EntreContos

Detox Literário.

O garoto que queria ser feliz (Evandro Furtado)

Corredor da Escola

Uma figura solitária caminha em direção ao seu armário. Os óculos fundo de garrafa destacam-se na face. Carrega consigo uma pilha de livros. Ele abre a porta, coloca alguns livros lá dentro.

Um grupo de rapazes se aproxima. Vestem camisas do time de futebol. Aquele que parece ser o líder bate a porta do armário.

– Você tá no meu caminho, quatro olhos!

– Você não pode andar um pouco mais pra lá?

– Resposta errada!

O valentão bate com as duas mãos no peito do garoto de óculos, que cai no chão. Os outros membros do grupo riem. Cada um lança um insulto para ele enquanto passa. Um dos garotos cospe em seu rosto.

O garoto de óculos levanta-se, passa a mão no rosto e fecha seu armário. Olha ao redor. Ninguém o observa. Ninguém se importa. Ele segue seu caminho.

Sala de Aula

– Tommy!

A professora está gritando. Por que ela sempre grita? Tommy ouve com paciência. Ela faz uma pergunta sobre Lincoln. Ele responde. E acerta. Como sempre.

Ao seu redor as pessoas lançam lhe olhares reprovadores. “O nerd da sala. Ele sempre acerta tudo.” É como se ele pudesse ouvi-las. Como se pudesse entrar em suas cabeças. Pode senti-las, sentir o que estão pensando.

O sinal toca!

Acabou mais um dia de tortura.

Rua

Ele caminha de cabeça baixa. Sempre caminha assim. Poderia pegar o ônibus e chegar mais rápido. Mas teria que enfrentar os valentões. Ele não tem coragem. Por que

não tem coragem? Por que não os enfrenta? Mas há algo dentro dele que o paralisa quando eles estão por perto. Queima sua carne e gela seus ossos. E congela suas ações. Então ele prefere caminhar.

Se lhe perguntarem sobre o percurso ele não sabe responder. Não sabe a cor das casas ou o carro que sempre estaciona naquela vaga. Não sabe quem tem ou não tem cachorro nem as pessoas que sempre circulam por ali. Mas conhece cada buraco na calçada. Cada chiclete grudado. Cada linha que demarca o traçado. É aquilo que seus olhos aprenderam a olhar. É aquilo que ele é obrigado a olhar, todo dia.

Casa

Ele chega em casa. Vai até a geladeira e pega alguma coisa. Coloca no micro- ondas e esquenta. Procura algo para beber. A geladeira está repleta de cervejas. Mas não há nada pra ele. Por fim, vai ao filtro e pega um pouco de água.

A madrasta chega. Ela começa a resmungar no outro cômodo. Não que ele se importe, contanto que o deixe em paz. Ela entra na cozinha. Vai até a geladeira e abre uma cerveja. Passa por ele como se não estivesse ali. Ele não está.

Termina a refeição e vai para o quarto. Fecha a porta. Nas paredes, pôsteres de

Star Wars e super-heróis. Às vezes ele conversa com eles. E eles respondem.

Ele liga o computador. Algum jogo violento, por favor. Ele descarrega a sua fúria naquelas pessoas virtuais. A cada morte ele imagina os valentões, a professora, a madrasta. Imagina a si mesmo.

O quarto vai ficando escuro. O Sol se põe no horizonte. Hora de dormir. Ele deita na cama. Um dia a mais. Ou um dia a menos?

Rua

Ele caminha em direção ao colégio, ainda grogue pela noite mal dormida. Teve pesadelos terríveis à noite. Sonhou com o cemitério. Com os mortos. E eles lhe contaram segredos horríveis.

Ele percorre o mesmo caminho de todo dia. Se olhar para o lado vai notar inúmeras coisas diferentes. Mas ele não olha. Ele nunca olha.

Sala de Aula

Ele é o primeiro a chegar. Senta em qualquer lugar. Seus colegas vão chegando, um a um. Cada um senta em seu lugar. Nenhum perto dele. Ele é o esquisito, o esquecido, o solitário. Mas ele não quer ser isso. Já lhe perguntaram? Já perguntaram o que ele sentia? O que queria? Já lhe convidaram para uma festa? Não. Nunca. Ele é apenas mais um componente do ambiente. Passam por ele como se passassem por um móvel qualquer. Se esquecem que ele respira. Se esquecem que seu coração bate.

A aula passa. A professora grita. Bolas de papel cruzam a sala, algumas o atingem. Toca o sinal. Acaba o pesadelo.

Rua

Ele caminha mais rápido dessa vez. Olha para trás. Os valentões estão atrás dele. Pode ver suas sombras. Pode ouvir seus passos. Passa a sentir seus hálitos quentes em sua nuca. Dói quando eles o derrubam.

Ele cai com a cara no chão. Alguma coisa estrala. Um líquido quente escorre de seu nariz. Em um instante o chão está vermelho. É seu sangue. Seu sangue agora marca o caminho. Agora ele é parte daquilo. Finalmente é parte de algo.

Mas os garotos não o deixam em paz. Chutam suas costelas. Ele perde o fôlego. Eles continuam a bater nele. E eles riem enquanto o fazem.

Casa

Tommy chega em casa, aos pedaços. A madrasta lança lhe um olhar reprovador e, sem seguida, o ignora. Ela vai para o seu quarto.

Naquela noite seu corpo inteiro dói. Um simples movimento na cama causa uma dor insuportável. Quando ele finalmente consegue dormir, os pesadelos vêm. Aquilo que deveria ser aterrorizante o tranquiliza. Lá pelo menos o entendem. Diferente daqui.

Ele caminha só no cemitério. Atravessa os corredores. As lápides, de todas as formas e tamanhos, formam sombras grotescas sobre ele. Então eles começam a se levantar.

Alguns não têm membros e caminham cambaleantes ou se arrastam no chão. Outros, sem cabeça, correm desesperadamente de um lado para o outro sem razão aparente. Um casal, enterrado a séculos, dança uma valsa tão velha quanto eles próprios.

Tommy finalmente começa a ficar com medo daquela algazarra fúnebre. Que lugar é aquele onde a lógica da vida e da morte pode ser derrubada?

Correndo seus olhos diante daquela cena grotesca ele se surpreende. Seus olhos acabam frisando em uma bela garota, sentada ao fundo do cemitério, sozinha. Os outros mortos parecem ignora-la. Ela é como ele, exatamente como ele. Mas é linda. Sua pele é tão branca como o marfim das teclas de piano na escola. Seus olhos azuis lembram os céus das belas tardes primaveris. Seus cabelos loiros, quase brancos, lembram uma cachoeira de prata que cai livremente em algum lugar perfeito além da própria existência. Pela primeira vez na vida, Tommy está apaixonado.

Ele acorda.

Diretoria

– Por algum motivo, senhor Thomas, você anda envolvido em brigas. – dizia a diretora, uma velha bruxa cheia de si.

– Não fui eu quem comecei. – ele se defende, de cabeça baixa.

– Não me interessa quem começou. Não quero mais saber de brigas em minha escola, entendeu?

Ele assente, ainda cabisbaixo, também por tentar esconder os terríveis hematomas que tomam sua face, e sai. Nenhum dos dois poderia prever que aquele era o último dia de Tommy na escola. Ninguém podia prever que era o último dia de vida da diretora.

Rua

Ele caminha, como caminha todo dia. O mesmo percurso, os mesmos passos. Mas desta vez é diferente. Desta vez algo acontece. Ele para, e olha para a direita.

Foi uma fração de segundo, um movimento simples, pra mudar tudo.

Ele se depara com o pórtico do cemitério municipal. Tommy não pensa duas vezes. Ele atravessa a rua e vai para casa.

Cemitério

Como no sonho ele caminha nos corredores. Mas desta vez é dia, e os mortos não se levantam. Ele pode ouvir os lamentos de alguém chorando ao longe. Um breve deslumbre pra notar uma família ao longe, cercando um túmulo.

Ele continua seu trajeto. Procura o mesmo lugar do sonho da noite anterior, o lugar onde a garota estava sentada. Ele encontra o tumulo. E a vê. Sua foto está lá, ao lado de duas datas, marcando seu nascimento e sua morte.

Casa

de Oz.

Tommy levanta. Em sua mente ecoa o nome dela: Dorothy. Como em o Mágico

Ele pensa nela enquanto escova os dentes, pensa nela enquanto toma banho, pensa nela enquanto come o lanche matinal. Dorothy. Dorothy! DOROTHY!!!

Hora de ir pra escola. Ele abre a porta. E todos os seus sonhos se realizam.

Ela está lá. Diante de porta, e sua voz angelical sussurra seu nome em seu ouvido. Pela primeira vez, Thomas sorri.

Rua

– Eu não acredito que você está aqui! – Tommy diz a sua amada.

– Você me vê, não é? – ela responde. – Como eu não poderia ser real.

Agora Tommy caminha de cabeça erguida. Ele pode ver todas as coisas em que nunca prestou atenção, mas ele não liga. A coisa mais linda do mundo está ali ao lado, ao seu lado. Finalmente, há uma razão pela qual viver.

As pessoas que passam ao seu lado fitam-no de um jeito estranho. Mas Tommy não se importa, mas, ao que parece, Dorothy sim.

– Esses idiotas. Olham pra nós como se fossemos nada.

– Não ligue pra eles.

– Você não entende, Tommy? Essas pessoas não são como nós. Elas não sabem a dor que passamos, a solidão absurda. Eles não podem sentir, Thomas.

– E o que podemos fazer?

– Vem – ela o segura pela mão. – eu sei onde tem uma coisa legal escondida.

Corredor da Escola

– Você tem certeza, Dorothy? – Tommy vacila, a coisa em sua mão não parece tão firme.

– Você não confia em mim, Tommy? – ela faz um beicinho que balança seu coração por completo.

– Claro que sim, meu bem. Claro que sim.

– Oi Thomas! – a diretora se aproxima. – Está mais calmo hoje? Ele a fita de volta. Os olhos fixos, cheios de ódio.

– É a sua chance, Tommy. – Dorothy sussurra em seus ouvidos. – Depois que começar tudo ficará mais fácil.

– O que foi, Thomas? – a diretora pergunta. – Parece que viu um fantasma. Tommy saca a arma e aponta para a cabeça da diretora. Por um segundo ele

pode ver o terror nos olhos da mulher.

– Você nem imagina. – ele responde. E atira.

Casa

Ele passa e repassa o número de mortos em sua cabeça. A professora, seus colegas, o time de futebol, as líderes de torcida, o jardineiro. Um sorriso negro toma seus lábios. Ainda há algo a se fazer.

– Você foi maravilhoso, querido. – diz Dorothy. – Deu a eles o que mereciam. Tommy fita o chão, cada palavra soando como música em seus ouvidos. Pela

primeira vez ele prova daquele sentimento: aprovação. E vem da garota que ele ama.

Ele ouve a porta da frente abrindo. A faca de cozinha gira em seus dedos enquanto escuta o som do salto alto cruzando a sala. Bate lentamente como um relógio. Toc, Toc, TOC! A madrasta entra na cozinha.

– O que..? – ela questiona antes de ter a garganta cortada.

Ela cai no chão debatendo-se, enquanto engasga no próprio sangue. Tommy debruça sobre ela. A madrasta tenta agarrar sua mão, ela tenta gritar por socorro, mas já não é capaz de articular palavra alguma.

Tommy vê a mão vacilante balançando ao vento. O toque dela em seu braço pedindo por piedade. Tommy não tem piedade. Ele rechaça cada tentativa dela. E fica lá, assistindo ela morrer.

Quarto

– Acabou! – diz Dorothy. – Agora eu preciso ir.

– Como assim? – Tommy se surpreende. – Como assim partir?

– Você não entende, Tommy? O único motivo de eu ter voltado foi para te salvar, querido. Agora eu preciso ir.

– Não! – ele grita. Os olhos se enchem de lágrima. Ele não quer chorar. Ele odeia chorar. – Você não pode fazer isso. Pela primeira vez eu tenho alguém que me entende. Alguém que me escuta. Quando você for embora tudo vai voltar a ser como era. Solidão! – ele fita o vazio mais uma vez, os olhos arregalados, a boca murmurando palavras inaudíveis. Uma pequena espuma branca começa a se formar no canto de seus lábios.

– Tommy. – ela se aproxima. – Querido!

– Sai!!! – ele berra. – Você é como todos os outros. Vai embora, me deixar sozinho.

– Mas nós somos de mundos diferentes. Eu estou morta, e você está vivo.

– Não interessa!

– Tommy… – ela implora. Então se cala. Sua silhueta muda, ganha um tom pensativo. – Talvez haja um modo. – ela consegue chamar sua atenção. – Um modo de ficarmos juntos.

– Qual?

– Não sei, Tommy!

– Diga! Eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa! – as últimas duas palavras saem sussurradas.

– Eu não posso ficar nesse mundo, Tommy!

Então ele percebe. Ela não pertence a esse lugar. Mas tampouco ele. De que adianta estar vivo se o próprio sopro da vida não percorre seu corpo. Ele precisa fazer aquilo. Então poderão ficar juntos.

Ele pega a cadeira do computador. Depois agarra o lençol e pendura no ventilador do teto. Ele não percebe, mas por um minuto está sozinho no quarto.

Quando termina tudo, ele sobe na cadeira e enrola o lençol em volta do pescoço. Na camada mais profunda de sua mente ele se questiona por que está fazendo aquilo. Então ele se lembra. Dorothy. Mas quem é Dorothy mesmo? Claro, o grande amor de sua vida. Mas onde ela está?

Ele olha ao redor no quarto e não a vê. Então surge uma imagem do outro lado do cômodo. É ela. Mas está diferente. A cada segundo sua face muda, como em um sonho, mas, de algum modo, ele sabe que é ela. Ele tenta focar os olhos pra poder enxerga-la melhor, mas a única coisa de que é capaz é ouvir o eco da voz dela cruzando o quarto em direção a seus ouvidos.

– Por favor, querido. Assim poderemos ficar juntos.

Ele hesita! É aquela a saída. Então, de repente, ele se vê em todas as cenas pelas quais passou durante o dia. Cada pessoa morrendo por sua causa. A ficha cai, ele se desespera.

Pode ouvir ao longe o som das sirenes. É a policia chegando? O que eles vieram fazer aqui? Tem algo errado? Será que vieram atrás de Tommy? Mas o que Tommy fez de errado? Foi o crime de Tommy ouvir a mulher de sua vida? Foi o crime de Tommy tentar ser feliz? Eles iriam prendê-lo, disso ele sabia. Mas o que fariam com os outros, com aqueles que machucaram Tommy? Nada. Tommy dera um jeito nisso. Porque fora naqueles instantes, quando ele viu o olhar de desespero nos outros, quando ele era maior que eles, quando deixou de ser o garoto invisível naquele mundo cruel, que ele se tornou pela primeira vez Thomas Edgar William Baxter II, que ele se tornou alguém! E tudo por causa de Dorothy!

Ele olhou para si. Por que estava em cima daquela cadeira? Por que o lençol enrolado no pescoço? Ele fita o outro lado do quarto. Ela ainda está lá? Há uma sombra ali, mas poderia ser ela? Tommy vacila. O que ele está fazendo? Pior, o que fizeram com ele?

As sirenes se aproximam. A voz volta a chamar:

– Vamos, Tommy. Falta pouco agora. Você não me ama?

Aquela frase o toca. Ele ama? Tommy é capaz de amar? Ou ele é puro ódio? Mas talvez Dorothy seja diferente. Talvez ao lado dela ele possa viver.

Uma lágrima cai. Ela escorrega por sua face e cai no chão. Tommy fita a janela fechada. Gostaria de tê-la deixado aberto. Contemplar o horizonte pela primeira e última vez. Ele sorri.

Há algo passando por ele. Um sentimento positivo percorre seu corpo. É aquilo que eles chamam de felicidade. Ou é apenas paz?

Tommy fecha os olhos, o sorriso alarga em seu rosto. Ele empurra a cadeira com os pés. O lençol prende em seu pescoço e começa a sufoca-lo. Ele abre os olhos. As mãos agarrando o lençol tentando se soltar. Por uma fração de segundos ele se arrepende. Então para. O corpo inerte balançando no lençol. Perto do fim ele vê uma bela garota, do outro lado do quarto, sorrindo pra ele.

Quando morre, brilho algum some dos olhos de Tommy. São os mesmos olhos de antes, ao ponto de que alguém que tenha conhecido ele antes – e tenha sobrevivido, é claro – diria que ele continuava vivo, contemplando o vazio, procurando uma razão, um motivo, para ser feliz.

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2 comentários em “O garoto que queria ser feliz (Evandro Furtado)

  1. Anorkinda Neide
    23 de junho de 2015

    Ola, Evandro!
    Olha, um texto que favorece bem a experiência de escrever. Vc escreve bem, a leitura flui, não percebi erros importantes,

    Mas a história não acrescenta quase nada… tem a versão de que este tipo de assassinatos ou este, em particular,foi impulsionado pela fantasminha, é um acréscimo, uma tentativa de explicação…
    Eu vi a menina como uma amiga imaginária do mal…rsrsrs Creio em fantasmas, mas este caso, achei bem típico de uma mente solitária, criar uma amiga fantasma para validar seus desejos de vingança e suicídio.

    Mas é tudo mais do mesmo… o texto cru.. como roteiro de filme,não acrescenta, como falei (Tô com essa palavra na cabeça..)apenas nos trechos em que narras as caminhadas do menino olhando para o chão, vi algum sentimento ali.
    tb pq me identifico, muito caminhei olhando meus proprios pés e as marcas do chão.
    Mas foi onde vc relatou algo dos sentimentos e pensamentos do garoto… de resto, vc apenas elencou os fatos e um conto pede mais do que isso, entende?

    De qualquer modo, vc tem uma ótima habilidade, continue nos brindando com seu dom!
    Abração!

    • Evandro Furtado
      1 de julho de 2015

      Olá Anorkinda, valeu pelas dicas.

      Vou tentar me defender em relação à escolha, he he. A ideia foi justamente enfatizar essa “sem graceza” da vida. Basta pensar que um garoto como esse realmente não teria muitas razões para expor os sentimentos e acabaria por ver o mundo de uma forma fria, ou crua como você disse.

      De qualquer forma, obrigado pela crítica, vamos melhorar pros próximos.

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Publicado às 19 de junho de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .