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Detox Literário.

Cumplicidade (Bia Machado)

cumplicidade-imagemParamos diante do túmulo de minha mãe. Evitamos olhar para a lápide ao lado, onde agora havia também o nome do pai dele.

– Se eu pudesse escolher, não teria o sangue desse monstro. Consigo ouvir ele me xingando…

– Esqueça o Carlos e sua cara nojenta, as agressões. As marcas vão desaparecer. Tô aqui pra te ajudar, Dani.

Caminhamos de volta para o carro, um silêncio ensurdecedor, tantas perguntas na mente. Com o carro em movimento ele demonstrou medo nos olhos ao me perguntar:

– Faria de novo? Teria coragem de matar por mim novamente, sem se arrepender?

– Quantas vezes fosse preciso. Por você, sim.

Ele sorriu, um sorriso forçado, assustado com a rapidez da resposta. Talvez não mais do que eu mesmo, apesar de saber que tinha agido em defesa de Dani. Segurei sua mão, afirmando a mim mesmo que éramos inocentes. Sempre seríamos.

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123 comentários em “Cumplicidade (Bia Machado)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Cumplicidade (R.)

    ஒ Estrutura: Escrita simples e sólida, sendo que o autor teve foco e não se desviou em nenhum momento do que importava. Isso é muito bom. Ele poderia aprimorar seu estilo, deixá-lo mais atraente, inserindo algum elemento, talvez poético, para fazer companhia à simplicidade.

    ஜ Essência: Matar por amor. Você faria isso por alguém? Existem pessoas que realmente precisam morrer? Ou todos merecem a chance de redenção?

    ஆ Egocentrismo: Não gostei muito da estória, pela falta de inovação, pelo exagero de simplicidade. Mas a leitura não foi desagradável.

    ண Nota: 8.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Agradeço o comentário, Fabio. Aos poucos, vou aprimorando meu estilo, com o tempo a gente melhora. 😉

  2. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Cena muito rápida, chegaram nas lápides e já saíram?
    É um conto bem escrito, mas não me convenceu, o fim com a declaração de amo ficou um pouco melhor.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Olá, Tamara, agradeço pela leitura. No caso, com relação ao espaço de tempo, uma pena que tenha dado essa impressão. O que eu quis foi destacar apenas um momento ali, em frente às lápides, até por conta de ter apenas 150 palavras para colocar toda a ideia. Mas vou tentar mexer nisso para não passar essa impressão novamente a alguém que leia.

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Cumplicidade (R.)
    1. Temática: Cumplicidade assassina em série.
    2. Desenvolvimento: Confuso.
    3. Texto: DE minha mãe ou DA minha mãe? Ficou a dúvida – alguém ajudaria? ‘Esqueça o Carlos e sua cara nojenta’… Quem tem a cara nojenta? O Carlos? O interlocutor (Dani)?
    4. Desfecho: Nunca temos a dimensão do quanto somos maus! Para nós, sempre seremos inocentes e as justificativas que criamos são as mais variadas possíveis! Tudo justifica nossa inocência.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Quanto à dúvida gramatical: “DE minha mãe” está correto.
      Quanto à cara nojenta, óbvio que é do Carlos. Tudo o que o narrador faz já mostra que não poderia estar falando do Dani, se até na mesma frase ele diz que vai ajudar o Dani, por que diria que o rapaz tem a cara nojenta? É uma pena que tenha lido o texto e não tenha compreendido isso. Mas como dizem, deve ser falha do autor. Agradeço novamente pelo comentário.

      • Nijair
        29 de janeiro de 2016

        Obrigado!

  4. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Bastante confuso, mesmo depois de inúmeras releituras. O final abre diversas brechas, para um porque de toda a situação. Uma frase de efeito, quem sabe, talvez, resolvesse o problema.

    • R.
      29 de janeiro de 2016

      Olá, que pena que achou confuso. Quanto à frase de efeito no final, achei que tivesse feito isso. De qualquer forma, agradeço pela atenção.

  5. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    A forma como o pacto doentio é relatada funciona bem. Falta um pouco de consistência que demonstre o elo entre assassino e protegido, o que aumentaria o impacto do conto.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Olá, agradeço pela sugestão.

  6. Thales Soares
    28 de janeiro de 2016

    Eu já tinha lido esse conto no celular (aqui no desafio mesmo). Eu até já havia começado a escrever meu comentário por aqui, só que o celular travou e não consegui enviar.

    Mas enfim… não apreciei muito sua obra, R. Está bem escrita, e o enredo parece agradável, Mas achei meio confuso… Teve algo, em algum lugar, que parece que eu perdi. Mesmo lendo umas cinco vezes, meu cérebro sempre dá um nó, e eu nunca saco o significado verdadeiro das falas das personagens, nunca sei a quem é quem nessa relação, não entendi se eles são um casal, ou entes queridos, ou apenas amigos… sei lá.

    Não me senti conquistado. Mas o conto está bem escrito.

    Boa sorte no desafio.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pelo comentário, um abraço.

  7. Swylmar Ferreira
    27 de janeiro de 2016

    O texto é bem escrito, mas traz uma trama muito usada e pouco criativa. O final apesar de não trazer surpresas é instigante.
    Boa sorte.

    • R.
      28 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pela leitura e pelo comentário.

  8. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Muito bom! Nunca temos a dimensão do quanto somos maus! Para nós, sempre seremos inocentes e as justificativas que criamos são as mais variadas possíveis! Tudo justifica nossa inocência.

    • R.
      27 de janeiro de 2016

      Olá, Nijair, agradeço por suas considerações. E acho que concordo com elas! Um abraço e boa sorte no concurso!

  9. Kleber
    27 de janeiro de 2016

    Olá. R.!

    Gostei em especial da cumplicidade entre as personagens. Uma relação de absoluta lealdade e desapego pessoal. Muito interessante!
    Afora alguns pequenos erros de pontuação e alocação de conectivos( corrija-me se eu estiver errado), como por exemplo, no trecho onde se lê “…Caminhamos de volta para o carro, um silêncio ensurdecedor, tantas perguntas na mente…”
    Talvez ficasse melhor assim; “…Caminhamos de volta para o carro – em um silêncio ensurdecedor – com tantas perguntas na mente….” Acho que a frase ficaria melhor construída.
    Apenas por sugestão, ok?

    Sucesso!

    • R.
      27 de janeiro de 2016

      Olá, Kleber, agradeço pela leitura e comentário. Quanto à pontuação, sinceramente não sei dizer quanto a algum erro que possa existir, mas quanto aos travessões, você está certo e eu também estou, ao optar por não usá-los em uma narração de primeira pessoa. Aí é uma questão de estilo. E eu confesso que uso raríssimas vezes travessões quando faço uso de primeira pessoa, como disse. De qualquer forma, grato.

  10. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2016

    Fiquei meio confuso no início com as lápides da mãe de um e do pai de outro. Interpretei que eram meio irmãos.

    Bom, a trama joga com algumas possibilidades. Quando a narração diz que o personagem se assustou com a resposta rápida, nos faz pensar que o personagem que respondeu tem ares de psicopata. No entanto, se o tal Carlos descia o cacete no outro, talvez a violência tivesse desencadeado uma reação natural de qualquer ser humano ao ver o outro ser espancado.

    Bom, enxerguei esse conto de uma maneira fechada (trama simples, onde um matou o pai do outro pra livrar ele da agonia) e de maneira aberta (lápides lado a lado, qual o grau de relacionamento dos personagens? Motivações?). Não está entre meus preferidos (o diálogo também me soou mecânico), mas no geral foi um bom trabalho.

    • R.
      26 de janeiro de 2016

      Olá, Pedro, agradeço por sua leitura e suas considerações. Sem a limitação de 150 palavras, depois do Desafio, tentarei melhorar o que foi apontado. Grato.

  11. Wilson Barros Júnior
    26 de janeiro de 2016

    O conto, muito feliz, lembrou-me uma das maiores obras de arte já produzidas pela humanidade: “O beijo da mulher aranha”, de Manuel Puig. Nesse romance, um dos protagonistas, o militante político Valentin apaixona-se por seu companheiro de cela, , Molina, um homossexual preso por pedofilia. Quase no final do livro, Valentin fala para Molina: “Cada vez me convenzo más de que el sexo es la inocencia misma.”

    O conto aqui presente, que ficou espetacular, traz inclusive as mesmas cenas de agressão e tortura que permeiam o livro de Puig. Ao que parece, um amor profundo entre duas pessoas muitas vezes atrai a violência.

    Confesso, para a minha eterna vergonha, que não fiquei em dúvida quanto ao enredo do conto. Tenho que admitir, também, que não penso que um conto tenha que ser todo explicado, claro, nem uma peça de didática. Se for assim, teremos que banir Henry James desde a primeira até a última volta do parafuso.

    Agradeço muito ao autor pelo conto e a evocação de sentimentos distantes. Muito bom, muito bem construído.

    • R.
      26 de janeiro de 2016

      Olá, Sr. Wilson. Fico feliz que o conto tenha funcionado para o senhor. Feliz com a lembrança de Henry James, um dos meus autores favoritos e de seu texto “A Outra Volta do Parafuso”, um dos meus preferidos também. Muito grato. Ainda não li um texto do Puig, mas me interessei.

  12. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Prezado/a R., seguem minhas observações:

    TEMÁTICA: pacto sinistro, mas não fica bem claro qual o teor. A proximidade entre os túmulos (da mãe de um e do pai de outro) dá impressão que é uma atividade recorrente.

    TÉCNICA: transmite a ideia, ainda que de uma forma ligeiramente confusa. Carlos era o pai de quem? Como não tinha verbo discendi, não dá para saber quem disse o quê.

    TRANSCENDÊNCIA: não encontrei uma maneira de me identificar com a história ou os personagens, acho que a técnica contribuiu para a minha dificuldade de entendimento. Boa sorte!

    • R.
      26 de janeiro de 2016

      Olá! Bem,eu sequer pensei em pacto ao planejar o texto. Mas talvez é possível que a cumplicidade entre eles possa ser chamada assim também, afinal um promete ajudar o outro sempre que for preciso. “Carlos era o pai de quem?” É o pai daquele que disse que não gostaria de ter o sangue dele. E esse é o Dani, assim chamado pelo narrador. A terceira fala tem a narração introduzida pelo narrador, mostrando que é o outro quem vai falar… Bem, só explicando, mais para registrar mesmo, porque, como dizem, se o autor explica demais é porque o texto não funcionou. De qualquer forma, agradeço pelo comentário.

  13. Miguel Bernardi
    26 de janeiro de 2016

    E aí, R. Tudo bem? (Me lembrei do L, do Death Note, enfim)

    Gostei do texto pelo clima de suspense que foi construído e pelo pequeno clímax quando se revela quem matou o Carlos. O final também é bom… é um afirmação, mas fiquei com a dúvida na cabeça. Será que ele acha que essa afirmação é verdadeira? rs.

    Acho que faltou um pouco nos diálogos. Ficaram um pouco frios, faltou trazer essência para eles, deixar visível o quanto um gostava do outro ali (mesmo que isso seja mostrado no ato de legítima defesa… foi meio contraditório).

    Grande abraço e boa sorte.

    • R.
      26 de janeiro de 2016

      Olá! Quanto aos diálogos, deve ter ocorrido o que eu temia mesmo: a limitação das 150 palavras com o meu despreparo pra deixar um texto tão conciso quanto deveria… Pensei ter conseguido um bom resultado, mas pelo visto não… Agradeço pela leitura e pelo comentário.

  14. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2016

    Bom conto. Tem toda uma atmosfera de mistério, que foi bem construída. Na primeira vez que eu li achei que Dani fosse uma menina, por descuido na minha leitura mesmo, não por confusão de narrativa. Boa sorte.

    • R.
      25 de janeiro de 2016

      Agradeço pelo comentário, também pela leitura atenta. 😉

  15. Mariana G
    24 de janeiro de 2016

    Olá, R.

    Achei seu conto interessante e o tema que você escolheu foi bem aplicado. Mas existe ressalvas.
    Os diálogos estão muito plásticos e teatrais, eles entregam todas as informações sem naturalidade e não consigo sentir o peso das emoções que os personagens carregam.
    A narrativa não é muito boa no começo, mas melhora bastante nos momentos finais.

    Boa sorte!

    • R.
      24 de janeiro de 2016

      Ok, tome isso como exemplo de alguém que escreveu seu primeiro micro conto e que promete que vai tentar melhorar, essa questão dos diálogos pode ter ocorrido por não saber como colocar algumas informações na narrativa, aí acabei fazendo uso dos diálogos. Bem, eu tentei não cair nisso que você falou, mas pelo visto não deu certo, ao menos com a maioria. Agradeço pelo comentário.

  16. Tom Lima
    24 de janeiro de 2016

    Mais um que agrada muito. Ganha força pelo que não conta. Quero dizer, porque diabos o túmulo da mãe de um fica ao lado do túmolo do pai do outro? Meio irmãos, talvez? O assassinato tem motivo, mas qual era o motivo das agressões? Um pai homofóbico? Essas perguntas, na dose certa, dão um gosto bom à leitura.

    Acho que eu sou meio trágico, e espero sempre um assassinato, por isso o final não foi inteiramente uma surpresa.

    O único ponto fraco foram os diálogos, que não me soaram autenticos, geram uma certa estranheza. Os dois primeiros pareceram falas forçadas, enquanto o terceiro da informação quase em excesso. Só o último me agradou, soando autêntico e natural.

    Muito bom. Parabéns.

    • R.
      24 de janeiro de 2016

      Olá! Talvez os diálogos tenham ficado assim por falta de espaço, ou por eu achar que havia pouco espaço para tudo o que deveria mostrar. Vou rever isso com mais calma (e mais espaço). Ah, sobre a surpresa ou não, acho que somos assim devido a essa loucura que nos rodeia, é o que acredito. Te agradeço pelo comentário e pela leitura também!

  17. Lucas Rezende de Paula
    24 de janeiro de 2016

    A revelação final ficou interessante, deu o impacto que os microcontos precisam. Só estou cansado dessa onda depressiva que está no desafio.
    Boa sorte!

    • R.
      24 de janeiro de 2016

      Olá, Lucas. É uma pena que esteja cansado da onda depressiva, mesmo assim agradeço pelo comentário.

  18. Fil Felix
    24 de janeiro de 2016

    Gostei do conto e das interpretações que podemos fazer, imaginando como é/ e foi o relacionamento dos dois rapazes. São várias pistas espalhadas pelo conto, mas que não concluem nada, deixando para o leitor esse papel. O que é interessante. Seriam meio-irmãos? Namorados? Por que a violência? O assassinato? Vão repetir?

    Só acho que a execução ficou meio travada. Por serem dois personagens masculinos, apenas um com nome, e utilizando bastante o “ele”, a gente acaba se perdendo em quem está falando o quê, quem é quem.

    • R.
      24 de janeiro de 2016

      Olá, agradeço pelo comentário. Quanto aos diálogos, tentei da melhor forma possível identificar quem é quem, tendo 150 palavras; para alguns funcionou, para outros não. Depois do desafio fica mais tranquilo pra tentar rever. Abraço!

  19. Matheus Pacheco
    22 de janeiro de 2016

    Nada melhor que a cumplicidade meu amigo, muito legal cara

    • R.
      23 de janeiro de 2016

      Olá, Matheus! Agradeço pelo comentário, embora tenha ficado curioso: por que chegou a essa conclusão, lendo a história? 🙂 Abraço!

  20. Murim
    22 de janeiro de 2016

    É um conto que fala pouco e diz muito. Dani é um nome equívoco, geralmetne se refere a uma mulher, mas depois de ler com calma e descobrir cada voz dentro do conto, me dei conta de que os dois cúmplices são tratados no masculino. Os diálogos e as mãos dadas no final dão a entender um relacionamento amoroso entre eles. A mãe de um e o pai do outro estão enterrados praticamente juntos. Tudo leva a crer que enquanto os mortos formaram um casal, os vivos – filhos de um e de outro – também formam um casal agora. Provavelmente essa união homoafetiva seja a raiz das agressões, das marcas. Tudo muito subentendido, nada é explícito. Achei que a forma que você deu ao conto combinou muito com o enredo.

    • R.
      22 de janeiro de 2016

      Olá, agradeço muito pela leitura. E tenho que admitir que gosto muito de subentendidos rs. Acho que aqui não funcionou para todos, mas tudo bem. Faz parte! 😉 Grande abraço e boa sorte nesse concurso! 😉

  21. Rsollberg
    22 de janeiro de 2016

    O grande feito deste conto vem justamente das múltiplas possibilidades que ele abre. A força do não dito, do lacônico.

    A única coisa que conclui com certeza é que Dani é homem. “Ele sorriu, um sorriso forçado, assustado com a rapidez da resposta. Talvez não mais do que eu mesmo, apesar de saber que tinha agido em defesa de Dani”. E que eles também não são irmãos de pai e mãe. Contudo, nem essa informação parece ser gratuita, pois existe a possibilidade de serem irmãos de pais diferentes, onde o pai de Dani, abusava da mãe de seu/sua “irmã” criando também essa tal cumplicidade. Dai, um dos motivos de terem sido enterrados próximos, marido e esposa. Sem contar a menção da inocência, típica da crianças, ou em um alongamento do conceito, dos que cresceram juntos.

    Em outro exercício é possível ver um casal que não é muito bem visto pelo pai de Dani, ai o leque se abre de infinitas possibilidades. Numa releitura macabra, podemos ver a coisa como um pacto, Dani matou a mãe de seu parceiro@ e agora teria sido a vez do outro personagem matar o pai de Dani, para que enfim pudessem ser livres. E o fato de “sempre seremos inocente” dá o tom da psicopatia da dupla.

    Putz, viajei muito!
    Os diálogos são interessantes, com atenção não há como se perder. Penso que a marcação é desnecessária, apenas facilita o leitor preguiçoso, afinal são só 4 frases. Esse povo acostumado com coisas mastigadas dos novos best sellers, rs.

    Parabéns por ter criado uma história com inúmeras hipóteses. Boa sorte no desafio!

