EntreContos

Detox Literário.

Jornada ao Nada – Poesia (William Oliveira)

No livro dos paradigmas,
paradigmado esta.
Caminho, tropeço e levanto.
Rumando, rimando e cantando.

Fatídico estado de estar.
Que canta pra rua de frente pro bar.
Detestando o compasso que segue gongando.
Apanhando, lutando e se esmerilhando.

Segue na saga escrita por outro,
e fica com o espelho da vida em troca do ouro.
Somado na dívida do produto interno bruto,
eu chuto, eu cuspo e mostro repúdio.

Eu gosto da vida, eu amo amar.
O som do Brasil é bom de cantar,
do lixo se leva o luxo ao altar,
do povo que luta, e só pode lutar.

Acorda, madruga, enxágua e encara.
Veste a armadura e se entrega a batalha,
sinistra labuta, sem pauta e conduta,
que esgota o tempo, e morre sem culpa.

O tempo escorre, recolhe e encolhe.
E sem ver a cara de quem escolhe,
perde sentido o amor,
que cura a ferida e a dor.

O tempo é o segredo do amor,
não leve-o de mim meu senhor.
O pouco, do outro que me sobrou,
que tampouco acordado sonhou .

Bem longe da base do sonho,
Triangulação universal do demônio.
Todos somos escravos do acordo,
assinado pelo soberano patrono.

Liberte da trilha traçada,
inicie a fuga da caçada,
Reage e corre na estrada,
passos da sua jornada.

Navalha, cilada. Navalha, cilada.
Navalha, cilada. Navalha, cilada.
Navalha, cilada. Navalha, cilada.
Navalha, cilada. Navalha, cilada.

6 comentários em “Jornada ao Nada – Poesia (William Oliveira)

  1. Anorkinda Neide
    17 de agosto de 2015

    Nao posso falar da estrutura, pois vc fez uma letra de musica e dae ja nao entendo do assunto.
    Realmente tem ritmo e quase cantamos ao ler.

    Alguns errinhos:
    paradigmado esta.
    precisa de acento: está.

    não sei se está correto ‘se esmerilhando’, eu usaria ‘esmerilhando-se’, de qq forma ‘se esmerilhando’ perde o ritmo ali no verso, eu achei. Talvez um outro verbo encaixaria melhor.

    Veste a armadura e se entrega a batalha
    à batalha, com crase 😉

    perde sentido o amor,
    acho truncada esta oração
    melhor seria:
    ‘perde o sentido do amor’
    pra efeitos gramaticais, nao sei se perde o ritmo, acho que nao…hehehe

    não leve-o de mim meu senhor.
    tb nao sei se está correto: ‘leve-o’ (ja viu q nao sou fera em português…kkk) mas que ficou esquisito este ‘leve-o’, ficou.

    Liberte da trilha traçada,
    agora sim, sinto falta do pronome: ‘liberte-se’

    Reage e corre na estrada,
    acredito que aqui é ‘Reaja’, por ser verbo no imperativo.

    Entendi a intenção do navalha/cilada…mas na minha leitura nao rolou nada do que querias.. apenas pensei em navalha acilada… como se ‘acilada’ fosse algum adjetivo… rsrsrs

    A mensagem é bacana, o ritmo tb, é um belo trabalho, William. Parabéns!

    Abração

  2. Brian Oliveira Lancaster
    9 de julho de 2015

    Gosto de textos que tragam outras camadas, sendo conto ou poesia. Aqui você nos deixa uma mensagem bem forte, mas suave pelo estilo ritmado. Para mim, o objetivo da poesia sempre foi trazer reflexão de alguma forma, e isso você faz aqui, aplicando um jeitão de crônica.

  3. William de Oliveira
    30 de junho de 2015

    Fiquei muito, muito, mas muito feliz com os comentários.
    A intensão foi mesmo aplicar uma variação melódica nas palavras. Como quase uma canção, um velho blues ou novo rap, de morte e vida, enfim, da dor.
    A intenção do final é um trava língua, onde “navalha, cilada” ao pronunciar na rapidez, se torne multifacetada (na velha cilada/ na vacilada/ navega isolada). Essa variação vai depender da pronuncia embolada, da rapidez, da lentidão, da interpretação do leitor.

    Tenho adorado essa troca que o Entrecontos tem possibilitado.
    Muito obrigado!

  4. vitor leite
    27 de junho de 2015

    olá william. gostei das tuas palavras, com algumas quadras muito interessantes. o brincar com as palavras e o seu som ficou muito bem. não gostei do fim, mas isso é uma opinião pessoal sem importância. pelo meio houve momentos que se começa a cantar dado o ritmo e o som atingido. muitos parabéns. manda mais destas palavras.

  5. Lucas Lopes
    25 de junho de 2015

    Muito bom. Li quase cantando.

  6. Juliano MARQUES
    25 de junho de 2015

    e então o que eu achei, muito bom trabalhar com o tema morte é sempre difícil, mas tu fez de forma inteligente. parabéns…

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Publicado às 25 de junho de 2015 por em Poesias e marcado .
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