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Mais um dia de cangaço (Jowilton Amaral)

volante

O sol mergulhava sem pressa no horizonte, borrando de vermelho a terra ressequida, enquanto um bando de cangaceiros trotava observados atentamente por umbuzeiros desfolhados. As sandálias subiam e desciam martelando melodiosamente o solo pedregoso. Dirigiam-se à beira do Velho Chico, onde passariam a noite, nas cercanias de Paulo Afonso.

A Batalha havia sido dura. Traziam no corpo lembranças ardidas dos inimigos. À frente do grupo, formado por dez indivíduos, sete homens e três mulheres, vinha o capitão Virgulino, comandando o ritmo da marcha. No centro do chapéu uma grande nódoa rubra maculava o couro entre um signo de Salomão e uma flor de lis. “Sangue cuspido dos córneos de um ‘macaco’ da Volante! ”. Vangloriava-se.

Acamparam próximo ao rio. Lavaram-se, cearam e foram deitar. Na barraca, Maria se aconchegava a Virgulino, que se afastava.

— Deixe de chamego, Bonita! Vá dormir, daqui a pouco a puliça já tá de pé.

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59 comentários em “Mais um dia de cangaço (Jowilton Amaral)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Mais um dia de cangaço (Aspirante Francisco Ferreira de Melo)

    ஒ Estrutura: Estilo excelente, onde é possível identificar que o autor encontrou sua identidade. Há um tom poético muito forte ali.

    ஜ Essência: É apenas uma cena. Tão breve, tão pequena, tão fraca… O autor tem potencial para muito mais!

    ஆ Egocentrismo: Gostei da leitura, mas não da estória. Achei que o trecho precisaria de muito mais elementos que o limite não permite para dar realmente certo.

    ண Nota: 8.

  2. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Sempre gostei da história dos cangaceiros e tive curiosidade e você passou um pouquinho dela com seu conto. Em 150 palavras conseguiu dar conta do momento de um grupo do cangaço muito bem… até a linguagem que provavelmente lampião usava você inseriu. Parabéns

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Mais um dia de cangaço (Aspirante Francisco Ferreira de Melo)
    1. Temática:
    2. Desenvolvimento:
    3. Texto: sugestões, apenas:
    1. trotava, observados, atentamente, por umbuzeiros desfolhados.
    2. As sandálias subiam e desciam, martelando, melodiosamente, o solo pedregoso.
    À frente do grupo, formado por dez indivíduos (sete homens e três mulheres), vinha o capitão Virgulino.
    3. Vá dormir! Daqui a pouco, a puliça já tá de pé!
    4. Desfecho: Frustrou a narrativa – esperava-se mais.
    Tecnicamente muito bom. Outro enredo batido, contado pela boca do povo, mas válido como experimentação. Senti falta de originalidade – muitos outros já contaram essa ‘estória’.
    Bom texto!

  4. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Aspirante Francisco Ferreira de Melo…. WOW! Que pseudônimo grande! Eu, particularmente, acho desaconselhável escolher um pseudônimo maior do que o título do conto. Mais um dia de cangaço, o titulo acabou sendo ofuscado pelo pseudônimo enorme.

    Todavia, o autor demonstra ser um cara extremamente habilidoso, que sabe o que faz. Com um vocabulário riquíssimo, conseguiu fazer excelentes descrições e conduzir uma boa narração.

    Só achei que faltou um pouco de espaço (um maior limite de palavras) para executar um final mais empolgante. A única falha que vejo aqui foi o final ameno, que acabou por destoar do resto.

  5. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    A descrição é muito boa, gera expectativa e prende o leitor, mas fica-se aguardando um fato que justifique o uso de um recorte histórico e ele não vem. Esse texto seria uma ótima abertura para uma narrativa maior.

  6. Fil Felix
    27 de janeiro de 2016

    Gostei da estética do conto, em como emprega o regionalismo com maestria. Consegui ler, facilmente, na voz de um cangaceiro, com sotaque puxado e tudo. Isso é um diferencial. As referências à música também funcionaram, assim como as descrições, todas ótimas. O início é clássico, o vermelhidão do sertão, como na música Caldeirão dos Mitos, “eu vi o céu a meia noite se avermelhando num clarão”, da Elba. Mas, como nos outros comentários, acho que o final destoou um pouco, poderia ter dado continuidade a caminhada.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .