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Detox Literário.

Apologia ao Ódio (Wender Lemes)

apologia

Odeio os moderados!
Odeio tudo que torna a vida medíocre!
Odeio quem apanha e se cala,
quem não chega a odiar,
quem acha chicória amarga –
mas engole!

Odeio a arte mutilada,
trechinho de Carlos,
trechinho de Mário,
trechinho de Oswald
– e por aí se vão os Andrades.
Odeio o trechinho por si só
de “João que amava Teresa”,
ah, como o odeio!

Odeio escrever o ódio!

Odeio os alienados e os “cults”,
a esquerda e a direita,
o alto e o baixo,
o gordo e o magro,
o preto e o branco,
o preto no branco,
o amarelo nos dentes,
o vermelho no gume,
o arco-íris no fim do negrume,
odeio!

Odeie comigo,
ME ODEIE,
eu te odiarei também
e, separados, criaremos um império
e as ruas serão cheias
e as palavras serão feias
e as estrofes serão teias
e os versos serão livres
e as vidas, alheias,
farão um império justo,
então,
a todo custo,
odeie comigo!

Lili não amava ninguém,
que mal isso lhe fez?
Amar pela metade é desumano…

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30 comentários em “Apologia ao Ódio (Wender Lemes)

  1. Rogério Germani
    22 de maio de 2015

    Parabéns pelo poema-protesto!

    Ódio é, na verdade, um amor levado ao extremo. E, como o próprio poema conclui, “Amar pela metade é desumano…”

  2. mariasantino1
    9 de maio de 2015

    “quem acha chicória amarga –
    mas engole!” Hey, Wender! Gostei bastante. Esse trechinho aí (Ops, desculpe pelo trechinho) me fez pensar em muitas coisas como essa mornidão da população frente as altas taxas, a má administração com nosso din-din. Vamos odiar! Não, quis dizer, vamos nos mexer!
    Boa!

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Kkkkkkk, vou deixar passar esse trechinho, Maria, só porque ganhei mais uma militante… digo, odiante… deixa pra lá. O ódio é um sintoma de que há algo muito errado incomodando, tomara que ele nunca passe disso, que nunca se torne a resposta. Valeu, Maria!

  3. Alan Machado de Almeida
    8 de maio de 2015

    Desde cedo sempre fui mais afeito a textos narrados, do tipo romance. Não sei escrever poesia, mas o site está me ensinando a apreciá-la. Talvez até me aventure por essa área mais para frente, quem sabe.

  4. Anorkinda Neide
    8 de maio de 2015

    Odeio a arte mutilada,
    trechinho de Carlos,
    trechinho de Mário,
    trechinho de Oswald
    – e por aí se vão os Andrades.
    Odeio o trechinho por si só
    de “João que amava Teresa”,
    ah, como o odeio!

    Ri muito!
    Muito bom!
    Eu odeio contigo, podexá 🙂

    Odeio trechinhos!!! kkkk

    Muito bom poema,concordo com Sidney que a penúltima estrofe está esmerada!
    a Lili fica, deixa a Lili, ela faz o que quiser… \o/

    O último verso é q perdeu o ritmo, uma arrumadinha nele, por favor…. ^^
    Nao sei o que sugerir apenas acho q ele saiu do ritmo, desafinou.

    Abração, poeta Wender!

    ps: eu estava sem vontade de abrir aqui e ler, com medo de me deparar com violências! kkkk não sei se o título ajuda ou atrapalha, afinal ele traz asurpresa posterior… sei lá… pensando… rsrsrrs

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Fico muito satisfeito que tenha gostado, Anorkinda 😀
      Inseri estes últimos versos quando achava que não tinha espaço pra mais nada, acho que é por isso que ficaram estranhos kkkk, ainda estou por decidir o que fazer com a Lili.
      Você me deu uma boa ideia, inclusive, quando disse que ela faz o que quiser… fiquei pensando nela como alguém livre e me veio a frase da bandeira do meu Estado… ficaria +/- assim:
      “Lili não amava ninguém,
      que mal isso lhe fez?
      Libertas Quae Sera Tamem.”
      Mas não sei ainda kkkk

      Valeu, forte abraço!

  5. Jefferson Lemos
    7 de maio de 2015

    Odiei junto contigo! Gostei bastante, pois é forte, tenta passar um sentimento pesado, que faz-se ver nas palavras. Muito bom!

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Grande Jefferson! Obrigado, cara, é sempre bom espalhar o ódio kkkk

  6. simoni dário
    7 de maio de 2015

    Odiei com seu poema! Parabéns!

  7. Sidney Muniz
    7 de maio de 2015

    Eu gostei, principalmente da penúltima estrofe que foi tecida com muito esmero, meu caro. Ela ficou genial.

    E para dizer mais e ser mais intrometido não vi necessidade nos três últimos versos. Se tivesse acabado no “odeie comigo!” para mim ficaria ainda mais perfeita.

    Acredito que inseriu eu’s demais nesse seu ótimo poema, e essa é minha unica ressalva. Três eu”s (O personagem que convida a odiar, aquele que ele está convidando e por fim a Lili…).

    Mas que se dane!

    Está ótima sua poesia e eu não sei de nada!

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Obrigado, Sidney! Você sabe muito sim, prova disso é ter percebido a questão da última estrofe, eu a acrescentei certo tempo depois, quando já tinha dado o poema por finalizado rsrs, mas achei que ela caberia. Agora estou em dúvida, veremos como ela ficará daqui a alguns dias xD

  8. Fabio Baptista
    6 de maio de 2015

    Odiei gostar desse poema!

    Mas gostei! A parte dos Andrades foi uma sacada e tanto.

    Muito bom, parabéns!

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Valeu, Fabio! Estava guardando esta dos Andrades… acabou servindo neste poema, que bom que gostou.

  9. José Leonardo
    6 de maio de 2015

    Olá, Wender Lemos. E tem como odiar esse poema? Uma ode ao desamor extremo. Muito bom.
    Abraços.

    • José Leonardo
      6 de maio de 2015

      *Wender Lemes

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Valeu, José Leonardo! Era essa a intenção, fico contente que tenha captado.

  10. vitor leite
    6 de maio de 2015

    parece quase uma música, se lês outra vez começas a bater com a mão na mesa acompanhando o ritmo das palavras. muito bom

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Obrigado, Vitor! Gosto de colocar ritmo no poema, mas é meio raro funcionar xD

  11. Neusa Maria Fontolan
    6 de maio de 2015

    Muito bom

  12. Ricardo Gnecco Falco
    6 de maio de 2015

    Bem impulsivo. Energético. Dialético. Se cada poema daqui fosse um signo (do Zodíaco), o seu seria sem dúvida o poema de Áries. 😉
    Parabéns!
    😉

    • Wender Lemes
      13 de maio de 2015

      Valeu, Ricardo! É um jeito curioso de pensar no poema hehe, rende mais poemas, inclusive.

  13. Claudia Roberta Angst
    6 de maio de 2015

    Ui! Não odiei nem um pouco o seu poema. Muito bom,nada mediano, nada medíocre. Gostei sobretudo do final, da redenção de Lili, porque sem dúvida, fazer algo pela metade é pior do que não fazê-lo. 🙂

  14. rsollberg
    5 de maio de 2015

    Curti!!
    Bem frenético, mas criando sempre uma reflexão.
    Afinal, vivemos na era dos “haters”, e é preciso força para nadar contra a maré!
    Parabéns.

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Informação

Publicado às 5 de maio de 2015 por em Poesias e marcado .