EntreContos

Literatura que desafia.

Cumplicidade (Bia Machado)

cumplicidade-imagemParamos diante do túmulo de minha mãe. Evitamos olhar para a lápide ao lado, onde agora havia também o nome do pai dele.

– Se eu pudesse escolher, não teria o sangue desse monstro. Consigo ouvir ele me xingando…

– Esqueça o Carlos e sua cara nojenta, as agressões. As marcas vão desaparecer. Tô aqui pra te ajudar, Dani.

Caminhamos de volta para o carro, um silêncio ensurdecedor, tantas perguntas na mente. Com o carro em movimento ele demonstrou medo nos olhos ao me perguntar:

– Faria de novo? Teria coragem de matar por mim novamente, sem se arrepender?

– Quantas vezes fosse preciso. Por você, sim.

Ele sorriu, um sorriso forçado, assustado com a rapidez da resposta. Talvez não mais do que eu mesmo, apesar de saber que tinha agido em defesa de Dani. Segurei sua mão, afirmando a mim mesmo que éramos inocentes. Sempre seríamos.

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123 comentários em “Cumplicidade (Bia Machado)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Cumplicidade (R.)

    ஒ Estrutura: Escrita simples e sólida, sendo que o autor teve foco e não se desviou em nenhum momento do que importava. Isso é muito bom. Ele poderia aprimorar seu estilo, deixá-lo mais atraente, inserindo algum elemento, talvez poético, para fazer companhia à simplicidade.

    ஜ Essência: Matar por amor. Você faria isso por alguém? Existem pessoas que realmente precisam morrer? Ou todos merecem a chance de redenção?

    ஆ Egocentrismo: Não gostei muito da estória, pela falta de inovação, pelo exagero de simplicidade. Mas a leitura não foi desagradável.

    ண Nota: 8.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Agradeço o comentário, Fabio. Aos poucos, vou aprimorando meu estilo, com o tempo a gente melhora. 😉

  2. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Cena muito rápida, chegaram nas lápides e já saíram?
    É um conto bem escrito, mas não me convenceu, o fim com a declaração de amo ficou um pouco melhor.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Olá, Tamara, agradeço pela leitura. No caso, com relação ao espaço de tempo, uma pena que tenha dado essa impressão. O que eu quis foi destacar apenas um momento ali, em frente às lápides, até por conta de ter apenas 150 palavras para colocar toda a ideia. Mas vou tentar mexer nisso para não passar essa impressão novamente a alguém que leia.

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Cumplicidade (R.)
    1. Temática: Cumplicidade assassina em série.
    2. Desenvolvimento: Confuso.
    3. Texto: DE minha mãe ou DA minha mãe? Ficou a dúvida – alguém ajudaria? ‘Esqueça o Carlos e sua cara nojenta’… Quem tem a cara nojenta? O Carlos? O interlocutor (Dani)?
    4. Desfecho: Nunca temos a dimensão do quanto somos maus! Para nós, sempre seremos inocentes e as justificativas que criamos são as mais variadas possíveis! Tudo justifica nossa inocência.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Quanto à dúvida gramatical: “DE minha mãe” está correto.
      Quanto à cara nojenta, óbvio que é do Carlos. Tudo o que o narrador faz já mostra que não poderia estar falando do Dani, se até na mesma frase ele diz que vai ajudar o Dani, por que diria que o rapaz tem a cara nojenta? É uma pena que tenha lido o texto e não tenha compreendido isso. Mas como dizem, deve ser falha do autor. Agradeço novamente pelo comentário.

      • Nijair
        29 de janeiro de 2016

        Obrigado!

  4. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Bastante confuso, mesmo depois de inúmeras releituras. O final abre diversas brechas, para um porque de toda a situação. Uma frase de efeito, quem sabe, talvez, resolvesse o problema.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Olá, que pena que achou confuso. Quanto à frase de efeito no final, achei que tivesse feito isso. De qualquer forma, agradeço pela atenção.

  5. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    A forma como o pacto doentio é relatada funciona bem. Falta um pouco de consistência que demonstre o elo entre assassino e protegido, o que aumentaria o impacto do conto.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Olá, agradeço pela sugestão.

  6. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Eu já tinha lido esse conto no celular (aqui no desafio mesmo). Eu até já havia começado a escrever meu comentário por aqui, só que o celular travou e não consegui enviar.

    Mas enfim… não apreciei muito sua obra, R. Está bem escrita, e o enredo parece agradável, Mas achei meio confuso… Teve algo, em algum lugar, que parece que eu perdi. Mesmo lendo umas cinco vezes, meu cérebro sempre dá um nó, e eu nunca saco o significado verdadeiro das falas das personagens, nunca sei a quem é quem nessa relação, não entendi se eles são um casal, ou entes queridos, ou apenas amigos… sei lá.

    Não me senti conquistado. Mas o conto está bem escrito.

    Boa sorte no desafio.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pelo comentário, um abraço.

  7. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    O texto é bem escrito, mas traz uma trama muito usada e pouco criativa. O final apesar de não trazer surpresas é instigante.
    Boa sorte.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pela leitura e pelo comentário.

  8. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Muito bom! Nunca temos a dimensão do quanto somos maus! Para nós, sempre seremos inocentes e as justificativas que criamos são as mais variadas possíveis! Tudo justifica nossa inocência.

    • R.
      27 de janeiro de 2016

      Olá, Nijair, agradeço por suas considerações. E acho que concordo com elas! Um abraço e boa sorte no concurso!

  9. Kleber
    27 de janeiro de 2016

    Olá. R.!

    Gostei em especial da cumplicidade entre as personagens. Uma relação de absoluta lealdade e desapego pessoal. Muito interessante!
    Afora alguns pequenos erros de pontuação e alocação de conectivos( corrija-me se eu estiver errado), como por exemplo, no trecho onde se lê “…Caminhamos de volta para o carro, um silêncio ensurdecedor, tantas perguntas na mente…”
    Talvez ficasse melhor assim; “…Caminhamos de volta para o carro – em um silêncio ensurdecedor – com tantas perguntas na mente….” Acho que a frase ficaria melhor construída.
    Apenas por sugestão, ok?

    Sucesso!

    • R.
      27 de janeiro de 2016

      Olá, Kleber, agradeço pela leitura e comentário. Quanto à pontuação, sinceramente não sei dizer quanto a algum erro que possa existir, mas quanto aos travessões, você está certo e eu também estou, ao optar por não usá-los em uma narração de primeira pessoa. Aí é uma questão de estilo. E eu confesso que uso raríssimas vezes travessões quando faço uso de primeira pessoa, como disse. De qualquer forma, grato.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .