EntreContos

Literatura que desafia.

Bye Bye Blue Sky! (William Oliveira)

Acordei assustado, o sol já invadia meu quarto e esquentava os meus pés. Justo eu, cão adestrado tão bem, que pulava ao ouvir o primeiro toque do despertador, como se antecipasse a velocidade do som, acordando nos dias que sempre eram noites, senti falta daquele grito desesperador no domingo, e como numa Síndrome de Estocolmo, me senti preso à escravidão.

Afinal sou engrenagem tão funcional de máquinas que nos comem ao meio dia, formulo novas embalagens para antigos interesses e as alimento de sentimentos densos, doando de mim o mais vital da minha existência. Meu tempo.

Vejo pela janela, um dia lindo como hoje, com várias nuvens retas no céu, como trilhos de um trem que ninguém vê passar sobre nós. O olho esquerdo não vê direito, mas ainda vai dar para tomar um pouco de sol.

O céu é a boca do inferno, esperando por nós. Sério! Olhe para cima!

Abduzem-me do sono, nem sei se ao menos meu sono me pertence, se meu sonho não é induzido, controlado como no coma de quando acordo e que sou direcionado ao destino previsto e planejado minuciosamente arquitetado nas Lojas dos Patronos.

Se submeta e morra. Consuma-se! Meu tempo não muda.

O clã iluminado, Supremo Conselho caído na Terra que traçou o trilho do que é plantado para o implantado. Em um amanhecer de âmbar, consigo identificar suas cores e seus valores. Uma investigação da verdade, apenas porque ouvi um dia, o grito sufocado de um paranoico condenado, pré-julgado. Mas eu prefiro acreditar nos malucos.  A quem os considere apocalípticos, mas eu os vejo como integrados, pois há quem tenha medo que o medo acabe.

Já somos todos vacinados para prevenir a morte para a vida. Essa droga batizada que me deixa em “stand by”. Mesmo assim, não consigo alcançar o grau 33 ou 66, tanto faz! Toxina que elimina. Corrói pele, ossos e caveiras. Mas minha alma não!

Eu estou acordado ou estou dormindo?

Sei que um dia, eu simplesmente apareci.

chemtrails-3

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111 comentários em “Bye Bye Blue Sky! (William Oliveira)

  1. William de Oliveira
    12 de agosto de 2015

    Thales eu usei Odu por ser um termo atribuído a um contador de histórias africano e Anastácio referenciando a entidade de uma poetiza do candomblé.

  2. William de Oliveira
    12 de agosto de 2015

    Lais deixa eu tentar explicar um pouco da minha “pira” nesse trecho, é normal isso, eu sou confuso mesmo rsrs.

    “Justo eu, cão adestrado tão bem, que pulava ao ouvir o primeiro toque do despertador, como se antecipasse a velocidade do som, acordando nos dias que sempre eram noites, senti falta daquele grito desesperador no domingo, e como numa Síndrome de Estocolmo, me senti preso à escravidão.”

    Quando refiro ao personagem como “cão adestrado”, digo disciplinado.

    Quando digo “como se antecipasse a velocidade do som”, digo que ele acorda no horário programado toda manhã, por vezes, antes mesmo do despertador despertar devido a sua condição disciplinada.

    Quando digo “acordando nos dias que sempre eram noites” é porque o personagem é um trabalhador, e como bom trabalhador acorda de madrugada para sair para trabalhar e ainda não raiou o sol nesse horário.

    Quando digo “senti falta daquele grito desesperador no domingo, e como numa Síndrome de Estocolmo”, digo que mesmo na sua folga ele se sente condicionado a tarefa que ele cumpre normalmente, a sua rotina, o fato de atribuir a síndrome de Estocolmo é que a vitima sente-se ligada e até mesmo gostando do seu violentador.

    Esse é um texto de símbolos e códigos. Nada esta claro ali e evidente. Eu gosto de escrever para ler nas entrelinhas. Para ler e ficar curioso para procurar mais sobre aquilo. Eu trago isso da escrita poética e esses referencias teóricos são meus requintes de crueldade com o leitor.

  3. William de Oliveira
    12 de agosto de 2015

    Eu fechei o conto com uma frase de um dos maiores lunáticos que o Brasil já teve: – Sei que um dia, eu simplesmente apareci (Bispo do Rosário).

  4. William de Oliveira
    12 de agosto de 2015

    Obrigado pelas dicas e pontuações povo! Gostei muito da experiência.

    Passou desapercebido aquele a/há!

    Esse conto é o meu primeiro conto, acertou quem pontuou a falta de experiencia. Acertou também quem encontrou uma poesia revestida de conto, essa é a minha praia.

    Quanto ao tema, procurei representar um “paranoico” que se reconheceu como engrenagem da máquina de um sistema, atribui ele a FC por se tratar de uma revelação conspiratória envolvendo um esquema de teorias. O texto em si não tem trama, não tem começo>meio>fim, sem uma estrutura fechada, eu quis fugir disso e levar a reflexão. Ele um descritivo de uma sensação de descoberta do personagem, uma revelação, um grito dele. O Wilson entrou no feeling, foi direto na ferida desse referencial, realmente o texto é hermético e repleto de metáforas, contempla desde pensadores lunáticos como o Patrick Pasin a filosóficos como Humberto Eco.

    O conto foi escrito cheio de referencias a essas teorias da conspiração, desde os illuminatis aos repetinianos, juntei muitos elementos que gosto e que vejo sentido entre si. Entendi ele como FC por falar de uma conspiração que não é vista como real, ainda mais sodomizada por um grupo iluminado de alienígenas rsrs.

    O fato dele ser curto foi intencional, era pra ser um grito mesmo e ninguém tem forças para gritar por um longo tempo. Achei interessante o fato da maioria não entender, principalmente porque um “paranoico” como esse representado, quase nunca é entendido mesmo. Fez muito sentido!

    Fiquei com uma dúvida, Fábio Santos quem é o seu autor preferido?

    Ahhh a imagem remete aos “chemtrails”, que segundo alguns desses analistas conspiratórios seria uma carga de veneno distribuídas em doses homeopáticas para toda a sociedade no nosso céu por aviões de corporações dominantes do mundo que pretendem reduzir o numero da população e com isso reduzir o consumo de propriedades energéticas importantes para eles.

  5. Luan do Nascimento Corrêa
    11 de agosto de 2015

    → Avaliação Geral: 6/10

    → Criatividade: 7/10 – A criatividade ficou a cargo da prosa poética.

    → Enredo: 6/10 – Não entendi muita coisa e sinceramente não me esforcei muito para entender.

    → Técnica: 8/10 – Escreve bem. Encontrei apenas alguns erros pequenos.

    → Adequação ao tema: 0/10 – Não é ficção científica. Ou pelo menos não deixou isso claro o bastante

  6. Fábio Santos Almeida
    11 de agosto de 2015

    Um poema debaixo do cobertor da ficção científica. Seria ótimo na sua categoria própria, mas receio que para conto fique um pouco aquém. No entanto, ressalvo a habilidade do autor no manuseamento das palavras, na cuidadosa arte de as juntar e sonorizar numa prosa poética que lembra alguns dos autores meus preferidos. Ainda assim, não consigo por este conto em par com outros mais “adequados” ao certame. Pena, mas porque gostei, leva mais uns pontinhos 😛

    Bem jogado! =P

    • William de Oliveira
      12 de agosto de 2015

      Acertou também quem encontrou uma poesia revestida de conto, essa é a minha praia.

      Fiquei com uma dúvida, Fábio Santos quem é o seu autor preferido?

  7. Wilson Barros Júnior
    11 de agosto de 2015

    Um conto do dilema. Mais uma vez noto aqui a representação da condição humana através de um conto que eu chamaria de parábola científica. O conto é hermético, misterioso, e repleto de metáforas, no bom o estilo contemporâneo. O quer dá o valor literário ao contos são as imagens, bem elaboradas e sugestivas, parecidas com as do filme do Patrick Pasin e o clima (literalmente) de protesto persistente. Aprovado, pode enviar o conto para o “Bye Bye Blue Sky”, our weather is manmade.

    • William de Oliveira
      12 de agosto de 2015

      Wilson entrou no feeling, foi direto na ferida desse referencial, realmente o texto é hermético e repleto de metáforas, contempla desde pensadores lunáticos como o Patrick Pasin a filosóficos como Humberto Eco.

  8. Gustavo Castro Araujo
    11 de agosto de 2015

    Não é um conto na essência do termo. Não se conduz o leitor de A para B, como classicamente ocorre. Por outro lado, convida à divagação, ao mastigar profundo das assertivas provocantes. “Há quem tem medo que o medo acabe”. “Não consigo alcançar o grau 33 ou 66”. Ambas ótimas, ambas instigantes. Não creio, porém, que o todo convença como abordagem de ficção científica. Na realidade, o texto me parece mais um grito de protesto, uma chamada à iluminação prestes a flertar com o panfletário. Gostei do jogo de palavras, das expressões bem sacadas e do clima subversivo. Mas, como conto, achei que ficou a desejar.

    Nota: 5

    • William de Oliveira
      12 de agosto de 2015

      Obrigado pelas dicas e pontuações povo! Gostei muito da experiência.

      O texto em si não tem trama, não tem começo>meio>fim, sem uma estrutura fechada, eu quis fugir disso e levar a reflexão. Ele um descritivo de uma sensação de descoberta do personagem, uma revelação, um grito dele.

  9. Bia Machado (@euBiaMachado)
    10 de agosto de 2015

    Não consegui gostar do texto, algumas passagens são boas, mas… O personagem é simpático. Mas podia ser melhor. Como? Não sei. Da forma como está, não me agradou da forma como eu gostaria que fizesse. Pouquíssima coisa a fazer no aspecto gramatical. Lembrete: Na parte “A quem os considere”, acredito que seja “Há quem os considere”.
    Finalizando: que loucura! Não sei se o que entendi é o que o texto devia me passar. Nem sei mesmo se entendi alguma coisa, mil desculpas. Gostei por ter sido curto, mas mesmo com esse tamanho, acho que perdi muita coisa no meu entendimento…
    Boa sorte pra você!

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Informação

Publicado às 30 de junho de 2015 por em Ficção Científica e marcado .