EntreContos

Detox Literário.

Isabéis (Eduardo Selga)

ilust

Em seu gabinete, sentado à mesa e tendo alguns despachos rotineiros a assinar, o presidente do Conselho de Ministros estava mesmo era apreensivo com a redação final do decreto, e que ainda precisaria ser apreciado pelas duas câmaras do parlamento. A tarefa, na verdade, deveria ser incumbência de seu autor oficial, o responsável pelo Ministério dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obra Públicas, Rodrigo Augusto da Silva, mas a princesa regente o encarregara de organizar o texto que ela, uma vez aprovado, sancionaria.

Por isso tão preocupado. Onde o ajudante de ordens, que não chegava nunca? Quando ficava nesse estado emocional, João Alfredo, desde a mais tenra idade, tinha o hábito de manipular-se nas partes até o retesamento da alma desaparecer com a erupção que sempre resultava disso. Emporcalhar-se com as lavas íntimas não era um problema: havia desenvolvido uma técnica que impedia transbordos na roupa. Usava um lenço enquanto se bolinava. Não cabe aqui entrar em detalhes, mas não resisto a uma pequena fofoca, totalmente desnecessária ao enredo, diga-se: à boca miúda semeavam que mais de um padre, na adolescência, tentou aliviá-lo desse pecado sem nome: inútil; a digníssima senhora sua esposa se via muito constrangida, pois ele às vezes levava para casa problemas do governo e do Conselho ainda não resolvidos, e o resultado era um frenesi que nem nos melhores momentos de cama havia. Além disso, nos círculos sociais, ela era motivo de menções indiretas pondo em questionamento sua proficiência sexual, via de regra a partir de outras damas de companhia, digo, damas da corte. Mas, voltemos aos fatos.

Faltava muito pouco para que sua tensão fosse aliviada quando o ajudante de ordens entrou sem nenhum aviso, ao contrário da praxe. Se o motivo da impetuosidade foi flagrar o presidente do Conselho de saia justa, não logrou êxito, posto que o fato de o todo poderoso João Alfredo Correia de Oliveira estar sentado e a mesa de trabalho servir como anteparo favorecia-o, de modo que ele muito simples e rapidamente retirou a mão de dentro da calça e, ato contínuo, de sua voz e fisionomia fez um exemplo de impaciência.

– Ora, ora, alvíssaras! Pensei que tivesse de rezar uma novena para Santa Isabel de Aragão.

– Senhor ministro, peço escusas se me mostro inconveniente, mas a redação original, manuscrita pelo senhor, apresentava problemas relativos à ambiguidade e à coesão sintática.

– Ao diabo você e suas desculpas! Essa é a maior: temos aqui um subordinado inventando senões no texto escrito por seu superior imediato, de modo a justificar-se. Então eu, ex-presidente de duas províncias, não hei de saber escrever?

– Não se trata disso, em absoluto… É que alguns preciosismos… Talvez a nova redação ora apresentada, muito mais sucinta, sem entrar em minudências e sem falar em indenizações de caráter humanístico, seja mais eficiente.

– Dá-me cá este estorvo, criatura!

Junto ao decreto, uma carta com o ex-líbris do Barão de Cotegipe, senador do império e seu antecessor na presidência do Conselho de Ministros. Fingiu não vê-la. A ideia não era manter a indiferença, mas só daria atenção ao manuscrito após ler atentamente o documento que tanto demorara a ficar pronto. Queria imenso encontrar uma única e qualquer falha na redação. Mínima que fosse. Seria o bastante para esfregar na cara do ajudante de ordens uma verdade bastante óbvia: o chefe sempre está certo, mesmo que não esteja. Busca infrutífera, porém: com efeito, a ausência de pormenores poderia ajudar na aprovação, era forçoso admitir, mesmo que suas veleidades literárias se incomodassem com isso. Não encontrando falhas no texto – embora completamente distinto do original e da vontade da princesa –, precisava ocupar-se das palavras de Cotegipe, e para isso rompeu a insígnia impressa em cera quente com as iniciais do político.

– Retire-se.

– Imediatamente, senhor.

“Caro João Alfredo Correia de Oliveira, uma vez tendo em mãos o decreto abolicionista certamente irás a Petrópolis colher o quanto antes a assinatura da princesa regente, de modo a viabilizar a necessária votação no Congresso. Pois lhe peço o obséquio de dizer de minha parte que mesmo sendo quiçá o único senador a votar contrariamente a tamanha irresponsabilidade, eu o farei com desassombro, e que ao redimir uma raça ela perderá o trono”.

Dobrou as palavras do senador escritas a nanquim, guardou-as no colete com o mesmo cuidado de quem guarda um bilhete amoroso, abandonou seus olhos de peixe morto no brasão do império dependurado na parede. Pensamentos sem endereço certo. Preferia que o imperador não estivesse na Europa cuidando da saúde e que, portanto, não fosse necessário o governo ser exercido por ela, tão inábil politicamente. Não que essa inabilidade fizesse muita diferença, os votos necessários estavam decerto garantidos com a redação lacônica, e Cotegipe será voto vencido, mas… uma mulher?! Não transmite muita confiança. Enfim…

Seu corpo não lhe dava sossego: novamente a ânsia, a necessidade de manipular-se. Assim não era possível! Ergueu-se num ímpeto, tentando afastar elucubrações e o apetite sexual fora de hora. Era preciso ir a Petrópolis com cavalos descansados para que lá chegasse antes da noite alta, de modo a encontrar a princesa regente ainda não recolhida a seus aposentos. Sacou do bolso o relógio, com o devido cuidado para a carta de Cotegipe não ir ao chão. Os ponteiros indicavam pouco mais de nove horas de uma mal iluminada manhã.

Jornal do Senado

– Eia! Ôooo… Eia! Calma, Tropeiro… Sossega, Bandeirante…

Os cavalos da parelha obedeceram à ordem do cocheiro com enorme satisfação, mortos de cansados que estavam. Mesmo porque, do Paço Imperial até Petrópolis a distância não era qualquer coisa. A noite, embora não fosse um manto completamente negro por causa das estrelas e de uma lua com cara de São Jorge, já se instalara. Para surpresa do presidente do Conselho de Ministros, havia canto na escuridão tímida, o que, para ele, conhecedor dos hábitos inusuais da princesa, era um fator preocupante naquele momento. O som ainda longe de atabaques, palmas, a cantoria dos escravos, certamente indicavam que ela estava entre eles, misturada à arraia-miúda. Por mais que Dom Pedro II insistisse no distanciamento em relação aos cativos, ela fazia ouvidos de mercador. O soberano tinha consciência de que não ficava nada bem uma possível futura imperatriz imiscuir-se, tornar ralo o sangue azul da Casa de Bragança. Ela parecia ter a migalha no sangue, no entanto.

Não deu outra: no terreiro da fazenda, uma roda de tambor de crioula regada a muita aguardente e corpos sensuais. As escravas exibindo, ao som da cantoria, a lascívia nos seios repletos de gotas de suor e nas saias, de ordinário longas porém encurtadas com as mãos à altura do cós, enquanto os pés levantavam poeira no atrito com o chão. Parte dos homens, apesar de inseridos na roda, ocupava-se de outro movimento de corpo, a capoeira. No meio das negras, como se negra fosse, a princesa se fartava na dança. Flor de hibisco nos cabelos, fazendo menção de se esfregar nalguns homens. Ameaça nunca cumprida, a verdade seja bem dita.

Ao abrir espaço usando como ferramentas empurrões e gritos em meio à turba, o ministro causou grande silenciamento. Era o inusitado da presença. A suspensão fez os olhos se virarem todos para a princesa, ao centro da roda, aguardando dela um sinal de debandar ou, hipótese entre eles considerada mais remota, manter suas posições. Mediante a quietude sem mais aquela, Isabel imediatamente percebeu aproximar-se da roda o motivo da mudança no ambiente. Dirigiu-lhe um muxoxo e um trejeito que só as pombagiras sabem fazer com excelência; aos escravos, o sinal para que permanecessem.

– Alteza, faça-nos o favor… Tenha a santa paciência… O cargo político de regente do Estado brasileiro não lhe permite essas, digamos… liberalidades.

– Libertinagens, você quis dizer, meu eufemístico ministro. Pois fique sabendo que ouvir sonatas de Beethoven em saraus literários com essa gente nossa que finge entender sutilezas do espírito é muito aborrecido. O senhor bem sabe disso, e é um dos que não suporta pianos cansativos e árias intermináveis. Aliás, não quer entrar na roda e ficar menos tenso?

– O motivo pelo qual venho…

– Eu conheço o motivo. Não sou nenhuma ignorante em matéria política, ao contrário do que os senhores do gabinete e até Sua Alteza o imperador, meu honorabilíssimo pai, acreditam. Afinal, é a minha terceira regência, lembra-se?

– Jamais foi meu intento o desdouro, Alteza…

– O decreto está com o senhor, presumo.

– Ei-lo.

– Limpou bem essas mãos?

– Peço escusas, não alcancei o sentido.

– Seus respeitáveis dedos costumam ficar lambuzados, de vez em quando. Mas, vamos ao decreto.

– Seria mais adequado o escritório da casa. Aqui não é definitivamente o melhor local.

– Engana-se. Aqui é o local perfeito.

Parecia que os escravos já sabiam ou pelo menos desconfiavam do que se tratava, pois a partir do instante em que ela se pôs a ler silenciosamente o texto, todos ficaram de orelha em pé, olhos estáticos. Um mais afoito, entre todos o único que dominava com maestria o português escrito, aproximou-se para tentar ler o documento, no que foi repreendido pela princesa com grosseria, reação imediatamente amainada por um sorriso ao mesmo tempo maternal e de plástico.

abolição

Levou uma das mãos à cintura, balançou a cabeça negativamente, respirou fundo. Cravou um olhar de longa reprovação no ministro que, nervoso, sentiu comichões, necessidade de apalpar-se naquela zona do corpo. Sempre se desarvorava quando a princesa metia-lhe aquele olhar, era visível, era motivo para piadas na surdina dos corredores do Paço Imperial. E ela sabia perfeitamente desse desconforto, até achava engraçado aquele homem tão frágil e acovardado. Por isso, para aumentar um pouco o nervosismo dele, amassou muito lentamente o documento de modo a transformá-lo numa pequena esfera para imediatamente atirá-lo aos pés do ministro. Sem demora, foi ao atabaque posicionado na horizontal, sentou-se sobre ele abrindo bem as pernas e arregaçando as saias, bebeu um gole de marafo que um dos escravos próximos trazia, cuspiu nas mãos. Fez vibrar o couro de boi, para sorriso de muitos e desespero do homenzinho.

Tum, tum, tum.

– Imagino que não espere de mim a aprovação desse decreto estapafúrdio.

Tum, tum.

– O que está escrito nele é precisamente o oposto do que lhe ordenei, meu caro ministro. Eu sei, eu sei o que vai dizer: “Alteza, na verdade o encargo deveria ser do senador Rodrigo Augusto da Silva, afinal é o autor”. Ora, senhor ministro, bem sabe que o nome dele no documento é mera necessidade de composição política, a autora efetiva sou eu.

Tum, tum, tum.

– Nos dois acanhados parágrafos não há referência ao mais importante, que daria sustentação à medida: os lastros de uma cidadania plena. Caso contrário, ela será apenas pró-forma. Portanto, dê meia volta em direção ao Rio de Janeiro, reescreva e me apresente outra vez, amanhã, quando eu voltar. Aproveite seus laivos de escritor, faça um texto irrepreensível. E de uma vez por todas, sossega essa mão, para de tatear-se entre as pernas, tenha compostura diante de meus escravos!

– Alteza, com todo o respeito e a devida vênia, passamos por uma acentuada mudança nos paradigmas econômicos internacionais, e o Brasil não pode excluir-se, pois incorreria no castigo de retardar sua economia. Pertencer a essa nova ordem mundial significa tomar a resolução expressa no decreto.

– É possível, embora eu não esteja muito convencida disso. Mas, ainda assim, não será da forma como está registrada nessa bolinha de papel próxima a seus pés. Se for, aí sim, teremos um grande atraso. Afinal, haverá farta mão de obra, porém sem nenhuma qualificação para esses tais novos ventos que sopram do horizonte.

– Ora, Alteza, isso é coisa de somenos, resolve-se com o tempo.

– Isso é coisa que precisa estar manifesta no documento, senhor ministro!

– Não será aprovado, Vossa Alteza sabe disso. Gostaria de lembrar o que me salientou o Barão de Cotegipe…

– Não perca seu precioso tempo. Sei muito bem o que ele lhe disse. Qualquer coisa quanto a perder o trono, pois não? Ele vive repetindo a mesma frase de efeito. Talvez tenha a ilusão de que entrará para História a partir dela. E o senhor muito me surpreende ao dar-lhe ouvidos. Parece não lembrar-se que eu ajudei a derrubá-lo do cargo de presidente do Conselho de Ministros de modo a Vossa Excelência assumir a vaga e preparar o decreto a ser encaminhado ao Congresso.

– Sim, mas penso que seria de bom-tom refletir sobre a hipótese de ele estar certo. Digo mais: há possibilidades de Vossa Alteza conservar algum poder, mesmo sem o trono. Para isso é preciso a lei estar do jeito que Vossa Alteza recusou.

Tum, tum, tum, tum, tum.

– Eu não estou interessada em poder! De resto, não se iluda, caro ministro: a república está a caminho e nela não haverá lugar para ninguém com o pensamento monárquico.

– Eu não teria tanta certeza. Acordos são sempre possíveis.

Apeou do instrumento musical com rispidez, assustando alguns escravos e notadamente o ministro que, sem saber onde enfiar as mãos, observou a princesa chamar dois cativos, pô-los de quatro no centro da roda, subir neles (um pé em cada um, ela sempre teve espírito democrático), gesticulando para que os outros se aproximassem ainda mais. Absolutamente estupefato, o ministro ouviu as seguintes palavras:

– Ouçam-me, meus queridos! Há uma trama sendo urdida contra vocês. Não me refiro apenas aos escravos das fazendas e das residências do Brasil, e sim a toda uma raça. Pretendem libertá-los para mantê-los ainda mais escravos, por outros instrumentos, menos evidentes e, portanto, bem mais hábeis. Por isso, nos termos em que me trouxe o ministro, eu não assino a lei de abolição total da escravatura! Demagogia tem limite! E peço encarecidamente que vocês se organizem, caminhem até o Paço Imperial a partir de amanhã. Defronte, bem próximo das janelas, protestem a plenos pulmões, de modo a não permitir que eu ­– pobre de mim nessa engrenagem maquiavélica… – caia na tentação de referendá-la. Libertação sem as condições mínimas de cidadania? Eis a maior escravidão de todas! Nas fazendas e nos lares vocês têm casa e comida garantidas (e, claro, umas chicotadinhas vez por outra). Na situação em que pretendem colocá-los, será necessária maior escolaridade. Mas como, pergunto eu, se a lei não garante escola? Em marcha, valorosos guerreiros! É chegada a hora! Organizem seus tambores de crioula, maculelês, capoeiras, desçam todos como se fora uma avalanche e gritem: “é tudo ou nada”!

Desde a adolescência a princesa causava grande entusiasmo na criadagem, ao se interessar por suas manifestações culturais e até fazer parte delas, usando, inclusive, um vocabulário muito menos empolado. Até parecia que ela não demarcava o seu território ao estar com os escravos. Por isso, ao descer das costas dos homens, ouviu-se, conforme ela esperava, aclamações e atabaques.

Com esse fundo sonoro ela se aproximou do ministro, sorridente como quem aliviada, puxou-o pelo braço, afastaram-se da cantoria que recomeçava com força.

– Espero que tenha enxergado o teatro que você viu. A reação deles é bom exemplo do que pensa as senzalas brasileiras. Assim sendo, o senhor refaça o texto, nos termos originais. É lógico, ele não passará, embora um e outro deputado e senador possam se amedrontar com os escravos que decerto estarão presentes. E essa é minha arma. Implantar a república no Brasil? Pode ser, afinal estamos falando de política, mas eu serei a primeira presidente, de modo que a transição não seja traumática. Estamos entendidos?

protesto

Os janelões do Palácio da Alvorada estão abertos a pedido da própria presidente. Ela quer ouvir com clareza o brado retumbante das massas escravizadas, reunidas no gramado e exigindo a abolição que a Princesa Isabel se recusara a assinar há quase um século e meio e, com isso, conseguira manter-se no poder, no cargo de presidente do império convertido em república, onde, aliás, boa parte da família imperial ainda hoje permanece. Sem os títulos nobiliárquicos, os barões continuam.

A chefe de Estado, caneta na mão, está prestes a assinar o decreto-lei. Não que seja particularmente favorável, mas o cenário mundial exige, o sistema econômico passa por uma revolução surda e o Brasil de hoje, 2019, pode daqui a cinquenta anos permanecer em 2019 se a medida não for tomada. Fora intimamente desagradável para ela, meses antes, ter sido obrigada a ordenar a remoção de todos os pelourinhos ao longo dos quase três quilômetros da Avenida Paulista e noutros logradouros públicos do país. Além disso, abolir a escravatura significa desfazer-se dos crioulinhos de estimação a quem dispensa tanto apreço.

O ministro sai do lavabo contíguo ao gabinete, enxugando ansiosamente as mãos. Em todo o seu corpo a tensão é indisfarçável.

– Senhora presidente, não podemos mais adiar. O Congresso e os escravos aguardam.

– Eu sei, meu caro. Vai anarquizar a economia, mas eu sei… Ouve os tambores lá fora? Parecem gritos de guerra. Há algo de ancestral e, cá entre nós, confesso: minha vontade é vestir uma saia de chitão bem florida e dançar com eles. Por outro lado…

– Mas não queremos isso, não é verdade? Refiro-me à guerra, bem entendido.

– Depende, meu caro… Depende. Ainda tenho uma cartada. Faça o seguinte, de imediato: consiga cinco dias de adiamento no Congresso, enquanto eu convoco todos os governadores para uma reunião de emergência. Vou propor forjarmos outro país aos estados do Sudeste e Sul, que encabeçam a campanha abolicionista e têm simpatia pelo novo ordenamento econômico. Com o resto do território, organizaremos uma frente ampla com alguns países da América Latina em defesa do modelo neoliberal em vigência, tão conhecido e seguro. Nos primeiros anos seguiremos pobres, mas o neoliberalismo e o livre mercado nos farão imbatíveis.

– Presidente, não há possibilidade de êxito.

– As chances são mínimas, mas vou tentar.

– E o povo?

– Ah, sim, o povo… Nada que um belo discurso emocionado na rampa do Palácio não resolva. Providencie microfone e caixa de som e, querendo, fique para assistir meu espetáculo particular.

Abre a gaveta, pega um hibisco de plástico que lembra muito a flor real. Usava-a com frequência quando em campanha. Sugestão do marqueteiro. Aninha-o perfeitamente nos cabelos, e sua face ganha novo traço, reflexo do que lhe sequestra a alma: há um velho e mesmíssimo texto sendo reelaborado, ao som dos tambores.

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34 comentários em “Isabéis (Eduardo Selga)

  1. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    O estilo é bom, clássico, lembra o realismo, escola literária que combina com a época dos fatos. O autor tenta retratar Dlma, embora eu ache que a Presidenta não é dada a tantas sutilezas. De qualquer forma, o conto ficou a cara dos movimentos e protesto e o impeachment., a demagogia ficou bem clara. Um conto bem literário e politizado, bem atual. Gostei, Parabéns.

  2. Andreza Araujo
    2 de junho de 2016

    Eu gostei bastante do início, inclusive das cenas sobre aquela mania do amigo João Alfredo. Eu mergulhei na história até a cena da princesa Isabel, não gostei da personagem, digamos. Não é culpa do autor, eu simplesmente não gostei dela (muito pomposa…), independente de ser ou não uma versão de uma figura histórica.

    Também nesta parte do texto, ficou chato pra mim ler mais uma vez sobre a indecência do ministro e o excesso de palavras rebuscadas também passou a me incomodar. Antes, apenas tratei de ler com atenção, deliciando-me vagarosamente no seu excelente vocabulário, mas do meio pro final me cansou um pouco.

    Gostei das imagens para marcar o avançar do tempo, embora uma das imagens tenha sido meramente estética, ou estou enganada?

    O tema do desafio foi bem representado.

    Gostei muito do final e do paralelo que você fez com as figuras dos protagonistas da primeira parte do conto. É um texto muito bem escrito e parece que exigiu muita pesquisa por parte do autor. Foi criativo, apreciei a leitura, mas não me emocionou.

    Boa sorte, beijos!

  3. Virginia
    1 de junho de 2016

    Oii! Olha, eu gostei do texto, mas vou confessar que achei o começo um pouquinho chato. Melhorou bastante quando apareceu a Princesa Isabel toda poderosa hehe adorei ela dançando no meio dos escravos, não gostei dela subir nos coitados mas entendo que devia ser costume na época. Eu achei meio estranho o final, entendi que teve uma passagem de tempo aí mas ficou um tantinho brusco, né? Olha e esse passatempo do ministro não me desceu muito bem não, viu kkk Mesmo assim a escrita excelente se sobressaiu, o conto é ótimo tá?

  4. Anorkinda Neide
    1 de junho de 2016

    Olá, autor(A)
    Apesar da linguagem bonita, sim, sou aquela q gosta disso, Não gostei mesmo de nada! haha Desculpe.
    O primeiro parágrafo está estranho, acho q tem frase compridissma ali, sei q perdi o fôlego.
    Não comprei essa Princesa popular e inteligentíssima, vidente, né.. seria ela uma viajante do tempo? Sabia tudo o q iria acontecer..mesmo a ciência política podendo prever certos movimentos a época era outra e as análises eram outras.
    Nem vou falar da Dilma pra não me estressar logo de manhã, entndi o paralelo entre ela e a Princesa, gostei inclusive da flor de hibisco, ó.. gostei de alguma coisa!
    Mas o enredo mais do q previsões/proteções, à raça negra, girou em torno do pinto do ministro, sorry, não gostei.
    Boa sorte ae.

  5. Fabio D'Oliveira
    1 de junho de 2016

    Olá, Alcântara!

    Que dicionário rico, meu amigo! Há tanto conhecimento nesse conto… Não só nas palavras, mas também no conteúdo. Acho isso belo. Essa riqueza intelectual…

    Mas a leitura foi um tormento, foi sim. O estilo rebuscado em demasia feriu meus olhos algumas vezes. E cheguei na metade do conto desejando o final dele. Isso, Alcântara, não é nada bom.

    A ideia da RHA foi extremamente interessante, entanto, a forma como você decidiu abordar e desenvolver a estória foi bem pobre. O conto inteiro é sobre a decisão da princesa. Só isso. Não há um enredo cativante.

    Os personagens, porém, são belos. Parecem ter vida própria! Isso me agradou muito.

    Gostei dos personagens e da ideia, mas não posso dizer o mesmo da leitura.

    Bom trabalho e nunca desista de escrever!

  6. Pedro Luna
    1 de junho de 2016

    Interessante o pensamento abordado, da não assinatura da lei áurea. Também achei muito bacana a cena em que Isabel discursa para os escravos, incitando-os, e provando que a massa sempre será usada de manobra política, e quem tem a voz, as vezes não é quem diz ser.

    Outro ponto positivo é a criação do personagem presidente do conselho de ministros. A característica de se bolinar entre as pernas..kk, o tornou marcante, além de ser algo que perfeitamente pode acontecer, e ainda rendeu uma boa risada na cena que o cara entra na sala e você diz que ele só precisou tirar a mão de dentro da calça, devido a posição em que se encontrava.

    Quanto ao rebuscamento, confesso que não é do meu gosto, mas posso dizer com absoluta certeza que o rebuscamento aqui não chegou nem perto de alguns textos insuportavelmente rebuscados, e chatíssimos.

    Eu só mudaria uma coisa. Deixaria claro a passagem do tempo no fim. O texto simplesmente sai do passado e pula pro futuro rapidamente, me deixou meio: wtf? Mas até gostei da cena no fim, claramente emulando a situação política do país hoje, com manifestações e pressão em presidentes.

    Um bom conto.

  7. Gustavo Aquino dos Reis
    31 de maio de 2016

    Alcântara,

    gostei do seu trabalho e da maneira como você conseguiu manter uma locução verbal em conformidade com a época. O rebusque, as palavras de um vocabulário de antiquíssimo, me fizeram sorrir e invejar (de uma maneira saudável) sua obra. Alguns problemas de vírgula e ponto e vírgula devem ser sanados (pouquíssima coisa).

    A história é bem fundamentada. Personagens construídos com irreverência e descrições bem azeitadas. A Isabel no meio de um jongo ficou muito bom.

    Parabéns pela obra.

  8. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Alcântara. Este é o segundo conto que avalio no desafio atual.
    Observações: a linguagem rebuscada, inicialmente, assusta um pouco, deixa o texto truncado, mas ela vai se tornando mais pontual no decorrer do texto e o leitor também se acostuma, o que possibilita uma boa leitura. Não vejo a realidade que criou como tão absurda. Há vários tipos de escravidão e poucas foram realmente extintas, a maior parte delas só mudou de aparência ou de dono – o que também é uma reflexão que o conto propõe.

    Destaques: o modo como guiou a narrativa demonstra boa técnica, domínio da língua e da atenção do leitor. Aquela lavadinha de mão discreta ao final merece destaque.

    Sugestões de melhoria: talvez, funcionasse dar mais indícios das reais intenções da primeira Isabel durante as ações e antes de ela subir nas costas dos escravos. Assim, quando ela realmente se revelasse, causaria aquele impacto: “filho da… estava tudo ali e eu não vi?”

    Parabéns e boa sorte!

  9. Eduardo Selga
    31 de maio de 2016

    Comentando outra narrativa, eu citei a hipótese de que não seriam as individualidades as construtoras da História, e sim o inverso, ou seja, a narrativa histórica apresentaria certas funções a serem cumpridas por algum sujeito. Ela seria um espécie de grande enredo com um discurso mais ou menos repetitivo. Assim sendo, não faria diferença o nome do salvador da pátria: alguém sempre surgiria para cumprir e suprir esse papel histórico.

    O presente conto trabalha nessa perspectiva, na medida em que o mesmo papel histórico é cumprido por duas personagens, distanciadas no tempo, ambas no Brasil: a Princesa Isabel, no século XIX e uma presidente no XXI. Embora não nomeada, em minha opinião está evidente a referência à Dilma, mas há um detalhe: como pela Constituição ela não poderá em 2019 ser presidente, é uma referência um tanto oblíqua, muito mais relativa ao fato de haver na história brasileira uma presidente (ou presidenta, como ela prefere) do que ser esse cargo preenchido por ela, especificamente.

    É um conto que trata do discurso histórico, ou melhor, de certas imagens teatrais que o discurso histórico montou e continua montando. A Princesa Isabel é conhecida pela alcunha de “A redentora”, ao passo que a presidente é tida, em algumas palavras de ordem, como uma espécie de “mãe do Brasil”. Ambos os discursos têm muito de falacioso, bastando para isso analisar calmamente os fatos do passado e do presente. Pois esse logro é demonstrado no conto por meio do tratamento dispensado pela Princesa aos seus escravos, um misto de exploração e camaradagem, e do modo como a presidente enxerga o povo (“Ah, sim, o povo… Nada que um belo discurso emocionado na rampa do Palácio não resolva”).

    Ao executar essa manobra, o(a) autor(a) usa a ferramenta do espelhamento, ou seja, personagens de comportamento similares em situações idem. Não apenas em relação às protagonistas, mas também em relação ao Presidente do Conselho de Ministros, que é a “matriz” do ministro da presidente, por sua compulsão masturbatória e pelo tom ponderado, sendo que no caso do tempo presente o comportamento lascivo é apenas sugerido no trecho em que o político é mostrado saindo do lavatório enxugando as mãos.

    A onomatopeia parece ser usada no sentido de provocar uma espécie de pausa dramática no discurso no narrador e da personagem, ou de um marcador, como a prevenir o leitor de algo que está por vir, ou a pontuar “sonoramente” o que está sendo expresso. Não chega a ser uma sinestesia, mas se aproxima, na medida em que a onomatopeia, do modo como foi usada, pode causar a sensação de casamento de impressões, ou seja, o que é lido com o que é “ouvido”.

    O tratamento dado à linguagem dos personagens é curioso, porque enquanto o Presidente do Conselho de Ministros e seu antecessor são rebuscados, a Princesa é muito mais coloquial. Isso reforça a ideia um tanto mentirosa de que ela seria uma monarca próxima dos anseios populares, e no conto o seu comportamento diante da cantoria dos escravos corrobora essa ideia.

    Embora ambas as dirigentes demonstrem gostar da cultura popular, sinto haver uma diferença sutil, se eu não estiver vendo coisas. Enquanto a Princesa exibe a todos sua “aproximação” de maneira bem teatral, portanto falsa, a presidente confessa sua aproximação apenas ao ministro, o que dá um ar de sinceridade. Uma sinceridade cujo limite é o poder.

  10. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: interessante a premissa com subversão do papel da Princesa Isabel. Como também iria escrever sobre esse período, notei que o autor fez uma boa pesquisa sobre o contexto que iria utilizar e sobre os efeitos que a abolição ocasionou por ter sido feita sem considerar a inserção dos libertos. Apenas me pareceu que a personagem Isabel se tornou muito caricata na construção, dificultando acreditar na possibilidade dessa inversão histórica.

    TÉCNICA: achei o texto limpo e construído com objetividade, apesar de em alguns momentos a necessidade de integrar o vocabulário da época tenha obrigado até o narrador a utilizar uma linguagem mais empolada.

    EFEITO: no geral, uma história bem contada, apesar de não ter capturado a minha imaginação. Obrigado e boa sorte!

  11. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    Gostei muito deste texto, gostei do domínio da linguagem, do enredo e das possíveis ligações entre o passado e presente. Muito bom. Acredito que um português leia este texto com olhos diferentes dos brasileiros, dados os problemas políticos vividos no Brasil, que eu não entendo nada, mas este texto deve ser lido em todas as suas entrelinhas. Muitíssimos parabéns.

  12. Thomás
    30 de maio de 2016

    Muito bom!
    É denso, bem amarrado e perfeitamente adequado ao tema do desafio.
    Ótimo desenvolvimento da “linguagem” (não achei um termo mais adequado para isso…)
    O conto é monótono em algumas partes, mas as os pontos positivos já citadas compensam isso.

  13. Swylmar Ferreira
    29 de maio de 2016

    Muito bom conto, está de parabéns o autor. Perfeitamente adequado ao tema proposto, muito bem escrito,muito bom enredo, bom desenvolvimento, apesar do uso em excesso de rebuscamentos. O conto foi gostoso de ler.
    Parabéns.

  14. Gustavo Castro Araujo
    26 de maio de 2016

    Ótimo conto. Vou remar contra a maré e dizer que curti cada linha. Vi que alguns acharam o início arrastado, mas sinceramente não tive essa percepção. Para certos tipos de narrativa, como essas de época, é imprescindível trazer o leitor para o olho do furacão. Isso só é possível com descrições que permitam a quem lê inteirar-se do ambiente e das características do personagem que é apresentado. É exatamente o que ocorre aqui, com as menções aos hábitos de auto-sexo de João Alfredo, na verdade uma fuga ao nervosismo que lhe arrebata ante a cada situação de crise. E por que é importante esse tipo de descrição? Porque nesta narrativa, o fio condutor é João Alfredo. É ele que serve de guia para o leitor, que o leva até Petrópolis para encontrar a Princesa Regente.

    No que tange à história como um todo, vemos que há, sob a camada de ironia que permeia o texto, uma forte crítica social aliada aos hábitos pouco escrupulosos dos políticos e chefes de Estado de ontem e de hoje. O dito popular “Se a farinha é pouca, meu pirão primeiro” vem de longe, como demonstra o texto. Nesse sentido, o conto acerta em abordar a hipótese de não assinatura da Lei Áurea, fazendo crer, acertadamente, que na prática o decreto de abolição pouco significou. É uma constatação que surge naturalmente, ainda que não mencionada de forma expressa. Nesse ponto, é possível dizer que não houve alternativa à história “real”, eis que na prática pouco mudaria na situação vivenciada pelos escravos. Sem garantias reais de inclusão dos negros, de que valeu, exatamente, a abolição?

    De todo modo, é um conto que faz pensar, sendo essa sua maior qualidade. Somado a isso encontra-se a prosa bem elaborada, fluida e envolvente. Sugiro ao autor, contudo, reescrever o final, que me pareceu um tanto acelerado.

    Agora, uma observação técnica. Pode ser que eu esteja enganado, mas creio que na época do Império, um decreto do imperador (ou da princesa regente) bastaria para transformar sua vontade em regra geral, à qual todos deveriam se submeter. Nesse ponto, para declarar a abolição dos escravos não seria necessário o referendo do Congresso — aliás, chamava-se assim (Congresso) a união do senado com a câmara?

    Faço esse paralelo porque não me pareceu correta a menção a “Decreto-Lei” em 2019. Esse tipo de norma era usado até 1988, pelo Chefe do Executivo, tendo força de lei em sentido estrito, dispensando a manifestação do Congresso. Ou seja, era uma ferramenta utilizada por governantes que presidiam regimes de exceção, como Vargas e os presidentes militares. Não me parece ser esse o contexto tratado no conto, já que a presidente alude ao necessário apoio dos parlamentares para declarar a abolição. Se for isso mesmo, o correto seria referir-se a Medida Provisória, um diploma legal que é exarado pelo Chefe do Executivo mas que depende de ratificação parlamentar depois de certo prazo.

  15. Simoni Dário
    25 de maio de 2016

    Olá Alcântara
    Gostei do texto, mas não posso dizer que achei fluido. É complexo apesar da sátira e por isso voltei vez ou outra para captar a mensagem. Em 2019 a “enrolation” continua?? Que coisa!! E o tal “mão boba” tem algo a ver com mãos porcas que carregam decretos pra cima e pra baixo ou estou a viajar? Acho que vamos precisar de Isabéis, muitas ainda para essa Abolição acontecer… Bem criativo, gostei. Parabéns!

  16. JULIANA CALAFANGE
    21 de maio de 2016

    Concordo com o que a maioria dos colegas disse. O início é bem arrastado e cansativo, foi difícil manter o interesse. Depois o texto melhora bastante e se torna bem interessante, bem escrito, fluido. Poucos erros de revisão, nada q comprometa. A virada é boa, qdo a princesa se recusa a assinar a lei como está, deixa o leitor curioso pra saber onde isso vai dar. Mas aí, parece que a coisa fica meio confusa, o tempo acelera demais, quando a gente vê, já está em 2019!! E o onanista continua lá… achei que o final estragou o conto. Sugiro repensar essa parte. Mas no geral o texto agradou, criativo, coerente ao tema do desafio. Se bem que eu ache que a escravidão nunca foi realmente abolida no Brasil… (Obs: Não sou historiadora, e não achei o ritmo lento. Só no início do conto… rs)

  17. Brian Oliveira Lancaster
    19 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Um texto bem delineado, com temática mais lusitana. Cria uma atmosfera fácil de compreender e de assimilar. Os conflitos internos são bem amarrados.
    E: O tom diferente chama a atenção, logo de início. São palavras bem colocadas, de origem arcaica, que provocam sensações de um Brasil antigo. A história se desenvolve tranquilamente, sem atropelos. No entanto, a parte final, mesmo com a divisão de imagem, ficou meio deslocada. Até o tempo verbal muda. Eu entendi que era a consequência de todos aqueles atos anteriores, mas foi de súbito. Ficaria melhor se tivesse alguma separação do tipo “anos depois…”. Mesmo assim, gostei de toda a construção.
    A: Uma abordagem bem pontual com a Rha acontecendo ao fim do texto. Está no cerne, de forma sutil, mas depois as intenções transparecem.
    O: Fluente, sem erros e com tons de linguagem, cheios de estrangeirismos, bem colocados. Conseguiu criar a suspensão de descrença.

  18. Fabio Baptista
    17 de maio de 2016

    O primeiro parágrafo é o pior de todo o texto – cansativo, “enrolativo”, cheio de nomes. Cheguei a pensar que viria uma bomba. Foi nesse comecinho que peguei as duas únicas falhas gramaticais (pelo menos entendi assim) do texto:

    – com a redação final do decreto, e que ainda precisaria
    >>> esse “e” ficou sobrando

    – Onde o ajudante de ordens
    >>> faltou um “estaria”

    Depois disso, melhorou bastante, ficou divertido, fluído, muito bem escrito. Tudo se encaminhou dessa forma até Isabel revelar-se a vilã da história. Até então, eu estava pensando “qual que é a dela?” e só estava me incomodando um pouco com os diálogos demasiado teatrais (mas a própria personagem falou em teatro, então ficou claro que o autor sabia o que estava fazendo… ou me enganou direitinho rsrs).

    Esse finalzinho, porém, ficou esquisito. Não ruim, mas esquisito. O título dá a entender que é uma descendente da Isabel, mas isso não fica muito claro. 2019 ainda desse jeito? A princípio me soou inverossímil, mas, olhando bem para o mundo, talvez não seja tanto. Porém, o impacto da reflexão política não encerrou o conto da melhor forma, na minha opinião.

    Bom conto, no apanhado geral.

    Abraço!

  19. Leonardo Jardim
    17 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): apesar do início meio cansativo, gostei muito do texto até a parte em que a Princesa Isabel mostra sua verdadeira face. À partir dali, tudo foi muito corrido e a parte que narra o presente (futuro próximo) ficou meio perdida pois pareciam os mesmos personagens, mas séculos depois, sem muita explicativa ou motivo forte para isso. O texto ocupa muito tempo com coisas que não agregam à trama (os hábitos masturbatórios do primeiro ministro) e pouco com o mais importante. Por fim, o final acabou ficando um pouco panfletário demais (mesmo que tenha ali alguma referência que eu não tenha percebido).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, narra com grande facilidade, cenas bem vívidas, personagens fortes e carismáticos. Anotei somente algumas observações:

    ▪ Onde *estava* o ajudante de ordens, que não chegava nunca? 

    ▪ Queria imenso (muito?) encontrar uma única e qualquer falha na redação

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): achei criativa essa releitura, embora quisesse ter visto mais como seria o Brasil com essa importante mudança.

    🎯 Tema (⭐⭐): uma realidade onde a escravatura não foi abolida.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): não gostei do final, como já adiantei, e isso acabou atrapalhando bastante no impacto.

  20. Pedro Arthur Crivello
    17 de maio de 2016

    a linguagem rebuscada me surpreendeu. gostei do conto , embora o começo tenha sido lento e tenha focado muito mais no fato de um personagem se masturbar no gabinte do que na história. porem a trama estav de certa forma bem amarrada , mas ainda sim a lentidão e a falta de ação prejudicaram a sua história, porem parabéns pela criatividade

  21. Thiago de Melo
    16 de maio de 2016

    Olá, Colega Autor(a),

    Primeiramente quero dizer que gostei do seu conto, especialmente dos diálogos. Acho que o que torna uma história mais viva é, sem dúvida, a qualidade dos diálogos. Eu notei, com satisfação, que você se utilizou em alguns momentos de um vocabulário de época, o que somou ainda mais à qualidade do seu trabalho.

    Contudo, principalmente no início, achei que faltou uma revisão um pouco mais cuidadosa. Exemplificando, faltou um verbo na frase: “(…) Onde o ajudante de ordens, que não chegava nunca? (…)”.

    Outro aspecto no qual você poderia trabalhar mais é a pontuação do seu texto. Várias ocorrências de erros de utilização de “dois-pontos” e “ponto e vírgula”. Para exemplificar: “(…) Não cabe aqui entrar em detalhes, mas não resisto a uma pequena fofoca, totalmente desnecessária ao enredo, diga-se: à boca miúda semeavam que mais de um padre, na adolescência, tentou aliviá-lo desse pecado sem nome: inútil; a digníssima senhora sua esposa se via muito constrangida, pois ele às vezes levava para casa problemas do governo e do Conselho ainda não resolvidos, e o resultado era um frenesi que nem nos melhores momentos de cama havia(…)”. Nesse trecho você usou o sinal de dois-pontos duas vezes na mesma frase, e ainda tem um ponto e vírgula perdido ali no meio. Trabalhe um pouco mais a pontuação e a divisão dos períodos de um parágrafo, para evitar frases soltas. Erros gramaticais confundem o leitor.

    Por fim, quanto ao conteúdo do seu conto, eu achei interessantíssimo. Gostei da maneira como você trabalhou a questão da abolição e mostrou que, no fundo, não havia nada de santidade naquela atitude, o que todo mundo queria era melhorar a própria situação. E achei legal mostrar que, mesmo depois de cento e tantos anos, praticamente nada mudou.

    Parabéns pelo conto!
    Um abraço!

  22. Pedro Teixeira
    15 de maio de 2016

    Olá, Alcântara! A ideia é muito bacana. A princípio achei meio inconcebível a escravidão ainda não ter sido abolida, mas levando em consideração o sistema de castas na Índia, por exemplo, e mesmo a realidade do trabalho em muitos países, não fica tão estranho assim. Gostei das questões que o conto levanta, e achei a escrita boa,apesar de faltar um pouquinho mais de desenvolvimento dos personagens além de aspectos pitorescos como a bolinação. Bem. no geral gostei e é uma ideia que ainda pode render muito. Apreciei também a correção do texto e sua fluidez. Parabéns e boa sorte no desafio!

  23. Davenir Viganon
    15 de maio de 2016

    RHA: Princesa Isabel nunca assinou a Lei Áurea.
    Olá Alcântara. Gosto de estórias de época. Gostei da forma satírica dos personagens. Não tentou forçar um humor, nem se levar a sério demais. Esse equilíbrio é o ponto forte do conto, pois ele levanta muitas bolas (significado político) e eu to afim de chutar várias. Porém o negócio aqui é literatura e pretendo priorizar isso. Dentro do satírico, os personagens são bons. Acho que a primeira parte é lenta e meio descolada do restante do conto.
    O final é um epílogo que já vi em um romance com RHA. Falo de “A Máquina Diferencial”, que se passa num século XIX alternativo, mas em suas páginas finais um vislumbre macabro do presente.
    Em off: será que, só porque eu sou historiador, não achei o ritmo lento? kkkkk

    • Gustavo Aquino dos Reis
      18 de maio de 2016

      Davenir, também sou Historiador e não achei o ritmo lento. Haha! Vai entender. Esses leitores apressados, imediatistas!

  24. angst447
    14 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    Título – O plural de Isabel ficou interessante, mas logo nos leva a pensar na Princesa Isabel. O que não é ruim, pois só adianta um pouco a ideia abordada no conto.

    Enredo – Misturar os dois momentos – o que de fato aconteceu com o que poderia ter acontecido só muito depois – foi arriscado, mas funcionou. O início não me entediou como aconteceu com os colegas, mas achei que deu um pouco de ênfase demais ao hábito de João Alfredo se bolinar. Embora seja difícil acreditar que a abolição só fosse acontecer em 2019, é uma realidade alternativa, distorcida e assustadora.

    Tema – O conto respeitou o tema proposto, de maneira singular e sem ressalvas.

    Revisão – Não encontrei erros que gritassem por socorro.

    Aderência – O conto prendeu minha atenção no início, soltou-a no desenvolvimento e voltou a prendê-la mais para o final. Talvez, o problema tenha sido se alongar demais em algumas passagens, o que tornou o ritmo da leitura mais lento.

  25. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    1. RHA apresentada: A escravidão no país não foi abolida em 1888;
    2. Tempo do conto: ano de 2019;
    3. Dilema: A regente não se decidiu ainda pelo fim da escravidão;
    4. Escrita: Dentro da normalidade;
    5. Ritmo ou desenvolvimento: Lento.
    6. Conclusão: O conto é bom, de forma geral, entretanto, não entendi o interesse pelo personagem onanista, ele domina a estória por quase três quartos, no ocaso da situação, a regente decide a trama, aparentemente sem dar atenção ao senhor problemático, acredito que uma abordagem total a partir das ações da mesma teria melhor efeito para o conjunto.

  26. Evandro Furtado
    14 de maio de 2016

    Ups: Linguagem brilhante, adotando um tom satírico digno de nota;
    ——-Belo desenvolvimento de personagens, ainda que a trama sofra um pequena quebra desnecessária e pouco convincente ao final;

    Downs: Falta de uma profundidade artística maior no conteúdo. O aspecto político foi bem interessante, mas se houvesse sido tratado com maior intensidade, poderia proporcionar um efeito melhor ao final.

    Off-topic: “Isabéis” não vira “Isabeis” com o novo acordo ortográfico?

    • Alcântara
      14 de maio de 2016

      Ora, ora, alvíssaras! Vossa mercê por aqui? Congratulações.

    • angst447
      14 de maio de 2016

      Evandro Furtado

      Segundo o Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, o acento agudo foi abolido nos ditongos abertos ei e oi apenas nas palavras paroxítonas.

      Antes do acordo: idéia, européia, alcatéia, heróico, jóia, …
      Depois do acordo: ideia, europeia, alcateia, heroico, joia, …

      Não confundir! As palavras oxítonas continuam acentuadas, não havendo mudança com o acordo ortográfico.

      Exemplos: pastéis, papéis, anéis, herói, dói,…

      http://duvidas.dicio.com.br/papeis-ou-papeis/

  27. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    Vamos ao conto! Como já foi dito, o começo foi terrivelmente entediante; podia ter começado direto com a recusa em assinar, começar direto daí. O restante foi confuso, com mensagens políticas não muito claras. Eu prefiro histórias com personagens que passem emoções particulares, do que apenas comoções sociais. Isso é perfeitamente possível, mesmo em histórias focadas em acontecimentos coletivos. No geral, uma boa ideia que, infelizmente, não conseguiu ser bem desenvolvida. Boa Sorte.

    • Alcântara
      14 de maio de 2016

      Aprecio teus comentários, como o presente. Queira, por fina gentileza, explanar-me, para além do que está alinhavado por ti, onde a infixidez estrutural, pois careço de palavras embasadas para evoluir.

  28. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    A idéia do conto é boa, o texto é bem escrito. Talvez o desenrolar da história tenha sido prejudicada pelo ritmo, no geral, gostei da obra.

  29. Catarina
    14 de maio de 2016

    O COMEÇO é desinteressante. O título intrigante salva. FLUXO lento, mas competente. TRAMA bem elaborada e cheia de profundos significados. A ideia da ALTERNATIVA foi brilhante, embora eu tenha sentido falta de nexo causal no FIM.

    • Alcântara
      14 de maio de 2016

      Ainda que não absoluta vossa desdita, lastimo-a sobremodo.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .