EntreContos

Literatura que desafia.

Nas Entranhas de Ceres (Victor O. de Fariar)

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Cristais de quartzo absorviam a luz solar distante e ressoavam através do vidro panorâmico superior, transmitindo calor e energia ao complexo. Desciam lentamente pelas paredes hexagonais da cúpula, banhando seres tão estranhos quanto os vírus e bactérias: humanos.

Localizada acima da crosta mineral, aquela podia ser considerada a obra mais ambiciosa dos primeiros fundadores. A cidadela, interconectada por pontes suspensas e corredores intermináveis, era constituída por uma nova sociedade esterilizada, inocente quanto ao princípio da criação. Estava, aos poucos, distanciando-se de suas origens.

Três gerações haviam passado e sua terra natal começava a cair no esquecimento. Com ela, indiretamente, toda a forma de arte – mantida apenas nos registros, relembrada ocasionalmente por historiadores e improváveis curiosos…

 

Corpo meu, corpo teu;

Entrelaçados enquanto durar

O amálgama do infinito.

 

Deixe-me ver, uma vez mais,

Suas pétalas a desabrochar,

Antes que o inverno chegue…

 

E leve carregado pelo vento

Tua semente, meu tempo,

Meu lar.

 

Flor da juventude, da velhice,

Do esquecimento,

Eterno momento.

 

Com um gesto horizontal, a tela desapareceu. Solicitou uma vídeo-chamada à máquina mais próxima. Sem perder tempo com o excesso de frivolidades, foi direto ao ponto.

— Querida, que tal visitarmos a Terra, algum dia?

O robô de telepresença virou a face e o encarou, enquanto andava pelo jardim artificial.

— Aquele lugar cheio de germes? Esqueça!

Deu ênfase à palavra “germes”. Em sua própria casa, a vários metros dali, o avatar transmitiu os gestos de seu marido, tentando convencê-la.

— É a terra de nossos ancestrais!

As duas máquinas permaneceram viradas de frente. Se não fosse pela distância e meticulosos hologramas, estariam brigando como um casal comum. No entanto, talvez pelos instintos mais antigos da humanidade, evitavam olhar diretamente um ao outro por muito tempo. Afinal, estavam praticamente nus, recobertos apenas pelas mantas térmicas, semitransparentes.

— Já os observou no Aumentador? São seres bizarros, alienígenas!

— Nossos antepassados ou os micro-organismos?

— As bactérias; é claro!

M3282, ou simplesmente “M”, sorriu.

— Ah, minha amada F3292… Se tivesse lido os arquivos, descobriria maravilhas do mundo antigo.

Conhecia bem os devaneios de M. Apesar de ter uma queda pela arte renascentista, aquela conversa seria igual a todas as outras… Desde que F fora designada como seu par genético, discutiam horas até que ele sugerisse um encontro pessoal, o que violava diretamente as leis de contato, além de ser anti-higiênico.

Ela gesticulou de forma negativa, ofensiva, e desligou a vídeo-chamada. M suspirou.

— Malditos germes!

Chutou as flores de cristal multicor, espalhando centenas de pedaços pelo jardim. Besouros de manutenção surgiram por entre as frestas. Uma voz impessoal, sem corpo físico, emitiu uma advertência. Por instinto, olhou para cima.

— FAVOR NÃO REPETIR O ATO COMETIDO. PREZAMOS PELA PAZ E HARMONIA DA COMUNIDADE. QUALQUER REINCIDÊNCIA SERÁ CONSIDERADA UMA VIOLAÇÃO DAS LEIS DE PRESERVAÇÃO.

Voltou. Pensando melhor, sua primeira pergunta tinha sido infeliz. Seus frágeis corpos estavam acostumados ao nível altíssimo de esterilização do complexo. Caso respirassem o ar da atmosfera terrestre, sem equipamento adequado, morreriam em questão de segundos.

Entrou em casa, acenando para a câmera flutuante, e releu o poema deixado por seu bisavô. Aquelas frases sempre evocavam estranhas sensações, de uma época em que o toque ainda era permitido.

Seus sonhos foram interrompidos pelo som estridente e irritante da inteligência artificial interna.

— ATENÇÃO, CIDADÃOS! UM VEÍCULO NÃO AUTORIZADO PENETROU A ATMOSFERA. O “SISTEMA” TOMARÁ PROVIDÊNCIAS. NÃO SAIAM DE SUAS CASAS ENQUANTO O NÍVEL DE INFECÇÃO É AVALIADO.

Um visitante? Há décadas a sociedade hermeticamente fechada de Ceres não recebia pessoas de outras esferas, até as crianças da geração “in vitro” acreditavam que eles eram seres diferentes, com tentáculos aterrorizantes – uma lenda que se espalhava rapidamente.

Conhecer pessoas de fora era uma curiosidade geral, mas só de pensar no contato com criaturas estranhas afastava qualquer possibilidade de viagem externa. A xenofobia se sobrepunha às suas vontades. Porém, M não se encaixava na sociedade amplamente misofóbica, fazendo parte de um percentual mínimo, desequilibrado. Ter à disposição um visitante facilitava as coisas.

Primeiro, precisava se livrar dos olhos robóticos que o seguiam para onde fosse. Teve uma ideia estúpida. No entanto, funcionaria.

Retirou o sofá de sua base gravitacional e arrastou-o poucos centímetros. Sua estrutura óssea não permitia muito esforço. Lembrou-se disso tarde demais. Azar, a curiosidade era grande o suficiente para ignorar a dor. Correu com ele sobre os canteiros mais baixos, destruindo em alguns minutos o trabalho minucioso e detalhista dos fundadores.

A voz superior se fez presente.

— M3282! DEVIDO À VIOLAÇÃO DAS LEIS DE PRESERVAÇÃO, DUAS UNIDADES “VIGIAS” IRÃO ESCOLTÁ-LO À CENTRAL. O “SISTEMA” DECIDIRÁ SUA PUNIÇÃO.

Os pioneiros haviam embutido certa ironia nas máquinas. Aguardou pacientemente sua chegada. As unidades ciclopes, um tanto desengonçadas, desceram a rampa de acesso. Foi escoltado pelos Vigias até a Central, departamento onde se encontrava o acesso ao hangar de carga e descarga.

A quarentena preventiva ainda estava em andamento. Luzes vermelhas, efêmeras, preenchiam os corredores. Não se lembrava de tê-las visto assim. Os Vigias não tinham permissão de burlar o livre-arbítrio dos indivíduos, mas podiam forçá-los a caminhar até o objetivo cercando seu corpo com três unidades. M contava com isso.

Como a proteção da vida estava acima de outras diretivas, furou o bloqueio e entrou em outro corredor. Eles o seguiram. O Sistema estava ocupado demais para perceber a distração. Depois de uma longa caminhada, chegou ao um local bem conhecido.

Desceu as escadas. A esfera ótica veio ao seu encontro.

— IDENTIFIQUE-SE.

— Sou o par genético de F3292. Tenho autorização para entrar em seu território.

A voz impessoal deu lugar a uma voz mais suave e doce, mesmo quando irritada.

— Que disparate é esse?

— Querida…

— Não se atreva a pisar em meu jardim! Estamos em quarentena!

— Vai perder a oportunidade única de conhecer um visitante?

— Não estou a fim de ver seus tentáculos!

— Isso é uma bobagem infantil. Vou até aí!

— M3282! Se ousar dar mais um passo, irei denunciá-lo!

— Espere…

Os Vigias espantaram os companheiros metálicos de F, devido sua forte presença e autoridade. Sem querer, acabaram servindo como guarda-costas. M atravessou a estrutura cristalina, cheia de peças artísticas, lembranças do mundo antigo (por mais que ela odiasse aquele estilo de vida, obras de arte não ficavam doentes).

A porta do habitat era seu último desafio. Ouviu uma voz abafada pela estrutura.

— Não vou abrir!

— Tenho seu código, lembra?

— Se o fizer sem meu consentimento…

— O que? Nunca mais fala comigo?

— Isso…

— F… Como posso nunca mais voltar a falar com você, se esta é a primeira vez que conversamos de perto? Nunca tive coragem, mas lendo inúmeras vezes os arquivos, percebi que não devíamos viver assim, desse jeito.

É claro que o fato histórico de um visitante o impulsionava ainda mais, mas guardou essa informação para si. Estava armado com um canhão de explicações, com pentes cheios de argumentos. Dispararia assim que possível. Ficou na expectativa pela próxima pergunta.

— Assim como? – suavizou.

— Separados.

— Você é meu par genético. Apenas isso.

— Tem certeza?

Ela não respondeu. A distância minimizava o remorso. Conversar cara a cara era muito diferente. Mas agora, estando ele ali, de pé em sua porta, tornava tudo mais difícil. Gritou, lá de dentro.

— E os germes?

— Que se danem os germes!

Os Vigias interferiram.

— ATENÇÃO INDIVÍDUO M3282! CUIDADO PARA NÃO UTILIZAR LINGUAJAR IMPRÓPRIO. ESTA É UMA ADVERTÊNCIA. QUALQUER REINCIDÊNCIA SERÁ CONSIDERADA UMA VIOLAÇÃO…

— Tá, tá. Já entendi.

— Me avisaram que seu comportamento seria caótico. – disse ela, quase sussurrando.

— Então?

Ponderou os acontecimentos. Sua voz denunciava extrema ansiedade.

— Está mesmo disposto a ficar doente?

— “A mais bela das flores precisa enroscar-se em troncos lascados para que, olhando-se o conjunto, o artista diga “entre espinhos e abrolhos, a arte resplandece”“.

— Isso é…

— Poesia antiga.

— Faltam-me palavras… – disse, enquanto assimilava as novas sensações.

Apaixonada pela arte e sua estética, resolveu dar-lhe uma chance. Mas seria a única. Já estava no limiar de seu comportamento. A película protetora desceu, exibindo uma forma humana translúcida.

— Então, você vem? – disse ele, fazendo um esforço fenomenal para desviar os olhos de suas curvas.

— Eu…

— Não tenho muito tempo. Logo o Sistema dará falta de seus servos mecânicos.

— Desculpe… Não consigo.

E cruzou as mãos, apertando-as como engrenagens de relógio. M sabia que não sairia impune, então fez o que qualquer um de seus antepassados faria naquela situação. A piorou ainda mais. Sabendo que estavam geneticamente ligados, contrariou todos os protocolos ativos e rapidamente esticou o braço, atravessando o campo de força.

O horror estampado nos olhos dela tornou-se evidente.

O que era aquela sensação de veludo? Do toque de harpas e compasso acelerado de seu coração? Da harmonia musical arrepiando cada centímetro de seu corpo? Décadas de instintos adormecidos estremeceram todo seu ser, durante preciosos milésimos de segundo, tempo que seu cérebro levou para despertar as ondas marítimas e o vento abrasador. Pensou em puxar suas mãos de volta, mas a química vencera a batalha.

— Venha!

Não conseguiu falar mais nada. Acostumada a ralhar com seu par por qualquer motivo, dessa vez, ficou em silêncio. Olhou fixamente a mão que a puxava com vigor. Acordou somente quando o primeiro lance de escadas a fez tropeçar. Voltou a si, assustada.

— Eu não devia ter feito isso! Veja! – apontou. —Minhas mãos!

— Não há nada de errado com suas mãos. – e acrescentou. – São como sempre imaginei! Leves, frágeis e suaves.

Ignorou o cortejo. Aos olhos de F, uma camada cheia de pontinhos se formava na região do toque. Em cada um deles havia centenas, senão milhares, de pequenas criaturas a encarando, espalhando-se rapidamente pela superfície de contato. Um dos Vigias a estudou minuciosamente com seu único olho.

— CIDADÃO F3292. SEUS BATIMENTOS CARDÍACOS ESTÃO ALTERADOS. SUGERIMOS REPOUSO ATÉ QUE AS UNIDADES MÉDICAS SEJAM ACIONADAS.

— F! Olhe pra mim! Você está em pânico. Já li sobre isso.

Segurou suas mãos junto ao peito. Percebeu a péssima ideia.  Aquela experiência era demais para alguém descendente de família já estabelecida. M carregava o gene de exploração em suas veias.

— Eu peço desculpas, querida F.

A levou de volta para seu habitat, lentamente. Cabisbaixo, sussurrou em seu ouvido.

— Pedirei minha realocação, assim que deixá-la segura.

— Não!  – assustou-se com a palavra “realocação”. – Quem sabe eu possa… Compreender, aos poucos. De uma vez só é impossível.

— F…

— Vá logo! Depois me conte quantos tentáculos eles têm.

Aprendeu, da pior maneira possível, que nem sempre podia confiar em seus instintos. Colocou a razão acima da emoção. Deixou que os Vigias o levassem ao local correto. Traria uma imagem congelada para ela (ou fotografias, como seu bisavô chamava), assim que conseguisse se livrar da burocracia…

As janelas panorâmicas facilitavam o campo de visão. Aos poucos, percebeu uma sombra eclipsar metade do horizonte. Podia ser um protótipo de cruzador, veículo mencionado nos registros. Andou mais até que um fato inesperado adiantou seu cronograma. Os robôs bloquearam sua entrada na Central, ao mesmo tempo em que impediram sua volta para casa. Estava, literalmente, preso.

As diretivas de proteção e punição entraram em conflito. Aproveitou a distração e encostou a face na janela. Diferente do que esperava, não havia um veículo espacial, mas um cubo gigante no interior da área descoberta. Luzes azuis recortavam sua estrutura acinzentada em dezesseis partes iguais. Ao fundo havia apenas os limites da redoma, escurecidos, como sempre. O que era aquela coisa, afinal? Onde estava o visitante e sua nave?

O Sistema permanecia em silêncio, assustador, enquanto todos estavam seguros em seus habitats. Apenas ele estava ali, naquele momento. Sentiu medo pela primeira vez. E se eles realmente tivessem tentáculos? Foi então que viu um vulto branco, esgueirando-se por entre as divisões. Conhecia aquela vestimenta pelos arquivos. A roupa espacial escondia a verdadeira identidade de seu ocupante. Certificou-se de que não havia mangas para apêndices. Aliviado, convenceu a si mesmo. Aquilo era besteira.

Mais dois surgiram por entre as luzes neon. Não era apenas um? Sem aviso, apontaram para a cúpula.

— Droga!

Abaixou-se rapidamente. Seu coração devia estar saindo pelos ouvidos. As máquinas nem se quer emitiram uma advertência, o que era estranho. Os astronautas teriam sentido sua presença? Forçou a passagem por entre os Vigias – e foi agarrado por um braço forte, cromado. Olhou de baixo à cima aquela figura alta, imponente e dotada de três horripilantes olhos vermelhos. Saindo das sombras, o próprio avatar do Sistema o segurava.

Sem entender o que estava ocorrendo, levaram-no ao interior do complexo. Estava em pânico. A estrutura em forma de cubo aumentava de tamanho a cada passo e se assemelhava, sem sombra de dúvida, a um microchip gigante. Olhou novamente para fora, assustado, com olhos esbugalhados. Os visitantes haviam desaparecido.

Acomodaram-no em um assento confortável. Logo a sua frente, uma tela exibia seus atos cometidos naquela manhã. Ouviu o anúncio geral, provando que não havia mais conflitos. O que haviam feito?

— ATENÇÃO, CIDADÃOS! A INFECÇÃO FOI CONTIDA. PODERÃO, A PARTIR DE AGORA, VOLTAREM AOS SEUS AFAZERES DIÁRIOS. ENCERRA-SE AQUI O PRINCÍPIO DE QUARENTENA.

A infecção foi contida? M imaginou o que isso queria dizer e não gostou nada dos pensamentos. O Sistema se aproximou e, contrariando as expectativas, conversou em tom agradável, nada impessoal. O motivo era seu novo aperfeiçoamento instalado naquele instante, mesmo sem M perceber. Se tivesse raciocinado mais, quem sabe, teria compreendido. Conseguiu se acalmar um pouco. Suas ações repassavam em ciclo.

— Isso o incomoda? Creio que sim. Podemos retirar as acusações e remover esses registros do servidor. No entanto, devo alertá-lo que este evento será apagado de sua memória, a fim de evitar comportamento semelhante no futuro.

Franziu a testa.

— Isso não vai contra o princípio das leis de preservação?

— Não.

— Mas vão apagar minha memória!

— É uma escolha. Apenas sua e de mais ninguém.

— E se eu resolver não apagar?

— Infelizmente, você afetará o convívio das pessoas ao seu redor. Seremos forçados a retirá-lo do programa.

Aquele diálogo tornou-se ainda mais bizarro.

— Que programa?

— Não tenho acesso à informação confidencial.

— Ótimo. Então, não tenho escolha. Ou esqueço o que fiz, ou serei morto.

— Em nenhum momento mencionei a palavra “morto”. No entanto, há uma informação que poderá influenciar sua decisão. Deseja ouvi-la?

— Manda.

— Você não é o primeiro a realizar este procedimento.

— Fantástico… – disse de modo irônico. — Quantos já viram o que vi?

— Não posso revelar estes dados sem comprometer a programação.

O medo deu lugar à raiva. O provocou para ver o que acontecia.

— Certo. Então, faça logo isso! Estou cansado.

— Tenho a permissão de apagar sua memória, desde o início dos eventos desta manhã?

Respirou fundo. Pensou antes de dar uma resposta. Sentia saudade de F, mesmo que se vissem raramente. E só de tocá-la soube, naquele mesmo momento, que nunca mais a deixaria sozinha. Seus instintos pediam mais… Afirmou, sem hesitar.

— Sim.

Preferiu apagar um dia de sua vida a nunca mais reencontrar seu par genético. Ela valia muito mais que vinte e quatro horas perdidas. Oito esferas circulares flutuaram partindo do chão e permaneceram trôpegas, ao seu redor. Olhou as estrelas distantes. Um dia seu povo teria coragem de retomar a expedição.

O mais estranho, em tudo aquilo, era o fato que nunca havia percebido. Os corpos celestes mais distantes moviam-se rapidamente, enquanto os mais próximos nem se quer saíam do lugar. Podia ser efeito da anestesia, ou então…

Acordou em sua casa, na manhã seguinte, sentindo uma leve dor de cabeça. Saiu da cápsula do sono e entrou na cozinha, solicitando alimentos que contivessem proteína e energéticos. De onde viera tanta fome? Acessou as notícias de sempre e abriu a seção que mais gostava: registros históricos. Releu um poema deixado por seu bisavô.

 

Embora tenhamos virtudes,

Esperançosos de épocas vindouras,

Embora criativos e inteligentes… Inconsequentes,

Por que insistimos nas mesmas atitudes?

 

O dia em que o homem deixar de lado,

Sua ignorância, ambição, prepotência,

E ver o que criamos aqui,

Espécies a domar,

Então, as estrelas distantes dirão:

Venham! Eis o vosso lar!

 

Com um gesto horizontal, a tela desapareceu. Solicitou uma vídeo-chamada à máquina mais próxima. Sem perder tempo com o excesso de frivolidades, foi direto ao ponto.

— Querida, que tal visitarmos a Terra, algum dia?

O robô de telepresença virou a face e o encarou.

— Aquele lugar cheio de germes? Esqueça!

Não retrucou. Teve uma sensação familiar, um déjà vu. Ignorando aquele momento bizarro, alterou o assunto. Sentia forte atração por ela, embora não totalmente compreendida. Já que não poderia tocá-la, fez o gesto em direção à tela. Abriu a palma da mão, fingindo carinho. Para sua surpresa, o gesto foi correspondido.

Dois indivíduos feitos um para o outro, sem lembranças do dia anterior (e, quem sabe, de várias outras ocasiões), encaravam-se em silêncio. Os verdadeiros tentáculos haviam agido. No entanto, seu inconsciente resgataria aquelas conexões perdidas, algum dia.

Seus corpos jamais esqueceriam…

E o Sistema, como um todo, continuaria a perpetuar aquele experimento espaço-sociológico, lotado de redundâncias, enquanto as primeiras naves estivessem sendo construídas. Já possuíam dados de sobrevivência e tecnologia suficiente para finalizar o projeto Ceres. Finalmente, após três gerações, empreenderiam a primeira viagem real ao espaço profundo.

Mas o que seriam daquelas pessoas, nascidas dentro de uma Bolha do Tempo, construída no meio do deserto euro-asiático? Quem teria a coragem de contar-lhes que o céu de estrelas distantes não passava de uma projeção arquitetada pelos melhores astrofísicos? Que a falta de oxigênio na cúpula externa e a busca por recursos fazia parte da simulação de vida fora da Terra? Seus organismos suportariam ar tão rarefeito depois de anos vivendo enclausurados? E que dizer de seus maiores temores?

Continuariam a viver na mentira, protegidos por suas próprias fobias – uma sociedade criada a partir das areias do tempo e mantida pelas mentes mais ambiciosas e inescrupulosas de outrora. E se caso algum deles desconfiasse de algo, a solução era simples…

— Tenho a permissão de apagar sua memória?

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29 comentários em “Nas Entranhas de Ceres (Victor O. de Fariar)

  1. Laís Helena
    13 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (3/4)

    Achei a narrativa interessante e fluída, apesar de ter sentido falta de mais descrições de ambiente; a parte em que M é levado para lá e para cá pelos Vigias ficou um pouco confusa devido a essa falta de detalhes. A aplicação da fobia foi interessante, moldando uma sociedade inteira em vez de pertencer a apenas uma pessoa. O poema, apesar de expressar como o personagem não se encaixa nessa sociedade, não faria falta se não estivesse ali.

    2 – Enredo e personagens (2/3)

    Gostei muito do enredo e achei o mundo bem construído, apesar de ter sentido que o autor poderia ter explorado alguns temas interessantes se não estivesse limitado pela quantidade de palavras. Gostei do final, apesar de o verdadeiro objetivo do Sistema não ter sido revelado.

    3 – Criatividade (3/3)
    O tema explorado (o personagem que não se encaixa na sociedade) não é exatamente original, porém, não deixa de ser um tema interessante e muito recorrente na vida real, acabando por criar identificação com o leitor. No entanto, o conto ganha pontos no quesito criatividade pela maneira como abordou a fobia.

  2. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Gostei muito! Raro ver FC por aqui, e gostei da forma como aliou FC ao tema do concurso. Me interessou muito saber no que daria tudo aquilo que estava acontecendo com M e F. Mas acho que o final podia ter sido mais trabalhado, menos corrido. Não sei se foi por falta de espaço, me envolvi tanto que nem sei dizer se foi tão longo o conto assim. Parabéns!

  3. Felipe T.S
    13 de junho de 2015

    De Fc, só li alguns clássicos, gosto muito de O fim da Infância, acho uma obra excepcional.

    Sobre seu texto, você contou muito bem a história, gostei da atmosfera, dos personagens e do ritmo do texto. Não fiquei precisando fazer pausas para ver se tinha entendido certo e como um todo, é um excelente trabalho. As explicações no fim da obra podem ser condensadas, deixaria ainda melhor seu trabalho.

    Sucesso e sorte!

  4. Wilson Barros
    13 de junho de 2015

    Os neologismos científicos são o tempero que dão o toque futurístico. O fato dos seres estarem sós, sem mal, remete ao Jardim do Éden, onde se ouve a “voz impessoal” que pode ser a do Criador repreendendo. Os “querubins” são substituídos pelas “unidades ciclópicas” e o pecado original, como sempre é cometido, e dessa vez, recometido e logo apagado da memória, uma solução que substitui a religião. Uma linda fantasia no meio do deserto.

  5. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2015

    Pois bem, Gladia!
    Teu conto prendeu-me a atenção do início ao fim. Estive ansiosa para saber o que aconteceria a seguir. Se o casal teria mais contato físico, se eles conheceriam os “alienígenas”, se todo o mistério seria resolvido… Já assisti um filme (que não vou lembrar o nome) que era uma nóia semelhante, mas para outros fins. Havia uma instalação subterrânea governamental no deserto de Las Vegas onde pessoas clonadas eram criadas desde o nascimento para algo “maior”, um dia, eram selecionadas como em um sorteio para, na verdade, extraírem seus órgãos no mercado negro o.O Lembrou-me esse filme, em parte.
    Adoro ler FC, e a ambientação está muito boa. A descrições não nos deixam perdidos e, mesmo com situações futuristas, entendemos tudo que se passa.
    O poema está interessante, mas não me passou muitos sentimentos, e a fobia… bueno, não sei se a admito aqui. Há uma inquietação, certamente.
    Adorei a leitura, apesar de não acreditar que se encaixe na temática. Parabéns e boa sorte!

  6. Jowilton Amaral da Costa
    12 de junho de 2015

    Gostei muito. A narrativa é excelente, a condução muito boa. Prendeu minha atenção do início ao fim. Leio muito pouco de ficção científica, conheço alguns contos do Asimov e do Bradbury, mas, este conto me remeteu a filmes. O conto também tem boas reflexões. Enfim, muito Bom. Parabéns e boa sorte.

  7. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    12 de junho de 2015

    Gladia, que espetacular essa ficção científica! Só tenho uma reclamação: a parte explicativa que fecha o conto iniciou-se sem uma transição e causou um certo estranhamento no ritmo; só isso! O conto todo é de se aplaudir de pé! A criatividade e credibilidade está presente e reforçada desde o início. E atende bem ao desafio mostrando a “bacteriofobia” (acabei de inventar; se acertei foi sorte). A fobia é mostrada através do comportamento dos personagens, sem explicações técnicas em demasia na voz do narrador. O deja-vu mostra bem aquilo que a gente não consegue apagar por completo, ficando ainda aquela marca de contorno da palavra escrita no papel branco. A crítica social se faz presente sem forçar a barra, sem exageros; talvez, mas só talvez, só um tiquinho de nada na parte explicativa que fecha o conto. Dos poemas, até agora, foi o que mais gostei (comecei as leituras de trás para frente). Muitos parabéns pela belíssima obra!

  8. mariasantino1
    12 de junho de 2015

    Olá!

    ↓Algumas descrições como: O robô apareceu e vozes mecânicas já meio que esperadas, se melhoradas, ou mais trabalhadas (talvez inserir nomes nos robôs, oferecer epifanias para as mensagens) retirariam um tiquinho de simplório de algumas passagens.

    ↑ Que belo poema! Fica lindo ler somente o que está em negrito. E que bela frase essa que você expôs, não achei na net, é sua? Linda mesmo. O texto chama a atenção para as relações sociais. Esse lance de que são parceiros genéticos é passível de acontecer (frio) e me lembrou o “Admirável Mundo Novo”. Tem uma crítica para a sensaboria das relações atuais, não é? Achei muito boa a explicação do fim, bem como torci pelos personagens quando ele quebrou as regras.

    Uma ótima sci-fi. Parabéns e Boa Sorte!

  9. vitor leite
    11 de junho de 2015

    conto muito bem escrito, paciência se a fobia acabou um pouco escondida, pode até a trama nem ser original, quando lemos saltam-nos imagens daqui e dali, e depois? não tem mal. o que apresentas está muito bem escrito, com bom ritmo e muito bem. Parabéns. Mas, agora não fiques por aqui. Começa a escrever uma “merda em grande”, já mostras-te que sabes, agora trabalha. (nota do portuga: aqui quando queremos dizer bem de uma coisa boa falamos merda em grande, sei lá porquê)

  10. catarinacunha2015
    11 de junho de 2015

    TÍTULO épico, profundo. Gostei.
    O POEMA acompanha a batida futurista com uma pegada nostálgica. Bem construído.
    FLUXO DO TEXTO imbatível. Domínio total de cada passagem. Consegue introduzir o leitor no mundo imaginado.
    TRAMA rica e movimentada. A fobia coletiva sem ser citada foi trabalhada com maestria. Fantástico.
    FINAL – Ai, que pena essa explicação no fim. Pra mim foi como salgar uma moqueca. Vou fazer o seguinte: fingir que de “Seus corpos jamais esqueceriam…”
    Vai direto para “— Tenho a permissão de apagar sua memória?”

  11. Fabio D'Oliveira
    11 de junho de 2015

    ❂ Nas Entranhas de Ceres, de Gladia ❂

    ➟ Enredo: Que história fantástica! Personagens vivos, cenário visual e construção excelente. O único pecado foi, ao meu ver, a execução. O início e meio ficaram ótimos. No entanto, o final foi brusco e falhou muito na execução. O ideal nesse tipo de narrativa é colocar as informações durante a história, fazendo o leitor descobrir o mundo e sua história junto com os personagens. Envolve mais. Tem mais personalidade. Mais vida! Da forma como ficou, aconselho que reescreva o final. Capacidade e talento você tem, agora vamos largar a preguiça de lado e trabalhar! Esse conto é muito promissor! Parabéns!

    ➟ Poema: Os poemas estão bons e a aplicação na história ficou ótimo. Mesmo longe de tudo, os seres humanos continuam a encontrar a beleza na arte.

    ➟ Técnica: Excelente! Não tenho mais nada a declarar! Parabéns!

    ➟ Tema: Sendo sincero, não encontrei nenhuma fobia no texto. O que tem é um medo condicionado, é ilógico, mas não profundo. Além disso, não dá para sentir o pavor de F. Parece que ela nem ficou com tanto medo! Numa refinada, aconselharia a aguçar o medo dela e, inclusive, do M. Colocar mais realidade nisso, pois esse medo realmente se encaixa com a história.

    ➟ Opinião Pessoal: Amei o texto. Apesar do final brusco e um pouco broxante, bato palmas! Parabéns!

    ➟ Geral: História magnífica. Técnica excelente. Poemas bons. Não se encaixou no tema, infelizmente. No mais, um texto maravilhoso. Parabéns, mais uma vez!

    ➟ Observação: Deixe a preguiça de lado!

  12. Fil Felix
    10 de junho de 2015

    Concordo em alguns pontos que o pessoal disse abaixo, em relação ao tema FC. Eu gosto bastante, mas quando é uma leitura suave e não super-mega-blaster cybernética, onde leio uma frase e não entendo nada. No seu caso, o conto é bastante tranquilo e molda um cenário futurístico que se assemelha à outros, mas que não perde seu charme.

    Gostei muito da interação entre as personagens, de como se comunicam através de telas e nunca se vêem e o sexo é algo do passado (me lembrou Barbarella), de como a curiosidade de um e o medo do outro sobre o desconhecido, outros povos, isso ficou bem legal. Mas o que me chamou a atenção, mesmo, e que acabou me ganhando, foi quando ele (já com a memória apagada) toca na tela e se sente recompensado. Achei lindo e um fechamento digno.

    Até agora, o conto que mais gostei. Só tiraria toda a parte final em itálico, acho que ficou didático demais e poderia ter sido colocada ao decorrer do texto. Essa simulação acabou me lembrando do Show de Trumam. Recomendo ver (se já não conhece) o anime Knights of Sidonia, que trabalha essa ideia de uma colônia fora da Terra, é muito bom. Engraçado como o tema nos remete à várias histórias (até o termo Fundação lembra os livros do Asimov), mas não veja como um ponto negativo, como em alguns comentários. Tudo que fazemos é fruto de nossa bagagem cultural.

  13. Tiago Volpato
    9 de junho de 2015

    Você tem domínio tanto na língua quanto no conteúdo do que você se propos a escrever. Você construiu um texto excelente e muito bem escrito. Mas particularmente ele não me agradou. Não sei te dizer o porque, não encontrei nenhum defeito pra apontar no texto então não sei explicar, apenas não consegui me conectar com ele, talvez por eu já ter lido muitas histórias, não vi nada muito novo aqui, uma sensação de ‘já vi isso’ sentou do meu lado. Mas o texto é muito bom.

  14. rsollberg
    8 de junho de 2015

    Cara, Galdia.
    Olha, gostei do texto.
    Eu sempre tenho problemas em analisar ficção cientifica, pois não tenho muitas referências.

    Sei lá, às vezes acho que já li algo parecido. Os cenários, as capsulas, as telas, os sistemas…Não tem muito para onde correr. A história é bacana, uma espécie de agorafobia futurística. Até bem provável, tendo em vista o nosso atual estilo de vida.

    Curti a poesia, achei que ficou bem conectada ao texto.

    Bem, mesmo não sendo o estilo que mais me agrada, fiquei entretido durante a leitura.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  15. Virginia Ossovski
    7 de junho de 2015

    Olá! Gostei bastante do seu conto, ficção científica quase sempre me empolga… e a que você criou com um tema desses ficou incrível, uma sociedade em que as pessoas nem podem se tocar… Olha, não entendi bem o final nem a razão de as pessoas estarem ali, mas gostei assim mesmo. Acho que o conto tem muitos (bons) diálogos e isso acabou me confundindo algumas vezes. A história é ótima, muito criativa, parabéns !

  16. Anorkinda Neide
    6 de junho de 2015

    Ahh..não sei… não consigo me conectar a cenários futuristas.
    O texto está bom e li sem dificuldade até o final, embora com o desconforto com as paisagens artificiais, não gosto, não curto…rssrs morreria num lugar assim.

    Os personagens foram bastante bem elaborados, acredito pois senti junto do protagonista o seu anseio por liberdade, por conhecimento, a rebeldia tão sadia… hehe Me irritei com a passividade e frouxidão da mocinha, justamente pq bem retratada.
    Parabens

    Não entendi o que aconteceu com os intrusos, eram seres vindos da Terra contaminada? acho que carecia de uma explicação ali. Gostei de saber, afinal, onde estavam e porquê.

    Gostei bastante do primeiro poema. E um poema e tanto.
    Não entendi a razão dos versos em negrito, apostei em montar o poema em separado apenas com eles e tb sem eles e fez sentido e continuou igualmente bonito. se foi essa a intenção, parabéns!

    Já o segundo poema, não considero-o um poema… o mesmo problema encontrado no conto anterior,Crisálida. Há uma sequência de pensamentos mas que não configuram um poema por não ter ritmo poético.

    Achei que a fobia foi bem explicitada na personagem feminina, mas é um adereço num conto sci-fi, não é o enfoque da trama. Eu achei, posso estar errada e ainda vou pensar nisso…rsrsrs

    Boa sorte, autor(A)

  17. Gustavo Castro Araujo
    5 de junho de 2015

    Contos de FC não têm muito para onde correr. Basta começar a leitura para nos vermos atingidos por lembranças aqui e ali. Não que isso seja ruim, mas a limitação espaço-temporal acaba amarrando um pouco a criatividade. Embora pareça fatalista, isso não é exatamente ruim. Dependendo do rio em que se banha, o autor pode trazer uma história bem interessante. Neste caso, me vieram à mente algumas referências muito boas.

    A primeira delas foi a excelente animação “Wall-E”, da Pixar, em que os humanos, depois de abandonar a Terra por conta do acúmulo de lixo, se isolam numa nave espacial e passam a nela viver indefinidamente. O mesmo parece acontecer aqui, já que os habitantes da colônia em Ceres tendem ao isolamento e ao total desapego com seu passado terráqueo. Isso se reflete bem na questão do medo pela contaminação por germes. O isolamento, aliás, me parece o ponto alto do conto, já que remete a questionamentos filosóficos — ainda que não totalmente explorados — acerca da natureza humana.

    Outra referência que pesquei foi Matrix, devido à realidade montada, traduzida pela experiência levada à frente à revelia da colônia.

    Mais interessante foi a alusão — não sei se intencional — ao excelente (e praticamente desconhecido) “Moon”, devido ao loop que se revela no final, para desespero do espectador desavisado.

    Quanto ao desenvolvimento do enredo, digo que gostei da fluidez e dos diálogos. A leitura é agradável e não surge como forçada. Enfim, é um conto que se lê por prazer.

    Não me deparei com nenhuma ofensa grave à gramática, mas sim com pequenos erros que não comprometem a leitura.

    O poema não é o melhor do conto, mas aí está. Mais para preencher a exigência do que como estrela da narrativa. Suprimido, não faria falta.

    De todo modo, no geral, uma leitura ótima e que certamente será bem avaliada.

    Boa sorte!

  18. Leonardo Jardim
    5 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (4/5) gostei. Envolvente, uma ótima história de ficção científica. O final, quando explica que eles não estavam no espaço, mas num experimento na Terra é legal, mas muito didático. Não entendi muito bem qual era dos invasores e como o problema foi “resolvido”.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, sem dúvidas. Narrativa muito fluida e interessante escolhas das palavras.

    ➵ Tema: (1/2) a misofobia move a maioria dos habitantes da cápsula, mas ela não foi o ponto principal do conto.

    ☀ Criatividade: (3/3) muito criativa essa ambientação futurística.

    ✎ Poema: (1/2) não gostei muito da sonoridade e nem vi muita relação com a trama.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei do conto, mas não me envolvi diretamente com os personagens. Queria ter sofrido mais as suas dores e seus receios.

  19. Ana Paula Lemes de Souza
    3 de junho de 2015

    É um conto muito bem escrito. Gostei muito da ambientação, dos personagens, da cena, da forma com que a história foi contada. É belíssimo. Embora seja um ótimo conto, o enredo não chegou a me fazer apaixonar, mas não há dúvidas de que é excelente. Desejo-lhe sorte!

    Alguns erros:
    Os erros deste conto por mim encontrados estão no uso de colocação pronomial. Nos três exemplos abaixo, o correto seria usar ênclise, que é a colocação do pronome após o verbo. Com o verbo no início da frase, SEMPRE devemos usar a ênclise e nunca a próclise. Veja-se:

    A piorou ainda mais – `Piorou-a ainda mais
    A levou de volta – Levou-a de volta
    O provocou para ver o que acontecia. – Provocou-o

  20. Evandro Furtado
    2 de junho de 2015

    Realmente, a útlima coisa que pensei foi que alguém escreveria algo no tom de ficção científica.

    Você não explorou uma fobia, mas várias. Trouxe o medo de germes, o medo de uma invasão e explorou no leitor o medo de ser controlado por um sistema.

    Gostei bastante da história, ficou até um gostinho de quero mais. Se resolver ampliar, por favor, avise. Também achei os personagens muito bem construídos, a ideia de dar esses nomes malucos, cheio de números foi muito boa.

    Me diverti bastantes lendo sua história.

    Parabéns e boa sorte.

  21. Claudia Roberta Angst
    2 de junho de 2015

    Bom, FC não é muito a minha praia, mas a trama está bem elaborada. Não tenho dado muita importância à poesia, mas gostei da sua. Achei que a fobia não foi o foco da narrativa, mas está presente.
    A leitura arrastou-se um pouco no começo (talvez por ser FC e eu não curtir muito), mas depois ganhou um ritmo mais confortável.
    Boa sorte!

  22. Fabio Baptista
    1 de junho de 2015

    *****************************
    >>>>>>>>>>TÉCNICA – 3/3
    (Pontos de avaliação: Fluidez narrativa, correção gramatical, estrutura da história, estética)
    *****************************
    Gostei desse ritmo que me lembrou Asimov no começo.

    Não é o meu estilo preferido, mas foi muito competente dentro da proposta.

    *****************************
    >>>>>>>>>> TRAMA – 2/3
    (Pontos de avaliação: Motivações dos eventos, verossimilhança, desenvolvimento dos personagens)
    *****************************
    Confesso que estava achando meio chato até a metade.
    Depois o meu interesse aumentou muito e se manteve assim até as revelações finais.

    Já esperava uma solução nesse estilo, mas isso não foi problema.

    *****************************
    >>>>>>>>>> POESIA – 1/2
    (Pontos de avaliação: a poesia em si e a relevância para a trama)
    *****************************
    Achei a poesia OK… mas sem muita relevância para a trama.

    *****************************
    >>>>>>>>>> PESSOAL – 1/2
    (Pontos de avaliação: 0 – Não gostei / 1 – Gostei / 2 – Gostei pra caralho!
    *****************************
    Gostei!

    *****************************
    >>>>>>>>>> ADEQUAÇÃO AO TEMA x 1
    (0 – Não se adequou / 0,5 – Parcial / 1 – Total
    *****************************
    Considerarei o “medo de sair da bolha” representado mais diretamente pelo medo dos germes, mas que entendi como metáfora para a condição humana, na mesma filosofia de Matrix.

  23. Cácia Leal
    29 de maio de 2015

    Um excelente conto, muito bem escrito. Adorei a abordagem futurista e o desenvolvimento da trama.
    Gramática: Percebi pequeníssimos deslizes, como um onde, sem a vírgula antes. Coisas muito específicas, que neste momento não me recordo mais… rs
    Criatividade: Muito criativo, sem sombra de dúvidas, claro.
    Adequação ao tema: Sei lá, achei pouco tocado o assunto da fobia. Medo dos germes sim, mas ficou tão sutil.
    Enredo: Adorei a abordagem e a trama em geral. Um escritor de mão cheia. E o desfecho foi espetacular. Acho que ficará em primeiríssimo lugar!… rs Parabéns!

  24. Sidney Muniz
    28 de maio de 2015

    O conto é muito bom.

    Adorei a narrativa, o enredo é meio americanizado, mas em contra partida não é.

    Não é tão original, pois há estórias semelhantes por aí, mas o autor(a) conseguiu imprimir ritmo a estória e alma aos personagens de forma tal que cativa o leitor a medida que conhecemos das aflições dos mesmos.

    A poesia é bem simples, não gostei muito, mas não foi nada que possa me fazer desgostar do conto, sendo assim, achei regular.

    Um aspecto que incomodou bastante foi a enxurrada de explicações ao final do conto, contar tudo de uma só vez me pareceu uma necessidade para o autor(a), quem sabe se tivesse feito isso aos poucos ou com um pouco mais de leveza, visto que o último parágrafo me pareceu incisivo.

    A língua pátria foi muito bem aplicada, com pouquíssimos equívocos.

    Abaixou-se rapidamente. Seu coração devia estar saindo pelos ouvidos. As máquinas nem se quer emitiram uma advertência, o que era estranho. – (Nem Sequer)

    Quanto a fobia, ela está aí, mas queria sentir mais dela, mais dos personagens nesse sentido.

    No mais, é um excelente trabalho e o autor(a) está de parabéns!

    Boa sorte!

  25. Rubem Cabral
    28 de maio de 2015

    Olá, autor(a).

    Gostei do conto: a história lembrou-me alguns clássicos de FC, feito “A Cidade e as Estrelas”. A poesia é interessante, os personagens tbm, a escrita, embora simples, é limpa e a fobia (xenofobia, dentre outras), foi bem explorada.

    Muito bom!

  26. Rogério Germani
    27 de maio de 2015

    Olá, Gladia!

    Novamente Hollywood deixa marcas …hehehe

    O lance de modificar a memória,o desejo de M querer voltar para conhecer o planeta de seus antepassados, a recusa de F por uma viagem real, o medo do que há do lado de fora da “bolha”: elementos existentes no filme “O vingador do futuro”.
    Já o fato das máquinas servindo de babás para manterem o bom comportamento humano no planeta, inclusive com penalidades ao transgressor da paz comum: tudo parte do pacote de outro filme de ação, “O Demolidor”.

    Após entender as homenagens,vamos à análise do conto.

    Pontos fortes

    1- É envolvente a maneira como o texto foi escrito, a linguagem é saborosa.
    2- Diálogos bem trabalhados.
    3- Poema: o ponto alto do conto.

    Pontos negativos

    1-Faltaram mais elementos descritivos no momentos de tensão.
    2- A fobia ficou em segundo plano… a aventura hollywoodiana acaba marcando mais que o medo de não poder respirar fora do “sistema”.

    Parabéns e boa sorte!

  27. JC Lemos
    27 de maio de 2015

    Olá, Gladia. Tudo bem?

    Belo conto. Gostei da sua narrativa envolvente, suva; daquelas que sabe prender o leitor e tirá-lo do tempo. Acabei de ler s nem perceber. Gostei da história, e apesar de achar que a fobia foi ofuscada pela aventura, o texto me ganhou.

    Gostaria de ver mais conteúdo dentro desse universo, no entanto. Se tivesse mais, o conto seria melhor ainda.

    O poema também ficou muito bom. Mais um daqueles que sabe o que faz.

    Tenho uma desconfiança quanto a autoria.

    Parabéns pelo excelente trabalho!
    Boa sorte!

  28. simoni dário
    27 de maio de 2015

    Uau, que maravilha de leitura! Gostei de tudo do início ao fim. Você tem uma escrita de categoria, narra com competência e fluidez um tema que nem sempre agrada, e quem não curte a temática pode até não entender nada. Você coloca elementos complicados na trama, mas que são absorvidos facilmente durante a leitura, isso torna seu trabalho genial. Parabéns autor, já respeito você (e invejo um tanto…).

  29. Wallace Martins
    27 de maio de 2015

    Olá, meu caro, Autor(a), tudo bem?

    Um conto magnífico, tenho que dar-lhe os parabéns por tamanha inteligência e criatividade para criá-lo, a crítica sutil a nossa sociedade e a forma de pensar no nosso mundo, de achar que somos os únicos e termos aquela aversão absurda para com os seres que vivem fora de nosso planeta é, perfeitamente, o que foi relatado, o uso da Xenofobia também foi uma perfeita ideia, parabéns, não seria nada comum alguém pensar nela aqui, poucos buscariam retratá-la por não ser algo tratado tanto como uma fobia, mas o nível e sutileza como a colocou nesse enredo é digno de palmas.

    A sua narração é gostosa de se ler, simplória, porém rica, de fácil entendimento, com um ritmo tranquilo de se ler, o conto se mantém em uma só linearidade do começo ao fim e isso me fez sentir um pouco de incomodo, porque queria sentir uma tensão maior no momento em que ele era perseguido pelas máquinas, onde ele infringe as regras, qualquer pessoa – exceto alguém que sofre de alguma psicopatia – sente receio de burlar as regras, por mais motivados que estejam, sendo assim, pelo menos transmitir essa tensão, mas depois colocar algo que o motive, novamente, seria muito válido, fora que, quando ele é pego, poderia colocá-lo pensando mais nas consequências, colocando uma aura mais dramática e tensa.

    Não notei muitos erros gramaticais no seu texto, de verdade, foi um conto maravilhoso e lhe parabenizo por tê-lo escrito e lhe agradeço por compartilhá-lo conosco, parabéns!

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Publicado às 27 de maio de 2015 por em Fobias e marcado .