EntreContos

Literatura que desafia.

Vizinhos – Conto (Simoni Dário)

O ciclismo era sua paixão. Três horas de pedalada já não eram suficientes. Ela se foi levando a identidade dele. No suor daqueles dias entre longas estradas morro acima e curvas fechadas, a adrenalina já não fazia cócegas. O frio que sentia em meio ao verão sufocante mostrava quão profundamente guardava o sentimento de rejeição que ela lhe deixara de herança. Parou de sofrer dois meses depois de que ela se foi. Lúcido e calmo escutou a consciência conselheira de dias difíceis. Nos momentos de solidão sentava no banco de madeira, área comum do condomínio, que ardia por uma pintura nova. Sozinha, sentada no deck, a outra, sem lucidez nenhuma, amargava a solidão do abandono bem anterior ao dele. Corria, era o hobby pró saúde dela. E quanto mais corria, mais vazia se sentia. Até o dia em que ele trouxe, num copo de açaí, o começo da reconciliação com a vida de ambos.

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11 comentários em “Vizinhos – Conto (Simoni Dário)

  1. Neusa Maria Fontolan
    22 de fevereiro de 2016

    A vida é simples assim. Se você se der uma oportunidade, se tiver coragem, de no meio do sofrimento olhar para o lado… Se fizer isso vai encontrar motivos para sorrir novamente.
    Gostei muito. Parabéns.

    • Simoni Dário
      25 de fevereiro de 2016

      Oi Neusa, me emocionei com teu comentário, obrigada de coração e amém! Que assim seja!
      Abraço!

  2. Antonio Stegues Batista
    7 de fevereiro de 2016

    Belo conto de encantos e desencantos, encontros e desencontros, finais e recomeços. A vida é assim, renasce, regenera, como um suco de açaí…

    • Simoni Dårio
      8 de fevereiro de 2016

      Belas palavras, obrigada pela visão poética, gostei muito.
      Abraço

  3. Claudia Roberta Angst
    6 de fevereiro de 2016

    Eu impliquei com a colocação de vírgulas ou falta delas, mas foi só por chatice mesmo.
    A autora enfatizou bem a partida/abandono da moça:
    > Ela se foi (…)
    > (…) o sentimento de rejeição que ela lhe deixara de herança.
    > (…) depois de que ela se foi
    Não entendi uma passagem: “(…) amargava a solidão do abandono bem anterior ao dele. > ela havia sido abandonada antes? Por outro?
    Achei bacana cada personagem ter uma atividade física como forma de lidar com a solidão. Duas atividades que requerem velocidade. E através do esporte, eles se reencontram? É isso?
    Gostei do final = (…) ele trouxe, num copo de açaí, o começo da reconciliação com a vida de ambos.
    Mas eu pararia em “reconciliação”. É o suficiente para o entendimento e seria mais impactante. 🙂

    • Simoni Dårio
      7 de fevereiro de 2016

      Oi Claudia, bem vinda, uma honra teu comentariio. Vírgulas não sāo o meu forte, em um desafio que participei resolvi colocar o mínimo de vírgulas possível e acabou que deu certo, recebi quase nada de críticas, acho que vou por ter que ir por ali, até entender as benditas,rs.
      A reconciliaçāo a que me refiro no texto é com a vida de ambos, que no caso não é o mesmo casal do passado, tendo o açaí como símbolo de saúde que uniu o novo casal, que mesmo sendo vizinhos,tinham muito em comum,mas nada sabiam da vida um do outro. Não deixei muito claro de propósito e espero que não tenha comprometido o enredo.
      Abraço

      • Claudia Roberta Angst
        7 de fevereiro de 2016

        Ai, meus sais, por que nunca confio na minha primeira interpretação? Foi o que tinha pensado primeiro, que cada um tinha sofrido por amor e agora como vizinhos, por acaso, estavam se dando uma nova chance. Valeu por ter esclarecido. Ficou mais interessante assim, do que se fosse a reconciliação do antigo casal.Abraço.

  4. JULIANA CALAFANGE
    6 de fevereiro de 2016

    gostei da forma sucinta que vc usou pra contar essa história delicada. só acho q vc podia trabalhar um pouco mais na escolha de palavras, pra q ficasse tb mais delicado o fluxo da leitura. me pareceu meio travado em alguns momentos, tive q reler alguns pedaços pra poder acompanhar as “pedaladas” (pedaladas literárias não fiscais… rs). muito bom, parabéns!

    • Simoni Dårio
      7 de fevereiro de 2016

      Obrigada Juliana, feliz com teu comentårio.
      Não deixei claro algumas coisas no texto de propósito por estilo mesmo, mas já estiou revendo meus conceitos. Noto que alguns preferem textos mais subjetivos e outros preferem textos mais diretos, e eu vou indo, buscando achar o meio termo, uma hora chego lå.
      Muito obrigada pelas dicas.
      Abraço

  5. Gustavo Castro Araujo
    5 de fevereiro de 2016

    Gostei da história de amor porque abrange duas atividades que gosto muito: correr e pedalar, embora a última tenha sido deixada de lado há algum tempo. Só não concordo que correr nos faz sentir vazios haha Claro, entendi que no contexto nem mesmo a atividade física conseguia preencher o vazio da solidão. E isso de fato acontece. Mas, que bom que ao final houve a reconciliação. Finais felizes são raros por estas bandas e é legal ver algo diferente — e auspicioso — para variar.

    • Simoni Dårio
      7 de fevereiro de 2016

      Oi Gustavo, uma honra receber teu comentårio.
      A corrida é a minha atividade preferida também , e quanta inspiração se recebe nesses momentos, né!
      A reconciliação que menciono no final é com a vida, no caso de ambos que passam a ser um casal, um novo casal, como expliquei em resposta ao comentário da Claudia..
      Que bom que também gostas de finais felizes de vez em quando por aqui, pois no meu conto o açaí, além de ser excelente fonte de saúde, trouxe simbolicamente aos vizinhos, uma nova vida amorosa…com saúde sempre…tim tim!
      Obrigada.
      Abraço

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Publicado às 5 de fevereiro de 2016 por em Contos Off-Desafio e marcado .