EntreContos

Literatura que desafia.

Sem mistério (Rodrigues)

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O sobrado tinha cômodos grandes e empoeirados. A garota sentiu a diferença entre a nova morada e o antigo apartamento. Ela averiguava – a cada passo – a presença de monstros ou sombras que poderiam pegá-la durante o sono ou aparecer no espelho enquanto escovasse os dentes. Abriu o livro que seu pai tinha enviado e começou a folhear. Mantinha a cabeça encostada na almofada e o corpo no chão.

– Sai desse chão frio, menina! Quer pegar um resfriado? – disse a mãe.

A garota pulou do chão para o sofá e deixou o livro de lado. Assustou o gato e subiu as escadas. Fios de cabelo, poeira e cascas de madeira revoavam pelos corredores a cada rajada de vento. A menina avistou papeis cortados passeando de um lado para o outro. Logo entraram em um cômodo que – até aquele momento – ela apelidara de “Casa dos Macacos Azuis Gigantes”. Pensando em ficar longe dos símios avantajados, hesitou por um momento em frente à porta entreaberta.

Um braço de vento esticou-se pelo corredor e empurrou mais a porta. Convidou a menina a entrar. Transformou a frestinha em uma bocarra de caverna e indicou – ao ranger medonho da madeira – os objetos escuros no chão e os móveis encostados nas paredes. A menina colocou o pezinho para dentro e percebeu que os macacos azuis deveriam estar tomando banho ou pulando pelas plantas do jardim. Perdeu o medo e tentou acender a luz, que estava queimada.

Curiosa, subiu em um grande puff e alcançou a superfície de um móvel. Caminhava com cuidado e – a cada pisada – ouvia um barulho de madeira oca. Chegou à janela e forçou para que abrisse. A claridade entrou. Ela achou graça da pilha de papeis jogados, cada folha parecia se sustentar na outra, com esforço para manter o monte em pé. Estavam prestes a desabar. Nas folhas, notou símbolos que julgava conhecer. Estavam amarelados e cheios de buracos. “Esses macacos devem gostar de comer papel!”, pensou a garota. Pulou de onde estava e olhou para trás, assustando-se com o imenso piano de cauda que acabara de usar como ponte.

Seguiu uma fileira de folhas que escorriam pelos tacos e terminava embaixo de uma poltrona. Ela não gostava de poltronas. Fora em uma destas que, certa vez, sua inimiguinha imaginária – Ignácia – apareceu sentada com os cabelos jogados no rosto e uma faca na mão. “Que sorte que o beija-flor-listrado pegou aquela fedida antes dela me pegar! Ufa!”.

Já estava saindo do cômodo quando escutou um barulho. Olhou para trás e percebeu que um dado quicava no chão. Pegou o objeto, que escapou entre seus dedos e rolou, rolou, rolou… Cinco! Apanhou o cubo, jogando-o sobre o piano. Cinco! Então resolveu guardá-lo, arremessando na gaveta aberta de uma cômoda. Cinco!

O móvel começou a tremer e abriu-se por mágica. O dado girava com velocidade e perdia sua forma cúbica, esfacelando-se para todas as direções. Um material grosso e bege corria de seu eixo e aquilo parecia não ter fim – como naqueles desenhos em que mágicos puxam metros e metros de pano pela boca. A garota agarrou um pedaço com as mãos e ficou girando como pião pelo cômodo.

Tonta, enrolada e cercada, a menina deitou-se no chão para recuperar o norte. Ali estavam: o piano, a poltrona, as outras coisas do quarto e, contornando tudo isso, um extenso papel grosso e quadriculado. Uma peça com certeza enviada de outro mundo. “Onde estão esses bestas desses macacos azuis quando preciso deles?”.

A menina esbarrou em um banco alto, derrubando um tambor. O instrumento acertou o papel estendido no chão, e um grito ressoou por todo o lugar. “AAAAUUUGHHH!”. Assustada, apertou o passo, apanhou algumas folhas e fechou a porta. Colocou uma banqueta do lado de fora. Desceu correndo para o escritório, onde a mãe trabalhava.

– Eu sei. Filha, a casa está imunda. Esse final de semana eu vou dar um jeito. E vê se não deita mais no chão…

– Nossa! Você fala tudo junto! Eu nem acho a casa suja, só acho ela meio doida.

– Vá se olhar no espelho, senhorita. Você parece ter rolado por todos os cantos do chão e tá parecendo um croquete de poeira.

– Quando é que vai ser a minha festa?

– Festa?

– Vai ser meu aniversário, mãe!

– Puxa vida! Já é nesse domingo, filha. Desculpa, a mãe tá avoada – disse, girando o pescoço quase em 360º por aqueles cômodos vazios. – Bom, pode chamar as suas amiguinhas, vamos dar um jeito por aqui e estrear a nova casa com a sua festa! O que acha?!

– Legal! Vou chamar a Rosa.

– Nossa… Sua amiga usa bengala?

– Bengala?

– Nada não, filha. Sua mãe é boba. Vai ver um desenho, vai…

– Tá bom, sua boba…

Com vontade de socar a televisão – na casa nova não tinha TV a cabo – a pequena subiu as escadas pisando duro e, ao ouvir o eco que os degraus faziam, achou um novo passatempo. Batia forte o pé e, depois de algum tempo, escutava o som reverberar ao longe. Então enjoou, sentiu o sono chegar e foi para o quarto, desviando bem longe da porta da “Casa dos Macacos Azuis Gigantes”. Deitou-se com o livro dado pelo pai e começou folhear novamente.

Novos barulhos vinham do corredor. “Tum, tum, tum”. Abriu a porta. A mãe continuava batendo teclas lá embaixo. “Tlec, tlec, tlec”. Retornou ao quarto e se deitou. “Tum, tum, tum”. Agora as batidas eram na porta. Puxou o cobertor acima dos olhos, escondendo-se com medo. Pelos buraquinhos do tecido, notou manchas coloridas flutuarem ao lado da cama. Algo puxou seu cobertor para o chão. Num pulo, acendeu a luz e viu uma pequena criatura. Ela corria igual barata tonta com cobertor tapando a cabeça. A menina resolveu ajudar.

– Espera aí, sua estabanada! – disse, e livrou a criatura do pano.

Era um homenzinho careca e rechonchudo – vestia-se de forma elegante e parecia perdido. O pequeno era um sujeito engraçado, tinha cara de espantado e costeletas pretas que lhe desciam as bochechas. Com passinhos pequenos, ele encarou a garota.

– Nossa! Um homenzinho!

– Nossa! Uma menininha! – retrucou o ser.

– Sim, eu sou!

– E eu também, ora! – disse, alisando as costeletas.

– Você é uma menina?

– Não! Sou um homenzinho, como você disse.

– Como você chama?

– Marinho. Ao seu dispor.

– E por que você é pequeno assim?

– Sabe, garota? Quando minha mãe estava grávida, teve uma daquelas vontades malucas durante os nove meses. Ela queria comer tudo ao meio. Era meia banana, meio abacate, meia cenoura, meio chocolate, meia porção de mandioquinhas, meio copo de suco, meia bolacha, meio bolo, meia azeitona, meio marisco, meia feijoada e até meio grão de feijão. Então eu também nasci meio.

– Hahahaha! Tudo pela metade, e você veio assim.

– Sim, por isso esta estatura pequenina, mas, por outro lado, sei fazer muitas coisas!

– Que coisas?

– Por exemplo, eu sei fazer as pessoas se divertirem!

– Sabe?

– Eu e minha turma sabemos fazer as pessoas ficarem felizes e entretidas, mesmo quando elas estão tristes. Somos uma turma e tanto e, por isso, não ligo de ser pequeno.

– Eu não gosto de ser pequena!

– É uma questão de tempo, você se acostuma.

– E cadê a sua turma?

– Eu e a minha turma estamos todos esperando o grande momento. Quando você tirou três vezes o número cinco no dado, eu sumi do meu mundo e vim parar no seu, pois parece que por aqui uma pessoa precisava se divertir. Se tivesse mais de uma pessoa aqui, minha turma também iria sumir de lá do meu mundo e vir para cá. É assim que funciona! Três cincos e chegamos no recinto!

– Nossa, mas como você vai me fazer rir?

– Eu já fiz.

– Fez?

– Sim, quando te contei das manias de grávida da minha mãe.

– Hahaha! É verdade, você é mesmo meio legal! Se quiser, pode dormir aqui no quarto.

– Lamento muito, mocinha. Mas minha turma me espera! Você sabe como me encontrar, até mais!

Acordou na cama da mãe, embrulhada em um monte de lençóis e cobertas de diferentes estampas. “Estou parecendo um palhaço”, pensou. Desceu ainda enrolada, arrastando os panos como um pavão mendigo pelo sobrado. Finalmente, a mãe não estava trabalhando. Assistia TV e parecia vidrada. A garota caminhou por trás do sofá, colocando as mãos geladas no pescoço da mulher. “JESUS-MARIA-JOSÉ!”, ela gritou.

– Nossa! Esses aí vêm pra festa também?

– Você quer me matar do coração? Que susto!

– Não fala matar.

A face rosada de uma velha encobria a tela. Ela dava risadas de gralha enquanto fumava um cachimbo, o que assustou a menina. A mãe desligou a TV, dizendo que aquilo não era filme para criança e que logo que um dinheiro entrasse, colocaria TV a cabo. A garota falava que não ligava mais para aquilo, que tinha, agora, coisas muito mais legais para fazer e, então, para que precisaria ficar ali no sofá igual uma boba? A mãe não sabia se achava aquilo bom ou ruim, sabia que qualquer mudança no temperamento da garota – assim, abrupta – indicava que uma surpresinha estava por vir.

Logo estavam as duas no quintal procurando – entre as caixas que ainda estavam empilhadas ao lado do jardim – onde tinham sido embaladas as bexigas, línguas de sogra e lembrancinhas que sobraram do aniversário anterior. Encontraram e gastaram os pulmões e a saliva enchendo os balões. Muitos deles estavam velhos demais e, a cada cinco que tentavam encher, três estouravam de repente. Por fim, conseguiram preencher uma boa quantidade e preparar as lembrancinhas.

– Mãe, não tem chapeuzinho!

– Puxa vida. Amanhã vemos isso. Mas tá quase tudo pronto.

– É! Vai ser legal a festa.

– Já chamou suas amiguinhas?

– Chamei, elas vão vim.

– É “vão vir”.

– Ahhhmm…

Saiu com a filha no domingo e caminhou em volta do lago. A garota andava chata e, como era o dia de seu aniversário, ficava a pedir todas as coisas do mercado. Então a mãe usou o velho artifício de fingir que o carrinho era uma espaçonave que voava com seus jatos e turbinas pelos corredores na velocidade da luz, evitando que a mãozinha pidona da pequena enxergasse brinquedos e doces. No banco de trás do carro, a menina abriu o pacote de chapeuzinhos de papelão e colocou um deles na cabeça. “Gosto do branco”, disse. Chegaram a tempo de arrumar as coisas, e a garota foi colocar o vestido novo.

Três mulheres pararam à frente do portão, e a campainha soou por três vezes. Ocupada com as louças, a mãe saiu com as mãos ensaboadas e logo gritou para elas: “Sou ateia!”. O trio continuou ali parado, agora riam, e sussurravam piadas de uma para a outra. A primeira vestia terno, chapéu preto e, apesar de parecer uma lady inglesa, tinha uma feição severa que dava medo. A segunda era a mais nova. Bem magra, fumava sem parar, tinha cabelos pretos e longos que escorriam pelo quimono. Já a terceira, não fazia questão de esconder os cabelos brancos e parecia ser a mais desconfiada.

– Nós viemos para a festa de aniversário! – disseram.

– Vocês são mães de quem? – disse a dona da casa.

– Não temos filhos, somos amigas da aniversariante.

– Como é que é?

– Amigonas! Entra! – disse a garotinha, surgindo no quintal com sua roupa verde.

Logo outras crianças chegaram com seus pais e mães e carros buzinando e, no tumulto formado para abrir o portão do sobrado, o trio de mulheres acabou entrando de fininho. Os convidados se sentaram nas mesinhas que tinham sido preparadas com comes e bebes no quintal. A mãe logo encurralou a garotinha na sala de jantar, perguntando que raios eram aquelas três figuras.

– Mãe! Elas trabalham lá no mercado. Você não lembra, não?

– Mercado? Que história é essa?

– É! Lá no mercado! A gente sempre conversa enquanto você fica na fila de pagar.

– Que maluquice! Eu nunca vi você falar com ninguém lá!

– Pra conversar não precisa falar, não precisa!

A mãe percebeu que aquela história era doida demais para ser resolvida ali. Mais convidados apareciam. A três achegaram-se numa mesa ao lado do jardim, onde ficaram encantadas com um pé de jabuticaba. Conversavam com a mão na boca, como se escondessem algo. Comiam sempre de três em três bolinhas de amendoim e tomavam três goles de refrigerante de cada vez. A mãe da garota colocou-se em pé ao lado delas.

– Vejo aqui um bando de biconas.

– Claro que não, querida. Quer sentar? – disse a lady.

– Vocês não me enganam, biconas.

– Imagina, olhe aqui. Nossos narizes são bem pequenos – completou a grisalha.

A cada brecha que conseguia – entre as capetices infantis e os pedidos e papos chatos dos adultos – a mãe postava-se à mesa delas e colocava-se a investigá-las. “Estão sendo bem servidas, biconas?”. Com essas perguntas irônicas, ela aparecia e sumia. Porém, o trio sempre tinha uma resposta boa na ponta da língua ou uma evasiva. “O serviço deste ilustre Buffet está maravilhoso, querida!”, “olha ali! Tem um gordinho roubando brigadeiros!”. Logo que a mãe saiu dali, a aniversariante aproximou-se e começou a conversar com as amigas.

– Olá, amiguinha – disse a fumante.

– Oi, a minha festa está legal. Não é?

– Muito! Nós trouxemos o seu presente!

– Mãe, mãe! Eu vou ganhar mais um presente! – disse a garota, puxando a enfadada mulher pela barra da camiseta.

– Nossa! Como elas são gentis!

– Obrigado – agradeceram juntas.

– Sai daí, Marianinha! Vai derrubar o vaso, sua azucrinada! – disse, correndo na direção de uma das primas.

A senhora de cabelos brancos remexeu os bolsos e puxou um veludo verde, amoldado como um saquinho e com um laço na ponta. Entregou à garota, que avidamente abriu o agrado. No meio do pano estendido à mesa, havia uma porção de chocolates e – entre eles – um dado. A menina agradeceu, girou o cubo e fez uma cara de interrogação.

– Nossa, eu tenho um dado igual esse!

– Será que não é o mesmo? – disse uma delas.

– Acho que é. Ainda bem que vocês acharam.

– Os dados servem para a mesma coisa. Não gostou do presente?

– Eu gostei! Mas ele é meio estranho.

– Ah, isso ele é mesmo – disse outra.

Girando o cubo na mão, a pequena percebeu que em todos os lados havia o número cinco. “Três cincos e chegamos no recinto!”, lembrou-se da música cantada pelo homenzinho. Agradeceu o presente, brincou um pouco com o dado, abocanhou uma barra de chocolate e correu de encontro a um grupo de pequenos. “Hora de cantar parabéns!”, gritou a mãe, da sala de estar.

Crianças e adultos reuniram-se em volta da mesa. Enquanto todos entoavam a tradicional canção, a mulher fumante pegou o dado deixado de lado pela garota e chacoalhou-o na mão fechada. Arremessou-o para a lady inglesa, que cantava com sua voz fininha – “é pique!” – e aparou o cubo com classe, na palma da mão. Cinco! Por sua vez, ela tacou o dado por cima da mesa e a senhora de cabelos grisalhos – que cantava “é hora!” – o pegou. Cinco! Finalizando, o dado foi jogado de volta à fumeta que, alegre e remexendo a cabeleira, cantava “rá-tim-bum!” e fez o cubinho rolar em cima da mesa. Cinco!

O dado vibrava e expandia-se em meio à balbúrdia, propelindo sulcos de ar pelos lados. Enquanto o nome da aniversariante era berrado, o bolo voou longe, seguido por doces e guardanapos. Logo crianças e alguns adultos estavam como bichos pelo chão, disputando beijinhos, quindins e brigadeiros. O bolo – achatado na parede – escorria formando uma trilha marrom. Ondas de papel cresciam, quadriculando-se e relampejando pelo quintal.

Os contornos firmaram-se, e os quadradinhos se agruparam com organização. Após uma sucessão de barulhos – que muito lembravam um aparelho digestivo com amplificadores – algo espirrou daquela coisa e ficou quicando pelo quintal. “Tóin, tóin, tóin!”. Era o homenzinho. Estava impecável: terno risca de giz azul em cortes de grande estilo, sapatos engraxados, gravata de bolinhas e uma margarida no bolso do paletó. Caminhava para lá e para cá, curvando as costas em uma saudação sorridente.

– Senhoras e senhores, senhores e senhoras! Preparem-se para a diversão! – disse.

Logo os convidados formaram um grande círculo em volta dele, que anunciou o primeiro número em meio a aplausos e gritinhos de crianças.

– Quem aqui gosta de pular corda? – perguntou.

– Eeeeeeeeuuuu! – todas disseram.

– E quem aqui gosta da escola?

– Ninguééééémm!

– Então nós vamos unir o útil ao agradável, seus mirins! Com vocês: o Professor Pula-Corda!

Por um quadradinho foram arremessados muitos livros, que caíram abertos e fechados entre o povo. Surgiu um homem calvo, tímido, vestido em um terno preto. Tremia por trás dos óculos na frente dos pequenos. Tinha uma corda entre as mãos e logo jogou a outra ponta para o homenzinho. As crianças passavam correndo e pulavam antes de irem para o outro lado. Ao final da brincadeira, o pomposo professor disse: “Obrigado, vocês fizeram um trabalho incrível!”. As crianças comentaram que ele era um baita de um nerd e então, o Professor Pula-Corda arremessou-se de volta e foi tragado. “Chomp!”. Uma fumaça roxa sobrevoou a todos, e a maioria dos pequenos tinha se deitado na grama.

– Vamos levantar! Levantar, mirins! – dizia o homenzinho. – Vocês estiveram brilhantes, mas ainda temos muito a fazer!

As reações diferiam. Enquanto alguns dos pais estavam eletrizados e aguardando a próxima atração, outros indagavam a mãe da aniversariante a respeito da estranheza do show. Sem saída, a mulher deu uma desculpa de que – sim! – tinha mesmo contratado aqueles malucos e, apontando aos pequenos, falou, “você já os viram rindo e se divertindo tanto assim?”. Despistou os inquisidores e encarou feio o trio de senhoras, que continuavam sentadas ao lado da jabuticabeira e pareciam esperar por algo.

– Alô, marcianos! Algum marciano por aqui? – disse o homenzinho.

– Nããããããããão!

– Quem gosta da aniversariante?

– Eeeeeeuuuuu!

– Vamos dar os parabéns novamente a ela!

– Parabééééééns!

– Crianças, prestem atenção nessa história! Havia em meu tempo de moleque uma família que era conhecida por ter os maiores brigões do bairro. Trocavam socos e chutes por qualquer coisa e em qualquer lugar ou hora, bastava que um olhasse feio para o outro e a pancadaria começava.

– Que feio! – disse a menina.

– Da hora! – gritou outra.

– Os que passavam por perto da casa deles sempre comentavam sobre os gritos e xingamentos que ouviam, diziam até mesmo que – quando um deles nasceu – saiu da barriga da mamãe acertando um pontapé na enfermeira e um soco na cara do médico. Tinham ganhado todos os troféus de briga de rua da cidade, e os mais velhos do clã ostentavam importantes cinturões de boxe. Se um de vocês quisesse brigar com eles, tinha uma coisa que os tirava do sério! Era quando os provocavam chamando pelo sobrenome, que eles odiavam! Alguém tem coragem de adivinhar o sobrenome?

– Pé-Curto! Fígado! Antenas Longas! Pinto!

– Opa, mirins! Aí não! E olha, ninguém acertou. Uma dica: esse sobrenome vai bem com hambúrguer!

– Catchup, maionese!

– Nada disso, criançada! Com vocês, a gangue dos Mostardas!

Luzes piscaram e novos seres – muitas vezes maiores que o pequeno homem – quicaram pela sala e logo estava completa a gangue. Eles vestiam shorts largos e amarelos, tinham cabelos brancos que ondulavam com os golpes arrematando o ar. Ficavam cuspindo no chão e se esquivando de brigões imaginários. Avançaram na direção dos adultos, dando-lhes leves jabs pelos peitos e braços. Metade dos pais assustou-se com aquele número e saiu fugido da festa.

– Apostas! Apostas! Eles brigam mesmo! – o homenzinho corria pegando notas.

– Coloca 50 naquele ali, mais à direita! – disse um pai.

– Dou 60 no tiozinho do monóculo! Parece ter uma direita e tanto – disse outro.

– MOS…

– TARDAS!

– MOS…

– TARDAS! – vibravam os papais.

As lutas começaram. Depois de muitos cruzados, diretos e ganchos desferidos com luvas de pelúcia, restava em pé somente um dos lutadores. Nenhum dos apostadores levara a bolada e, irritados, resmungavam baixinho para que o raro boxeador não os ouvisse. As crianças tinham gritado tanto, que todas ficaram sem voz e sussurravam uma no ouvido da outra. Pequenos dormiam em diversos locais da casa: sofás, puffs, almofadas, gavetas e pratos. Conforme todos iam embora, o show de bizarrices ia sumindo. O homenzinho parecia estafado e comia um sanduíche, sentado em uma pedra do jardim. Entristecido com alguma coisa, ele começou a chorar.

– O que você tem? – disse a aniversariante.

– Nada, lindinha. Essa festa me fez lembrar algumas coisas.

– Que coisas?

– Coisa de homenzinho bocó.

– Não fica assim, não. Vem brincar com as minhas amigas.

Três rostos surgiram entre os galhos da jabuticabeira, encarando o pequenino. Os galhos chacoalhavam enquanto elas passavam e – em círculo – as mulheres sentaram-se em volta da pedra em que ele estava.

– Três cincos e chegamos no recinto! – cantaram juntas.

– Como é? – disse Marinho.

– O grande momento chegou, finalmente – disse a fumante.

– Não acredito! São vocês mesmas?!

– Sim, e ainda temos as mesmas cores.

– Puxa vida! Como nos encontraram?

– Graças ao bom coração falador de uma garotinha.

– Novamente reunidos, isso é maravilhoso! Vocês estão prontas?

– Mas é claro. Juntos, iremos divertir a todos para sempre.

– É o que faremos! Vou me preparar.

– Certo. Mercadinho nunca mais! – disse a lady.

O homenzinho estava muito feliz e limpou o choro. Despediu-se dando um beijo na testa da menina. “Feliz aniversário, querida!”. Pulou entre os quadradinhos e sumiu. Logo, três pinos emergiram – um azul, um amarelo e outro preto – e vieram na direção das mulheres. Elas deram as mãos e se transformaram em outros pininhos: branco, vermelho e lilás. Reuniram-se ao centro e deslizaram pelos cômodos ao redor do tabuleiro, até chegarem ao início.

A garota correu e ficou procurando os amigos. Em cima da mesa melecada, uma caixa retangular brilhava com a tampa ao lado. Ela fechou e segurou o volume nas mãozinhas. Curiosa, correu até o hall, onde a mãe apanhava algumas bexigas estouradas do chão.

– Mãe! Esqueceram isso aqui.

– Ué, é um jogo. Não foi presente de alguém?

– Foi nada. Que jogo é esse?

– Detetive.

– É legal?

– Eu adorava, mas é tão antigo…

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33 comentários em “Sem mistério (Rodrigues)

  1. ram9000
    2 de abril de 2016

    Alguns contos que li neste desafio pecaram, na minha visão, por serem muito longos. No entanto, isso só é prejudicial à trama quando estão cheios de descrições que nada acrescentam além de linhas e mais linhas ao texto. Não é o caso deste conto: apesar da grande descrição, a história consegue se manter interessante durante toda a narrativa. Há também muitas portas e propostas que se abrem neste texto, nem nunca perder o fio da meada. Bem escrito, divertido, bem gráfico.

  2. Evandro Furtado
    2 de abril de 2016

    Um típico conto infantil muito bem trabalhado. Bons diálogos, linguagem adotada muito interessante. Personagens bem construídos, descrições precisas. Só fiquei boiando na referência final, “Detetive” definitivamente não é do meu tempo.

  3. Pedro Luna
    2 de abril de 2016

    Sem mistério é o caramba..rs. Não entendi nada, e se realmente houver algo para entender, então não peguei. Quem sabe numa segunda leitura algumas coisas fiquem mais claras. O conto se sustentou pela boa escrita e leveza ao tratar as bizarrices. Ficou bacana. As situações e personagens tirados do nada, suas estranhezas, e como ninguém parece dar bola para isso, me lembrou os filmes do David Lynch.

    Enfim, para mim, não trouxe muito o tema do desafio, mas foi uma boa e louca história.

  4. Piscies
    1 de abril de 2016

    Eita que confusão, que coisa de doido, hahahahahah!

    Tenho que voltar pra ler este conto melhor. Quanta referência de quanta coisa bizarra! No princípio achei que era mais um conto sobre a criança que está entediada e acaba se divertindo dentro do próprio mundo que criou…. mas então a mãe dela começa a fazer parte da história também e tudo ficou de cabeça para baixo. Até eu!!

    A escrita está boa. Propositalmente simples, para denotar o tom infantil do conto. No final, porém, o conto não me pareceu muito interessante. Acho que a cacofonia de ideias acabou me confundindo tanto que, no final, quando comecei a achar pontos de referência, já não tinha mais energias para tentar entender a trama ou o sentido que o autor queria emprestar ao enredo.

    De qualquer forma, um conto divertido!

  5. Emerson Braga
    1 de abril de 2016

    Há duas razões para querermos “sabotar” nossa própria leitura e saltarmos de uma vez para o final de uma história: A primeira é quando ficamos tão curiosos para saber o desfecho que não conseguimos resistir a dar uma espiadela. A segunda é porque não conseguimos encontrar algo que nos prenda, que nos conecte à história, daí saímos procurando um pouco mais abaixo por um ponto de luz. Seu conto se enquadra no segundo caso. Tive que fazer algum esforço para concluí-lo, pois não encontrei a alma da história.
    Os diálogos são pouco convincentes, há muitas falhas estruturais. Histórias precisam de ganchos, de grandes sacadas. Outra coisa: Não é necessário explicar tudo para o leitor, se você faz isso, desrespeita a capacidade imaginativa de quem lê e tira mais de 50% do prazer da leitura.
    Acredito que histórias fantásticas devam cumprir uma função das mais difíceis: Fazer o leitor acreditar em magia, vida em outros planetas, viagens fabulosas, seres monstruosos, aventureiros subterrâneos etc. A função da fantasia é nos tirar um pouco desse mundo chato no qual vivemos. E seu texto não cumpriu essa função.
    Sinto que você tem energia e boa vontade no que faz. Mas é preciso por coração. não se engane, as pessoas percebem quando o autor não estava totalmente empolgado e inspirado quando concebeu o universo que criou. Boa sorte.

    NOTA: 6,0

  6. Thomás Bertozzi
    1 de abril de 2016

    Genial e muito divertido! Simples, mas bastante rico em detalhes. O espetáculo durante festa parece realmente um show de circo, pois vai no mesmo ritmo.
    A descrição do trio jogando os dados durante os parabéns ficou ótima!
    Excelente!
    Parabéns!!

  7. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐▫▫▫): é interessante, mas me pareceu sem um propósito. As situações loucas na vida da menina são contadas, mas sem uma ordenação ou fio condutor. As três senhoras surgem literalmente do nada, acho que a cena em que a menina conhece as três deveria ter sido narrada. O fim não fechou a história e não explicou a confusão criada. Enfim, um mote legal, mas contado de forma caótica.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): não encontrei nenhum erro de português, mas acredito que o autor vacilou na estruturação do texto. Algumas cenas desnecessárias para a trama ocuparam muito espaço (por exemplo, o fato delas não possuírem TV à cabo) e outras importantes não foram bem exploradas, como a já citada cena de apresentação das três senhoras. O excesso de coloquialidade do narrador faria maior sentido se fosse narrada pela menina, mas esperava um pouco mais de formalidade de um narrador não personagem. Enfim, com um pouco mais de cuidado, tem tudo para ficar boa.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): o texto me lembrou Jumanji na parte dos dados e Chub, na parte do homenzinho. Faltou um pouco mais pra ter seu próprio DNA.

    🎯 Tema (⭐⭐): está totalmente adequado ao tema do desafio.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): eu já joguei “Detetive” há muito tempo, mas confesso que tive que consultar o Google para lembrar dos personagens. Isso fez que com a história fizesse algum sentido, mas mesmo assim a falta de explicações para o motivo dos personagens do jogo ganharem vida deixou tudo muito sem sentido, como já disse acima. O impacto, por isso, foi bastante reduzido.

  8. Davenir Viganon
    31 de março de 2016

    Confesso, não consegui entender o fim da história. Teria algo a ver com Jumanji? os personagens que vem do mundo do Marinho são pecas do jogo de tabuleiro?Mesmo que tenha terminado a leitura com a sensação de que algo importante tenha me escapado a compreensão o clima de Fantasia regada a muita magia é muito bonito.
    A personagem principal é carismática, mas o Marinho é mais ainda kkk. A escrita cumpriu essa função de dar corpo a magia da festinha e das andanças da menina pela casa, quanta pureza, de vomitar arco íris. Quanto adequação ao tema, é Fantasia com certeza.

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    31 de março de 2016

    Conto bem escrito, mas sem grandes reviravoltas ou fatores instigantes – digo isso com base na minha leitura. É uma história rotineira que conta com os alicerces do realismo mágico. É um trabalho de peso, mas faltou um enredo mais cativante. Os personagens são bem construídos e detalhados; porém, não são o suficiente para sustentar a história.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  10. Laís Helena
    30 de março de 2016

    Narrativa (1/2)
    Sua narrativa não me prendeu, não dá os detalhes necessários para que o leitor se sinta dentro da história. Mesmo uma história para o público infantil, que demanda uma narrativa mais simples, ela ficou superficial. Além disso, estranhei a maneira como você estruturou os parágrafos, falando de vários assuntos em um mesmo.

    Enredo (0,5/2)
    Para mim a sua história pareceu um pouco sem nexo, como se você tivesse decidido reunir vários acontecimentos aleatórios no mesmo conto. No final, a impressão que passa é que nada mudou: os personagens não passaram por uma transformação, por exemplo. Além disso, por que você citou detalhes sobre a casa? Fiquei com a impressão de que ela participaria do enredo, para que depois não fosse mais mencionada. A história dos dados ficou confusa, também.

    Personagens (0,5/2)
    Como já mencionado, senti falta de ver a personagem passar por alguma transformação, mesmo que pequena. Na minha opinião, mesmo uma história infantil demandaria uma caracterização melhor de personagens. A aniversariante é apenas um personagem genérico, assim como a mãe. E as três mulheres? O homenzinho? O que eram? O que queriam? Só divertir crianças? Você construiu uma suspeita em torno das três mulheres e, assim como aconteceu com a casa, isso não foi utilizado.

    Caracterização (0,5/2)
    Fiquei com a impressão de que você somente jogou elementos aleatoriamente, sem se preocupar em construir uma lógica por trás deles. Mesmo na fantasia (ao menos na minha opinião) é necessário ter o cuidado de convencer o leitor de que as coisas podem acontecer ou existir no universo que você criou. Em resumo, faltou verossimilhança.

    Criatividade (1/2)
    Não consegui me apegar a nada no seu conto, fossem os personagens, a ambientação ou o mistério. Nada me impressionou, também, e não houve impacto. Os elementos usados parecem comuns em histórias para crianças, e, apesar disso, talvez até fossem mais interessantes se a execução tivesse sido diferente. Do modo como o conto foi escrito, não chamam muito a atenção.

    Total: 3,5

  11. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Paulina. Seu conto é o quinto que avalio nesta fase final.

    Observações: o conto segue a temática lúdica, a mentalidade extremamente fértil da criança. Até a parte da festa, achei que tudo não passaria da criatividade exacerbada da menina, mas você quebra esta barreira no momento em que as criaturas mágicas interagem com os demais personagens. Não é um conto, ao meu ver, que proponha reflexões ou que busque reviravoltas chocantes. É a história de uma criança sob a perspectiva da criança – e é bom sendo assim.

    Destaques: a relação da criança com a mãe é cativante e o mundo pelos olhos da menina dá um ar muito próprio ao conto. A técnica (ortografia, criação de personagens e cenário) é simples, mas cumpre o que se propõe.

    Sugestões de melhoria: o uso excessivo do “e” – tanto para verbos, quanto para adjetivar – me incomodou no começo do conto (era isso e aquilo, fez isso e aqui, depois isso e aquilo etc). São manias que cultivamos que podem tornar a leitura travada. Eu, por exemplo, tenho mania de usar “mas” e “não”, percebo quando reviso, mas não é sempre que consigo mudar. Fato é que saber de tais manias nos ajuda a monitorar nossa escrita e tentar melhorá-la no que for possível. Afinal de contas, o conto é o peixe que vendemos.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Renan Bernardo
    27 de março de 2016

    Bem interessante a história. Foge dos clichês, tem um bom vocabulário e uma boa narrativa. Os diálogos parecem um pouco soltos. Gosto quando os personagens vão agindo durante eles, mas isso é mais uma preferência minha que um defeito do texto. O final é bem interessante, mas não me agradou tanto quanto eu esperava ao longo do texto.

    Nota: 7,5

    • Renan Bernardo
      27 de março de 2016

      Pensei bem e esse conto merece uma nota melhor. 🙂 Vou subir para 8,5.

  13. vitormcleite
    25 de março de 2016

    Gostei, um texto repleto de fantasia que nos deixa viajar ao longo da leitura. Tem mistério e dá vontade de ler sempre, muitos parabéns. Não gostei do final ma pareceu demasiado aberto e no texto houve tentativas de introduzir o humor que não ficaram muito bem, mas isso é só a minha opinião.

  14. Claudia Roberta Angst
    25 de março de 2016

    Que viagem! Joguei muito Detetive e olha que não sou nada fã de jogos, mas esse era especial. Então, os nomes dos suspeitos cutucaram logo minha memória.
    O conto está bem escrito, mas para o meu gosto, com muita informação. O ritmo alucinado da menina na sua fantasia me deixou tontinha. Não sei se o conto está mais para fantástico do que para fantasia, mas é uma doideira só. Haja imaginação, hein, autor?
    Boa sorte! 🙂

  15. André Lima dos Santos
    24 de março de 2016

    Hahaha conto bem divertido, com uma linguagem leve e gostosa de ler. Gostei bastante da abordagem e do plot twist. Eu, com minha mente sádica, já estava imaginando a menina comemorando o aniversário em um campo de concentração com vários mortos ao redor hahaha
    Só pra não deixar passar em branco, há alguns erros de revisão no texto.

    Gostei muito do estilo de escrita! Um bom conto!

    Boa sorte no desafio!

  16. Anorkinda Neide
    23 de março de 2016

    Que viagem! haha
    Eis que quando se acostuma ao fato de que nada faz sentido algum e jamais fará… revela-se os personagens do jogo Detetive… realmente eu poderia ter lembrando disto antes, no decorrer da leitura, mas faz tempo q nao jogo isso!
    Muito bom, originalissimo, mais não pode ser 😛
    .
    Me lembrou Jumanji, mas sem o terror que Jumanji tem! rsrs
    Parabens!

  17. Simoni Dário
    23 de março de 2016

    Olá Paulina.
    Esse sem mistério é uma brincadeira com cemitério ou viajei?
    Bom, achei algumas partes do texto até que divertidas e outras nem tanto. Pra ser bem honesta, achei o enredo cansativo, quando começou a festa da menina torci pra que acabasse logo essa parte. Não conectei com as brincadeiras, a narrativa me lembrou aqueles filmes de comédia americana nos quais são forçadas as piadas e brincadeiras. Desculpe, não gostei, o que não quer dizer que você não escreva bem, pelo contrário, tanto que está entre os finalistas, apenas não curti a história. Gostei das mencionadas brincadeiras e jogos que remetem ao meu tempo de infância, como pular corda e detetive, tão antigos…
    Enfim, gosto à parte, você é uma escritora de talento, levou-me a lembranças de infância e isso foi bom de ler e recordar(bons tempos!) Parabéns!
    Bom desafio!

  18. Brian Oliveira Lancaster
    21 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Que viagem maravilhosa à mente de uma criança! Fantasia misturada à falta de lógica ou ciência das mentes mais infantis, com quartos, mundos e figuras brotando do nada. – 8,0
    G: Entendi que o enredo gira em torno da mente da protagonista, mas precisava de um pouco mais de cuidado ao descrever as ações da mãe, para não confundir os “mundos paralelos”. Senti um pouco esse deslocamento e não ficou tão claro quando era imaginação e quando era o “mundo real”. Mais uma pequena revisão ajudaria nesse sentido. – 7,0
    R: Tudo muito colorido, enigmático e surreal (ponto positivo). Um tantinho confuso também (ponto negativo). Entendi a intenção do autor(a), mas talvez nem todos captem o contexto de fábula infantil. Alguma divisão, sem apressar os eventos (como ocorre perto do final), ficaria melhor. – 7,0
    O: Escrita tranquila, fluente. Poucas frases precisam de ajustes. – 8,0.
    [7,5]

  19. Fabio Baptista
    21 de março de 2016

    Confesso que no começo fiquei com impressão que esse conto, apesar de muito bem escrito, seria um pé no saco. Mais ou menos como um conto do Cortazar publicado na última Terça clássica antes do desafio.

    Esse eventos que não sei se estão mais para fantásticos ou insólitos, me fizeram lembrar do porquê eu não gosto muito de Neil Gaiman como escritor: são coisas bem boladas, sim, mas o desprendimento da realidade é tanto que quase não sobra emoção. Não tem muitos pontos de tensão quando qualquer coisa bote brotar do chão de uma hora para outra e resolver todo o problema.

    Bom, divagações à parte, continuei a leitura e na parte da festa devo dizer que a experiência melhorou consideravelmente e o conto ficou mais divertido, mesmo com toda a loucura. Chegou a dar medo de que os visitantes fossem malignos ou algo do tipo.

    Às vezes gosto desses finais meio “nada a ver”, mas aqui torci um pouco o nariz.

    Saldo geral: ótimo conto dentro da proposta/estilo do autor.

    NOTA: 8

  20. Andressa
    18 de março de 2016

    nota: 9.5. O sonho dourado de toda a criança que curtiu jogos de tabuleiro. E se fosse verdade. Isso é uma coisa que está se perdendo …os jogos de tabuleiro. Eles são charmosos, instrutivos e agregam, pois é possível jogar com a família toda. E saudade.

  21. Gustavo Castro Araujo
    17 de março de 2016

    O conto é bem escrito e interessante se o tomarmos como literatura infanto-juvenil. Os homenzinhos que aparecem em função dos dados foram criados de forma competente e trazem ao conto uma atmosfera “chub” que deve agradar em cheio quem está na faixa dos nove aos doze anos.

    No entanto, não posso deixar de dizer que senti falta de um conflito, de algo que tirasse a narrativa dos trilhos. A história é linear e não desperta sentimentos ambíguos, fato que, para mim, a tornou de certa forma enfadonha. Sim, é divertida, mas nada mais do que isso.

    Nota: 7

  22. Wilson Barros Júnior
    17 de março de 2016

    O conto é inovador, ao tratar a temática sobre o ponto de vista de uma criança imaginativa. Gostei de “inimigo imaginário”, bem insólito. A personagem parece também ter algo de Alice, seu coelho, lagarta, cachimbo, desaniversário. Tudo isso em uma caixa do jogo “Detetive” foi muito bem bolado. O estilo do conto é ótimo, a personagem comovente. Muito bom, parabéns.

  23. Daniel Reis
    16 de março de 2016

    Prezado autor: o seu conto foi um dos mais difíceis de classificar, pela própria construção da história e exuberância de elementos, muitos deles difíceis de identificar com o termo fantasia – acho que seu conto transcende a proposta deste desafio, e justamente por isso acabou prejudicado em minha avalição. De qualquer forma, desejo sucesso a você!

    Pontos positivos: a linguagem é adequada, um conto bem escrito, com a escolha de expressões bastante diretas e coerentes.

    Pontos negativos: o enredo é extremamente circular, quase um sonho, em que aspectos da realidade se fundem com um ou outro elemento fora do comum, e que portanto não têm uma característica clara de fantasia clássica, mas de ficção absurda, onírica ou surrealista, dificultando a comparação com os outros contos propostos no desafio – um material que está muito, muito fora da curva.

  24. Pedro Teixeira
    15 de março de 2016

    Olá, autor! Uma boa narrativa, clara e concisa. A trama me pareceu um pouco nonsense demais, com os adultos encarando tudo com tanta normalidade na festa, mas é uma estória divertida. Também estranhei o fim, um tanto abrupto. No mais, é um conto bacana. Parabéns pela participação!

  25. Rubem Cabral
    11 de março de 2016

    Olá, Paulina.

    Que texto puro e divertido! Tem um jeitão dos melhores contos do Neil Gaiman, lembrou-me um pouco a coleção de contos “Fumaça e Espelhos”.

    A menina é um personagem adorável. As misteriosas damas, que lembraram-me da Hécate, são engraçadas, assim como o Marinho. E, enfim, a doidice da festa foi o ápice: um deleite de se ler.

    Parabéns! Nota 10.

  26. Sonia Rodrigues
    10 de março de 2016

    A história começa com uma menina que está se mudando, e que parece ser uma garota bem chata, para ser sincera. No início do conto o autor escreve:
    “Logo entraram em um cômodo que – até aquele momento – ela apelidara de “Casa dos Macacos Azuis Gigantes”.”
    Por que? O texto não explica a razão do nome.

    Neste parágrafo aquii parece ter havido um erro de continuidade:
    “Curiosa, subiu em um grande puff e… Pulou de onde estava e olhou para trás, assustando-se com o imenso piano de cauda que acabara de usar como ponte.” Que ponte? Ela estava sobre um puff, não estava?
    Aí aparecem outros elementos, de forma meio caótica: o dado, o móvel que se abre como que por mágica, a mãe esquece o aniversário, um homenzinho debaixo de um pano, querendo ser engraçado, tudo meio dsconexo.
    A menina dorme, acorda e procura pela mãe que vai procurar restos dos aniversários anteriores…Não se sabe bem porque não roganiza uma festa nova. A menina convida 3 mulheres para a festa, com as quais nunca falou – isso não ficou bem explicado: o que a atraiu para essas mulheres do Mercado?
    Segue-se uma sequência digna de Alice no País das Maravilhas até que as 3 mulheres se transformam em 3 pinos e aparece uma caixa de jogo de detetives sobre a mesa.
    Achei tudo meio sem pé nem cabeça, muito chato mesmo. Ser escrito com linguagem infantil não tornou a história agradável.
    Talvez eu seja uma má leitora. Afinal, tanta gente acha tanto significado no tal Alice no país das maravilhas, onde eu não vejo nada, que talvez, bem, vai ver qeu está cheio de significados por aí e eu não percebi.
    Talvez.

    Nota: 5

  27. Virgílio Gabriel
    10 de março de 2016

    Olá! O conto é divertido e leve. Senti falta de um grande acontecimento, apesar de não ter o que reclamar do que expôs. A linguagem é boa, a narrativa e a criatividade. O conto engatilha quando o homenzinho surge pela primeira vez, mas ele mantém um ritmo mediano gostoso. Se tivesse um ápice, um núcleo real, teria mais da minha atenção. Mas ainda assim, um conto que vale a pena ser lido. Parabéns.

  28. phillipklem
    9 de março de 2016

    Boa noite.
    Tenho de confessar que seu conto me deixou bastante confuso. A história toda não fez muito sentido. Quem eram as três mulheres, afinal? E qual a relação delas com o homenzinho? Isso não ficou nem um pouquinho claro.
    Havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, o que deixou a protagonista um tanto ofuscada.
    Os personagens tinham pouca profundidade, não dando tempo de simpatizar com nenhum deles.
    Criatividade você tem, sem dúvida. E leva bastante jeito para escrever. Mas se perdeu um pouco entre tantos acontecimentos e personagens distintos e pouco exploradas.
    Boa sorte.

  29. catarinacunha2015
    9 de março de 2016

    Nota 9

  30. Catarina Cunha
    9 de março de 2016

    O COMEÇO parecia “sem mistério” e o desenvolver da VIAGEM me surpreendeu. O FLUXO mágico envolve o leitor com muito conforto, mas merecia uma enxugada no texto. A ideia FINAL é brilhante.

  31. Alan
    8 de março de 2016

    Histórias que misturam realidade com fantasia são sempre fascinantes. Gostei da explicação do homenzinho sobre a sua altura e da estratégia da mãe para distrair a filha no mercado. Conto bastante criativo, com emoção e humor bem distribuídos.
    Como é bom ler um conto bem escrito. Principalmente com um belo desfecho, que ameniza a vontade de querer continuar lendo.

  32. Ricardo de Lohem
    8 de março de 2016

    Oi, como vai? Vamos ao seu conto. Primeiro, o conto é mais fantástico que de fantasia, mas tem uma pequena dose do segundo, o bastante para não ser desclassificado. É uma história muito parecida com “Alice” (os dois livros), de Lewis Carroll. A primeira coisa que notei foi que você, ao que parece, usa o travessão em casos nos quais ficaria melhor usar vírgula.”Logo estavam as duas no quintal procurando – entre as caixas que ainda estavam empilhadas ao lado do jardim – onde tinham sido embaladas as bexigas…” Ficaria melhor, a meu ver:
    “Logo estavam as duas no quintal procurando, entre as caixas que ainda estavam empilhadas ao lado do jardim, onde tinham sido embaladas as bexigas…”. Outro exemplo: “No meio do pano estendido à mesa, havia uma porção de chocolates e – entre eles – um dado.”. Acho que seria melhor: “No meio do pano estendido à mesa, havia uma porção de chocolates e, entre eles, um dado.”. Preste atenção nisso, me parece que você está usando travessão no lugar de vírgula. A história se arrasta sem objetivo definido, e termina de repente, deixando o leitor cair no vazio. Gostei da gravura que você usou, só depois que a gente lê que percebe o que é e como se relaciona com a história. Boa Sorte!

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 4 e marcado .