    • R.
      22 de janeiro de 2016

      “Putz, viajei muito!” Cara, ler isso foi um colírio para os meus olhos. Agradeço mesmo por toda essa análise, bem subjetiva em muitos pontos, ao mesmo tempo que muito interessantes, pois fazem a mim, o próprio autor, ver o texto em uma outra dimensão. Se eu disser que era isso mesmo que eu desejava não estarei mentindo. Eu não teria como entregar tudo o que pensei para essa narrativa em 150 palavras. Então arrisquei mesmo, pra ver o que ia acontecer. Agradeço muito por corresponder nesse aspecto.

  22. Laís Helena
    21 de janeiro de 2016

    Gostei muito do seu conto e de tudo o que ele deixou implícito, ainda mais com uma revelação diferente da que eu esperava. A única coisa que confundiu um pouco foram os diálogos, devido à falta da indicação de quem disse o quê, ainda mais por apenas um dos personagens ter nome.

    • R.
      21 de janeiro de 2016

      Oi, Laís, fico feliz que tenha gostado! Quanto aos diálogos, um deles disse o nome do outro, achei que assim resolveria, mas pode ser que não tenha funcionado bem. Vou rever isso, prometo! Grande abraço!

  23. Piscies
    21 de janeiro de 2016

    Gostei!

    Um conto diferente por contar uma história inteira no pequeno espaço proposto. Não soa como uma fotografia de um momento, ou mesmo o meio de uma trama que somos obrigados a preencher as lacunas com a nossa imaginação. Aqui, vemos o final, sentimos o alívio dos personagens e sabemos do sofrimento que eles passaram – mesmo que esta parte tenha mesmo que ser preenchida por nossa imaginação.

    Além disso, ele aborda aquela velha questão da justiça: como ela deve ser feita? Será que, afinal, os personagens eram mesmo inocentes? Aos olhos da justiça nunca o seriam, mas e aos olhos dos seres humanos que, diferente da dama que segura a balança, não são cegos e têm sentimentos?

    Um conto que aborda muito em tão pouco tempo. Parabéns!

    • R.
      21 de janeiro de 2016

      Agradecido por seu comentário. Acho que foi o que compreendeu melhor o que aconteceu com o meu texto, ao menos de uma forma que as imperfeições não causaram muitas dúvidas. Será mesmo que não? Ao menos essa foi a impressão. De qualquer forma, valeu. Grande abraço!

  24. vitormcleite
    20 de janeiro de 2016

    olá, parabéns pela história, bela trama, talvez tenhas que refinar um pouco mais a escrita, ou fazer mais atenção no corte para atingir as 150 palavras, de modo a não ficarem tantas pontas soltas, mas gostei da tua escrita e de todo o suspense. Parabéns e boa sorte

    • R.
      21 de janeiro de 2016

      Agradecido, Vitor. Provavelmente as pontas soltas mostram que seriam necessárias mais palavras pra história dar certo. Abraço!

  25. Jef Lemos
    20 de janeiro de 2016

    Olá, R.

    A trama que você teceu é muito boa. mas a narração não ajudou muito. Senti o texto meio travado em alguns momentos, fugindo da fluidez que se costuma ter nesses textos curtos. A questão dos pais também me deixou meio perdido e acho que se cortasse essa parte, ou colocasse de uma forma diferente, melhoraria bastante o conto.

    De qualquer forma, parabéns.

    Boa sorte!

    • R.
      20 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pelas sugestões.

  26. Pedro Henrique Cezar
    19 de janeiro de 2016

    Uma história que forneceu muitas informações em poucas linhas, grande feito. A história foi bem interessante, não me causou muito impacto, mas este não era sua função. Esse conto pode ser confuso em uma primeira leitura, até porque algumas coisas ficam a cargo do leitor presumir. Parabéns!

    • R.
      20 de janeiro de 2016

      Ok, obrigado pelos apontamentos.

  27. Marcelo Porto
    19 de janeiro de 2016

    Gostei da trama, realmente muito boa. Mas a narrativa está meio truncada, a falta de marcações nos diálogos dificulta o pronto entendimento, precisei retornar para entender quem fala o quê. Ainda mais com o tumulo da mãe ali, que complica mais que ajuda.

    No mais, uma boa história de assassinato.

    Tem potencial.

    • R.
      20 de janeiro de 2016

      Obrigado pela leitura.

  28. Evandro Furtado
    19 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – ótimo balanceamento, parágrafos bem trabalhados, pontuação bem colocada;
    Estilo – 10/10 – narrativa perfeita, diálogos muito interessantes;
    Verossimilhança – 10/10 – ótimo desenvolvimento de trama, personagens complexos;
    Efeito Catártico – 10/10 – a reviravolta final foi de grande intensidade. A frase final também trouxe um efeito sublime à história. Fantástico escrever tanta coisa em um espaço tão pequeno.

    • R.
      19 de janeiro de 2016

      Obrigado pelas notas, não esperava isso a essa altura do campeonato! Acho que nunca recebi tanto 10 de uma só vez assim, valeu! Que bom que gostou.

  29. Renato Silva
    19 de janeiro de 2016

    Texto bem escrito. Só fiquei um pouco confuso na primeira vez que li, onde aparece a primeira fala e não sei se tratar do personagem narrador ou do Dani. Sugiro indicar, pelo menos na primeira fala, de quem se trata.

    Não gosto de “romance gay”, mas esta passagem ficou bem bacaninha. Tudo muito sutil e discreto.

    Boa sorte

    • R.
      19 de janeiro de 2016

      Na segunda fala, o narrador chama o outro de Dani, coloquei assim com a intenção de não deixar dúvidas, fiquei mesmo com receio de isso acontecer e achei que tivesse dado certo. Quanto a romance gay, acho que é importante que os autores nacionais trabalhem mais a diversidade, me incomoda às vezes ver que nos textos há pouco espaço para negros, deficientes físicos, gays etc., salvo em papéis muito específicos. Agradeço pela leitura.

      • Renato Silva
        22 de janeiro de 2016

        Como eu disse, é uma questão de gosto pessoal. Por exemplo, gosto de FC e fantasia, mas não curto romance (esse mesmo de homem e mulher), mas isso não quer dizer que eu ache que isso não deveria existir.

        Sou um grande defensor da liberdade de criação dos autores e penso que um escritor deve escrever o que ele quer, gosta, está sentindo, e não para agradar aos outros. Não escrevo para agradar e não penso se o que faço vai agradar, ofender ou tá “reproduzindo estereótipos”, mas defendo o direito de outros autores fazerem obras diferentes, mesmo que eu jamais as leia.

        Obrigado pela atenção e parabéns pela atitude de responder a todos os comentários.

        Novamente, boa sorte.

  30. Antonio Stegues Batista
    18 de janeiro de 2016

    O pai de Dani (Daniel?) foi sepultada ao lado do pai do outro, que o matou por maltratar àquele. Não foi coincidência. Será que a mãe foi morta? Às vezes é difícil entender a ideia de alguém, ainda mais quando se pega a história pela metade e não se consegue adivinhar o que se passou realmente.

  31. Antonio Stegues Batista
    18 de janeiro de 2016

    A mãe de um já está ali sepultada, e o pai do outro é sepultado ao lado.

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Certo, valeu pela leitura.

  32. mariasantino1
    18 de janeiro de 2016

    Oi. Como vai?

    Vi aqui um casal homossexual que se ver vitima, uma vez que ninguém pode escolher por quem se apaixonar (a imagem escolhida também remete a isso) Provavelmente eles assassinaram alguém para viver esse amor. Pra mim essa visão foi clara, mas, ainda assim a execução poderia ser melhor.

    Boa sorte no desafio.

    Abraço!

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Ok, agradeço pela leitura.

  33. Daniel
    18 de janeiro de 2016

    O texto é bem escrito e a trama bem delineada. Percebi aqui pelos comentários que muitos tiveram alguma dificuldade para se situar na história (meu caso, inclusive). Talvez, um caminho para isso, fosse o autor usar menos personagens para um conto pequeno, já que nesse curto espaço fica realmente difícil de definir quem é mãe, quem é pai, Dani, Carlos.

    De todo modo, não interpretei que essa confusão tenha atrapalhado o texto.É uma história bem escrita e bem sincronizada com o título. Parabéns!

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Olá. Agradeço pela leitura e pelo comentário. Na hora de montar o conto coloquei a menção ao pai de um e à mãe de outro para que ninguém pensasse que era um amor incestuoso, mas acabei atrapalhando mais ainda. Uma pena.

  34. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Simples e direto ao ponto. Cenário de fácil assimilação. – 8
    O: Não notei nenhum problema aparente. Flui bem entre os diálogos. – 8
    D: A reviravolta nos micro contos é o que faz a diferença. Você consegue atingir esse objetivo aqui, mesmo que as motivações da garota sejam subjetivas. – 8
    E: Apesar do clima ser interessante, senti falta de algo mais. Eles visitam o túmulo, combinam de matar mais alguém e tudo beleza. Soou um tanto inverossímil, dentro do contexto. Mas os sentimentos foram bem repassados. – 7,5

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Olá, agradeço pelo comentário, mas pelo item E da sua análise, vi que falhei com você com relação ao texto, porque entendeu algo que nem supus que alguém entendesse e, claro, a culpa é minha. Valeu!

  35. Leonardo Jardim
    18 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐⭐): achei muito legal, deixa algumas lacunas, mas que não estragam o conto. O que é realmente importante está ali.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, sem problemas.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é novo, mas é criativo.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): gostei do texto, pois me fez ficar pensando depois que acabei de ler. Talvez o impacto fosse maior se a revelação sobre ou autores da morte fosse feita mais para o fim.

    • Leonardo Jardim
      18 de janeiro de 2016

      Após ler os comentários, percebi que foram muitas dúvidas de interpretação, então resolvi dar meu feedback ao autor: ao ler o conto, percebi que eram dois homens que poderiam ter um relacionando homoafetivo de fato ou de desejo e tinham pais diferentes. Não percebi, na leitura, a relação entre os pais e isso não atrapalhou a leitura.

      Abraços.

      • R.
        18 de janeiro de 2016

        Valeu pelo feedback.

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Obrigado pelo comentário e agradeço ainda mais pela dica quanto ao impacto, não tinha pensado nisso, valeu mesmo. Vou dar um jeito de mexer nisso.

  36. elicio santos
    18 de janeiro de 2016

    O conto tem potencial, mas penso que necessita de revisão. Um texto curto deve dar margem a interpretações, pois isso é o que dá teor literário ao que se escreve. No entanto, os bons contos possuem duas histórias em fluxo, uma aparente e outra subjacente. Produções ficcionais curtas com duas narrativas aparentes, como é o caso do texto comentado, trazem mais dúvidas do que respostas. Basta usar mais cautela na revisão proposta, a fim de aparar essas arestas que trazem certa confusão ao leitor. Boa sorte!

    • R.
      18 de janeiro de 2016

      Escrevi pouquíssimos contos tão pequenos quanto esse. Acho que esse é o menor, aliás. Para a primeira vez, creio que me saí bem e estou aprendendo. Valeu a dica.

  37. Andre Luiz
    17 de janeiro de 2016

    Achei fantástico o conto, revelando personalidades conturbadas de “meio-irmãos” em busca de uma razão para suas ações, bem como uma força maior que os une mesmo na adversidade que enfrentavam. Foi curioso para mim lê-lo, muito mais depois que li alguns comentários que acabaram sanando algumas dúvidas… Boa sorte!

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Agradeço pelo “fantástico”, é bom ler algo diferente por aqui, hehehe. Pena que teve que ler os comentários para entender, fico um pouco incomodado quando isso acontece comigo, mas mesmo assim valeu o comentário e a leitura! Boa sorte pra você também!

  38. Cilas Medi
    17 de janeiro de 2016

    Bem descrito e finalizado, confirmando habilmente com o título. A cumplicidade na morte, pela defesa do amado, até que é justificável, como o autor conseguiu demonstrar. Parabéns! Sorte!

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Agradeço por sua análise e leitura! Sorte pra você também!

  39. Catarina
    17 de janeiro de 2016

    O INÍCIO é a única coisa que não vi sentido. Não entendi o porquê dessa mãe no meio, já que o núcleo do conto não revela ou dá importância para a origem da relação dos dois. O FILTRO funciona bem e o ESTILO me agrada por abrir várias portas de interpretação da relação entre os PERSONAGENS. A TRAMA foi feliz e contundente, pouco importando o restante; o título já deixava isso claro e o FIM deu um toque de leveza ao crime.

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      O INÍCIO foi o grande problema, pelo jeito. E eu assumo que ficou assim na tentativa de deixar bem claro que eles NÃO eram irmãos, mas viviam juntos. Não queria que pensassem ao ler que se tratava de um incesto. Erro meu. Agradeço sua análise!

  40. Marina
    17 de janeiro de 2016

    Não fiquei com tantas dúvidas quanto o resto do pessoal. São meio-irmãos que podem ou não ter um relacionamento; isso não é relevante. Mas é certo que o narrador tem uma espécie de obsessão pelo outro, já que foi capaz de matar por ele. E acaba com uma crise de consciência. Achei simples e bem escrito. Não parece ter sofrido cortes para caber nas 150 palavras e isso já é uma vitória. A história é boa e não é clichê. Sucesso.

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Aliviado por ter conseguido esse efeito em alguém, de não ficar com tantas dúvidas, haha. Certa sua análise. Valeu a leitura. Agradeço pelo “bem escrito”, te juro que cortei, recortei, coloquei de novo, fiz uma “costureba” que você nem imagina… Talvez essa a dificuldade da maioria, demonstrando a minha própria dificuldade.

  41. Gustavo Castro Araujo
    17 de janeiro de 2016

    Acho que o maior mérito deste conto é deixar tantas perguntas, tantas possibilidades em aberto. Sabendo dos acalorados debates aqui nos comentários, preferi absorver o texto com atenção redobrada, tirando minhas próprias conclusões antes de ler as impressões dos demais colegas.

    Alguém disse certa vez que o autor, ao escrever, tem uma ideia na cabeça. Ao transpô-la para o papel, termina por libertá-la. Nesse instante, o autor perde o monopólio da obra, devendo aceitar que aqueles que a leem poderão entendê-la de modo diverso.

    Digo isso porque, apesar de ler suas explicações, caro R, devo confessar que interpretei o conto de modo diverso. Talvez eu não tenha sido suficientemente diligente para perceber as pistas que você havia deixado — sim, depois eu pude identificá-las — ou talvez, e não há como negar que essa é uma possibilidade, as pistas não tenham sido claras o bastante. Num meio termo, poderíamos dizer que sim, as pistas estão lá, mas guardam consigo certa ambiguidade.

    A meu ver, Dani e o narrador eram namorados. Carlos, o pai de Dani descobriu a relação e decidiu acabar com tudo, recorrendo à violência contra o filho. Nesse instante, o narrador interveio e, agindo em legítima defesa de terceiro, acabou com a vida do progenitor-bolsonaro. Nesse raciocínio – provavelmente açodado – o fato das lápides serem vizinhas soaria mais como uma coincidência. Talvez, considerando que a ideia seria de deixar claro que o pai de Dani e a mãe do narrador eram casados, o túmulo devesse ser conjunto. Isso eliminaria as dúvidas.

    De todo modo, o conto tem a qualidade de ser uma história de suspensa bem concentrada em 150 palavras. Há um quê de loucura nos meninos e isso torna a narrativa mais interessante ainda. Enfim, um bom trabalho, apesar (ou por causa) da polêmica. Parabéns.

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Oi, Gustavo, concordo com tudo o que você falou, e como disse para a moça que acabei de responder, não achei mesmo que a ambiguidade fosse atrapalhar, por mais que tenha tentado deixar as coisas o mais bem explicadas, sem cair no didatismo (coisa muito difícil, ainda mais em 150 palavras). Aceitei uma possível ambiguidade como a possibilidade do leitor criar seu enredo a partir do que escrevi. Sobre os túmulos, você tem razão! Não tinha me atentado para esse fato ao escrever, então por isso aceitei que muitos iriam entender que eram parentes, ou até não. Só o que não concordo é com quem disse que não ficou claro se eram irmãos ou não… enfim, talvez eu mude o título desse conto para “Ambiguidade”. Ô palavrinha que não me desceu! Agradecido pelos apontamentos. Já vou mexer nessa parte que fala do túmulo. 😉

  42. Anorkinda Neide
    16 de janeiro de 2016

    Oi!
    Bah…tô com uma baita inveja de ti!
    Na minha tentativa de microconto eu cortei e cortei e todas as frases perderam o encanto e a emoção. E ao ler o teu a impressão que tenho é q vc não precisou cortar nada e escreveu tudo o que quis… que exibicionismo! hehe
    Então, o texto é lindo, gostoso de ler, coisa de quem sabe o que faz.
    Porém a interpretação.. ahhh essa malvada… 😛
    .
    Eu sou do time que pensou que era um casal homossexual, que matou por terem sido rechaçados devido a seu relacionamento.
    Falha minha que não pensei em nenhum momento que duas lápides lado a lado fosse de um casal…
    .
    Mas assim, interpretando eu errado ou incompletamente, não tira a inveja que tô ainda sentindo! hahaha
    Parabéns
    Abraço

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Guria, eu cortei e recortei muito, tu nem tem ideia… Talvez por isso acabei nesse patamar, da ambiguidade. Confesso que diz deixar as coisas meio subentendidas, sim, mas talvez tenha exagerado na ânsia de querer fazer tudo caber. E tudo o que você pensou, é um direito seu, pois eu quis lhe dar esse direito, com todo o carinho, como um presente de escritor pra leitor, digamos. Alguns não aproveitaram, mas você aproveitou. Agradecido por isso. e, pensando bem, mesmo a lápide estando lado a lado, poderiam não ser um casal, embora explicasse que fossem da mesma família… O certo é que o pai de um não era do outro. Não pense que interpretou errado ou de forma incompleta, como disse, toda interpretação é válida, o importante é ela não atrapalhar na emoção que o texto possa causar. Abraço!

  43. Simoni Dário
    16 de janeiro de 2016

    Muito bom, o fato é que a cumplicidade está pra lá de explicada, e pra mim eram amantes, dois homens, apenas enteados dos pais biológicos. O amor dos dois justificaria o crime e a cumplicidade. Talvez o pai não aceitasse o filho homossexual, poderia explicar a violência. Parabéns!
    Bom desafio!

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Valeu o comentário e a leitura atenta! 😉

  44. Bruno Eleres
    16 de janeiro de 2016

    A maneira como você expressou a ideia não me atraiu muito, mas gostei da possibilidade de ser meio-irmãos e da possibilidade de incesto – isso abre um universo psicológico gigantesco e interessante.

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Bem, não quis criar um incesto propriamente dito, mas o pai de um e a mãe do outro casaram, achei que fosse um clima interessante, que já daria um bom pano para manga. Como de fato deu, mas de um jeito que eu não esperava, haha. Abraço!

  45. Bia
    16 de janeiro de 2016

    Na primeira leitura não me preocupei em entender nada. Vivi a leitura, e achei o desfecho válido e bem perturbador. Depois li mais uma vez, com mais atenção, e o que entendi é que Carlos tinha um filho, Dani, que se casou com a mãe do outro rapaz. E pronto. Coisa tão normal, não sei por que esse estranhamento. Se estão enterrados lado a lado, pra mim, já diz a ligação que eles têm. Achei bem crível e que remete a muitos fatos que lemos por aí.

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Agradeço pelo comentário. Eu também achei que tinha dado pistas suficientes pra isso. Para a maioria, pelo menos, não foi suficiente. O jeito é fazer o texto ficar um pouco maior.

  46. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    Tive de reler para entender quem eram os personagens. O narrador era filho de uma mulher casada com o pai do Dani? Cúmplices de um crime para se livrar de um sujeitinho odioso?
    Bom, o conto está bem escrito e com um clima de mistério interessante.
    Boa sorte!

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Bem, creio que você entendeu bem. Que bom que não desistiu na primeira leitura, rs. Pelo jeito, as pessoas estão tendo que ler mais de uma vez para entender, mas juro que não foi minha intenção, rs. Agradeço pelo “bem escrito”, mas mais ainda pelo “clima de mistério interessante”, minha tentativa foi nesse sentido mesmo.

  47. Rogério Germani
    15 de janeiro de 2016

    A cumplicidade entre os meios-irmãos está extremada neste conto, quase incestuosa. Mata-se Carlos por amor a Dani, não por simples ódio ao pai.
    Mas, devido ao curto espaço, ficam inúmeras perguntas sem respostas…

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Bem, eu tentei deixar todas as pistas possíveis para que ninguém chegasse a pensar em incesto, mas… Parece que não deu certo. Também acreditei ter respondido o que era necessário no conto, mas parece que não deu certo também, infelizmente. Quanto ao motivo do crime, você tem toda razão.

  48. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Olha, eu tive um pouco de dificuldade de acreditar na história. Talvez seja intencional, mas vi com estranheza. Relendo, continuei meio assim… (minha opinião!). Boa sorte!

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Sim, essas coisas da vida real que nos inspiram causam mesmo estranheza. Valeu pela opinião.

  49. Rubem Cabral
    15 de janeiro de 2016

    Olá.

    Gostei do conto e até da ambiguidade, pois não vejo necessidade de se saber exatamente que tipo de relação tinham o narrador e o Dani. Aliás, vou resolver o problema de quem entendeu de uma forma ou de outra: poderiam até ser meio-irmãos incestuosos, feito no filme “Do começo ao fim”.

    O enredo é simples, a escrita é boa, e as dúvidas geraram um efeito multiplicador.

    Bom conto.

    Abraços e boa sorte.

    • R.
      16 de janeiro de 2016

      Valeu, Rubem, que bom que as dúvidas não te atrapalharam! Abraços.

  50. José Leonardo
    15 de janeiro de 2016

    Olá, R.

    O grau de proximidade (intimidade) entre Dani e o narrador é relevante para elucidar o ocorrido? Sim. Não há “clareza solar” se ambos têm relação homoafetiva, se são irmãos ou primos muito unidos. O leitor, ao final, pode aventar homossexualidade pela cumplicidade levada às últimas consequências, mas não tem certeza. É um belo conto, apesar disso.

    Sucesso neste desafio.

    • R.
      17 de janeiro de 2016

      Olá, desculpe ter deixado seu comentário para trás, mas fiquei na dúvida se tinha feito isso ou não. Agradeço pelo comentário e vou tentar melhorar essa parte da clareza quanto ao parentesco. E agradeço por ter achado o texto um belo conto, apesar desse porém.

  51. Thata Pereira
    14 de janeiro de 2016

    Acho que o nó foi causado pelo apelido e não pela utilização do pronome. É que Dani pode ser usado tanto para mulher quanto para homem, só que, por aqui pelo menos, é mais utilizado para as mulheres. Mas no conto, refere-se ao menino, correto? Isso me deixou perdida na primeira e segunda leitura, só fui entender na terceira.

    Boa sorte!

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Ok, Thata, exatamente. Mas você não me disse o que achou após a terceira leitura… Quero crer, por seu comentário, de que não gostou muito, posso estar enganado, mas foi o que pareceu… De qualquer forma, agradeço pelo comentário.

      • Thata Pereira
        15 de janeiro de 2016

        R. Olá, acho que essa falta de compreensão atrapalhou seu conto, infelizmente. Não por não ter deixado evidente qual era o tipo de relação entre os dois, mas pela utilização dos pronomes que ficaram confusos por conta do apelido “Dani”. Da história eu gostei, gosto de ler casos assim. Infelizmente falhou na execução, para mim, por conta desses detalhes.

  52. Ricardo de Lohem
    14 de janeiro de 2016

    Não achei que essa história com tantos mistérios quanto as pessoas dizem: o pai de um casou com a mãe do outro, eles foram criados como irmãos, e mataram o pai violento, que o narrador nunca considerou como sendo seu pai. Não vejo por que forçar a teoria que eles eram namorados, como muitos parecem querer. Interessante, mas com um mistério fácil de decifrar. Bom conto.

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Só uma coisa a dizer: bingo! Mas confesso que pensei, na hora de compor as personagens, que há mais do que amor de irmão entre eles. Mas claro, deixei aberto nesse sentido, dá para pensar diferente de mim, com certeza.

  53. Leda Spenassatto
    14 de janeiro de 2016

    Nossa senhora da curupira! Li, reli e li outra vez, mais uma vez. que dúvida fiquei.
    Dani seria um homem ou uma mulher? Seria um relacionamento homossexual, heterossexual, ou o quê?
    A escrita é boa, com bastante coerência e clareza, no entanto, fiquei com uma grande dúvida, o que eu acho excelente.
    Parabéns, gostei muito!

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      hahahahha, desculpa aí, Leda, não foi minha intenção! Eu também não acho ruim essas dúvidas ao final, não, pelo contrário, me dão uma grande liberdade enquanto leitor, mas para te ajudar, veja que não há referências femininas no conto (pronomes etc.) e já tive amigos homens cujo apelido era Dani. 🙂

  54. Fabio Baptista
    14 de janeiro de 2016

    Boa ideia e revelação, mas acho que a dúvida sobre a natureza da relação entre dos protagonistas jogou mais contra do que a favor. Eram irmãos? Filhos do mesmo pai com mães diferentes? Padrasto de um pai do outro? Eram namorados?

    Essas dúvidas acabam tomando espaço do que deveria ser o foco único do conto: o assassinato do tal do Carlos.

    Abraço!

    • R.
      14 de janeiro de 2016

      “Paramos diante do túmulo de MINHA mãe. Evitamos olhar para a lápide ao lado, onde agora havia também o nome do pai DELE.” Se fossem filhos do mesmo pai, ou mesma mãe, ele diria isso? Achei que tinha ficado bem explicado fazendo uso dos pronomes… Bem, o foco não é o assassinato do Carlos, pai do Dani, o foco é outro… De qualquer forma, obrigada.

      • Fabio Baptista
        14 de janeiro de 2016

        Não, infelizmente não ficou.

        O assassino poderia ter profunda aversão pelo Carlos (assim como o outro também tinha), de modo a se recusar a chamá-lo de pai, preferindo assim o DELE ao NOSSO. Os pronomes empregados não excluem nenhuma das possibilidades que mencionei (embora a lógica tente empurrar mais para um lado que para outro).

        De qualquer forma, o problema (minha opinião, claro) foi fazer o leitor perder tempo com essas dúvidas. No tiro curto das 150 palavras, não há espaço para ambiguidades.

        Abraço!

  55. Sidney Muniz
    14 de janeiro de 2016

    É bem escrito, e desperta o interesse. Boas pistas!

    Nota-se que ao falar “pai dele” e “minha mãe” assim como uma questão de lógica nos revela que não são irmãos. Mas por que as lápides estariam lado a lado?

    Um grande enigma! Penso que eles precisam ser parentes, ou o pai e a mãe se casaram tempo depois, vindos de um divórcio. Que parece ser o mais plausível.

    O mataria por mim de novo deixa claro uma obsessão.

    Uma estória muito interessante!

    Desejo sorte e parabenizo pela boa conduta no texto!

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Fico feliz que tenha tido esse entendimento. Quis facilitar para o leitor, mas acho que acabei complicando, no final das contas muitos não vão entender. Paciência! Obrigado pelo comentário!

  56. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    O conto é bem escrito, na medida em que consegue nos envolver na atmosfera de aflição que envolve os personagens. Boa sorte.

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Obrigado pela leitura!

  57. Eduardo Selga
    14 de janeiro de 2016

    DUAS ESTÓRIAS

    A ambiguidade é a grande ferramenta deste conto. Podemos entender que estamos diante de dois amantes (e aí pode ser hétero ou homossexual) ou de irmãos. para isso colaboram algumas estratégias. Por exemplo, Dani não é um substantivo próprio que designe obrigatoriamente alguém do sexo feminino. Além disso, o diálogo pode sugerir um vínculo afetivo para além do fraternal. A passionalidade, não obstante encontrável entre irmãos, não lhes é típica. A atmosfera que envolve o diálogo parece mesmo ser de amor sensual.

    Em “ele sorriu, um sorriso forçado, assustado com a rapidez da resposta. Talvez não mais do que eu mesmo […]” há um indicativo de que, se estamos de um caso de amor erótico, ele é provavelmente homoafetivo, porque “eu MESMO” é masculino e faz menção a outro masculino (“ele sorriu”).

    Quando o narrador informa que na mesma lápide da mãe há também o nome do pai do outro personagem, tendemos a crer tratarem-se de irmãos, pois supostamente há um casal enterrado. Mas essa ligação não é obrigatória, ou seja, pode inexistir vínculo familiar entre eles e os mortos, pois em nenhum momento isso é posto de modo indubitável. O fato de um afirmar que gostaria de não ter em si “o sangue desse monstro” não significa necessariamente que o outro personagem seja irmão de quem disse a frase.

    O resultado é que temos duas estórias. Porém, diferente do que é mais comum, não se trata de uma visível e outra subliminar: ambas se encontram no mesmo patamar de visibilidade.

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Foi exatamente isso o que tentei fazer, em parte. Só não queria ficar explicando que era um relacionamento homoafetivo entre dois rapazes que cresceram juntos porque o pai de um casou com a mãe do outro, tendo 150 palavras de limite. O grande “xis” da questão que eu queria evidenciar bem era o diálogo final, aquela atmosfera de cumplicidade por algo muito grave que tinha acontecido. Bem, valeu a tentativa, e ainda mais por sua interpretação, obrigado.

  58. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    A história está completa, disso eu gosto. Fiquei procurando elementos para entender o que o pai fazia com os filhos, só os xingava?. Ai notei que ficou no ar, e isso é o ponto forte do conto, é se o irmão não foi manipulado pela Dani, já que ela pergunta se ele mataria “novamente” por ela. hummm

    • R.
      14 de janeiro de 2016

      Preciso esclarecer, mas no primeiro parágrafo já deixo claro que não são irmãos. E Dani não é “ela”. 😉

  59. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Gostei, embora a segunda frase do último parágrafo tenha ficado confusa – ‘em defesa de Dani’, poderia ser em defesa dela(e).. Mas dá para imaginar o desenrolar do conto.

    • R.
      15 de janeiro de 2016

      Ok, obrigado pelo apontamento. Não quis usar o “dele” porque me pareceu excessivo, mas vou rever isso.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .