EntreContos

Detox Literário.

Carbonizado (Leonardo Jardim)

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Alta estatura. Pelo cheiro e calor, morte recente, há aproximadamente duas horas. Odor desagradável de pele e cabelo queimados. Mesmo após anos investigando homicídios, nunca irei me acostumar.

Meu parceiro, que possuía diploma de médico-legista, examinava o cadáver. Tirei ele do fundo de um necrotério e juntos resolvemos infinitos casos. Dia ou noite, lá estava ele, pronto e disposto.

Suas análises são simplórias, mas úteis. É meio tapado, coitado. Não consegue juntar A com B. Sem minha inteligência, não é nada.

— Espere! O que colocou no bolso? — perguntei a ele, mas fui solenemente ignorado. —Escondendo evidências?

Apenas observou o horizonte distante com um brilho inédito nos olhos. Suspirou aliviado, ergue-se e, com passos decididos, ganhou as ruas, deixando-me para trás.

— Volte — gritei, inutilmente

Difícil acreditar. Meu amigo de longa data é o assassino de um crime hediondo.

Motivo? Desejo de liberdade.

A vítima? Ora, evidente este corpo carbonizado é meu.

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64 comentários em “Carbonizado (Leonardo Jardim)

  1. Katia
    9 de fevereiro de 2016

    Poca Léo, acho que escrever é o seu maior dom. Muito bom em sua singeleza.

  2. Leonardo Jardim
    31 de janeiro de 2016

    Pessoal, tô viajando e não deu pra comentar antes. Sobre o conto, tive a ideia e escrevi ele rapidamente: realmente uma homenagem aos contos policiais, pois estou muito feliz que meu conto de mistério, “O Fantasma da Pracinha”, foi escolhido pra antologia do EC. Esse microconto aqui foi uma homenagem ao gênero.

    Antes de enviar, revisei muito rapidamente e essa pressa acabou me prejudicando, pois tentando remover erros e melhorar o texto, introduzi outros. O “ergue-se”, ao invés de “ergueu-se” é um exemplo de palavra inserida nos finalmentes, assim como o ponto que faltou.

    Sobre o final, escrevi e reescrevi diversas vezes para dar o impacto necessário. Reconheço que uma transição ou dica ajudaria o final (e aqui palavras a mais ajudariam), mas fico muito feliz que mesmo assim funcionou com alguns. Agradeço a todos que colocaram meu conto entre os favoritos. Foi uma honra.

    Até o próximo desafio.

  3. Renato Silva
    30 de janeiro de 2016

    Vou comentar antes de ver os demais comentários. Ok?

    Me parece que seu texto é cheio de referências, começando pelo pseudônimo, que junta três grandes nomes do da literatura policial (Agatha Christie e Arthur Conan Doyle) e do suspense/terror, mas também com um toque policial, Edgar Allan Poe.

    O defunto em questão seria Sherlock Holmes. Você captou bem a personalidade dele: egocêntrico, arrogante, mas um investigador brilhante. Seu “assistente”, o médico Watson. Sherlock era uma figura difícil, antissocial; não devia ser fácil conviver com tal pessoa. Não me surpreenderia se um dia eu lesse algo sobre Watson ter surtado e matado seu colega de quarto, um verdadeiro mala sem alça.

    Quanto à suposta explicação para o crime, não me convenceu muito. Será mesmo que Holmes era do tipo que segurava os outros? Watson poderia ir embora quando bem quisesse, ou há algo numa das estórias que eu não tenha lido?

    Bom trabalho e boa sorte.

    • Leonardo Jardim
      2 de fevereiro de 2016

      Renato, o narrador não era exatamente Sherlock Holmes, mas uma mistura de diversos investigadores. Reconheço, porém, que as referências à dupla mais famosa ficaram mais fortes.

      • Renato Silva
        4 de fevereiro de 2016

        Podia jurar que era Sherlock Holmes, pois o pouco que ficou descrito sobre os personagens batem exatamente com ele e o Dr. Watson. Lembrei também do Holmes da série “Elementary”.

  4. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Carbonizado (Edgar Conan Christie)

    ஒ Estrutura: Muito bem escrito, com narrativa sólida e natural. O autor parece ter domínio grande na arte da escrita.

    ஜ Essência: Um texto com estória sólida, assim como a narrativa, bem fechado. E isso é excelente! É difícil encontrar microcontos que sejam assim, redondos, inteiros por si, mas abre um leque gigantesco de possibilidades para a imaginação.

    ஆ Egocentrismo: Não posso falar que gostei do enredo, mas admiro a têcnica do autor. Excelente!

    ண Nota: 8.

  5. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Uau! Que conto policial criativo. O primeiro do gênero que vi aqui no desafio e muito interessante. O próprio morto falando. E por que o amigo matou? Ficam as dúvidas mas também ficam os elogios por uma trama bem construida e um conto bem escrito.

  6. Renata Rothstein
    29 de janeiro de 2016

    Já comentei sore esse conto (certamente), mas relendo para escolher os top 15, pude ter ma visão melhor (já havia gostado antes, e achado genial) do todo do conto.
    Apesar de algumas incorreções ortográficas, achei a ideia fantástica, vejo um livro inteiro a partir do conto.
    está entre meus 15. Boa sorte!

  7. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Carbonizado (Edgar Conan Christie)
    1. Temática:
    2. Desenvolvimento: Não entendi – o cara é médico, mas é tapado?
    3. Texto: ‘Tirei ele’… Ele quem, o médico ou o cadáver? ‘… irei me acostumar’ – irei ‘miá’.
    4. Desfecho: Ghost? Ele se imaginou tentando conversar com o amigo, estado morto? Se foi isso, legal!
    Sugestão:
    Difícil acreditar, mas meu amigo, buscando liberdade, tornou-se assassino de um crime hediondo – meu corpo carbonizado era a única prova.

    Boa sorte!

  8. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Muito Bom!!!
    Um conto afável e instigante de ler. Daria para desenvolver toda uma história com base neste micro conto.

  9. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Apesar de uns probleminhas gramaticais, gostei do enredo e do modo como resolveu a história, assim como as referências do pseudônimo são inspiradoras. Parabéns!

  10. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    Conto muito bem escrito. Ambientado em livro famoso, mostra uma realidade que alguns leitores gostariam de ver. Não é o meu caso. Vamos ao que interessa.
    Boa trama, inteligente e interessante.
    Parabéns.

    • Leonardo Jardim
      31 de janeiro de 2016

      Swylmar, não entendi seu comentário. Que livro famoso e realidade é essa citada.

  11. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Gostei.

    Extremamente bem escrito. Narração fluida e ótimas descrições. O autor aqui é bastante experiente e habilidoso!

    Quanto ao final….. hmm, o final…
    Foi ótimo, claro! É esse tipo de surpresa que eu gosto de ver nos microcontos deste desafio! Só achei que foi um pouco abrupto demais. Do nada….. “BLAM!, tudo que você acreditava era mentira, porque você tá morto!!”. Chega a se parecer com um Deus Ex Machina. Ou seja, algo meio forçado e inesperado demais. Talvez se houvesse alguns indícios antes, para amenizar o choque na leitura (ser chocante é bom… mas é preciso ser cuidado com isso)

    Mas no final das contas, a ótima construção e estilo de narração salvaram completamente o texto. Parabéns, e boa sorte.

  12. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    ‘Tirei ele’… Ele quem, o médico ou o cadáver? Não entendi – o cara é médico, mas é tapado? Boa sorte!

  13. Wilson Barros Júnior
    27 de janeiro de 2016

    Não há nada que acrescentar em um microconto. Aqui temos suspense, um enredo, mistério, sobrenatural… Em cento e cinquenta palavras… Achei até melhor que um parecido, do famoso criador do microconto insólito, o escritor belga, orgulho de Anvers:

    “Antes de compreender que tinha na frente o seu próprio assassino, o homem divisou a arma, um punhal.
    Mais exatamente a lâmina do punhal.
    Na dita lâmina chispou um brilho metálico que chocou com o enorme espelho do armário.
    A vítima soltou um grito que foi embater com uma das paredes da sala.
    O reflexo da lâmina no espelho projetou-se logo a seguir na parede.
    Também o grito, por sua vez, projetou-se da parede para o espelho.
    Como era de esperar, a parede comeu o reflexo da lâmina e abafou-o.
    Mas o grito refletido no espelho acabou por se amplificar e guinchou, súbito, agudo, afiado como se lâmina de navalha.
    Foi a ponta deste que feriu inesperadamente nas costas o assassino que caiu fulminado, enquanto a vítima limpava o suor da testa.”

    Seu conto está muito bom, continue produzindo, por amor de Jacques Sternberg…

  14. Kleber
    27 de janeiro de 2016

    Olá!

    Gostei da forma como fui surpreendido. Excelente reviravolta. Não sei se foi a limitação do desafio, e menos ainda definir com clareza. Mas, ficou faltando algo.
    O lado positivo é que cheguei a levantar as sombrancelhas, tipo assim;”nuuuuuusa!”, saca? rs
    Gostei mesmo, apesar do que apontei acima.

    Sucesso!

  15. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Prezado E.C.Christie, apresento minhas impressões:

    TEMÁTICA: CSI/Dexter, com um toque de surrealismo.

    TÉCNICA: simples, mas eficiente. Lembra um pouco a literatura pulp e romance noir, com vocabulário simples.

    TRANSCENDÊNCIA: apesar do twist final, o conto não bateu na veia. A motivação do crime, também, me pareceu fraca. Boa sorte, de qualquer maneira!

  16. Miguel Bernardi
    26 de janeiro de 2016

    E aí, Edgar. Beleza?

    Então, este foi um clássico “queria ter gostado mais”… a ideia é boa, sim, essa narrativa post-mortem. Intriga, até certo ponto, mas consegui imaginar o final antes que acontecesse. Faltou despistar. Faltou suspense.
    A escrita é boa, sem deslizes, mas sem ter nada estupendo.
    Um bom conto.

    Grande abraço!

  17. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2016

    Bom, não gostei muito. A revelação claramente tem o sentido de surpreender, mas não me levantou as sobrancelhas. Também achei meio destoante essa parte: Motivo? Liberdade.

    Como assim?

    Olha, no geral é bem escrito, mas não acho que funcionou como mini conto.
    Esse trecho: ”A vítima? Ora, evidente este corpo carbonizado é meu.”, o personagem está muito sabichão logo após aparentar confusão com o acontecido. Não trouxe aqui a incredulidade que ele deveria passar ao perceber.

  18. Tom Lima
    24 de janeiro de 2016

    Novamente, a história parece não caber nas 150 palavras.
    A presunção do personagem principal torna as coisas engraçadas, mas o final não surpreende. Ele nota muito de repente que foi assassinado, sem surpresa, sem sentimentos.

  19. Lucas Rezende de Paula
    24 de janeiro de 2016

    Não achei legal o morto contando a história, ficaria melhor em terceira pessoa. Para continuar com o conto em primeira pessoa, deveriam haver indicações no decorrer do conto para a revelação no final, que não foi impactante.
    Boa sorte!

  20. Fil Felix
    23 de janeiro de 2016

    Curto muito histórias policiais, de duplas que investigam assassinatos, o sobrenatural e afins, então me identifiquei com o conto. Na primeira leitura pensei “okay, peraí”. Na segunda peguei tudo com clareza, muito bom!

    A escrita é leve, não é travada, consegue passar bem as sensações e levanta algumas observações bem interessantes. Quase que espiritual, como se o espírito estivesse ao lado do próprio corpo, ainda pensando em sua vida terrena (assim que fala?). Gerando boas imagens!

    Só acho que o final pecou, escancarando tudo, não deixando nada pro leitor imaginar ou viajar, tirar suas próprias conclusões e chegar na morte do protagonista, entregando de bandeja.

  21. Mariana G
    23 de janeiro de 2016

    É um bom suspense, mas entrega o segredo de forma muito escancarada com as perguntas finais, com isso não restou muita coisa para se questionar depois.

  22. Matheus Pacheco
    22 de janeiro de 2016

    Gostei, cara, um bom suspense, e acho que se estivesse sem esse curto limite ficaria mais sensacional ainda.

  23. Murim
    22 de janeiro de 2016

    Muito boa história e relativamente bem escrita. Em alguns pontos acho que poderia ser melhor desenvolvida, parece um pouco corrida demais. O tronco central do enredo é excelente, mas os motivos do assassinado parecem muito exagerados. No geral, um conto muito bom.

  24. Laís Helena
    21 de janeiro de 2016

    Gostei bastante! Comecei a ler o que imaginava ser um conto policial, para ser surpreendida com um pouco de terror e de fantasia! Excelente sacada!

    Só faltou uma revisão um pouco melhor: tem pontuação faltando na última fala do “fantasma”.

  25. Marcelo Porto
    21 de janeiro de 2016

    A gente vai lendo achando que é mais um conto policial e termina numa história de de fantasmas.

    Muito bom, no pequeno espaço conseguiu construir uma narrativa competente com um plot sensacional.

    Talvez a única nota destoante é a revelação do motivo do assassinato, que achei desnecessário.

    Muito bom!

  26. Piscies
    21 de janeiro de 2016

    MUITO BOM!

    No início achei o conto fraco. Pensei: “não é possível. O cara está narrando os eventos, ele está… calma. Está morto? Será mesmo?”.

    Voltei, reli o conto e tive uma grata surpresa.

    Me amarro em textos assim: que fazem você coçar aquela pulga atrás da orelha, forçam você a ler tudo de novo e te abrem um sorriso no final.

    É muito provável que o investigador tratasse muito mal o seu “amigo” legista, a ponto de fazê-lo querer matá-lo! Se em pensamento ele o chamava de lento e burro, imagino o que fazia em ações. Foi interessante ver que o médico que não sabia juntar os fatos de um caso simples conseguiu surpreender mesmo o espírito do morto, que achava que ele deixaria uma pista para trás. Seu parceiro, no final das contas, não era tão burro assim.

    Além disso, o conto está muito bem escrito! Houve uma pequena falha no tempo da narrativa, mas nada de muito grave. A escrita tem um tom pessoal, fazendo o leitor sentir-me mesmo dentro da cabeça do agora morto investigador.

    Parabéns!!

  27. rsollberg
    21 de janeiro de 2016

    A ideia do conto não é nova, mas é interessante.
    O estilo é apropriado, segue a fórmula dos contos de mistério.
    Esse trecho foi bem aproveitado, pois de forma não tão evidente mostra um pouco a motivação do assassino: “Tirei ele do fundo de um necrotério e juntos resolvemos infinitos casos. Dia ou noite, lá estava ele, pronto e disposto.
    Suas análises são simplórias, mas úteis. É meio tapado, coitado. Não consegue juntar A com B. Sem minha inteligência, não é nada”

    Contudo, o grande problema do conto é que ele é o “ghost” sem todo o processo de aprendizado e consciência do fantasma vivido pelo Patrick Swayze. Aqui, ele vai de A para B em um pulo. O protagonista não percebe que foi ele quem morreu, ele faz a analise da cena vendo seus próprios restos e, em seguida, desconfiando do parceiro, que aparentemente está furtando uma evidência… Só que no final, para garantir a surpresa, já consciente do fato ele chega é diz; “Ora, lógico que sou eu.”
    Calma ai, detetive malandrão, rs! Você estava chamando seu colega dois segundos antes e agora tudo é óbvio. Não vejo problema em fantasma sentir cheiro, calor… Se eles podem ver e se movimentar, pq não?

    Então, gostei da ideia e acho que com um pouquinho mais de calma e revisão, dá pra resolver esse problema da consciência repentina.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte.

  28. vitormcleite
    20 de janeiro de 2016

    olá, parabéns pela surpresa e pelo ambiente de suspense que consegues transmitir. Parece-me que tens que ler com mais atenção, ou em voz alta, o que escreves, mas percebemos bem onde queres chegar. Parabéns

  29. Jef Lemos
    20 de janeiro de 2016

    Olá, Edgar.

    A surpresa do final foi o ponto alto da trama, e merece os devidos parabéns. No entanto, o decorrer do conto não seguiu a mesma qualidade. A trama é boa, mas a narração não me agradou muito. Algumas mudanças bruscas no meio da história contribuíram para isso.

    Parabéns e boa sorte!

  30. Pedro Henrique Cezar
    19 de janeiro de 2016

    Adorei!!! Esse conto me surpreendeu! Achei muito interessante a construção dos pensamentos do personagem, e a reviravolta, sendo ele o cadáver carbonizado foi um choque muito interessante! Parabéns!

  31. Jowilton Amaral da Costa
    19 de janeiro de 2016

    Bom conto, boa trama. Bom suspense, ótima surpresa no final. Boa sorte.

  32. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Oi, autor (a)

    Boa a ideia de traição e de perceber o julgamento do amigo, que nem achava assim outro (que o matou) um alguém inteligente. Essa revelação foi muito boa para criar o efeito de surpresa no final. Porém (sempre o porém), penso que o final foi apressado demais. Tenho certeza que mais espaço ajudaria.

    Boa sorte no desafio.

  33. Daniel
    18 de janeiro de 2016

    Gostei do texto e, principalmente, do final inesperado. Se o autor conseguir manejar um pouco melhor os tempos verbais e der uma revisada no texto, talvez consiga passar uma impressão ainda melhor. Parabéns e boa sorte!

  34. Evandro Furtado
    18 de janeiro de 2016

    Fluídez – 9/10 – em certo momento o verbo “ergue-se” se apresenta em um tempo verbal diferente dos outros verbos na mesma sentença, o que quebra a narrativa;
    Estilo – 7.5/10 – em alguns momentos senti que as frases poderiam ser um pouco mais complexas, um vocabulário mais rebuscado, de repente;
    Verossimilhança – 7.5/10 – justamente pelo vocabulário o desenvolvimento não ficou perfeito; ainda assim…
    Efeito Catártico – 10/10 – foi uma bela reviravolta no final, perceber que é o morto a falar, realmente uma surpresa digna do pseudônimo usado.

  35. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Atmosfera curiosa. Não lembro de outro conto por aqui nesse cenário. – 9
    O: Algumas frases soaram estranhas, perto do final. No restante, a construção do relato funciona bem. – 8
    D: Conseguiu colocar uma história grande dentro de uma pequena. Ponto alto. A mudança de ponto de vista ao final é meio brusca, vide as informações repassadas no início. Sei que a intenção era causar esse suspense, e conseguiu, mesmo que a descrição inicial desse a entender que ele estivesse falando de outra pessoa. Só ficou um tanto nebulosa a questão “onisciente” do narrador. Estava aonde? Ou quando? – 7
    E: Clima de cotidiano policial bem conduzido. – 8

  36. elicio santos
    18 de janeiro de 2016

    O texto é criativo, mas deixou a desejar. O autor deveria ter apresentado mais indícios para a conexão final. Eu sei que o espaço é curto, mas há detalhes narrados que nada acrescentam à trama do microconto. Um escrito de poucas linhas deve conter somente o essencial para a produção do efeito surpresa, tão importante nos contos de acontecimento. Não gostei muito, mas o autor demonstra que tem talento. Boa sorte!

  37. Leonardo Jardim
    17 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): muito interessante o investigador instigando sua própria morte. Essa causada pelo próprio parceiro que ele abusava e desvalorizava. Só faltou dar mais pistas.

    📝 Técnica (⭐▫▫): é boa, mas cometeu uns erros de revisão (ponto faltando) e mudança temporal.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): uma história policial curta e bem diferente.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): gostei bastante. O foi final surpreendente e foge do tradicional.

  38. Cilas Medi
    17 de janeiro de 2016

    Surpreendeu, no final, como todo bom conto. Bem escrito, levando o leitor a querer saber de maiores detalhes, já sabendo através do título o que se poderia encontrar. Gostei! Sucesso!

  39. Antonio Stegues Batista
    17 de janeiro de 2016

    Gostei do conto. Não vou apontar imperfeições. O que levou o médico a cometer o crime foi por que ele não aguentou a humilhação, e a megalomania do parceiro que o considerava um palerma. Ele queria não só a liberdade, mas vingança.
    Faltou um o ali no finzinho.

  40. Catarina
    17 de janeiro de 2016

    O INÍCIO estava bom. O FILTRO furou. Parece que não conseguiu cortar a gordura no começo e faltou espaço para o desenvolvimento da TRAMA e o FINAL, embora surpreendente, ficou atrapalhado. Pena, porque gostei do ESTILO e o PERSONAGEM prometia.

  41. Andre Luiz
    17 de janeiro de 2016

    Percebi que você teve vontade de transmitir as emoções de um romance policial, todos em um conto de menos de 150 palavras. Assim, você acabou omitindo as investigações e a perseguição ao culpado, típicas do gênero, porém, acredito que a frase final realmente tenha salvado seu conto. Gostei tanto que reli e acabei gostando ainda mais. Boa sorte!

  42. Marina
    17 de janeiro de 2016

    Só tive problema com o “tirei ele”. Pessoalmente, dou mais liberdade para esse tipo de falta quando o narrador é na primeira pessoa; mas o detetive parece ser bem instruído, eu acabei exigindo mais dele. De resto, gostei da história. O final foi claro, coisa rara por aqui, e me deu uma sensação boa de desfecho.

  43. Gustavo Castro Araujo
    16 de janeiro de 2016

    Uma ideia bacana mas que no fim deixou aquela sensação de “pegadinha do malandro”. Gostei da construção do suspense e do tom confessional em primeira pessoa, típico de narrações policiais. Talvez por isso tenha levantado minhas expectativas. Ao deparar com um final que não era exatamente o que eu esperava — uma tentativa meio açodada de surpreender –, não pude deixar de torcer o nariz.

    Talvez seja esse o problema que muita gente enfrenta para escrever microcontos. Eu me incluo nesse universo. A vontade que temos, ou melhor, a noção que temos, é que devemos angariar a atenção do leitor ou surpreendê-lo a qualquer curso, especialmente no arremate do texto.. No entanto, se isso é feito sem a devida preparação, o que temos é um texto artificial.

    Também percebi alguns erros de paralelismo, concordância e um ponto final faltando.

  44. Bruno Eleres
    16 de janeiro de 2016

    Não gostei da história – achei um pouco mais do mesmo -, mas acho que você executou bem a cena do corpo carbonizado. O final me parece a eterna busca por uma surpresa, que não me agrada nem um pouco (embora eu, vezemquando, caia nessa busca).

  45. Bia
    16 de janeiro de 2016

    Morto há duas horas e o cadáver já sendo analisado pelo legista? Geralmente o que chega mais rápido ao corpo é o perito. E pelo cheiro e calor não é possível estabelecer hora da morte. Outros exames são necessários, não? Até porque o cadáver pode estar queimado, mas essa pode não ser a causa mortis… Porque o parceiro, que era tapado e com análises simplórias, era considerado tão útil? Só para que o outro evidenciasse sua superioridade sobre ele? Quando ele chama o médico de “amigo” me soa tão falso, rs. O último parágrafo, para mim, não é nada evidente, como a personagem me faz querer pensar. ali no “suspirou aliviado, ergue-se e…” há conflito no tempo verbal. É preciso uma lapidação para dar mais impacto e surtir o efeito que era desejado. Enfim, boa sorte.

  46. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    Uma boa ideia, mas não achei a motivação para o crime crível. Liberdade? Mas por que? O parceiro o privava da liberdade?
    Os tempos verbais estão um pouco confusos, mas isso não atrapalhou a leitura.
    O final surpreende,portanto há impacto.
    Boa sorte!

  47. Rogério Germani
    15 de janeiro de 2016

    A mensagem que fica deste conto: nunca subestime ninguém. Só gostaria que o final fosse mais envolvente, que houvessem pistas para o leitor descobrir a real situação do protagonista.

  48. Simoni Dário
    15 de janeiro de 2016

    Mais um GHOST. Aliás, é bem Ghost, a história é parecida, não? Gostei da leitura,, não sei se a intenção foi passar a ideia de que o cara não sabia que tinha morrido e deu-se conta apenas no final, mas acredito que não pelo “evidente, esse corpo carbonizado é meu”. O deboche do falecido sobre a inteligengência do parceiro mostra ao final quem levou a pior do suposto tapado. Tem um enredo aí, sim, com um pouco de paciência o final poderia ter sido mais impactante.
    Bom desafio!

  49. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Eu gostei. Faz juz ao seu codinome, só cuidado na composição dos tempos verbais e na entrega da história. Acredito que você poderia entregar ainda mais no final.

  50. Rubem Cabral
    15 de janeiro de 2016

    Olá.

    Um bom conto, mas com algumas falhas: variação temporal, pontuação. O enredo é instigante, mas creio que seria mais efetivo se apresentasse algo antes para melhor conexão de ideias, para que o final não ficasse com gosto de deus-ex-machina.

    Abraços e boa sorte.

  51. Anorkinda Neide
    15 de janeiro de 2016

    Oi!
    Vc escreve bem mas tem que prestar atenção nos tempos verbais, ora estão no presente ora estão no passado, eu mesma demorei a me acostumar a tomar este cuidado.
    Gosto de histórias de fantasma, tenho uma onde o cara se descobre morto e transmito nela uma agonia, o q faltou aqui e tb faltou o insight de como ele descobriu-se morto. Só pela ignorada que o médico lhe deu? Pelo objeto que o médico escondeu? Que objeto era este? Sei que cravou em 150 palavras e nao dava pra desenvolver mais, por isto seria necessario cortar algo para inserir esta informação.
    Acho que faltou apenas estes detalhes para q este microconto ficasse realmente bom. 😉
    Abraço
    ahh … eu entendi que o médico vingou-se e libertou-se pois fica implícito que ele era maltratado pelo colega arrogante.

  52. Thata Pereira
    14 de janeiro de 2016

    Gostei. E gostei do final entregue de bandeja também. Acho que foi o maior pecado desse desafio: deixar as coisas escondidas para o leitor descobrir (e inclui meu conto nesse erro). São 150 palavras, ou você explica ou corre o grande risco das pessoas não entenderem e não gostarem, como li muitos relatos no grupo e por minhas próprias leituras. Foi ousado. Mérito seu. E ainda gostei da reviravolta.

    Boa sorte!

  53. Leda Spenassatto
    14 de janeiro de 2016

    Também achei que o desfecho foi entregue de bandeja ao leitor, isso me incomodou bastante, ficou muito óbvia a sua história.
    – ergue-se e, com passos decididos, ganhou as ruas, deixando-me para trás.
    Penso que ficaria melhor “ergueu-se” e, com passos …
    Bom tema.
    Abraços!

  54. Ricardo de Lohem
    14 de janeiro de 2016

    Conto com começo, meio e fim, e uma reviravolta no final. Pena que não deu muito certo: a história não capta o interesse ou curiosidade do leitor, a reviravolta não convence. História bem fraca.

  55. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    Achei legal a ideia, mas o resultado deixou a desejar. A revelação final (que é o coração dos microcontos) não me trouxe o impacto que deveria ter trazido para impressionar.

    Talvez funcionaria melhor se o autor deixasse alguma “pista” durante o texto, para que no final desse aquele estalo no leitor, tipo: “putz, é mesmo!” ao juntar a peça solta do quebra-cabeça.

    — Volte — gritei, inutilmente
    >>> Faltou o ponto final

    Abraço!

  56. Eduardo Selga
    14 de janeiro de 2016

    NATURALIDADE POUCO NATURAL

    No primeiro parágrafo o narrador-espírito sugere não ter consciência da morte do corpo que o abrigava. Narra seu encontro com o próprio corpo como se fora de outra pessoa. Ao fim, ele nos informa calmamente que é dele mesmo o corpo. Mas entre o desconhecimento e o conhecimento súbito não ocorre nada de excepcional que justifique modificação tão brusca e ao mesmo tempo tão sem qualquer surpresa. De modo que a mim me pareceu que, embora a narração tenha alguma técnica, a necessidade de causar impacto presidiu o conto a ponto de o final parecer um tanto gratuito. É nonsense? Sim. É insólito? Sim, e certamente foi a intenção, mas mesmo as narrativas insólitas demandam coerência, ainda que não a mesma do texto realístico.

    A causa do homicídio seria o desejo de liberdade do legista. Ocorre que, pela narração, o protagonista tem quanto ao assistente uma relação de desprezo por ser medíocre e simplório, mas esse não é um sentimento explicitado ao legista, pelo que entendi. Assim, desejar liberdade talvez seja um pouco forçado, pois não me parece que ele estivesse preso, ainda que pelo desprezo. É bem verdade que ele poderia ter captado esse sentimento a partir da conduta do protagonista, mas se ele tinha pouca inteligência esse caminho me parece pouco razoável. A razão da morte talvez devesse ser outra ou então deixar mais evidente o que fazia o legista sentir-se preso.

  57. Sidney Muniz
    14 de janeiro de 2016

    Nesse caso já não curti.

    Não senti nada em relação ao personagem, principalmente em relação a narrativa, a conclusão final ficou largada…

    Ora, evidente este corpo carbonizado é meu

    Não passa emoção.

    Sinceramente não me agradou mesmo, mas demonstra boa técnica.

    Boa sorte no desafio.

  58. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Edgar Conan Christie.

    Infelizmente, sua história não me convenceu. Você escreve bem, mas esse tipo de argumento é bem difícil (minha opinião) de ser satisfatoriamente elaborado dentro da proposta de 150 palavras, pois o autor tem de sintetizar coisas e entregar o desfecho meio que aos trancos, e isso prejudica o desenvolver do suspense (este, cláusula pétrea das histórias policiais).

    Sucesso neste desafio.

  59. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    O motivo, pra mim, não foi suficiente. No caso, o texto deveria explorar mais o desejo de liberdade do assistente, mostrando, talvez, os traumas acumulados, o que, talvez, não fosse possível em um miniconto. A idéia é boa, mas não deu pra explorar muito bem, infelizmente. Mas, mesmo assim, uma boa leitura. Boa sorte.

  60. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    Gostei da história, só o final podia ter mais suspense, sem entregar o doce assim tão fácil.

  61. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Genial! Só observei alguns erros de digitação (vírgulas, e falta de letras em verbos), mas ótimo mesmo, surpreendente, forte.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .