EntreContos

Literatura que desafia.

A Montanha Tlön (Ramon Jardim)

Sobreviver no manicômio de Freimach beirava o impossível, mesmo sendo imaginário. Fruto dos delírios do Generalíssimo, a instituição contava com aparatos de tortura só antes concebíveis na literatura. Tais máquinas foram desenvolvidas para causar dor lentamente sem nunca terminar em óbitos. Sofrimentos de 22, 23 horas de duração. Agulhas que penetram as carnes e tatuam supostos crimes. Parar numa solitária por meses, na escuridão das ratazanas, era para quem tinha sorte. Quando os asseclas do Estado não estavam se deleitando com a nossa dor, nos permitiam um banho de sol. Os vinte minutos mais felizes de cada semana; da ala A, víamos a ala B através das grades, onde ficavam as mulheres e então eu sorria para Helena.

Uma longa troca de olhares brilhantes, um ano antes. Nos conhecemos assim, sem qualquer palavra ou gesto ou mesmo piscar, em uma atração mútua que varreu-nos prematuramente, solidificando um amor na fluidez deste mundo. Nos aproximamos sem pressa. Apenas sorríamos e nos olhávamos, examinando cada parte de nossas faces e cabelos, com a certeza de que uma busca muito longa havia terminado.

O terror crescia quando Golgoth estava em Freimach. Seus trajes negros deixavam de fora apenas os olhos sem alma. Seu orgasmo era a dor alheia. Andava pelos corredores das celas em passos lentos e pesarosos. O tilintar do aço de seus métodos arranhando o chão era apenas o começo. Inspecionava as alas como quem faz escolhas em um açougue. Um de nós era selecionado quando ele parava na frente de alguma cela e emitia um grunhido abafado, mistura de escárnio, desprezo e prazer. Das cicatrizes em Helena chocavam-me as que fez em suas canelas. Os ferimentos fizeram com que os pontos desenhassem dois rostos felizes. Nos curavam para deixar suas marcas e poderem nos machucar novamente. Trabalhávamos a mente para desafiar o sonho ruim. Cada vez sentíamos menos dor.

Tive confiança, após meses de relacionamento com Helena, e decidi contá-la uma história de família. Eu tinha vergonha de falar dessa experiência, mas suas maçãs do rosto se contraíram em um sorriso de consideração e eu falei da montanha Tlön.

Após a morte da minha mãe, meu pai me contou a história de como se conheceram: “Eu gostava de me refugiar em Tlön, junto às borboletas amarelas que te acompanham até o cume. Deitava-me embaixo da única macieira e observava o céu, os pássaros, os feixes de luz que atravessavam as folhas, até que adormecia. Um dia abri os olhos e vi uma menina de longas madeixas ruivas que me observava, com sardas a salpicar-lhe a face e flores adornando suas vestimentas. Sorrimos e nos beijamos sem emitir palavras”.

O primeiro beijo do meu pai foi único; todos foram para a mulher que amou. Não resistiu muito tempo ao amargor do fim. Em seu leito, me explicou onde ficava a montanha. Fechei seus olhos. Dias depois procurei em mapas e enciclopédias e nada constava sobre Tlön. Decidi partir usando como referência as explicações que me dera. Decepcionei-me ao nada encontrar. Assumi ser um possível delírio de um homem à beira da morte. Helena, no entanto, compreendeu. Ela vivera algo semelhante.

Todos os internos de Freimach entendiam minha história. Nós, os primeiros presos, tínhamos os mesmos relatos. Não sabemos explicar quando se iniciou. Concluímos que os lugares passaram a desaparecer com a morte das pessoas. Tais locais imaginados existiam em comunhão com todos por todos serem apenas um. No ocaso de cada vida, eram substituídos por desertos.

Fomos enclausurados pelos protestos contra a guerra. Mortes antecipariam o fim. O Generalíssimo aumentava as tensões com nossos vizinhos. Então invadiu Mareth. A segunda leva de prisioneiros em Freimach era formada por alguns desertores desta guerra. Recebiam as mesmas torturas que nós por terem abertos os olhos. “Mareth não resistiu ao nosso poderio militar.” – confidenciou um ex-sargento – “Muitos de nós ficaram chocados ao perceber que cada bala que trespassava um inimigo causava um esmaecimento na paisagem, que se tornava turva, alternando sua opacidade até desvanecer. Outros soldados não perceberam, eclipsados pelo calor da guerra. Ninguém de Mareth sobreviveu e nós herdamos um vasto deserto.”

Eu e Helena havíamos decidido nos mobilizar. Começamos a divulgar nossas histórias e logo apareceram algumas almas. Diziam perceber a mesma realidade. Começamos a fazer reuniões e fomos à praça central fazer protestos. Nosso movimento era pequeno. Poucos iam aderindo. A maioria das pessoas não percebia o deserto ao seu redor. O desejo de que nada mudasse em suas vidas medíocres era o impeditivo. Achavam-nos lunáticos, baderneiros e terroristas. Às vezes eu me frustrava, quase sem forças: “Como a maioria das pessoas não consegue ver a aridez tomando conta da cidade?” Helena me revigorava: “São poucos os que sabem sonhar, meu amor”.

O Generalíssimo, em sua lógica autoritária, não tardou a sufocar o movimento que se iniciara. Com apoio de grande parte da população, os lunáticos acabaram em Freimach. A instituição ficava isolada do centro, mas em um ponto elevado que nos dava visibilidade. Após a destruição de Mareth, houve uma coalizão de países para evitar mais avanços destrutivos da nossa infeliz nação. Ouvíamos os canhões estrangeiros se aproximando da capital. Mais desertores das fronteiras vieram parar em Freimach. Passei a compartilhar minha clausura com um novo preso, Julio.

“Não há mais desertos.”

“Como não?” – indaguei.

“Os desertos também começaram a desaparecer. Eu não sei o porquê. Talvez a morte dos que não sonham esteja levando os desertos, que eram fruto de seus desejos imaginários.”

“O que substituiu os desertos?”

Julio hesitou por longo tempo, passou a mão da testa ao queixo de forma bem lenta.

“No lugar dos desertos agora existe o nada. Apenas o nada absoluto. Eu não saberia descrevê-lo em palavras. Seu horror vem do vácuo, da ausência, da frieza, da indiferença… O nada é a cegueira máxima.”

Julio deitou-se no catre olhando a parede. Abraçou seus joelhos em posição fetal e disse antes de se calar por dias: “Ouvi falar que nem os desertos surgem mais”.

No banho de sol, olhei para Helena. Todas as marcas e deformações de seu corpo não pareciam abalar a força daquela mulher. Ela sorriu. “Amor, a guerra vai acabar e seremos livres”. Omiti o relato de Julio. “Sim, Helena, em breve estaremos juntos até o fim…”

A guerra avançou deixando o Generalíssimo acuado. Todos os torturadores de Freimach foram deslocados para o campo de batalha, nos deixando confinados na solidão. Foram dias de bombardeios que acompanhei pela minúscula janela da cela. Não havia mais comida; só bebíamos água da pia e pensávamos em como romper as grades e muros. Um dia acordei e Julio não estava lá. Golgoth me olhava da porta.

“Você voltou, seu porco? Onde está Julio?”

Golgoth falou pela primeira vez: “Você não tem remédio mesmo. Vista-se. Seu pai está aqui.”

Aquele verme nojento… Sua existência só fazia sentindo através da tortura física e psicológica. Ignorei-o ao ouvir as bombas caírem com mais força.

“Veja, Golgoth!” – apontei para a janela – “O que achas do fim?”. Golgoth fingiu-se humano: “É um lindo dia. O sol está deixando o mar mais bonito.”

Olhei a tempo de ver as bombas explodindo o prédio presidencial. Subitamente as grades da janela começaram a desaparecer. “O Generalíssimo morreu! Freimach não existirá mais!” Virei-me e Golgoth não estava lá. Também ele era fruto dos sonhos do tirano. O chão começou a tremer estranhamente. Era possível atravessar as paredes, grades, muros, pois nada mais era sólido e tudo se dissolvia em uma névoa gélida. Corri sentindo que o chão também estava se tornando instável. Cheguei na Ala B e vi Helena sorrindo. Suas cicatrizes haviam desaparecido. “Eu te amo, meu amor”. Nos beijamos pouco antes de tudo se tornar o nada e sentimos nossos corpos unidos se deslocando no ar, em queda infinita no limbo.

Anúncios

59 comentários em “A Montanha Tlön (Ramon Jardim)

  1. ram9000
    5 de abril de 2016

    Obrigado, Claudia. Valeu pela dica de português. O romance não teve como fugir de um final apocalíptico em virtude (?) das circunstâncias. Bingo! Sim, o nome do manicômio foi um jogo de palavras com “Arbeit macht frei”.

  2. ram9000
    4 de abril de 2016

    Muito obrigado, Claudia. Gostei da correção que você apontou. Sim, eu acho que as circunstâncias só permitiram o conto ter um final romântico-apocalíptico. E bingo! Sim, eu pensei em “Arbeit macht frei”. Aliás, os nazistas eram terrivelmente sádicos. Cada vez que vejo documentários ou leio sobre o Holocausto, sempre aparecem mais detalhes bizarros da capacidade humana para a crueldade.

  3. Evandro Furtado
    2 de abril de 2016

    Um dos principais problemas aqui foi a falta do desenvolvimento de trama e dos personagens. A analogia entre a existência e o sonhos das pessoas é fantástica – isso é Platão, não? – e poderia ser ainda melhor trabalhada se esse foco fosse aprofundado.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado pelo feedback. A ideia me veio do primeiro conto do livro “Ficções” do Borges. Havia uma frase que falava sobre o desaparecimento de uma montanha com a morte de uma pessoa. Pensei que aquilo poderia virar um conto completo. Apesar de eu ter optado por uma narrativa rápida, gostei do conselho quanto ao desenvolvimento de personagens e trama.

  4. Pedro Luna
    2 de abril de 2016

    Um dos textos mais interessantes até agora. A pergunta que não quer calar: tudo é um sonho do generalíssimo?

    Bom, aqui ficam mais perguntas que respostas. O que mais gostei no conto foi o ritmo. É um conto bem veloz, e ainda que dedique alguns parágrafos para resgatar a história que se passou ali, estranhamente ele não perde o ritmo. Ponto para o escritor (a) que não deixou a peteca cair. Confesso que ao iniciar a história da montanha, me preparava para algo chato, mas foi bem legal, principalmente pela alusão a sonhos, delírios. O lance do deserto e do vazio quando a pessoa morria. Bom, tudo da hora.

    Eu preciso dizer que estou confuso com o texto, pelas dúvidas que ficam. Mas sem dúvida foi uma boa leitura.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Pedro. Pois é, eu venho tentando aprimorar uma escrita com ritmo acelerado. Sobre as perguntas, eu acho muito legal deixar para o leitor a interpretação; dos contos que já li, sempre gosto mais dos que me deixam na dúvida.

  5. Piscies
    1 de abril de 2016

    Estava demorando para aparecer o conto poético/subjetivo do certame. Sempre há um! rs rs rs

    O autor aqui trata a metáfora como fantasia. É uma forma diferente de abordar o tema, e não sei se todos gostarão… mas ultimamente tenho andado com a mente bastante aberta para devaneios para “fora da caixa” como este. Afinal, se nunca nos aventurarmos nas bordas, nunca expandiremos o nosso horizonte!

    Existem muitas formas de entender este texto. Uma luta contra uma ditadura, que limita o pensamento do seu povo e tortura os que são contra seu líder, tal qual o passado do nosso país? Talvez. A luta contra o domínio religioso, que cega as pessoas e limita a sua forma de pensar, transformando “Lindas paisagens” em “desertos”? Talvez. Ou mesmo, a luta contra a cultura da homogeneidade, onde todos deveriam, de certa forma, alcançar o sonho capitalista, ao invés de tentar serem originais…

    Há espaço pra pensar muito aqui, e isto é bom. A escrita é primorosa, muito bem executada. Não vi falhas. Ainda tenho que absorver muito do texto mas… como hoje é o último dia, acho que não terei tempo de fazer isso antes de comentar.

    Parabéns!!!

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Piscies. Gostei muito da sua análise. Eu tentei realmente mesclar alguns mundos e deixar portas abertas.

  6. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    O início, muito curioso, lembrou-me inevitavelmente a “Colônia Penal” Kafkiana: “-É um aparelho singular, disse o oficial ao explorador.” A ficcção científica aqui é insólita, como nos contos de Harlan Ellison, algo assim estilo matrix. A mescla de gêneros ficou muito boa, gostei muito, parabéns.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Wilson. Sim, “Na colônia penal” é um dos melhores contos que já li e achei que cabia uma pequena referência no texto. Não conheço Harlan Ellison; com certeza vou procurar ler.

  7. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Maurice, seu conto é até interessante, a ideia me parece um tanto original, mas sua maneira de contar a história deixa a desejar. Você desenvolveu um universo onde suas personagens modificam a realidade simplesmente por pensarem nelas. Isso exige descrições precisas e surpreendentes, levando-se em consideração que a criatividade humana é algo quase que ilimitado. Eu gostaria de ter sentido claustrofobia, receio, medo de continuar a leitura, ao sentir a proximidade do avanço dos desertos e, logo depois, do nada. Mas a desolação nos é apresentada sem paixão, você não pôs na boca e nas ações de suas personagens o terror que elas deveriam estar passando. O final é lindo, aquilo de corpos abraçados e flutuando no vazio é algo de louco, adorei. Reescreva sua história, é um bom mote. Também não deixe de atentar para problemas com a utilização de tempos verbais apropriados. Em alguns momentos, você fez confusão. Boa sorte.

    NOTA: 7,0

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Emerson. Gostei da sua análise. Eu busquei realmente fazer um texto veloz. Mas acho que sua opinião foi bem construtiva: é possível sim aprofundar mais a descrição mesmo com ritmo acelerado.

  8. Simoni Dário
    1 de abril de 2016

    Olá Maurice.
    Apesar de bem escrito, não curti o conto. O enredo até desperta a curiosidade, mas lembrei-me de 1984 durante a leitura. Não sei se o tema Fantasia se encaixa no seu conto e não vou entrar no mérito por não saber ao certo o que se enquadraria no tema. Está bem narrado, mas não entendi se era tudo fruto de uma mente se degenerando, ou Efeito Borboleta (você está onde se coloca). Dou os parabéns pelo desenvolvimento, apesar de não ter me conquistado, reconheço o talento narrativo.
    Bom desafio!

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Simoni. Pois é, eu também quis escrever me deixando em dúvida do que era ou não. abs!

  9. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): que loucura! O texto me deixou a dúvida se o que acontecia no mundo era realidade ou alucinação dos protagonistas. Somente a segunda fez sentido pra mim, pois as coisas sumirem e virarem nada está além da minha compreensão. Imaginar que tudo aquilo era uma metafóra para uma mente em decomposição que perde todas as memórias me deixou mais confortável. Ainda assim, não é exatamente o tipo de trama que me agrada.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, sem erros aparentes e bem cadenciada. As imagens, mesmo as mais loucas, foram bem passada e construídas.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): só uma mente muito criativa para imaginar toda essa loucura.

    🎯 Tema (⭐▫): esse quesito é difícil de avaliar, pois ou o texto é tão fantástico que beira a pscodelia ou não é fantasia, pois trata-se de invenções de uma mente louca. Decidi, então, deixar no meio termo.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto me fez pensar bastante, e isso é uma forma boa de impacto. Estou, até agora enquanto escrevo isso, na dúvida sobre minhas impressões sobre o texto. Não posso, porém, dizer que terminei o texto com aquela sensação boa que costumo ficar quando leio algo que me agrada bastante. Enfim, estou dividido aqui também 🙂

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Leonardo. Gostei da sua forma de analisar. Com certeza vai me ajudar nos próximos. Abs

  10. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Gostei muito deste conto. A concepção é das mais criativas, lembrando a premissa de “Inception”, em que os sonhos compõem a realidade como um todo, interconectando as pessoas. Os dilemas, os questionamentos, o sofrimento, tudo soa muito autêntico, verossímil, fazendo com que o leitor sinta a angústia dos personagens e torça para que tudo termine bem, mesmo sabendo que isso é impossível.

    O único defeito é que o autor optou por permanecer no seu quadrado de conforto, preferindo, a certa altura, promover um salto narrativo quando “a guerra avança, deixando o Generalíssimo acuado”. Isso de certa forma me frustrou porque o conto vinha num ritmo excelente e, sem mais nem menos, caiu na armadilha de generalizar os acontecimentos. O autor tinha a obrigação (hahaha) de estender o texto, até mesmo porque talento não lhe falta.

    De todo modo, para mim, é um conto muito bom. Não tivesse sido abreviado, teria sido o melhor do certame.

    Nota: 8,5

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Gustavo. Com certeza sua opinião é bem válida. Eu quis dar um ritmo bem acelerado para a história. Porém também seria possível destrinchar mais alguns pontos da narrativa.

  11. Anorkinda Neide
    26 de março de 2016

    Hummm… interessante.
    Parte da ideia de que a realidade é uma ilusão projetada por nossas mentes, no caso, por nossos sonhos.
    Talvez por ser uma ideia tão real… montar uma ficção com isso tenha ficado difícil.
    No geral, o conto não me apegou aos personagens… a princípio achei q o casal havia se conhecido no hospício, se olhando de longe… rsrs
    dae estranhei o restante, mas depois peguei o espírito da coisa.
    De qualquer forma, acho que faltou uma maior lapidação no texto.
    Boa sorte, escritor (a)
    Abraço

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Anorkinda. Gostei de ver nos feedbacks que recebi este conselho de aprimorar mais a descrição das personagens. Vou pensar mais nisso nos próximos projetos.

  12. vitormcleite
    25 de março de 2016

    Adorei a tua história, excelente, penso que terá sido a que mais mexeu comigo. Li e re-li, muitos parabéns. Não só por não ter monstros e criaturas estranhas, mas pelo que está escrito nas entrelinhas. Muita fantasia e tanta realidade e um final fantástico! Muitos, muitos parabéns

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Vitor. Fico feliz que a história tenha te agradado e principalmente o final, no qual tentei narrar algo romântico e apocalíptico.

  13. Pedro Teixeira
    25 de março de 2016

    Olá, autor! Pode-se ver uma boa escrita aqui, mas há também muitos problemas. A trama me pareceu mais surrealista do que de fantasia, e os personagens e universo apresentados, rasos. A ideia é excelente e o conto tem seus momentos, mas faltou desenvolvimento. Parabéns pela participação!

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Pedro. Estou levando bastante em consideração as análises que pedem maior desenvolvimento de tramas e personagens.

  14. Thomás Bertozzi
    23 de março de 2016

    Bom e denso. O conto passa um clima pesado e cinzento (foi a impressão que me causou). O texto é bem temperado pela loucura e a dúvida entre o que é ou não “real” deixa tudo dramaticamente instável.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Thomás. Eu sou muito fã de contos com clima pesado e cinzento, causando incômodo, gerando dúvidas e foi o que tentei nesta história.

  15. Rubem Cabral
    22 de março de 2016

    Olá, Maurice.

    Muito bom o conceito por trás do conto: “a realidade é aquilo que percebemos”. Achei o texto muito criativo e os personagens interessantes.

    Penso que o conto poderia ser um pouco mais esticado, para nos permitir maior identificação com o narrador, Helena e os demais.

    Nota: 8,0.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Rubem. Achei bem legal este tipo de feedback me alertando para a necessidade de fazer a trama e as personagens causarem mais empatia.

  16. Brian Oliveira Lancaster
    21 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Conceito interessante, bem explorado. Parece uma fantasia psicológica (se é que isso existe). O tema está delineado de forma bastante sutil. Fui percebê-lo apenas no final, apesar da “criatura” dar o tom desde o início. – 8,5
    G: O suspense e o cenário escolhido, pequeno, confinado e apertado, combinaram bem com o contexto apresentado. Entendi que era uma espécie de ala psiquiátrica nos confins da terra, com um ceifador de guarda. A parte da fábula, dentro da fábula, achei um tanto deslocada – não vi muito propósito. – 8,5
    R: Bem cadenciado, com foco nos personagens. A única coisa, a meu ver, é que a história da montanha poderia ter sido mais bem explorada. – 8,5
    O: Escrita competente, simples e fácil. – 8,5
    [8,5]

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Brian. Eu optei por uma narrativa com ritmo acelerado, que é um estilo que me agrada. Mas gostei desse feedback sobre a necessidade de explorar mais algumas partes da trama.

  17. Catarina Cunha
    21 de março de 2016

    O COMEÇO tirou a única surpresa do conto, a VIAGEM imaginária do Generalíssimo. Não teria lido além do 2º parágrafo se não fosse obrigatório. O FLUXO competente ajudou na leitura e, se tivesse abandonado, perderia o excelente FINAL. 7,5

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Catarina. Pois é. Eu gosto de textos que abrem com uma frase que tente já causar dúvida. A sua análise passar por uma das possíveis interpretações. Obrigado pelo comentário sobre o final.

  18. Fabio Baptista
    21 de março de 2016

    Acabei lendo dois contos com pegada meio similar (no sentido de puxar mais para o lado do insólito) em sequência. Aqui, como lá (conto “Sem mistério”), o texto está escrito com perfeição e a maior parte da nota será em virtude disso.

    Por gosto pessoal (que é impossível desvincular das análises e, na verdade, nem vejo motivo para desvincular tanto assim), não me apego muito a essas histórias onde as coisas acontecem e deixam de acontecer de modo meio aleatório – fica a impressão de um Deus Ex constante e, a menos que a ideia seja realmente espetacular, dificilmente me agrada por completo.

    Aqui a ideia é muito boa, a metáfora é muito boa, apesar de jogar pedras em alvos “fáceis” – regimes totalitários, ditaduras, etc. Mas, pelo tal do gosto pessoal, acabei não me deixando levar.

    NOTA: 8

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Fabio. Vou me atentar mais para a impressão que você teve em meus próximos projetos.

  19. phillipklem
    19 de março de 2016

    Boa tarde.
    É o primeiro conto que estou lendo, entre os finalistas, e não me decepcionou em nada.
    Sua escrita é clara e limpa, sem muitas delongas e enfeites, o que ajuda bastante no ritmo da história.
    Você soube construir um mundo e soube como fazê-lo desaparecer. Brilhante a ideia de que tudo era formado pelos sonhos. Simplesmente brilhante.
    Seu personagem foi cativante no nível certo, nem a mais nem a menos. E a história de amor também foi uma jogada de mestre. Não melosa demais, mas ao mesmo tempo, adicionou um pouco de sentimento à uma história melancólica.
    Aliás, a melancolia foi um ponto forte no seu conto. Você deixou uma certa tristeza no ar durante todo o tempo, sem tornar o conto piegas. Meus parabéns.
    As únicas partes que não me agradaram foram os diálogos, que me pareceram um tanto forçados e novelescos, mas foram poucos, então não prejudicaram a história como um todo.
    Concluindo, foi um ótimo conto. Meus parabéns e boa sorte.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Phillip. Acho que você compreendeu bem o conto e o estilo que que gosto de ler e tento escrever. Eu não sei se conseguiria (ou se gostaria de) escrever algo muito romântico. Mas achei que este elemento poderia quebrar um pouco o lado muito sombrio da história, dando alguma esperança ao leitor.

  20. Pedro Arthur Crivello
    17 de março de 2016

    Esse conto foi um belo texto, uma narrativa construída colocando o fantástico aos poucos. O significado dos lugares desaparecendo foi um belo exemplo de signo do esquecimento humano, e de como a memória e a vida das pessoas podem ser devastadas pela guerra.
    A única coisa que fiquei querendo mais era uma descrição das características físicas dos personagens. O narrador era um homem negro ,branco , alto ,baixo…e helena era uma mulher gordinha, magra, como era o tom de seus cabelos que atraíram tanto o personagem principal.
    Não entendi muito bem o motivo deles estarem isolados, nõ sei se eu que não entendo mesmo ou está subentendido no texto, porem é um bom texto

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Pedro. Vi muitos comentários que me pediram um maior detalhamento das personagens. Com certeza vou levar em isto consideração nas próximas ideias.

  21. Tiago Volpato
    17 de março de 2016

    Linguagem excelente, me manteve interessado o tempo todo, mesmo sendo um romance…
    Você criou um mundo muito interessante, fruto da imaginação do vilão, curti muito essa ideia, mas achei que ela foi pouco explorada. Se você tivesse trabalhado mais esse universo e menos o romance, esse seria o meu conto favorito do grupo.
    É uma história boa, mas na minha opinião ela perdeu um pouco da originalidade e caiu no banal.
    Abraços.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Tiago. Eu comentei acima que coloquei o romance para dar uma quebrada no lado sombrio da história, dando uma esperança ao leitor. Mas gostei dos feedbacks que me alertaram para um maior desenvolvimento da trama e seus detalhes.

  22. Laís Helena
    15 de março de 2016

    Narrativa (1/2)

    Não gostei de sua narrativa. Senti que você tentou condensar uma história muito grande em 4 mil palavras, e acabou contando toda a história, em vez de mostrar os trechos mais importantes. Por isso, acabou não me prendendo. No entanto, nenhum erro de revisão me saltou aos olhos.

    Enredo (1/2)

    Gostei da ideia, mas, talvez devido à narrativa apressada, acabou perdendo sua força. Algumas coisas, como a guerra, são mencionadas apenas rapidamente, sem nenhum detalhamento, e os acontecimentos contados parecem ter sido jogados aleatoriamente, sem formar um encadeamento lógico (mesmo que não linear).

    Personagens (0,5/2)

    Sei que é um conto e não há muito espaço para aprofundar os personagens, mas não vi desenvolvimento nenhum. Afora o protagonista, eles apenas tiveram seus nomes citados, e mesmo no caso dele, faltou aprofundamento (o fato de a história se passar em um manicômio ofereceria uma boa oportunidade para explorar seu psicológico).

    Caracterização (0,5/2)

    Também achei a caracterização do ambiente e da situação um tanto fraca, especialmente por você ter mencionado vários lugares que estavam desaparecendo. Não esperava que cada um fosse descrito em detalhes, mas algumas poucas informações (o suficiente para orientar o leitor) fariam bem. Quando terminei o texto, várias perguntas ficaram sem resposta (como o motivo por a guerra estar acontecendo, por exemplo, ou o porquê de prenderem essas pessoas em um manicômio).

    Criatividade (1/2)

    Como já mencionei, gostei muito da sua ideia de misturar uma guerra, localidades que desaparecem e um manicômio em uma história de fantasia. Pena que não gostei do desenvolvimento.

    Total: 4

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Laís. Acho que sua análise tem pontos interessantes que levarei em consideração em próximos contos.

  23. Davenir Viganon
    15 de março de 2016

    Eu gostei pra caramba do teu conto. Ainda que não possa chamá-lo de Fantasia, me parece Ficção Científica com surrealismo no melhor estilo 1984, pois não usa um outro mundo construído para dialogar com o nosso, mas usa uma visão do nosso mundo para travar esse diálogo. Um diálogo sobre a liberdade, com uma escrita intensa o suficiente. Os personagens estão apenas, OK. Me agradaria mais se o autor investisse no elemento claustrofóbico, mas esse último ponto foi estritamente pessoal.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Davenir. Eu venho percebendo nestes feedbacks que um maior detalhamento das personagens pode ser interessante. E gostei do “elemento claustrofóbico” – entendi bem o que você quis dizer.

  24. André Lima dos Santos
    15 de março de 2016

    O texto não me cativou. Não percebi erros de português, nem nenhum erro de revisão e tenho que parabenizar o autor pelas boas construções frasais, mas o que mais me frustrou nesse conto, que possui uma ótima idéia, foi o ritmo lento e o estilo narrativo quase entediante. A forma como o personagem narra não me passou emoção alguma.

    A carga emocional do conto poderia ser muito mais explorada, mesmo em um limite de 4 mil palavras. Não senti emoções quando foram apresentadas as complicações progressivas, tampouco na crise. A resolução é boa, mas falta carga dramática.

    Enfim, eu gostei da idéia, mas não curti muito a execução. É apenas uma opinião pessoal, talvez outros avaliadores discordem de mim. Boa sorte no desafio!

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, André. Vou pensar mais na carga emotiva quando escrever novas ideias.

  25. Gustavo Aquino Dos Reis
    11 de março de 2016

    Fantasia cadenciada com, assim creio, lampejos metafísicos. Gostei do conto! É um trabalho de tiro curto, porém ganhou pontos pela originalidade.

    Não entendi muito bem o enredo. Mas, na minha cabeça, não consigo deixar de pensar na teoria do solipsismo.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Gustavo. E sim: passa por solipsismo.

  26. Antonio Stegues Batista
    8 de março de 2016

    Uma estoria bonita, de um casal que tenta sobreviver à guerra. Mas, parece que tudo é inútil, é ilusão. Creio que nada é o que parece ser. No fim, não entendi muito bem o que é fantasia, o que é realidade nessa estória onde, quando as pessoas morrem, a natureza desaparece e por fim e ao final, nada resta.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Antonio. Você captou bem a ideia da história.

  27. Renan Bernardo
    7 de março de 2016

    Muito legal o conto! Notei influências de 1984. Gostei da forma como os personagens foram desenvolvidos mesmo em tão poucas palavras (Golgoth, por exemplo, é muito legal!). Parabéns ao autor.

    Nota: 9

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Renan. Vi muitos comentários que me pediram um maior desenvolvimento das personagens. Eu levarei em consideração isso porque realmente é um bom alerta e aprendizado. Mas eu tentei uma escrita de ritmo veloz, deixando mais a cargo do leitor desenhar as personagens. Acho que você captou dessa forma. E espero que nós nunca tenhamos que conhecer Golgoth pessoalmente.

  28. José Leonardo
    7 de março de 2016

    Olá, Maurice Borgia.

    Para além das claras referências a Borges (Tlön que se encontra somente em enciclopédias) e Kafka (a tortura de “Colônia Penal”), o texto pode conduzir o leitor a concluir que tudo é ilusão, desde a felicidade (que “materializa” a montanha relatada pelo pai do narrador) até a opressão (“materializando” Freimach e seus instrumentos humanos de opressão). Quando o Generalíssimo morre, em vez de advir liberdade, toda a paisagem parece se dissolver como fumaça no ar, levando lutas e anseios junto. Por outro lado, a própria destruição (orquestrada por forças inimigas ao Generalíssimo) pode ser encarada como libertação, o que negaria o “tudo é ilusão”. Independentemente da intenção do autor, eu o parabenizo — o enredo foi sabiamente conduzido, sob esse prisma.

    Tem-se mais um conto que não seguiu a proposta de Fantasia quanto a gênero ficcional, mas pretendeu demonstrar o insólito que, aqui, não deixa de ser fantástico. Talvez alguns comentaristas descontem pontos quanto à adequação ao tema. Falando por mim, acredito que o enredo conseguiu se sobrepor a isso.

    Boa sorte.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Muito obrigado, José. Gostei muito da sua análise. Fico feliz que minha tentativa, mesmo num conto de ritmo veloz, tenha conseguido te transmitir estas percepções. E obrigado pela sua opinião quanto ao tema.

  29. Rodrigues
    6 de março de 2016

    Gostei somente da ideia dos locais que desaparecem conforme a morte das pessoas. Porém, achei o desenrolar da história muito rápido, não há tempo e nem muitas descrições para vermos os personagens e ambientes. As explicações sobre a trama estão acumuladas, o que gera um cansaço na leitura.

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Rodrigues. Eu optei mesmo por um conto em ritmo veloz, mas tenho considerado os comentários que me alertam para a necessidade de descrições mais aprofundadas.

  30. Wender Lemes
    6 de março de 2016

    Olá, Maurice. Muito bom o seu conto, é o quinto que avalio.

    Observações: não consegui achar nem um erro ortográfico ou semântico no seu conto, a trama foi muito bem amarrada e as imagens são construídas com muita propriedade. A narração em primeira pessoa coopera para a identificação com os personagens.

    Destaques: você escreveu um conto que eu queria ter escrito, certamente melhor do que eu poderia fazê-lo. A ideia de um mundo moldado pelas ideias dos seus habitantes (sendo isto levado ao extremo, como você fez) é sensacional. Alguns dizem que uma das capacidades que mais nos distancia da maioria das espécies é a de moldar conscientemente o ambiente para nosso favorecimento. Vendo por este lado, seu conto é a visão da imaginação humana antes de ter que submeter-se aos limites da física.

    Sugestões de melhoria: você fez tudo isso com praticamente um quarto do limite sugerido de palavras. Imagino o que poderia fazer desenvolvendo mais a ideia (apenas uma observação).

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • ram9000
      4 de abril de 2016

      Obrigado, Wender. Acho que você analisou bem o conto; fico feliz de ter conseguido transmitir dessa forma. E gostei da sua sugestão, que recebi também em outros comentários, sobre a possibilidade de desenvolver mais. Eu optei por um ritmo veloz, que me agrada, mas acho que cabe também neste formato um maior aprofundamento.

  31. Claudia Roberta Angst
    6 de março de 2016

    Ah, um conto romântico com um final feliz, mesmo que o casal tenha virado nada, foi um nada tão fofo! Mesmo com o fundo de pano sendo de torturas, o amor prevalece.

    O tema Fantasia foi abordado, a meu ver.

    Não encontrei grandes falhas de revisão:
    (…) e decidi contá-la uma história de família.> o pronome oblíquo la substituiria o objeto direto (uma história de família). No caso, e decidi lhe contar (ou contar-lhe) uma história/ contar a ela

    Freimach – seria uma referência a “Arbeiten macht frei” dos campos de concentração? Ou ironicamente, como um libertador?
    Quando nem mesmo os desertos existem, a coisa fica feia,né?

    Gostei disso – “O nada é a cegueira máxima.”

    Boa sorte!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 1 e marcado .