EntreContos

Literatura que desafia.

Suicídio Diário – Poesia (William Oliveira)

Criar para os olhos do outro,
tem sempre um destino ingrato.
Imensidão de tão pouco.
Encaixe apertado.

Arte tecida,
alheia,
Entorpecida,
Sujeita.

Não é bom pra mim,
gastar o tempo que é escasso,
fazendo tim-tim por tim-tim
a beirada do fracasso.

É a inspiração que agoniza,
amordaçada no cabresto.
Suspira e prioriza!
Entendendo o motivo do contexto.

Luta que mancha,
por uma navalha que gasta em vão.
Fio que ainda sangra,
e pinga umas gotas no chão.

Poema marcado,
do lirismo funcionário público,
Namoro forçado.
Publico aqui minha nota de repudio.

Como clássico de obituário,
criar é fazer vida,
da vida algo necessário,
Te pertence aquilo que você domina.

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6 comentários em “Suicídio Diário – Poesia (William Oliveira)

  1. Wender Lemes
    23 de agosto de 2015

    Parabéns, William! É muito legal ver a evolução do poeta. Comparando este poema com o anterior, percebe-se uma consistência muito maior no trabalho do sentido. “Confusionante” é também um bom poema, mas nele a preocupação com a forma fica excessivamente explícita. O interessante é ver que a sua raiz ainda persiste, o poema atual é muito baseado na forma, mas é uma forma que modela um conteúdo igualmente importante, ou seja, este poema está muito mais equilibrado.

  2. vitor leite
    30 de junho de 2015

    parabéns William, tens momentos muito bons neste poema e se trabalhares algumas partes como dizem nos comentários podes atingir um texto espectacular.

  3. Morgana Targô
    23 de junho de 2015

    Estou feliz pelos comentários que só acrescentam. Parabéns pelo Poema.

  4. William de Oliveira
    23 de junho de 2015

    Gostei muito das sugestões Anorkinda! É justamente essa a intenção na minha construção, ser algo imediato, da forma que se fala, que pensa.
    Obrigado pelos elogios.
    Claudia, muito, muito, muito obrigado!
    Gostei muito do espaço, é algo novo para mim expor essas poesias.
    Grande abraço a todos.

  5. Claudia Roberta Angst
    22 de junho de 2015

    Um daqueles poemas que se lê fácil, sem solavancos. A temática da criação para os olhos dos outros, é tudo seu o que domina com as palavras. Abraço.

  6. Anorkinda Neide
    20 de junho de 2015

    Bonito. Poema moderno.
    Tendência de ir colocando nos versos os pensamentos da forma que vem.
    Formou boas sentenças aí, parabéns!

    Apenas acho que o começo está bem trabalhado e inspirado, mas nas tres ultimas estrofes, correu…
    dá pra desbastar os versos ali, retirar e enxugá-los. Ficará bom para casar melhor com o começo do poema 😉

    aqui eu acho que melhor seria a expressão ‘ à beira’ ou ‘na beirada’
    ‘a beirada do fracasso.’

    e repúdio veio sem acento.

    Abração

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Informação

Publicado às 19 de junho de 2015 por em Poesias e marcado .