EntreContos

Literatura que desafia.

Uádi (Victor O. de Faria)

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I

 

‘Asfar e ‘Arjuani despejavam seu brilho intenso sobre a superfície rochosa das Montanhas do Peregrino, local sagrado que, segundo relatos repassados através de gerações, demarcava a Alvorada – a descoberta de novos mundos pela humanidade. Todos os jovens, após um ciclo de doze anos, deviam subir ao topo da montanha a fim de conhecer suas origens. Fato que os tornava responsáveis por repassar o conhecimento aos seus próprios filhos, quando a hora chegasse. O peregrino sem nome, imortalizado nos jardins suspensos por ações desconhecidas, aguardava.

 

Não muito longe dali, na planície Aljann – onde belos exemplares exóticos da flora local enchiam olhos e corações – Yan Massif, um sujeito baixinho, de ombros encolhidos e cabelos escuros, conversava com sua filha. A jovem, de cabelos trançados, rosto de maçã e mantas coloridas, completaria doze ciclos na semana seguinte. Em meio a feixes de pétalas sedosas, foi pego de surpresa pela pergunta nada sutil.

 

— Pai, o que é Uádi?

 

Tivera a oportunidade de observar o fenômeno na mesma idade. Como descreveria aquela experiência única, transcendental, eternizada pelo maior encontro de sua vida? Infelizmente, com o tempo, muitos detalhes se apagavam da frágil mente humana. O segredo permanecia.

 

— Bem, Jade… É difícil descrever. Em alguns dias você saberá.

— Que saco! Ter que ficar subindo e descendo escarpas, pra ver uma estátua… Qual é a graça nisso?

— Respeite seus ancestrais!

— E ainda tenho que ficar sozinha com você?

— Ah… Obrigado pela confiança! Vem cá, pestinha!

 

Caíram sobre a mata nativa, enquanto três metros quadrados de tulipas amassadas balançavam ao som harmônico das colinas distantes. Visto de longe, o palácio se assemelhava aos milenares tabuleiros de xadrez, com ampulhetas dispostas sobre cada limite da redoma maior.

 

— Sua mãe vai me matar!

— Não vai não. Elas crescem de novo… Daqui doze anos. – escondeu o riso.

— Ou antes… ‘Asfar nunca esteve tão próximo.

 

Safira era uma mulher relativamente jovem, discreta, comum aos seus familiares e amigos, conhecida por seu cultivo de flores em solo arenoso, mas eternamente bela para Yan. Seu marido era um tanto desajeitado em comparação. Era uma boa ideia pai e filha passarem um tempo juntos, mesmo ela não entendendo a real importância daquele ato. Sua mãe já havia preparado as mochilas com antecedência, e aguardava ansiosamente pela próxima semana. Naquela noite, Jade sonhou com camelos, animais que conhecia somente pelas tapeçarias…

 

A semana passou tão rápido que os físicos chegaram a cogitar a possibilidade de Fajjar ter sofrido um aumento de velocidade, devido à aproximação de seus dois sóis. No entanto, isso não importava para Yan. O grande dia havia chegado! Para sua filha, a manhã estava péssima.

 

— Despediu-se de sua mãe?

— Ahãm.

— Imagine! Só nós dois, explorando as Montanhas do Peregrino, apreciando o horizonte e aprendendo a história de nossos antepassados!

— Ahãm.

— Ah, qual é? Vai ser divertido.

— Essa mochila tá pesada.

— São os suprimentos.

— Tenho que ir a pé?

— Só existe uma trilha, em forma de serpente. O transporte não passa ali.

 

Jade olhou para trás, pensativa. O caminho desconhecido desafiava os sentidos. Encarou as nuvens sombrias e desejou que a viagem acabasse logo.

 

A caminhada teve início assim que puseram os pés sobre as pedras roxas, cheias de musgo avermelhado. A fauna exuberante de Fajjar possuía diferenças sutis de cores e adaptação. Os dois sóis estimulavam e aceleravam o crescimento celular, mas ainda era cedo para discutir seus efeitos no corpo humano. Yan a olhou de canto e tentou puxar assunto.

 

— Então, como vão as aulas?

— Um tédio.

— São tão ruins assim?

— A aula de Artes até que é legal, mas a de História é muito chata. Parece que escondem alguma coisa. Quando perguntamos mais, trocam de assunto.

 

E escondiam mesmo. Muitos detalhes da história antiga haviam se perdido nas entranhas do tempo, o que reforçava a importância da peregrinação.

 

— Também gostava mais de Artes do que Mecânica. Bem antes de você nascer, existia uma espécie de intercâmbio cultural. As pessoas traziam peças raras, como a tapeçaria que há em nossa sala, e levavam pinturas produzidas com tinta local, assim como as próprias pedras utilizadas no artesanato. Com o tempo, a manutenção dos transportes se tornou inviável.

— Então, estamos sozinhos?

— Sabe… Essa era a maior pergunta jamais respondida por nossos antepassados. Hoje, temos o privilégio de fazer parte da resposta.

— Eles ainda existem?

 

Um som estridente interrompeu seus pensamentos. A batida conhecida deixou Yan em estado de alerta. Olhou para os lados e para os cem metros abaixo de seus pés.

 

— Não pode ser! Eles não vivem por aqui.

— O que?

— Sunur. Felinos alados.

— Nunca vi um.

— São selvagens, não registrados. Não se mexa! Me passa sua mochila, devagar…

 

Retirou do bolso interno um pequeno pedaço de bambu translúcido, fechado nas extremidades. Sacudiu o líquido viscoso e aguardou, mantendo o objeto em frente aos olhos.

 

— Como isso veio parar na minha mochila?

— Quando tiver filhos, entenderá.

 

Rochas diminutas rolaram em sua direção. A curvatura da montanha atrapalhava cálculos precisos. Por sorte, aquelas criaturas eram bastante espalhafatosas. De arma em punho, aguardou sua iminente chegada. O farfalhar ao longe denunciou sua presença. Tomados pelo receio, observaram a figura indistinta saindo das sombras de ‘Arjuani. Seus longos bigodes apareceram. A face alongada e proeminente, com pintas cor de Sol, lembrava as pinturas antigas dos mantos espalhados pela sala de banho. Suas longas asas se retraíram e se encaixaram no dorso.

 

— O que está fazendo, Jade?

 

O sunur esticou as patas dianteiras e deitou, ali mesmo, como se estivesse os desafiando. Jade se aproximou a passos curtos, sem medo. O olhar enigmático, semelhante à Lua Crescente, hipnotizava. Continuaram a discussão, em palavras quase inaudíveis.

 

— Jade! Vou jogar a isca!

— O que isso faz?

— Emite um cheiro forte, insuportável. Vai afugentá-lo, mas deixará uma enorme dor de cabeça!

— Não jogue!

— A dor de cabeça era em nós!

— Espera!

 

Sua curiosidade superava qualquer instinto de preservação. Nunca havia saído de Aljann. Aquele era seu primeiro contato com uma criatura selvagem, de carne e osso. As canções lamuriosas o descreviam como “a morte púrpura”. Estendeu a mão. Yan quase gritou.

 

A criatura virou a face sem demonstrar qualquer expressão. Jade se aproximou e encostou a mão em seu queixo. Depois coçou. Instintos adormecidos despertaram em seu subconsciente. Que nova sensação era aquela?

 

— Viu só! Li isso num livro antigo.

 

Yan guardou o artefato. Ensaiou uma aproximação, perto o suficiente para puxá-la junto de si. O sunur se levantou, deu dois passos e abaixou a cabeça.

 

— Posso ficar com ele?

— Tá maluca, filha?

 

A fera rosnou.

 

— Ok. Ok. Talvez seja bom termos uma companhia dessas até chegar lá em cima.

— Obrigada, pai!

— Deve ser um filhote… Senão já teria arrancado nossas cabeças.

— Ui…

— Esquece.

 

Contornaram o primeiro conjunto de curvas, seguidos pelo felino. O primeiro Sol começava a descer, indicando a hora do almoço. Precisavam encontrar um local seguro para montar as tendas. A grama roxa escondia uma infinidade de insetos não classificados. O sunur poderia comê-los, mas não quis arriscar. Avistou uma caverna ao longe, provavelmente utilizada por outros peregrinos. Caminharam em silêncio.

 

— Pai. Você tá muito quieto.

— Ah, agora você quer conversar?

— É que agora o Manhoso tá com a gente.

— Manhoso?

— É.

— Estou preocupado. Um sunur nunca anda sozinho.

— Será que ele se perdeu?

— Duvido muito. Eles conhecem essas terras. O que precisamos agora é de um bom descanso.

— Preciso ir ao banheiro.

— Tem um matinho ali.
— Que nojo! Ainda bem que a mãe colocou o gel no bolso de fora.

— São só dois dias! Deixe o sunur ir à frente. Assim ele espanta qualquer outro animal.

 

Assim que Jade voltou, o felino correu até a caverna.

 

Havia uma pessoa lá dentro, gravemente ferida, com marcas de garra em sua face. O homem robusto gemia palavras incompreensíveis. Yan correu, retirou a mochila das costas, procurou um tubo metálico e aplicou o medicamento. Enfaixou sua cabeça como pôde, relembrando o que havia aprendido em seus tempos de médico. O homem se acalmou e sentiu os efeitos da sonolência induzida.

 

Jade e o jovem sunur se aproximaram, lentamente.

 

— O homem foi atacado por um animal dessa espécie. – apontou.

— Mas ele é mansinho.

— Temos que achar sua família e devolvê-lo, antes que venham atrás de nós.

— Não!

— Jade… Ele pertence a esse lugar. Você gostaria de viver aqui, sozinha e sem ninguém por perto?

— Acho que não.

— Entendeu? É a mesma situação.

— Sim…

 

Retirou as provisões da mochila. O felino conferiu cada um dos itens, respirando sobre as embalagens. O cheiro forte o atraiu. Yan estendeu a mão com um feixe de vegetais. A criatura aceitou o suborno e se ajeitou no outro canto. Foi o momento certo para retomar a conversa.

 

— Desculpe, Jade. Achei que tudo seria mais tranquilo.

— Encontrar o Manhoso já valeu a pena.

— Aliás, você é bem corajosa. Irresponsável, mas corajosa.

— Eu li que os antigos tinham vários desses em casa.

— Não era bem esse tipo…

 

O homem gemeu.

 

— Ele tá acordando! Fique atrás de mim.

— Pai! Eu já tenho doze anos!

— E faz doze anos que cuido de você…

 

Acordou de súbito, implorando por água.

 

— Calma! Você está muito ferido.

 

Notou o animal no canto, lambendo as patas. Imediatamente pôs a mão no casaco de pele e sacou uma arma primitiva. Por instinto, Yan agarrou seu braço e o levantou em direção ao teto.

 

— Não! Ele é nossa companhia!

 

Olhou no fundo daqueles olhos autoritários, resistindo de maneira firme às suas investidas. Ao avistar Jade, o homem se acalmou. Ela protegia o sunur, envolvendo-o em seus braços. Incomodado pela cena, desistiu de seu ato e sentou.

 

— Você está bem machucado. O que fazia sozinho, por aqui?

— Não estou sozinho… Minha equipe está mais acima. Sofremos um ataque… Dessas coisas… E eu rolei morro abaixo.

 

Jade ouvia tudo, atentamente.

 

— Qual seu nome?

— Siad.

— Bem, senhor Siad… Podemos ajudá-lo a encontrar sua equipe. Estamos subindo.

— Pai!

— O quê? O homem precisa de ajuda.

— Ah, a menina corajosa é sua filha?

— Sim, vou levá-la para ver o Uádi.

— O homem e suas tradições. Nunca aprendem.

 

Jade franziu o cenho. Não queria admitir, mas estava curiosa.

 

— Certo. Sem discussões. Vamos descansar um pouco e continuar. – encerrou Yan.

— Vão levar o sunur junto?

— É Manhoso! Ele tá me seguindo.

— Ok, pequena. Contanto que ele fique longe de mim.

 

Descansaram em silêncio, estudando uns aos outros enquanto comiam. Aproveitaram o tempo para revisar o que haviam trazido. Jade verificou minuciosamente cada entrada de sua mochila – não queria ter outra surpresa.

 

Não havia noite em Fajjar. Quando um Sol desaparecia no horizonte, o outro, apesar de mais fraco, garantia a luminosidade. Do amarelo ao violeta em questão de horas. No entanto, Yan não gostava de confiar na própria sorte. Passou-se pouco tempo até que resolvessem partir.

 

As curvas fatais, após a caverna, exigiam atenção redobrada. Caminharam pela mesma encosta onde ocorrera o deslizamento.

 

— Me diga, senhor Siad. O que exatamente sua equipe faz aqui?

— Estudamos a vida nativa.

— Só isso?

— Bem… “Equilibramos” a vida nativa.

 

Evitou a palavra “caça”, por causa da menina. Yan entendeu a mensagem. Já tinha ouvido falar em pessoas que mantinham costumes antigos, bárbaros em sua essência. Trocou de assunto. Depois pensaria em algum desvio, assim que se despedissem.

 

— Então, Jade. Como está seu amigo?

— Passou a última curva cheirando o vento.

— Talvez procurando seus pais.

— Olha! Dá pra ver o palácio daqui!

 

Siad continuou enquanto pai e filha admiravam o exótico vale habitado, logo abaixo. Bem no centro dos pedregulhos marrons e crateras enormes, havia um inconfundível tapete de tulipas sob a névoa. Sabiam quem o havia cultivado, e isto tornava a paisagem ainda mais atraente.

 

— Essa vista é um privilégio. Fico feliz de estar vendo isso novamente, depois de anos, ao seu lado.

— É bonito mesmo.

— Aproveite. Depois de hoje, você voltará somente com seus filhos. Ou filhas.

— Por quê?

— Essa montanha não deve ser violada, apesar de certos grupos, inconsequentes, insistirem. É um símbolo, um farol.

— Aquelas coisas que indicavam o caminho das estrelas, né?

— Quase isso.

— Onde tá o senhor Siad?

— Pois é, acho que ele estava com pressa. Melhor assim. – agradeceu internamente. — Quer registrar esse momento?

— Claro!

 

Retirou um rolo transparente, semelhante a uma folha comum, e esticou as laterais até que a imagem aparecesse bem nítida. Enquadrou o cenário. Duas figuras sorridentes ficaram gravadas no polímero, abaixo do primeiro pôr do Sol. Yan fechou a folha e a deu para Jade. Aqueles itens, raríssimos, podiam valer uma fortuna se vendidos, ainda mais com um sunur estampado ao fundo. Seus olhos brilharam.

II

Finalmente havia ganhado um sorriso. Mais alguns metros e estariam na metade do caminho. A montanha não era tão alta quanto imaginavam, mas a ilusão persistia. Árvores, com frutas rosadas, começaram a surgir através da encosta. O felino correu, criando uma barreira de vento entre eles e o objetivo. Com incrível agilidade, abocanhou várias.

 

Seis sombras altas e disformes, atrás da mata, permaneciam imóveis. Ao avistarem o jovem sunur, sacaram as armas. Yan precisou tomar a iniciativa.

 

— Ei! Calma aí!

— Esse é o homem que me ajudou, capitão.

 

Um sujeito alto e carrancudo, de turbante gasto pela poeira das terras ao norte, com cara de poucos amigos, cuspiu no chão antes de falar.

 

— Agradeço o que fez. Mas agora, queira sair da frente, sim?

— Ele é… Nosso.

— Conta outra. Sabe quanto vale um sunur?

 

Jade observou a arca de tampa semifechada, com desenhos artísticos, atrás do indivíduo. De sua borda escorria um estranho líquido azulado, viscoso. Não demorou muito para entender o que realmente havia lá dentro. Colocou a mão sobre a boca.

 

— Chefe… Já temos o suficiente. Deixe-os.

— Quem manda aqui?

 

Calou-se. Yan estava sem reação. Por um lado, queria tapar os olhos de sua filha, para que jamais visse a brutalidade de que o homem era capaz. Mas, se saísse da frente do felino alado, o resultado seria pior. No instante entre um pensamento e outro, Manhoso alçou voo e arrancou a arma do capitão. Com o susto, um tiro foi disparado.

 

Um corpo tombou. Surpreso pela própria reação, o capitão esbravejou.

 

— Eu também tenho família! Acha que caçamos por esporte? Não contou pra sua filha que o solo já não produz o que esperávamos?

— Não precisava…

— Já leu sobre a “lei da selva” nos livros de História? Pois é. Agora, saia!

 

Jade estava imóvel. O senhor Siad se aproximou e murmurou algumas palavras antes de seguir seus companheiros, que já carregavam a arca e retomavam a descida.

 

— O filho do capitão está doente e as vacinas não funcionam mais, somente o extrato de sunur. – suspirou. – Não queria que sua filha presenciasse isso.

 

Os homens já se distanciavam quando Yan abraçou a filha. Ela recusou o gesto e se aproximou de seu amigo caído. Passou a mão em seu dorso e acariciou as manchas coloridas.

 

— Jade…

— Vamos levá-lo.

 

Em sua face não havia lágrimas. Seus olhos apresentavam uma dor profunda, mais do que simples tristeza, algo infinitamente pior, mesmo para alguém tão jovem. Não questionou a decisão da filha, que já perdia os últimos resquícios de imaturidade. Desejava que ela compreendesse o real legado de sua família, seus sonhos e conquistas. No entanto, naquele momento, já não parecia uma boa ideia.

 

Carregou o filhote. Talvez ela desejasse realizar um enterro digno para a criatura, como faziam seus ancestrais. Nada do que dissesse faria diferença. Respeitou seu silêncio enquanto subiam.

 

Raízes enormes recortaram a encosta. O segundo Sol começava a descer, quando avistaram a colossal árvore milenar. A sinfonia dos ventos lembrava infâncias perdidas, harpas em plena harmonia, flautas dançantes e o aroma de romãs.

 

Ao avistar a bela paisagem, Jade não conseguiu mais se conter. Queria ser forte, mas não dava. Desabou sobre os joelhos e chorou. Yan depositou o felino com cuidado na grama espessa, que recobria o jardim, e a consolou.

 

— Desculpe… – a envolveu ternamente. — Não era pra ser assim.

— Mataram o Manhoso, pai…

— Eu sei.

 

Aquele redemoinho de emoções a confundia. Não era mais criança, mas também não era adulta. No momento não havia escolha. Ela precisava conhecer o passado, para então decidir o futuro.

 

— Estamos próximo à maior criação de Fajjar, o jardim dos céus, Khalaq. Só mais um pouquinho e lhe garanto… Terá valido a pena. Se desejar enterrá-lo… Garanto que será lembrado pelos próximos peregrinos.

— Esse é o legado que você queria me mostrar? Como os homens realmente são?

 

Passou a mão em sua cabeça.

 

— Não. Saiu tudo errado. Meu plano era ter ótimas lembranças com você. Queria motivá-la e não ao contrário. Peço que me perdoe.

 

Abraçaram-se durante vários minutos, como nunca haviam feito.

 

— Pai… Vamos. – enxugou as lágrimas. — Ainda pretendo ver o tal do Uádi.

 

Ajeitaram as mochilas e depositaram o sunur em uma maca improvisada, feita de folhas gigantes, pois ainda faltavam quinhentos metros. Jade esboçou um sorriso forçado, o suficiente para deixar seu pai mais à vontade…

 

Khalaq era uma planície no topo, formada por galhos e raízes duma árvore que rivalizava em tamanho com os palácios de médio porte. Flores de inúmeras cores, formas e tamanhos completavam o cenário paradisíaco. No centro, próximo ao tronco, havia um esquife de gelo, com cinco metros de altura. Logo abaixo estavam as carcaças congeladas da primeira Marakkab a descer em Fajjar. Apesar da aparência de jardim de verão, fazia muito frio ali em cima. Esqueceram seus problemas ao avistarem aquela visão celestial.

 

Infelizmente, dois rugidos assustadores espantaram seus devaneios. O bater de asas não deixava margens para qualquer sombra de dúvida. Yan percebeu que se tratavam dos pais do sunur abatido, ferozes, maiores do que um homem. Largou lentamente Manhoso no chão e se afastou puxando a filha pelo casaco.

 

— E o enterro?

— Deixe-o. Esses são perigosos. Quando eu der o sinal, você corre! Entendeu? Sem desobedecer dessa vez!

— Correr pra onde?

 

E, de fato, deu-se conta de que estavam no meio do jardim. De um lado, o penhasco. Do outro… Os felinos cheiraram o animal morto, lançando um olhar fatal aos prováveis suspeitos.

 

— Sobe!

— Mas eles voam!

— Não importa.

 

Agarraram-se aos galhos menores e pegaram impulso. Os felinos estavam indecisos quanto ao seu próximo passo. Jade sussurrou.

 

— Posso registrar isso?

— Tem certeza?

— Ué, pai. Já que chegamos até aqui…

 

Assim que retirou o artefato da mochila, os sunurs reabriram as asas. Esticou a folha e a segurou contra a luz. Quando estava pronto para ativar o polímero, escutaram um uivo – diferente de qualquer animal conhecido, forte e agudo, de eco distante. Os felinos encolheram as asas e colocaram as caudas entre as pernas. A brisa, calma e suave, se transformou em um vento selvagem.

 

– Eu conheço esse som… Onde já ouvi algo assim?

– Dá medo.

– Somente algo maior poderia acalmar essas feras.

– Tipo o que?

– Como era o nome…

 

Escutaram novamente. Os dois se arrepiaram. Yan deu um sobressalto.

 

– Baleias!

 

III

 

Confirmou seu palpite ao avistar uma gigantesca barbatana translúcida eclipsando o horizonte. A rajada de vento os atingiu de forma inesperada, criando uma tempestade efêmera. O formato rosado e incorpóreo da criatura lembrava as antigas histórias de fantasmas. Listras perpendiculares, grossas e bem delineadas, surgiram por entre os galhos. Observaram durante vários minutos aquele balé flutuante, encobrindo todo o campo de visão. A batida de sua cauda espalhou pétalas por todo o Khalaq.

 

– O que é isso?

– O Uádi!! – gritou por entre as folhas que castigavam sua face.

 

Observaram, boquiabertos, a criatura fazer uma volta de cento e oitenta graus. Agora era possível avistar o topo da massa semitransparente e finalmente entender o real significado de seu nome. Em meio às enormes cicatrizes havia montanhas, planícies e palácios naturais, quase uma cidadela abandonada.

 

Descabelado, Yan lembrou-se de registrar o momento. No instante em que o polímero gravou a imagem, o material se desfez. O Uádi os encarava. Estudava as pequeninas criaturas em cima da árvore milenar. A ventania voltou com força total. Amarraram-se aos cipós. Gritaram.

 

– Então, Jade! O que está achando?

– Maravilhoso!

– Esse é o espírito!

 

O Uádi mudou o tom do assobio, parecendo um golfinho prestes a ejetar água. Memórias da infância voltaram depressa à mente de Yan.

 

– Desce!

– O que?

– Descer! – apontou o chão.

– Nem pensar!

– Os sunurs fugiram! Desça!

– Por que, se aqui está melhor?

– Por causa do gelo!

– Hein?

– Gelo!

 

Colocou uma das mãos sobre os ombros e acenou para cima, várias vezes, como se estivesse jogando algo para fora. Os olhos de Jade, já excitados, ficaram ainda maiores. Um tremor os derrubou. Caíram sentados. O zunido tornou-se mais forte. O Uádi expeliu um jato frio, quilômetros acima de sua cabeça. Um arco-íris duplo transformou os céus de Khalaq em uma pintura abstrata.

 

– Pai!

– Ahn?

– A água!

– O que tem? – disse, sem tirar os olhos do fenômeno.

– Ela volta!

– Droga…

 

Levantaram-se e correram em direção à encosta. A chuva caiu forte sobre o Peregrino, criando uma onda incrível, reforçando a estrutura congelada, petrificada em segundos. Ficaram encharcados. Ela torceu as tranças.

 

– E agora, pai?

– Não sei. Eu era criança quando isso aconteceu… E não dei a devida importância.

– Por isso é tão chato comigo?

– É! Não… O que?

 

A manifestação da natureza etérea nublava qualquer pensamento ruim. Não passavam de meras formigas perto de olhos gigantes. Para completar o espetáculo, o Uádi girou em torno de si mesmo. A ventania derrubou os frutos do topo. Torceu a enorme cauda e bateu no solo, criando novas ondas sonoras, próximo aos resquícios da última era.

 

Uma figura menor surgiu no horizonte, por baixo das raízes. Foi ao encontro da maior, realizando a mesma dança hipnótica. Seus gemidos se misturavam ao som característico de baleias conversando.

 

– Olha! É um filhote, pai!

– Estão nos estudando?

– Ora, você me trouxe aqui pra aprender sobre eles. E se eles quiserem saber mais sobre nós?

– Teoria interessante.

 

A brisa pairava sobre as plantas. Aproveitaram a calmaria incomum.

 

– Precisamos enterrar o Manhoso.

– Sim.

 

Ignoraram, por um tempo, aqueles quatro olhos finos e curiosos, do tamanho de árvores. Emitiam ruídos engraçados. Permaneceram flutuando enquanto as minúsculas criaturas enterravam um organismo de sua própria fauna.

 

– Talvez tenham feito o mesmo pelo Peregrino, há incontáveis séculos.

– Será que posso tocá-los?

– Eles não vão deixar.

 

Jade deu passos firmes em direção à jubarte vermelha. A cada passo dado, seu tamanho aumentava. Era como abraçar uma montanha. Yan a seguiu. Enquanto se aproximavam, as manchas trocavam de cor, indo do vermelho ao violeta em questão de segundos.

 

Tocou num pedaço de pele áspera e porosa. Produziu, sem querer, ondulações harmônicas. Sentiu cócegas. A estática percorria seu corpo. Imagens confusas se formaram em sua mente. Eram telepáticas? Yan tentou o mesmo, mas foi afastado pela onda de choque.

 

Observou sua filha sem reação. Se somente crianças podiam tocar os Uádis, explicava o motivo por trás das peregrinações. O conhecimento era transmitido diretamente para a mente jovem e vazia, sem qualquer preocupação.

 

Jade se despediu. Os Uádis subiram devagar, exuberantes, serenos, para em seguida descerem em espiral, desaparecendo nas nuvens. Como fantasmas etéreos, desfizeram-se. A ventania os empurrou para trás.

 

– Filha?

– Sei como nossos antepassados chegaram aqui.

– Como?

– Apenas sei. Ela também me ensinou algumas coisas.

– Ela?

 

Ainda admirada e quase sem palavras, sacudiu os cabelos molhados e sorriu, com os olhos fixos nas frutas espalhadas.

 

– Ah, qual é, Jade? Não vai falar pro seu pai?

– Podemos cultivar essas frutas.

 

Agradeceu em voz alta os benfeitores que, de modo curioso, pareciam compreender suas necessidades. Saiu ao seu encontro e a levantou, como fazia quando pequena.

 

– Pai, já disse que tenho doze anos!

– Mas com conhecimento de mil!

 

Sempre soube que aquela viagem transformava os mais jovens e, por consequência, os adultos. No entanto, vendo sua filha agindo como uma pessoa experiente, com a responsabilidade de repassar o conhecimento à próxima geração, sentiu pena. A carga já não estava sobre seus ombros. O legado de sonhos e conquistas pertencia a ela. O que mais poderia fazer pelo futuro?

 

De repente sentiu-se cansado, exausto… Velho. Uma baleia milenar cheia de conhecimento perdido…

 

Um Uádi.

 

 

***

 

Glossário:

 

‘Asfar: Amarelo

‘Arjuani: Lilás

Aljann: Paraíso

Fajjar: Aurora

Sunur: Felino

Khalaq: Criação
Marakkab: Caravela

Uádi: Vale, Rio

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55 comentários em “Uádi (Victor O. de Faria)

  1. ram9000
    2 de abril de 2016

    O conto é bem escrito, acho que poderia ser reavaliado e passar por alguns cortes em passagens que não acrescentam tanto à história. Esta bem adequado ao tema. O enredo esta bem encadeado.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a leitura! Realmente há espaço para cortes, mas não poderia fazer eles subirem a montanha num passe de mágica (ou poderia, agora que parei para pensar no tema).

  2. Pedro Luna
    2 de abril de 2016

    Um conto de peregrinação, e como de costume, os personagens passam por transformações. O que mais gostei foi da imaginação insana, ainda que algumas coisas não tenham me descido, mas foi uma história muito louca. Mas alguns pontos não gostei: os nomes, o clima, remete a uma sociedade fantástica com costumes, tradições, algo que em minha cabeça formou logo imagens do passado, de algo mais primitivo. E isso entrou em contraste com as falas dos personagens (Vem cá, pestinha), e itens como Mochila, quebrando um pouco o clima.

    Também achei que o sentido de lugar sagrado ficou profanado pela presença dos caçadores e que a presença das criaturas foi um perigo muto grande para Yan não se tocar. O caminho pareceu perigoso demais para um pai ir sozinho com uma criança.

    No mais, foi bem escrito. A parte com o filhote de Sunur ficou um pouco cansativo, mas no geral foi um bom texto.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a leitura! Hum… nesse quesito de diálogos realmente eu falhei na adequação. Quanto às criaturas, o próprio pai diz no início que eles não costumam aparecer por ali (ficou subentendido que surgiram em defesa dos seus, por causa dos caçadores). Mas não ficou muito claro mesmo.

  3. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    A ficção é no estilo dos grandes autores, que criam mundios futuros, após a disseminação da humanidade pela galáxia. Os nomes são cuidadosamente escolhidos, com direito a um glossário no fim, recurso usado por Ursula Le guin e Jack Vance. Os dois sóis mostram a preocupação com detalhes fantásticos, técnica fundamental para inserir um clima de irrealidade. Aliás lembrou-me Marune, o mundo de quatro sóis de Vance (Furad, Osmo, Maddar e Cirse), com a diferença que os quatro, em algum momento, punham-se todos juntos, mergulhando o mundo em trevas. O sunur lembrou-me as “bestas do ar” do mundo Rocannon de Ursula Le guin. O conto é muito interessante também por tratar da história de um pai e uma filha. O estilo é daqueles em que “as páginas se viram sozinhas”. Foi um dos contos de leitura mais agradável, parabéns.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a generosidade! Meu foco realmente foi a relação pai-filha. Não quis fazer nada muito mirabolante dessa vez.

  4. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Qualquer comentário seria perda de tempo. Obrigado pelo prazer desta leitura. De verdade. Respeito a escolha dos demais colegas, mas, para mim, este é o conto vencedor. Boa sorte!
    NOTA: 10,0

  5. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa e interessante. Apresentou um mundo completo e bem diferente em poucas linhas (nem tão poucas assim). Gostei da relação entre pai e filha (mexeu com meu instinto paterno) e da aparição dos Uádi. Realmente eram tudo aquilo que a história desenhou: fantásticos! A parte dos sunurs e dos caçadores sobrou um pouco na trama, se removidos não mudariam a história. O artefato que seria usado contra o filhote também foi apresentado e descartado. Costuma-se dizer que em um conto nada deve sobrar. Se aparecer uma escopeta, ela deve atirar.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, descreve cenas com perfeição e dá personalidade aos personagens. Poderia melhorar as marcações dos diálogos, pois em alguns momentos fiquei confuso sobre quem falava o quê.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): um mundo cheio de novas espécies.

    🎯 Tema (⭐▫): o conto brinca entre o fantástico e o científico, pois podemos interpretar que os habitantes desse mundo são humanos que chegaram em uma viagem espacial e esqueceram disso. Foi essa a minha interpretação. Os animais fantásticos apresentados não utilizam magia, apenas coisas que criaturas alienígenas poderiam fazer.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é bonito e a relação entre pai e filha é interessante. Não senti um grande impacto ou emoção ao fim, mas ainda achei o texto muito bom.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Pois é, apesar de fazer uma marcação bem distinta nos diálogos (pai e filha, sucessivamente, uma fala de um, depois do outro), ainda confunde alguns. Tenho que melhorar isso. Quanto à “arma de cheiro” confesso que ficou sobrando. Quanto à sua concepção, está correta. É outro mundo, com outros costumes, mas que chegaram ali de forma “científica”. Meu objetivo foi realmente explorar o lado mais sentimental da relação dos dois, abrindo mão de várias “perfumarias”.

  6. piscies
    31 de março de 2016

    Uma viagem e tanto!

    Um mundo belíssimo e um tanto metafórico. Que imagens incríveis este conto conjurou na minha mente! Parabéns autor, pela criatividade e beleza da escrita.

    O conto faz um paralelo interessante com a “passagem” da infância para o início da responsabilidade. Narra não só a odisséia de Jade em conquistar uma nova fase em sua vida, mas também a estranha e, de certa forma, triste vereda que Yan, como pai, deve trilhar ao guiar a sua filha rumo à sua independência.

    O mundo é fantástico e a critividade é imensa. Não vi erros na escrita, mas fiquei incomodado com os diálogos corridos, simplórios e sem evidência de quem falava o quê. Me confundi diversas vezes tentando entender quem estava falando qual frase.

    É claro que isto acaba sendo compensado pelas metáforas muito bem colocadas e as descrições de primeira linha. Um conto e tanto. Parabéns!

  7. Simoni Dário
    31 de março de 2016

    Olá Uádi
    O seu conto tem beleza, magia e muita fantasia com boas doses de reflexões sobre os ciclos da vida. Tem ação e muita aventura. Vi alguma coisa do filme Depois da Terra, com Will Smitt que contracena com o filho Jaden cujo nome da vida real fica próximo do da sua protagonista Jade.
    Enfim, entre sunurs e a visão do Uádi, as cenas foram bem narradas e a leitura fluiu bem até o final.
    Parabéns pela classificação e boa sorte no desafio!

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a leitura! Não tinha pensado nesse filme na construção do cenário, pensei mais em algo como “Mil e uma noites” num mundo alienígena.

  8. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Fiquei dividido quanto a este conto. Por um lado, gostei do universo criado, da ideia do rito de passagem, da geografia, dos sóis, dos animais. Entendi que o autor procurou contrabalançar o excesso de informações com a relação entre pai e filha, mas isso não funcionou muito bem. A pegada “moderninha” no jeito como eles se tratam me pareceu um tanto forçada. Essa impressão negativa se acentuou na medida em que os diálogos ganhavam destaque.

    Em certo ponto, tive a sensação de estar lendo um roteiro de teatro, dada a profusão de perguntas e respostas. Nada contra isso quando há, também, informações sobre a psique dos personagens, quando se mostra ao leitor o embate psicológico interno que antecede ou que sucede cada frase dita. Enfim, os diálogos secos, sem profundidade, resultaram para mim na parte mais fraca do texto.

    No mais, uma história redonda, bem contada e fluida, que deve agradar o universo infanto-juvenil.

    Nota: 7

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Pois é. É isso que dá sair da zona de conforto. Tentei emular o seu estilo de “drama familiar”, mas ainda preciso melhorar os diálogos. Agradeço as críticas!

  9. Thomás Bertozzi
    30 de março de 2016

    Excelente! Grandioso. O mundo fantástico é apresentado aos poucos, cada vez maior e mais intenso. O mesmo também ocorre com as personagens
    Ótimos diálogos.
    Parabéns!!

  10. Rubem Cabral
    30 de março de 2016

    Olá, Taj.

    Achei o conto bem simpático. É fantasia, sem dúvidas, mas tem um pezinho em FC, não? Tudo poderia se passar num planeta exótico colonizado por humanos há muitos séculos.

    Contudo, a trama do conto é um tanto revoluta, não parece caminhar numa direção só, em outras palavras, há sempre muita coisa surgindo “do nada”, pequenos deus-ex a toda hora… Quanto à escrita, o conto está bem escrito, com poucos erros. Apenas algumas frases me pareceram desconexas e soltas.

    Nota: 7.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço as críticas! Meu problema maior foi dar um motivo e fazer eles chegarem ao topo da montanha. Para isso, fez-se necessário criar várias sub-passagens. Se pulasse muito, iam dizer que foi corrido.

  11. Anorkinda Neide
    28 de março de 2016

    Olá!!
    Longo néeeeee
    Gostei demais do final, desde o aparecimento do Uádi.. achei lírico até. Meio surreal, imagens lindas, parabens.
    Mas até chegar aí, demorou tanto!!! rsrs
    Achei bem desnecessário o acontecimento com os caçadores e a morte de Manhoso, pois matavam pra pegar um fluido, sei lá e do manhoso nao pegaram nada, mataram por matar…. nao curti.
    Acho mesmo q se tivesse a pegada ‘bonita’ no conto todo, mesmo sendo ele mais curto, ficaria show demais!
    Boa sorte, abraço

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a leitura! Foi necessária essa passagem para evidenciar os sentimentos/conflitos da filha. Mas confesso que fiquei pensativo quanto à sua sugestão. Se bem que, no contexto, eles já tinha o suficiente.

  12. vitormcleite
    25 de março de 2016

    Para mim a fantasia não é obrigatoriamente a invenção de mundos e monstros, mas se gostas! Lamento que no teu conto não tenha encontrado momentos marcantes, limitas-te a descrever a viagem e o que acontece nessa descrição não ganha a força para o leitor se “sentar melhor”, ler e fazer pausas para olhar em redor a ver se encontra os animais alados à sua volta. Desculpa-me mas não gostei e porquê inventar palavras sendo necessário no final traduzi-las? muito complicado, mas desejo-te as maiores felicidades nessas viagens por mundos fantásticos.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço as críticas! As palavras não foram inventadas, são apenas palavras comuns na língua árabe.

  13. phillipklem
    25 de março de 2016

    Boa noite.
    Gostei bastante da criatividade do seu conto. Toda a história dos Uádis e da sabedoria passando de geração pra geração, foi bem legal.
    A sua escrita é simples, mas fácil de ler. Você pode trabalhar mais um pouco a questão dos diálogos. Por vezes eles pareceram bem forçados e um pouco novelescos, e também confusos. Por vezes ficou difícil distinguir quem estava falando.
    Enfim, há alguns pormenores, mas nada tão ruim que me impedisse de aproveitar a história.
    Meus parabéns pela criatividade e boa sorte no certame.

  14. Davenir Viganon
    24 de março de 2016

    Muito bonita a história, a amarração no final deu muita vida para a história. Os personagens são acima da média do que li até agora. A menina e o pai funcionaram bem. A escrita ficou fluida nos diálogos, e as descrições ficaram bacanas. Essa pegada árabe caiu muito bem, não deixou de ser fantasia e conseguiu fugir do lugar comum. Enfim eu gostei pra caramba!

  15. Pedro Teixeira
    23 de março de 2016

    Olá, autor(a)! Um conto muito bom, imaginativo e inteligente. Acho que faltou um pouco de emoção em alguns momentos da narrativa, e algumas poucas descrições de cenas não me pareceram muito claras, como aquela em que o filhote morre. Mas é uma das tramas mais bem amarradas e bem escritas que vi até aqui. O universo em que a estória se passa convence e os personagens estão muito bem construídos. Parabéns pela participação!

  16. Fabio Baptista
    22 de março de 2016

    Com exceção aos pontos antes de travessão e posterior letra minúscula nos diálogos, não vi nenhum problema gramatical, o que é muito positivo.

    Infelizmente a trama não me empolgou em nenhum momento. Achei os diálogos de pai e filha um pouco artificiais, no sentido de forçar um pouco a barra para demarcar o vínculo entre os dois. A empatia com o felino foi muito abrupta (tudo bem, talvez a menina até se apegasse rápido ao animal, mas sei lá…), assim como a abordagem no meio da montanha.

    O mistério que conduz toda a trama, que é a dúvida da menina e consequentemente do leitor: “o que afinal é um uádi?” é bacana, mas já meio batido na minha opinião (esse recurso de fazer uma aventura em busca de algo desconhecido com nome esquisito). E a revelação final, da baleia, não foi das mais criativas.

    Os últimos parágrafos são bons, mas o glossário achei desnecessário.

    NOTA: 7,5

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço as críticas! São palavras em árabe, então achei necessário colocar o glossário. Ou você entendeu de primeira o que era um ‘Asfar?

  17. catarinacunha2015
    22 de março de 2016

    O COMEÇO é um pouco entediante. A partir do meio a VIAGEM lisérgica é muito legal e vale o ingresso. A morte do gato alado ficou sem sentido e o glossário foi desnecessário. FLUXO competente fugindo do lugar comum de fantasia. Gostei do FINAL inesperado. 8,5

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a leitura! São palavras em árabe… então… Na verdade o final depende de quem lê. Alguns entenderam que ele apenas ficou frustrado, outros entenderam que ele se ‘transformou’ no Uádi.

  18. Tiago Volpato
    17 de março de 2016

    O texto é excelente, o autor mostra que tem domínio da narrativa, acho que você não tem muito ppra aprender, já devia estar por aí atrás de editora (se é que já não tem).

  19. Gustavo Aquino dos Reis
    17 de março de 2016

    Um conto muito bem escrito e com descrições muito bem executadas. O glossário, o mundo exótico e misterioso criado são perfeitamente executados.

    Gostei muito. Achei a história boa, mas não excelente. Não obstante, é um conto de peso.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  20. Pedro Arthur Crivello
    16 de março de 2016

    como criou uma língua, isso vem de grandes escritores como Tolkin, e toda sua estrutura de mundo fantástico foi muito particular, consegui dar uma característica só sua.
    Porém ainda senti um pouco mais de poesia em suas palavras, teve descrições bacanas, mas ainda assim foram superficiais, talvez por tanta coisa que aconteceu na história, as descrições e comparações por mais belas que sejam só falaram da situação descrita como acontecimento, acho que se falasse mais dos sentimentos do pai em relação a filha, ficarei bem melhor

  21. André Lima dos Santos
    16 de março de 2016

    Belíssimo conto. Metalinguagens belíssimas!
    A forma de narrativa é muito boa e forma um grande aura mística ao redor do leitor.

    Sobre a estrutura narrativa, tenho poucos pontos a destacar: achei o primeiro ato bem interessante. O incidente Incitante é poderoso. Sobre o segundo ato, particularmente achei fraco, em comparação com o primeiro. A subtrama do capitão e do homem ferido poderia ser menos corrida (Mas com 4 mil palavras, teria que abrir mão de outras coisas). Já o terceiro ato é o melhor. Um clímax encantador e uma resolução singela.

    Senti falta de uma descrição mais minuciosa das emoções dos personagens e por vezes alguma fala me pareceu estranha (Pela tentativa de alcançar a informalidade), mas nada que abale minha opinião sobre o melhor texto que li até agora (Estou lendo na ordem).

    Um legítimo conto de fantasia. Excelente conto!

    Boa sorte no desafio.

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Pois é, o maior problema foi achar um jeito de subir a montanha sem parecer muito apressado, o que resultou no cap. 2. Agradeço as críticas!

  22. Laís Helena
    15 de março de 2016

    Narrativa (1,5/2)
    Durante a maior parte do tempo, gostei muito da narrativa. Ela me envolveu nos detalhes, sem ser descritiva demais, e me prendeu à história. Apenas ficou um pouco confusa no trecho em que o sunur foi morto. As falas modernas de início contrastaram um pouco com a narrativa, mas logo entendi que seu mundo não tinha ambientação exatamente medieval (ou de qualquer outra época antiga).

    Enredo (2/2)
    A escolha de um enredo simples foi adequada para um conto de 4 mil palavras. Isso fez com que o enredo pudesse ser bem explorado, sem deixar a sensação de que faltou alguma coisa. Só não entendi como Siad pôde sair em uma caminhada logo no dia seguinte, depois de você ter mencionado que estava muito ferido.

    Personagens (2/2)
    Gostei dos personagens, também. Me convenceram como pessoas, dentro dos limites do conto. Acredito que a boa narrativa tenha influenciado nisso (os diálogos foram bem utilizados).

    Caracterização (2/2)
    Você criou um universo bem interessante e explorou uma tradição que também é interessante. Os elementos que foram apresentados, apesar de pouco detalhados, me passaram a sensação de coerência, de que foram bem trabalhados antes da escrita do conto. As palavras estrangeiras foram bem utilizadas, inseridas de modo a permitir que o leitor pudesse deduzir seu significado do contexto. Gostei da possível alusão ao contato com seres desse mundo com o nosso em um passado distante. Misturar um pouco de tecnologia e gírias modernas com uma tradição que parece ser milenar meio que deu um ar de novidade à história, quando muitas fantasias se utilizam de elementos antigos.

    Criatividade (2/2)
    Também não tenho nada a reclamar aqui. Um mundo com dois sóis, fauna diferenciada, uma tradição interessante, um pouco de inspiração em culturas árabes (se eu não estiver enganada). Enfim, no todo, gostei muito do conto.

    Total: 9,5

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço as críticas e sugestões! Sim, me baseei na cultura arábica (em partes). Quanto aos diálogos, tenho de revê-los, realmente. Seja bem-vinda de volta!

  23. Rodrigues
    14 de março de 2016

    As paisagens e as criaturas são uma viagem à parte, cada uma com cores mais vivas que a outra. Algumas partes estão um pouco enroladas, cansativas, mas – ao mesmo tempo – a inserção de elementos lúdicos e de grande imaginação faz a leitura desenrolar-se com prazer. A partir do final, onde aparecem os “vales”, o conto torna-se ainda melhor e a conclusão ficou muito bem formulada. Achei bom.

  24. Carlucci Sampayo
    13 de março de 2016

    Francamente inovador, com um hermetismo suave. O enredo tem peso enquanto fala de tradições e de lições a serem passadas para a personagem, uma jovem menina que utiliza sua sensibilidade em prol do pragmatismo do pai. Interessante, de toda forma, pois a narrativa prende a atenção e o leitor se torna um espectador do que vem pela frente, diante do mundo tão estranho narrado. Uma bela invenção, estranhamente diferente e ainda assim capaz de encantar, de maneira curiosa, devo dizer. O dicionário ao fim do conto ajuda a entender melhor os significados, mas permanece na mente após a leitura, a lição que era para ser passada e, a missão que objetivava dar a conhecer um determinado ser ou local. Destaque para o animal alado, infelizmente morto (!) e depois largado sem serventia? Se o extrato de sunur era necessário para salvar o filho do capitão, não restou clara a colhida do material. Penitencio-me se não entendi esta parte. O conto é muito vasto, deixa margem a muitas interpretações e possui beleza nas frases, no sentimento deixado ao leitor e no que deseja realmente compor em termos de fantasia. Um escrito interessante e diferenciado. Muito bom, muito. Nota 09

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Agradeço a generosidade e crítica bem embasada. Quanto ao animal, ressaltei ali em cima que foi para mostrar os sentimentos/conflitos da filha, mas foi um ponto meio escuso mesmo, apesar dos caçadores dizerem que já tinha o suficiente.

  25. Renan Bernardo
    10 de março de 2016

    Boa história com bons elementos. Gostei bastante de ter fugido dos clichês de fantasia. Como pontos negativos, posso citar os diálogos totalmente soltos e algumas quebras de ponto de vista. As narrações, no entanto, são boas.

    Nota: 7,5

  26. Antonio Stegues Batista
    9 de março de 2016

    Uma estória interessante, que convém analisar para ser entendida; o lugar onde se passa deve ser um planeta distante da Terra, pois tem 2 Sol, e é num futuro distante. Os habitantes seriam descendentes dos primeiros colonizadores terráqueos, que ainda guardam palavras de uma linguagem do passado como por exemplo, a expressão OK, BANHEIRO, GEL e tem um aparelho para tirar fotos e também mantém o conhecimento sobre medicina ao usar a VACINA. Acho que é mais um conto de Antecipação, ou Ficção Científica, do que Fantasia.

  27. José Leonardo
    9 de março de 2016

    Olá, Taj.

    Embora faça alguma alusão aos leitos geralmente secos do Oriente Médio, diferentemente de boa parte dos contos publicados “Uádi” segue mitologia própria. Isso conta bastante no tocante à criatividade e certa unidade (suporte da verossimilhança — explico: um mito que, no decorrer da leitura, não é contraditado no raciocínio do leitor).

    Criatividade. A meu ver, o ponto alto do texto, muito além do estilo e da confecção dos diálogos (ponto baixo).

    Tinha achado estranho o fato de o pai ESPECULAR sobre não ter podido tocar num uádi, uma vez que ele mesmo, obviamente, fora jovem um dia. Retornei ao começo. As lembranças aparentemente são apagadas, pois, não fosse isso, que utilidade teriam os uádis? Conhecimento seria passado de pai para filhos. A missão dos pais (que um dia foram agraciados aos doze anos com tanto conhecimento “não-repassável”) era acompanhar a peregrinação; alcançando o objetivo, recebiam o “prêmio” — transformavam-se nele.

    Posteriormente, caso for revisar, coloque QUÊ assim, com acento, ao final das frases interrogativas onde aparece (há casos semelhantes em outros contos também).

    Boa sorte.

  28. angst447
    7 de março de 2016

    Mais um conto que me deixou em dúvida quanto à adequação ao tema proposto. Por vezes, achei que o tom era de ficção científica. No entanto,a história da interação entre pai e filha revelou toques de um conto de fadas, por isso vou considerar como fantasia.
    Não encontrei lapsos de revisão.
    Perdi-me um pouco entre as descrições. Deveria ter consultado o glossário primeiro para me orientar melhor.
    A leitura foi agradável, sem sobressaltos ou grandes surpresas.
    Boa sorte!

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Obrigado Cláudia pela leitura. Pelo menos não foi morno ou raso né? Tentei fazer uma história mais simples mesmo, focado mais na família.

      • angst447
        4 de abril de 2016

        Nada raso ou morno. 😉

  29. Wender Lemes
    6 de março de 2016

    Olá, Taj. Oitavo conto avaliado, o seu é um dos que mais apreciei até agora. Lembrou-me um pouco “Duna” do Frank Herbert, acho que pela aridez do solo em que Safira cultivava suas flores, pelo tom futurista e pela preocupação ao retratar o ambiente.

    Observações: primeiramente, parabéns pela criatividade. O cenário criado ficou muito original e encaixa perfeitamente com o tema “Fantasia”. Além disso, soube aprofundar os personagens (principalmente a Jade), tornou palpáveis os sentimentos de cada um.

    Destaques: sou suspeito, pois sempre tendo a gostar muito dos mascotes, acho que pela sinceridade inerente e a lealdade que geralmente possuem, com o Manhoso não foi diferente. A Jade foi outra surpresa boa. A simpatia da relação entre pai, filha e mascote ganham o leitor e a maneira como apresenta o seu mundo, os detalhes precisos, fazem com que ele se identifique ainda mais com a história.

    Sugestões de melhoria: não consegui notar correções a serem feitas no que produziu até agora, sua revisão foi detalhista. O mundo que criou é muito rico, você poderia, inclusive, continuar esse conto após o certame, explorar a história esquecida que os professores evitam etc. Tem conteúdo para virar um romance facilmente.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Brian Oliveira Lancaster
      4 de abril de 2016

      Já me disseram para continuar alguns contos por aqui. Tenho certo receio em fazer isso, penso que posso “estragar” a “magia”. Agradeço as críticas e sugestões!

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 1 e marcado .