EntreContos

Literatura que desafia.

O Nome Dela – Conto (Pedro de Azevedo)

Peço pra ela levantar e pegar uma toalha pra eu limpar o peito e a barriga sujos de gozo. Ela reclama e diz que quer ficar abraçada um pouco. ‘’Você realmente espera que eu fique todo melado aqui? Vai lá pegar logo.’’ Ela levanta reclamado e momentos depois atira uma toalha branca na minha cara. Me limpo com um sorriso debochado e digo que vou fazer um café. ‘’Porra, você não levanta nem pra pegar a toalha e limpar tua sujeira e agora que eu vou deitar com você tu diz que vai fazer café? Nosso relacionamento se resumiu a você me foder e me evitar depois.’’ Mando ela ir se foder e me levanto, não suportando mais um segundo daquela merda. Desisto de procurar algo para vestir e vou passar o café sem roupa nenhuma. Acho que ela esta chorando, mas eu realmente não to nem ai. Ela tem que aprender a lidar com as coisas do jeito que são. Estamos transando a três semanas e em nenhum momento eu disse que queria algo a mais do que isso, mas como eu já esperava ela deve ter uma ideia louca de que nós nos amamos terrivelmente e iriamos passar a vida inteira juntos, mas que de alguma forma ela vem estragando tudo. Ela se culpa por algo que nunca existiu, e se sente presa a isso. Bom, enquanto ela continuar dando eu vou continuar comendo e não vou aturar o draminha de mulher usada. Pelo menos ela trepa com gosto. Olho pela janela e acendo um cigarro, constato que devem ser umas quatro da manhã. Ouço ela fungar sem parar e minha paciência começa a se esgotar. Solto a última baforada de fumaça e encho duas canecas de café, o meu puro e o dela com três colheres de açúcar.

‘’Você lembrou como eu gosto do meu café!’’ Ela seca as lagrimas e seu rosto parece se iluminar com essa coisa tão pequena. Ela é patética. Dou um meio sorriso, o que parece levantar ainda mais seu astral. Beberico meu café e repasso mentalmente as coisas que preciso fazer no dia. Merda, ainda to com tesão. Ela bebe distraída enquanto passa a pequena mão na minha coxa, e eu começo a ficar duro. Ela não percebe e começa a cantarolar alguma coisa baixinho. Isso me irrita profundamente e ao mesmo tempo que me excita. Tão doce e tão ingênua. Por um segundo penso que é maldade eu me aproveitar dela assim. Mas não. Engulo meu café e sinto todo meu corpo vibrar e queimar. Sinto vontade de mijar e travo uma pequena luta para acertar a privada. Quando volto Mariana já terminou seu café e me olha como quem espera alguma coisa. Subo em cima dela e começo a chupar seus mamilos e a brincar com seu corpo, em segundos ela se rende. A coloco de quatro e ela protesta, dizendo que a posição é humilhante. Finjo que não escuto e começo a meter. Fico saturado e gozo dentro mesmo. Cansei.

‘’Sai daqui, pode ir embora e não volta mais.’’ Ela me olha como quem não entendeu nada e eu faço uma cara obvia. Ela tenta prender o choro enquanto se veste e praticamente sai correndo do apartamento. Ouço a porta bater e acendo outro cigarro. Suspiro ao me lembrar que preciso achar outro buraco pra meter. Espero que seja menos chata do que essa.

As pessoas tem que aprender a não esperar mais nada do que foi exigido delas, seria tudo tão mais fácil assim. Ninguém se frustraria a toa. Todos sairiam ganhando. Mas não, cada um elabora todo um plano em cima de cada relação ou situação que vive. Isso cansa e fode com a cabeça da gente.

Passam alguns dias, e eu me encontro novamente no bar que conheci Mariana, tomando uma cerva com uns amigos. Ouço alguém me chamar, e quando olho a vejo. Claro que eu já esperava por isso. Vestido tomara-que-caia rosa claro, na altura dos joelhos e o cabelo loiro preso num coque. Ela pede pra falar comigo. Reviro os olhos teatralmente e me levanto a segui-la para a rua. Nota-se que ela está totalmente instável e a beira das lágrimas. Começa a falar sobre o como a gente se deva bem, e como não podia acabar por que ela me amava e sabia que no fundo eu a amava também.

‘’Olha, eu realmente não acredito que você me ama. Isso é coisa da tua cabeça, porque eu te comi e você se afeiçoou. Em nenhum momento te dei esperanças nem te dei nada pra gostar de mim. Acabou, eu não quero mais foder com você. Desculpa se eu fui o cara que arruinou tua vida ou algo assim. Bola pra frente Mariana, isso faz parte da vida.’’ Ela me dá um tapa forte na cara, e eu fico sem enxergar nada por um milésimo de segundo.

‘’Meu nome é Marina.’’

***

Sobre o Autor: Pedro de Azevedo tem 20 anos e é estudante de jornalismo, escritor e leitor compulsivo. Cinéfilo por natureza e devorador de séries. Definido por alguns como um um ser expansivo e indelével. Pronto para explorar, conhecer, experimentar e se apaixonar. Criador do Blog Conversa Urbana

 

Conto publicado originalmente em http://conversa-urbana.blogspot.com.br/2015/02/conto-o-nome-dela.html

 

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Um comentário em “O Nome Dela – Conto (Pedro de Azevedo)

  1. Davenir Viganon
    14 de maio de 2016

    O autor compôs bem o personagem, a narração passa sinceridade. O que não gostei é que eles começam e terminam da mesma forma.

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Informação

Publicado às 13 de abril de 2016 por em Contos Off-Desafio e marcado .