EntreContos

Detox Literário.

Celestino Araújo (Renata Rothstein)

conto

Acordou. Dia quente de fevereiro. Primeiro pensamento – que também foi o último –  “foda-se tudo”.

Nasceu causando desgosto: Celestino Araújo, preto e favelado, filho de pai desconhecido e estuprador, um peso nos ombros da mãe, Núbia, doméstica que por força das circunstâncias virou puta, quase profissional.

Cheirador, cracudo, aborto da natureza, um fudido a mais nas ruas, arrastando um corpo podre e vergonhoso aos olhos dos seres que, quando estava menos noiado, observava: os vivos.

Ele, já tão morto. Sempre foi.

O trajeto entre a dor e a falta de motivo até as drogas fora rápido.

A escalada foi só queda e naquele dia de fevereiro, Celestino imaginou coisas que jamais ouvira falar, e numa delirante alegria viu seu corpo franzino transformar-se num balão.

Ria e babava incoerências, enquanto flutuava, do viaduto ao chão.

Hora do rush, Celestino encontrou a liberdade, ironicamente atrapalhando a volta para casa, dos “vivos”: foda-se tudo!

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59 comentários em “Celestino Araújo (Renata Rothstein)

  1. Miguel Bernardi
    29 de janeiro de 2016

    E aí, Álvaro. Tudo bem?

    Gostei e desgostei. O tema já é batido (tanto o suicídio quanto os vícios), mas até que foram bem explorados aqui. A narrativa é frenética, mas não deixa uma identidade maior que essa: é frenética. Ponto.
    Creio que poderia falar menos do Celestino e mais da dinâmica de vida(morte?) dele. O que me fez gostar foi o fato dele e ver como morto, ainda estando vivo. Morto por estar preso… a metáfora quebrou, um pouco, quando a morte o libertou.

    Bem, espero que o comentário não tenha soado rude… desculpe.

    Grande abraço e boa sorte!

  2. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Celestino Araújo (Álvaro Aloísio Couto)
    1. Temática: Violência textual, também.
    2. Desenvolvimento: Qual a intenção do desconhecido? Se ele era estuprador, alguém o conhecia, não? Ou quis dizer anônimo, mais um do povo?
    3. Texto: Palavras agressivas, desnecessariamente. Não atraíram.
    4. Desfecho: Lei de Talião? Rancor? Pressupõe e faz apologia a desvalores.
    Não agradou.

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Outro ótimo conto de suicídio. Simples, boa escrita, descrições que deixam o leitor imaginando. Parabéns!

  4. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Quando vi a imagem do conto, pensei que seria um micro conto de terror bem pesada! Comecei a ler com altas expectativas. Este desafio está cheio de micro contos de terror… e eu até que estou curtindo.

    Aqui, no entanto, pareceu-me que terror não era o objetivo. No final das contas, foi apenas mais um conto de suicídio (outro tema muito recorrente no atual desafio). Achei até que a imagem exagerada destoou daquilo que foi apresentado para o leitor.

    Apesar de muito bem escrito e com técnicas admiráveis, o resultado final não me agradou.

    De qualquer forma, boa sorte no desafio.

  5. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    O interessante aqui é a linguagem crua, mas acabei achando que ele não serviu a um propósito.

    Ficou um incomodo aqui, mas não com o que esta escrito, mas com o que poderia estar escrito. Acho que essa não é tanto uma critica ao texto, mas às emoções e sensações que ele gera.

    Ok, foi assim com o Celestino, é assim aqui perto e eu mesmo conheci alguns como ele (nenhum deles tirou a própria vida, mas todos morreram cedo, mas isso não vem ao caso). A vida é assim, mas como muda?

    Minha impressão é que o texto se propõe a ser critica social, mas não é, é “só” retrato. Isso em si não é problema. O problema é se propor a uma coisa e ser outra…

  6. Pedro Luna
    29 de janeiro de 2016

    Outro que pensei já ter comentado.

    Infelizmente a temática do sujeito fudido, cracudo, que tem a vida fudida pelo mundo e se revolta não é novidade, e até gostaria, se fosse abordada de uma maneira mais original.

    Agora gostei de alguns detalhes, como dizer que ele era um morto observando os vivos. O suicídio no fim ficou bacana também por você ter dito que ele atrapalhara os vivos. Mas fico a pensar, até que ponto valia essa guerra entre Celestino, infelizmente um sofredor, com os tais vivos? Quantos vivos que também sofrem e podem até se sensibilizar com o personagem não estariam presos naquele trânsito?

    No fim, acho que não é uma batalha. O conto é interessante.

  7. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Também sou do time que não costuma gostar das narrativas que é tiro, porrada e bomba, a realidade nua e crua. Mas ela tem suas qualidades, consegue nos passar um contexto crível e bastante atual, algo que as vezes bate na nossa porta e não sabemos, ou que vemos e fingimos não ver pelas ruas.

    A morte em horário de pico é pertinente. Vira e mexe eu vejo, quando estou no Metrô, alguém comentando “mas resolveu morrer logo agora, 18h?!”, quando há usuário na linha. Ora poish, já que me despedirei do mundo, que seja memorável! Gostei de como abordou isso.

  8. Wilson Barros Júnior
    28 de janeiro de 2016

    Esse conto eu vejo todos os dias, aqui no bairro. Gostei muito de alguém retratar de forma tão vívida esses pobres coitados que rondam por aqui. A maioria não se mata; é morta. Um foi morto pelo pai de uma moça que estuprou, drogado. Outro morreu linchado. Outro mataram por matar. Esse é nosso mundo, esse teatro de vampiros.

  9. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Não morreu na contramão, mas atrapalhou o trânsito, em transe. Não costumo gostar de textos tão gratuitamente violentos, mas esse funciona e incomoda, ainda que o tema seja tão surrado.

  10. rsollberg
    28 de janeiro de 2016

    A linguagem crua, direta, visceral, casou com a história de Celestino.

    Uma vida contada em pouco espaço. Aqui o autor aposta no determinismo, e nesse sentido, o final sai exatamente como o esperado. Celestino é Santo Cristo, Marvin, ou só mais um Silva.

    Penso que a inovação veio pelo estilo, a história é batida, infelizmente. No final, fiquei com a sensação de que o impacto só é grande por causa da linguagem e não pelo fim trágico do personagem.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte.

  11. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    Enredo forte, misto de força e abandono. Personagem interessante mostrando o lado marcado pela derrota em um ser humano. Não é um texto criativo,mas é bem escrito e objetivo. O autor conseguiu mostrar o que queria, penso eu. Dos poucos contos que consegui identificar o clássico início, desenvolvimento e fim.
    Boa sorte.

  12. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Meu caro A.A. Couto, segue o que tenho a observar:

    TEMÁTICA: crítica social, com um viés de decisão individual. Agradou, pelo menos a mim.

    TÉCNICA: boa técnica, mas a limitação de palavras do desafio parece ter encurtado a história. Também a frase “O trajeto entre a dor e a falta de motivo até as drogas fora rápido” não deixou claro se o trajeto era entre a dor e a falta de motivos ou entre ambos e a as drogas – e nesse caso, falta de motivo não seria motivo suficiente.

    TRANSCENDÊNCIA: a história não tem redenção, só inevitabilidade. Mas, na minha percepção, faltou uma motivação mais clara para o ato – só a busca da liberdade não justificaria o vôo.

  13. vitor leite
    25 de janeiro de 2016

    olá, história bem medonha onde tudo está composto a criar repulsa no leitor, até a morte do protagonista. História bem conduzida, mostras que sabes escrever, muitos parabéns e desejo-te os maiores sucessos neste desafio.

  14. Elicio Santos
    25 de janeiro de 2016

    O conto está bem escrito e o autor soube conduzir unir as “pontas” da trama com maestria. Apesar do tema batido e a forma como a abordagem foi elaborada (sem novidades), a narrativa forte e suja impressiona. Parabéns!

  15. Renato Silva
    24 de janeiro de 2016

    Bacana o modo como você retratou a decadência e morte desse pobre diabo, apesar de eu não ter gostado muito do texto. O modo como é descrito o personagem, logo no início, parece tentar forçar uma opinião do tipo “Por isso sou a favor do aborto.”. Não sei se era isso que você quis passar, mas foi o que interpretei, após me deparar com muitos argumentos pró-aborto que usam a pobreza como uma motivo.

    Concluindo: boa narrativa, mas do enredo eu não gostei.

    Boa sorte.

  16. Andre Luiz
    24 de janeiro de 2016

    Eu achei tudo muito dramático, o que causou o tom exato de pavor que você pretendia ao escrever. Apenas achei que o fato do suicídio ao final(isto, como entendi, porém há a chance de Celestino ser apenas um espírito também, visto que ele estragou o dia dos “vivos”) foi revelado já na primeira frase, e também ficou muito sem explicação. Boa sorte!

  17. Catarina
    23 de janeiro de 2016

    O INÍCIO já entregou o suicídio, tornando o FIM previsível. FILTRO funcionou bem, sem gordura. Teu cru ESTILO de submundo me agrada e é o melhor do conto. TRAMA carnal para um PERSONAGEM complexo muito bem fotografado. A frase final poderia ter os agradecimentos à Chico Buarque .

  18. Marina
    23 de janeiro de 2016

    Meu pensamento por um segundo, durante a leitura: “o apocalipse zumbi já começou e a gente não percebeu”. Haha.

  19. Marina
    23 de janeiro de 2016

    Em narrativas assim, eu dou mais liberdade à licença poética e acabei lendo de coração aberto. Não imaginei como um suicídio, vi mais como um acidente causado pelo consumo excessivo de drogas. Talvez, se sóbrio, ele não tivesse vontade – ou coragem – de se matar. No todo, eu gostei. Realidade pura. Dói. Mas é uma dor boa.

  20. Leonardo Jardim
    22 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐⭐): é bastante forte e visceral. Tem toda a força de uma história real. Um soco no estômago.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): muito boa, encontrei apenas algumas frases longas demais. Mas passou bem a raiva que o conto precisava.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): nem a crítica social nem o suicídio são assuntos muito novos.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): impactou, me fez pensar e até procurar no google se era um caso real. Não achei, mas é como se fosse. Ainda estou digerindo.

  21. Antonio Stegues Batista
    22 de janeiro de 2016

    Um conto bem escrito, mas não acredito que uma pessoa esteja fadado a tudo isso. Houve um momento na vida de Celestino, em que, ele teve a oportunidade de escolher um de dois caminhos. Infelizmente ele escolheu o errado!

  22. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2016

    Mais uma tragédia. Bem escrita, personagem definido e com todos os motivos para dar fim à vida, já que dela não recebeu ou quis fazer para melhorar. Parabéns e sorte no desafio.

  23. Anorkinda Neide
    22 de janeiro de 2016

    Não sei, tchê… esse tipo de enredo nem é q tenha me cansado, eu nunca gostei.
    Tem muita realidade ae, ok, tem.
    Mas a vida é tão infinitamente criativa, para o bem ou para o mal… uma pessoa com essa vida, nao precisa ter os mesmos finais, droga, morte e etc…
    muitas vezes pessoas com berço de ouro ou ao menos confortável, tem este mesmo fim…
    Trabalhei em vilas bem bem miseráveis, certa vez entrevistei o marido de uma prostituta, ele era flanelinha, viviam ‘bem’, numa casinha boa, pras condições, e criavam um filhinho.
    Enfim, como disse, se a vida é tão diversa, pq a literatura tem q sempre cair na mesma esparrela qd trata deste assunto?!
    .
    Desculpe, usei teu espaço pra um desabafo…kkk
    Boa sorte ae

  24. Pedro Henrique Cezar
    22 de janeiro de 2016

    Gostei mais do conto ao passo que avançava. Terminou de uma maneira elegante, que eu apreciei muito. Um bom conto. Algumas frases ficaram um pouco longas e abusaram das vírgulas, enquanto que, em outros casos elas faltaram. Parabéns!

  25. Gustavo Castro Araujo
    20 de janeiro de 2016

    Como no conto “Espelho”, aqui aborda-se um tema polêmico, pelo que se deve parabenizar o autor. Do modo como está escrito, percebe-se o viés ideológico que permeia a escrita: Celestino é vítima de todo, sem opções, sem pais, sem futuro. Atira-se do viaduto e fodam-se todos. Para um conto de 150 palavras está excelente, pois mesmo num limite pequeno, cede-se espaço à outra vertente, de algoz, ao atrapalhar o trânsito. Exato. Porque afinal, ninguém é 100% vítima. Trata-se de uma ironia, por óbvio, mas que nos deixa pensando. Em suma, um conto forte, que mexe com a gente, enquanto tranquilos atrás de um teclado, enquanto Celestinos pensam na saída mais fácil do buraco.

  26. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 9.9/10 – sabe quando aparece no word “fragment review required”? Então, ele se encaixa bem pra frase “O trajeto entre a dor e a falta de motivo até as drogas fora rápido.”;
    Estilo – 10/10 – quantidade de palavrões nível Fabio Batista no canal do Entre Contos. Aliás, para aqueles que ainda não acompanham os vídeos do canal, dêem uma passada por lá. Deus, o que tá acontecendo comigo hoje?;
    Verossimilhança – 7.5/10 – o comentário anterior me fez esquecer do texto, então vou ali dar uma olhada de novo e já volto ……………………………………………………….. ……………………………………………………………………………….. Ah sim, lembrei. Faltou explicar a trama um pouquinho melhor;
    Efeito Catártico – 6/10 – acho que não consegui me importar com o personagem o suficiente. Mas isso é comum, não se preocupe.

  27. Daniel
    20 de janeiro de 2016

    Espetacular! O suicídio, às vezes, parece lugar comum nos contos. Mas nesse caso específico, o autor soube contextualizar bem a situação do início ao fim (e fez isso com mão firme de quem sabe escrever). Parabéns! Desejo sucesso!

  28. Thata Pereira
    19 de janeiro de 2016

    Gostei do conto, a única crítica que faço é que eu utilizaria mais pontos invés de vírgulas nos parágrafos. Pode ter sido a intenção de transparecer a falta de lucidez do cara, mas acho que preferia o conto mais fragmentado por pontos. A imagem me deu muito medo (se era a intenção rs).

    Boa sorte!

  29. Eduardo Selga
    18 de janeiro de 2016

    “MORREU NA CONTRAMÃO atrapalhando o tráfego”, diz uma conhecida música de Chico Buarque. Esse parece ser o espírito de “Celestino Araújo”, mormente em seu último parágrafo.e também, em escala menor, a ironia, pois Celestino é palavra derivada de celestial ou celeste, palavras que remetem ao paraíso no qual o protagonista definitivamente não vive.

    A linguagem dura, sem eufemismos, e por isso mesmo agressiva, costuma incomodar alguns leitores, assim como encontra acolhida em muitos outros. Não é uma aspereza gratuita, absolutamente: está contextualizada pela situação social do personagem. Afinal, a miséria (do corpo e da alma) é áspera.

    A voz do narrador não me parece ser exclusivamente dele, na medida em que simultaneamente traduz a baixa autoestima do protagonista e certa voz social a respeito da população de rua e/ou drogada. Por isso a lixa grossa da linguagem é conveniente. E necessária. Poderia ter “amaciado”? Poderia, mas o efeito de sentido por certo seria outro e correria o risco, inclusive, da artificialidade. Nesse sentido, o “foda-se tudo” seria uma expressão chula no texto se estivesse gratuita, fora de contexto, o que não é o caso nesse conto que apresenta forte literariedade do início ao fim. A imagem conseguida na queda do viaduto, o corpo “[…] transformar-se num balão”, é talvez o melhor exemplo dessa literariedade, ou seja, da arte presente no texto.

    Poderia dizer que apreciei sobremaneira a narrativa, mas não: gostei pra cacete do texto.

  30. Leda Spenassatto
    18 de janeiro de 2016

    Poxa! Foda-se tudo!
    Adorei, simples assim. Só parece. Uma vida inteira carregando o
    que de mais terrível podemos carregar, a culpa de um estupro.
    Viajei em seu conto, emocional e racionalmente, dentro do contexto e do tempo/espaço. Muito coerente, descreveu em 150 palavras uma vida
    inteira, até o seu infortúnio.
    Amei!
    Parabéns!

  31. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    Então, achei mediano. A escrita está boa, mas o enredo de alguém alucinado que se suicida sem querer não funcionou bem para mim. Achei tbm incongruente o “foda-se tudo”, já que ele acreditava ser um balão. Talvez um “eu posso voar!” funcionasse melhor no contexto.

    Abraço e boa sorte.

  32. Kleber
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Álvaro.

    Este microconto é um murro no estômago. Não no meu. No do próprio personagem. Há um antigo ditado que diz que somos a soma das nossas escolhas. Todos merecemos uma segunda chance quando erramos. Mas as perguntas são: Somos apenas vítimas das circusntâncias, ou podemos fazer algo a respeito? Queremos realmente ter uma segunda chance?
    Estas são perguntas profundas que seu texto traz à tona.
    Particularmente, não sou “chegado” a linguagem obscena na literatura. Mas deixo de lado minha preferência pessoal para não obscurecer minha(humilde) opinião.
    Agressivo, forte e contundente. Está bom, mas como outros colegas aqui já expressaram, um pouco batido.

    Sucesso!

  33. Bia
    18 de janeiro de 2016

    Que imagem é essa? Casou perfeitamente com o conto. Gostei muito. Mas eu tiraria todo o primeiro parágrafo, me soa desnecessário e já me faz pensar no final, coisa que eu só deveria fazer ao chegar mesmo no final. Certo? No mínimo, tiraria o que está entre os travessões. Também não vi necessidade de nomear a mãe do Celestino. Até pra fazer com que o Celestino passe ainda mais a ideia de “aborto da natureza”. Mas enfim, gostei bastante, funcionou comigo. Parabéns.

  34. Sidney Muniz
    17 de janeiro de 2016

    Um conto bom, mas que como já falei noutro não me apetece pelo uso de palavras de baixo calão, sim, essas são mais leves, mas não achei que casaram nesse conto.

    A narrativa em si é bem executada, mas também é outro conto que mesmo com todo o drama não me atingiu, e tinha tudo para fazê-lo. Talvez tenha faltado algo, um pouco mais de embriaguez do personagem, o autor vivendo o personagem.

    No mais desejo sorte e parabenizo pelo talento!

  35. Sidney Rocha
    16 de janeiro de 2016

    Viciante. Você soube dizer, com precisão, o que era preciso. Foi bruto e sincero e atingiu fundo. Parabéns.

  36. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2016

    Achei que a narrativa mais “suja” foi muito bem executada e casou perfeitamente com o que estava sendo contado.

    O problema é que o que estava sendo contado já está batidaço. E foi a mesma abordagem de sempre… infância fodida, vítima da sociedade, drogas… daí ou vai pra criminalidade e morre na mão de polícia, ou se mata. Aqui, se matou.

    E o “foda-se tudo” não combinou muito, penso eu… dava impressão que estava muito louco e não tinha consciência do que faria.

    Abraço!

  37. Arthur Zopellaro
    16 de janeiro de 2016

    A imagem, junto com a primeira frase, me prendeu à leitura.
    Muito bem escrito, leitura extremamente fácil e bem impactante.
    O texto me causou bastante desconforto, consegui me sentir naquele ambiente.

    Esse conto está entre os meus favoritos:)

    Boa sorte!

  38. Rogério Germani
    16 de janeiro de 2016

    Talvez porque tive caso de suicídio em minha família, não consigo ver com bons olhos tramas que glamorizam a fuga da realidade.

    Mesmo que haja inúmeros “motivos”, acho que se trata de uma covardia tamanha não buscar outras alternativas, não ouvir pessoas que conseguiram contornar os mesmos problemas, antes de retirar a própria vida.

    Outro agravante no conto é o fato de Celestino estar pouco se lixando com a opinião alheia e com a realidade à sua volta – isto é evidente no uso constante do botão “foda-se tudo” em suas atitudes. Não consegui perceber que ele, noiado, estava com pena de si mesmo ou se importando com os olhares dos vivos em sua trajetória no mundo.

    É a “Desconstrução” do querubim ao avesso.

  39. Matheus Pacheco
    15 de janeiro de 2016

    Interessante , e pelo limite de palavras muito bem desenvolvidos, e um pequeno comentário, mas essa é de lerdeza minha, que só fui entender que foi um suicídio lendo um comentário (De novo, é lerdeza minha)

  40. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    Parece um daqueles contos inspirados por músicas de Chico Buarque. Infeliz esse Celestino, que só tem o céu no nome mesmo.
    O conto está bem escrito, com algumas frases ótimas. As imagens criadas dão o tom à trama que culmina em um final trágico – o pobre coitado de um querubim, diria talvez Chico. Sem asas, sem sonhos, não voou, apenas mergulhou para a morte. Atrapalhando o tráfego, como na música Construção – do Chico.
    Boa sorte!

  41. Murim
    15 de janeiro de 2016

    Entre os contos sobre suicídio que apareceram por aqui este é certamente um dos melhores. O autor escreve bem e tem domínio da linguagem. Nesse espaço tão curto é difícil ter empatia pelo suicida, principalmente quando sabemos da vida dele por narração impessoal, quase uma notícia de jornal. O final remete a “Construção” do Chico Buarque e, nesse caso, foi uma inspiração boa e muito bem colocada no enredo do texto.

  42. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    A revolta ao longo do texto o torna especial. Não acho que seja necessário sempre emocionar – a arte tem espaço para aqueles que buscam chocar e para aqueles que buscam emocionar. O texto foi bem pensado dentro da proposta e a ironia que o costura foi bem costurada.

    Mesmo que tenha aparência de um “tema batido”, não acho que o seja. A morte não foi a redenção dele. O suicídio não teve gosto de suicídio, afinal, ele estava doidão e apenas flutuando. A morte foi um foda-se.

  43. Laís Helena
    15 de janeiro de 2016

    Gostei do conto: ele causou um bom impacto. A escolha de começar narrando a morte do personagem, para então contar sua vida e voltar ao suicídio, foi interessante, passando uma ideia de ciclo, de que o personagem não conseguia sair daquela sucessão de desgraças e por isso elas sempre se repetiam.

    Porém, notei um ou dois deslizes na pontuação, que acabaram me tirando do texto. Exemplo: em “ironicamente atrapalhando a volta para casa, dos “vivos””, a vírgula poderia não existir. Você poderia ter, inclusive, trocado a ordem: “a volta dos vivos para casa”; teria deixado a frase mais fluída.

  44. Ricardo de Lohem
    15 de janeiro de 2016

    Outro conto de desgraçado que se suicida, já estou ficando anestesiado com o tema. O enredo é praticamente zero, o autor parece acreditar que narrar as desmazelas dos despossuídos é o suficiente para criar uma história impactante. Um conselho: nunca tente chocar, tente emocionar. Um conto bastante fraco, mas o escritor parece ter potencial para melhorar e se tornar muito bom. Boa Sorte.

  45. Davenir Viganon
    15 de janeiro de 2016

    O suicídio do fim, é bem batido e já li várias vezes neste desafio. Mas tua escrita é tão boa e os elementos tão fortes, que achei a melhor abordagem até aqui. A ironia do nome Celestino, de celeste, do céu, foi uma das várias sacadas boas do conto.
    Foi uma viagem curta na mente perturbada de um ser, infelizmente, tão comum nas ruas das grandes cidades. Seres que dificilmente a sociedade se importa e muitos veem um alívio quando se vão. Quantas contradições implícitas neste conto. Muito bom!

  46. Simoni Dário
    15 de janeiro de 2016

    Eu não quero ser injusta pelo talento demonstrado na escrita e narrativa do autor que considero brilhantes, mas o enredo acho tão batido, só aqui nesse desafio me parece que já li dois textos com propostas semelhantes. Nada pessoal, mas cansei um pouco desse tipo de enredo. Desejo sucesso no desafio e peço desculpas pela crítica, nem sempre os textos agradam a todos, mas reconheço o esmero e capricho do autor, reconheço também que soube colocar a vida de um personagem em tão curto espaço com maestria.
    Parabéns!
    Boa sorte!

  47. Simoni Dário
    15 de janeiro de 2016

    Eu não quero ser injusta pelo talento demonstrado na escrita e narrativa do autor que considero brilhantes, mas o enredo acho tão batido, só aqui nesse desafio me parece que já li dois textos com propostas semelhantes. Nada pessoal, mas cansei um pouco desse tipo de história. Desejo sucesso no desafio e peço desculpas pela crítica, nem sempre os textos agradam a todos, mas reconheço o esmero e capricho do autor, reconheço também que soube transmitir muito bem a vida de um personagem em tão curto espaço com maestria.
    Parabéns!
    Boa sorte!

  48. mariasantino1
    15 de janeiro de 2016

    Cara! Cheguei no meu queridão.

    Muito bom o conto. A narrativa é firme, forte, marcante e segue na proposta. Não destoa, não amacia. Veio raivosa e partiu da mesma forma. Há uma máxima que questiona “O homem molda o ambiente ou é moldado por ele?” (mais ou meno isso, já não me lembro tim-tim, por tim-tim 😛 ), mas, em todo caso, seu conto mostra a fraqueza do personagem, ao permitir que o meio sujo, cretino, onde ele estava inserido moldou o seu caráter e ele não teve força de sair dessa condição. Tornou-se vítima do meio. “FILHO DE PAI DESCONHECIDO E ESTUPRADOR, um peso nos ombros da MÃE, Núbia, doméstica que por força das circunstâncias VIROU PUTA, quase profissional”. Essa condição não é pedra irrevogável, não é martelo decisivo na vida do ser (nasceu assim, morre assim), mas acabou sendo mais forte para o Celestino Araújo.

    Parabéns pela narrativa, por usar muito bem o espaço dado (muito sagaz, como um jogador de futebol que faz tanta graça só com uma bola) e pela subjetividade.

    Boa sorte no desafio.

    P.S.: Uma ótima criação esse tropeço chamado Celestino Araújo. Venha mais uma vez com ele. Eu leria mais uma desventura desse mau caráter.

    Abração!

  49. Letícia Rodrigues
    14 de janeiro de 2016

    O texto demonstra que você sabe escrever; adorei as rimas, o tamanho das frases, as pausas. Não pareceu faltar nada, nem sobrar, o limite de palavras nem pareceu ser parte da equação. A conto mostra a bruta realidade, ou, pelo menos, a romantização eficiente desta.

  50. Heloá Magalhães
    14 de janeiro de 2016

    Caríssimo Couto,

    Eu adorei o seu conto, pois conseguiu agrupar muito bem, em 150 palavras, sentimentos, críticas e realidade.
    A progressão entre as linhas é ótima, afinal é fácil adentrar no psicológico da personagem e das demais que estão “ocultas”, mesmo os termos coloquiais se fazem adequados, portanto, uma escrita muito bem estruturada.
    Não vejo, de maneira alguma, uma mensagem ruim no texto, existe apenas o ponto de vista dessa personagem em específico.
    Ademais, é visível o caminho que entorpecentes (e seus antecedentes), metaforicamente ou não, podem levar. O texto tem até certa musicalidade.

    Parabéns, de verdade.

    Boa sorte

  51. Harllon Peixoto
    14 de janeiro de 2016

    Um tanto quanto cáustico, consegue transpor a realidade dura, sofrida e negligenciada de muitos seres para um limite de 150 palavras.

  52. Jowilton Amaral da Costa
    14 de janeiro de 2016

    Gostei. Acho que sei quem escreveu, se for quem eu estou pensando, é alguém novo aqui no EC. Direto e contundente. Boa sorte.

  53. Jef Lemos
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Álvaro!

    Gostei do conto. Bem escrito, bem estruturado e contando muito nesse espaço tão curto. A forma como você criou uma identidade para a personagem foi muito boa. De verdade.

    Parabéns e boa sorte!

  54. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2016

    Primeiro soco no estômago.

    Direto e objetivo, uma vida em 150 palavras. Uma vida miserável, diga-se de passagem.

    Já vi que terei problemas em avaliar outros a partir desse. Um texto que gostaria de ter escrito.

    Muito bom. Ainda falta um monte pra ler, mas esse vai estar no meu melhor de 3.

  55. Piscies
    14 de janeiro de 2016

    O autor claramente sabe seu caminho entre as palavras. É notório que ele escolheu uma narrativa mais chula para combinar com o personagem, tão chulo quanto. Gostei bastante desta narrativa; de como o texto foi conduzido.

    Mas a história não foi lá muito boa. A mensagem de derrotismo circunstancial (“nasci na merda, por isso estou na merda”) é usada para justificar o suicídio… duas ideias que não concordo e tenho aversão.

    De qualquer forma, acredito que o conto foi bem escrito e pode atingir alguns de forma diferente do que atingiu a mim.

  56. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Álvaro Aloísio Couto.

    Seu conto expressa bem a coisificação de um ser humano, alguém com estigma de derrota do nascimento à morte (um processo que poderia ser revertido, mas as drogas o afastaram dessa possibilidade, que, na verdade, nunca apareceu no texto), do ser humano que pensa estar SUBINDO quando está DESCENDO (sentido metafórico calibrado, no texto). Confesso que, no início, pensei: “putz! Lá vem estereótipos!”, mas gostei do restante e do efeito causado no leitor (meu caso).

    Sucesso neste desafio.

  57. Brian Oliveira Lancaster
    14 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Texto que causa um bom impacto com seu estilo de narrador onisciente. – 9
    O: Leitura fácil, sem floreios, mas eficiente. – 8
    D: Não sou muito de textos crus e diretos, mas você consegue transmitir muito bem a vida do personagem em poucas palavras, indo de seu início até o fim, numa montanha-russa de emoções. – 8
    E: Realidade aliada à ficção, com um final trágico, mas condizente com a linha de pensamento desde o início do texto. O choque de realidade funciona aqui. – 8

  58. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Acho que o texto podia explorar melhor a psique conturbada de Celestino em seus momentos finais até a queda. Podia ser mais acelerado, psicodélico, confuso. Opinião minha, claro. Por essa razão, não gostei tanto do texto como acho que gostaria, já que gostei da temática do suicídio.

  59. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Delírio e insanidade, o fim, nos braços de um (inútil) recomeço glorioso. Forte, doloroso.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .