título Não entrega nada do enredo, mas também não atiça muito o interesse do leitor.

    * Enredo – O pano de fundo é o campo de futebol, uma partida histórica entre Brasil e Uruguai. Gostei bastante do começo do conto com o aspecto rotineiro dos personagens. O futebol em si e o choque causado nos torcedores não me agradaram muito. O cientista e suas experiências com cães e gatos também me pareceram um tanto absurdas demais. Cães desmaiando de susto? Pode ser…

    * Tema – O conto respeitou o tema proposto, apostando em uma histórica partida de futebol (não entendo patavinas disso, então fui pesquisar), da qual o Brasil saiu derrotado. Realidade histórica alterada com sucesso e falantes torcedores resgatados do silêncio.

    * Revisão – “a puxar-lhe a manga” > a lhe puxar a manga / “Eles estão aliados com os Russos” > Eles aliaram-se aos russos (no entanto, como é uma fala da personagem, tudo bem – só deixaria RUSSOS em minúsculas mesmo)

    * Aderência – Os diálogos deram agilidade ao conto, tornando a leitura menos cansativa. Talvez por desconhecer o universo futebolístico, eu não tenha me prendido tanto ao texto como outros, certamente, o farão. Bem escrito, sem problemas de construção, o conto merece uma boa classificação.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .