EntreContos

Detox Literário.

Espelhos de Sangue (Tamara Padilha)

Não entendia o que acontecera nos últimos meses. Gritava e chorava internamente, mas aparentemente nada demonstrava.

– Eu quero sentir algo! Preciso partir… – Gritou e seu grito reverberou no ambiente e sua expressão de dor multiplicou-se por diversos ângulos.

Em um acesso de fúria foi em direção ao espelho a sua frente. Socando e chutando despedaçava sua imagem em dezenas de cacos que espalhavam-se.

Via sua face refletida por todos os lados. Nos pedaços que seus pés nus pisavam, seus olhos furiosos misturavam-se ao sangue que era levado pela sala, enquanto andava para destruir os espelhos. Seus dedos cobertos de sangue buscaram seu rosto, enquanto arranhava-se. Em um último ato de raiva segurou um dos cacos de vidro nas mãos trêmulas e apertou-o firmemente sob seu pulso. Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimavam. Rasgou até que foi rasgada e despedaçada para sempre.

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61 comentários em “Espelhos de Sangue (Tamara Padilha)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Espelhos de Sangue (Liana Rain)

    ஒ Estrutura: Estilo com uma leve inclinação à poesia, mas a narrativa é simples e não incomoda. É natural. Precisa tomar cuidado apenas com a construção de frases e lapidação final.

    ஜ Essência: Um ato de fúria. Um ato de suicídio. É uma situação triste. Mas, nesse caso, talvez devido ao limite pequeno, é difícil o leitor se emocionar. E a leitura acaba na frieza.

    ஆ Egocentrismo: Não gostei. A leitura foi agradável, por causa do poder poético da autora, mas o enredo me pareceu fraco, exagerado.

    ண Nota: 7.

  2. Matheus Pacheco
    29 de janeiro de 2016

    Triste e chocante, você Autor, poderia dizer que o motivo de tanta cólera seria uma decepção?

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Espelhos de Sangue (Liana Rain)
    1. Temática: Suicídio
    2. Desenvolvimento: Confuso.
    3. Texto: Gritou. O grito reverberou no ambiente. Sua expressão de dor se multiplicou, por diversos ângulos. Espelho à sua frente, ou é facultativo?
    4. Desfecho: Ser rasgada e despedaçada cortando os pulsos? Estranho.
    Essa temática não agrada… A morte, por si só, é feia… Brindemos a vida e à vida!

  4. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    “Socorro não estou sentindo nada”… A trilha sonora que o início da narrativa me trouxe à memória me agradou, e me interessei por saber o que poderia ter gerado a apatia na personagem, mas a cena em que ela está, uma espécie de solitária revestida de espelhos, não se justificou na minha mente. Assim, o que li me pareceu mais uma cena final de uma narrativa que não acompanhei do que um conto na íntegra. Mas fiquei me perguntando, como, de onde veio essa criatura que enlouquece pelo excesso de inércia e do próprio reflexo a ponto de suicidar-se!? Acho que vale a pena o autor construir algo para essa pergunta. risos

  5. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Apesar de bem escrito, o conto não me atraiu muito. Incrível como neste desafio, o que mais prevaleceu foram contos de amor e suicídio.

    Entretanto, o autor aqui demonstra grande técnica ao criar um cenário angustiante. A narração segue de modo fluido e gostoso de ler.

    Tudo roda em volta da fúria da personagem principal. Aliás, por falar em fúria… A melhor história sobre fúria que já li na vida foi aqui mesmo, no Entre Contos, no desafio dos Pecados Capitais.

    https://entrecontos.com/2015/02/09/o-sabor-da-furia-irathus/

    Boa sorte no desafio.

    • Leonardo Jardim
      6 de fevereiro de 2016

      Opa, Thales sempre dando moral pro meu continho do irathus. 😀

      Só li agora. Valeu, cara!

  6. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    Conto muito bem escrito. O tema proposto é muito usado e pouco criativo. O final é o esperado.
    Nem por isso deixa de ser legal.
    Boa sorte.

  7. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Essa temática não agrada… A morte, por si só, é feia… Brindemos a vida e à vida!

  8. Wilson Barros Júnior
    27 de janeiro de 2016

    Outro “Contos de Amor Rasgado”, desta vez literalmente, estilo Marina Colasanti. Nesse Desafio identifiquei vários contos antológicos, para mim esse é um deles. “Texto em destaque”, como fazem o Leonardo e a Claudia:

    “Via sua face refletida para todos os lados”.

    Esplêndida constatação, um flash resplandecente onde a personagem vê sua natureza esquizofrênica dividida em cacos, espelhando suas múltiplas personalidades. Só essa frase já seria um microconto, em apenas 8 palavras, traduzindo a natureza desse tipo de transtorno.

    Pura literatura a nível avançado, o conto lembrou-me “Espelho” de Sylvia Plath, até mesmo ela dificuldade de interpretação. Na tradução de André Cardoso:

    “Espelho

    Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
    Tudo o que vejo engulo imediatamente
    Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
    Não sou cruel, apenas verdadeiro –
    O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
    Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
    Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
    Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
    Rostos e escuridão nos separam toda hora.

    Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
    Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
    Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
    Vejo suas costas, e as reflito fielmente.
    Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
    Sou importante para ela. Ela vem e vai.
    A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
    Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
    Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível.”

    Pelo menos aqui a Sylvia Plath ainda não se mata, apenas se vê como uma velha, um “peixe terrível”. Grande conto, grande conto.

    • José Leonardo
      27 de janeiro de 2016

      Olá, Wilson Barros Júnior.

      Fiquei curioso com o link feito entre “Espelhos de Sangue” e o poema “Espelho”, de Sylvia Plath, e gostaria de sua opinião. Qual a conexão entre o “conflito” da personagem do conto e o que é exposto no poema, segundo sua interpretação? Abraços.

      • José Leonardo
        27 de janeiro de 2016

        *gostaria de ler sua opinião.

      • Wilson Barros Júnior
        28 de janeiro de 2016

        Sylvia cometeu suicídio quanto tinha 30 anos, 1 ano depois de escrever “Mirror”, que ela escreveu quando estava internada. Seu poema aparenta uma pessoa terrivelmente preocupada com o envelhecimento, de alguém que se acha “um peixe terrível”. O microconto aqui também é de alguém que se suicida refletindo, literalmente, em um espelho. Em suma, todas as duas obras “refletem” o questionamento maníaco-depressivo de duas mulheres que terminam por se suicidar.

      • José Leonardo
        28 de janeiro de 2016

        Bacana a sua interpretação, pois vai além do que o poema deduz e apoia-se na segunda estrofe. “Espelho” pode ser um daqueles exercícios que Sylvia Plath compunha a partir de sua fidelidade ao objeto observado (Ted Hughes, o esposo poeta, conta na introdução de “Zé Susto e a Bíblia do Sonho” o “apego” de Plath ao objeto — explicação logo em seguida desconstruída pela tradutora e autora da Nota Prévia do livro, Ana Luísa Faria). Minha interpretação é mais ou menos essa: Sylvia atendo-se ao objeto (espelho) e a partir dele desenvolvendo seu poema e agregando sua poética personalíssima.

        Obrigado.

  9. Kleber
    27 de janeiro de 2016

    Olá, Liana!

    Olha, conforme já comentei amteriormente, tudo o que se relacione a suicídio não “me desce”. Mas, por outro lado compreendo que não posso apenas me apegar a isso para fazer uma análise justa do seu trabalho e esforço.
    Bom, O texto em si é interessante, que aborda o momento derradeiro de um ser que não vê nada mais do que a morte em sua frente. Mas, faltou uma ou outra palavra ou alusão a pelo menos um motivo para que tamanho desespero se instalasse em sua alma. Perdão pela sinceridade, mas sinto que precisava dizer isso.

    Sucesso no desafio!

  10. Fil Felix
    27 de janeiro de 2016

    Gostei do conto na segunda leitura. Me lembrou da música Socorro, acho que é do Arnaldo Antunes (mas gosto dessa versão da Gal), “Socorro, já não sinto amor nem dor, já não sinto nada”. É um conto que me remete a depressão, em suprimir os sentimentos. Em não expor as dores, em tentar demonstrar o contrário. Quase um término de relacionamento. O começo do texto ajudou bastante a criar esse cenário.

    Não vi o final como algo literal, a morte em si. Os espelhos são grandes símbolos do nosso eu interior, o ato de quebrá-los e utilizá-los para se auto-flagelar me leva a uma outra leitura. Dessa, a personagem só tem duas saídas: ou conseguiu expurgar de vez suas dores, finalmente sentiu-se; ou se entregou ao lamento.

    Só achei a narrativa um pouco travada. Talvez o tempo utilizado ajudou a criar uma sonoridade estranha, além da repetição de algumas palavras.

  11. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2016

    Olha, já trabalhei com algumas pessoas que tentaram suicídio e dificilmente acho que um suicida gritaria que precisa sentir algo. Mas isso é outra história, cada um é cada um.

    No entanto, o conto infelizmente não me passou emoção. É cru, e gostei no geral por isso, mas faltou algo a mais. A interação de raiva com o espelho não me pareceu muito original também.

    Bom, é um conto cru e pesado. Não vai estar nos meus preferidos, mas é um texto bacana.

  12. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Olá Liana, aí vão meus comentários:

    TEMÁTICA: suicídio e revolta – não exatamente original, mas ainda com vários aspectos a explorar.

    TÉCNICA: coerente, simples e eficiente. Não diria brilhante, mas passou o recado. Só achei que rasgou demais e várias vezes no texto.

    TRANSCENDÊNCIA: limitada, pois pareceu mais uma cena do que uma história completa. É o clímax, sem dúvida, mas não sabemos por quê a protagonista chegou a esse ponto.

  13. Miguel Bernardi
    26 de janeiro de 2016

    E aí, Liana. Tudo bem?

    Não gostei… faltam justificativas, creio eu, e caberia espaço pra uma frasesinha a mais, e também alguma de menos… Não que a escrita seja ruim, não, é boa (apenas algumas palavras repetidas). O final é bom, mas não existe uma estrada que leve até ele.

    Abraços e boa sorte.

  14. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2016

    Bom conto. A narrativa passa emoção. Mas, ficamos sem saber os porquês da personagem querer se ferir e se cortar, morrer. Eu tenho um poema sobre o assunto. Vou colocar aqui.

    Pseudo Suicidas

    Puxa logo este gatilho, caralho!
    Se joga daquela ponte.
    Deixa-se cair de cima de um prédio de quinze andares,
    E se estraçalha no chão.
    Pula da sacada de sua casa, porra!
    Enfia a lâmina e se dilacera.
    Mas não nos pulsos,
    Deixa de fricote.
    Cortar os pulsos é coisa de mulherzinha.
    Enfia essa merda no pescoço, bem fundo,
    Para ferir artérias calibrosas e fazer o sangue jorrar.
    Afinal, você quer morrer ou aparecer?
    E veja só, vou lhe dizer uma coisa:
    — Não precisa nada disso.
    Como bem disse o poeta,
    Assim que nascemos,
    Já começamos a morrer.
    Então, relaxa e morra.
    E não encha o meu saco.

    Boa sorte.

  15. Tom Lima
    25 de janeiro de 2016

    Tem tanta emoção na história, por que não tem no texto?

    O vazio do depressivo, levado ao extremo da auto mutilação e do suicídio. Isso é muito forte e intenso. Mas o texto não. Talvez seja problema pessoal com coisas explícitas, prefiro elas veladas…

    Essa busca por uma auto destruição é muito forte, mas algo no texto fez ela perder essa força.

  16. Mariana G
    24 de janeiro de 2016

    A cena inteira foi bem dolorosa, mesmo não sendo cruamente explicita, dando mais enfase nos sentimentos da personagem. Mas para mim não pareceu ser mais do que essa cena, o porque do suicídio não é falado mas fica subtendido ou deve ser interpretado, o que não agrega força a cena chegando a me afastar emotivamente do drama em certas partes.
    Boa sorte!

  17. Renato Silva
    24 de janeiro de 2016

    Texto legal, bem escrito. A agonia e a dor da personagem ficaram bem evidentes. A descrição de seu acesso de fúria, da perde de controle total, chegando a se cortar inteira, ficou muito boa. Só ficou estranha aquela fala “Eu quero sentir algo…” Tive a impressão que o autor não conseguiu pensar em algo melhor para que a personagem dissesse. Peço desculpas se estiver falando besteiras, pode ser que a fala seja essa mesma e tenha um sentido que não consegui captar.

    Boa sorte.

  18. rsollberg
    23 de janeiro de 2016

    Suicídio é sempre um terreno muito fértil para as histórias.
    Aqui temos um depressivo que precisa desesperadamente sentir algo, qualquer coisa. Inconformado, apela até para a dor, a automutilação, coisa muito mais comum do que nós pensamos. O desespero do não sentir, mental e físico, termina na sua morte.

    Em um exercício de reflexão, diante deste trecho “Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimavam. Rasgou até que foi rasgada e despedaçada para sempre.” acredito que há indícios que ela foi para o inferno. Pelo viés religioso, tirar a própria vida é um ato gravíssimo e imperdoável. Assim, pode ser que essa seja uma explicação.

    A história tem força, mas a execução, no meu entendimento deixou a desejar, repetições em curto espaço “gritou” – “grito”, “rasgou, rasgou”. Ficou um pouco frio, a meu ver.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte,

  19. vitormcleite
    21 de janeiro de 2016

    olá, muito gostei muito da tua escrita, consegues conduzir-nos para todo aquele ambiente de loucura e dor. Consegues fazer-nos sentir mal pelo que vemos. Mas faltou algo, talvez percebermos um qualquer porquê, sei lá. Mas muitos parabéns e desejo-te as maiores felicidades neste desafio.

  20. Laís Helena
    20 de janeiro de 2016

    Apesar de algumas construções repetitivas (como “Gritou e seu grito reverberou”) eu gostei do conto. O motivo do suicídio não foi explicitado, mas creio que o objetivo era se aprofundar na loucura do personagem, algo que foi muito bem demonstrado.

  21. Pedro Henrique Cezar
    20 de janeiro de 2016

    O conto é bom. Algumas repetições deixaram a leitura meio viciada, como “rasgar” foi repetido muitas vezes. Não demonstra muito bem o que realmente sente o personagem, mas muito se pode presumir. Poderia fazer o leitor sentir um pouco mais do personagem, mas mesmo assim, foi bem escrito. Parabéns!

  22. Anorkinda Neide
    20 de janeiro de 2016

    Como teve uma sequencia ‘gritava e chorava’, acho que depois poderia ser ‘socava e chutava’.. só o ouvido poético pedindo um ritmo… rsrs
    .
    Qt ao enredo pensei numa doença onde não se sente dores, por se cortar e caminhar sobre cacos e nada sentir, aparentemente. Pois, se eu imaginar a personagem gritando de dor tudo fica ainda mais tenso!
    .
    Acho que o simbolismo marca melhor a interpretação como alguns colegas expuseram aqui, mas eu mesma lendo, não pensei em nada, só na agonia mesmo. E não gostei disso.. 😦
    .
    O texto é límpido, o que não me conquistou foi a história mesmo.
    Abraço

  23. Cilas Medi
    19 de janeiro de 2016

    Um ato de fúria, simplesmente. Para ser um conto, além do tradicional início – com um bom motivo – meio – com argumento e sustância e – fim (do conto e não da crítica) faz com que o leitor tente entender a mensagem do escritor. Nesse caso foi um fim (agora da crítica) sem mais nenhum motivo para criticar. Tenebroso e sem sentido. Quero reafirmar que não existe um conto, pareceu sem sentido, somente um ato de fúria (voltando ao simplesmente). Fim.

  24. Marcelo Porto
    19 de janeiro de 2016

    Mais um suicídio.

    Um tema que por si só é dramático, talvez por isso tantos colegas aqui o escolheram para tentar a sorte.

    Acho que faltou um pouco mais de contextualização, a descrição está ok, a narrativa é impactante, mas para mim ficou gratuito.

    Boa sorte.

  25. Evandro Furtado
    19 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – ótima cadência, texto na velocidade certa;
    Estilo – 10/10 – gostei de ter imprimido sentimento desde o início, usando imagens fortes, tingindo o texto de vermelho;
    Verossimilhança – 10/10 – ótimo desenvolvimento de personagem, mesmo;
    Efeito Catártico – 10/10 – quase vomitei aqui de tão brilhantemente agoniante é esse texto.

  26. Piscies
    19 de janeiro de 2016

    Bem.. ela definitivamente sentiu algo.

    O conto parece apenas a narrativa de um suicídio, mas acho que vai muito além disso. Ele tenta expor o sentimento de um depressivo.

    Conheço algumas pessoas que lidam com depressivos e eles sempre falam que é impossível descrever o que eles sentem. Que só sabe o que é depressão quem já passou por isso.

    No conto, a personagem grita por dentro, mas por fora nada expressa. Isto é o mais próximo de descrição da depressão que eu ouço falar. Um depressivo quer SENTIR ALGO, QUALQUER COISA de QUALQUER MANEIRA, CUSTE O QUE CUSTAR.

    O despedaçar do espelho pode representar a negação de si mesmo. A mudança de personalidade, na tentativa de descobrir novos mundos – aqueles círculos sociais mais obscuros, na tentativa desesperada de atenção e de sentimentos.

    O pisotear descalço denota a automutilação. Isto tem um paralelo claro com a automutilação dos depressivos, com lâminas e outras coisas, mas também pode ter que ver com o uso excessivo de drogas, bebidas e tabaco que, para mim, são apenas formas diferentes de automutilação.

    A busca eterna por sentir algo a mais.

    A morte no final pode ser a morte física, mas também fala de uma morte muito pior: aquela onde a pessoa morre, mas continua lá, com o olhar vazio, o reflexo distante da pessoa que um dia foi.

    O conto é escrito de forma simples, o que acaba apagando um pouco o seu valor. A veia artística não brilha muito aqui, mas o significado é sublime.

    Parabéns!

  27. Daniel
    19 de janeiro de 2016

    O(a) autor(a) escreve muito bem, com o que consegue narrar uma cena sem nenhuma dificuldade. Em primeira leitura, senti falta de um enredo mais definido, de uma evolução dos acontecimentos, mas depois, relendo, percebi que essa evolução acontecia dentro da própria personagem. Gostei bastante, parabéns!

  28. Catarina
    19 de janeiro de 2016

    O INÍCIO deu o tom do conto. Se a própria PERSONAGEM não entendia o que se passava, imagine eu? FILTRO funcionou precariamente carecendo uma revisão e palavras repetidas desnecessariamente (ex: rasgou, até, etc). O ESTILO descritivo tirou um pouco a emoção da TRAMA e o FIM era esperado.

  29. Marina
    19 de janeiro de 2016

    Parece aquele típico caso de depressão, em que a pessoa não sente nada e começa a se desesperar com o vazio dentro dela. Gostei do enredo, da escrita, do estilo. Como é uma narrativa bastante psicológica, achei que podia ter dado mais ênfase ao que ela conseguiu sentir, depois de tudo, e menos na ação. Fiquei sem saber se ela tinha conseguido sentir algo, afinal ela deu a vida por isso.

  30. Jef Lemos
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Liana.

    Achei que seu conto correu um pouco, tentando mostrar demais sem nos fazer sentir. A angústia da personagem é o ponto chave da trama, mas ficou superficial a ponto de ser apenas uma leitura. Em certo momento, o trecho onde a palavra “sangue” se repete deixa a frase estranha. Queria ter visto mais, e principalmente um motivo que parecesse óbvio e verdadeiro.

    De qualquer forma, parabéns.
    Boa sorte!

  31. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Oi, autor (a)

    Pois então, a moça se emputeceu e rebentou com tudo, né? Mas por quê? Ela fala, “– Eu quero sentir algo!” e antes disso também há outras mostras de que a vida ia mal. Mas então ela parte para o quebra-quebra e se suicida. Penso que você poderia ter dado um ar de metamorfose para o texto, como se ela estivesse em um casulo e então se libertasse, mas da forma que está o conto só resvala nessa essa interpretação. Acho que você tentou sim dar um ar de catarse, mas talvez pela limitação do espaço, se sente a necessidade de mais.
    Um pequeno deslize >>>>Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimavam… Ao meu ver o correto seria >>>>até que seu coração e seu corpo QUEIMASSE.

    Faltou clareza, faltou espaço para funcionar comigo.

    Boa sorte no desafio.

  32. Leonardo Jardim
    18 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐▫▫): faltou a motivação para o suicídio. Ficou parecendo uma cena de uma história maior.

    📝 Técnica (⭐▫▫): boa, mas algumas frases soaram estranhas e alguns verbos pareceram mal aplicados.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): faltou algo para trazer novidades à cena.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): contos de morte e suicídio precisam trazer as motivações do personagem para que sintamos sua dor. Do jeito que este está, mesmo com belas imagens, ficou frio.

  33. elicio santos
    18 de janeiro de 2016

    Um ataque de fúria bem descrito e só. Não traz reflexões nem deixa lacunas interpretativas. Não tem nada de microconto. Boa sorte da próxima vez.

  34. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Cotidiano bem explorado, sem muitos detalhes, apenas focado na ‘psicopatia’. – 8
    O: Bem escrito, transmite as emoções. Um pouquinho exagerado às vezes, mas consegue atingir o objetivo. – 8
    D: Aqui não gostei muito. Até é possível entender o motivo inicial, mas acho que os parágrafos finais saíram muito dos trilhos, que estavam sendo construídos. O objetivo pode ter sido abordar a loucura, mas começou melancólico e do nada tornou-se explosivo. Cabia um balanceamento aqui. – 7
    E: No entanto, o cenário geral é bem colocado através das sensações repassadas. – 9

  35. Simoni Dário
    18 de janeiro de 2016

    Momento de loucura, desespero, solidão, deprê e a concretização da morte para um fim: parar de não sentir, ou parar de sentir o vazio, eis o motivo para o descontrole. Usou da dor física para cessar a dor da alma. Mandou bem.
    Bom desaafio!

  36. Andre Luiz
    17 de janeiro de 2016

    O conto certamente foi como uma lâmina espelhada cortando a carne, e transmitiu todo o desespero da protagonista com afinco e verossimilhança. Apenas senti falta de algo mais, que tirasse o enredo do “normal” e o qualificasse como impressionante. Talvez o limite de palavras tenha sido seu flagelo. Boa sorte!

  37. Gustavo Castro Araujo
    17 de janeiro de 2016

    Um acesso de fúria que termina em suicídio. Bem descrito, com passagens e imagens (sem trocadilho) interessante. A ideia dos espelhos multiplica o desconforto do leitor. No entanto, o conto é só isso. Não há qualquer indicação do motivo que leva a protagonista a agir dessa forma e essa é uma lacuna grande demais para deixar a quem lê. Em suma, boa descrição, mas não é o tipo de narrativa que faz pensar.

  38. Bruno Eleres
    16 de janeiro de 2016

    Gostei em partes. O suicídio como fuga é sempre um enredo que acho interessante e a imagem do espelho despedaçado e espalhado sobre o chão, refletindo mil imagens do protagonista, me lembrou uma obra de arte que vi numa exposição recentemente.

    O gritar e chorar no interior e por fora não demonstrar nada, embora seja real para quem tem depressão, me remeteu mais à “deusa interior” dos 50 tons de cinza – e por isso não funcionou para mim. Outra alegoria podia ter sido usada aí. O final também não foi interessante.

  39. José Leonardo
    16 de janeiro de 2016

    Olá, Liana Rain.

    A mente humana e o espírito (não cito aqui no conceito filosófico) são tremendamente complexos que podem acarretar nesse tipo de desespero sem objeto preciso. Lembrou-me uma personagem do David Foster Wallace, Kate Gompert, que praticamente “personificou” o desejo de suicídio (para ela, o importante era ficar “desligada”, e queria isso com todas as forças pois “sentir-se viva” já era sinal de que não estava bem, numa dor ou confusão perpétua, um estágio tenebroso da depressão aguda). A escrita não me atraiu muito, há alguns erros pontuais, embora a história tenha me captado.

    Sucesso neste desafio.

    • José Leonardo
      16 de janeiro de 2016

      *tremendamente complexos E podem etc.

  40. Bia
    16 de janeiro de 2016

    Gostei em partes. Na verdade não me chamou muito a atenção, não gosto muito de textos sobre suicídio. Fiquei sem entender o porquê de tudo isso, mas talvez a fala sinalize depressão… Achei muito angustiante o parágrafo final, mas pede uma lapidada, retirando repetições. Boa sorte!

  41. Murim
    15 de janeiro de 2016

    Um bom texto sobre suicídio. Transmitiu bem a angústia da personagem. Embora não sabemos quais sejam suas razões mais profundas, acompanhamos o desespero e confusão de seus últimos momento. O enredo é mediano e há problemas na escrita, mas gostei do conto.

  42. Rogério Germani
    15 de janeiro de 2016

    Apoderou-se do curto espaço para descrever o desespero até o momento do suicídio. A pergunta que não quer calar: Qual foi o real motivo para o ato?

  43. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Escrita forte e assustadora. Parabéns!

  44. Ricardo de Lohem
    15 de janeiro de 2016

    Suicídio é um tema muito bom para minicontos: é morte, uma das questões fundamentais do ser humano, e só é necessário um personagem, ajudando na simplificação de todos os fatores da história, embora complicando a motivação. O conto passa bem o desespero de quem acredita não ter mais saída: só faltou alguma dica mais objetiva do que teria motivado o ato. Um conto bastante bom, Parabéns!

  45. Leda Spenassatto
    15 de janeiro de 2016

    O tema é bom. Só precisas repetir menos as palavras e dar mais emoção ao contexto geral.
    “seus olhos furiosos misturavam-se ao sangue que era levado pela sala, enquanto andava para destruir os espelhos”. Essa frase ficou meio estranha, deverias mudar.
    Boa sorte.

  46. Thata Pereira
    15 de janeiro de 2016

    Acho que um conto que narra um suicídio deve ser assim. Sem muitas explicações, sem muita enrolação. Na hora, não vou ficar pensando em milhares de coisas e explicações, apesar de ser narrado em terceira pessoa, o que abre a possibilidade para isso. Por isso gosto mais de suicídios narrados em primeira pessoa. Escolhas pessoais. Só acho que, nessa hora, a vontade é de e não de , como expressa o conto.

    Boa sorte!

  47. Sidney Muniz
    15 de janeiro de 2016

    É um bom conto!

    Gostei da carga emotiva, da dor, do sofrimento, e principalmente do conflito. Como ela não sabia o porquê de sofrer, penso que é um caso de depressão , muito provavelmente um caso de distimia, mas isso é só dedução de leitor.

    Eu gostei do conto, tem uma repetição de “enquanto” que não me agradou.

    Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimavam.

    Sugiro:

    Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimaram. repetição de “seus”.

    Para um texto curto também acho que faltou lapidação, penso que isso contará muito num certamente de microcontos. Eu mesmo comete um erro nesse sentido… kkkk

    Desejo boa sorte a você e parabenizo pelo trabalho.

  48. Rubem Cabral
    15 de janeiro de 2016

    Olá.

    Achei o enredo do conto de mediano a fraco. A moça se matou e…?

    A escrita precisa tbm de pequenos retoques, pois o uso dos tempos verbais não me pareceu muito correto, por exemplo, em “Rasgou e rasgou até que seu coração e seu corpo queimavam”.

    Em “… e apertou-o firmemente sob seu pulso”, não seria “sobre”?

    Boa sorte e abraços.

  49. Eduardo Selga
    14 de janeiro de 2016

    ADRENALINA NA VEIA

    Em que tempo vivemos? Na pós-modernidade, um período em que o sujeito é totalmente fragmentado. Por isso, por exemplo, achamos muito normal uma pessoa ser várias no ambiente virtual.

    E daí?

    Ora, este conto é a metáfora da pós-modernidade. O espelho em cacos é o sujeito atual, fragmentado, partido, moído. Um sujeito cada vez menos humano, e não é à toa que muitos consideram benéfica e inevitável o surgimento, mais dia menos dia, do híbrido homem-máquina. Essa falta de humanidade nós a encontramos em “eu quero sentir algo! Preciso partir… […]”, um grito de desespero do homem perdendo uma de suas marcas essenciais, o sentimento. E para recuperá-lo chega ao extremo de cortar-se a si mesmo, como existem pessoas que vivem o tempo todo atrás de “emoções fortes”, e substituem uma felicidade breve por outra igualmente breve e depois outra idem. Nossa pós-moderna necessidade de adrenalina na veia.

    Aí se encontra o mérito do conto.

  50. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    Sobre a técnica, só para refletir: dessas 150 palavras (não vi se usou todo limite, mas se não foi, foi quase), conte quantas são “sua / seu / suas / seus”.

    A ideia do suicídio foi bem construída, transmitiu bem a angústia na cena com os espelhos quebrados.

    Gostei!

  51. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    (…) apertou-o firmemente sob seu pulso. > o SOB ficou estranho aí, pois dá a ideia do caco estar abaixo do pulso. Melhor seria SOBRE ou ainda CONTRA seu pulso.
    O conto explorou bem o limite e impactou com imagens fortes.A desfiguração da autoimagem, a raiva após um aparente longo período de depressão, quando nada conseguia sentir.
    Conflito interno espelhado, fragmentado e por fim silenciado com a morte.
    Boa sorte!

  52. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    A inconformidade com a própria imagem é um traço típico da nossa sociedade e isso aparece no conto nessa analogia com os espelhos. Ficou bom o resultado.

  53. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Gosto desses textos cujo formato se assemelha a uma fuga musical em um crescente que acaba por explodir em fúria, que foi exatamente o que ocorreu aqui. Parabéns e muito boa sorte.

  54. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Gosto desses contos cujo formato se assemelha ao de uma fuga musical em que o sentimento se intensifica até que não dá mais e ocorre a explosão, e foi o que ocorreu. Parabéns e muito boa sorte.

  55. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Chocante cenário de dor, fuga e suicídio. Muito bom. Só achei estranha a frase “Preciso sentir algo”, embora tenha compreendido o contexto.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .