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Detox Literário.

Carbonizado (Leonardo Jardim)

fire isolated over black background

Alta estatura. Pelo cheiro e calor, morte recente, há aproximadamente duas horas. Odor desagradável de pele e cabelo queimados. Mesmo após anos investigando homicídios, nunca irei me acostumar.

Meu parceiro, que possuía diploma de médico-legista, examinava o cadáver. Tirei ele do fundo de um necrotério e juntos resolvemos infinitos casos. Dia ou noite, lá estava ele, pronto e disposto.

Suas análises são simplórias, mas úteis. É meio tapado, coitado. Não consegue juntar A com B. Sem minha inteligência, não é nada.

— Espere! O que colocou no bolso? — perguntei a ele, mas fui solenemente ignorado. —Escondendo evidências?

Apenas observou o horizonte distante com um brilho inédito nos olhos. Suspirou aliviado, ergue-se e, com passos decididos, ganhou as ruas, deixando-me para trás.

— Volte — gritei, inutilmente

Difícil acreditar. Meu amigo de longa data é o assassino de um crime hediondo.

Motivo? Desejo de liberdade.

A vítima? Ora, evidente este corpo carbonizado é meu.

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64 comentários em “Carbonizado (Leonardo Jardim)

  1. Katia
    9 de fevereiro de 2016

    Poca Léo, acho que escrever é o seu maior dom. Muito bom em sua singeleza.

  2. Leonardo Jardim
    31 de janeiro de 2016

    Pessoal, tô viajando e não deu pra comentar antes. Sobre o conto, tive a ideia e escrevi ele rapidamente: realmente uma homenagem aos contos policiais, pois estou muito feliz que meu conto de mistério, “O Fantasma da Pracinha”, foi escolhido pra antologia do EC. Esse microconto aqui foi uma homenagem ao gênero.

    Antes de enviar, revisei muito rapidamente e essa pressa acabou me prejudicando, pois tentando remover erros e melhorar o texto, introduzi outros. O “ergue-se”, ao invés de “ergueu-se” é um exemplo de palavra inserida nos finalmentes, assim como o ponto que faltou.

    Sobre o final, escrevi e reescrevi diversas vezes para dar o impacto necessário. Reconheço que uma transição ou dica ajudaria o final (e aqui palavras a mais ajudariam), mas fico muito feliz que mesmo assim funcionou com alguns. Agradeço a todos que colocaram meu conto entre os favoritos. Foi uma honra.

    Até o próximo desafio.

  3. Renato Silva
    30 de janeiro de 2016

    Vou comentar antes de ver os demais comentários. Ok?

    Me parece que seu texto é cheio de referências, começando pelo pseudônimo, que junta três grandes nomes do da literatura policial (Agatha Christie e Arthur Conan Doyle) e do suspense/terror, mas também com um toque policial, Edgar Allan Poe.

    O defunto em questão seria Sherlock Holmes. Você captou bem a personalidade dele: egocêntrico, arrogante, mas um investigador brilhante. Seu “assistente”, o médico Watson. Sherlock era uma figura difícil, antissocial; não devia ser fácil conviver com tal pessoa. Não me surpreenderia se um dia eu lesse algo sobre Watson ter surtado e matado seu colega de quarto, um verdadeiro mala sem alça.

    Quanto à suposta explicação para o crime, não me convenceu muito. Será mesmo que Holmes era do tipo que segurava os outros? Watson poderia ir embora quando bem quisesse, ou há algo numa das estórias que eu não tenha lido?

    Bom trabalho e boa sorte.

    • Leonardo Jardim
      2 de fevereiro de 2016

      Renato, o narrador não era exatamente Sherlock Holmes, mas uma mistura de diversos investigadores. Reconheço, porém, que as referências à dupla mais famosa ficaram mais fortes.

      • Renato Silva
        4 de fevereiro de 2016

        Podia jurar que era Sherlock Holmes, pois o pouco que ficou descrito sobre os personagens batem exatamente com ele e o Dr. Watson. Lembrei também do Holmes da série “Elementary”.

  4. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Carbonizado (Edgar Conan Christie)

    ஒ Estrutura: Muito bem escrito, com narrativa sólida e natural. O autor parece ter domínio grande na arte da escrita.

    ஜ Essência: Um texto com estória sólida, assim como a narrativa, bem fechado. E isso é excelente! É difícil encontrar microcontos que sejam assim, redondos, inteiros por si, mas abre um leque gigantesco de possibilidades para a imaginação.

    ஆ Egocentrismo: Não posso falar que gostei do enredo, mas admiro a têcnica do autor. Excelente!

    ண Nota: 8.

  5. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Uau! Que conto policial criativo. O primeiro do gênero que vi aqui no desafio e muito interessante. O próprio morto falando. E por que o amigo matou? Ficam as dúvidas mas também ficam os elogios por uma trama bem construida e um conto bem escrito.

  6. Renata Rothstein
    29 de janeiro de 2016

    Já comentei sore esse conto (certamente), mas relendo para escolher os top 15, pude ter ma visão melhor (já havia gostado antes, e achado genial) do todo do conto.
    Apesar de algumas incorreções ortográficas, achei a ideia fantástica, vejo um livro inteiro a partir do conto.
    está entre meus 15. Boa sorte!

  7. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Carbonizado (Edgar Conan Christie)
    1. Temática:
    2. Desenvolvimento: Não entendi – o cara é médico, mas é tapado?
    3. Texto: ‘Tirei ele’… Ele quem, o médico ou o cadáver? ‘… irei me acostumar’ – irei ‘miá’.
    4. Desfecho: Ghost? Ele se imaginou tentando conversar com o amigo, estado morto? Se foi isso, legal!
    Sugestão:
    Difícil acreditar, mas meu amigo, buscando liberdade, tornou-se assassino de um crime hediondo – meu corpo carbonizado era a única prova.

    Boa sorte!

  8. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Muito Bom!!!
    Um conto afável e instigante de ler. Daria para desenvolver toda uma história com base neste micro conto.

  9. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Apesar de uns probleminhas gramaticais, gostei do enredo e do modo como resolveu a história, assim como as referências do pseudônimo são inspiradoras. Parabéns!

  10. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    Conto muito bem escrito. Ambientado em livro famoso, mostra uma realidade que alguns leitores gostariam de ver. Não é o meu caso. Vamos ao que interessa.
    Boa trama, inteligente e interessante.
    Parabéns.

    • Leonardo Jardim
      31 de janeiro de 2016

      Swylmar, não entendi seu comentário. Que livro famoso e realidade é essa citada.

  11. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Gostei.

    Extremamente bem escrito. Narração fluida e ótimas descrições. O autor aqui é bastante experiente e habilidoso!

    Quanto ao final….. hmm, o final…
    Foi ótimo, claro! É esse tipo de surpresa que eu gosto de ver nos microcontos deste desafio! Só achei que foi um pouco abrupto demais. Do nada….. “BLAM!, tudo que você acreditava era mentira, porque você tá morto!!”. Chega a se parecer com um Deus Ex Machina. Ou seja, algo meio forçado e inesperado demais. Talvez se houvesse alguns indícios antes, para amenizar o choque na leitura (ser chocante é bom… mas é preciso ser cuidado com isso)

    Mas no final das contas, a ótima construção e estilo de narração salvaram completamente o texto. Parabéns, e boa sorte.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .