EntreContos

Detox Literário.

Sonho Amargo (Simoni Dário)

– Vocês já pararam pra pensar que um dia o mar foi a estrada do mundo?

Silêncio constrangedor. A professora esforçava-se para dar aulas interativas, mas quem pensaria no mar à uma hora daquelas?  Calor de 40 graus à sombra e o sonho por férias na praia. Nenhum jovem era cúmplice, a estrada deles era outra e se chamava internet.

– Mas não existiam estradas sôra?

– Não, o mundo era conectado pelo mar. Uma parte dele, a que já havia sido descoberta.

Silêncio. Não absoluto. Alguns assobios, plim plim, tec tec. “A navegação moderna”.

Desistiu. Além das merecidas férias queria ar puro. Aposentou-se e embarcou para o fluxo de vida à moda antiga. Voltou orgulhosa da agência de turismo. Conferiu o destino mais uma vez – Indonésia. Num gole de vinho imaginou o final de 2004 no paraíso, sonho de consumo de uma vida inteira.

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73 comentários em “Sonho Amargo (Simoni Dário)

  1. Navegador On Line
    29 de janeiro de 2016

    Em dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,15 na costa da província indonésia de Aceh desencadeou um tsunami no Oceano Índico, que causou a morte de cerca de 226.000 pessoas na Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e outros nove países.
    http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/como-foi-o-tsunami-de-2004-no-oceano-indico-dy8v2w11tao2d22839mb3bscu.

    Para os que não pegaram a referência quanto a viagem da professora para a Indonésia.

  2. Miguel Bernardi
    29 de janeiro de 2016

    E aí, tudo bem?

    Não gostei deste.. A ideia de percepções e trazer a dinâmica de uma aula foi boa, mas não foi bem utilizada. As metáforas e comparações não soaram legal, sabe, ficaram deslocadas… Não funcionou bemz pra mim. Abraços e boa sorte.

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Sonho Amargo (Navegador On Line)
    1. Temática: Visões de mundo, percepções.
    2. Desenvolvimento: A pergunta inicial causou a reação seguinte em mim: silêncio sepulcral mesmo!
    3. Texto: Bem interessante, até o desfecho.
    4. Desfecho: Frustrou um pouco – pareceu-me que a preocupação inicial da professora esvaziou-se com a viagem. Ainda acredito que ser professor é para qualquer um; educador, não, é vocacional.

  4. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Em primeiro lugar devo destacar que achei o termo Sôra muito deslocado. Se eram crianças todas envolvidas na tecnologia, talvez aquilo ali não se encaixasse. O conto teve início, meio e fim como deve ser, mas não me atraiu, achei o enredo fraco.

  5. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    O texto em si está bem escrito. Entretanto, a ideia do autor não me agradou nem um pouco. Achei simples demais. Na verdade, acho que não fui capaz de enxergar o verdadeiro propósito desta história.

    Uma professora que cansou, se aposentou e foi viajar? Hmm… Não gostei.

  6. Wilson Barros Júnior
    29 de janeiro de 2016

    “Navigare necesse; vivere non est necesse” (Navegar é preciso, viver não é preciso), dizia o grande Pompeu. Essa professora reencarna, modernamente, o espírito dos navegadores antigos. Interessante o paralelo com os navegadores modernos: a vã navegação de hoje é mais necessária que a vida, que passa à margem dos faces&whatsapp. O General Romano estava certíssimo, acenariam, afirmativamente, os jovens de hoje. Quem parece discordar, revoltada, dessa navegação moderna é a professora, que sai em busca da sua própria. Que por sinal, concorda com a frase dos antigos: ela pode até morrer, mas navega. Muito interessante.

    • Navegador On Line
      29 de janeiro de 2016

      Que máximo esse comentário, da mais nobre profundidade!
      Obrigado por isso!
      Abraço.

  7. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    Estava gostando, até o último parágrafo aparecer. Ele ficou apresado, culpa do limite, pra dar um desfecho um tanto trágico para a história.

    Talvez pra ter o efeito desejado focar na professora fosse melhor pro desafio, contando sobre as frustrações dela, a taça de vinho e os planos sem entrar no diálgo direto com o aluno

  8. Pedro Luna
    29 de janeiro de 2016

    KKKK.. Certamente o melhor título do desafio.

    Gostei já no início, com as palavras da professora sobre o mar ser uma estrada. Muito interessante. No final, a coitada viajando para encarar um tsunami foi tragicômico. Gostei desse conto. Humor negro que não se entrega tão fácil.

    Eu fico a pensar, quantos turistas mortos naquele tsunami também não tinham esse sonho?

  9. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Gostei do conto até chegar ao final. Já me senti no papel da professora, em tentar chamar a atenção da turma com alguma coisa e nada. Dá uma aflição danada. Também curti como associou o mar às estradas, namorando com o pseudônimo e com a atual geração virtual (apesar de ocorrer há mais de 10 anos).

    O que me prendeu foi esses links e a professora, que me pareceu bastante simpática. O final, com o Tsunami complementando a ideia das ondas, também foi boa. Mas achei muito piada contada, na hora me veio o Tsunami e eu pensei “ah”. Se tivesse escondido um pouquinho mais, pra dar um tempo pra pensar, acho que prolongaria a vida do conto!

  10. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Mas que azar dessa criatura, heim!?? Não está escrito que ela foi para lá justamente no período da tsunami, mas suscitar essa apreensão no leitor foi uma ótima sacada!

  11. rsollberg
    28 de janeiro de 2016

    Na boia, o conto se salva por causa do final, pois há referência implícita do Tsunami. Ai, nesse sentido, a ironia torna-se clara. Apesar de crer que alguma coisas estão um pouco desconectadas, entendi perfeitamente o que o autor quis dizer, no caso, usando o oceano como condutor.

    É triste porque é real, uma vida tentando ensinar, e a recompensa não acontece. Na sala ou na aposentadoria. Minha única dúvida é se em 2004 a internet atrapalhava tanto assim uma aula. Fui aluno nesse período e na minha turma não tinha celular, tablet, laptop… Computador só na aula de informática, o que não parece ser o caso aqui – pela pergunta feita para a professora e pelo ambiente de 40 graus.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte!

  12. Jowilton Amaral da Costa
    27 de janeiro de 2016

    Acho que há uma falha na trama por conta de uso de celulares com navegação da internet, não eram muitos que tinha nesta época, além do mais só me liguei que na Indonésia ocorreu um tsunami em 2004 devido a ter lido os comentários, daí pude entender melhor o humor negro do conto. no geral é um conto médio. Boa sorte.

    • Navegador On Line
      27 de janeiro de 2016

      Oi Jowilton.
      Engraçado é que não cito celulares no texto, devo ser o único ser jurássico do planeta que usa computadores ainda…
      Obrigado por ter comentado e entendido o humor negro, ainda que tenha necessitado de ajuda dos comentários.
      Abraço.

  13. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    Gostei bastante do conto, que traz uma boa trama. Muito bem escrito. O final é muito legal com a professora indo para a Indonésia em 2004.
    Boa sorte no desafio.

  14. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Olá, Navegador. Aqui vai a minha opinião:

    TEMÁTICA: um pouco vaga, seria o desencanto de uma professora? Sinceramente, o texto acabou mais cara da causo do que de conto.

    TÉCNICA: Razoável, tentando trazer um pouco da oralidade do cotidiano para o texto. Mas a frase “Silêncio. Não absoluto. Alguns assobios, plim plim, tec tec. “A navegação moderna”.” realmente me pareceu hermética demais.

    TRANSCENDÊNCIA: simplesmente, apresentou um constatação do estado das coisas e uma solução amarga – a desistência em ensinar alguma coisa.

  15. Elicio Santos
    25 de janeiro de 2016

    Houve uma quebra da unidade temporal, uma vez que a professora encerra a carreira se aposenta e fica à iminência da tragédia bem conhecida em poucas linhas. Um miniconto deve se inciar e concluir nele mesmo fato que, a meu ver, despontua o conto sob análise. A ideia é boa, mas faltou algo que conectasse os intervalos de tempo para dar mais unicidade ao relato. No mais, boa sorte!

  16. vitormcleite
    24 de janeiro de 2016

    olá, tens um texto bem irónico e bem escrito, parabéns e boa sorte aí no desafio

  17. Renato Silva
    24 de janeiro de 2016

    Agora me senti no lugar dessa “dona” aí. Também leciono Geografia e á me frustrei muito com a indiferença dos meus alunos. Nada que a gente fale é mais interessante que o “tec tec” no “zap zap” no celular.

    Espero sair disso antes de me aposentar. Não quero passar por mais 25 anos letivos aguentando essa geração perdida.

    Bom conto, gostei.

    Boa sorte.

  18. Andre Luiz
    23 de janeiro de 2016

    Achei o conto muito criativo, principalmente pelas “mensagens subliminares” escondidas nas entrelinhas de sua narrativa. A forma como você introduziu a tecnologia emergindo na contemporaneidade, claramente uma novidade no ambiente escolar, foi muito interessante, pois trouxe à tona questões como a alienação e a falta de limites quanto ao uso dos celulares. Além disso, você discutiu sobre a incapacidade da professora de “controlar” seus alunos, e criticou a educação tradicional. Tudo isso, aliado ao ‘easter egg’ com o tsunami em 2004. Fantástico!

  19. Catarina
    23 de janeiro de 2016

    Como eu só leio os comentários dos outros depois que faço os meus, só agora entendi a relação com Ano Novo na Indonésia 2004 com o Tsunami. Sabendo fica mais fácil, mas se os comentários fossem fechados todos entenderiam? Eu não.

    • Navegador On Line
      23 de janeiro de 2016

      Oi Catarina
      Obrigado pelo comentário e pela leitura atenta.
      Escrevi o conto um dia antes do encerramento para participação no desafio.
      Se os comentários fossem fechados, e já sabemos isso de antemão, eu provavelmente teria colocado mais pistas no texto. para o entendimento do Tsunami.
      Muito gratificante ler no seu comentário que ficou com a frase de início do meu conto um bom tempo na cabeça, ainda mais vindo de uma escritora competente e criativa como você.
      Obrigado.
      Abraço.

  20. Catarina
    23 de janeiro de 2016

    O INÍCIO me agradou profundamente e fiquei um bom tempo com essa frase na cabeça. O FILTRO deu uma corrida no FIM, perdendo intensidade. O ESTILO meio deprimido combinou com a TRAMA da vida entediante da PERSONAGEM. OBS: Desculpe-me, não costumo fazer perguntas para o (a) autor (a), mas não entendi o título. O sonho de consumo dela era a viagem e era amarga? Ou o sonho real dela era lecionar, o que virou um sonho amargo? Este conto ficou na gaveta escondido desde 2004?

  21. Marina
    23 de janeiro de 2016

    Não achei muita graça até a última frase. Aí entendi o motivo do título. Aí tudo fez sentido e o conto teve outro significado para mim. Essa reviravolta na minha cabeça fez valer a pena. Parabéns.

  22. Simoni Dário
    22 de janeiro de 2016

    Ai, que peninha da sôra! O salário de professor está longe de ser o merecido e o sonho de consumo de uma vida inteira da professora se acaba num tsunami!! Bem legal o paralelo do mar com navegação pela internet. Tenho sobrinhos que só consigo levar pra praia subornando. Não tá fácil desconectar essa turminha! E pensando no mar como ligação do planeta, nossa, essa estrada tem história pra contar, a tal globalização começou por ali, creio eu, e hoje, considero uma revolução a febre dos computadores entre os jovens, não tem mais volta. Como mãe tive que aceitar, me acostumar e me reciclar.
    Acredito que a Indonésia deve fazer parte do sonho de consumo de muita gente, quem imaginaria! Quando assisti a notícia da tragédia de 2004 me pareceu tão surreal que levei um tempo pra assimilar. Um ótimo conto, parabéns!
    Bom desafio!

  23. Leonardo Jardim
    22 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐▫▫): achei q a trama atira pra um lado acerta outro. O tema parecia ser tecnologia x conservadorismo, mas no fim entra um tsunami e carrega esse mote.

    📝 Técnica (⭐▫▫): não é ruim, mas alguns problemas de pontuação e acentuação (crase) travaram a leitura.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): não vi nada muito novo.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): coitada da professora. Estava feliz por ela. Que escolha trágica 😦

  24. Antonio Stegues Batista
    22 de janeiro de 2016

    Um bom conto, mas não acho que a internet escraviza as pessoas a ponto de ficarem encerradas em suas casas navegando apenas por mares virtuais. Talvez algumas pessoas , mas o instinto do Homem sempre foi querer sentir a terra sob os pés, o ar no rosto, o sol na pele, enfim, a liberdade. Prova disso, é a professora, passar as férias fora de casa.

  25. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2016

    Ao iniciar a leitura de qualquer conto, poesia, enfim, em geral, faço alusão ao título. O texto diz uma coisa e o título outra. Sonho realizado? Porque o amargo? Reli, um bom conto, bem definido – não levo em consideração os erros de ortografia, gramática ou o linguajar porque não sou professor, somente apreciador de um bom texto – literal e expressivo. Foi essa a impressão e gostei bastante desse sonho. Descobri, pelos comentários, a falta de lembrança do ocorrido na época citada. O amargo está confirmado, bem como um fim inusitado e catastrófico de todo o sonho de uma vida. Parabéns e sorte no desafio.

  26. Pedro Henrique Cezar
    22 de janeiro de 2016

    Gostei bastante da analogia entre as “navegações” e a ousadia de mostrar a vida dura de um professora em uma sala de aula. Um conto muito interessante. Parabéns!

  27. Gustavo Castro Araujo
    20 de janeiro de 2016

    Confesso que fiquei dividido com este conto. Há uma premissa bastante interessante: a professora que, cansada de sua rotina com alunos pouco engajados, se aposenta e decide viver dias de um sonho na Indonésia, sem saber que será, provavelmente, vítima de um tsunami. Ou seja, o sonho que se transforma em pesadelo. A ligar as duas partes, temos o mar. Literalmente. O que me incomodou um pouco foi a execução. Apesar do mar unindo as pontas do conto, parece-me que faltou algo mais concreto. De todo modo, é um conto bacana e bem escrito – à exceção de uma crase sobrando. Parabéns.

  28. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 9.8/10 – regrinha de acentuação: nunca use crase antes de pronome ou artigo (no caso de “a” vira “à” no caso de “o” vira “ao”, mas nunca use antes de um, uma, etc.). Além disso, algumas vírgulas ficaram perdidos no oceano;
    Estilo – 10/10 – você chegou com simplicidade e conquistou a galera… OK, talvez eu tenha tomado café demais;
    Verossimilhança – 10/10 – e não é que é assim mesmo?;
    Efeito Catártico – 9.9/10 – só vou deixar uma ressalva porque exige um conhecimento muito específico por parte do leitor. Aliás, talvez tenha sido esse mesmo evento que tenha levado as vírgulas embora… Hmmmmmmmm, de se pensar.

    • Navegador On Line
      20 de janeiro de 2016

      hahahahaha, gostei do trocadilho, Evandro, mas ocorre algum evento pelo teclado do meu computador (que não é de 2004) ou no momento do envio do texto. Até quando comento os contos noto vírgulas que foram arrastadas mundo afora…
      Enfim, belíssimo comentário que me deixou muito feliz.
      Anotei as dicas, obrigado por isso.
      Abraço.

  29. Daniel
    20 de janeiro de 2016

    Gostei bastante! Um diálogo cotidiano que se passa em uma sala de aula leva a um desfecho realmente impensado. Espero ver esse conto entre os melhores. Sucesso!

  30. Thata Pereira
    19 de janeiro de 2016

    A ironia do final foi bacana, gostei. Arriscado para quem não lembra do Tsunami em 2004, mas essa ousadia é legal. Não teria graça explicar.

    Não gostei do restante da execução. Achei que o “sora” precisaria de uma ambientação melhor para ser justificado, principalmente por o conto citar “o moderno”.

    Boa sorte!

    • Navegador On Line
      19 de janeiro de 2016

      Oi Thata, olha só se entendi a referência ao sôra, a minha filha chama os professores de sôr e sôra até hoje. Foi isso que você quis dizer com “o moderno”?
      Obrigado pelo comentário, também acho melhor não explicar muito o final.
      Abraço

      • Thata Pereira
        20 de janeiro de 2016

        Oi Navegador, explico: se sua filha chama ela assim, pode ser por uma determinada região ou idade que é desconhecida por mim. Por isso, eu preciso da ambientação. Será que consegui explicar? (rs). A escola onde estudei na infância era na zona rual e as crianças chamavam a professora de “tia”, o termo “sôra” soa estranho para mim por isso.

        Quando ao moderno, é porque lembro da minha prima, com seu aparelho celular, tablet e afins… por ela ser assim “antenada”, como as crianças no seu conto parecem, ela não usa mais esse diminutivo das palavras.

        Tem quem use, claro. Como sua filha. Mas como não vivo dentro desse contexto, preciso da ambientação para me sentir inserida nele.

        Espero que eu tenha explicado melhor. =) Boa sorte!

      • Navegador On Line
        20 de janeiro de 2016

        Explicou sim Thata, e pensei a mesma coisa depois do seu comentário sobre as regiões. Acredito inclusive que os celulares chegaram primeiro em algumas regiões. E sabe que já fui criticado em alguns textos com erro ortográfico gravíssimo de palavras que usamos por aqui no dia a dia e que passa batido na revisão, porque simplesmente aquele termo para mim está corretíssimo pois uso o mesmo desde que me conheço por gente, aí levo um susto quando alguém comenta: ex: “essa palavra (agora não recordo qual) doeu de ler, não fosse isso estaria no topo.” Levei um tempo para entender que tenho que cuidar dos termos diferentes que falamos no dia a dia para transcrever para um conto para o desafio. Acho que melhorei bastante já.
        Ah, e não sei sua idade, mas quando eu era criança não tinha nada de sôra, era tia também.
        Gostei muito da troca Thata, obrigado por isso. Que bom que você gostou da ironia no final do meu conto.
        Abraço.

      • Thata Pereira
        20 de janeiro de 2016

        Imagina, agradeço você por ter compreendido! =)

  31. Leda Spenassatto
    18 de janeiro de 2016

    Uma escola, uma lousa, a mesmice no sistema devassado escolar.
    Não surgem mudanças, não há conexão no linguajar do professor com
    os alunos -, triste realidade do sistema educacional público, muito
    bem narrado pelo Escritor(a).
    Parabéns!

  32. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    O enredo é interessante, mas a escrita pede por pequenos acertos, feito as vírgulas “comidas” em alguns lugares.

    Pelo que entendi, a azarada professora foi curtir suas férias justo no Tsunami de 2004, não? Coitada! Se a ação se passou no Brasil, ela bem que poderia ter curtido suas férias à beira-mar no NE…

    Bom conto.

    Abraço e boa sorte.

    • Navegador On Line
      18 de janeiro de 2016

      KKK, no Nordeste seria ótimo, mas em sã consciência, quem imaginaria que aconteceria uma tragédia daquelas naquele paraíso, literalmente falando? Essa história do Tsunami mexe muito comigo, porque parece humor negro feito pela natureza…cruzes!
      Obrigado pelo comentário, sempre uma honra!

  33. Kleber
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Navegador!

    O melhor microconto que li até aqui. Reúne ironia, sonhos, realidades, aspirações, humor negro e conexões internas perfeitas. E tudo isso em 150 palavras!

    Sucesso!

  34. Piscies
    18 de janeiro de 2016

    A abordagem do deslocamento social daqueles que ficam “velhos demais para a tecnologia moderna” é feita com esmero aqui. Vestimos a pele da professora naquele pequeno momento na sala de aula; apenas alguns segundos de sua vida, mas que ficou claro que foram os segundos que definiram sua mudança de atitude. A professora abraçou a sua “falta de conexão” e foi viver a vida que sempre gostou de viver.

    As comparações entre a navegação antiga e a “navegação” moderna foram muito bem colocadas, sem forçar a barra. Meu pai é professor de faculdade e já fala da dificuldade que é disputar a atenção dos alunos com os aparelhos celulares. Imagina como deve ser nas escolas de ensino médio.

    No início, achei o final deslocado. Estávamos falando de adequação à tecnologia e alheamento daqueles que não se adaptam, então passamos para um final trágico, que parece destoar muito do que o conto queria falar.

    Mas então pensei melhor: e se o fato da professora ter “abraçado” a sua ignorância e decidido viver assim, a moda antiga, foi a sua tragédia? O fato de ela zarpar direto para uma tsunami talvez indique que, ao fazer isso (desistir de tentar se adequar), a pessoa segue por um caminho sem volta – o caminho “errado”. Seria um tanto exagerado… mas possível. Não sei se foi a intenção do autor, mas achei interessante.

    Abraço!

  35. Anorkinda Neide
    18 de janeiro de 2016

    Olha… precisa-se de lapidação aqui…
    Inclusive no enredo, eu não saquei o lance do tsunami, vou guardar datas? desculpe, mas não consigo..rsrs
    Ainda fiquei pensando.. ué, pq 2004?
    vi nos comentários a explicação.
    Talvez com mais tempo pra vc trabalhar este conto, consiga deixá-lo redondinho, pq falta pouco… 😉
    Abração

  36. Bia
    18 de janeiro de 2016

    Ok, se a gente pensar no tsunami que aconteceu nessa época, podemos inferir que a coitada chegou mesmo ao paraíso. Mas só podemos. Afinal, houve sobreviventes, o que garante que ela morreu? Claro, ir para um lugar que é o sonho de uma vida inteira e se deparar com uma catástrofe não deixa de ser trágico, mas… Se a intenção era me fazer crer que ela morreu mesmo, não funcionou. E não funcionará com quem não se lembrar do ocorrido. Eu fui até conferir, pra ver em que data era. Talvez o final pudesse ser diferente para trabalhar mesmo com o humor negro sem que o leitor tenha outras possibilidades ou precise pesquisar. E sobre a aula dessa professora… Falo nada, viu. Que história é essa dela afirmar que não existiam estradas para o aluno? Em 2004 eu já estava em sala de aula e não tinha problema nenhum quanto a celular ser usado em sala de aula. Quanto a crase no “à uma hora”, ela não existe. Não usamos crase antes de “um” ou “uma”. Boa sorte.

    • Navegador On Line
      18 de janeiro de 2016

      …e se ela sobreviveu deve ter rezado pra achar um celular que funcionasse em algum canto do paraíso…gostei da análise, obrigada!

  37. Eduardo Selga
    17 de janeiro de 2016

    O CONTO TRABALHA COM A IRONIA. O grande desejo da professora é ir á Indonésia de navio, viagem na qual provavelmente sucumbirá em função da catástrofe de 2004, que sacudiu o mar da região. Isso é irônico porque ela o faz pensando livrar-se nem tanto dos alunos, e sim, e muito mais, da modernidade. Ela se sente um tanto frustrada em sala de aula, falando para as paredes enquanto os alunos se importam com equipamentos eletrônicos, e será exatamente o contraponto à modernidade, representado pelo mar, conforme suas aulas, que fará com que ela se encontre com a tragédia.

    A composição da ironia está bem feita, o que no espaço desse desafio é particularmente importante, porque no site são poucos os autores que trabalham esse recurso narrativo com frequência e mestria.

    Entendo que no segundo parágrafo há uma incoerência. O narrador afirma que por estar cedo demais nenhum aluno “pensaria no mar”. Logo a seguir, contudo, a narração segue dizendo estar fazendo “calor de 40 graus à sombra e o sonho por férias na praia”. Se estava tão quente, nada impossível que algum aluno pensasse em mar. Exceto se a frase que nos dá conta dos 40 graus não se refira aos alunos, e sim ao desejo da professora. Essa hipótese parece razoável por causa da frase que vem a seguir, “nenhum jovem era cúmplice, a estrada deles era outra e se chamava internet”. Cúmplice do desejo da professora, talvez. Portanto, se não é uma incoerência, é um trecho confuso.

    É preciso maior atenção à gramatica, pois há alguns erros comprometedores, como em “[…] à uma hora daquelas?” (não existe crase antes de artigo indefinido).

    • Navegador On Line
      20 de janeiro de 2016

      Obrigado pelo comentário, sempre uma satisfação.
      Você faz análises tão profundas do texto que nem eu entendo mais meu próprio conto…
      Li novamente o texto com seu olhar preciso e digo que a frase dos 40 graus narra o desejo da professora pela natureza real das coisas, não virtuais. O ar, o mar, estar na natureza literalmente e não através dos aparelhos, o que a uma hora daquelas (mundo virtual atual), nenhum aluno seria cúmplice. Os jovens de hoje curtem mais fotos curtidas do que um bom banho de mar, ao menos a maioria. Difícil transmitir isso em poucas palavras, e o trecho pode ter ficado confuso mesmo. Antes ela estivesse curtindo fotos de praia no mundo virtual…
      Mas você, hein Eduardo, não perde uma, que inveja! Parabéns pelos comentários, todos extremamentes construtivos e de suma importância no desafio.
      E se continuei confuso, me perdoe, é o melhor que consigo por enquanto.
      Obrigado.
      Abraço.

      • Navegador On Line
        27 de janeiro de 2016

        extremamente * …e o teclado não é de 2004! Graças ao corretor, foi uma crase onde não devia…e me passou, falta de atenção, a minha.

  38. Sidney Muniz
    17 de janeiro de 2016

    Um bom conto, divertido.

    Faltou a vírgula…

    – Mas não existiam estradas sôra?

    – Mas não existiam estradas, sôra?

    Num geral uma estória interessante que brinca e faz um intercambio entre dois mundos diferentes, duas épocas que se cruzam em um jogo de palavras muito inteligente.

    Não é algo incrível, mas é um conto muito bem trabalhado que merece seus elogios.

    Parabéns e boa sorte!

  39. Sidney Rocha
    16 de janeiro de 2016

    Coitada, gente! Já não basta sofrer diariamente? Acho que foi o melhor fechamento dos que ali até aqui. Talvez a internet não fosse tudo isso ainda, mas mandou muito bem.

  40. mariasantino1
    16 de janeiro de 2016

    Ai que dó>>>>>> “Num gole de vinho imaginou o final de 2004 no paraíso, sonho de consumo de uma vida inteira.” 😦

    Então, a ironia só é percebida quando sabido do ocorrido em 2004. Não vejo com maus olhos o ato de pesquisa para se captar mais do texto, até porque uma das relevâncias da literatura é o fato de ela conseguir elencar diversos assuntos num todo. Assim, dependendo do leitor, ele morde esse ou aquele anzol. Acho que não pode faltar é o anzol. Enfim… Percebi uma aclimatação de calmaria desde o início do conto que contrasta com o final. A vida pacata da “fessôra”, referências a ânsia por água: calor de 40 graus à sombra, férias na praia, mar, navegação… tudo isso deu o tom tragicômico para o texto, porque sempre desejamos que o mocinho se dê bem nas histórias.

    Escrita boa, narrativa rápida, bem bolada.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  41. Arthur Zopellaro
    16 de janeiro de 2016

    O parágrafo final ficou MUITO bom! Queria um gole desse vinho e uma viagem pra Indonésia também hahaha

    O diálogo ficou um pouquinho confuso. Demorei a tender o “sôra” mas não foi nada que atrapalhou a qualidade do texto.

    Basta uma revisãozinha rápida e o texto fica muito bom.

    Parabéns e boa sorte!

  42. Rogério Germani
    16 de janeiro de 2016

    Realmente não deve ser fácil disputar a atenção dos alunos com o fascínio da internet … Sorte que, de fato, a professora desiludida encontrou o paraíso em 2004.

  43. Ricardo de Lohem
    16 de janeiro de 2016

    Conto bastante bom, mas com alguns problemas. Dizer que antigamente existiam navios, mas não estradas, é simplesmente inverídico; essa professora precisaria passar por uma reciclagem. Alunos fanáticos pela internet em 2004? Falta a vírgula do vocativo na fala do aluno: “– Mas não existiam estradas sôra?” devia ser: “– Mas não existiam estradas, sôra?”. Tive um branco quanto ao Tsunami, lembrei vagamente de algo na Indonésia em 2004, tive que pesquisar. Achei meio absurdo que a reviravolta do final dependesse de uma informação específica estar na cabeça do leitor, se não estivesse, ele não entenderia, o conto deveria terminar fornecendo essa informação: “… imaginou o final de 2004 no paraíso, sonho de consumo de uma vida inteira, uma dia depois que ela chegou, veio o Tsunami.” Alguma coisa assim, não pressupor que todos se lembram. Se a pessoa não lembrar instantaneamente, ter que pesquisar dilui o impacto do conto. E não entendi a mensagem: quem é contra a internet será destruído pela natureza (?!?!). Ou o jogo de palavras com “paraíso” é o único objetivo desse final catastrófico? Não entendi. Um bom conto, Boa Sorte.

  44. Matheus Pacheco
    16 de janeiro de 2016

    Cara, o melhor do texto (que é muito bom) foi o uso do “Sorâ” pode imaginar isso realmente no cotidiano

  45. Fabio Baptista
    15 de janeiro de 2016

    Boa (mini)trama que culminou numa piada de humor negro fazendo alusão a uma tragédia recente que ainda está bem fresca na memória.

    Professora só sofre, hein! kkkkkk

    Gostei!

  46. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    A ironia com o destino foi bem pensada, mas o clima de angústia dela com a vida cotidiana não foi bem construído. Grandes méritos são o flerte com a realidade e o deixar as informações de fora para quem conhece/lembra de tal evento – quase sempre acho essa dimensão adicional interessante. Fora isso, há o grande deslize da relação entre 2004 e a popularização do celular.

  47. Laís Helena
    15 de janeiro de 2016

    Estranhei o uso de computadores e celulares/tablets (seria essa a fonte do “plim plim”?) em salas de aula em 2004. Pelo que lembro dessa época (ao menos de onde estudei), eram poucas as pessoas que tinham celular. Imagino que a data tenha sido escolhida devido ao tsunami (só lembrei porque vi outras pessoas comentando).

    Além disso, não acredito que o clima de angústia que a professora experimenta tenha sido bem construído. Faltou alguma coisa para que o conto fosse mais impactante.

  48. Letícia Rodrigues
    15 de janeiro de 2016

    Em 2004 as pessoas já eram tão ligadas em tecnologia? Bem, pelo menos eu não era. Antes dos mares serem desbravados, não existiam estradas? Bem, talvez não existisse asfalto nem carros, mas cavalos e carruagens sim. E hoje? existem estradas que conectam continentes? O fato de a professora ir para a Indonésia justo quando vai ter um tsunami tem alguma coisa a ver? Não entendi.

  49. Murim
    15 de janeiro de 2016

    Flerta com o tragicômico. A ideia é interessante, mas não convenceu. Uma professora de história dizendo que não existiam estradas? Ora, é claro que existiam, apenas a navegação trans-oceânica, inclusive de importantes rotas comerciais, era feita pelo mar. Não cativa muito esse interesse da professora pelo mar, por isso perde um pouco de força a tragédia que a espera na oceania. Faltou uma vírgula antes do vocativo “sôra”.

    • Navegador On Line
      15 de janeiro de 2016

      Aqui quis dizer estradas ligando, conectando o planeta como um todo, traçando um paralelo ao mundo globalizado de hoje, internet. Não disse que a professora é de História, poderia ser Geografia, Política, até de Matemática ou Física, e ainda Informática, vai de cada um.
      Obrigado por apontar a falta de vírgula antes do “sôra”.

  50. Davenir Viganon
    15 de janeiro de 2016

    A ironia é o grande atrativo deste conto e a soma de algo do cotidiano, a indiferença dos alunos com os professores tradicionais e um evento conhecido, o tsunami de 2004 na Indonésia. O impacto quando entendemos a ironia foi alcançado com certeza. Parabéns!

  51. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    Lembrei do ocorrido no final de 2004, o tsunami. A professora navegaria de fato e acabaria no paraíso mesmo.
    O cotidiano de uma professora tentando se comunicar com os alunos, concorrendo com a tecnologia muito mais atraente.
    Bem escrito, o conto passou a ideia principal e ironizou no final.
    Boa sorte!

    • Piscies
      15 de janeiro de 2016

      Uau, não tinha lembrado da Tsunami. O conto ganhou mais impacto agora o.O”

      • Piscies
        15 de janeiro de 2016

        Ok, aparentemente todas as pessoas lembraram disto menos eu, hahaha!

      • Navegador On Line
        15 de janeiro de 2016

        Hahahaha, peguei você! Acho que o sentimento humano cria expectativas por finais felizes sempre, apesar de torcer pelos mais impactantes.
        Gostei de ter conseguido isso com você, autor gabaritado, principalmente pelas brilhantes interpretações nos seus comentários.
        Obrigada por isso e parabéns pelo talento, continue assim!
        Abraço.

  52. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Que ironia, hein? Lembre-se, apenas, que em 2004 o youtube estava nascendo, e o facebook idem. As coisas ainda não eram assim. Mas, de todo modo, o conto se serve bem ao propósito de ironizar esse nosso distanciamento do perigoso e cruento mundo real. Quem sabe?

  53. Jef Lemos
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Navegador!

    De certa forma, um conto triste em vários aspectos. Primeiro pelo mundo que se perde através das páginas da internet, e segundo e mais importante pelo pesadelo disfarçado de sonho. Gostei.

    Parabéns e boa sorte!

  54. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2016

    O salto do último parágrafo deixa várias brechas: quanto tempo a professora viveu nesse tormento, o quão o saudosismo era pesado naquele mundo conectado. Só depois de um tempo entendi o “final de 2004”, Indonésia.

    Que viagem!

  55. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Navegador On Line.

    Cara, que ironia retumbante há aqui! Essa ironia elevou o patamar do seu conto, na minha opinião. Triste pela desilusão, pela indiferença, e triste pelo que vai acontecer e não se sabe. Parabéns pela criação.

    Sucesso neste desafio.

  56. Brian Oliveira Lancaster
    14 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Texto curioso por sua abordagem ‘escolar’. A pergunta inicial consegue criar expectativa pelo que vem a seguir. – 9
    O: Simples, eficiente e direta ao ponto. – 8
    D: Gostei do tom intimista, que transmite a frustração da professora em dar aula nos dias atuais. Achei apenas a quebra temporal do meio um tanto brusca, mas com esse limite, sei que era complicado explicar mais. O final deixa uma sensação de alívio misturada com amargura. – 8
    E: A atmosfera de “sonhadora” caiu bem neste contexto. – 9

  57. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Final de 2004, a ‘sora’ realmente encontrou o paraíso. gostei muito desse conto.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .