EntreContos

Detox Literário.

A entrevista (Lilian Lima)

— Me fale de você…

—Isto é algo que não sei fazer: falar de mim mesmo…

— Bem, senhor… — Vicente procura o nome do homem na ficha.

— Pablo… Pablo Meireles! — Lhe informa o candidato.

— Senhor Pablo… Como eu ia lhe dizendo, é desta forma que conhecemos melhor as pessoas que querem trabalhar conosco — Pablo gargalha. O outro, sério, o aguarda terminar a cena.

— Isto é algo tão idiota de se perguntar em uma entrevista de emprego, não acha?            — Pergunta Pablo tirando um maço de cigarros e um isqueiro do bolso — Posso fumar? — Ele olha a sua volta. O outro, não responde — Bem, não vejo nenhum aviso proibindo, então…  — Pablo acende o cigarro e dá um trago.  Espalma uma das mãos nas pernas e recosta-se na cadeira.

— Então…  Você acha mesmo que as pessoas falam a verdade sobre si em entrevistas de emprego, senhor… Vicente? — Continua ele.

— O senhor está com algum problema? — Pergunta o recrutador.

— Problema? Porque eu disse o óbvio? — Com um sorriso de canto, Pablo baforeja a fumaça do cigarro.

— As pessoas sentam aqui e o que se espera delas é que elas não sejam honestas e eu quem tenho problema? — Pablo procura por um cinzeiro e não achando, usa o lixo ao seu lado — Não, senhor Vicente…  O mundo é que está com problema!

— Não esperamos que as pessoas mintam, senhor Pablo. Ao contrário. Queremos que elas sejam transparentes. Mas acho que podemos encerrar a entrevista por aqui.

— Ah, não… Não pise em cima de minha sinceridade assim, senhor… Vicente! Eu a adquiri com muito sacrifício, sabe… — Pablo entristece o semblante e com ar distraído fica a olhar um pombo que pousara no parapeito da janela enquanto o outro atende ao telefone que tocava estridente.

Pablo se distrai em seus pensamentos e não sabe quanto tempo passara-se quando dera por si. O que não fez diferença, pois Vicente que já havia desligado o telefone permanecia absorto em pensamentos a ignorar totalmente a presença do outro.

Seu rosto alvo agora é de um tom vermelho e ele range as mandíbulas com olhos fixos em seus papéis em cima da mesa. Um suor brota de sua testa e ele mexe nervosamente os dedos como se fabricasse uma bomba dentro de si e fosse explodi-la a qualquer momento — ‘’Pelo visto, fora esculachado por algum superior. ’’ — Pensa Pablo.

De repente, Vicente começa um riso baixo que explode em uma gargalhada. Pablo fuma tranquilo e observa o outro.

Após alguns segundos, Vicente encerra o riso e se apruma em sua cadeira.

— Desculpe-me, senhor Pablo. Continue, por favor… — Diz Vicente agora mais simpático e amistoso afrouxando o nó da gravata e limpando o suor da testa com um lenço.

— Quer um cigarro? — Oferece Pablo. Vicente inclina-se e pega um dos cigarros dentro do maço.

— Eu não fumo — Diz ele a colocar o cigarro apagado na boca — Mas… Você dizia…

— Bem, a maiorias das pessoas sabem que se forem honestas nas entrevistas, elas não serão contratadas.  E vocês sabem que elas sabem. E elas sabem que vocês sabem. Enfim, é um conluio nauseante… Por isto, digo que é algo idiota requerido em uma entrevista de emprego.  Claro que as pessoas não podem mentir de todo sobre si, mas, como o essencial é invisível aos olhos como já disse o escritor, esse essencial pode-se muito ser fantasiado. Afinal, é algo cuja constatação se daria apenas com o passar do tempo e aí… Tarde demais. A pessoa sorri encantadoramente, logo, parece de fácil convívio. Diz que prestou serviços voluntários no último verão e embora o fizesse com segundas intenções, é vista como uma benemérita. Não fala mal de antigos patrões e colegas de trabalhos, mas puxou o tapete deles sem que eles se dessem conta e ainda conta com suas referências. E assim por diante…

— Então o senhor acha correto esta conduta?

— Pelos céus! Estou justamente condenando esta merda toda! Aliás, estou denunciando que a maior parte da culpa, é dos senhores — Pablo traga o cigarro — E não somente, senhor Vicente… Na verdade, enquanto os senhores exigem um discurso politicamente correto, uma epopeia das virtudes humanas, ao mesmo tempo vocês anseiam farejar vestígios…

Vicente franze o cenho.

— Sim, vestígios… Da ferocidade animal por detrás do verniz civilizado. Afinal, quem pode sobreviver a uma selva se não agir como um animal? E então… Quem manterá os negócios dos senhores de pé? — Recostado na cadeira e com o cigarro apagado na boca, Vicente fita Pablo.

— Não estamos mais na selva, senhor Pablo. O mundo mudou…

— Hehehe!

— Do que ri?

— Ora, senhor Vicente! O mundo não mudou… Só está mais hipócrita. Bem… Mas você pediu para eu falar de mim e depois disse que a entrevista tinha terminado…

— Mudei de ideia… Pode continuar… — Vicente devolve o isqueiro de Pablo. Tira a gravata do pescoço e atira os sapatos para um canto.

— Hm… Espere um momento! — Vicente coloca o cigarro apagado em cima da mesa e destranca uma de suas gavetas e dela, tira uma garrafa de bebida importada. Ele serve uma dose em um copo e o empurra sobre a mesa para Pablo e este, fica a observar o outro a dar uma golada generosa no gargalo.

— Não vai beber? — Pergunta Vicente.

— Eu não bebo… — Diz Pablo a brincar com a fumaça do próprio cigarro. Elas saem como círculos de sua boca.

— Eu também não bebo… Apenas mantenho esta garrafa aqui, mas… Ham… Estou precisando disto neste momento…

— Imagino… Bem… Prosseguindo… Como lhe disse, acho entrevistas de emprego algo inútil de se fazer. A pessoa deve ser testada diretamente na função e pronto. Isto é o que importa. O resto é perca de tempo e escolhas baseadas no imaterial, no que não se pode comprovar de imediato. Em nosso subjetivo enganoso do emocional — Pablo faz uma pausa — Mas, me submeterei a este paradigma já que mudou de ideia quanto a continuar a entrevista…

— Comece, então… — Diz Vicente dando outra golada na bebida.

— Nada demais — Pablo traga o cigarro e prende a fumaça — Moro sozinho… Tenho trinta e dois anos…  Não sou casado e não tenho filhos… — Pablo faz uma pausa apaga o cigarro na lateral interna do lixo e depois solta a fumaça pelo nariz — Sou introspectivo… Antissocial e metódico.

— Desculpe interrompe-lo — Vicente faz um sinal com a mão — Mas o senhor espera conseguir um emprego dizendo isto de si mesmo?! — Pergunta ele perscrutando o semblante do outro.

— Você acabou de comprovar minha tese, Vicente… — Diz Pablo em um solavanco na cadeira — Hehehe…  Acho que posso tratá-lo por você, não? Afinal, se eu não te respeito ainda, pois eu não te conheço, os pronomes de tratamentos são apenas uma formalidade hipócrita — Como se algo lhe ocorresse naquele momento, continua       — Na verdade, deveria ser o contrário. À medida que nos conhecêssemos, poderíamos nos tratar por senhores se assim nascesse o respeito entre nós — Pablo faz uma pausa. Pondera mentalmente o que acabara de dizer meneando a cabeça. Tira um caderninho do bolso e anota alguma coisa. Já há algum tempo, Pablo coleciona ideias, as quais ele as chama de ‘quebras de paradigmas’.

— Mas, por fim… — Continua ele — não precisamos desta coisa arcaica dos tratamentos. Um tipo de respeito imposto mediante a classe social, a formação acadêmica ou a hierarquia profissional determinando quem é superior a quem. A morte nos nivelará a todos. Sendo isto então, apenas algo desnecessário como aquelas cômicas perucas do século XVII.

— Não gosto de perucas… Também, não gosto da morte… Hic! Meu deus… Não precisa ir tão fundo no assunto… — Diz Vicente de sobrolho franzido.

— Taí algo com que ocupo sempre meus pensamentos – a morte -. Diz Pablo. Vicente dá de ombros.

— Já eu, me ocupo da vida!  — Diz ele esvaziando a garrafa em um sorvo só. — A morte, é a única verdade absoluta da vida. O resto…  Não sei ao certo se aconteceu. Não sei nem se estou aqui agora…  Meus pensamentos voam… Eu sou meus pensamentos enquanto que para você, eu sou este corpo. Posso não estar aqui apesar de você estar me vendo.

 

— Hehehe… — Pablo… Pablo… Pablo… E olha que você nem tocou em sua bebida… Ehehehe…

 

— Não… Eu não bebo, já disse. Gosto de estar sempre lúcido. Mas a maioria dos homens não está acostumada com a lucidez. Quando eles a vêem, a confundem com a loucura. Isto porque na maior parte do tempo… Os homens permanecem como se estivessem embriagados de fato…  — Pablo volta a recostar-se na cadeira com um suspiro — Mas é admissível. Como passar pela vida a seco? É preciso ludibriar os sentidos…

 

— Sendo assim, Pablo. Meus parabéns! Se você permanece lúcido a maior parte do tempo, você é um herói. Mas tenho de lhe dizer! É um herói solitário… De pensamentos lúcidos e solitários… Devo lhe dizer também que você está com seus nervos expostos… Isto adoece! Enquanto você pensa no fim… Nós, os bêbados como você disse, vivemos essa ilusão… Vivemos e respiramos… Gozamos a vida enquanto a tivermos nas mãos…

 

Eles se calam por um tempo. O barulho do trânsito abafado que vem do lado de fora da janela fechada, é ininterrupto.

 

— Mas… Tudo isto que você diz… — Interrompe Vicente o silêncio de brusco — É por você ser o que é certo? Quero dizer, você ia dizendo sobre ser introspectivo ou coisa assim…

 

— Ah, sim! Claro, claro! Como ia dizendo… A introspecção ou introversão, como queira, é um tipo de personalidade. A qual, os outros seres da minha espécie não a respeitam…  Acham-me um fraco…

 

— Não… Não chega a tanto… — Diz Vicente com um risinho, já um tanto alto pelo álcool — Não compreendo destas peculiaridades… Quer dizer, aqui em nossa empresa, não me recordo se temos este tipo de funcionário… Introspectivo… Hihihi, hic… Mesmo na área das exatas… — Interrompe-se Vicente tentando lembrar-se dos funcionários das exatas.

 

— Isto é um grande engano! — Zanga-se Pablo.  Introspecção não é algo necessariamente das exatas. Claro que não! — Pablo suaviza o semblante — Mas eu me refiro a outro tipo de introspecção… — Vicente cruza as pernas — A dos poetas… — Pablo agita-se por um momento com uma agitação apaixonada. Tira do bolso seu caderninho e folheia algumas páginas — Ouça:

 

 

A Dança dos Ratos

 

 

Invejo os ratos que fizeram por valer a vida

 

Quanto a mim, fui um fraco

 

Poupei-me de mim e de tantos, que sofri afinal

 

De acúmulo de lágrimas não vertidas

 

De sofrimentos insofríveis

 

De dores que me partem por dentro

 

Rasguei meu peito então e desaguei de mim, o fim.

 

 

Após ler o verso, Pablo guarda novamente o caderninho em seu blazer de veludo marrom. Passa as mãos fétidas de cigarro pelos cabelos negros e bastos. Após recompor-se de seu enlevo, ao encarar Vicente, este tem os olhos anuviados.

 

—Você escreveu isto? — Murmura Vicente brincando com a garrafa vazia em cima da mesa.

 

— Sim…

 

Vicente se cala. Mas de repente, algo lhe ocorre.

 

— Diga-me, Pablo… Sinceramente… O que você vê quando olha para mim? — Pergunta Vicente após fungar e esfregar ligeiramente os olhos. Pablo observa o outro pombo que pousara no parapeito da janela.

 

— Bem… Esta tua roupa bem passada… Tua barba bem feita… Teu cabelo engomado… — Pablo faz uma pausa e acende outro cigarro — Soam falsos… — Diz Pablo depois de baforejar e encarar Vicente — Você quer lhe dar ares de importância diante de seus subordinados e de competência aos seus superiores, mas…  O fato é que isto não prova nada.  Na verdade…  Este mundo de aparências soa mais como um disfarce para encobrir uma possível insegurança ou quem sabe, a própria mediocridade      — Vicente permanece impassível — Isto acontece muito com a lei, por exemplo   — Continua Pablo — Que juri levaria a sério um advogado calçando chinelos?

 

— Claro que não! — Vicente dá um leve murro de satisfação no tampo da mesa. Pablo lhe olha de canto.

 

— No entanto… Que sentido isto faz de fato? A menos que se prove que a justiça é feita através dos sapatos… — Vejam! Como aqueles sapatos são eloquentes! — Grita Pablo. Vicente faz um muxoxo.

 

— Bem… Então é só isto… A maneira como eu me visto…

 

— Não, somente… Este seu ar de capataz escravagista em uma versão ”era digital”ainda que seja algo em voga é algo insuportavelmente démodé… — O outro joga o cigarro apagado e a garrafa de bebida vazia no lixo e depois se projeta para frente fincando os cotovelos sobre a mesa com um olhar desafiador. Pablo também se projeta para frente e finca os seus cotovelos.

 

Eles se encaram por um longo tempo, observando a face um do outro, cara a cara, a cada detalhe de seus rostos. Cada músculo que se mexe, cada movimento ocular.

 

De repente, Pablo põe a língua para fora da boca, lentamente. Vicente o imita e por sua vez, arregala os olhos e os move em um movimento circular. Pablo também revira os seus.

 

— Você pode começar amanhã? — Pergunta Vicente.

 

 

 

O tic-tac do relógio na parede da sala entrecorta os pensamentos de Vicente. Ele olha através da porta de vidro e observa o candidato que o aguarda para a entrevista há pelo menos vinte minutos.

 

Vicente poderia tê-lo entrevistado assim que ele chegara, pois não tinha nada para fazer, mas, é de praxe fazer o candidato esperar para que desde a entrevista ele saiba de sua insignificância e reconheça já mesmo antes de conhecer, quem é que manda.

 

Do lado de fora da sala, sentado no sofá de couro preto e intimidador, Pablo por um milésimo de segundo foi traído pelos pensamentos, saindo de seu estado de alerta. Ele desperta como de um transe e de forma discreta verifica as horas no relógio de pulso. Fica aliviado pelos ponteiros não terem avançado nem um minuto em relação à última vez que ele conferira o tempo.

 

Pablo ainda terá outra entrevista de emprego para fazer no dia e se demorar muito para ser atendido poderá se atrasar para a próxima, já que terá de se deslocar para outro ponto da cidade.

 

Ele faz uma última checagem em si mesmo. Seus olhos percorrem pelos seus sapatos bem engraxados, depois sobe pela suas calças vincadas, suas unhas limpas e cortadas, seu blazer marrom bem cortado e sua gravata impecável. Por fim, inspira profundamente a fim de concentrar-se e sente então sua colônia adamascada que recende em torno de si.

 

Ele volta a observar discretamente o recrutador sentado à sua mesa. De repente, o homem levanta-se e encaminha-se para a porta. Com um sorriso polido faz sinal para ele. Pablo aproxima-se e Vicente lhe estende a mão a qual Pablo faz questão de apertá-la com firmeza. Lera isto há muito tempo em algum manual de linguagem corporal para entrevistas de emprego.

 

— Pablo Meireles?

 

— Senhor Vicente Sobral?

 

— Por favor, sente-se!

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20 comentários em “A entrevista (Lilian Lima)

  1. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá

    Texto muito bom. O diálogo tava bem legal, mas chega num ponto onde se torna cansativo. Final inesperado, mas não sei se me interessa uma continuação. Gostei do uso da ironia, muito bom.

    Boa sorte.

  2. Gustavo Aquino dos Reis
    30 de setembro de 2015

    Gostei muito do conto. Dos diálogos bem executados, das quebras de paradigmas, da escolha das palavras. O final do conto foi muito bem pensado. Um trabalho que está impecável. A única ressalva – e devo deixar bem claro que isso não vai impactar em nada acerca da nota – é a continuidade do trabalho.

    Parabéns, mesmo.

  3. Lucas Rezende
    29 de setembro de 2015

    Olá,
    Vamos lá… O começo é confuso, por vezes não se sabe ao certo quem está falando. A entrevista é uma crítica social que ficou muito na cara, as opiniões do autor são jogadas na cara do leitor sem cerimônias. Por mais que essas opiniões são expressadas pelo personagem, não convence muito.
    Os personagens me pareceram pouco críveis, até chegar no final e descobrir (eu acho) que tudo aquilo se passou na cabeça de alguém.
    A história não me agradou muito, mas a ideia de mostrar o que se passou na simulação da entrevista na cabeça de alguém e depois ler o que acontece realmente nesta entrevista gera uma certa curiosidade.
    Boa sorte!

    Nota: 5

  4. catarinacunha2015
    28 de setembro de 2015

    TÍTULO apenas apropriado (1/2). O TEMA é tão cotidiano que mexe com a gente. Quem nunca passou por isso? (2/2). O FLUXO é direto, mas diálogos são perigosos e o (a) autor (a) perdeu o controle da fala dos personagens pelo meio (1/2). TRAMA bem costurada com direito a virada (2/2). O FINAL deixa um gancho perfeito (2/2).

  5. Thata Pereira
    28 de setembro de 2015

    Eu achei a história bastante interessante, mas não gostei da forma como o conto foi conduzido. Principalmente por causa das interrupções durante as falas, para dizer que o personagem continuou ou o que sentia, fazia. Acho necessário, para imaginarmos a cena, mas acredito que isso deve ser ponderado. Interromper a fala mais de uma vez é algo que me incomoda.
    Pensei que esses dois iam subir na mesa e se agarrar loucamente. Será que ainda vai acontecer? Esse clima de discussão, bebida, cigarro… (rs)

    Boa sorte!

  6. Bia Machado (@euBiaMachado)
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 1-2 – Não gostei. Não me cativou, decididamente. Foi apenas uma conversa cansativa, uma tentativa de filosofar a respeito de um aspecto do ser humano, mas…

    Enredo: 1-2 – Cadê o enredo? Ou o enredo seria: homem (qual deles?) imagina uma entrevista que está prestes a acontecer. se for isso, ok. Ou, pelo menos, foi o que entendi de tudo isso. Podia ter sido melhor.

    Construção das personagens: 2-2 – Curiosamente, a conversa deles é que “leva” o texto. Eles mereciam um enredo melhor.

    Criatividade: 1-2 – Em alguns trechos há, como o que destaquei, boas construções
    filosóficas. Mas a ação é bem morna e cansativa.

    Adequação ao tema proposto: 0-1 – Não está adequado. O texto é sobre uma entrevista, um momento, não sobre o cotidiano. Ao menos foi o que me deixou passar, talvez se tivessem sido colocados mais elementos, ficasse mais perceptível pra mim. Espero que outros tenham conseguido enxergar o que não enxerguei.

    Gramática: 0,5-1 – Algumas coisas a arrumar, mas o “perCa de tempo”, isso fez doer minhas pupilas.

    Trecho destacado: “Você quer lhe dar ares de importância diante de seus subordinados e de competência aos seus superiores, mas… O fato é que isto não prova nada. Na verdade… Este mundo de aparências soa mais como um disfarce para encobrir uma possível insegurança ou quem sabe, a própria mediocridade”.

  7. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    Gostei da proposta. Uma crítica à sociedade de aparência, àqueles que se preocupam mais com o ter do que com o ser. Fazê-lo por meio de diálogos foi uma aposta ousada. Ora funcionou bem, ora nem tanto. Não curti muito os trechos do narrador em off. Creio que o texto ficaria melhor sem isso, focando apenas na conversa entre Vicente e Pablo. Em algumas passagens notei erros gramaticais e de concordância. Cheguei a pensar que foram propositais, que Pablo, principalmente, falava “errado”, mas percebi que isso – os erros – se repetiam até mesmo nos trechos de narração. Apesar de interessante a proposta, creio que Pablo resultou em um personagem um tanto pedante. Não consegui gostar dele e nem de Vicente. Faltou, pelo menos para mim, uma identificação maior com algum deles. Enfim, uma boa ideia com desenvolvimento irregular. Se lapidada, pode resultar num texto muito bom.
    Ah, e quero dizer que gostei bastante do poema.
    Nota: 6,5

  8. Anorkinda Neide
    25 de setembro de 2015

    Ho ho
    algo me diz que a continuação vai ser o repeteco da entrevista? kkk
    Não, não.
    Mas, assim, não entendi muito bem não.
    Na primeira leitura, dias atrás, até gostei, li rapidamente e pensei, tenho qe reler pra comentar, ver se entendi direito… bem não tinha entendido direito, pq agora fiquei mesmo foi sem entender nada…
    um dos dois (coincidencia ,os nomes sao de ex-namorados meus) imaginou todo o papo-cabeça ou os dois… e a conversa se deu numa outra dimensão? ó… dae já ficou mais interessante pra mim… rsrs

    Mas, o fato é que na releitura, me cansei, achei o papo-cabeça longo demais.
    Tem alguns errinhos, que sei q vc já viu e já consertou no teu arquivo.
    É um texto bom, mas não conseguiu me conectar, não nem dizer porquê…
    Boa sorte e abraço

  9. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    Ui, que viagem bizarra e interessante!

    Gostei muito! Adoro contos formados essencialmente por diálogos, me sinto como expectador de uma peça teatral. Quando este diálogo é formado apenas por dois personagens, reza a tradição, até onde sei, que o leitor/expectador é conduzido por uma conversa sobre os sentidos da vida, sobre a sociedade e os tempos em que vivemos. O autor ou autora aqui soube cumprir a tarefa a que se propôs com maestria. Os diálogos estão muito bons, profundos e pontuais, revelando o suficiente tanto para construir os personagens quanto para discutir temas densos, como rótulos e máscaras. E teve direito até a plot twist. Me pergunto, com imensa curiosidade, o que poderia ser feito numa eventual continuação. Espero poder lê-la! Minha nota é 8. Um abraço!

  10. Felipe Moreira
    23 de setembro de 2015

    O conto não me agradou muito porque vi tantos assuntos abordados, como políticos e filosóficos que acabaram não recebendo o foco necessário pra um argumento que justificasse o final. O início estava legal, Pablo e Vicente figuravam um diálogo interessante, mas se perdeu com o tempo. Acho que Pablo divagou bastante.

    De todo modo, parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  11. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    Um conto sobre honestidade. Irônico, ácido, bem escrito e com um pequeno poema no meio. Méritos por ter sido quase todo escrito em forma de diálogos, e ainda conseguir trazer ambientação.
    Achei poucos errinhos de português.

  12. Fabio D'Oliveira
    22 de setembro de 2015

    ☬ A entrevista
    ☫ Levis G.

    ஒ Físico: O texto está bem escrito, mas não consegui definir o estilo do autor. Ainda está em desenvolvimento, talvez. A narrativa pareceu natural, mas algumas vezes travei. A estética do conto poderia ser melhor trabalhada.

    ண Intelecto: É uma longa dissertação sobre a sociedade atual. No entanto, é uma dissertação muito pretenciosa, seguindo apenas uma linha de pensamento como se ela fosse a correta. Além disso, o final ficou muito confuso. Tentei ler o texto uma segunda vez, mas não encontrei nada que indicasse o que realmente aconteceu. Não sei…

    ஜ Alma: O autor fala um pouco sobre a sociedade, com alguns resquícios do cotidiano, mas tão rasos que afastam o texto do tema. Não se encaixa. Além disso, o final confuso e a falta de um gancho forte faz com que o leitor termine decepcionado. Tinha tanto potencial…

    ௰ Egocentrismo: O autor tem potencial, mas não o aproveitou da forma que deveria. Achei o texto muito pretensioso. Mas a leitura não foi desagradável, devo admitir.

    Ω Final: Um texto bem escrito que se perde num furacão moralista. O autor tem muito potencial, mas não está aproveitando ela como deveria. Não está dentro do tema e o final está muito confuso.

  13. Tiago Volpato
    21 de setembro de 2015

    Interessante a abordagem, praticamente uma peça de teatro e creio que seu texto teria se saído melhor se assim fosse, não que ele esteja ruim, só achei que o texto é mais sonoro, perdeu um pouco da magia na leitura. O texto está muito bem escrito, parabéns.
    Abraços.

  14. Maurem Kayna
    21 de setembro de 2015

    Estava indo tudo bem até eu ler “perca de tempo”. Desculpem… podem me apedrejar por eu me apegar a detalhes tão vis como a tal da gramática básica… sim, também faço das minhas, mas ao menos um corretor ortográfico… buenas, agora sobre a história narrada… estava tudo bem interessante, apesar de não termos nenhuma pista sobre as razões de Vicente espirocar e então vem a solução clichê de tudo não ter passado de um sonho. Uma pena, porque vi força e uma certa acidez que me agrada nas narrativas.. queria saber de onde vinha a audácia de Pablo…

  15. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2015

    Bem diferente e inventivo. Quase uma crônica. O personagem principal cativa de primeira. O final “flashback” pode confundir alguns, mas curti a quebra de paradigmas.

  16. Fabio Baptista
    16 de setembro de 2015

    As reflexões geradas pelo texto são muito boas.
    A forma como foram apresentadas, porém, infelizmente deixou muito a desejar.

    A construção do texto não está legal, separei algumas frases para ilustrar:

    – O resto é perca de tempo
    >>> Perda

    – coleciona ideias, as quais ele as chama
    >>> Esse “as quais” e “as” fica esquisito demais. Sugestão: coleciona ideias, que ele chama…

    – Interrompe Vicente o silêncio de brusco
    >>> Vicente interrompe o silêncio, aprupto.

    – A qual, os outros seres da minha espécie não a respeitam
    >>> Que os outros seres…

    – Vicente lhe estende a mão a qual Pablo faz questão de apertá-la com firmeza
    >>> Vicente lhe estende a mão e Pablo faz questão de apertá-la com firmeza

    Tem outras passagens, com vírgulas colocadas de modo estranho, formatação estranha do texto e etc.

    Mas o que mais me incomodou na verdade foram os personagens sem qualquer distinção. Pablo e Vicente falam exatamente do mesmo jeito, não dá pra saber quem é um quem é outro. Poderia colocar algo para marcar melhor as personalidades, Pablo poderia ser mais desbocado, por exemplo.

    NOTA: 6

  17. Rubem Cabral
    14 de setembro de 2015

    Olá, Levis G.

    Gostei do conto. Estava achando tudo muito surreal e o final deixou tudo mais claro. Algumas argumentações foram bem interessantes e sofisticadas, essa coisa do verniz social, da representação de papéis, que todos temos que participar. O Pablo é um personagem instigante.

    Quanto à escrita, há alguns escorregões, feito o uso de “perca” no lugar de “perda”, e certa confusão quanto ao uso do tempo verbal (presente x passado).

    Enredo: 5 (0-6)
    Escrita: 2,5 (0-4)

    Abraços.

  18. Rogério Germani
    13 de setembro de 2015

    Olá, Levis G.!

    Para ser sincero, apesar de ser um conto bem escrito, senti falta da presença marcante do cotidiano. A trama situa-se num fato isolado, a entrevista e nos devaneios do entrevistado. E o texto não aponta que os devaneios sejam algo corriqueiro diante de cada entrevista de emprego que o protagonista tenha passado.
    No quesito formatação, encontrei situações que precisam de revisão:

    “— Pablo… Pablo Meireles! — Lhe informa o candidato.”
    o “Lhe”, neste caso, deve ser escrito em letra minúscula.

    “— Isto é algo tão idiota de se perguntar em uma entrevista de emprego, não acha? —”
    O excesso de espaçamento deixa o texto esteticamente feio.

    Nota 4

  19. Ruh Dias
    13 de setembro de 2015

    Gostei bastante da perspectiva de duas pessoas diferentes na mesma situação.

E Então? O que achou?

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Meireles e marcado .