EntreContos

Literatura que desafia.

Mais Alto que o Céu (Thais Pereira)

janela

“Acordo todos os dias feliz. É menos um dia.
Descobri o sentido da vida quando passei a
esperar a morte.” – Sussurrou o personagem.

Sentei no chão frio da rodoviária, que parecia limpo. Em uma mão o isqueiro, na outra o cigarro. O ônibus estava atrasado mais uma vez. Eu mal podia esperar para entrar e me sentar no banco onde, durante todo o dia, passaram o mais diverso tipo de pessoas. O ar abafado me fará sentir ânsia até chegar no último ponto, perto de casa. Posso tentar abrir a janela, mas sei que estará emperrada. Soltei a fumaça, pensativo. Todos os dias as mesmas coisas.

Estava tão perdido em meus pensamentos que não vi o mendigo que me estendia a mão. Disse que não tinha dinheiro, mas ele queria apenas o cigarro. Entreguei. Ele deu um trago e jogou-o no chão, aos meus pés. Andou uns três metros de onde eu estava e abriu o zíper da calça. Urinou ali mesmo, sem se importar com o movimento. O piso amarelo camuflava a urina, fazendo-a passar por água limpa. Madames deslizavam seus saltos caros na poça que escorreu. Universitários esfregavam seus tênis. Sem contar nas belíssimas malas que passavam por aquele chão. Aquele mendigo não tinha um lar, mas sua urina visitou casas, carros, cidades escolas… e se espalhava pelo chão da rodoviária. Olhei para o meu cigarro jogado no chão, já apagado. Acendi outra vez e voltei a fumá-lo. Era o meu último.

Cheguei em casa e minha filha já estava dormindo. Ela dorme cedo, já que não tem nada de interessante para fazer em casa durante a noite. Preparava seu jantar, fazia as tarefas da escola e se recolhia. Só a vejo de manhã, antes de sair para o trabalho, no lugar onde julgo ser o seu preferido da casa, pois sempre que acordo ela já está lá. Sabrina não é religiosa, pelo menos nunca foi a missa e nunca cobrou que a levasse na catequese, mas aquele lugar era seu templo.

Não havia um bilhete sobre a mesa, mas eu sabia que meu prato de comida estava no forno. Arroz, feijão, bife e um ovo frito. A mochila de Sabrina estava sobre a mesa e, pela primeira vez, senti vontade de folhear seus cadernos. Fui alfabetizado, mas não terminei o ensino fundamental. Dentro do caderno havia um bilhete: na segunda-feira a professora recolheria o dinheiro para comprar o livro da prova de literatura. Sabrina não havia me falado de livro nenhum, assim como eu não sabia a data de suas provas. Assim como erámos completos estranhos um para o outro. Dois estranhos que eram pai e filha. Naquele dia, engoli o choro no lugar da comida.

O dinheiro que recebia como empacotador de supermercado era a conta de pagar o aluguel, a luz, a água e completar a cesta básica que recebia todo o mês. Se eu conversasse com dona Joana, que me alugava a casa, tinha certeza que me deixaria dever os vinte reais do livro para o próximo mês. No outro dia receberia meu adiantamento de salário e conseguiria passar o dinheiro para Sabrina. O plano perturbou minha cabeça a noite toda e não me deixou dormir.

Sabrina foi abandonada pela mãe com cinco anos. A última coisa que escutei sobre Raquel é que foi estudar gastronomia no sul do país. Fugiu com um advogado que prometeu realizar seus sonhos. Deixou comigo a menina e levou com ela todo meu amor e juventude.

Acordei cedo e Sabrina já estava de pé. Digo, sentada. Todos os dias de manhã a encontrava em seu lugar preferido da casa: sentada na janela do quarto, com os pés para o lado de fora. Tinha medo que ela caísse, mas meu medo maior era que ela se revoltasse caso eu chamasse sua atenção e fugisse como fez a mãe. Ela era tudo que me havia restado. Sai de casa com as mesmas indicações de sempre: tranque a porta, não fale com estranhos. Volto logo. Ela acenava com a cabeça, indicando que havia entendido, mas olhando sempre para baixo, concentrada.

A ida ao trabalho era feita andando. Metade do meu vale-transporte era passado para Sabrina ir à escola sem se atrasar. Sua volta era a pé, já que eu saia tarde do serviço. Trabalhei o dia todo ansioso, pelo sono e desejo de ser o pai que minha filha merecia. No fim do expediente, descobri que nosso adiantamento atrasaria até a próxima semana.

Não dará tempo. Não dará tempo. Não dará tempo. Sai nervoso do supermercado e fui fazer a última coisa que me restava: pedir. Poderia pedir emprestado para alguém no trabalho, mas preferi fazer isso na rua. No trabalho há apenas pessoas se gabando do poder que não possuíam. Pessoas que me cansam diariamente, depositando suas mentiras sobre meus ombros e passando suas unhas afiadas dentro da minha garganta, rasgando meus ouvidos com suas ignorâncias.

Na rua, as pessoas só não me chamaram de drogado porque reparavam no modo como eu estava vestido. Consegui apenas algumas moedas, oferecendo minhas imitações de artistas. Era tarde e eu tinha nove reais no bolso. Ia para casa, resignado, mas entrei em uma lanchonete. Foi tudo muito rápido. Abordei um grupo de jovens e um vulto passou perto de mim, me empurrando para fora e soltando frases que eu não compreendia. Era funcionário, julguei. Estava uniformizado, como eu. Ao dar o último empurrão, tropecei na escada e caí, enquanto todos me olhavam. E tudo que eu pensava era não dará tempo.

Catei as moedas que se espalharam no chão e uma moça veio me ajudar. Pedi que ela não fizesse aquilo, mas continuou me ajudando. Pedi as moedas, mas ela colocou-as diretamente no meu bolso. Agradeci e segui para o ponto de ônibus. Ao pagar o motorista, contei vinte nove reais. Nem me lembrava de ter falado o preço do livro. Alimentei-me mais uma vez do meu próprio choro.

Cheguei em casa e olhei para o relógio, três horas para dormir. Não jantei. Arrumei o dinheiro dentro de um papel com um bilhete: “para o livro”. No outro dia, de manhã, Sabrina estava no mesmo lugar de sempre: sentada na janela. Mas uma coisa quebrou a cena cotidiana. Antes que eu saísse, ela me chamou. Apenas isso: “pai”. Ela pulou para dentro do quarto com maestria e meu coração deu um salto, com medo que caísse. Tentei fazer a conta de quantos anos a via todos os dias sentada naquela janela, mas não deu tempo, ela já estava do meu lado.

A última vez, acredito, que a vi frente a frente foi em seu aniversário de sete anos, quando ela ainda me fazia companhia durante o café da manhã. Sem muitas palavras ou troca de olhares. Um dia após completar sete anos, ela criou sua rotina: dormir cedo, acordar cedo. Sentar-se na janela e, do alto, cultuar o chão. Aquilo arrepiava-me, mas meu medo de perdê-la por uma tentativa de mostrar preocupação me assustava.

“Pai… pai, não preciso do dinheiro do livro”, ela disse, me estendendo as moedas e as notas deixadas no meu bolso pela jovem. “Não precisamos comprar, posso pegar na biblioteca”.

“Guarde e compre algo para você”, tentei sair antes que ela me respondesse, pois eu não estava preparado para nenhuma resposta, mas ela veio.

“Você é o melhor pai do mundo”.

Não houve abraço, nem choro. Como qualquer pai reservado, me esqueci daquilo dias depois. O engraçado é que quando voltou a acontecer também foi em uma despedida. Marcada por mim, Sabrina e por aquela janela.

***

Entrei correndo no hospital, como se disputasse o prêmio de uma maratona. As pessoas me olharam assustadas, mas não havia tempo para explicações e nem para perguntas. Eu já sabia o número do quarto, 202. A pressa foi contrariada pela sensação de vazio que senti assim que entrei no corredor. Aquela velha história sobre a “vida passar como um relâmpago na frente dos olhos”. Com passos curtos, congelei o tempo. As lágrimas que caiam, carregavam o peso do dia mais árduo da minha vida e não permitiam que eu avançasse muito além da calma de uma criança, que diariamente se pendurou em uma janela.

Cinco anos é muito tempo para quem vive longe da única pessoa que realmente importa. Entrei no quarto 202, lotado. Já não chorava, mas meu coração parecia festejar o reencontro. Passei por entre as camas procurando aquele que, dignamente, eu podia chamar de “meu herói”. Aquele de cabelos brancos, expressão cansada, pele frágil e que também chorou quando me viu. As lágrimas que foram guardadas para provar que poderia ser, sozinho, tudo aquilo que eu precisava.

– Pai – sussurrei dentro de um suspiro, deitando em seu peito para chorar a saudade. As pessoas ao redor pareciam ver aquela cena todos os dias, pois não se importavam. – Ainda não te perdoei por ter me expulso de casa.

Ele sabia que era brincadeira e essa foi a única forma que encontrei de fazê-lo rir, mesmo com aquele sorriso frouxo.

Há quatro anos eu estava morando em Portugal. Recebi do meu colégio, uma bolsa de estudos que contemplava os alunos de maior destaque após a conclusão do ensino médio. Mais um ano e eu voltaria para casa, mas meu pai não quis esperar tanto tempo.

– Se eu não te expulsasse, perderia uma grande oportunidade de ser alguém melhor que eu.

Saltei de seu colo e coloquei a mão sobre os lábios, que tremiam. Ouvir sua voz de tão perto, outra vez, era algo que não imaginei que me causaria tanta emoção. O telefone deforma, todas os meses, aquele som. Nossa única fonte de ligação durante todo aquele tempo.

Após o episódio do livro, meu pai vasculhava cotidianamente minha bolsa. Eu sabia, mas não me importava. Procurava por informativos da escola, provas e lia em meus cadernos assuntos que não entendia. Eu sabia daquilo e me esqueci de retirar da mochila o formulário que precisava preencher para concessão da bolsa. No dia seguinte, quando iria devolvê-lo para a diretora do colégio, recusando a proposta, ele havia sumido. Culpei-me todo o caminho de volta para casa, pois não queria que meu pai se responsabilizasse por meu “não”. Encontrei o formulário, junto das minhas malas e de um pai que parecia decidido, mas que abafava as lágrimas com uma bituca de cigarro.

– Eu sabia que você era boa aluna – ele sempre dizia aquilo, mas finalmente teve coragem para completar a frase. – Mas não sabia que era tão boa aluna.

Voltei a sorrir. Eu sei que todos os pais pensam e querem o melhor para os filhos, mas entendia todo aquele contexto e, principalmente, a caixinha onde meu pai se prendeu, dentro da educação que recebeu e as circunstâncias que viveu.

– Eu estudava todos os dias de noite, após jantar.

– E eu pensando que você dormia…

– Nem tão cedo, nem tão tarde – refleti. – O suficiente para saber que no futuro eu poderia cuidar de você.

Mas o tempo não deixou e, pela primeira vez, não foi meu aliado. O câncer do meu pai já estava avançado quando descobriram. Ele nunca gostou de médicos e mesmo quando o questionava sobre as tosses, enquanto falávamos por telefone, ele me dizia que era apenas um resfriado.

– Vamos – chamou a enfermeira, outra pessoa tão acostumada com aquilo que sequer manifestou algum sentimento. – Hora dos medicamentos.

Conversei com o médico que acompanhava meu pai e todas aquelas outras pessoas. O câncer já estava muito avançado, pois ele não respondeu aos sintomas, sem contar outro fator: o cigarro. A cirurgia na sua idade era arriscada, me disse o médico, mesmo sendo um desejo do meu pai.

– Sabrina, seu pai não tem condições de decidir por uma coisa dessas – ele afirmou. – Em uma de nossas consultas, ele me disse que já esperava, com impaciência, o dia da morte chegar. E acho que tudo que ele esperava para isso, era te ver novamente.

Fui para casa deixar as malas e comer algo, depois voltaria para o hospital. Na verdade, eu não reconheceria nada da infância, pois, assim que me mudei, meu pai fez o mesmo. Por um aluguel mais barato, uma casa menor. Eu não reconheceria, nem mesmo, minha pequena janela. Sem tinta, sem cortina, apenas enfeitada com meus sonhos de menina.

Porta emperrada, casa bagunçada. Achei tudo ali a cara do meu pai. Até mesmo a geladeira praticamente vazia. Em algumas caixas, lacradas no quarto, havia a etiqueta “coisas da Sabrina”. Qualquer um seria tomado pelo impulso de abri-las. Eu não. Apenas sentei ao lado delas e fiquei, sem presa, rodando nos dedos as chaves da casa. Tempo suficiente para que a fome começasse a falar mais alto.

Não comi do pouco que meu pai possuía. Resolvi sair e procurar por algum restaurante.

Segurava a carteira na mão quando entrei em um restaurante, sentindo a sensação estranha de ser observada. Sentei, esperei o cardápio e fiz o pedido. Uma mulher atrás do balcão me olhava, como se visse um fantasma. Um rosto que não era estranho.

Olhei para a carteira em cima da mesa e tentei abri-la com naturalidade, se isso fosse possível. Eu tinha ali o seu retrato. Alguns anos mais jovem, mas era a mesma mulher. Roubei a fotografia da carteira do meu pai quando fui expulsa de casa. Deixei sobre a mesa o dinheiro da refeição e a foto. Havia perdido a fome.

Não mencionei nada ao meu pai, foi ele que tocou no assunto.

– Sua mãe está na cidade – ele disse. – Você devia procurá-la… aposto que ela não te reconheceria.

Resolvi poupá-lo daquela conversa e não manifestei interesse por continuá-la. Sentei na cadeira ao lado de sua cama no hospital e apoiei o braço na cama, segurando sua mão esquerda. Pensava no que o médico havia me dito.

– Pai, – fiz aquela pausa tímida, de quando um filho não sabe muito bem como dizer algo. – O senhor foi feliz?

Meu pai deu um longo suspiro e sorriu.

– Sabrina, eu sou feliz. Mas preciso que você entenda uma coisa que nunca tive a oportunidade de te ensinar.

Eu escutava atenta, ouvindo tudo que meu pai falava, como se aqueles pudessem ser suas últimas palavras. A voz mansa da velhice acariciava a criança que eu continuava sendo ao seu lado.

– As pessoas têm muito a oferecer àqueles que as observam e ao deixarem ser observadas. Não te criei para ser uma cópia minha. E aprendi isso te observando todos os dias pendurada naquela janela.

Senti meu pai desapontado quando demonstrei que não estava entendo do que ele dizia. Então foi sua vez de segurar minha mão.

– Passar por cima do meu medo foi a forma de deixar que você aprendesse com suas próprias escolhas. Mas eu falhei.

– Não compreendo…

– Falhei porque expulsando-a de casa e fazendo com que aceitasse aquela bolsa de estudos foi a minha forma de procurar não vê-la atirando-se daquela janela – ele enfim respirou. – Não deixei que fizesse sua própria escolha. Tive medo. Medo que se atirasse ou que vivesse para sempre dentro do mundo construído entre os limites daquela janela.

Parecia uma dessas histórias que os pais contam para os filhos antes de dormir. Momento que nunca vivenciei, mas que eu estava ali, experimentando depois de “velha”. A diferença é que a história era real, apenas contada por um outro ponto de vista.

– Pai, – eu sorri e percebi que tudo que fizemos todos esses anos era ou sorrir ou chorar intensamente. E ali estava a nossa fonte de felicidade, naqueles sentimentos intensos. Que mesmo breve, nos uniam. – Eu nunca me atiraria da janela.

A informação o deixou nitidamente confuso, como se ele acabasse de descobrir que toda sua vida não passou de uma mentira.

– Não sentava na janela pensando em me jogar – eu disse, ainda descrente do que ouvi. – Sentava porque acho a altura bonita. E também porque esperava ansiosa pelo dia que iria crescer, para poder retribuir tudo que o senhor fazia por mim.

– Ainda não compreendo o que a janela tem a ver com isso tudo…

– Bem, digamos que, no começo, a janela também foi a minha forma de perder meus medos e o costume fez com que eu me habituasse com a altura e até gostasse.

Não queria, mas eu sabia que uma hora ou outra precisava conversar com meu pai sobre a cirurgia. Sei que eu poderia obrigá-lo a não fazer, mas tudo na vida é uma faca de dois gumes. E se a quimioterapia não respondesse? E se a cirurgia for um sucesso. E se algo der errado. E se… o mundo parece de girar por apenas um minuto para que eu continuasse apreciando com meu pai aquele momento?

– Você não me deixou fazer a minha escolha – comecei, tímida. – Não quero te perder, arriscando aceitar a sua.

– Você se arrepende de ter feito o que eu mandei?

A vida é uma faca de dois gumes. Por um lado eu não me arrependia, por tudo que vivi, por tudo que aprendi. Mas por outro, ao ver meu pai naquela cama, e percebendo o tempo que perdi ao seu lado, meu coração batia mais forte. Como as primeiras vezes que me arrisquei subir na janela e cair. Todo o meu corpo doía.

– Você é o melhor pai do mundo, sabia?

– Sabia, você já me disse isso um dia.

– E eu te amo.

– Eu também.

Enterrei todas as minhas esperanças em um abraço. Em nossas lágrimas. Na nossa história. Contemplei a passagem dos anos, puxando cada detalhe da memória. Tudo que deixei passar. Tudo aquilo que meu pai acabava de ensinar que era o que realmente importava. As peculiaridades cotidianas.

***

Eu não tinha certeza que se o elástico que prendia meu pé era forte o suficiente para sustentar meu corpo. Estava decidia a fazer aquilo, mas, de repente, senti medo de pular. A ponte era alta e a água que passava por baixo dela, mesmo calma, não era convidativa.

Sorri ao pensar o que meu pai diria me vendo fazer aquilo e do nada me joguei… quando percebi que começava a ficar emotiva. Fiz por ele, para ele. Porque, por causa dele, hoje eu posso voar. Um dia estaremos novamente juntos, em um lugar mais alto que o céu.

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39 comentários em “Mais Alto que o Céu (Thais Pereira)

  1. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015

    Não aconteceu o que eu achei que aconteceria, mas ficou bom assim. Achei muito bacana o fim do conto, relacionado a ”pular”, voar, a janela, o medo do pai. Tudo se resumiu no salto de Bunge da filha no final, não para a morte, mas para a vida. Uma bonita relação. Um conto morno, mas que agradou.

  2. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ Mais Alto que o Céu – Final
    ☫ José Arlindo

    ஒ Físico: Fora alguns erros de digitação e afins, o texto está bem escrito. O autor precisa tomar cuidado com a lapidação final do texto. Há algumas ideias repetidas que poderiam ser evitadas. O estilo é muito intimista, mas não ultrapassa o limite. Está na medida certa! Parabéns! É possível se emocionar lendo esse conto!

    ண Intelecto: A primeira parte ficou bem melhor. A segunda parte oscilou muito, entre o bom e o ruim. Infelizmente, o final destruiu o conto inteiro. É um banho de água fria. Não se esperava isso. E não tem muito sentido. Parece que o autor estava chegando no limite das palavras e quis acelerar o processo. Peço que o autor preste atenção numa coisa. Nos personagens. Não há muita diferença entre o pai e a filha. E isso se dá pela habilidade do autor, não por causa da personalidade de cada um.

    ஜ Alma: O conto continua fora do tema. O cotidiano está no plano de fundo. E qual seria a rotina? Das pessoas doentes, da nossa civilização. Como não existe foco no texto, sobre o cotidiano em si, o conto acaba indo para outro lado. Adaptar o texto na nossa realidade não diz respeito ao cotidiano.

    ௰ Egocentrismo: Apesar dos problemas, gostei do texto. Ele me emocionou, mais uma vez. Achei a primeira parte bem superior, mas a segunda parte não está ruim. Apenas não atendeu as expectativas que a primeira gerou.

    Ω Final: Texto bem escrito, mas precisa ser lapidado. Estória emocional sem apelar para a pieguice e com estilo valoroso. Autor tem potencial para muito mais. Está relativamente fora do tema.

    ௫ Nota: 7.

  3. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    Achei a parte da mãe confusa. Não entendi se ela trabalha no local ou estava como cliente. Pois estava atrás de um balcão, e depois o pai diz que ela estava na cidade.

    Algumas palavras estão escritas de forma errada ou com seu significado diferente do esperado. Acho que o autor poderia ter se dedicado mais na revisão.

    O conto respondeu algumas perguntas que tive quando lido a primeira parte, sobre a janela principalmente, e o bom final fez tudo ter um sentido ainda maior.

  4. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Olá! Estava gostando muito da narrativa, muito mesmo. Me emocionou a relação
    pai-filha que você construiu. Caiu um cisco no meu olho no momento do diálogo após o dinheiro para comprar o livro. O desenrolar narrado pela jovem fez com que o clima de emoção continuasse, mas tenho que admitir que os últimos dois
    parágrafos me decepcionaram um pouco. Parece que faltou alguma coisa ali, para
    que essa parte ficasse à altura do restante. A sensação foi de que parece que
    houve um desânimo do autor no “arremate”… Acho que pode trabalhar mais essa
    parte, buscando o mesmo ritmo do restante.

  5. Tiago Volpato
    3 de novembro de 2015

    Um texto muito bonito e comovente. Ele está bem escrito e parece que você planejou bem a história. Achei que a mudança de narrador no meio da história ia me incomodar, mas não, foi uma decisão acertada.
    Eu não sou grande fã desse tipo de texto, mas ele está muito bem escrito, parabéns.

  6. Gustavo Castro Araujo
    2 de novembro de 2015

    Bom, eu simplesmente adorei a primeira parte do conto. A distância entre pai e filha, a frustração quanto à falta de diálogo, o medo que ele tem de perde-la… Tudo escrito de forma sensível, terna, melancólica e tocante. Chamou-me a atenção principalmente pelo que não foi escrito, permitindo ao leitor preencher as lacunas do modo mais honesto possível. O que fazia Sabrina na janela? Putz, achei isso mágico, já que se podia imaginar um milhão de possibilidades. Para mim, esse conto seria perfeito se terminasse ao fim dessa primeira parte. Digo isso porque a segunda metade, embora escrita com o coração, ficou por demais explicativa. Lá estão os porquês, os motivos do afastamento e, para minha tristeza, a razão – um tanto decepcionante — para Sabrina ficar tanto tempo na janela. Isso quebrou a magia, tenho que admitir. Na verdade, essa revelação representa um choque de realidade, ou melhor, representa como um devaneio pode desmoronar ante o mundo “de verdade”. Não me entenda mal, a segunda parte não está ruim. Apenas, a meu ver, não acompanha, não se situa no mesmo patamar intuitivo, da primeira, isto é, não permite ao leitor preencher as lacunas. Ao contrário, oferece-lhe uma narrativa sem possibilidades e isso me frustrou um tanto. De todo modo, no geral ainda é um texto acima da média, merecedor, face à sensibilidade de quem o concebeu, de uma boa nota. Parabéns.
    Nota: 8,0

  7. Gustavo Aquino dos Reis
    1 de novembro de 2015

    Conto muito bem escrito e comovente em sua apresentação.

    Esse trabalho tem uma aura de beleza triste, a história de um pai que faz de tudo pela filha – gostei também pelo fato do autor fugir do estereótipo, infelizmente recorrente nos lares familiares, do pai que abandona a família; nesse caso, temos o oposto.

    Parabéns.

  8. catarinacunha2015
    29 de outubro de 2015

    O TÍTULO, só revelado seu significado no final, ficou bonito (2/2). TEMA cotidiano novelesco tá valendo, mas não me agrada (1,5/2). FLUXO é intenso, mas alguns lapsos gramaticais e repetições emperraram o texto (1/2). O estilo é simples, mas dá o recado emotivo da TRAMA de fácil leitura (1/2). FINAL muito bom. Houve esmero na escolha das palavras e na intensidade (2/2). Total 7,5

  9. Felipe Moreira
    29 de outubro de 2015

    Texto excelente. As duas partes são igualmente emocionantes, tendo o final da Sabrina um impacto um pouco maior. Achei que essa atitude dela sendo marcada há tanto tempo revela uma estrutura bem feita no conto. Gostei também dos diálogos. É um drama e tanto esse cotidiano.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte.

  10. Fabio Baptista
    26 de outubro de 2015

    Olá!

    Havia lido na primeira fase, por causa dos comentários que o pessoal fez no Facebook. Sou meio coração de pedra, admito, e não me comovi tanto, mas é inegável que o final (da primeira parte) é muito bem construído, pra dar aquela sensação de “Putz, mano! A mina pulou da janela, meu!” (simulando a reação num paulista :D).

    Uns dois segundos depois do impacto, pensei: “meu, como essa história vai continuar?”. As duas soluções que pensei não me pareceram boas: 1 – narrar a vida amargurada do pai, agora com a filha morta ou 2 – a menina ter sobrevivido à queda.

    Bom, você foi para o 3 – Não pulou. E também não sei se foi uma saída boa, porque acabou matando toda aquele emoção criada no início, tipo “Rá! Pegadinha do Malandro, ela não pulou!!!”. Saca?

    Os acontecimentos dessa segunda parte também não agradaram muito, me pareceram muito forçados para convergir até esse final, que é competente e até emociona (mais que o primeiro, pra mim), mas infelizmente não foi bom o suficiente para apagar a má impressão que foi criada ao longo da parte 2.

    NOTA: 7

  11. Anorkinda Neide
    25 de outubro de 2015

    A primeira parte estava legalzinha, li com um desejo de que ficassem um pouco mais claras as situações, mas foi bem tocante o amor do pai, seus esforços e tal.
    Mas na segunda parte, ao invés de contar cotidianamente o que rolou ao acontecerem os fatos que levaram a menina a estudar longe e o pai ir adoecendo aos poucos, pra gente acompanhar, sabe. Mas vc foi, de súbito à fase adulta dela, ok..é um recurso..mas não ficou emocionante,sabe, faltou lágrimas nos olhos…rsrsrs
    Achei que ficou gratuito o reencontro com a mãe, acho que vc não teve espaço pra trabalhar isso. É uma história boa, mas não conseguiu me fisgar, sabe como é né… 😦
    Boa sorte
    Abraço

  12. Brian Oliveira Lancaster
    21 de outubro de 2015

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: A essência se manteve, com todo o ar de família permeando o texto. – 8,0.
    G: Gostei pelo fato de fugir do que estávamos imaginando, achando que alguém tinha se jogado da janela. O final ficou um tanto nebuloso, aberto a varias interpretações, o que não é ruim. – 8,0.
    U: O autor consegue transmitir os sentimentos muito bem através de palavras. Notei alguns errinhos discretos, como vírgulas incorretas, mas nada atrapalhou o restante. – 8,0.
    A: Nesse ponto atingiu o objetivo em cheio. Família, problemas, soluções e o dia a dia com seus “desvios psicológicos” aplicados. – 9,0.
    S: A junção foi bem feita, e partiu para outro lado inesperado. – 8,0.

    Nota Final: 8,2

  13. Rubem Cabral
    21 de outubro de 2015

    Olá, José Arlindo.

    Bonito e dramático o conto! Há um tanto a acertar, em termos de escrita, concordância (“passaram o mais diverso tipo de pessoas”…), por exemplo, e algumas repetições, feito o “faca de dois gumes” ao final do texto.

    Gostei dos personagens. O pai, em especial, é bem sólido e real.

    Bom conto. Nota 7!

  14. Claudia Roberta Angst
    20 de outubro de 2015

    Bom, aí está a segunda parte da menina da janela. Fiquei um pouco confusa com a história de Sabrina ter sido expulsa de casa, mas pelo o que entendi, o pai só deu um empurrãozinho para que ela se soltasse no mundo.

    Embora o conto tenha sido conduzido pelo caminho da emoção do reencontro pai e filha, o tom esbarrou um tantinho na pieguice. Tudo bem que o amor é assim brega e piegas, mas é preciso tomar cuidado para não exagerar na dose.

    Confesso que não entendi muito bem a lição que o pai quis passar para a filha nos seus momentos finais. Que era importante se deixar observar?
    Inclusive, esta parte fez com que eu me lembrasse muito do filme SABRINA, quando a mocinha parte para estudar em Paris. Foi proposital?

    As peculiaridades cotidianas – achei meio forçada a inserção dessa expressão como sendo uma lição aprendida. Como se o autor tivesse escrito uma bela história de amor entre pai e filha e, depois, se lembrasse de que precisava encaixar a trama ao tema “cotidiano”.A primeira parte do conto fala mais de um cotidiano, a segunda já está mais focada no desfecho de uma história familiar. Vou reler para sentir se ainda tenho a mesma impressão.

    Alguns deslizes que escaparam da revisão, Parece-me que não houve tempo para revisar e por isso, ocorreram tais lapsos:
    – (…) todas os meses> todOs os meses
    – (…) circunstâncias que viveu.> circunstância EM que viveu
    – (…) pois ele não respondeu aos sintomas, > aqui não sei se houve um erro, mas – (…) eu usaria – pois ele não respondeu aos medicamentos/tratamentos
    – Qualquer um seria > qualquer um TERIA
    – (…) não estava entendo do que ele dizia > não estava ENTENDENDO (nada) do que ele dizia
    – (…) não vê-la atirando-se daquela janela > não é um erro,mas soou estranho um homem tão simples usar “não vê-la”.Seria melhor NÃO VER VOCÊ
    – (…) uma hora ou outra precisava conversar > PRECISARIA conversar
    – E se a cirurgia for um sucesso. > E se a cirurgia FOSSE um sucesso?
    – E se algo der errado. > E se algo DESSE errado?
    – E se… o mundo parece de girar > o mundo PARASSE de girar
    – Eu não tinha certeza que se o elástico> eu não tinha certeza DE QUE SE o elástico
    – Estava decidia a fazer aquilo > Estava DECIDIDA a fazer aquilo

    O ritmo da narrativa continua bom, com diálogos que facilitam a leitura.

    Muito bonita essa passagem:
    “Enterrei todas as minhas esperanças em um abraço. Em nossas lágrimas.”

    Boa sorte! 🙂

  15. Rogério Germani
    19 de outubro de 2015

    Olá, José Arlindo!

