EntreContos

Detox Literário.

Do que se alimenta o escritor – Artigo (Claudia Roberta Angst)

The Writer

“O escritor é bicho besta”
– Felipe Holloway

 

 

De repente, alguém começa a escrever. Rabisca algumas bobagens e se surpreende ao notar que algumas outras apreciam suas palavras. Os primeiros leitores são suspeitos e nada imparciais.  Mãe, pai e talvez, quando se tem sorte, uma namoradinha mais letrada, sustentam a ambição do jovem escritor, garantindo que não desista do seu sonho. Na busca por rápida satisfação, o ato de escrever ganha vários significados e fases. Aos poucos, o instinto de preservação distancia a mão do papel e a gaveta passa a acumular vários projetos inacabados.

Um dia, o escritor, já parrudo e confiante, resolve se aventurar a expor seus textos. Como um pintor que desvenda sua obra aos olhos alheios, espera a apreciação, a epifania daquelas almas tão sedentas por uma arte que só ele detém. Quanta generosidade compartilhar seu magnífico trabalho com os mortais!

As primeiras críticas são bem positivas. Mamãe, novamente, tinha toda razão. Os amigos celebram o sucesso, antecipando glórias que, enfim, justificam todo o longo caminho sem reconhecimento. Citam as frases mais marcantes e apontam os melhores trechos do conto, romance, novela, poema, do seja lá o que for que tenha sido escrito. Decoram passagens do texto só para enfatizar a admiração pelo talento do amigo de infância. Sempre soube que você tinha jeito pra coisa, dirão alguns.

Passados os primeiros momentos como escritor assumido, a coragem começa a se misturar às folhas de loro recém-atiradas. Potencializada a autoestima, o artista – tomara que seja bem jovem para que a empáfia seja logo perdoada – admira as linhas bem redigidas, a forma perfeita que conseguiu dar para aquele desfecho, o clímax impactante do enredo. Olha sua criação de perto, depois se afasta para perceber todas as nuances que mamãe disse existir ali.

Quando já embriagado com a própria idolatria, o autor suspira entre o enfado e a impaciência. O que virá agora? Pergunta-se, deitado sobre as almofadas fofas da adulação com um certo ar blasé. Surgem novos comentários. A primeira crítica negativa chega como um soco de uma direção imprecisa. O golpe atinge em cheio o ego do desavisado. O escritor vomita o vinho da arrogância. Como assim essa criatura não gostou do que escrevi? Pior, não entendeu nada do que eu quis passar. Será que leu mesmo ou só disse isso de sacanagem?

Se tiver oportunidade, o autor criticado vai rebater. Rebaterá forte. Usará as mesmas palavras, que antes eram arte, para criar armadura e espada, forjadas em ira. Dará golpes, manchando de mimimi o coliseu das criações. Virão os duelos de personalidades e farpas serão trocadas sem um enredo original de fato. Se houver alguma maturidade, afinal os jovens não sabem o que fazem e por isso têm a desculpa da rebeldia, as palavras silenciarão em reflexão.

Talvez, o escritor reveja seus conceitos e adote uma alimentação mais frugal. É, pode ser que ele tenha razão quanto aquele ponto, mas… A dieta durará pouco, pois o ego tem lá suas implicâncias com a disciplina. Dane-se quem não gostou! Eu gostei, minha mãe gostou, a gatinha que quero pegar, também. Foda-se o mundo, os verdadeiros artistas sempre foram incompreendidos.

Mastigando bem o fel da frustração temperado com a bílis acumulada, o escritor digerirá todas as críticas. Bom, talvez, nem todas e nem tão rápido assim. Pode ser que espere o momento oportuno para se vingar. Até que alguém lhe dê um sonoro tapa, desarranjando todas as suas palavras e lhe diga: Ei, isso não é um jogo. Baixa a bola.

Ah, os escritores, esses seres tão criativos e seus egos alimentados à base de combustão! Sua vaidade tão inflamável esconde verdades no vão escuro da autocrítica. Comiseração será a última dose antes de dormir. No sonho, sua publicação será mesmo um sucesso e canapés de unânime aceitação serão servidos sob aplausos.

Em um canto da consciência, ou mesmo no restrito grupo de convívio cotidiano, haverá alguém resmungando – ele nem é isso tudo. Mas, afinal, quem vai querer acordar um escritor?

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29 comentários em “Do que se alimenta o escritor – Artigo (Claudia Roberta Angst)

  1. Ricardo Gnecco Falco
    20 de setembro de 2016

    Parabéns, Claudinha! Só li agora, mas antes tarde do que nunca! 🙂
    Acho que a escrita, ou melhor, a insana decisão de tornar-se um/a escritor/a, mesmo que muito ruim, não é nem uma escolha… É tipo uma sina, ou dom (no caso dos menos piorezinhos). Trata-se de algo que, penso eu, já estava escrito…
    😉

    Bjo,
    Paz e Bem!

  2. catarinacunha2015
    3 de abril de 2016

    Ai, como dói crescer!

  3. joaojrenha
    9 de fevereiro de 2016

    Oi, Gustavo. Eu sou o tipo de pessoa que dá um boi pra não entrar numa briga. E dou uma boiada pra sair dela. Sinceramente, não quero mais participar daqueles concursos, mas queira muito continuar amigo de voces e publicar na Entrecontos.Se voces achar

    • EntreContos
      9 de fevereiro de 2016

      Tranquilo, João. Respeitamos a sua decisão. Quando quiser, é só mandar seus textos para a área off, no email entrecontos@gmail.com

    • José Leonardo
      12 de fevereiro de 2016

      Caro João, poderemos comentar seus trabalhos de maneira sincera, imparcial e construtiva, como todos os participantes do desafio Imagem fizeram?

  4. Gustavo Castro Araujo
    5 de fevereiro de 2016

    Poxa, o que dizer? Você descreveu cirurgicamente todas as etapas por que passei enquanto aspirante-a-escritor. Foi como ler uma confissão feita por mim mesmo, de próprio punho. O início inebriante que termina com um tapa de realidade na cara. Difícil é passar de fase, mas a gente estuda para isso, né? Quer dizer, escrevemos cada vez mais para provar a nós mesmos que não somos uma fraude, que temos direito a elogios sinceros, de estranhos, e não apenas aos afagos de amigos e às curtidas no facebook por quem sequer leu nossos escritos. Acho que é isso que nos alimenta: a busca pelo reconhecimento alheio, a comprovação cabal e contábil de que as críticas são infinitamente menores que os elogios. Parabéns pelo texto!

    • Claudia Roberta Angst
      5 de fevereiro de 2016

      Obrigada pela leitura e pelo comentário, Chefe!
      Demorei um bocado de tempo para finalmente passar a ideia para o “papel”. Custou, mas valeu a pena ariscar.
      Lidar com frustrações é difícil para todo mundo, mas dependendo do ego em questão, o processo pode ser algo insuportável.
      O bom é que nós podemos descontar tudo no próximo texto, trabalhando para superar a nós mesmos.Uma catarse bastante criativa.
      Que sejamos sempre corajosos para experimentar novas possibilidades, sem nos deixar abater por críticas mais ácidas ou pesadas. São essas críticas que, talvez, impulsionem de verdade o nosso talento (se ele existir de fato). “Ah, é? Vou te mostrar como se escreve um conto morno”. rs…
      Eu pelo menos posso culpar minha teimosia, que alguns,mais generosos, chamarão de persistência, pelos meus desmandos literários. Mas quer saber? Estou feliz pra caramba seguindo este caminho. 🙂

  5. Rsollberg
    5 de fevereiro de 2016

    Parabéns, Claudia!
    Sua crônica está impecável. Soube bem demonstrar essa faceta, especialmente dos jovens escritores (jovens, no sentido de experiência, afinal, temos debutantes de 80 anos, não?). A ironia fina deixou o texto mais aprazível.

    Como não se identificar? Até hoje conto até 10…
    Olha, acertou em cheio aqui. A partir de hoje você tem procuração para falar em meu nome em qualquer lugar, rs!!

    Bjos

    • Claudia Roberta Angst
      5 de fevereiro de 2016

      Obrigada pela leitura e pelo empolgado (e empolgante) comentário. Finalmente, dei corpo à ideia mal digerida que me atormentava.
      Crônica impecável,nada. Continuo me apressando mais do que deveria na revisão. Fui mudar algumas palavras e pronto – comi uma – aliás, comi “pessoas”. Logo no começo…rs. Canibal insensível!
      Que bom que se identificou.
      Quanto à procuração, só aceito ser for em cinco vias reconhecidas em cartório…rs. Imagina o perigo de eu falar em seu nome! 🙂

  6. Rubem Cabral
    5 de fevereiro de 2016

    Oi, Claudia!

    Gostei do artigo. Descreve bem o que acontece com a maioria dos escritores e artistas, de um modo geral.

    Pessoalmente, acho que nunca fui lá tão movido pela vaidade. Inclusive, quando comecei a escrever, não mostrei meus textos para os amigos ou ninguém muito próximo: coloquei-os num blog e depois em fóruns no velho Orkut, onde muitas vezes recebi críticas bem ferinas.

    Mas, para ser sincero, acho que ninguém gosta muito de críticas. E é fato também que precisamos compreender e separar as devidas das – talvez – indevidas.

    Se certo autor, por exemplo, gosta de descrições pormenorizadas, construções de belas frases e etc., poderá ser tachado de chato e enrolão. Se escrever frases longas: “você não dá tempo ao leitor para respirar”, se escrever curtas: “o seu estilo é muito truncado; a leitura dá-se em soluços”. Coloque aquela palavra bonitinha e rara, enfeitando o texto como um brilhante, e o resultado pode ser: “pernóstico, antidiluviano, elitista-burguês-anacrônico”. Texto muito simples? “Redação de aluno do Fundamental, sem cor ou brilho”. Muito complexo? Academicista que escreve para o próprio umbigo! Palavrões? “Chulo e vulgar!”, sem palavrões? “Desligado da realidade das ruas!”.

    Em outras palavras, existem críticas que creio que sejam mais “absolutas”, como falhas de coerência do enredo (plot holes), de se atender à norma culta (quando devida), pontuação, variação temporal, repetições, etc. Já estilo, se o autor é direto e “jornalístico”, ou se é palavroso e tem um vocabulário digno de um compêndio de mil páginas, creio que isso somente possa ser considerado pelo gosto pessoal.

    O grande problema de se escrever é, portanto, em minha humilde opinião de amador, tentar equilibrar tantos fatores conflitantes, é sempre o tal caminhar na lâmina do impossível equilíbrio, isso, sem abrir mão da “alma”. O que, claro, sempre resultará em críticas, de qualquer forma!

    Abraços! Escreva mais artigos assim!

    • Davenir Viganon
      5 de fevereiro de 2016

      O segredo seria esse, separar o joio do trigo sem saber direito o que é cada um?
      Se é isso acho que estou fazendo certo, só falta escrever melhor kkkk

      • Claudia Roberta Angst
        5 de fevereiro de 2016

        Davenir, estamos todos aqui na mesma batalha – tentando catar as palavras certas, separando o joio e outras porcarias do trigo, buscando a verdade, aquela que seja a nossa e, que nem sempre (eu diria quase nunca), agrada a muitos. O seu pior pode ser o meu melhor e vice versa. Sem verdades absolutas. 🙂

    • Claudia Roberta Angst
      5 de fevereiro de 2016

      Quando guardamos nossos escritos só para nós mesmos isso não seria para proteger nossa vaidade de possíveis arranhões?
      Houve um tempo (muito longo mesmo) em que escrever só para mim já me bastava. Eu achava uma coisa banal, algo que todo mundo fazia, sei lá. Depois, passou a ser terapia, vício e tratamento.
      Concordo que o desafio seja equilibrar tantos conflitos, sejam internos ou externos, e sobreviver sem calar as palavras.
      Obrigada pela leitura e pelo comentário muito bem desenvolvido. Danke schön!

    • Maria Flora Rodrigues Nabão
      2 de abril de 2016

      Realmente, Rubem Cabral, você soube definir bem a diversidade de opinião que existe no mundo literário. Creio que a humildade é importante e o aprendizado persistente essencial na vida de um escritor. Artigo muito bacana, gostei.

      • Claudia Roberta Angst
        2 de abril de 2016

        Obrigada pela leitura, Maria Flora. 🙂

  7. Fabio Baptista
    4 de fevereiro de 2016

    Acho que o processo de escrita, assim como quase tudo na vida, é alimentado pelo último dos males encarcerados na Caixa de Pandora.

    O que nos move, afinal, além da (provavelmente vã) esperança de moldar a insossa realidade que nos cerca? Eternizar (mesmo que essa eternidade só dure até a próxima bomba atômica), com palavras, metáforas e vírgulas de utilização duvidosa, os dias fugazes em que caminhamos sob o Sol.

    Bom, acho que é isso que me move.

    Isso e pegar as gatinhas… 😀

    Por enquanto, tenho falhado da forma mais catastrófica possível em ambos os aspectos. Mas, acho que bem lá no fundo, não passo de um otimista incorrigível.

    • Claudia Roberta Angst
      4 de fevereiro de 2016

      Eu ia levantar uma questão relevante – o senhor não está muito velho para sair pegando gatinhas por aí? – mas aí, revi o meu calendário e para não receber uma resposta malcriada, abafei a curiosidade.
      Eternizamos o nosso cotidiano, nossos sonhos e delírios quando escrevemos sobre eles? Talvez,tenho minhas dúvidas (além das minhas implicâncias).
      A modéstia não combina com você, caro-escritor-que-me-irrita-muito-vencendo todos-os-desafios-em-sequência.
      Obrigada pela leitura e pelo comentário. Abraço.

      • Fabio Baptista
        5 de fevereiro de 2016

        Eu não pegava gatinha nenhuma nem quando novo, quanto mais depois de velho rsrsrs.

        Mas pelo menos sonhar ainda não foi taxado pelo governo, então…

  8. José Leonardo
    4 de fevereiro de 2016

    Esses 10 parágrafos resumem muita coisa, Claudia Angst, e a parabenizo pelo tour de force em desvendar a(s) alma(s) de um autor e seu sentimento quando o filho é parido e se mostra ao mundo dos outros, ao mundo que é alheio à placenta da criação e à própria criação.

    O que alimenta o escritor? No meu caso, os pesadelos. Dores no peito. Sensações de paralisia. Descobrir a tormenta da alma. Tentar divertir.

    TENTAR, mesmo sem conseguir.

    Abraços.

    • Claudia Roberta Angst
      4 de fevereiro de 2016

      Poxa, José Leonardo, quase me deprimiu com o seu sofrimento. O processo criativo te pesa tanto assim?
      Bom, eu costumo dizer que não escrevo porque gosto, mas porque preciso. É mais uma necessidade básica que tenho de satisfazer. Nem sempre é fácil, sabemos bem disso.
      Obrigada pela leitura e pelo seu comentário tão honesto. Abraços.

      • José Leonardo
        4 de fevereiro de 2016

        Posso estar equivocado, Claudia (na verdade, é quase certeza de que estou), mas quando o sofrimento (de qualquer tipo) dá à luz a algum argumento e seu processo, me sinto um pouco mais próximo da verdade. O sentido de escrever, para mim, é esse: a busca (sôfrega, esquizofrênica) da verdade. Mas que verdade? Através de ficção? Essa tal verdade existe? Não sei lhe responder.

        Descer ao fundo do lago, e seguir até o topo da montanha.

  9. Claudia Roberta Angst
    4 de fevereiro de 2016

    Agora me senti na escola, recebendo a nota da professora de redação. Ainda bem que fui bem…rs.
    Que bom que percebeu o que eu quis dizer sobre o autor usar a escrita como arte, prazer, terapia e, ao mesmo tempo, como arma de ataque e defesa.
    Aceitar críticas não é tão fácil quanto parece a princípio. O ser humano é vaidoso por natureza.
    Abre logo essa gaveta e deixe escapar as borboletas, os morcegos e monstrinhos.
    Obrigada pelo seu comentário! Abraço.

    • Claudia Roberta Angst
      5 de fevereiro de 2016

      Essa resposta era pro Brian Oliveira Lancaster! 🙂

  10. Eduardo Selga
    4 de fevereiro de 2016

    Claudia,

    Complementando o que já disse lá no Facebook, queria ressaltar que seu texto está entre a crônica e o artigo, ou um artigo com ares de crônica. É uma mescla bem interessante, na medida, pois os conceitos são transmitidos sem o peso que normalmente existe quando se aborda alguns territórios da literatura.

    Por isso, acho que você deveria escrever mais textos de opinião, além da literatura. Para nós, os frequentadores do Entrecontos, seria muito bom.

    • Claudia Roberta Angst
      4 de fevereiro de 2016

      Eu sempre no meio do caminho: meio prosa, meio poesia, meio crônica, meio artigo. Acho que gosto mesmo desse hibridismo, da mescla que aquarela um pouco as cores mais pesadas.
      Obrigada pelo comentário gentil e incentivador. Tentarei me aventurar mais nesta vertente.

  11. Antonio Stegues Batista
    4 de fevereiro de 2016

    Muito bom, Claudia. Você foi sutil, deveria ser mais contundente! Faltou o outro lado…

    • Claudia Roberta Angst
      4 de fevereiro de 2016

      Talvez eu peque mesmo pelo excesso de sutileza, mas fazer o quê? O outro lado seria qual?
      Obrigada pelo seu comentário, Antonio.

      • Antonio Stegues Batista
        5 de fevereiro de 2016

        No Desafio recém passado, deu para notar que alguns participantes (escritores/leitores) mudaram o tom de seus comentários quando receberam crítica negativa.

  12. Brian Oliveira Lancaster
    4 de fevereiro de 2016

    Bela dissertação. Se pararmos para pensar, é bastante irônico mesmo. O autor rebate a escrita com a própria escrita falando sobre a escrita, como se fosse possível entrar na mente de outras pessoas e forçá-las a ver o sentido completo. Aceitar críticas também é uma arte. Por isso reforço o lado “terapia” (para mim) no ato de retirar palavras do inconsciente e transformá-las em algo físico. Quanto à gaveta, tenho até medo de abri-la e deixar escapar criaturas incontroláveis.

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Publicado às 4 de fevereiro de 2016 por em Artigos e marcado .