EntreContos

Literatura que desafia.

A Flor de Açucena (Sidney Muniz)

Açucena

Há um cálice amaldiçoado

Oculto, envenenando meus versos

Medo daquilo que é tão errado

O par que é tão igual, tão inverso

 

 Estava não mais distante que cem metros dela, de pé, frente a uma barraquinha de cachorro-quente. O aroma me acalmava tal qual um ansiolítico. Isso me remetia a um tempo que pertenci a minha infância. Tempo esse em que cursar medicina não passava de mero sonho e mamãe me levava rotineiramente para passear, lá, na praça. Era quase um ritual nosso. Estacionávamos naquela mesma barraquinha e comíamos cachorro-quente. Vez ou outra, dividíamos um terceiro, sem aquele medo que surge com o tempo, de engordar uns quilinhos a mais. Ela e eu, sempre e para sempre. E como eu queria que ela estivesse lá.

 A ausência da figura paterna a mim não fizera mal algum, mas mamãe… Pobrezinha! A solidão a amedrontava. Porém não menos que o temor de casar-se outra vez. Foi engraçado, e até melancólico sentir sua presença e me recordar de seus vários pretendentes. Era tão seletiva, parecida com minha rosa. Talvez por isso a escolha do mesmo local, lugar e horário, que impunha sua presença ali me dando força para vencer meus medos. Naquele instante minha alma se afligia como se estivesse sendo roubada violentamente.

 Doutora Cris havia me explicado que quando sentimos o impacto do medo o corpo se prepara para o famoso “lute ou fuja”. Eu já sabia bem o que era isso, há muito tempo sabia. Em busca do controle me concentrei no ”primeiro passo”:

“1º Passo para se libertar do medo”

  • Entenda seu medo. Ganhe controle de seus medos controlando seus pensamentos.

 Não era tão fácil como a doutora havia me dito. A noite escorria entre meus dedos e as estrelas se apagavam uma a uma, convocando o dia para aniquilar minhas chances. O medo de fato é uma forma distorcida de ver o mundo, pois o que consigo perceber a cada minuto é que lutar contra si mesmo pode ser uma batalha suicida. Cinco passos para vencer. Cris me dizia: Você precisa dar esses cinco passos… Preciso dar os cinco passos! Eu preciso!

 Suor. Transpiração é um sintoma agudo. Eu o percebi úmido e mal cheiroso se acumulando, enquanto os curiosos me encurralavam dentro de meu próprio e complexo existir. Eu coexistia, de cabeça baixa.

Do outro lado da rua, minha amada espiava ao redor em busca de alguém. Aquele seria o primeiro encontro. Repleta de expectativas levava a rosa vermelha entre os dedos, como havia combinado. Tão jovem e fascinante. A simples idéia de envelhecer sozinha lhe incitava frêmitos, e talvez por isso surgisse ambiciosa a necessidade de companhia.

Pelos ouriçados, e um peito que sentia as pancadas emergirem contra a pele, rompendo o tórax e saltando através dos poros. Palpitações, boca seca e aquele sentido extra da adrenalina. A emoção subjacente do medo é a falta de confiança em você mesmo. Entenda seu medo.

Sim ou não? Dar mais um passo. Atravessar a rua. Ir em direção a ela, e… Ir. Simples assim. Tinha que conseguir!… Ah Deus! Não, não mesmo, não era eu. Eu não devia fazer aquilo! Controle seus pensamentos.

O enjôo e a falta de ar chegaram juntos. As dores no pescoço e ainda mais agudas nas pernas, braços e ombros. O corpo frio, trêmulo. O asco. Eu posso ser tão melhor que isso. Tenho potencial para ser, e foi justamente isso que a Doutora me disse: uma das causas do medo é o medo de atingir seu próprio potencial. Segundo passo… Segundo passo!

 

“2° passo para se libertar do medo”

  • Enfrente seu medo. Olhe direto nos olhos do seu medo. Aja racionalmente.

  Era ainda mais difícil do que parecia. Espreitava-a, com a certeza que era sim a senhora de minha vida. Faltavam-me forças para avançar.E ainda assim, de que me valia um coração bater tão forte? Sinto-me uma cobaia desse sentimento. Sem serotonina suficiente para manter a calma. A agressividade chega, o medo é raiva, é dor. E a mesma dor é o medo. Enfrente-o!

A semana anterior ao encontro havia sido torturante.  Um frio me percorria o abdômen, contraia músculos e em sopros agoniantes encontrava o endereço cerebral exato do hipotálamo. Se o consciente deve sempre trabalhar, se o tálamo é a área “escrava” de meu cérebro, então com propriedade constato que minha cabeça naquele momento vagou pela lua. Aja racionalmente!

  Do lado de lá, inspecionava as horas, e o frio naquele instante a cingia. As galhas das árvores se despiam de folhas, bruxuleantes. Acima dos cabelos afogueados uma estrela em especial se oferecia, milhares e milhares de metros separando-as. Tão belas e brilhantes, as duas. Para ela uma companhia tão real quanto o improvável companheiro que a havia dado o bolo. Queria ter coragem suficiente para cruzar a rua e dizer-lhe dos meus sentimentos. No entanto tal ação demandava algo de mim que era por demais complexo. Tão hediondo é desconhecer tais proporções e sensações. Temo não saber mais quem de fato sou. Mamãe, como você faz falta.Olhe direto nos olhos do seu medo. Enfrente seu medo!

“3° passo para se libertar do medo”

  • Aprenda como falar consigo mesmo de forma construtiva. Construa uma nova crença a respeito de seu medo.

Construir uma nova crença? Ah… Se fosse fácil seguir essas regras…

A doutora me disse que cada medo exerce uma função, que nós adquirimos um benefício com eles. E ao mesmo tempo me explicou que ora eles são lógicos, ora não. E o pior de tudo é que quando estamos com medo temos aquela sensação de frustração, a depressão chega quando a gente pensa que não pode lidar com as coisas, que é impossível viver e é nesse ponto que deixamos de aproveitar a vida e passamos a sobreviver. Liberte-se!

  Ignorando o suposto atraso ela iniciou uma caminhada carregando a rosa com as pétalas voltadas para baixo, as mesmas pétalas que miravam os ladrilhos mal encaixados, prontas para saltarem a qualquer momento. Era uma estrela solitária em meio a transeuntes noturnos; casais de adolescentes namorando sem pudor e velhinhos de mãos dadas cultivando amor entre os dedos. Um guarda rígido ostentava sua farda como se tivesse a capacidade de proteger a todos e a si mesmo. Mais à frente, sentado num banco, um idoso cego segurava uma corrente. Imersa em cada detalhe, seus olhos seguiam, elo por elo, até a coleira envolta no pescoço do cão guia que estava deitado com a cabeça apoiada sobre os sapatos do dono. O senhor sorria e conversava feliz com o animal, acariciava-o e o cachorro correspondia com o baixar de orelhas e um grunhido manhoso. A felicidade é mesmo uma conquista gloriosa. Em pensar que outros tantos temem ser felizes quando possuem bem mais que o suficiente. Como aquele senhor vencia a escuridão? Como eu poderia? Como iria andar de mãos dadas como aquele casal? Como iria mantê-la segura? Como posso ter tanto medo de ter coragem? Aprenda como falar consigo mesmo de forma construtiva. Aprenda!

“4° passo para se libertar do medo:”

  • Mude seu comportamento. Aprenda a desacelerar suas reações e definir o que está realmente sentindo. Aprenda a não fugir automaticamente do medo, veja o medo não como algo que ameace a sua segurança, mas veja como algo superável.

Definir o que está realmente sentindo? Desacelerar! Em direção à praia, trombava em si mesma. Leve e linda trajava um vestido longo de renda rosa floral, e o celular pousava solto dos dedos, encaixado na palma da mão. Não sei se naquele instante ainda espiava as horas ou talvez aguardasse uma mensagem do homem enigmático que a atraía tanto naqueles últimos meses. A luminosidade da tela do aparelho podia ser vista de onde eu estava.

Desconfortável com meu eu interior, experimentei um desejo enorme de abraçá-la ao perceber que cruzava os braços protegendo-se do sereno, encolhida feito passarinho novo longe do ninho. Devaneei. Andávamos pelo calçadão, cada qual num lado da pista, ao tempo que nossos corpos eram aceitos pela solidão, como opostos tragando abismos.

Construa uma nova crença a respeito de seu medo.

– Mamãe, por que você e o papai não ficaram juntos?

– O papai encontrou alguém melhor.

– Melhor que você? Duvido!

– É, eu também duvido. Me prometa que encontrará alguém que te faça feliz. De dedos cruzados, tá bom?

– Só se for como você, mamãe. Vai ter que ser alguém muito especial.

   Ah mamãe, como o ar ventava ligeiro!… Queria que você falasse comigo. Que me respondesse. Sabe, você iria gostar dela. Naquele dia, há poucos metros de nós ondas morriam beijando corais, despedaçando-se em gotas, refazendo-se em mar. Amorosas e agressivas. Rápidos e carregados de tempero. Parei e permiti que prosseguisse só. Fiquei para trás observando sua angústia. Caminhava olhando para os lados, analisando cada um que passava próximo; roupas, corpos e perfumes. O que pensava? Diria o que de mim se soubesse de verdade quem sou ou o que sou? Só obteria tais respostas se cruzasse a rua, se navegasse até ela por aquelas águas perigosas. Mas não faria isso. Jamais. Não poderia conviver com tal maldição, mamãe. Queria tanto um conselho seu!

Tão contrário ao não querer, queria atravessar a avenida, pará-la e antes que dissesse algo, tocá-la e permitir que as dúvidas fossem deixadas de lado. Iria beijá-la como homem algum já houvesse feito, e lhe apresentaria um novo sabor… Mas tão logo redescobri que não seria capaz. Covarde como de costume, voltei a caminhar seguindo a sombra de seus passos.  E se ela dissesse sim? Isso seria absurdo demais. Enfim, não poderia me amar, tampouco eu continuar a amá-la.

“5° passo para se libertar do medo”

  • Recupere a crença em si mesmo. Quando enfrentar seus medos e mudar a forma de pensar sobre eles você vai mudar a maneira que vê a si mesmo e o mundo ao seu redor. Combater o medo é aprender como sentir-se bem consigo mesmo. Ao vencer o medo não importa o que lhe aconteça, você poderá lidar os altos e baixos da vida. Você não mais fugirá, e quando enfrentar o medo pela primeira vez terá evidencias indiscutíveis de que pode fazer. Você pode confiar em você mesmo.

   Eu a conhecia tão bem. E ela? É verdade que sabia bem pouco de minhas intenções. Havia uma necessidade pulsante de que ela entendesse tudo. Mas e se descobrisse? E se todos soubessem? A dúvida era tão torturante. A certeza mais ainda. Recupere a crença em si mesmo.

 Deu meia volta, olhou por um segundo na minha direção, e meio que sorri para ela. O que eu estava pensando? Ela não podia saber que era eu. As mensagens trocadas de madrugada, o chip que comprei só para teclar com ela, as fotos falsas… A voz disfarçada… Não!! Continuei andando, e ela também. Voltamos para o ponto de encontro. Recebi uma mensagem que me encheu de culpa. Perguntava se tudo estava bem, e por que não tinha aparecido. No fim, ainda disse que estava preocupada comigo. Droga! Por que sinto isso?? Por que ela mexe tanto comigo? Pensava, e ainda penso. Quando enfrentar seus medos e mudar a forma de pensar sobre eles você vai mudar a maneira que vê a si mesmo e o mundo ao seu redor.

 Seis meses de conversas, e mais conversas as escuras… Duas pessoas tão sozinhas, tão cheias de medos e inseguranças. Parecíamos nos conhecer há anos, e é claro que nos conhecíamos. A fábula era tão surreal para mim, tão real para ela. Em pensar que tudo havia aflorado quando estávamos ainda na terceira série, logo que um garotinho, do qual não recordo o nome escreveu uma carta para ela e me pediu que a entregasse. Um sentimento estranho se apoderou de mim, então lancei o riso falso mais verdadeiro que podia para ele e segui em direção a sala de aula. Quando a vi de pé me encarando e com aquele sorriso que só ela tinha, coloquei a carta no bolso e não contei nada. Á noite as lágrimas, incompreendidas, molharam a carta desfeita por minhas mãos.

  Lá estava, via um sonho bom a minha frente. Ela olhou para baixo e balançou a cabeça, reparando novamente o celular. Fitou-me outra vez do outro lado da rua. Queria me esconder, apenas fugir de mim, e dela. Mas ela vinha em minha direção… E o suor? E meus pelos eriçados?… Em algum lugar tudo estava úmido.  Não queria que ela se aproximasse quando me sentia daquela forma. Era como se tudo de repente rodasse, como se fosse verdade e eu pudesse beijá-la por um milésimo de tempo. Eu não quero poder fazer isso! Combater o medo é aprender como sentir-se bem consigo mesmo. 

 Conseguia ouvir os passos, e como uma presa apavorada meu corpo ficou estático. Era estranho, mas estava lá, querendo sair e lutando para ficar e quanto mais eu queria menos me permitia. O celular vibrou, havia chegado outra mensagem. Então li.

 “Estou indo embora, não me procure mais”.

Me odeio tanto. Tenho tanto medo. Combater o medo é aprender como sentir-se bem consigo mesmo. Engoli seco, ela estava chegando, como das outras vezes. Tão apressada! Meu coração batendo tão rápido. Ao vencer o medo não importa o que lhe aconteça, você poderá lidar os altos e baixos da vida.  Pânico. Muito pânico. Você pode confiar em você mesmo! Fiquei sem ar. A respiração, a palpitação, a incerteza. Droga! Você pode confiar em você mesmo! Ela vinha em minha direção, e não iria passar direto, não, claro que não. Cada vez mais perto; a metros, a passos, a centímetros… milim… Quando enfrentar seus medos e mudar a forma de pensar sobre eles você vai mudar a maneira que vê a si mesmo e o mundo ao seu redor. Maldita terapia! Odeio esses passos! Não queria que chegasse perto, e como queria que ela chegasse logo. E então… Mude seu comportamento. Deus, meu coração parou e ela me abraçou espontaneamente. E seu eu a beijasse? E se ela me beijasse? Eu a odeio! Eu não posso amá-la! Por que sinto isso mamãe? Senti algo confortante, meu íntimo disparou, e retribuí o gesto quando já sentia meus ombros molhados. Eram lágrimas pingando sobre minha pele. Quase ouvi o ruído da flor caindo no chão, pétalas se quebrando, a brisa fina carregando-as. Perto de sucumbir ao desejo incontrolável de me tornar a aberração que sou ela sussurrou:

 – Que bom que você veio comigo, Açucena. Ele não… Ah amiga, você viu? Ele não apareceu.

 E eu chorei, e não falamos mais nisso. Até hoje…

 

Felicidade é um desejo certo

O sopro em direção ao horizonte

Barco a velas, num mar aberto

Indo, indeciso, tão distante

Até onde há coragem, adiante

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38 comentários em “A Flor de Açucena (Sidney Muniz)

  1. Laís Helena
    13 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (3/4)

    A narrativa foi um tanto enfadonha, mas bem executada. O poema, ainda que não tenha tanta relevância para a trama, foi interessante, especialmente por formar a palavra Fobia.

    2 – Enredo e personagens (1/3)

    O enredo ficou um pouco confuso, talvez por culpa da narrativa, mas a fobia foi retratada de forma bastante palpável.

    3 – Criatividade (2/3)

    Como muitos outros, este conto não pareceu nem muito original e tampouco clichê.

  2. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Começou morno, achei que ia ter que insistir muito para ler até o final, mas não, foi exatamente o contrário, no geral foi uma boa leitura. Gostei da forma como abordou o tema, embora ache que possa até ser enxugado, e tirar também o itálico em todo o texto, acho desnecessário.

  3. mariasantino1
    13 de junho de 2015

    Oi!

    ↓ O conto se alonga um pouquinho e o clímax é um pouco frio também. Essa homofobia não ficou clara, nem foi bem repassada para mim, mas o que me fez mesmo dar alguns muxoxos de enfado (perdoe a franqueza) foram essas recomendações. Não funcionou comigo não. Ficou moroso, quebrou o fluxo narrativo e deu ar de cartilha, não sei.

    ↑ O texto é instigante pelo tema descrito logo de cara no poema (acróstico, na verdade—que não deixa de ser poético). Se espera que algo ocorra e a narrativa corrobora para haver o suspense. Gostei bastante de como foi exposto o problema da personagem e de como pude ver perfeitamente a cena na praia.

    Boa sorte neste desafio.

    • mariasantino1
      13 de junho de 2015

      *Ops: Quis dizer, gostei bastante de como foi expressado, as sensações que a personagem sentia em relação ao problema dela.

  4. Fil Felix
    13 de junho de 2015

    Gostei mais das ideias por detrás do conto e de como o construiu, do que pela história em si. Muito interessante o modo como criou o poema no início e no fim, entregando a fobia. O modo de divisão, com os passos para superar e tudo sendo incorporado ao conto, uma experiência diferente de ler e bastante válida. Só poderia uniformizar a fonte, em itálico ficou feio. A história em si, acho que poderia ter tratado melhor a fobia (que é o medo) e se tratando de homofobia, é a aversão. Percebi mais um medo de assumir o gosto pela moça do que um medo da sexualidade em si.

  5. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2015

    Pois bem, Cravo/Açucena!
    Gostei do enredo do conto. Desde o primeiro verso, quando fala do par que é tão igual e tão reverso, acrescido do homo, imaginei que seria um romance homossexual.
    A narrativa, para mim, foi um caos. Não gostei da estrutura do texto, dos “itálicos e negritos”, algo muito pessoal. E toda a ideia, com os passos e talz, remeteu-me um livro de auto-ajuda… :/
    A fobia de revelar-se está presente, e ela não o faz, isso me brochou um tanto, mesmo que tenha sido o correto para o momento de fragilidade da guria.
    De maneira geral, uma boa estória que poderia ter sido explicitada em outra estrutura. Boa sorte!

  6. Fabio D'Oliveira
    13 de junho de 2015

    ❂ A Flor de Açucena, de Cravo ❂

    ➟ Enredo: Gostei bastante, tratando de um tema que, por incrível que pareça, acontece muita na realidade. Quantas pessoas amam em segredo pela vida inteira? Milhares, ouso dizer. A construção ficou bem interessante, porém, é seletiva. Alguns leitores amarão. Outros irão achar cansativo demais. A narrativa intimista, voltada para o medo, ficou fantástica.

    ➟ Poema: Gostei. Sobre a inserção dela no texto, bem, é complicado. Acredito que você, Cravo, tenha se prendido demais nas iniciais, para escrever HOMOFOBIA, e isso acabou prejudicando um pouco. No fundo, como fala dos desejos reprimidos, acabou se conectando com o texto.

    ➟ Técnica: Excelente. Não sou bom em analisar essa parte, apenas em identificar quando o talento e a habilidade não estão em harmonia. Não é o caso aqui.

    ➟ Tema: Mais ou menos. Sim, a protagonista sente muito medo. Ela parece reprimir seus desejos. Porém, na prática, não é isso que acontece. Na realidade, a dificuldade está em sair do armário e se declarar para sua amada. Não em amar ela. Entende a diferença? Como o medo é intenso, dá para considerar um pouco. No entanto, sendo sincero, não consegui identificar a fobia por inteiro no conto.

    ➟ Opinião Pessoal: Não gostei muito do texto. Faço parte da parte de leitores que prefere uma leitura mais simples. Achei a narrativa cansativa, principalmente por causa da forma como foi construída.

    ➟ Geral: História bastante realista e intimista. Bom. Técnica infalível. Ótimo. Poema bom. O medo está no conto, mas a fobia não. Pessoalmente, não apreciei a leitura.

    ➟ Observação: Nada a declarar!

  7. Rogério Germani
    13 de junho de 2015

    Olá, Açucena!

    Conto sensível na medida exata!

    Vamos à análise do texto.

    Pontos fortes

    1-Linguagem intimista repleta de imagens poéticas.
    2-Trama com diversas pistas que se encaixam naturalmente no decorrer do conto.
    3- Acróstico enriqueceu o texto, tanto pela beleza quanto pela forma como ficou dividido.

    Pontos negativos

    1-“Vez ou outra, dividíamos um terceiro, sem aquele medo que surge com o tempo, de engordar uns quilinhos a mais.”

    Redundância desnecessária. Ninguém engorda uns quilinhos a menos…

    2-Porém não menos que o temor de casar-se outra vez.
    = falta vírgula após porém.

    3- Seis meses de conversas, e mais conversas as escuras…
    = às escuras.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  8. Anorkinda Neide
    13 de junho de 2015

    Guria, amo acrósticos! Inclusive tem que me conheça como a poetisa dos acrósticos…rsrsrs mas são ruinzinhos, antigos, hj em dia nao os tenho feito.
    Já difícil completar os versos com as iniciais da palavra e ainda rimar! Não é pra qualquer um, não!
    Pra não dizer que estão ótimos
    não curti os dois últimos versos de FOBIA, sei lá… travou na garganta aquelas rimas ali. o ‘Indo’.. tb nao gostei dessa palavra e eu sei que é dificil encaixar palavras com ‘I’….rsrsrs

    Mas parabens pelos acrósticos!

    Quanto ao conto… acredite que não conectei os acrósticos com Homofobia,nao sei pq, mas dispersei… e li e li e sofri com ‘o’ personagem e levei um susto com o final!
    isso foi bom! kkkkk

    Eu tava imaginando que era um cara muito do feioso 😛

    O conto é muito lindo, emocionante, fiquei tensa…quem nao se identifica com esse medo de ‘chegar’ na sua paixão? eu aprendi que se dá um pavor assim, é pq é caso de deixar de lado e esperar uma paixão em q vc ‘chegue’ sem esse transtorno, q seja natural… bem, assim agi na vida e me dei bem!

    Mas… os textos decorados pela personagem ali em negrito.. humm… cansaram tudo! deram uma exaustão no conto! Até poderia ter algo mas, menos… bem menos.

    é isso, boa sorte ae! Bem vinda ao EC! 😉

    • Anorkinda Neide
      13 de junho de 2015

      ahh lembrei que adorei descobrir ‘tudo’ no final e a partir dae juntar as dicas q foram largadas pelo texto!
      por exemplo, elas eram amigas… fica claro isso qd da não entrega do bilhete lá na escola! adorei ‘catar’ essas deixas!

  9. Felipe T.S
    12 de junho de 2015

    Achei a ideia do conto interessantíssima, o que me incomodou um pouco, foi a construção do texto, senti falta de uma exploração maior do psicológico, e por mais que tenha todo esse q de confissão, parece que observamos e sentimos tudo de muito longe, entende?

    A ideia dos passos foi muito interessante, mas o autor pecou em descrever muito.

    No geral, para o nível do desafio atual, regular!

    Boa sorte!

  10. vitor leite
    12 de junho de 2015

    história muito bem contada, que ganharia se fosse mais condensada, o (a) autor (a) mostram ter potencial para fazer esse corte engrandecendo este amor aliás este conto. Dei mais importância ao texto poético do que propriamente à poesia. Muitos parabéns e boa sorte para este desafio.

  11. Cácia Leal
    12 de junho de 2015

    Muito bom, gostei bastante, apesar dos deslizes gramaticais. Muito bem escrito, bem desenvolvido. Eram duas garotas? Me parecia que era uma garota que tinha fobia de relacionamento, ou pelo menos de encarar o medo de se aproximar da outra e assumir o que realmente sentia. Estou errada?
    Gramática: algumas observações: “Á noite as lágrimas, incompreendidas, molharam a carta desfeita por minhas mãos”. É preciso arrumar a crase no “a” (está com acento e não crase) e “incompreendida não precisa estar separado por vírgulas. “Lá estava…” (quem ou o que?). “E seu eu a beijasse” (se). “Por que sinto isso mamãe” (vírgula antes de mamãe). Mais uma: “meu íntimo disparou, e retribuí” (não se usa essa vírgula antes do “e”). E: “sou ela sussurrou” (vírgula antes do “ela”). “Ah amiga” (vírgula antes de “amiga”).
    Criatividade: O modo como foi desenvolvido mostrou-se bastante criativo.
    Adequação ao tema: dentro do tema, principalmente as descrições excelentes dos passos e de como a personagem se sentia em cada passo que tinha que superar.
    Riqueza textual: Excelente.
    Emoção: Senti cada momento. Muito bem descrito.
    Enredo: Bem trabalhado e uma trama bem elaborada. No todo um excelente conto. Parabéns!

  12. Wilson Barros
    12 de junho de 2015

    O detalhe inicial é que ela pensa que a ausência do pai não fez mal, mas aparentemente fez. Interessante como isso aparece depois no diálogo com a mãe. É um conto cheio de “fisgadas”. Gostei da divisão do acróstico em dois, nunca antes houve algo assim na língua pátria. O tema também é novo, a autohomofobia. Tema que sem dúvida merece estudos mais acurados por parte dos ilustres Freuds e Jungs. Gostei muito, valeu.

  13. Virginia
    12 de junho de 2015

    Muito boa a ideia de dividir o texto com os passos para superação do medo! E a poesia dividida entre o começo e o fim ficou genial. A história é complexa, me parece que a intenção é surpreender no final e comigo funcionou. Confesso que me cansei um pouco durante a leitura, mas o final meio que compensou isso. a técnica também está boa, acertando no tom dramático, quase torturado da personagem. Parabéns e boa sorte !

  14. Wallace Martins
    12 de junho de 2015

    Olá, meu caro, Autor(a), tudo bem?

    Um conto bonito e emocionante de se ler. Simplesmente, reflete muito de alguns momentos que muitas pessoas podem ter passado na vida, seja ele internamente ou com algum amigo muito próximo e que você tenta ajudar. Fora que é inegável o quão próximo se fica da personagem principal, a vontade de tentar ajudá-la, de querer dar a mão a ela e acalmá-la, dar um abraço, buscar acalentá-la nesse momento de tamanha reviravolta. Com certeza, um conto com uma gigantesca sensibilidade, mostrando uma forma, diferente e bonita de abordar uma fobia.
    A sua escrita é muito boa, soube encaixar bem as palavras, usá-las de forma a criar uma atmosfera, de início, bem lenta e calma, mas que depois vou aumentando e trazendo toda a tensão que o enredo pede.
    O poema ficou muito bom, apesar de um pouco solto da narrativa, as figuras presentes nele, nos fazer ver as coisas com outros olhos, o que torna o poema muito mais rico e bonito.

    Agradeço-lhe demais por tê-lo compartilhado conosco, lhe dou os parabéns e boa sorte no desafio!

  15. Evandro Furtado
    11 de junho de 2015

    Uoooooooooooooou que plot twist! Foi um plot twist, certo?

    Achei que o texto começou lento, vagaroso, mas conforme foi avançando ganhou um tom muito interessante, que me prendeu e o final… Uooooooooooooooooooou, de novo!

    Muito bom mesmo, parabéns!

    • Açucena
      11 de junho de 2015

      Olá Evandro,

      Eu não estou respondendo muito por aqui, mas esse termo “plot twist” eu não conhecia, pois veja só, como médica sei muito pouco dessas coisas de escritores.

      Sim sim, é uma reviravolta.

      Muitos queriam que eu tivesse feito isso com o tema, mas fiz alguns testes laboratoriais antes de enviar, e ninguém estava conseguindo perceber a ideia do poema acrostico, a maioria não conseguiu captar sequer a poesia, “ela é bem complexa mesmo” como eu sou. Então optei por não esconder o tema, pois preferia que todos tivessem a visão do poema para poder interpretá-lo. Ainda assim a maioria não conseguiu compreender e mal perceberam o quanto poesia e a minha história estão ligados. Uma pena.

      O que eu queria é que todos pensassem que Açucena era minha amada, até que a revelação final se desse e fisgasse o leitor. Acho que nesse sentido tive êxito pois muitos gostaram desse final, por mais que o final que eu queria era ter tido coragem para fazer aquilo que não quero, quer dizer; aquilo que parte de mim quer. Nossa Evandro, como é complicado sentir isso. Mas ainda estou tentando.

      Obrigado pelo comentário viu, todos os comentários estão sendo muito importantes para mim, visto que sou tão indecisa em relação a mim mesma e meus sentimentos.

      Expor eles aqui está sendo melhor que essa maldita terapia. Não consigo seguir esses passos! Acho que vou comentar com a Doutora para que ela possa dar essa receita para outras pessoas como eu, pois escrever está me ajudando, ao menos de alguma maneira…

  16. rsollberg
    11 de junho de 2015

    Boa noite, cravo!

    Esse aqui foi o inverso, não gostei tanto do começo, mas adorei o final.
    O conto é muito bonito, sensível. Parte da linguagem empregada é ótima, adorei esse trecho “Devaneei. Andávamos pelo calçadão, cada qual num lado da pista, ao tempo que nossos corpos eram aceitos pela solidão, como opostos tragando abismos.”

    Infelizmente não curti muito as divisões, penso que ficou muito explicadinho, quase didático, manual, bula, saca? Não curti muito as repetições em negrito, acho que fizeram o texto perder um excelente ritmo.

    A poesia é bem bacana, e o lance com as inicias foi a cereja do bolo.
    Em suma, é um conto que me agradou, mas que gostaria que tivesse me agradado mais (perspectiva).

    Parabéns e boa sorte!

  17. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    10 de junho de 2015

    Cravo, que conto lindo! Não imaginei encontrar algo assim nesse desafio! O melhor até aqui! (comecei de trás para frente) Meus sinceros parabéns pela sua magnífica forma de escrever e fazer o óbvio deixar de ser óbvio, às vezes até com poesia, mostrando imagens de um jeito diferente e com um resultado melhor (vemos a mesma imagem se você as descrevesse de forma comum, só que mais nítida, mais nua). Você passou a tensão que permeia uma fobia que é intensa e persistente de uma forma que não tive medo; tive vontade de abraçar, com carinho, a Açucena, vontade de ampará-la, incentivá-la. Tem tema que a credibilidade é a alma do negócio, como no caso da fobia, porque nem todo mundo passou por isso, e nesse caso o seu conto me convenceu do início ao fim. Parabéns pela narrativa que me levou para dentro do coração da Açucena. Brilhante!

    • Carlos Henrique Fernandes Gomes
      10 de junho de 2015

      Depois de comentar, fui ler os comentários anteriores e a sua resposta para a Ana Paula me fez refletir: só consegui sentir a fobia de forma bastante nítida no seu conto até agora dos que li (comecei do último). Será que a dificuldade em lidar com o tema (o que não acontece nos desafios do Entre Contos) não seria porque os autores estão tentando escrever sobre suas fobias? Toda fobia é séria, é importante e merece respeito. Isso me fez refletir sobre outra coisa também: como comentar um conto que não entrou tanto no assunto sem correr o risco de magoar o autor que, nesse caso merece todo respeito? Sua postura me fez refletir sobre isso. E essa mesma resposta para a Ana Paula, assim como seu conto, me deu vontade de abraça-la com o respeito que merece. Além disso, você compartilhou um guia de como combater a fobia que pode ajudar muita gente; tem consciência disso?

      • Ana Paula Lemes de Souza
        11 de junho de 2015

        Oi Carlos, vi que você me citou no seu comentário, então vim aqui comentar novamente. Acredita que pensei a mesma coisa que você? Esse guia de como combater a fobia, e até mesmo a divisão do conto nesse formato, diferente do sentido pelos colegas, foi algo que me encantou muito! Achei fantástico! Eu mesma me enquadrei em termos de minhas próprias fobias e me fez refletir a respeito…
        Só não acho que os autores estejam escrevendo sobre as suas próprias fobias, acredito que não seja o caso, até porque nós mesmos temos dificuldades de lidar com as nossas próprias fobias (senão isso já seria superado e não seria mais fobia). É mais confortante lidar com a fobia alheia, com toda a certeza!
        O motivo de eu não ter sentido exatamente a fobia, é que a homofobia egodistônica é ainda mais difícil de ser compreendida, pois envolve necessariamente um sentimento negativo em relação a si mesmo por causa da homossexualidade. Achei que o problema era com a aceitação, o que também não deixa de ser…
        Ah, relendo os comentários eu gostei da sugestão do Gustavo de trazer o verso condensado apenas ao final do conto. Fica a dica para o autor/autora.

  18. Gustavo Castro Araujo
    10 de junho de 2015

    O texto é sensível, bonito e dolorosamente verossímil. Gostei muito da abordagem, que mistura as dificuldades típicas da fase adolescente com digressões pessoais em tom confessional. Em certos momentos, pude recordar a minha própria adolescência e toda a torrente de emoções em virtude do “gostar de alguém”. Creio que o autor foi muito feliz nessa concepção.

    O que quebrou um pouco o ritmo foi a inserção dos trechos “técnicos”, que lembram excertos de um manual, mas entendo que isso era necessário para justificar os pensamentos da personagem principal. Talvez a solução fosse adaptar esses “ensinamentos” ao próprio pensar da protagonista. Isso tornaria o texto ainda mais intimista, aprofundando o mergulho na psique e fazendo com que o leitor se identificasse com ela de forma mais forte. Claro, é uma questão de estilo.

    O que não deixa dúvidas quanto à necessidade de mudança é o poema inicial. O verso é um spoiler e como tal direciona a leitura, fazendo com que o leitor saiba desde o princípio que o narrador é, de fato, homossexual. A ideia, então, seria deslocar o poema para depois da revelação. Com isso, haveria de fato uma surpresa e não um “ah, isso eu já sabia”.

    De toda forma, é uma narrativa competente e que decerto agradará muita gente. Parabéns.

  19. Leonardo Jardim
    10 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (3/5) é interessante, lembra muito o conto “Mal Du Siècle”, de Jefferson Reis, da segunda antologia do Entre Contos. O primeiro poema, porém, acabou entregando o final.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, o ponto forte do conto, em minha opinião. Ótimas metáforas e palavras muito bem escolhidas. Ganharia nota máxima não fossem alguns errinhos, citados abaixo. Além disso, não entendi o porquê do texto estar todo em itálico (as partes em negrito, entretanto, funcionaram).

    ➵ Tema: (2/2) Homofobia, conforme a dica das iniciais do poema (✔). Fiquei em dúvidas, porém, se essa fobia parte da própria narradora…

    ☀ Criatividade: (1/3) o texto é muito gostoso de ler, mas a situação não é muita novidade. Como já disse, já foi até mesmo abordada aqui no EC.

    ✎ Poema: (2/2) achei os versos bonitos, embora não estejam diretamente integrados à trama. Legal a marcação das iniciais.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei muito da leitura, mas por ter previsto o final, não tive o impacto esperado com a revelação da homossexualidade.

    Problemas que encontrei:
    ● texto em itálico (deveria ser usado apenas para dar ênfase)
    ● tempo que *pertencia* a minha infância
    ● passear lá na praça (as vírgulas são desnecessárias)
    ● que *vírgula* quando sentimos o impacto do medo *vírgula* o corpo se prepara
    ● *À* noite (crase)
    ● Por que sinto isso *vírgula* mamãe
    ● Perto de sucumbir ao desejo incontrolável de me tornar a aberração que sou *vírgula* ela sussurrou

  20. Tiago Volpato
    9 de junho de 2015

    Olá, não achei o conto ruim, ele só não me agradou. Achei ele um pouco parado demais, o enredo também não me interessou muito. Mas você escreve bem, também explorou bem o tema e conseguiu construir um conto que passou bastante emoção. Não é um estilo que me agrada, mas tem seus méritos. Abraços!

  21. catarinacunha2015
    9 de junho de 2015

    A poesia superou a narrativa, mas achei muito interessante a aflição no texto. A terapia parece que atrapalhou mais do que ajodou o protagonista, tadinho. Como toda terapia, o texto cansa. No entanto o final compensou.

  22. Ana Paula Lemes de Souza
    9 de junho de 2015

    Achei bastante atrativa a forma com que foi narrado o conto. Bonita mesmo essa divisão em partes de terapia. Embora essa parte tenha sido atrativa, creio que a repetição dos passos cansou um pouco, e a formatação exacerbada não combinou. Por exemplo, o texto todinho em itálico não deve vir, pois é utilizado para termos estrangeiros.
    Fiquei um pouco confusa com a fobia da personagem. Ela tinha medo de se entregar? De aceitar a sua condição enquanto lésbica? De não ser aceita? Ou o medo era direcionado em específico ao seu amor de infância? Gostaria, se possível, de esclarecimentos quanto a esta parte. Não ficou muito clara para mim…
    Ah, o final é ótimo, bacana mesmo!!! Desejo-lhe sorte no desafio!

    Alguns erros:
    “você poderá lidar os altos e baixos da vida” = você poderá lidar com os altos e baixos da vida
    “segui em direção a sala de aula” = segui em direção à sala de aula
    “Á noite as lágrimas, incompreendidas” = À noite, as lágrimas, incompreendidas
    “reparando novamente o celular” = reparando novamente no celular (quem repara, repara – conserta – algo, ou repara – observa – em algo)
    “Me odeio tanto” = Odeio-me tanto
    “aberração que sou ela sussurrou” = aberração que sou para ela, sussurrou

    • Açucena
      9 de junho de 2015

      Não ia responder comentários, Ana, sou muito insegura, por isso coloquei o pseudo Cravo, mas quem escreveu fui eu Açucena. Como você pediu de forma tão doce, fica difícil não atender seu pedido.

      Digo mais.você é linda moça, não que eu esteja te cantando, não, eu não gosto de… Quer dizer… Me simpatizei com você. Só isso. Vamos falar do conto, por favor:

      O cansar é proposital, acredito ser muito cansativo lutar contra minha fobia, ela é intermitente em minha cabeça, como se eu fosse uma hospedeira. A ideia era realmente fazer com que os leitores sintam essa aflição. O que pareceu canseira, pode ser a retratação da minha fobia. Sinto justamente isso. Esse autoflagelo no inconsciente, brigando comigo mesma o tempo todo. Tentando em vão vencer meus medos, repetitivamente.

      O Itálico foi de fato um vacilo infantil no ato do envio, não era para ter sido assim. Que pena minha flor!

      O negrito foi opção mesmo, e não faria diferente em relação a isso ainda que tenha desagradado. Eu grito comigo mesma as vezes.

      A Fobia está exposta claramente nas letras que iniciam cada verso do poema/acróstico, ou seja “homofobia” principalmente no sentido de rejeição a mim mesma e aos sentimentos e desejos que carrego. Não gosto de falar nisso.

      Veja isso na poesia:

      Há um cálice amaldiçoado – eu sou o cálice,

      (o cálice foi inserido aqui no sentido de ser um objeto que contém algo em seu interior. Na Bíblia esse conteúdo é o sangue de Cristo, na poesia é o meu sofrimento , minha fobia, o meu veneno meu bem). Usei esse artifício por gostar muito da música Cálice de Chico Buarque que fala tanto do Cale-se da Ditadura, como no trecho “de vinho tinto de sangue” que remete ao sangue derramado pelas vítimas da repressão e tortura da mesma época.

      Oculto, envenenando meus versos – envenenando… um cálice cheio de veneno. Oculto, pois está oculto na poesia. As letras iniciais formando a Homofobia, o meu veneno , que me proíbe de ser feliz.

      Medo daquilo que é tão errado – isso é muito claro, nem carece explicação. É errado demais o que sinto.Como posso sentir isso por uma mu…mulher?

      O par que é tão igual, tão inverso – um casal homossexual, tão iguais fisicamente, homem/homem – mulher/mulher – que nojo – e para a sociedade e para mim, tão inverso, tão errado. E eu amo tanto ela!

      Felicidade é um desejo certo – é só o que quero: Ser feliz, Ana.

      O sopro em direção ao horizonte – o sopro, ter força para prosseguir. .

      Barco a velas, num mar aberto – me sinto um barco sendo levado, pelo próprio sopro, na solidão/imensidão do mar aberto. Estar em mar aberto pode ser tão bom, tão relaxante e ao mesmo tempo é tão perigoso. Precisamos fazer escolhas, fugir das ondas, e ter cuidado para não nos perdermos.

      Indo, indeciso, tão distante – e eu continuo indo, não certa de que queira fugir, mas indo, o mais longe possível. Talvez longe de mim mesma.

      Até onde há coragem, adiante – buscando encontrar a coragem. Adiante, amanhã… no futuro, depois… quem sabe? Por isso o fim: Até hoje… pois ainda busco a coragem para vencer o medo e me assumir. E quem sabe ser feliz com minha amada.

      Por favor, não conte para ninguém da nossa conversa. nunca me abri com ninguém… até hoje…

      Tentei deixar claro isso, acho até que o fiz, mas posso não ter tido tanto êxito.

      “aberração que sou ela sussurrou” – Aqui faltou uma vírgula mesmo, depois de sou. Ela é uma aberração para ela mesma.

      Sem mais explicações, não sei se devia ter dado estas.

      • Ana Paula Lemes de Souza
        9 de junho de 2015

        Hahaha, obrigada Açucena pelo comentário tão doce! Fiquei feliz.
        Obrigada também pelas explicações e por abrir a sua alma pra mim!
        Falha minha… não havia feito a interligação entre o poema do início e o poema do final, acabei de perceber esse vacilo! Engraçado que você falando agora fica claro, mas na forma que eu interpretei o conto, não consegui enxergar a fobia. Você me pareceu muito decidida em suas escolhas… Apenas vacilante em termos de aceitação. Mas obviamente cada um sente o conto a seu próprio modo!
        Parabéns mais uma vez, eu gostei bastante. E boa sorte no desafio!

  23. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2015

    O conto é bom, mas essa coisa de passos da terapia me cansou um pouco, confesso. Por alguns momentos, o conto pareceu um manual didático acerca de psicologia. Muito explicadinho, não dá.
    A fobia está aí, assim como o poema. Nada especial, mas atendeu à exigência do certame. Os recursos gráficos pesaram um pouco, achei excessivo o uso do negrito. Sei que a intenção era reforçar a ideia, mas poluiu a narrativa.
    Boa sorte!

  24. Jowilton Amaral da Costa
    8 de junho de 2015

    É um bom conto. A leitura é aflitiva, passando todo o medo da personagem, contudo, também me fez desistir da leitura algumas vezes. A descrição dos passos me incomodou um pouco, acho que truncou a evolução do conto. Achei o final surpreendente. só mesmo no finalzinho comecei a perceber que quem conta a estória era uma mulher. Boa sorte.

  25. rubemcabral
    8 de junho de 2015

    Olá, autor(a).

    Achei o conto bonito, com algumas passagens bem inspiradas. Achei também, contudo, um pouco cansativas as muitas repetições do “mantra” dos passos da terapia.

    Não gostei muito dos recursos usados na formatação: do itálico do texto quase todo e das frases em negrito. Gostei, porém, das letras em negrito ao abrir cada verso, e gostei também das estrofes no final, fechando o poema que abre o conto.

    Quanto à escrita, há algo por arrumar, aqui e ali, mas nada realmente grave. Incomodaram-me a quantidade de repetições de “medo”.

    Um bom conto!

  26. Simoni Dário
    7 de junho de 2015

    Um conto bonito, tocante, o autor transmite,os sentimentos conflitantes da personagem com competência. Em alguns momentos é cansativo, esses 5 passos no estilo auto-ajuda não me agradaram. O final está muito bom.
    No geral, é um bom conto.
    Parabéns e boa sorte!

  27. Fabio Baptista
    6 de junho de 2015

    * TÉCNICA : 2 / 3
    A escrita é competente e bonita em muitos momentos.

    Encontrei pequenos problemas com o uso de crase (a noite / a minha frente). Também algumas cacofonias (ela tinha / ela vinha) e um “há” usado indevidamente. Pouca coisa.

    O problema mesmo foi que a narrativa ficou muito arrastada, cansativa. O uso do itálico não ajudou nada além de cansar ainda mais.

    * TRAMA : 2 / 3
    O drama pessoal foi bem palpável, mas o todo ficou muito repetitivo. Dava pra limar boas partes dessa história, sem perdas significativas para o enredo.

    O final, contudo, é muito bom. Seria melhor se ele chegasse antes.

    * POESIA : 1 / 2
    Foi curta e não teve lá muita relevância, mas esse encerramento é realmente muito bonito.

    * PESSOAL : 0 / 2
    Gostei de alguns elementos, mas no geral achei muito cansativo.

    * TEMA : x1
    Adequação total.

  28. Brian Oliveira Lancaster
    5 de junho de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: Um jeito bem diferente de contar uma história com toques de psicologia.
    G: É um evento cotidiano, e dá a entender que quase todo o texto se passa na mente do protagonista, expondo claramente a fobia. A formatação atrapalhou um pouco, mas isso é coisa do wordpress. É uma história bem angustiante e o autor conseguiu transmitir muito bem os sentimentos conflitantes. Em minha opinião, o texto podia ser um pouco mais curto, mas neste caso talvez os passos não se encaixassem tão bem.
    U: Gostei do palavreado simples, mas com seus devidos floreios e metáforas.
    A: A poesia se encaixa bem, mas ficou um tanto deslocada. Não faz tanta diferença para o enredo. Mas entendi o uso do negrito, como estética, para a palavra que joga uma luz sobre o texto. Simples, mas eficiente.

  29. JC Lemos
    2 de junho de 2015

    Olá, Cravo. Tudo bem?

    O final do conto foi muito, muito bom. Gostei do rumo que a história tomou e já sabia que era homofobia, mas não esperava o que realmente aconteceu. Você narra muito bem. É fluida e com boas colocações.

    Entretanto, o texto, durante quase seu todo, não me agradou na forma como foi apresentado. Foi inovador, com certeza, mas não o que esperava. Em alguns momentos, achei cansativo, mas o final realmente foi demais.

    O poema também ficou bom, assim como as letras iniciais falando dessa fobia que ficou exposta durante toda a trama.

    Parabéns pelo conto! Boa sorte!

  30. Sidney Muniz
    1 de junho de 2015

    A fobia está escancarada, é verdade, e o autor(a) usou ela de maneira interessante.

    Gostei bastante da ideia, do enredo e da contramão dos passos. Uma boa sacada.

    Há alguns deslizes, ao menos eu percebi esses que destaco abaixo, mas me afeiçoei bastante pela aflição do personagem. Também já peço desculpas pelas minhas intromissões que virão a seguir, outros autores certamente lhe darão mais dicas, me pareceu que há alguns equívocos também quanto ao uso de crase, mas sou péssimo em relação a elas, e nem sei se o que apontarei abaixo faz tanto sentido assim. É que sou meio doido, coisa de mineiro.

    Seguem algumas dicas:

    Naquele instante minha alma “se” afligia como “se” estivesse sendo roubada violentamente. – acho que isso pode ser evitado, não pensei em nada para reformular, mas penso que o autor(a) poderia dar uma harmonizada nesse detalhe.

    Mamãe, como você faz falta.Olhe direto nos olhos do seu medo. Enfrente seu medo! – Faltou um espaço entre “falta” e “Olhe”, claro que após o ponto final.

    você poderá lidar os altos e baixos da vida. – lidar “com” os altos e baixos da vida.

    Era como se tudo de repente rodasse, como se fosse verdade e eu pudesse beijá-la por um milésimo de tempo. – repetição de “como”, acho que pode ser evitada. Sugiro:

    Tudo de repente rodava, como se fosse verdade e eu pudesse beijá-la por um milésimo de tempo.

    Ah, achei a poesia bem interessante.

    Eu gostei!

    Desejo sorte ao autor(a) e parabenizo pelo conjunto da obra!

    Um forte abraço!

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Publicado às 1 de junho de 2015 por em Fobias e marcado .