    A sutileza aplicada em seu conto caiu como luva na difícil relação entre pai e filha que vc descreveu. Parabéns por deixar nas entrelinhas o conflito familiar de inúmeros lares. Por um lado é bom: traz um retrato detalhado das famílias construídas sobre muros de mistérios e silêncios. Ao mesmo tempo é ruim por não fugir do lugar-comum.
    Abaixo, deixo alguns exemplos de trechos que acabaram ficando sem revisão:

    “…passaram o mais diverso tipo de pessoas.” os mais diversos

    “Ainda não te perdoei por ter me expulso de casa.” expulsado

    “O telefone deforma, todas os meses, aquele som.” todos

    “Senti meu pai desapontado quando demonstrei que não estava entendo do que ele dizia.” entendendo

    “E se… o mundo parece de girar por apenas um minuto para que eu continuasse apreciando com meu pai aquele momento?” parasse

    Boa sorte!

  16. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Alguns problemas de revisão (concordância) já logo no início, travando um pouco o fluir da narrativa. Depois, alguns outros errinhos aqui e acolá. Mas, não irei julgar o conto pelos erros, e sim pelos seus acertos.
    Gostei do tema. Da forma com que o autor foi apresentando a história e, também, da carga emotiva buscada e, de certo modo, até que bem empregada na narrativa. Não ficou muito pedante ou forçado, embora tenha transparecido para mim claramente esta tentativa de pegar o leitor pela emoção. Mas, enfim… Estamos em um concurso, não é vero? Vale tudo para amolecer o coração do leitor e conquistar seu voto. 😉
    E, pra finalizar, o que eu mais gostei no conto foi o final. Acho que o maior (e tão comentado lá no grupo dos autores no Face) “gancho” encontrado nas obras lidas, pelo menos até aqui… Deixar o leitor com vontade de saber a continuação desta história, dando alguns indicativos trágicos com relação ao futuro das personagens, bem no finalzinho da “parte I” da narrativa foi, em minha modesta opinião, o tiro mais certeiro deste trabalho. Pega o leitor “no pulo”… (rs!)
    Deixo, portanto, os meus sinceros parabéns por esta (muito bem executada) façanha!
    Grande abraço,
    e boa sorte!
    🙂
    Paz e Bem!

  17. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Achei um pouco forçado o cara ir pedir o dinheiro na rua logo de cara. Mas enfim, o desespero às vezes nos força a coisas e coisas. O conto é morno, bem escrito e fácil de ler, mas não passaria disso se o autor não tivesse sido bem feliz ao final. O ganho existe, não é tão sutil, mas também não tem aquela carazona de gancho. Particularmente, eu gostei bastante. Já sabemos que provavelmente vai dar merda com aquela janela, mas como? Com quem? Qual a situação?

  18. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    gostei e a história deixa uma ponta do véu bem levantada, será que vamos ver o resto da história? Era bom que sim, pois apesar de ser um pouco longa e cansativa, falta algum ritmo, mas gostei do final e da grande volta que o texto deu. Parabéns

  19. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Um conto muito psicológico, ao estilo do parafuso de Henry James, em que não sabemos muito bem o que está acontecendo. A moça na janela é uma sacada muito boa. É provável que a menina caia da janela, ou já tenha caído. O estilo acelerado, econômico, com detalhes significativos, é muito bom, torna o conto fluido e facilita a leitura. O conto é bem mais curto que a média, mas poderia continuar por mais linhas sem cansar, graças ao estilo do escritor. Espero que seja classificado.

  20. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro, José Arlindo.

    Bem, sem dúvidas é um conto arrebatador.

    Com uma narrativa direta e muito bem podada, o autor soube me fisgar já nas primeiras linhas. O processo hodierno do personagem dá força para a história, as migalhas do passado deixadas no texto completam coisa toda com maestria. A insegurança do personagem, que não pode ser abandonado novamente, é muito bem demonstrada. O grande mérito, a meu ver, é ser absolutamente crível, cruelmente real.

    A linguagem é forte e precisa. As críticas pertinentes dentro do contexto escolhido, perfeitas para a história. Como devem ser, sem qualquer traço panfletário.

    Adorei essa perspectiva, “Aquele mendigo não tinha um lar, mas sua urina visitou casas, carros, cidades escolas… e se espalhava pelo chão da rodoviária”

    Fiquei muito arrepiado com o final. Em minha opinião, até o momento, é o texto que melhor soube aproveitar a regra do desafio.
    Impossível não criar uma expectativa no leitor, que já criou uma ligação com os personagens.

    Parabéns e boa sorte!

    obs: Título e imagem ótimos!

    • rsollberg
      5 de novembro de 2015

      A segunda parte deste conto foi tão boa ou melhor que a primeira parte. Trouxe reviravoltas, perspectivas inesperadas e me surpreendeu, ou melhor dizendo, me enganou direitinho com aquela frase final da primeira parte.

      O conto como um todo é impactante, daqueles que deixam um nó na garganta. No entanto, a história é lindíssima. E, no final, ainda tem um certo alivio, uma mensagem positiva e poética.
      Essas histórias de pais e filhos sempre me arrebentam. Lembro-me de uma no desafio faroeste, que também era belíssima.

      Parabéns ao autor que soube arrancar lágrimas desse leitor.

  21. Maurem Kayna
    28 de setembro de 2015

    gosto quando o título faz parte ou faz diferença na história. É o caso. Achei que a história tem alguns clichês e há algo no protagonista narrador que me impede de “comprar”sua sensibilidade paterna. O final aberto dessa vez me pareceu meio fora de propósito, porque não há na história, apesar das amarguras e fracassos, motivações visíveis para o salto…

  22. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015

    Gostei da história, ainda que a história não seja muito original, foi bem conduzida.

  23. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    Achei que deveria ter uma maior desenvolvimento de cena e contexto. Não me parece crível que um pai deixe sua filha se arriscar assim por medo de perde-la, mas caso algo aconteça, ele também irá perde-la.

    O conto é bem escrito, contado de modo devagar e convincente. Porém a cena em que a moça coloca o dinheiro no bolso dele poderia ser melhor desenvolvida e aproveitada para demonstrar o que se passou na cabeça dele no momento na coincidência, se é que se existiu, ou na sorte.

  24. Piscies
    22 de setembro de 2015

    Gostei. Durante a leitura senti o olho marejar, mas era só um cisco (rs rs rs).

    Foi uma boa construção de personagem. O autor expressa muito bem os sentimentos do personagem e o seu cotidiano. Sabrina também é peculiar e interessante. Uma bela história, sem dúvida!

    Vi uma certa confusão no tempo da narrativa: por vezes a história é narrada no pretérito, por vezes no presente. Veja o parágrafo a seguir:

    “Eu mal podia esperar para entrar e me sentar no banco onde, durante todo o dia, passaram o mais diverso tipo de pessoas. O ar abafado me fará sentir ânsia até chegar no último ponto, perto de casa. Posso tentar abrir a janela, mas sei que estará emperrada. Soltei a fumaça, pensativo. Todos os dias as mesmas coisas.”

    O “podia” está no pretérito mas, na outra oração, o “fará” está no futuro. Então, na outra oração, “posso” está no presente. Seria melhor “podia”, “faria” e “poderia”.

    Tirando isso, não notei nenhum outro erro grosseiro. Algumas metáforas e comparações estão excelentes! A melhor: “Sentar-se na janela e, do alto, cultuar o chão”.

    PS: Não entendi a frase inicial. Me parecia apenas uma citação para iniciar o conto, mas o “- sussurrou o personagem” no final me confundiu.

    • Piscies
      30 de outubro de 2015

      A continuação não me agradou tanto quanto a primeira parte. O texto soa corrido, com alguns erros de gramática e algumas construções muito rápidas em momentos que deveriam ser prolongados e bem descritos.

      A hora em que o pai de Sabrina fala para ela sobre o motivo de tê-la “expulsado” de casa, por exemplo, foi estranha. Para mim sua intenção era ser o clímax do texto, mas infelizmente não entendi muito bem, especialmente por não entender todo o drama ao redor da “expulsão” dela de casa. Não foi expulsão, foi uma passagem para uma vida melhor. Eles nem brigados ficaram.

      Enfim, não consegui criar uma ligação com Sabrina tanto quanto consegui criar com o seu pai (que não lembro de ter visto o nome). O desespero e a tormenta narrada na primeira parte foram muito mais palpáveis do que o sofrimento e a angústia de Sabrina na segunda parte. Senti que o autor “falava” mais do que “mostrava”.

      O final, porém, foi feito com chave de ouro. O pulo de Bungee jump foi uma boa metáfora. Bem legal!!

      Boa sorte aí!!

  25. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    Mais Alto que o Céu (José Arlindo)

    ♒ Trama: (4/5) é simples, mas funcionou bem para o tema: mostrou o passado triste, o presente e deu um vislumbre do futuro. Gostei bastante, mas as últimas frases foram só para criar o gancho para a segunda fase do desafio. Se esse conto não tivesse uma continuação, elas ficariam muito vagas.

    ✍ Técnica: (4/5) bem narrado, boas imagens e metáforas interessantes (como ser alimentar de choro), dá pra sentir bem a amargura do homem abandonado. Só encontrei um problema (abaixo).

    ➵ Tema: (2/2) é mais ou menos isso aqui que espero ver nesse tema (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) apesar de ser uma história muito bonita e bem escrita, trata de um mote bem comum.

    ☯ Emoção/Impacto: (5/5) preciso confessar que minha garganta apertou no final, quando eles conversaram. Atingiu em cheio esse meu coração paterno 🙂

    ➩ Nota: 9,0

    Frase de destaque: “Naquele dia, engoli o choro no lugar da comida.”

    Problema que encontrei:
    ● passaram *o mais diversos tipos* de pessoas

    • Leonardo Jardim
      3 de novembro de 2015

      Mais Alto que o Céu (José Arlindo) – Segunda Fase

      📜 Trama: Poderia ter alguma indicação mais forte da mudança de narrador (um subtítulo, por exemplo), pois houve um desconforto no início. Mas eu adorei a história do ponto de vista de Sabrina. A maioria das pontas soltas foram amarradas e o drama familiar ganhou ares ainda maiores com a doença do pai. Só senti um pouco de falta de maior desenvolvimento da parte da mãe, mas nada que me fizesse retirar pontos. (+0.5)

      📝 Técnica: manteve o mesmo bom nível, mas alguns erros importantes (abaixo) passaram pela revisão. (-0.5)

      🔧 Gancho/Conexão: a mesma história contada por outro ponto de vista e com a continuação. Achei uma ótima saída. (+0.5)

      🎭 Emoção/Impacto: já tinha dado a nota máxima para esse quesito e não tenho o que descontar. É uma história muito comovente e verossímil. Eu me senti íntimo desses personagens. Parabéns! (0)

      ⭐ Nota: 9.5

      Problemas que encontrei:
      ● Recebi do meu colégio *sem vírgula* uma bolsa de estudos
      ● O suficiente para saber que no futuro eu *pudesse* cuidar de você
      ● E se a cirurgia *fosse* um sucesso. E se algo *desse* errado

  26. Fil Felix
    20 de setembro de 2015

    Conto denso e muito bem escrito, apesar de alguns errinhos que encontrei. Percebi um ganchinho ao final e também contou pontos 😉

    O que gostei é a simplicidade em como descreve as cenas e a relação entre pai e filha. É um convívio mudo, mas repleto de significados e profundo. Mesmo sem eles dizerem nada, a gente consegue entender o que estão passando, acho que merece destaque por conseguir passar isso ao leitor, que não é fácil.

    Também ficou muito boa a sequência quando ele percebe que não tem dinheiro e decide pedir. A gente imagina o pior, que irá roubar ou algo assim, até por conta de nossa mente estereotipada, e acabei gostando do rumo que deu. Dar uma restaurada na fé nas pessoas.

  27. Lilian Lima
    16 de setembro de 2015

    Conto de uma tristeza singela. Algumas concordâncias de tempo verbal me pareceu confusas. Mas gostei da escrita. Simples e singela.

  28. Evandro Furtado
    16 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – há alguns probleminhas com os tempos verbais no primeiro parágrafo, mas vou relevar isso e já, já explico por que;
    História – 10/10 – proposta bacana, execução perfeita;
    Personagens – 10/10 – muito bem construídos psicologicamente;
    Entretenimento – 10/10 – texto cativante, prende o leitor em sua totalidade;
    Estética – 10/10 – curioso, não ia ler esse texto agora, ia deixar pra depois. Curioso como as coisas acontecem. São pouquíssimos os textos que me levam às lágrimas, esse foi um deles. Eu podia simplesmente lhe dar os parabéns, em vez disso que dizer outra coisa. Muito obrigado!

    • Evandro Furtado
      16 de setembro de 2015

      *quero

      • Evandro Furtado
        25 de outubro de 2015

        Notas Parte 2

        Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
        Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito, linguagem fluida;
        História – 10/10 – bem amarrada, complemente à primeira parte;
        Personagens – 10/10 – muito densos e cativantes;
        Entretenimento – 10/10 – prende o leitor do início ao fim;
        Estética – 9/10 – esse era o texto que eu tinha mais medo porque a primeira parte foi perfeita. A segunda parte estava indo na mesma direção até o final. Senti que faltou aquela frase de efeito, aquela reviravolta emocionante que arrancasse lágrimas como na primeira parte. Esse é o grande problema de escrever um texto tão bom no começo.

  29. Jefferson Lemos
    16 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Gostei da melancolia que transborda pelas palavras. Apesar de curto, é um conto que toca, que faz pensar na situação da personagem e cria certa empatia com ela. Poderia haver um pouco mais sobre ambos, mas espero que a segunda parte possa contar, pois quero vê-lo lá.
    Essa epígrafe ficou bem legal. Uma frase bem construída.
    Quanto a parte gramatical, não vejo o que reclamar. Há boas construções e situações críveis, e a leveza nas palavras deixa tudo mais fácil de acompanhar.

    Gostei. Esse desafio está se saindo muito melhor do que eu esperava.

    Parabéns e boa sorte!

    • Jefferson Lemos
      22 de outubro de 2015

      Olá de novo!

      Dessa vez, confesso que o impacto foi menor. Não me pergunte qual, mas esperei uma situação diferente nessa segunda etapa. No entanto, o conto continuou seguindo um bom ritmo melancólico.
      A relação entre o pai e a filha foi bem descrita, dosada de fortes emoções e uma gramática. Apesar de triste, o desfecho foi bom.
      O final, ao meu ver, foi um pouquinho abrupto. Mas a importância da atitude dela deu uma cara bacana para o que ela queria dizer durante toda a história.

      No final, foi um bom conto.
      Parabéns e boa sorte!

  30. Fabio D'Oliveira
    14 de setembro de 2015

    ☬ Mais Alto que o Céu
    ☫ José Arlindo

    ஒ Físico: O autor escreve muito bem. Também sabe narrar uma estória. O desenrolar do enredo é feito com maestria e as cenas descritas são bem visuais. Isso é difícil de acontecer num conto onde o foco são as emoções dos personagens. Merece os parabéns por isso! Entretanto, o estilo não impressiona. É simples demais. Oriento que o autor procure melhorar isso, para se destacar mais. A narrativa ficou um pouco fria da forma como ficou…

    ண Intelecto: Uma estória muito bonita. E prevejo um final triste para ela, inspirado pela frase inicial. O protagonista é bem explorado, mas não tem presença, pois ele é fraco. Isso atrapalha um pouco, mas faz parte. A menina, pelo contrário, aparentou ser bem forte. Ela poderia ter um pouco mais de destaque. Posso destacar o desenvolvimento da estória e as cenas escolhidas pelo autor. Estão excelentes!

    ஜ Alma: O cotidiano fica muito no plano de fundo. Está presente, é claro, mas o próprio texto destaca duas quebras na rotina, que seria o momento da mendigação e da última conversa entre pai e filha. O foco do autor foi em cima das emoções do protagonista. Deixou um pouco a desejar nesse quesito. No entanto, o autor consegue aguçar a curiosidade do autor. O que irá acontecer com essa família?

    ௰ Egocentrismo: Gostei do conto, pois conseguiu me cativar. Apesar do estilo ser um tanto frio, sem graça, diria, a estória me envolveu. Senti-me triste por ele. E isso é ótimo!

    Ω Final: O conto está muito bem escrito e a estória emociona de verdade. O autor precisa criar um estilo mais atrativo, pois tem talento e precisa de um poder de atração maior para chamar a atenção. O tema ficou no plano de fundo, mas o gancho para a continuação ficou excelente.

    ௫ Nota: 8.

  31. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: Gostei pela escolha do autor em seguir um caminho diferente. Está bem dentro do cotidiano comum ao brasileiro. – 9,0.
    G: A história é bem interessante e, narrada do ponto de vista do pai, cria empatia imediata. Consegui absorver seus sentimentos e preocupações, bem como observar os pequenos detalhes de seu dia a dia. A melancolia geral não descambou para tristeza, para ele era algo comum e isso foi muito bem transmitido. – 9,0.
    U: Notei alguns errinhos na introdução, mas nada atrapalhou o restante. Mais uma revisão e ficará 100%, pois a leitura flui muito bem. – 7,0.
    A: Gostei bastante do gancho final e da conclusão da história apresentada. Além de deixar o leitor curioso, incentiva-o à imaginação (quem caiu?). – 9,0.
    [8,5]

  32. Antonio Stegues Batista
    13 de setembro de 2015

    A estória de um pai solteiro e a preocupação de criar a filha, seu único tesouro. O texto revela toda a angustia de um pai em arranjar dinheiro para comprar um livro para afilha. Um história que acontece em muitos lares. Bom enredo, boa gramática. É interessante saber o que acontece a seguir, e parece que não é coisa boa!

  33. Claudia Roberta Angst
    12 de setembro de 2015

    O cotidiano entre um pai e sua filha. Algumas passagens bastante tocantes e imagens bem trabalhadas como: “Naquele dia, engoli o choro no lugar da comida.”
    O tema, portanto, foi abordado. O final também deixou um gancho, o da despedida a acontecer.
    Quanto à revisão, temos alguns probleminhas aqui:
    – “(…) passaram o mais diverso tipo de pessoas” – erro de concordância – PASSOU o mais diverso tipo de pessoas. ou PASSARAM os mais diversos tipos de pessoas.
    – a mudança de tempo verbal também não ficou legal – sentei/fará/posso – tudo em um mesmo parágrafo.
    A leitura fluiu fácil, o que é sempre muito bom. Boa sorte!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .